Situação ocorre em meio ao aumento de queimadas na região. Foto: Aline Nascimento/Rede Amazônica AC
Rio Branco apareceu nesta terça-feira (6) como a terceira cidade do país com pior qualidade do ar entre as cidades brasileiras listadas pela plataforma IQAir. O ranking é composto por outras duas cidades da Amazônia: Manaus (AM) e Porto Velho (RO).
Segundo os dados da plataforma, o Índice de Qualidade do Ar (AQI⁺) na capital acreana chegou em 59, com o PM2.5 como principal poluente. A previsão da plataforma é que o índice chegaria a 61 ao longo do dia.
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Baseado nas recomendações da OMS sobre a exposição ao ar poluído, o Índice de Qualidade do Ar (AQI, na sigla em inglês) é uma escala internacional elaborada para auxiliar o monitoramento da poluição do ar em diversos países por órgãos e autoridades. O AQI tem seis níveis, que vão de “bom” a “perigoso”.
O PM2.5 é formado por partículas muito pequenas suspensas no ar, com diâmetro de até 2,5 micrômetros. Por causa do tamanho, essas partículas podem ser inaladas e chegar às partes mais profundas do sistema respiratório.
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Entre as orientações da plataforma estão reduzir a prática de exercícios ao ar livre, manter as janelas fechadas para evitar a entrada de ar contaminado e, em ambientes externos, usar máscara. A IQAir também recomenda que grupos sensíveis utilizem purificador de ar.
Índice AQI de qualidade do ar
O AQI utiliza três medidas para classificar as concentrações:
- Partes por milhão (ppm) por volume
- Partes por bilhão (ppb) por volume
- Micrograma por metro cúbico (µg/m3) de ar
Essas unidades de medida são utilizadas para expressar a concentração de soluções muito diluídas. Por meio da detecção delas, o AQI expressa os níveis de poluição, que começam em zero e podem ultrapassar 300.

0 a 50 – bom
- Qualidade do ar satisfatória, com pouco ou nenhum risco à saúde.
51 a 100 – moderado
- Qualidade do ar aceitável, no entanto, para alguns poluentes, pode haver um problema moderado de saúde para um número muito pequeno de pessoas sensíveis à poluição atmosférica.
101 a 150 – não saudável para grupos sensíveis
- Membros de grupos sensíveis podem sofrer efeitos na saúde. Entretanto, o público em geral não é afetado.
151 a 200 – pouco saudável
- Todos podem começar a sentir efeitos na saúde. Membros de grupos sensíveis podem sofrer efeitos mais graves.
201 a 300 – muito prejudicial
- Toda a população tem maior probabilidade de ser afetada.
A partir de 300 – perigoso
- Todos podem sofrer efeitos mais graves para a saúde.
Queimadas em setembro
O cenário ocorre em meio ao aumento dos focos de queimadas no Acre. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o estado registrou 877 focos em setembro, número 80% maior que o registrado em agosto, quando foram contabilizados 487.
Na comparação com setembro de 2025, quando o estado teve 840 focos, houve aumento de 4,4%. Somente em setembro deste ano, o Acre registrou mais focos do que havia acumulado nos oito primeiros meses de 2026. Entre janeiro e agosto, foram 584 ocorrências.
O período de maior concentração de queimadas na região amazônica costuma ocorrer entre agosto e outubro, quando há redução das chuvas e aumento das práticas de limpeza de áreas com uso do fogo.
Entre os municípios acreanos, Rio Branco foi o terceiro com maior número de focos em setembro, com 84 registros. Feijó liderou o ranking, com 165, seguido por Tarauacá, com 153.
Os dois municípios juntos concentraram 318 focos, cerca de 36% do total registrado no estado naquele mês.
O aumento dos focos veio depois de meses com números baixos no Acre. Foram dois registros em janeiro, dois em fevereiro, nenhum em março e dois em abril. A partir de maio, os números começaram a subir: foram 15 focos naquele mês, 20 em junho, 56 em julho e 487 em agosto.
*Por Jhenyfer de Souza, da Rede Amazônica AC
