Foguete Hanbit-NANO, o primeiro foguete comercial lançado no Brasil. Foto: Divulgação/Innospace
Após oito meses, o Brasil voltou a movimentar o mercado mundial de lançamentos espaciais com o anúncio de um contrato para o lançamento do segundo foguete comercial no país. A empresa sul-coreana Innospace fechou acordo com a ALADA (Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A.) para realizar, no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, o voo de teste do SEBIT, foguete suborbital multiuso desenvolvido para missões científicas e de verificação tecnológica.
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Anunciado no dia 6 de julho, o contrato entre a empresa sul-coreana e a estatal brasileira prevê o lançamento do foguete SEBIT para o segundo semestre de 2026. O acordo visa ampliar o uso comercial da base de Alcântara, uma das principais do Brasil, por empresas privadas do setor espacial.
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Conheça três curiosidades sobre este acordo que promete colocar o Brasil novamente na rota do mercado global dos lançamentos espaciais:
O que é o SEBIT?
O SEBIT é um foguete suborbital multipropósito desenvolvido para apoiar testes de carga útil, verificação tecnológica e missões de pesquisa para clientes. Seu voo acontece próximo à fronteira do espaço, ou seja, sem entrar em órbita terrestre e foi projetado para uma ampla gama de aplicações, incluindo simulação de ambientes de microgravidade, pesquisa científica, testes funcionais de componentes espaciais e demonstrações tecnológicas em condições de voo em alta altitude e alta velocidade.

Movido por um motor híbrido classe três toneladas, o SEBIT está equipado com um sistema integrado de telemetria que permite monitoramento preciso do voo transmitindo e analisando dados de posição do veículo e status da carga útil em tempo real durante todo o voo. O nome SEBIT significa “luz precisa e delicada” em coreano, e traduz a importância do foguete como um veículo compacto otimizado para missões de teste e verificação.
“O SEBIT é um foguete suborbital focado em missão, desenvolvido para atender à crescente demanda por pesquisa científica e demonstração de tecnologia espacial em setores como biotecnologia, medicina, materiais avançados e orientação, navegação e controle”, disse Soojong Kim, fundador e CEO da Innospace.
Conheça a ALADA

Criada pelo governo brasileiro em 2025, a Empresa de Projetos Aeroespaciais do Brasil S.A. (ALADA) é uma empresa pública federal, subsidiária da NAV Brasil, estatal vinculada ao Ministério da Defesa. A formalização da subsidiária visa a atuação em projetos aeroespaciais, exploração econômica na infraestrutura e navegação aeroespaciais do país, desenvolvimento na comercialização de tecnologias do setor e apoio na cooperação entre o governo brasileiro, empresas nacionais e companhias estrangeiras.
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A assinatura entre a estatal brasileira e a Innospace para o lançamento do SEBIT representa a continuação do uso comercial do Centro de Lançamento de Alcântara, que tem sido uma das principais e promissoras bases espaciais do Brasil e vista como estrutura estratégica para operações comerciais por parte da empresa sul-coreana.
“Este acordo sobre o local de lançamento representa um passo significativo rumo à comercialização do nosso serviço suborbital. Por meio do primeiro voo de teste do SEBIT, a INNOSPACE continuará a avançar seus padrões de serviço como plataforma suborbital de teste e verificação, oferecendo oportunidades de voo personalizadas para clientes nos setores espacial, de defesa, P&D e industriais avançados”, complementa Kim.
Segundo voo comercial do Brasil
Previsto para a segunda metade deste ano, o lançamento do foguete SEBIT, se realizado, será o segundo voo comercial feito no Brasil. Em 22 de dezembro de 2025, a empresa Innospace realizou a decolagem do Hanbit-NANO direto da base do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão. A missão, considerada um marco histórico para o país, durou apenas 30 segundos devido uma falha no veículo espacial que culminou na interrupção do voo. Ninguém ficou ferido.
Chamada de Operação Spaceward, a missão foi coordenada de forma conjunta pela Força Aérea Brasileira (FAB) e a Agência Espacial Brasileira (AEB) e tinha o objetivo de levar ao espaço oito cargas, sendo cinco satélites e três dispositivos para pesquisas desenvolvidas por instituições do Brasil e da China.

Em junho deste ano, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) concluiu o relatório final que apontou as causas do incidente envolvendo o Hanbit-NANO. De acordo com o órgão, após comportamento normal ao deixar o solo, houve vazamento de gases de combustão na parte frontal do veículo, o que provocou a ruptura da estrutura e perda do veículo lançador após 33 segundos da decolagem. Os danos materiais do acidente ficaram restritos à área de segurança prevista para a operação.
Apesar o fim precoce da operação, a missão foi considerada bem sucedida e demonstrou confiança para futuras missões no território brasileiro.
*Com informações da INNOSPACE
