Ibama classifica pirarucu como invasor em trecho do rio Madeira e libera pesca em Rondônia

Pirarucu é invasor na região acima da barragem de Santo Antônio, no rio Madeira, segundo Ibama. A decisão será reavaliada em três anos.

Com a nova regra, pescadores, tanto profissionais quanto artesanais, podem realizar a captura e o abate do pirarucu na região designada sem restrição. Foto: Reprodução/Acervo Embrapa

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) classificou o pirarucu como espécie invasora na região acima da barragem de Santo Antônio, no rio Madeira, em Porto Velho. Além disso, o órgão autorizou a captura e o abate sem limite do peixe nessa área. A decisão foi publicada no Diário Oficial da União nesta semana.

Com a nova regra, pescadores, tanto profissionais quanto artesanais, podem realizar a captura e o abate sem restrição de quantidade, tamanho ou período do ano.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

No caso do rio Madeira, acima da barragem de Santo Antônio, os peixes não poderão ser devolvidos em suas áreas de origem, caso capturados: todos devem ser abatidos obrigatoriamente.

Os produtos da pesca só podem ser comercializados dentro do estado onde o peixe foi retirado. Caso sejam transportados para outro estado, serão apreendidos.

A norma também autoriza que governos estaduais e municipais incentivem ações de controle da espécie. O pirarucu abatido poderá ser destinado a programas sociais, como merenda escolar, hospitais públicos e iniciativas de combate à fome.

Leia também: Pesquisadores desenvolvem métodos para auxiliar na reprodução artificial do pirarucu

Em unidades de conservação, o controle dependerá de autorização dos gestores e deverá seguir os planos de manejo específicos.

A decisão será reavaliada em três anos, para verificar se a medida é eficaz no controle da presença do pirarucu fora de sua área natural.

pirarucu da Amazônia
Foto: Siglia Souza/Embrapa

Entenda porquê o pirarucu se tornou invasor no próprio rio

Segundo a doutora em Biodiversidade e Biotecnologia, Dayana Catâneo, a expansão do pirarucu para novas áreas do rio está diretamente ligada às mudanças no ambiente. Antes, a espécie era encontrada principalmente na parte do rio Madeira abaixo da antiga Cachoeira de Santo Antônio, onde as condições naturais eram mais favoráveis.

Naquela região, a presença de várias corredeiras, com águas rápidas e turbulentas, funcionava como uma espécie de barreira natural. Esse tipo de ambiente não favorece o pirarucu, que prefere águas mais calmas, como lagos e áreas de pouca correnteza.

Com as alterações no rio, essas barreiras deixaram de existir, facilitando a chegada do peixe a novos trechos.

De acordo com Dayana Catâneo, o pirarucu é predador de topo de cadeia trófica e não possui predadores naturais. Isso faz com que, ao ocupar novos ambientes, ele possa reduzir a população de outras espécies nativas e causar desequilíbrios no ecossistema aquático.

“Como se trata de um predador de topo de cadeia trófica, o pirarucu pode diminuir outras espécies e mudar o equilíbrio do rio. Por isso, mesmo sendo da Amazônia, ele é considerado invasor nessas regiões específicas, onde pode causar impactos ao meio ambiente”, explicou Dayana.

Leia também: Espécies amazônicas invasoras causam prejuízo mundo afora

Ainda segundo a especialista, as mudanças ambientais ajudaram o pirarucu a se espalhar para áreas onde ele não existia antes, virando um problema nesses locais. Como ele se alimenta de vários tipos de peixes e é um predador de topo de cadeia, acaba aumentando a pressão sobre as espécies nativas, que não estão acostumadas com esse tipo de ameaça, ficando mais vulneráveis e causando desequilíbrio na região.

*Com informações do Ibama e de Quetlen Caetano, da Rede Amazônica RO

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

MPF pede à Justiça suspenção do abate de búfalos invasores em reservas na Amazônia

MPF alega a Justiça não foi comunicada sobre a ação e não recebeu o plano de controle. ICMBio diz que pesquisa em andamento tem justamente o propósito de subsidiar a elaboração do Plano de Erradicação.

Leia também

Publicidade