Foto: Reprodução/IDARON
Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com
Bioinsumos vêm ganhando protagonismo no agronegócio como alternativas sustentáveis, eficientes e alinhadas às novas exigências do mercado e da sociedade. Produzidos a partir de microrganismos, extratos vegetais ou substâncias naturais, esses insumos biológicos oferecem soluções para o controle de pragas, promoção do crescimento das plantas e regeneração do solo, com menor impacto ambiental. À medida que o setor agrícola busca equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade, os bioinsumos se consolidam como peça-chave dessa transformação, representando uma nova era na agricultura brasileira e mundial.
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Trata-se de insumos agrícolas desenvolvidos a partir do uso de um ingrediente ativo de origem vegetal, animal ou microbiológica (bactérias, fungos e vírus) ou estruturalmente similares e funcionalmente idênticas aos de origem natural. Destinam-se a prevenir, reduzir ou erradicar a infestação de pragas e doenças nas plantações ou estimular processos fisiológicos da planta ou da rizosfera. Essa classe de produtos são de baixa toxicidade, vêm promovendo uma nova revolução no campo reconhecida como “agricultura verde” e, além de proteger as lavouras, auxilia no equilíbrio do ecossistema do ciclo produtivo.
Os bioinsumos são tecnologias renováveis, não poluentes e favorecem a regeneração da biodiversidade no meio ambiente, principalmente do solo. Isso acontece porque muitos desses produtos introduzem microrganismos que, além de fornecerem nutrientes para as plantas, também protegem as raízes, oferecendo uma barreira contra causadores de doenças causadores de pesados danos à cultura e prejuízos aos produtores. Dessa forma, os bioinsumos impactam positivamente a produção de alimentos, sem causar danos à saúde humana, de animais e ao meio ambiente. Eles atuam em sinergia com os defensivos químicos, auxiliando na redução do custo aos produtores, além de contribuir para a sustentabilidade da agricultura.

Movimentando R$6,2 bilhões no último ano (CropData/CropLife Brasil), o mercado brasileiro de bioinsumos enfrenta um momento marcado pela consolidação das tecnologias biológicas como ferramentas estratégicas de produção. O avanço do mercado e os fatores que vêm moldando sua evolução foram tema do III Fórum de Bioinsumos no Agro, marcado para o dia 18 de agosto, no Auditório da Ocesp (Organização das Cooperativas do Estado de São Paulo), em São Paulo. A organização do evento esteve a cargo da Araiby Agropecuária e promoção da Sociedade Rural Brasileira, Sistema Ocesp e Embrapa.
A adoção de soluções biológicas atingiu a marca recorde de 194 milhões de hectares de área tratada no país, reforçando que, mesmo diante de desafios financeiros, o produtor rural tem intensificado o uso de ferramentas para a proteção e nutrição da lavoura. O Manejo Integrado de Pragas (MIP) e a busca por práticas sustentáveis também são apontados como impulsionadores do segmento. O debate ocorre em um momento de expansão da oferta de tecnologias biológicas para diferentes culturas agrícolas e de crescente profissionalização do mercado, que vem ampliando sua participação nas estratégias de manejo adotadas pelos produtores rurais.
Segundo o engenheiro agrônomo Luiz Mário Salvi, presidente da Araiby Agropecuária, o debate passou a girar em torno de como gerenciar a tecnologia em sua máxima capacidade estratégica, “há alguns anos, a discussão era se os biológicos conseguiriam demonstrar resultados em larga escala; hoje, o produtor já entende o valor dessas ferramentas e busca formas de integrá-las ao manejo para aumentar a eficiência produtiva e enfrentar desafios cada vez mais complexos no campo. Esse amadurecimento do mercado, somado às dificuldades enfrentadas pelo setor de fertilizantes e ao cenário geopolítico internacional, reforça a importância estratégica dos bioinsumos e pode fazer com que as projeções de crescimento para os próximos anos sejam até superadas”, afirma.
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Sobre o autor
Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).
*O conteúdo é de responsabilidade do colunista
