Produtor transforma quintal em espaço de experimentação no Amazonas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM
Em Borba, no interior do Amazonas, um empreendedor tem chamado atenção por unir a produção artesanal de cachaça, o cultivo de frutas exóticas e a criação de pirarucu em um mesmo espaço. O trabalho é desenvolvido no quintal da própria casa, na área urbana da cidade. O responsável pelo projeto é Régis Rocha, que utiliza técnicas de cultivo, fermentação e manejo de peixes para produzir alimentos e bebidas adaptados às condições da região amazônica.
Logo na entrada da propriedade, o visitante encontra parreiras de uva, pés de romã e outras espécies cultivadas pelo produtor. Segundo Régis, o clima amazônico exige adaptações no manejo das plantas.
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“A fruta do sul mesmo, que eu trouxe pra cá, é basicamente a uva. Ela tem características um pouco diferentes de lá, porque no Sul os climas são bem definidos e aqui não. Então ela está sempre produzindo folha, está sempre produzindo uva e nutrindo o pé, porque não para nunca”, explicou.
Produção de cachaça artesanal
Outro destaque da propriedade é o alambique onde Régis produz cachaça artesanal. O processo começa com a fermentação do caldo de cana-de-açúcar, etapa que exige controle da quantidade de açúcar presente na mistura.
De acordo com o produtor, como a cana cultivada na região apresenta menor concentração de sacarose, é necessário ajustar o nível de açúcar para garantir uma fermentação eficiente.
“A gente trabalha com o Brix 17, que é a densidade de açúcar para dar uma boa fermentação. Aqui é uma fermentação anaeróbica, sem oxigênio. A bactéria responsável por transformar o açúcar em álcool não gosta de oxigênio”, explicou.
Entre os ingredientes utilizados está o puxuri, planta amazônica conhecida pelo aroma marcante e muito usada na culinária regional.

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Quintal também é criadouro de peixes
Outro projeto desenvolvido no quintal é a criação de pirarucu. Para manter a qualidade da água dos tanques, Régis criou um sistema de filtragem com materiais simples encontrados na própria região.

Segundo ele, a estrutura utiliza tijolos quebrados para substituir materiais mais caros normalmente empregados em sistemas de filtragem biológica.
“Eu uso o tijolo quebrado mesmo. A água circula o tempo todo e passa pelos filtros naturais, mantendo a qualidade para os peixes”, disse.
O resultado, segundo o produtor, é um ambiente adequado para o crescimento dos animais. “Os pirarucus que estamos criando hoje têm cerca de sete meses. O último que pesei estava com 20 quilos”, contou.
*Por Francisco Carioca, da Rede Amazônica AM
