Presença de metais pesados em camarões ajuda pesquisadores a mapear garimpo ilegal no Amapá

Escolha dos camarões foi estratégica: são fáceis de capturar e absorvem diferentes tipos de contaminação. Material coletado dos tecidos e da carapaça é analisado no laboratório da Ueap.

O biólogo Jefferson Romário explicou que a análise dos tecidos dos camarões, sensíveis a poluentes, permite calcular os metais e mapear a rota da contaminação. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Pesquisadores usam camarões para identificar a contaminação causada pelo garimpo ilegal no Amapá. A análise dos crustáceos revela a presença de metais pesados como mercúrio, chumbo e arsênio. O material é retirado dos tecidos e da carapaça e examinado em laboratório.

A escolha dos camarões foi estratégica. Apesar de pequenos, eles são sensíveis à contaminação e absorvem diferentes tipos de poluentes. Como se reproduzem rápido, também são fáceis de capturar.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo o biólogo Jefferson Romário, a análise dos tecidos permite calcular a quantidade de metais e identificar a rota da contaminação. As amostras são coletadas em diferentes pontos dos rios do Amapá e mostram o impacto ambiental do garimpo ilegal.

“Os camarões possuem um alto poder de bioacumulação, de modo que qualquer contaminante presente na água pode ser absorvido por eles, ficando tanto nos tecidos quanto na carapaça. Por meio de experimentos específicos, conseguimos realizar essa quantificação. Uma vez coletados e manipulados em laboratório, conseguimos avaliar a quantidade de metais presentes e também analisar a histologia desses animais, observando assim os efeitos em nível laboratorial”, explicou o biólogo.

Presença de metais pesados em camarões ajuda pesquisadores a mapear garimpo ilegal no Amapá
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Camarões revelam riscos

Os resultados apontam grande quantidade de metais pesados nos camarões, considerando o tamanho do organismo. Isso alerta para o risco de consumo por comunidades ribeirinhas.

“É uma concentração elevada para o tipo de organismo com o qual trabalhamos, já que ele apresenta capacidade de bioacumulação. Assim, à medida que se consome mais camarões, ocorre o acúmulo desses contaminantes no próprio organismo humano. Atualmente, conseguimos observar que os rios estão contaminados, evidenciando uma forte pressão antrópica, a qual pode ser detectada pelos camarões como indicadores da degradação ambiental”, destacou Jefferson.

O estudo deve ajudar a identificar áreas contaminadas e incentivar políticas públicas no Amapá. A pesquisa é feita em parceria entre a Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e a Universidade Federal do Amapá (Unifap).

Garimpo ilegal no Amapá

Em 2026, a Polícia Federal (PF) já realizou três operações contra o garimpo ilegal no Amapá. A mais recente ocorreu no Santuário das Árvores Gigantes, área de floresta entre Laranjal do Jari (AP) e Almeirim (PA). O Santuário preocupa autoridades, que reforçaram o combate ao avanço do garimpo na região.

Em setembro de 2025, organizações ambientais alertaram que sete árvores gigantes da espécie angelim-vermelho, com mais de 80 metros de altura, correm risco de desaparecer no Amapá devido ao avanço do garimpo ilegal.

Leia também: Camarões são pequenos gigantes da biodiversidade amazônica

Presença de metais pesados em camarões ajuda pesquisadores a mapear garimpo ilegal no Amapá
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP

Outro foco da PF é o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque. Imagens registradas nesta segunda-feira mostram poças cavadas e contaminadas por minério dentro do Parque.

As investigações da PF mostram que organizações criminosas financiam a logística dos garimpos ilegais em áreas estratégicas. Os principais pontos de atenção são Oiapoque, Laranjal do Jari e Calçoene.

As quadrilhas não extraem apenas ouro, mas também cassiterita, mineral essencial para a indústria. O monitoramento das áreas é feito por satélite. Em alguns casos, só é possível medir o impacto quando a destruição já é extensa.

*Por Mariana Ferreira e Gabriel Morais, da Rede Amazônica AP

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

De cemitério a condomínio: residencial foi construído em antiga área de sepultamentos em Rondônia

Antes de se tornar área residencial, o espaço na zona sul da capital funcionou como cemitério público e passou por um longo processo de desativação e mudanças urbanas.

Leia também

Publicidade