Mestre Sacaca, ervas medicinais e ancestralidade do Amapá marcam desfile da Mangueira

Agremiação foi a última a passar na avenida na madrugada de segunda-feira (16). Escola levou a Amazônia Negra por meio de elementos culturais como o Mestre Sacaca e o marabaixo.

O enredo da Mangueira este ano foi ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra’. Foto: Leo Franco/AgNews

A Estação Primeira de Mangueira encerrou a primeira noite de desfiles do grupo especial do Rio de Janeiro, na madrugada desta segunda-feira (16), com um enredo sobre ervas medicinais e ancestralidade. A escola homenageou Mestre Sacaca, ícone da cultura afro-amapaense 

O enredo deste ano foi ‘Mestre Sacaca do Encanto Tucuju – O Guardião da Amazônia Negra‘. A proposta foi mostrar a cultura afro-amapaense, com seus costumes, plantas e rituais do extremo Norte do Brasil.

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O desfile destacou desde as garrafadas criadas pelo mestre até práticas afro-indígenas. A comissão de frente representou os pretos velhos como guardiões dos saberes amazônicos. A escola também encenou a dança Turé, ritual sagrado dos povos indígenas do Amapá, como Galibi-Marworno, Karipuna e Palikur, evocando a memória de Sacaca.

A União dos Negros do Amapá (UNA) também foi destaque no desfile. O ‘doutor da floresta’ foi um dos fundadores da instituição, que atua em políticas públicas no Amapá.

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Marabaixo na Sapucaí

Um dos destaques foi a mistura do samba com o batuque do Marabaixo, dança reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil desde 2018.

Uma ala representou o ritmo que relembra os povos escravizados trazidos ao Brasil nos navios negreiros. Com saias rodadas e flores no cabelo, as marabaixeiras percorreram a avenida cantando a resistência negra do Amapá.

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Músicos do Amapá reforçaram a bateria da Mangueira com caixas de Marabaixo. Os instrumentos deram ritmo ao tambor negro na avenida.

Entre os músicos estavam Arthur e Eloisa Sacaca, netos do homenageado. A cantora amapaense Patrícia Bastos deu voz ao esquenta da Mangueira.

Mestre Sacaca, ervas medicinais e ancestralidade do Amapá marcam desfile da Mangueira
Foto: Reprodução/TV Globo

Salve Sacaca

Em um dos carros alegóricos, a imagem de Sacaca apareceu sorridente, abrindo os caminhos para a celebração de seu centenário.

Madalena Sacaca, viúva do mestre, foi destaque na alegoria. Com sorriso no rosto, reforçou a importância da homenagem.

“Muita alegria! Aqui estão meus netos, bisnetos, parentes e vizinhos. Ele sempre gostou de carnaval e iria gostar desta homenagem”, disse emocionada.

De acordo com a comissão da Mangueira, cerca de 50 familiares de Sacaca viajaram ao Rio para participar do desfile.

Essa é a segunda vez que o Amapá é destaque na Sapucaí: em 2008 a Beija-flor de Nilópolis levou o enredo ‘Macapaba: Equinócio Solar, Viagens Fantásticas do Meio do Mundo’ para a Avenida. Com o enredo deste ano, a escola busca o 21° título do grupo especial do Rio de Janeiro.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

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