ICBEU e comitê israelita sediam mostra ‘Judeus na Amazônia’ em Manaus

Maior exposição realizada desde sua inauguração em 2021, a mostra "Judeus na Amazôni" expõe mais de 200 obras de arte, vídeos, documentos históricos e fotográficos no ICBEU-Manaus.

Foto: Lincoln Ferreira/ICBEU-Manaus

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Instituto Cultural Brasil–Estados Unidos (ICBEU) em Manaus (AM), conduzido pela superintendente Cláudia Malheiros sediou, na sexta-feira, 28 de agosto, a abertura da exposição “Judeus na Amazônia”, produzida pelo Museu Judaico de São Paulo, instituição que cultiva e defende a diversidade das expressões da cultura judaica em diálogo com o contexto brasileiro e com o contemporâneo, enfatizando a defesa dos direitos humanos, o combate ao antissemitismo e a todas as formas de preconceito.

Maior exposição realizada desde sua inauguração em 2021, a mostra expõe mais de 200 obras de arte, vídeos, documentos históricos e fotográficos, que permanecerá em cartaz até 6 de dezembro de 2026. Segundo seus organizadores, “o projeto propõe um olhar ampliado sobre como a cultura judaica se ambientou em diferentes localidades, influenciando e sendo influenciada, preservando suas raízes ao mesmo tempo em que se mescla às idiossincrasias culturais e religiosas predominantes na Amazônia colonial no século XIX, desde quando, em pleno ciclo econômico do extrativismo, consideráveis fluxos de imigrantes judeus originários do Marrocos aqui aportaram”.

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Durante a solenidade de abertura, destinada a convidados especiais, dentre os quais Sérgio Band, presidente do Comitê Israelita do Amazonas (CIAM), órgão máximo da comunidade judaica há 96 anos ativo; o cônsul de Israel no Amazonas, Jaime Benchimol, presidente da Fogás; e o presidente da Bemol, uma das empresas líderes patrocinadoras do evento, Denis Minev; foi conduzida pela estrela das comunicações amazonenses, Daniela Assayag, quando foram apresentados concertos de violino de músicos da Orquestra Sinfônica do Amazonas e de sax e baixo, do Museu Judaico. A curadoria da mostra é de Aldrin Figueiredo, Ilana Feldman, Renato Athias e Mariana Lorenzi, responsável por sua itinerância em Manaus.

Ilana Minev, presidente do Conselho de Administração da Bemol, em contundente e emotiva saudação à comunidade judaica e à sociedade amazonense, inicialmente afirma:

“Quero começar agradecendo ao Museu Judaico e à sua equipe, que nos entregam esta tarde muito mais do que uma exposição: entregam um ato de memória. E agradeço à pessoa de Piatã Kignel, representante do Museu nesta cerimônia, que acompanhou de perto cada passo desta jornada. Esta abertura é a realização de um sonho construído ao longo de mais de dois anos, para que a Região Norte pudesse receber uma exposição desta grandeza. E ela não existiria sem seus curadores, a quem agradeço por transformarem pesquisa, acervo e sensibilidade na narrativa que vamos percorrer hoje. Agradeço aos parceiros que, junto com a Bemol, tornaram este momento possível, a Gera Amazonas e o ICBEU, e a cada pessoa que dedicou tempo, talento e coração ao projeto”.

Ilana é enfática: “saúdo o Comitê Israelita do Amazonas, o nosso CIAM, guardião dessa história há quase um século; nada do que celebramos hoje teria chegado até nós sem a sua dedicação. E cumprimento, com um carinho especial, as famílias aqui presentes: somos a continuação viva da história que esta exposição celebra”.

“Na verdade, uma ode dedicada a homenagear as primeiras famílias judias que há aproximadamente duzentos anos deixaram o Marrocos e atravessaram o Atlântico para recomeçar a vida na Amazônia, tangidas por séculos de perseguição e de reclusão, aqui encontraram, nesta floresta e nestes rios, uma terra que as acolheu. É essa história que o Museu Judaico traz hoje para Manaus. E é dela que todos nós fazemos parte”, afirma.

A saga encontra-se documentada no livro “Eretz Amazônia, a Nova Terra da Promissão”, de seu avô, o mestre Samuel Benchimol, que dedicou a vida a estudar a cosmologia amazônica. Esta tarde, ressalta Ilana, quero deixar que as palavras dele nos conduzam. Ele contava que aquelas famílias repetiram a história do êxodo bíblico em busca da sua Terra da Promissão, e resumiu essa saga assim: “A história dos judeus na Amazônia é longa, sofrida, pioneira e grandiosa”.

“Para o Museu Judaico de São Paulo, a itinerância de Judeus na Amazônia marca uma nova fase de uma pesquisa construída com muito fôlego e interesse por mais de 2 anos. Apresentar a exposição em Manaus, território de extrema relevância para essa história, significa reconhecer que o conhecimento produzido a partir do Museu não se encerra em uma exposição. Ao contrário, é na escuta do público local, de suas histórias e leituras, que essa investigação pode ganhar novos contornos e continuar se desdobrando”, assinala Patricia Wagner, diretora de Curadoria e Participação do MUJ.

Para Claudia Malheiros, superintendente do ICBEU Manaus, “receber uma exposição como “Judeus na Amazônia” reafirma o compromisso do Instituto de conectar o Amazonas aos grandes circuitos culturais do país e, mais do que isso, mostrar aos amazonenses uma importante parte da nossa história com a população judaico-marroquina. É uma honra abrir nossas portas para uma mostra que promove o diálogo entre diferentes culturas, preserva a memória e amplia o acesso do público amazonense a importantes narrativas da história brasileira”.

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Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

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