Criação de universidade e políticas educacionais indígenas são debatidas na Câmara dos Deputados

Temas foram discutidos em uma audiência pública da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais (CPovos).

A criação de uma universidade indígena e políticas educacionais voltadas para os povos originários foram debatidas na manhã de quinta-feira (14) em uma audiência pública da Comissão da Amazônia e dos Povos Originários e Tradicionais (CPovos) da Câmara dos Deputados, presidida pela deputada federal Célia Xakriabá. A diretora de Promoção ao Desenvolvimento Sustentável (DPDS), Lucia Alberta, participou enquanto representante da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Rosilene Tuxá, coordenadora-geral de Educação Escolar Indígena (CGeei) do Ministério da Educação (MEC), anunciou que o ministro Camilo Santana determinou a constituição de um grupo de trabalho para a elaboração de um relatório técnico sobre a criação da universidade indígena. Em seguida, o relatório será submetido à consulta dos povos originários para ser consolidado. 

“É importante que o movimento e os professores indígenas participem desse processo de construção coletiva, porque somos nós, povos indígenas, que devemos dizer que universidade queremos”, 

completou.

Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados

“Eu tenho a plena convicção de que o futuro dos povos indígenas passa necessariamente pela educação. Nós temos desafios gigantescos e complexos demais em mundo globalizado, capitalizado, científico e tecnológico”, expressou Gersem Baniwa, membro do Fórum Nacional de Educação Escolar Indígena (Fneei). Ele também observou que a formação de uma consciência climática e ambiental passa necessariamente pela educação e pelos professores indígenas.

O representante da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB), Alberto Terena, declarou que os povos indígenas estão plenamente preparados para a criação de uma universidade nos moldes de seus costumes e tradições: “Hoje, nós temos professores, nós temos mestres e nós temos doutores indígenas”, exemplificou.

Arlindo Baré, que é presidente da União Plurinacional de Estudantes Indígenas (UPEI), falou do Programa Bolsa Permanência (PBP), o qual, através de um auxílio financeiro mensal, objetiva garantir as condições materiais para que indígenas e quilombolas possam concluir o ensino superior. Contudo, ele opinou que esse programa deva ser convertido em lei, a fim de evitar sua suscetibilidade à orientação política de cada governante. “Muitos indígenas perderam a bolsa nos quatro anos anteriores e tiveram que voltar para suas aldeias sem terminar os estudos”, argumentou.

Concluindo as falas, a diretora Lucia Alberta mencionou o Projeto de Lei nº 1.375/2020, “que tem o objetivo de transformar o PBP em uma política de Estado”. 

Outro ponto importante abordado por ela foi a urgente necessidade de reconhecimento dos direitos dos professores indígenas: “Dados do Censo Escolar mostram que mais de 80% dos professores indígenas não têm seus direitos trabalhistas respeitados. São professores que têm contratos temporários que não garantem férias, 13º salário, e fazem com que as escolas funcionem muitas vezes três, quatro meses por ano”. 

Ela também propôs a criação de um sistema próprio de educação escolar indígena, além de uma lei que dê mais transparência à execução de recursos da educação escolar indígena. 

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Indígenas sul-americanos são descendentes de terceira onda migratória, aponta estudo

Pesquisa publicada pela revista científica Nature revelou que povos indígenas habitantes do continente são oriundos da Mesoamérica, por volta de 1.300 anos atrás

Leia também

Publicidade