Sustentabilidade na prática: debate reúne iniciativas que estão transformando realidades na Amazônia

Diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, Mariane Cavalcante destacou experiências da instituição e os desafios de transformar sustentabilidade em impacto real na Amazônia

Foto: Divulgação

Como transformar sustentabilidade em resultados concretos para a população? A busca por respostas para esse desafio reuniu empresas, instituições e organizações da sociedade civil durante o Talks ODS, realizado nesta sexta-feira (12/06), no Centro de Bionegócios da Amazônia (CBA), em Manaus.

O encontro integrou a programação do Circuito Cultural ODS – 2ª Edição e promoveu um espaço de diálogo sobre os caminhos para transformar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) em ações capazes de gerar impacto positivo nos territórios amazônicos.

Representando a Fundação Rede Amazônica (FRAM), a diretora executiva Mariane Cavalcante participou do painel “Do Discurso à Prática: Empresas que Vivem os ODS”, ao lado de representantes da Vibra, Pioneiro e Consulado da Mulher. Durante o debate, ela destacou o papel da comunicação como ferramenta de mobilização social, conexão entre diferentes atores e transformação de realidades.

Segundo Mariane, a Fundação foi criada com o propósito de contribuir para o desenvolvimento e a integração da Amazônia e, ao longo de mais de quatro décadas, consolidou sua atuação por meio de projetos voltados à educação, cidadania, sustentabilidade, empreendedorismo, cultura e desenvolvimento social.

“O Grupo existe há 53 anos e a Fundação há 42. Ela foi criada com um objetivo muito semelhante ao do Grupo Rede Amazônica, que é desenvolver e integrar a Amazônia. Ao longo dessas décadas, construímos um legado baseado na educação, na mobilização social e na valorização da nossa região. Nosso principal diferencial é utilizar a comunicação como uma ferramenta de geração de impacto”, afirmou.

Atualmente, a Fundação Rede Amazônica desenvolve cerca de 22 projetos por ano em toda a Amazônia, impactando diretamente mais de um milhão de pessoas por meio de iniciativas voltadas ao fortalecimento das comunidades e à promoção do desenvolvimento sustentável.

“A gente entende que a comunicação é uma ferramenta extremamente importante na mobilização social e na participação coletiva. E sempre digo que, se conseguirmos mudar a vida de uma pessoa, já estamos cumprindo o nosso propósito”, destacou.

Medir para transformar

Durante o painel, Mariane destacou que um dos maiores desafios das organizações que atuam com impacto social é transformar a sustentabilidade em uma prática permanente e mensurável.

Segundo ela, a implantação de processos, indicadores e mecanismos de monitoramento foi fundamental para ampliar a efetividade dos projetos desenvolvidos pela Fundação.

“Transformar essa sustentabilidade numa prática transversal foi o nosso maior desafio. Para fazer isso, precisávamos implantar processos, criar indicadores e fazer monitoramento contínuo. E monitorar exige investimento, disciplina e compromisso. Mas é somente através desse acompanhamento que conseguimos entender se os projetos realmente estão funcionando e qual impacto estão gerando para a região”, explicou.

A executiva também ressaltou que a cultura do monitoramento fortalece a transparência institucional e amplia a capacidade das organizações de demonstrar resultados para parceiros e para a sociedade.

Conexões que ampliam o impacto

Outro tema abordado durante o debate foi a importância das parcerias para enfrentar os desafios sociais, econômicos e ambientais da Amazônia.

Para Mariane, a diversidade de realidades presentes na região exige uma atuação colaborativa entre empresas, instituições e comunidades.

“O impacto que a gente gera é muito grande, mas ele se torna ainda maior quando construímos conexões. Quanto mais parceria conseguimos estabelecer, mais pessoas conseguimos alcançar. A Amazônia é enorme, diversa e cheia de desafios. Ninguém consegue fazer isso sozinho”, afirmou.

Ela também chamou atenção para a necessidade de fortalecer a cultura da filantropia e do investimento social privado na Região Norte, ampliando o apoio a iniciativas voltadas ao desenvolvimento sustentável.

“Ainda precisamos percorrer muitos caminhos para que mais empresas abracem as causas da Amazônia. São desafios distintos e necessidades diferentes em cada território. Por isso, precisamos cada vez mais de colaboração e compromisso coletivo.”

Inovação e responsabilidade social

Além das discussões sobre impacto social e sustentabilidade, o Talks ODS também apresentou experiências que demonstram como a inovação pode contribuir para uma agenda de desenvolvimento mais sustentável.

Representando a Pioneiro, a gerente de Comunicação e ESG, Monika Tambke, destacou a operação do primeiro caminhão elétrico abastecedor de aeronaves das Américas, em atividade no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, em Manaus.

“Temos aqui em Manaus o primeiro caminhão elétrico abastecedor de aeronaves das Américas. É uma iniciativa da Pioneiro junto com a Vibra. E não é só o caminhão que se tornou elétrico. Transformamos também toda a nossa operação no Amazonas para utilizar energia solar. Quando falamos desse projeto, estamos falando de sustentabilidade de ponta a ponta”, explicou.

Monika também apresentou ações desenvolvidas por meio do Movimento Violência Sexual Zero, iniciativa que leva informação e conscientização para comunidades do interior do Amazonas.

“Temos um caminhão adesivado com a campanha Violência Sexual Zero, que percorre municípios do estado levando informação sobre canais de denúncia e ajudando a ampliar a conscientização sobre o enfrentamento à violência sexual”, destacou.

Ao reunir experiências de diferentes setores, o Talks ODS reforçou que sustentabilidade, inovação e desenvolvimento social caminham juntos. Mais do que conceitos, as iniciativas apresentadas mostraram que gerar impacto positivo na Amazônia exige diálogo, colaboração e compromisso permanente com a transformação dos territórios e das pessoas.

O Talks ODS integrou a programação do Circuito Cultural ODS – 2ª Edição, iniciativa que promove educação, cultura e conscientização sobre os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. Após o encontro realizado na sexta-feira, a programação segue até domingo (14/06), na Praia da Ponta Negra, com atividades gratuitas, apresentações culturais, exposições, experiências interativas e ações voltadas à sustentabilidade, cidadania e inovação social.

Por João Paulo Oliveira, da FRAM

Publicidade
Publicidade

Relacionadas:

Mais acessadas:

Reserva no Peru abriga novo gênero de besouro, confirmam pesquisadores

Além do novo gênero, também foram registradas nove novas espécies de besouros na Reserva da Biosfera de Manu.

Leia também

Publicidade