Denis Minev defende na ACA investimentos em modernização no setor comercial para fazer à frente concorrência asiática

CEO do setor varejista participou do café tradicional da entidade comercial. Foto: Reprodução/ACA

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

A Associação Comercial do Amazonas (ACA), liderada por seu presidente Bruno Loureiro, recebeu na quarta-feira, 29, o empresário Denis Minev, para o tradicional café da manhã que a entidade mantém reunindo convidados especiais e associados para discussões e trocas de ideias sobre a dinâmica do setor comércio e serviços amazonense. Na oportunidade foram abordadas questões da mais alta relevância compreendendo as transformações tecnológicas, logísticas de transporte, e-commerce, suporte financeiro, formação de novos quadros de pessoal especializado.

Ênfase especial foi conferida à expansão do comércio para o interior do Estado, tanto no que diz respeito a lojas físicas como a compras on-line, que, surpreendentemente, vêm alcançando níveis bastante expressivos em várias sedes municipais, algumas das quais ainda não atendidas por lojas. Minev é CEO da Bemol, cadeia de lojas de departamentos de maior expressividade da região Norte do país, com 37 lojas físicas, uma rede de 48 farmácias e R$ 4 bilhões em vendas anuais. O complexo empresarial mantém fortes investimentos em logística, telecomunicações e serviços financeiros, além de fundos e startups com foco em empreendedorismo sustentável na região.

Sob o tema “Cenários, Amazonas e Mundo”, argumenta ser preciso investir em ciência e tecnologia para a geração de emprego e renda e fazer face ao adverso quadro conjuntural enfrentado pelo setor comercial brasileiro, que vem enfrentando mares turbulentos, sobretudo devido ao elevado endividamento das famílias, grande parte correndo riscos de falência. Pressionadas pelo custo de vida, juros altos e pelo uso do cartão de crédito, em maio de 2026 o índice de endividamento nacional chegou a 81,6% dos lares, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio (CNC).

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Evento da ACA reúne convidados especiais e representantes do setor do comércio e varejo amazonense
Evento reúne convidados especiais e representantes do setor do comércio e varejo amazonense. Foto: Reprodução/ACA

O Cartão de crédito responde por 84,6% das dívidas das famílias, com taxas no rotativo que chegam a 428,3% ao ano. O quadro se agrava com o avanço das apostas online (bets), que vem consumindo boa parte dos orçamentos domésticos, desviando bilhões de reais de despesas essenciais, causando inadimplências e pressionando o brasileiro, inclusive os beneficiários do programa Bolsa Família, a consumir menos dada a facilidade de acesso às apostas via Pix e influenciados por agressivas estratégias de marketing.

Vítima citada por Minev, a fabricante sueca Electrolux iniciou uma das maiores reorganizações recentes de sua operação global em meio à pressão por queda nas vendas, aumento de custos e avanço da concorrência internacional. O varejo brasileiro, por outro lado, frustrou expectativas de que a Copa do Mundo e as festas juninas pudessem impulsionar o comércio com mais força. Contrariamente, dados do ICVA (Índice Cielo do Varejo Ampliado) revelam que o segmento registrou o pior mês de junho desde 2020, auge da pandemia.

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Em junho, as vendas caíram 2,8% em termos reais comparativamente ao mesmo período de 2025. Em maio, o indicador já havia apresentado contração de 3,4%, também o pior desempenho para o mês desde 2020. Denis Minev salientou que, em decorrência de pesados investimentos realizados pela Bemol em modernização tecnológica, formação de pessoal, participação em eventos sobretudo nos Estados Unidos e na China, além da diversificação da operação abrangendo ramos de farmácias, telecomunicações e negócios financeiros a empresa vem sustentando importantes níveis de crescimento por ganhos de produtividade.

O quadro nacional, todavia, se torna ameaçador quando se considera o tsunami China presente nos mais diversos setores da economia por meio de todo e qualquer tipo de mercadorias vendidas mundo afora a preços sem competição, em cujo cenário se pode adquirir um liquidificador por US$ 4,00 (quatro dólares), um tênis genérico por US$ 8,00, uma dúzia de canetas de uso comum a US 1,00 ou Itens de bazar em atacarejos por US$ 0,20 ou R$ 1,15.

CEO do varejo amazonense recebeu homenagem da ACA. Foto: Reprodução/ACA

Comparativamente, ao que enfatizou Minev, o mundo defronta-se com situações tipo a) Apps de entrega e e-commerce aceleram carteiras de FIDCs e superam US$ 25 bi em concessões de crédito; 2) FIDCs ligadas à Shopee crescem 222% e acirram disputa com Mercado Livre no crédito; 3. Grupo Casas Bahia anuncia parceria com a Amazon para vendas de produtos no Brasil. Além do mais, com “El Niño Godzilla” no radar, a prevenção tem que ser prioridade.

Nesse sentido, o governo do Amazonas alerta que o El Niño pode provocar seca igual à que afetou o Estado em 2023 e, desta forma, trabalha planos para enfrentar o fenômeno previsto para se repetir em 2026. O comércio deve estar atento à necessidade de antecipar estoques para evitar prejuízos durante o período, afirmou. Não se cogitou, entretanto, sobre o custo de antecipação do conjunto de mercadorias, matérias-primas ou produtos disponíveis para o enfrentamento da estiagem e quem vai bancá-los ao lado do setor comercial.

Encontro reúne segmentos do setor do comércio local

O presidente da ACA, Bruno Loureiro, ao entregar Certificado Homenagem pela sua participação a Denis Minev, informou que o projeto “Café da Manhã na ACA” às quartas-feiras é sucesso absoluto; de tal sorte que a agenda de convidados para os próximos eventos está tomada até o fim de dezembro do ano em curso. Ele salientou ter sido este o meio trabalhado pela atual diretoria de interagir com a classe e demonstrar o grau de comprometimento da Associação sobre questões de maior relevância no que respeita à dinâmica do setor
comercial no Amazonas e no país.

Há de se considerar, adicionalmente, salientou Loureiro, que o setor de comércio, segundo dados da Secretaria de Fazenda do Estado (SEFAZ) de 2025, é o setor mais representativo da força de nossa economia, respondendo por cerca de 53% do recolhimento de ICMS; 43,84 do PIB estadual, à frente da indústria, com 36,84%, e 68,4% dos empregos diretos gerados no Estado (25,3% do setor industrial).

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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