Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru é criado em Rondônia

Área possui sítios arqueológicos, históricos e simbólicos associados à memória do povo indígena Tanaru, o mesmo do “índio do buraco”, símbolo da resistência dos indígenas isolados.

Foto: Divulgação/Acervo CNA

Em celebração ao Mês do Meio Ambiente, o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, assinou o decreto que cria oficialmente o Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru, em Rondônia, no dia 10 de junho. A assinatura ocorreu durante a cerimônia em comemoração ao Dia Mundial do Meio Ambiente, realizada no Palácio do Planalto. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), por meio do Centro Nacional de Arqueologia (CNA), acompanhou todo o processo para preservação da área.

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“Obrigado por nunca desistirem do meio ambiente. É uma luta contínua pela preservação. Tem muita gente que acha que terra indígena é demais, mas [os povos indígenas] eram donos de tudo antes do que foi tomado deles”, disse o presidente.

“Essas ações são importantes, e não podemos nos esquecer da importância deles para o desenvolvimento do país”, acrescentou Lula.

Parque Nacional Povos Indígenas do Rio Tanaru é criado em Rondônia
Foto: Wagner Lopes/Casa Civil

A nova unidade de conservação está localizada nos municípios de Chupinguaia, Corumbiara, Parecis e Pimenteiras do Oeste e possui uma área de aproximadamente 7.638 hectares. A criação do parque representa um importante avanço para a proteção da biodiversidade, dos recursos naturais e da memória dos povos indígenas da região.

A diretora do CNA, Alyne Mayra, destacou o trabalho realizado pela superintendência do Iphan em Rondônia, que mapeou os sítios arqueológicos do parque.

“É através da arqueologia que conseguimos provar a materialidade do espaço. É um passo importante para a arqueologia, mas sobretudo para a sociedade brasileira”, disse.

De acordo com os estudos que embasaram a proposta, a área abriga um remanescente florestal estratégico situado na transição entre os biomas Amazônia e Cerrado, além de proteger espécies ameaçadas de extinção, como o macaco-aranha, o macaco-barrigudo e a onça-pintada. A região também desempenha papel fundamental na conservação de recursos hídricos e na manutenção de corredores ecológicos entre áreas protegidas.

O parque nasce com a missão de proteger um território marcado pela resistência indígena. A área possui sítios arqueológicos, históricos e simbólicos associados à memória do povo indígena Tanaru, cuja trajetória se tornou um símbolo da luta dos povos originários pela sobrevivência e pelo direito ao território.

Leia também: Relembre a história do “índio do buraco”, símbolo da resistência dos indígenas isolados

A criação do parque é resultado de um longo processo de proteção territorial conduzido pelo Estado brasileiro. Segundo o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, a iniciativa surgiu inicialmente da necessidade de garantir a sobrevivência de um indígena isolado que vivia em situação extrema de vulnerabilidade.

Com o passar dos anos, ficou evidente a relevância histórica, cultural e ambiental da região, fortalecendo a proposta de transformar a área em parque nacional.

Saberes tradicionais e culturas indígenas

A medida também destaca a importância da preservação dos saberes tradicionais e das culturas indígenas. Esses conhecimentos, transmitidos entre gerações, ajudam a conservar a biodiversidade, orientar o uso sustentável dos recursos naturais e fortalecer a identidade cultural dos povos originários. Proteger esses territórios significa preservar não apenas a floresta, mas também histórias, memórias e modos de vida que fazem parte da formação do Brasil.

Além da proteção ambiental e cultural, o novo parque poderá incentivar pesquisas científicas, ações de educação ambiental e atividades de turismo ecológico voltadas para a valorização da natureza e da memória indígena.

*Com informações do Iphan

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