Desmatamento concentra 71% das investigações de crimes ambientais no Amazonas, aponta estudo

Relatório também chama atenção para o baixo número de investigações registradas no estado. Enquanto o Amazonas contabilizou 171 inquéritos ambientais entre 2023 e julho de 2025, o Pará registrou 7.530 no mesmo período.

Desmatamento em área da floresta amazônica. Foto: Marizilda Cruppe/Greenpeace

O desmatamento e a exploração ilegal de madeira concentram a maior parte das investigações de crimes ambientais no Amazonas. É o que mostra o relatório ‘Esforços estaduais no combate aos crimes ambientais na Amazônia Legal’, divulgado pelo Instituto Igarapé em parceria com o Consórcio Interestadual da Amazônia Legal. O levantamento analisou dados das forças de segurança entre 2023 e julho de 2025.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

Segundo o estudo, a Polícia Civil do Amazonas instaurou 171 inquéritos policiais ambientais no período. Desse total, cerca de 31% foram classificados como crimes de impacto amplo, categoria que inclui desmatamento, queimadas, garimpo ilegal e outros delitos com maior potencial de dano ambiental.

Entre os inquéritos relacionados a esses crimes mais graves, 71% tratam de exploração ou desmatamento florestal. Os demais envolvem crimes contra a fauna silvestre, incêndios florestais e casos de poluição.

O fogo oferece risco às pessoas e aos animais e contribui para engordar as emissões de gases do efeito estufa. Em 2018, apesar da tendência geral de queda no número de focos de calor na vegetação da Amazônia Legal, estados críticos em desmatamento registraram mais fogo.
Foto: Reprodução/Greenpeace

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é uma infração ambiental?

O relatório também chama atenção para o baixo número de investigações registradas no estado. Enquanto o Amazonas contabilizou 171 inquéritos ambientais entre 2023 e julho de 2025, o Pará registrou 7.530 no mesmo período.

Segundo os pesquisadores, a diferença pode indicar subnotificação, falta de efetivo policial ou limitações operacionais para documentar infrações ambientais.

Queimadas e desmatamento aparecem nos registros da Polícia Civil

Nos boletins de ocorrência registrados pela Polícia Civil, os crimes ambientais de maior impacto se concentram principalmente em incêndios florestais e desmatamento. O estudo aponta que o garimpo ilegal aparece com menor frequência nos registros.

Os pesquisadores também identificaram ocorrências envolvendo motores de garimpo de ouro encontrados submersos e veículos abandonados ligados à atividade mineral ilegal.

Já nas áreas urbanas, predominam registros relacionados ao comércio irregular de animais e maus-tratos. Esse padrão também foi observado em outros estados da Amazônia Legal.

Foto: Reprodução/Arquivo/CBM-AC

Operações focam em crimes de grande impacto

O levantamento mostra que todas as operações registradas pela Polícia Militar do Amazonas no período analisado foram voltadas para crimes ambientais de impacto amplo, como desmatamento, queimadas e garimpo ilegal.

O mesmo cenário foi observado nas operações da Polícia Civil. O Amazonas aparece entre os estados onde 100% das ações registradas foram classificadas como estruturais, ou seja, direcionadas aos crimes ambientais mais graves.

Entre as iniciativas citadas pelo relatório estão as operações Hórus e Águas Seguras, realizadas pela Polícia Militar, além da Operação Tamoitatá, considerada uma referência regional no combate ao desmatamento e às queimadas. A ação reúne órgãos como a Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam), a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM), as polícias Militar e Civil, o Corpo de Bombeiros e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Foto: Divulgação/SSP-AM

Amazonas tem uma das maiores proporções de denúncias de crimes ambientais graves

O serviço 190 da Polícia Militar recebeu 180 chamadas relacionadas a crimes ambientais no Amazonas entre 2023 e julho de 2025. Desse total, 52 foram classificadas como ocorrências de impacto amplo e 128 como crimes de menor impacto.

Embora o número absoluto seja menor que o de outros estados da Amazônia Legal, o Amazonas registrou uma das maiores proporções de denúncias relacionadas a crimes ambientais graves: 28,9% das chamadas tratavam de desmatamento, queimadas ou outras infrações de grande impacto ambiental.

Segundo o relatório, esse percentual sugere que a população tem acionado a polícia para denunciar crimes ambientais de maior gravidade, enquanto a maior parte dos chamados restantes está ligada a ocorrências de menor impacto, como situações envolvendo animais e outros problemas ambientais do cotidiano.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Experiências do Amazonas em turismo na fronteira são debatidas em evento no Rio Grande do Sul

No extremo norte do país, Tabatinga (AM) integra a tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru. A dinâmica entre os três países influencia a economia, o comércio e o cotidiano da população.

Leia também

Publicidade