Foto: Reprodução/Facebook-@Archaeology & Civilizations
Apesar de ser conhecido mundialmente como Forte de Samaipata (El Fuerte de Samaipata), o sítio arqueológico boliviano não foi construído originalmente como uma fortaleza militar. Pelo contrário, de acordo com pesquisas arqueológicas sua principal função era cerimonial, religiosa, administrativa e política.
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Localizado na Província da Flórida, Departamento de Santa Cruz, na Bolívia, país da Amazônia Internacional, o forte foi construído a 2 mil metros de altitude, em um local de antigos rituais indígenas. De acordo com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o sítio arqueológico de Samaipata é composto por duas áreas distintas: uma colina com inúmeras esculturas em pedra, considerada o centro cerimonial da antiga cidade, e um setor ao sul que funcionava como distrito administrativo e residencial.
Reconhecido como Patrimônio Mundial pela Unesco desde 1998, o forte reúne evidências da ocupação de diferentes povos ao longo de mais de mil anos.
Por que o local recebeu o nome de ‘Forte’?
O viajante Ruy viaja, em seu canal do youtube, explica, durante um passeio pelo lugar, que o Forte de Samaipata ganhou o nome ‘El Fuerte’, que significa ‘o Forte’ em espanhol, durante o período colonial. De acordo com ele, os conquistadores espanhóis batizaram o local como ‘el fuerte’ devido à sua posição elevada no alto de uma colina, embora sua principal função não fosse militar.
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Apesar disso, as fortificações militares realmente existiram, mas representam apenas uma das últimas fases de ocupação do sítio arqueológico. Com o passar do tempo, o nome acabou sendo utilizado para designar toda a área, embora a maior parte do complexo tenha sido construída muito antes de sua utilização militar.
Um centro religioso muito antes de ser uma fortaleza
De acordo com a Unesco, o local começou a ser ocupado por volta do ano 300 d.C., inicialmente por grupos ligados à cultura Mojocoya. Foi nessa época que teve início a escultura da enorme rocha de arenito vermelho que se tornou o principal símbolo de Samaipata.
Séculos depois, o sítio foi ocupado pelos incas, que transformaram a região em uma capital provincial e ampliaram suas funções administrativas. Mesmo assim, o elemento principal do conjunto continuou sendo sua gigantesca rocha esculpida, considerada um espaço destinado a rituais religiosos.

A Unesco descreve essa rocha como um dos maiores monumentos cerimoniais pré-colombianos das regiões andina e amazônica. Com aproximadamente 220 metros de comprimento por cerca de 60 metros de largura, a formação rochosa foi cuidadosamente trabalhada por artesãos especializados, e nela é possível observar:
- canais esculpidos na pedra;
- nichos e cavidades;
- figuras geométricas;
- representações de animais;
- espaços associados a cerimônias religiosas e rituais ligados à água, à fertilidade e às divindades da natureza.
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O complexo urbano de Samaipata
Embora a grande rocha seja a parte mais conhecida do sítio, Samaipata é formado por dois conjuntos arqueológicos principais.
O primeiro corresponde ao centro cerimonial, localizado sobre a colina esculpida, e o segundo reúne o antigo setor administrativo e residencial, onde arqueólogos encontraram praças, terraços agrícolas, edifícios públicos, áreas de armazenamento e construções típicas da arquitetura inca.
Segundo a Unesco, entre essas estruturas está a Kallanka, um grande edifício utilizado para atividades militares e administrativas, além de espaços conhecidos como Ajllahuasi, onde viviam mulheres ligadas às atividades do Estado Inca.
A importância estratégica da região
Embora sua principal função fosse religiosa e política, Samaipata ocupava uma posição geográfica estratégica. Localizado na transição entre os Andes e as terras baixas da Amazônia, o sítio controlava importantes rotas comerciais e servia como ponto de contato entre diferentes culturas.

De acordo com a Unesco, o sítio serviu como um baluarte contra os ataques dos guerreiros Chiriguanos da região do Chaco na década de 1520. Além disso, as minas de prata do Cerro Rico, em Potosí, começaram a ser exploradas em 1545, e o assentamento colonial de Samaipata tornou-se um importante ponto de parada na estrada que ligava Assunção e Santa Cruz aos centros coloniais dos Andes, como La Plata (atual Sucre), Cochabamba e Potosí.
Com a fundação da nova cidade de Samaipata no Vale da Purificação, o antigo assentamento perdeu sua importância militar e foi abandonado.
Um patrimônio que preserva a história de diferentes povos
Ao longo de sua história, o local foi ocupado por diferentes povos, incluindo grupos da cultura Mojocoya, incas e, posteriormente, espanhóis. Segundo a Unesco, o conjunto representa um raro exemplo da integração entre tradições religiosas, arquitetura monumental, organização urbana e administração política em uma região de contato entre os Andes e a Amazônia.
Por isso, apesar do nome que atravessou os séculos, o ‘Forte de Samaipata’ é lembrado muito mais como um centro cerimonial e cultural do que como uma fortaleza militar.
