Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade
Criado em 2006, o Parque Nacional dos Campos Amazônicos (PNCA), localizado no sul do Amazonas, entre os biomas Amazônia e Cerrado, é uma unidade de conservação que representa um elo entre as áreas protegidas do Amazonas, de Rondônia e de Mato Grosso, funcionando como uma barreira contra o avanço do desmatamento e da degradação ambiental na região.
Criado pelo Decreto Federal de 21 de junho de 2006 e reforçado pela Lei nº 12.678/2012, o parque possui 961.317,77 hectares e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como uma Unidade de Conservação de Proteção Integral.
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De acordo com o plano de manejo do parque, o PNCA integra o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e cumpre um papel estratégico no cumprimento de compromissos ambientais assumidos pelo Brasil em acordos e tratados internacionais voltados à conservação da biodiversidade, à mitigação das mudanças climáticas e à proteção de ecossistemas sensíveis.
“As unidades de conservação são reguladas e normatizadas pela lei do SNUC, que é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, que divide as unidades de conservação em proteção integral, aquelas que não podem ter moradores na parte interna, e as de uso sustentável, onde tem moradias, moradores, comunidades. O Parque Nacional dos Campos Amazônicos é um exemplo de proteção integral, que não pode ter pessoas morando dentro”, explicou o doutor em geografia pela Universidade Federal do Amazonas, Deivison Molinari, ao Portal Amazônia.
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A área em que o parque está inserido é reconhecida pela grande diversidade biológica, e pelo seu elevado grau de endemismo de animais vertebrados. Além disso, sua localização é considerada estratégica na conexão ambiental do sul da Amazônia, especialmente dentro do Mosaico da Amazônia Meridional, que reúne diversas unidades de conservação e terras indígenas.
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Embora o parque esteja inserido no bioma Amazônia, ele abriga extensas áreas de vegetação aberta, típicas do Cerrado e da Campinarana. Além disso, na região do PARNA, a floresta ombrófila acontece principalmente sobre solos bem desenvolvidos, enquanto a floresta ombrófila aberta aparece em áreas de depressão, geralmente associadas a relevos mais dissecados.
“Essa região tem uma vegetação que é de baixo porte, vegetação herbácea, são aquelas que, no máximo, vai dar uns 2, 3 metros de altura, aquelas árvores retorcidas com galhos meio grossos. Essa é a característica fisiológica desses campos”, explica Molinari.
Fauna e flora protegidas
Entre as espécies de mamíferos protegidas no parque estão grandes predadores e espécies sensíveis à perda do habitat, como a onça-pintada, o gato-do-mato, o maracajá-peludo e a ariranha, espécie classificada como ameaçada.
Além disso, o parque também abriga espécies típicas do Cerrado, como o lobo-guará, considerado ameaçado, e o tamanduá-bandeira, classificado como vulnerável.
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Na flora, destacam-se espécies que possuem alto valor ecológico e econômico, como a castanheira-do-brasil e o mogno, ambas fortemente pressionadas pela exploração ilegal em outras regiões da Amazônia.
Pressões ambientais
O Parque Nacional dos Campos Amazônicos enfrenta pressões constantes, como a grilagem de terras, o garimpo ilegal de ouro e cassiteria, extração seletiva de madeira nobre e o avanço da fronteira agropecuária, impulsionado pela pecuária extensiva.
Além disso, na região, práticas como o sistema de corte-e-queima ainda são comuns, exigindo grandes áreas para uma produção agrícola de baixa escala, o que intensifica o desmatamento no entorno das áreas protegidas.
Como surgiram esses campos?
Na Amazônia, a regra geral é a presença da floresta, mas existem exceções: pequenas manchas de campos naturais, conhecidas como refúgios florestais, explicadas pela teoria do professor Aziz Ab’Sáber. Esses campos aparecem, por exemplo, em Roraima, onde são chamados de lavrados, e também em áreas de Humaitá, no Amazonas, e de Rondônia.
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De acordo com Molinari, justamente por serem exceções dentro do bioma amazônico e possuírem grande valor ecológico, o Poder Público Federal decidiu criar unidades de conservação para protegê-las, e é nesse contexto que surge o Parque Nacional dos Campos Amazônicos.
*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar. Com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
