Amazônia das Palavras fortalece bibliotecas escolares. Foto: Pedro Carrilho
Ao longo da quarta edição do projeto Amazônia das Palavras, escolas públicas dos municípios de Coari, Codajás, Anori, Anamã, Manacapuru, Iranduba e Manaus, no Amazonas, receberam doações de livros destinados às bibliotecas escolares e participaram do plantio simbólico de mudas de pau-brasil. As duas ações integraram o projeto pedagógico da expedição e buscaram deixar, nas escolas, marcas permanentes da passagem do projeto pelos territórios amazônicos.
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Além da entrega dos livros, as instituições também receberam o certificado ‘Escola Amiga da Leitura’, reconhecimento concedido às escolas parceiras que acolheram a programação do projeto e participaram das atividades voltadas à literatura, arte, música, cinema, moda, animação e formação humana.
A proposta uniu incentivo à leitura, pertencimento cultural e educação ambiental. Enquanto os livros passam a integrar os espaços de aprendizagem e convivência das escolas, o plantio do pau-brasil simboliza a permanência da experiência vivida pelos estudantes ao longo das oficinas e atividades culturais.
O trabalho pedagógico da expedição foi conduzido pelas coordenadoras pedagógicas Carmela Tacaná e Antônia Costa, responsáveis pela articulação das oficinas junto às escolas, acompanhamento das atividades e construção do diálogo entre os estudantes, educadores e oficineiros.
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Especialista em Linguística Aplicada à Produção de Texto e mestre em Estudos Literários, a professora Carmela Tacaná destaca que as ações desenvolvidas pelo projeto buscam ampliar o olhar dos estudantes sobre o próprio território e sobre as possibilidades da leitura.
“Quando entregamos livros e realizamos o plantio de uma árvore dentro da escola, deixamos mais do que objetos ou ações simbólicas. Deixamos possibilidades de continuidade. O livro e a árvore carregam essa ideia de permanência, crescimento e cuidado. O estudante percebe que aquele espaço também pertence a ele e que a leitura pode transformar a forma como ele enxerga o mundo e a própria realidade”, afirma.
A professora Antônia Costa, mestre em Ciências da Educação e especialista em Gestão Escolar e História Regional, ressalta que o projeto constrói vínculos que ultrapassam os dias de programação.
“O Amazônia das Palavras trabalha a formação humana de maneira muito ampla. As oficinas despertam criatividade, autoestima, identidade cultural e pertencimento. Já as doações e o plantio ajudam a fortalecer esse sentimento de continuidade, mostrando para os estudantes que aquilo que foi vivido durante a expedição pode permanecer na escola e na memória deles”, destaca.
O acervo entregue às bibliotecas reúne obras de diferentes linguagens e áreas do conhecimento, com títulos voltados à literatura amazônica, literatura indígena, poesia, fotografia, estudos culturais, animação, sustentabilidade, moda e memória. Entre os livros doados estão:
- Mulher entre linhas, de Fernanda Kopanakis;
- Mapinguari, o dono dos ossos, de Yaguarê Yamã;
- Originárias: uma antologia feminina da literatura indígena;
- Desencontro das Águas, de Dori Carvalho;
além de obras como O cérebro e a moda; Animação brasileira: 100 filmes essenciais; Úrsula, de Maria Firmina dos Reis; e Amazônia: histórias de beira de rio, de Léo Ribeiro.
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Também integram o conjunto de doações livros fotográficos e publicações produzidas por instituições culturais parceiras, como Amazônia das Palavras, da Associação Mapinguari; e Guaporé – Itenez.
Para a coordenadora geral do projeto, Fernanda Kopanakis, a entrega dos acervos e o plantio das mudas sintetizam a proposta construída ao longo da expedição.
“Quando a gente entrega um livro para uma escola ou planta uma árvore junto aos estudantes, estamos deixando sementes. Cada obra pode despertar um novo leitor, estimular a criatividade e fortalecer o sentimento de pertencimento desses jovens com a própria Amazônia. E o plantio representa justamente isso: algo que continua crescendo mesmo depois que a expedição segue viagem”, destaca.
Durante a programação, os estudantes participaram de oficinas de produção textual, música, literatura, moda, cinema de animação e narrativas amazônicas, conduzidas por artistas, escritores, pesquisadores e educadores de diferentes regiões do país. A entrega dos livros e o plantio das mudas buscaram ampliar esse contato, permitindo que as bibliotecas e os espaços escolares se tornem ambientes de continuidade dessas experiências.
A quarta edição do Amazônia das Palavras percorreu municípios do interior amazonense promovendo atividades gratuitas em escolas públicas e espaços culturais, aproximando estudantes de diferentes linguagens artísticas e incentivando o acesso à leitura como instrumento de formação crítica, criatividade e pertencimento cultural.
Escolas estaduais que receberam a doação de livros:
- Coari: Escola Estadual Prefeito Alexandre Montoril – GM3
- Codajás: Escola Estadual Indígena Professor Luiz Gonzaga de Souza Filho
- Anori: Escola Estadual Presidente Costa e Silva
- Anamã: Escola Estadual Tancredo Neves
- Manacapuru: Escola Estadual José Seffair
- Iranduba: Escola Estadual Isaías Vasconcelos
- Manaus: Centro Educacional de Tempo Integral Gilberto Mestrinho de Medeiros Raposo – CETI Gilberto Mestrinho
Amazônia das Palavras
Quarta Edição é patrocinado pela TAG, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura; apoio da Cigás; promoção da Fundação Rede Amazônica. Realização da Associação Mapinguari, Ministério da Cultura e Governo Federal.
*Com informações da assessoria
