Duas novas espécies de vespas-pinça são identificadas em áreas de igapó no Amazonas

Espécimes inéditas de vespas-pinça coletadas há quase 50 anos foram encontradas por pesquisadores em Manaus, no Amazonas.

Espécies de vespa Gonatopus jadisi e Pareucamptonyx igapoense foram coletadas na floresta de igapó localizada no bairro Tarumã-Açu, em Manaus, Amazonas. Fotos: Foto: Reprodução/’Two new species of pincer wasps (Hymenoptera: Dryinidae: Gonatopodinae) from blackwater floodplain forest (igapó) in the Brazilian Amazon

Duas espécies de vespas até então desconhecidas pela ciência foram encontradas em amostras coletadas há quase 50 anos no igapó do rio Tarumã-Mirim, em Manaus (AM). A descoberta foi revelada em estudo feito por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em parceria com outras universidades brasileiras e o Instituto Nacional de Biodiversidade do Equador, em Quito.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Publicado na revista científica Acta Amazônica, o artigo revelou as espécies Gonatopus jadisi e Pareucamptonyx igapoense. Em suas características, as espécimes apresentavam uma estrutura parecida com uma pinça nas patas dianteiras. Além das descrições, o estudo também reúne as chaves das identificações, ilustrações das espécies e mapas de distribuição.

A primeira vespa encontrada foi uma fêmea da espécie Gonatopus jadisi, com tamanho de 3,25 mm e coloração predominantemente castanho-amarelada e algumas regiões mais escura em seu corpo. As pernas possuem áreas esbranquiçadas e o corpo apresenta pelos esparsos. Em suas patas dianteiras, a espécie de vespa possui uma estrutura semelhante a uma pequena pinça, chamada de quela, utilizada para segurar e capturar seus hospedeiros.

Leia também: Estudo aponta que espécies de vespas são maiores à medida que hábitats se aproximam do Equador

Gonatopus jadisi, nova espécie de vespa-pinça
Espécie Gonatopus jadisi. Foto: Reprodução/’Two new species of pincer wasps (Hymenoptera: Dryinidae: Gonatopodinae) from blackwater floodplain forest (igapó) in the Brazilian Amazon’

Já a segunda espécie, denominada de Pareucamptonyx igapoense, a fêmea descrita pelos pesquisadores mede apenas 1,68 milímetro e apresenta cabeça na cor castanha, mandíbula esbranquiçada, tórax parcialmente preto e patas predominantemente castanho-amareladas. Outra característica única é a mancha esbranquiçada na região interna dos olhos.

Assim como Gonatopus jadisi, a P. igapoense apresenta uma estrutura em forma de pinça, uma garra ampliada com cinco cerdas e características específicas nas estruturas das pernas que permitiram diferenciá-la de espécies já conhecidas.

Espécie Pareucamptonyx igapoense. Foto: Reprodução/’Two new species of pincer wasps (Hymenoptera: Dryinidae: Gonatopodinae) from blackwater floodplain forest (igapó) in the Brazilian Amazon’

Histórico das vespas

A história das duas novas espécies está ligada a uma pesquisa realizada pelo entomologista Dr. Joachim Adis, durante as décadas de 1970 e 1980. O pesquisador realizou estudos sobre a diversidade de artrópodes em áreas de várzea e igapó próximas a Manaus. Ao longo desse trabalho, foram coletadas 11.210 amostras, parte das quais foi levada para a Alemanha.

Em 2008, o material foi repatriado para o Brasil e retornou ao Inpa. Durante a triagem das amostras de igapó, os pesquisadores encontraram exemplares que posteriormente foram identificados como pertencentes a duas espécies ainda não descritas pela ciência. Os insetos haviam sido coletados entre 1976 e 1988, na floresta de igapó às margens do rio Tarumã-Mirim, na capital amazonense.

Leia também: Igapó ou Igarapé? Entenda a diferença

Para a captura das vespas, foram utilizadas armadilhas chamadas ecletores de solo e ecletores de árvore. Tais estruturas são muito utilizadas por pesquisadores para coletar insetos, aranhas e demais insetos, seja fixadas no solo ou amarradas nos troncos de árvores.

As armadilhas ficavam a aproximadamente 3,60 metros do solo, ao redor dos troncos de árvores com mais de 20 metros de altura do igapó, que é o nome que se dá para o tipo de vegetação amazônica com plantas que sobrevivem permanente na água (espécies chamadas de hidrófilas).

Importância da descoberta

Os autores do estudo concluíram que a descoberta das duas novas espécies ampliou o conhecimento sobre a família Dryinidade, pertencentes às vespas. Com os dois novos registros, as espécies registradas na floresta amazônica passam de 12 para 14 espécimes. Além disso, a repatriação do material que estava na Alemanha permitiu que a ciência brasileira aumentasse o catálogo e descrição de novas espécies no bioma amazônico.

“Essas amostras representam uma descoberta incomum para um local com fauna já bem conhecida, demonstrando assim a
importância da coleção repatriada e sua contínua contribuição para a biodiversidade amazônica”, cita o estudo.

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Equidade étnico-racial: municípios discutem caminhos para enfrentar o racismo na Amazônia

Encontros formativos do Selo UNICEF reúnem gestores e atores municipais no Pará, Amapá, Mato Grosso e Tocantins para fortalecer políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial e à garantia de direitos de crianças e adolescentes.

Leia também

Publicidade