J. Carlos Antony, Gregório Thaumaturgo de Azevedo e a Beneficente Portuguesa: o clamor pelo hospital

O projeto do presidente Teixeira de Souza, com a planta de J. Carlos Antony, não foi levado a cabo. As reclamações pelo hospital eram constantes.

Prédio do hospital na Rua Corrêa de Miranda, hoje Avenida Joaquim Nabuco. Manaus, 1893. Foto: Abrahim Baze/Acervo do autor

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

As dificuldades financeiras apesar de todas as campanhas através dos leilões, das quermesses e sobretudo do arrendamento do teatro, não permitiram a construção e a instalação do hospital Beneficente Portuguesa como esperava. Havia muitas desistências, omissões e deserções por falta de hospital, a aspiração suprema dos associados. O projeto do presidente Teixeira de Souza, com a planta de J. Carlos Antony, não foi levado a cabo. As reclamações pelo hospital eram constantes.

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O desencanto e a ansiedade do grupo pode ser muito bem retratado no pronunciamento do sócio José Joaquim Migueis, em sessão da Assembleia Geral do dia 31 de outubro de 1885, sob a presidência do Comendador José Cláudio de Mesquita, pronunciamento que, aliás, foi registrado com certa obscuridade do secretário:

“… Supondo que muitos, longe de calcular o verdadeiro estado desta Sociedade e as dificuldades com as quais luta, deixam de pagar, alegando não ter ela ainda um hospital, onde os associados necessitados possam ser tratados, propunha que se autorizasse a diretoria a nomear uma comissão para estudar com a Mesa da Santa Casa de Misericórdia a fim de obter desta uma enfermaria, que possa colocar seis ou oito camas para receber os sócios doentes que estivessem nos casos de receber os benefícios prescritos nos Estatutos desta sociedade”.

J. Carlos Antony, Gregório Thaumaturgo de Azevedo e a Beneficente Portuguesa: o clamor pelo hospital
Gregório Thaumaturgo de Azevedo e João Carlos Antony. Foto: Abrahim Baze/Acervo do autor

Tal proposta de recorrer à Santa Casa de Misericórdia vinha acompanhada da justificativa de que isto seria um incentivo para atrair a esta sociedade maior número de sócios contribuintes e fazê-la progredir, levando-a do abatimento em que se acha. Por esta manifestação, sente-se perfeitamente o descontentamento de que se encontravam possuídos os membros da sociedade pela falta de um hospital depois de doze anos de luta. Logo a seguir foi firmado o contrato com a Santa Casa de Misericórdia.

Outro fato interessante ocorreu no dia 8 de novembro de 1885, quando o Comendador José Cláudio de Mesquita recebeu a visita do médico Dr. João Machado de Aguiar Melo oferecendo gratuitamente os seus serviços médicos, logo que o Hospital dispunha de uma enfermaria que pretenda estabelecer e receber seus doentes, este ato humanitário foi aceito imediatamente. De certo modo não foi justificado o por quê do projeto de J. Carlos Antony na presidência do Comendador Teixeira de Souza, tenha sido relegado a segundo plano.

A Sociedade recebeu gratuitamente os serviços do Comendador e sócio honorário Gregório Thaumaturgo de Azevedo que confeccionou a planta do hospital gratuitamente, tendo recebido, portanto, a homenagem de sócio honorário na presidência de Bernardo Antônio de Oliveira Braga. As obras da enfermaria seguiram em ritmo acelerado, de modo que em 19 de novembro de 1887, o empreiteiro José Hermida, deu por concluída as obras e entregou as chaves da enfermaria.

A cozinha do hospital. Manaus, 1900. Foto: Abrahim Baze/Acervo do autor

“… O engenheiro João Carlos Antony, natural do Amazonas, umas das figuras mais representativas da ilustre família dos Antony, nasceu em Manaus a 19 de março de 1833, falecendo na mesma cidade a 2 de novembro de 1918.

Foram seus pais o negociante Henrique Antony, nascido em Ajácio Ilha de Córcega na Itália, e de dona Leocádia, amazonense filha de Antônio José Brandão, português irmão do celebre Arcebispo de Braga e de Lisboa Dom Frei Caetano Brandão. João Carlos Antony foi colega de Ramalho Ortigão e Arthur Napoleão, no mesmo colégio. Continuando seus estudos, seguiu para Florença, onde se diplomou em 1876. Na ocasião em que transitava, rumo aos Estados Unidos, o Imperador Dom Pedro II, integrou a Comissão Receptora de Festejos à Sua Majestade”.

“… O General Gregório Thaumaturgo de Azevedo, uma das figuras mais destacadas do nosso Exército, nasceu no Piauí, a 17 de novembro de 1851, filho de Manuel de Azevedo Moreira de Carvalho. Jovem de invejável inteligência, bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemática, pela Escola Militar de Realengo no Rio de Janeiro e, depois em Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Recife, foi um homem de vida dinâmica, tanto no Exército quanto fora dele. Por mais de meio século, seu nome encheu de vibração os faustos das atividades militares, cíveis e políticas. Sobretudo do estado a que ele quase sempre esteve ligado”.

Fonte

Dados Biográficos Compilados do Dicionário Amazonense de Biografias de Agnello Bittencourt.

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Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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