Quem é o colorista de Rondônia que trabalhou em produções de Anitta e Travis Scott

Morador de Porto Velho, Rafael Souto, de 24 anos, atua como colorista na pós-produção audiovisual. O profissional construiu uma carreira atendendo artistas e marcas sem sair de Rondônia.

Quem é o colorista de Rondônia que trabalhou em produções de Anitta e Travis Scott? Foto: Reprodução Youtube – Anitta – Travis Scott e arquivo Rafael Souto

Um jovem que mora em Porto Velho participou da pós-produção do novo projeto de Anitta e já trabalhou em produções do rapper Travis Scott. Aos 24 anos, Rafael Souto atua como colorista e construiu uma carreira no mercado audiovisual atendendo artistas e grandes marcas sem deixar Rondônia.

No projeto Equilibrivm II, de Anitta, Rafael foi responsável pela colorização de trechos exibidos entre os minutos 10:11 e 15:23 da obra. O trabalho faz parte da etapa de pós-produção, em que o profissional ajusta cores, contraste e iluminação para criar a identidade visual de cada cena.

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Anitta em trabalho feito pelo colorista Rafael Souto. Foto: Reprodução/ Youtube – Anitta

O colorista é o profissional responsável por definir a estética visual de uma produção audiovisual. Por meio de ajustes de cor, contraste e luz, ele transforma o material bruto em imagens que ajudam a transmitir emoções e reforçar a narrativa desejada pelo diretor ou cliente.

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Além de Anitta, Rafael também já trabalhou em produções do rapper Travis Scott, do cantor Matuê e do lutador do Ultimate Fighting Championship (UFC) Alex Poatan. O portfólio ainda reúne campanhas para marcas internacionais, incluindo uma peça publicitária para uma fabricante de canetas que venceu prêmios no Festival de Cannes.

“Foi uma realização profissional muito importante e, depois disso, a galera foi confiando mais em mim”, disse Rafael.

Anitta em trabalho feito pelo colorista Rafael Souto. Foto: Reprodução/ Youtube – Anitta

Trabalhar com artistas de projeção internacional também exige discrição. Segundo Rafael, os contratos incluem cláusulas de confidencialidade e, muitas vezes, ele só pode comentar os projetos depois que são lançados.

“A única pessoa para quem eu conto é a minha esposa, para não vazar nada. Existem documentos de confidencialidade”, explica.

Segundo Rafael, o mercado oferece boa remuneração, mas exige alto investimento em tecnologia, como computadores potentes e monitores calibrados. O cachê para tratar as cores de um clipe nacional de grande orçamento varia entre R$ 5 mil e R$ 10 mil.

Do vídeo de casamento aos artistas internacionais

A paixão pelas imagens começou cedo. Filho de um fotógrafo de casamentos, Rafael editava vídeos de eventos ao lado do pai. O sonho de crescer profissionalmente, porém, parecia distante de quem vivia longe dos grandes centros.

“Eu sempre pensava: como vou conseguir atingir as pessoas que pagam bem? Eu não tinha pretensão de ir embora daqui. Cheguei à conclusão de que teria que ser pela internet, trabalhando com pós-produção”, conta.

Anitta em trabalho feito pelo colorista Rafael Souto. Foto: Reprodução/ Youtube – Anitta

Nascido em Luziânia (GO), Rafael mora em Rondônia desde a infância. Foi no estado que conheceu profissionais da área e começou a construir a carreira.

“Eu vim pra cá com a minha família e estou aqui até hoje. Foi aqui que conheci as pessoas da área e cheguei ao ponto de trabalhar com isso”, contou Rafael.

Em Porto Velho, ele mantém uma parceria profissional com o diretor e videomaker Juraci Júnior. Segundo Rafael, o produtor foi uma das primeiras pessoas a apostar em seu trabalho quando ele ainda estava começando.

Anitta em trabalho feito pelo colorista Rafael Souto. Foto: Reprodução/ Youtube – Anitta

“Foi uma das pessoas que acreditou em mim no início. Mesmo eu não tendo nome e não tendo muitos trabalhos, ele confiou em mim. Então, a gente tem muito essa parceria de amigo mesmo, de fazer um projeto do outro”, disse.

Curiosamente, a área em que Rafael construiu a carreira era justamente a que menos gostava no começo. Isso mudou depois que ele conheceu o dono de uma agência em São Paulo, que apresentou a profissão de colorista. A partir daí, ele estudou as técnicas, começou a receber indicações e, em maio de 2023, passou a trabalhar exclusivamente na área.

“Eu nem gostava dessa parte de cor, achava um porre fazer. Mas, depois que conheci um profissional da área e comecei a estudar, fui encontrando meu caminho”, contou.

Anitta em trabalho feito pelo colorista Rafael Souto. Foto: Reprodução/ Youtube – Anitta

A profissão de colorista ainda é restrita no Brasil e se concentra principalmente em São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília. Em Rondônia, Rafael é praticamente o único profissional que vive exclusivamente dessa função.

Apesar de atuar no mercado global, ele não pretende deixar Porto Velho. Para Rafael, a própria trajetória mostra que é possível construir uma carreira no audiovisual sem sair da região Norte.

“No início eu até pensava em ir para São Paulo […], mas hoje eu me vejo conseguindo tudo daqui. Amo ficar em Porto Velho. […] Não me vejo saindo, quero continuar aqui por muito tempo”, afirma.

*Por Quetlen Cartano – Rede Amazônica Rondônia

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