Ufopa obtém patente para produção de painéis a partir do caule do açaí

A invenção que conseguiu patente utiliza a porção mais densa e fibrosa do caule do açaizeiro para a produção de painéis colados de alta resistência mecânica.

Além do fruto, tecnologia abre perspectiva para que produtores comercializem o produto caule do açaí com o setor industrial. Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

Da floresta para a inovação: um resíduo do manejo do açaí, até então sem aproveitamento tecnológico em larga escala, acaba de se transformar em mais um ativo de propriedade intelectual da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa). A instituição conquistou nova carta-patente concedida pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) com a invenção “Painéis de caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”, tecnologia que converte o caule excedente do açaizeiro em um material de alta resistência com potencial de aplicação na construção civil, mobiliário e produção de objetos.

A invenção utiliza a porção mais densa e fibrosa do caule do açaizeiro para a produção de painéis colados de alta resistência mecânica, com características semelhantes às de madeiras de alta densidade e madeiras laminadas. Além de agregar valor a um resíduo que normalmente é descartado, a solução apresenta potencial para estimular cadeias produtivas ligadas à bioeconomia amazônica e ao uso sustentável dos recursos regionais.

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Com depósito realizado em maio de 2020, a patente foi expedida em 16 de junho de 2026 e tem validade de 20 anos. O desenvolvimento é assinado pelos docentes e pesquisadores João Thiago Rodrigues de Sousa e Victor Hugo Pereira Moutinho, ambos vinculados ao Instituto de Biodiversidade e Florestas (Ibef/Ufopa) e por Bruno Monteiro Balboni, docente da Universidade de São Paulo (USP).

Para um dos pesquisadores, João Thiago Rodrigues de Sousa, “a patente proposta representa  inovação de imenso valor científico, ecológico e socioeconômico para a região amazônica. Para além do reconhecimento do nosso trabalho, ela consolida o trabalho das populações rurais que manejam o açaí para abastecer o mercado com os frutos. Agora podem obter um outro produto de altíssimo valor agregado, aumentar sua renda, dinamizar a cadeia e coloca a atividade no mapa de benefícios sociais importantes, como previdência, ergonomia, profissão, etc., a partir de um resíduo do manejo.”

O pesquisador Bruno Balboni reforça que “a madeira de açaí é uma forma de fornecer uma fonte de renda extra para o produtor de açaí, agregando valor ao resíduo do manejo do açaizeiro, estimulando a prática que possui o benefício de aumentar a produção dos frutos”.

Antes mesmo da concessão da carta-patente, a tecnologia já começou a ganhar visibilidade em espaços estratégicos de divulgação e inovação. O material desenvolvido foi apresentado durante a COP 30, realizada em Belém (PA), cidade-sede da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, e na XVII Feira da Indústria do Pará (Fipa) 2026, também realizada em Belém, ampliando o alcance da pesquisa e aproximando o projeto de potenciais conexões institucionais e de mercado.

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Ufopa obtém patente para produção de painéis a partir do caule do açaí
Foto: Divulgação/Acervo da pesquisa

Próximo passo

A próxima etapa dos pesquisadores concentra-se no avanço dos estudos voltados à viabilidade de comercialização e inserção do produto no mercado, com potencial de abrir uma nova oportunidade econômica para produtores que atuam no cultivo do açaí, que poderão agregar valor ao manejo e comercializar também o caule excedente para o setor industrial, além da produção tradicional voltada ao fruto.

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Patentes na Ufopa 

Com a nova carta-patente, a Ufopa passa a contabilizar 11 pedidos de patentes depositados, dos quais três já obtiveram concessão e uma quarta tecnologia aguarda a conclusão do processo para concessão definitiva.

Entre as invenções já protegidas pelo INPI estão:

  • “Sistemas líquidos cristalinos baseados em gordura vegetal de murumuru (Astrocaryum murumuru Mart.) para liberação sustentada de fármacos em pele e cavidades revestidas por mucosa”, primeira carta-patente da Universidade;
  • “Produto cosmético para colorir os lábios baseado em pigmento extraído das cascas do fruto do jambeiro-vermelho (Syzygium malaccense)”;
  • e agora os “Painéis de caule do Açaizeiro (Euterpe sp.)”.

Além das patentes de invenção, a Universidade também conquistou recentemente o registro da marca Afroteca, tecnologia educacional antirracista desenvolvida na instituição, ampliando seu portfólio de ativos de propriedade intelectual e de soluções geradas a partir da Amazônia.

Com a nova patente recém concedida, a Ufopa segue consolidando sua contribuição para o desenvolvimento de soluções científicas conectadas aos desafios amazônicos e para a valorização do conhecimento produzido na região.

*Com informações da Ufopa

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