Zoológico de Manaus distribui picolés feitos de carne e frutas para ajudar animais a enfrentar o calor amazônico

Fachada do Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs), localizado em Manaus, no Amazonas. Foto: Reprodução/CIGS

Para amenizar os efeitos do calor intenso em Manaus durante o verão amazônico, o Zoológico do Centro de Instrução de Guerra na Selva (Cigs) adotou uma estratégia diferente para cuidar dos cerca de 400 animais que vivem no local: a distribuição de picolés feitos de carne e frutas. A medida faz parte de um conjunto de ações voltadas ao bem-estar dos animais durante o período mais quente do ano.

O verão amazônico é o período de estiagem na Amazônia, caracterizado pela redução das chuvas, temperaturas elevadas e baixa umidade, que ocorre entre os meses de julho e outubro. Administrado pelo Exército Brasileiro, o zoológico abriga apenas espécies da fauna amazônica e atua no acolhimento, tratamento e reabilitação de animais resgatados ou apreendidos por órgãos ambientais.

Segundo a médica veterinária do zoológico, tenente Lauren Bazzi, cada espécie reage de forma diferente às altas temperaturas, o que exige cuidados específicos.

“Tem algumas espécies de animais que não suam, outras que precisam regular a temperatura do corpo e precisam estar no sol para ter essa regulação. Varia muito de espécie para espécie se tratando de animais silvestres. Aqui a gente tem um cuidado extremo, principalmente no período mais crítico do nosso verão amazônico”, explica a tenente.

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Atualmente, o zoológico conta com uma equipe formada por 16 militares, quatro médicos-veterinários, um biólogo e estagiários das áreas de medicina veterinária, zootecnia e biologia.

Como são feitos os picolés?

Tenente Lauren Bazzi, médica veterinária do zoológico. Foto: Reprodução/G1 Amazonas

Para enfrentar o calor, a alimentação dos animais ganha versões congeladas dos alimentos já previstos na dieta. O valor nutricional não é alterado, mas a apresentação dos alimentos muda para ajudar no conforto térmico e estimular comportamentos naturais.

Os chamados “picolés” são produzidos com carne para os animais carnívoros e com frutas para herbívoros e onívoros. A técnica é conhecida como enriquecimento ambiental alimentar e ajuda a refrescar e entreter os animais nos horários mais quentes do dia.

Além disso, blocos de gelo são colocados nos bebedouros para manter a água mais fresca. A receita varia conforme a espécie. Os picolés podem conter: carnes de aves, bovinos, suínos, peixes e figado, ou outros ingredientes como, por exemplo, sangue da própria proteína servida, ervas, gelatina e água filtrada.

Leia também: Veterinária explica se as onças que vivem no CIGS podem voltar para a floresta

O preparo é feito em formas adaptadas ao porte de cada animal e o material permanece no congelador por pelo menos 12 horas antes da distribuição. A cada remessa, são produzidos 21 picolés de carne: felinos como as onças parda e pintadas, jaguatiricas e gatos selvagens recebem 18 exemplares. Mamíferos carnívoros como quatis e furões recebem três unidades, enquanto que as aves de rapina não recebem o alimento congelado. Para os primatas e espécies herbívoras, também são produzidos picolés à base de frutas.

A distribuição ocorre, em média, três vezes por semana e principalmente entre 14h e 16h30, período em que o calor costuma ser mais intenso. De acordo com a equipe do zoológico, os sinais de desconforto térmico são observados por meio do comportamento dos animais.

Para acompanhar a situação, os profissionais realizam rondas frequentes nos recintos, verificando o nível da água dos bebedouros e das piscinas e fazendo o reabastecimento sempre que necessário. Além dos picolés, o zoológico reforçou outras medidas para reduzir o impacto das altas temperaturas.

“A gente reconhece pela agitação daquele animal. Conseguimos perceber que ele está um pouco mais inquieto e estressado, o que muito provavelmente é ocasionado pelo excesso de calor”, afirma a tenente Bazzi.

No recinto dos primatas, foram instalados aeradores que lançam uma névoa de água e vento. Segundo a equipe, a solução foi adotada porque as ilhas dos macacos não podem ter árvores muito altas ou galhos que facilitem fugas ou a comunicação entre os recintos. Já os grandes felinos e as antas recebem banhos de ducha ao longo do dia, principalmente nos horários mais quentes.

macacos do cigs recebem picolés durante verão amazônico
Macacos do Cigs no Amazonas — Foto: Reprodução- G1 Amazonas/Lucas Macedo

*Com informações de Lucas Macêdo, do G1 Amazonas.

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