Reunião para apresentação do boletim aconteceu nesta terça-feira (1º), em Manaus. Foto: Jean Hassah/SGB
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) divulgou, neste 1° de setembro, os dados atualizados e projeções para a vazante de 2026 em três estações da Bacia do Amazonas: Tabatinga, no rio Solimões; Manaus, no rio Negro; e Itacoatiara, no rio Amazonas. O documento se baseia nas estimativas consideram as séries históricas de níveis dos rios e diferentes padrões de descida observados em períodos de estiagem, incluindo anos marcados pela influência do fenômeno El Niño.
Em Manaus, os cenários analisados indicam possibilidade de uma estiagem entre as mais severas já observadas, caso o comportamento de descida do rio seja semelhante ao registrado em anos anteriores. No pior cenário, se as descidas forem semelhantes às que ocorreram em 2015 e valores representativos ao percentil 5% (P0.05), o rio pode ficar abaixo de 13 m, em 31 de outubro de 2026.
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De acordo com o pesquisador do SGB, André Martinelli, as projeções indicam que, até no pior cenário, o Amazonas poderá enfrentar uma das estiagem mais severas dos últimos anos.
“A gente utilizou três estações de referência: Tabatinga, por estar na parte mais alta do tronco principal da bacia que é o rio Solimões, Manaus por ser a capital do estado e onde o período de seca traz as maiores consequências econômicas e socioambientais, e também Itacoatiara por ser um ponto muito relevante para a logística do estado. As estimativas que a gente considerou, a partir de toda essa análise, é de que Manaus pode enfrentar uma estiagem severa, das mais severas, se o comportamento de descida do rio for similar ao que ocorreu em 2015 e 2024”, explicou o pesquisador.
Martinelli explica que, se a evolução seguir o padrão de 2023, a cota estimada é de 13,37 m. Em um cenário de descida semelhante ao de 2024, a estimativa é de 16,32 metros, valor que corresponde às descidas no percentil 30% (P0.30) da série histórica dos dados na estação 14990000. Ambos os níveis são considerados baixos para a região de Manaus e propícias para o período severo da estiagem.

Para Tabatinga, no rio Solimões, a estimativa aponta cota entre -31 centímetros e 1,78 metro. A análise considerou os dados até a primeira quinzena de outubro, período a partir do qual o processo de enchente já costuma estar iniciado na região. Ressalta-se que a cota de emergência em Tabatinga é de 1,50 metro.
Em Itacoatiara, no rio Amazonas, a projeção para 31 de outubro indica cota entre 57 centímetros e 3,32 metros. Nesse caso, as estimativas foram calculadas a partir das taxas de descida observadas nos anos de maior impacto do El Niño e que influenciaram na estiagem severa.
Para o cálculo dos cenários, o SGB utilizou as cotas observadas no dia 31 de agosto de 2026. Na ocasião, a estação de Tabatinga (AM) registrava 2,94 m; o nível em Manaus estava em 24,19 m; e na estação de Itacoatiara, o nível estava 10,06 m. Para André, os fatores que baseiam os estudos indicam uma projeção de estiagem intensa no Amazonas.
“O alerta se propôs a montar as estimativas de cotas baseadas nos últimos anos que a gente teve uma interferência do El Niño, principalmente em 2015 que foi o último e mais forte fenômeno e que trouxe uma das menores cotas registradas na maioria das estações de monitoramento da bacia amazônica”, frisou o pesquisador.
No Estado do Amazonas, o SGB desenvolve desde 1989 o Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Amazonas (SAH Amazonas), estrutura dedicada ao monitoramento contínuo dos processos anuais de cheia e estiagem no sistema hidrográfico formado pelos rios Solimões, Negro e Amazonas. Como parte desse trabalho, a instituição disponibiliza semanalmente o Boletim de Monitoramento da Bacia do Amazonas, que pode ser consultado publicamente no portal do Sistema de Alerta de Eventos Críticos (SACE).
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Processo de vazante na estiagem
Os dados indicam a continuidade do processo de vazante na região. Apesar do recuo dos níveis, a maioria das estações monitoradas mantém marcas dentro da faixa de normalidade para o período ou próximas à mediana histórica. A principal exceção é a Bacia do Rio Branco (RR), que registra níveis abaixo do esperado para a época. Confira o boletim.
Na capital amazonense, o rio Negro desceu 85 cm ao longo da última semana (-14 cm nas últimas 24h), registrando cota de 24,04 m. O comportamento reflete um ritmo de redução mais constante na porção a jusante da bacia. Tal dado indica a possibilidade de uma estiagem mais intensa no estado.
Comportamento das Bacias Hidrográficas
- Bacia do Rio Solimões (Vazante contínua e dentro da normalidade)
Tabatinga (AM): cota de 3 m (-5 cm na semana)
Fonte Boa (AM): cota de 14,57 m (-57 cm na semana)
Itapéua (Coari – AM): cota atual 11,64 m (-86 cm na semana)
Manacapuru (AM): cota atual 14,95 m (-84 cm na semana) - Bacia do Rio Purus (Níveis próximos ao limite inferior da normalidade)
Beruri (AM): cota atual 15,92 m (-92 cm na semana)
Rio Branco (AC) – Rio Acre: cota atual 1,78 m (-56 cm na semana) - Bacia do Rio Madeira (Comportamento misto; estações acima do esperado)
Porto Velho (RO): cota atual 4,49 m (-79 cm na semana)
Humaitá (AM): cota atual 12,56 m (+45 cm na semana – elevação) - Bacia do Rio Amazonas (Predominância de vazante; marcas próximas à mediana histórica)
Careiro (AM): cota atual 11,83 m ( -87 cm na semana)
Itacoatiara (AM): cota atual 9,95 m ( -71 cm na semana)
Parintins (AM): cota atual 5,13 m ( -47 cm na semana)
Óbidos (PA): cota atual 4,92 m ( -39 cm na semana)
Santarém (PA): cota atual 4,73 m (- 27 cm na semana) - Bacia do Rio Tapajós (Vazante em andamento por déficit de chuvas)
Itaituba (PA): cota atual 4,31 m ( -17 cm na semana) - Bacia do Rio Branco (abaixo da faixa de normalidade)
As estações da bacia do rio Branco apresentaram leve elevação nos últimos sete dias, mas seguem abaixo da faixa de normalidade e próximas às mínimas diárias. Em Boa Vista (RR), o rio apresentou elevação semanal de 3 cm, atingindo cota de 1,39 m; já em Caracaraí (RR), subiu 7 cm, registrando cota de 2,13 m.
Os dados hidrológicos são provenientes da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), de responsabilidade da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), operada pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) e demais parceiros. As previsões apresentadas são baseadas em modelos hidrológicos e estão sujeitas às incertezas inerentemente associadas a eles.
*Com informações do SGB
