Artista indígena do Acre faz apresentação no Grammy Latino com DJ Alok

O acreano Mapu Huni Kuin é um dos músicos participantes do álbum 'O Futuro é Ancestral', lançado no início do ano pelo DJ Alok.

Foto: Reprodução/Instagram @alok

O indígena e músico acreano Mapu Huni Kuin se apresentou, na última quinta-feira (14), na 25ª cerimônia anual de entrega do Grammy Latino, em Miami, nos Estados Unidos, ao lado do DJ Alok, indicado ao prêmio mais importante da indústria musical latina.

A performance da música “Pedju Kunumigwe”, indicada na categoria de melhor interpretação de música eletrônica latina, fez parte da apresentação e divulgação do álbum “O Futuro é Ancestral“, que foi lançado no dia 19 de abril, quando se celebra o Dia dos Povos Indígenas.

“O prêmio máximo não veio, mas estamos celebrando muito a indicação dos jurados internacionais do Grammy para que o canto sagrado do povo Nhandewa chegasse à finalíssima. É uma grande vitória: pela primeira vez na história da premiação uma canção indígena brasileira foi indicada”, disse a página oficial do Instituto Alok.

Também nas redes sociais, Mapu Huni Kuin celebrou o feito.

Segundo o artista, o canto “Pedju Kunumigwe”, indicado ao prêmio, é um chamado às crianças para que escutem o sagrado canto dos pássaros: “Venham, vamos ver juntos!”. A música que venceu a categoria de música eletrônica latina foi Bzrp Music Sessions, Vol. 53 (Tiësto Remix), de Bizarrap e Shakira.

Os Guarani Nhandewa vivem no Norte do Paraná, nos territórios Indígenas Ywy Porã (Posto Velho), Narã’i (Laranjinha) e Pinhalzinho. A mensagem é de respeito às existências físicas e espirituais dos povos indígenas, assim como de seus projetos de futuro, em profunda conexão com a terra que habitam.

O trabalho de Alok é o primeiro autoral de sua carreira, é um projeto sociocultural do Instituto Alok e é resultado de mais de 500 horas de gravações entre pelo menos 60 artistas indígenas de oito etnias, incluindo a Huni Kuin. Em março deste ano, o acreano, em conjunto com outros indígenas, se apresentou em Los Angeles.

Mapu Huni Kuin (ao meio) em cerimônia de entrega do 25º Grammy Latino, nos EUA. Foto: Reprodução/Instagram @alok

Outras apresentações

Em 2021, indígenas do Acre, das etnias Yawanawá e Huni Kui, também se apresentaram ao lado do DJ Alok no Global Citizen Live. A performance foi transmitida direto da Amazônia e mostrou o trabalho que o artista tem feito ao lado dos povos indígenas nos últimos meses.

A Global Citizen pretende convocar “os governos, grandes empresas e os filantropos para que trabalhem juntos na defesa do planeta e para vencer a pobreza, concentrando-se nas ameaças mais urgentes”.

A ideia da apresentação foi mostrar que é através dos cantos indígenas que se pode ouvir o que a floresta tem a dizer.

“O Futuro é Ancestral”

O interesse de Alok pelos povos indígenas não é de hoje. Antes desse projeto, o DJ lançou em 2015 uma música composta por sons de rituais indígenas. Na época, ele chegou a ficar três dias na Aldeia Mutum, em Tarauacá, com os povos da etnia Yawanawá.

Foram seis pessoas da equipe do DJ para capturar a experiência em meio à floresta amazônica. De acordo com o artista na época, a ideia de visitar a aldeia surgiu de uma empresa que já havia feito um trabalho na tribo.

Ainda dessa experiência, o artista lançou, em 2016, o minidocumentário “Yawanawá – A força”, publicado em plataformas digitais. A produção, de 21 minutos, mostra o encontro do artista com a etnia Yawanawá.

Agora, o projeto “O Futuro é Ancestral” conta com nomes como Mapu Huni Kuin, Brô MC’s, Rasu e grupo Yawanawa e Owerá MC, que assim como o acreano, também participaram da cerimônia.

O objetivo do projeto é difundir a importância da música na visão de mundo dos povos originários, além de mostrar a força da canção ancestral do Brasil e amplificar a voz e sabedoria milenar dessa população. Os royalties de Alok como produtor e co-autor, inclusive, serão doados para os artistas que participam deste trabalho.

O projeto é reconhecido pela Unesco como contribuição relevante para a “Década Internacional das Línguas Indígenas”, uma forma, segundo os organizadores, de reafirmar a importância da música para a preservação da cultura originária.

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

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