#Série – Isso é Patrimônio Mundial: Suriname

Foto: Jorel Carter/Portal Amazônia

Considerado o menor país independente da América do Sul, o Suriname também está presente na Lista de Patrimônios Mundiais da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). Situada na fronteira entre Guiana, Brasil e Guiana Francesa, a nação conta com três patrimônios reconhecidos pela Unesco, todos eles pertencentes à Amazônia internacional: a Reserva Natural do Suriname Central, o Centro Histórico de Paramaribo e o Sítio Arqueológico de Jodensavanne.

Os locais foram reconhecidos pela Unesco por representarem bens culturais e naturais considerados de Valor Universal Excepcional, ou seja, locais cuja importância ultrapassa as fronteiras de um país e pertence à humanidade como um todo. Além disso, tal reconhecimentos reforçam o papel da Amazônia como um território de valor inestimável, cuja conservação é fundamental não apenas para o Brasil, mas para todo o planeta.

Adotada pela Unesco em 1972, a convenção do Patrimônio Mundial e Natural classifica os patrimônios culturais e naturais através de monumentos, grupos de edifícios, sítios, formações físicas, biológicas e geológicas excepcionais, habitats de espécies animais e vegetais ameaçadas e áreas que tenham valor científico, de conservação ou estético excepcional e universal.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Patrimônios mundiais na Amazônia

Reserva Natural Suriname Central

Reserva Natural do Suriname Central - Patrimônio
Reserva Natural do Suriname Central. Foto: Reprodução/Unesco

Localizada no centro-oeste do Suriname, a Reserva Natural do Suriname Central é a maior área ambiental protegida do país, com aproximadamente 1,6 milhão de hectares de floresta tropical com cobertura vegetal preservada. O local abriga uma diversidade de fauna e flora amazônicas que inclui a onça-pintada, o tatu-canastra, a ariranha-gigante, a anta, a preguiça, espécies de primatas e cerca de 400 espécies de aves, como gavião-real, galo-da-Guiana e arara-vermelha.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Brasil 

Criada em 1998, o local tinha o objetivo inicial de unir três reservas pré-existentes: Raleigh Vallen, Eilerts de Haan e Tafelberg, florestas que carregavam um alta diversidade de vida vegetal e compostas de áreas pantanosas. Até hoje, a Reserva Natural do Suriname Central protege montanhas, rios, cachoeiras e ecossistemas pouco alterados pela ação humana, porém, é possível perceber comunidades quilombolas nas proximidades, sendo a maior parte descendente de escravos e indígenas. 

No ano de 2000, a Reserva Natural do Suriname Central foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco.

Centro histórico de Paramaribo 

Centro Histórico de Paramaribo. Foto: Reprodução/Ron Van Oers-Unesco

Capital do Suriname, Paramaribo fica localizada às margens da costa norte da América do Sul e a mais antiga cidade colonial holandesa datada dos séculos XVII e XVIII. O Centro Histórico de Paramaribo carrega uma fusão arquitetônica que mistura a cultura do povo holandês, com edificações de madeira que formam simetria, e influências europeias e americanas, o que acabou refletindo na sociedade multicultural da cidade.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Equador

A maioria das construções mais importantes para a paisagem urbana foram feitas entre 1667 e 1885. Dentre as construções históricas estão o Forte Zeelandia (1667) e o Garden of Palms, com ruas arborizadas e espaços abertos. Além disso, tem também o Palácio Presidencial (1730), construído em pedra e madeira. A cidade também conta com o Ministério da Fazenda, construído em 1841, uma monumental estrutura de tijolos com pórtico clássico e torre do relógio, a Igreja Reformada (1837) em estilo neoclássico e o Gótico Revival Católico Romano Catedral (1885) em madeira.

Por ser um dos maiores exemplos de cidade colonial preservada no Caribe e no norte do continente sul-americano, o Centro Histórico de Paramaribo foi reconhecido em 2002 como Patrimônio Mundial da Unesco.

Sítio Arqueológico de Jodensavanne: Assentamento de Jodensavanne e Cemitério Cassipora Creek

Ruína da fachada oeste da Sinagoga Beraha VeSalom. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation

Último patrimônio mundial do país reconhecido pela Unesco, o Sítio Arqueológico de Jodensavanne, no norte do Suriname, é uma propriedade com duas partes que ilustram as primeiras tentativas de colonização judaica no Mundo Atlântico. O Assentamento Jodensavanne, fundado na década de 1680, inclui as ruínas do que se acredita ser a sinagoga arquitetônica mais antiga das Américas, além de cemitérios e fundações de edifícios de tijolos, áreas de desembarque para barcos e um posto militar.

Saiba mais: #Série – Isso é Patrimônio Mundial: Venezuela

Já o Cemitério Cassipora Creek é um assentamento mais antigo fundado na década de 1650, que deixou de existir há três décadas após seus habitantes migrarem dois quilômetros rio abaixo para Jodensavanne. Essas primeiras colônias judaicas não estavam situadas em ambientes urbanos existentes e eram mais longas do que muitas outras. Localizados em meio a território indígena, tais assentamentos eram habitados, possuídos e governados por judeus que viviam ali junto com pessoas livres e escravizadas de descendência africana e indígena.

Sepulturas preservadas em Beth Haim Jodensavanne. Foto: Reprodução Unesco/S.A. Fokké-Jodensavanne Foundation

Devido a sua importância em preservar os vestígios da comunidade judaica fundada por refugiados da Inquisição Ibérica, a Unesco reconheceu em 2023 o Sítio Arqueológico de Jodensavanne na categoria Cultural.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Leia também

Publicidade