Com representantes do Acre, Alok lança álbum que exalta sonoridade indígena brasileira

Alok contou que o primeiro contato com a sonoridade indígena aconteceu em 2015, quando ele vivia uma crise existencial.

Os sons dos povos ancestrais da Amazônia encantam. E uma das pessoas que foi tocada por tal sonoridade foi o DJ e produtor musical Alok. Nesta sexta-feira (19), o artista lançou o álbum ‘O Futuro é Ancestral‘, uma obra que exalta a riqueza musical das comunidades indígenas com as batidas pop que tornaram o DJ um dos mais renomados do país.

O lançamento do álbum, estrategicamente programado para coincidir com o ‘Dia dos Povos Indígenas’, representa um marco significativo na intersecção entre a música contemporânea e os conhecimentos ancestrais.

Foto: Felipe Miranda

Para Alok, ‘O Futuro é Ancestral’ não é apenas um álbum, mas “uma experiência imersiva” na paisagem sonora em que cada faixa narra uma história de inovação, resiliência e ressurgimento cultural das populações indígenas.

Diversidade indígena

Este lançamento também é reconhecido pela UNESCO como uma ação relevante para a ‘Década Internacional das Línguas Indígenas’, destacando a importância de preservar e promover as línguas e culturas indígenas em um contexto global. 

A colaboração com as comunidades indígenas, informam, não só enriquece a música, mas também fortalece os laços entre a nova geração de indígenas e as plataformas contemporâneas da música.

Durante coletiva com a imprensa, foi apresentada a jornada de construção de ‘O Futuro é Ancestral’ para Alok, envolvendo cerca de 500 horas de trabalho em estúdio e mais de 50 músicos de diversas etnias, incluindo Huni Kuin (AC), Yawanawa (AC), Kariri Xocó (AL), Guarani Mbyá (ES, PA, PR, RJ, RS, SC, SP, TO), Xakriabá (MG), Guarani-Kaiowá (MS), Kaingang (PR, RS, SC, SP) e Guarani Nhandewa (MS, PR, RS, SC, SP).

Alok realizou o lançamento do álbum acompanhado de representantes de etnias participantes. Foto: Reprodução

Alok contou que o primeiro contato com a sonoridade indígena aconteceu em 2015, quando ele vivia uma crise existencial. “Eu estava em um momento depressivo da minha vida, buscando inspiração para um próximo projeto. Então, assisti um vídeo do povo Yawanawá cantando. Decidi fazer uma viagem até a aldeia, que fica no Acre, para conhecer mais sobre a sonoridade deles. Essa experiência foi transformadora, um momento de ressignificar muita coisa na minha vida”, disse Alok, que viajou mais de 28 horas para chegar à comunidade indígena acreana.

Para Alok, o que mais chamou atenção dos cânticos do povo Yawanawa foram os valores por trás da letra e da melodia. 

“A forma como eles conduziam a música me surpreendeu. Eu buscava a música para levá-la ao Top 10, enquanto os povos indígenas criavam a música para levar a cura e espiritualidade para as pessoas”, 

contou Alok.

O cantor e ator Mapu, que é líder espiritual dos Huni Kuin, reforçou a fala de Alok e afirmou aindaque os rezos dos povos indígenas possuem uma conexão com a natureza.

“A gente consegue equilibrar a energia de quem está doente. Nós somos movidos por energia e os nossos rezos podem transmiti-la até a pessoa. Por isso, o nosso rezo é importante. É preciso tomar medicina para se curar, mas o nosso rezo também é importante e ajuda na cura”, 

afirmou o líder.

Legado

Para o artista, ‘O Futuro é Ancestral’ não é um álbum comercial, ou seja, não foi produzido para criar “hits”, mas alcançar os ouvintes da maneira que ele foi “arrebatado” pelo cântico do povo Yawanawá, em 2015. O objetivo é deixar um legado para as futuras gerações.

“Sempre nos perguntamos, qual o mundo vamos deixar para os nossos filhos, porém, esquecemos de perguntar quais filhos vamos deixar para este mundo? Eu quero que esse álbum tenha um impacto diferente na vida das pessoas, afinal, ele mostra um lado do Brasil ancestral e que merece ser visto”,

destacou o artista.

Segundo Aleok, ‘O Futuro é Ancestral’ vai se tornar uma turnê e rodar o país levando a sonoridade indígena para o máximo de pessoas possível. Ele garantiu que o público pode esperar um show com tecnologia de ponta, entretanto, o mais importante será a presença de todos os povos indígenas que fizeram parte da gravação do álbum, além de participações especiais que serão reveladas no futuro.

‘O Futuro é Ancestral’

O interesse de Alok pelos povos indígenas não é de hoje. Antes desse projeto, o DJ lançou em 2015 uma música composta por sons de rituais indígenas. Na época, ele chegou a ficar três dias na Aldeia Mutum, em Tarauacá, com os povos da etnia Yawanawá.

Foram seis pessoas da equipe do DJ para capturar a experiência em meio à floresta amazônica. Ainda dessa experiência, o artista lançou, em 2016, o minidocumentário “Yawanawá – A força”, publicado em plataformas digitais. Além disso, o artista também já fez parceria com o cantor indígena rondoniense Ixã. 

O objetivo do projeto O Futuro é Ancestral’ é difundir a importância da música na visão de mundo dos povos originários, além de mostrar a força da canção ancestral do Brasil e amplificar a voz e sabedoria milenar dessa população. Os royalties de Alok como produtor e co-autor, inclusive, serão doados para os artistas que participam deste trabalho.

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