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#Série – Nomes reais de artistas amazônidas: conheça 5 famosos do Amazonas que mudaram os nomes

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Diversos artistas adotam nomes diferentes dos reais que marcam suas carreiras. Os nomes artísticos podem surgir das mais diversas formas: por acaso, uma brincadeira, uma lembrança, um apelido, entre tantas outras. Em geral, as escolhas acabam se tornando estratégias para facilitar a identificação com o público.

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Com essa curiosidade, o Portal Amazônia procurou artistas dos estados na Amazônia Legal que adotaram esses nomes diferentes dos próprios para seguir carreira. Nesta série você vai conhecer alguns dos mais populares, começando pelo Amazonas:

Berg Guerra

Morador do bairro de São Jorge, em Manaus, Uosley dos Santos Guerra é o nome por trás do cantor Berg Guerra. Durante a infância e adolescência, tinha o sonho de ser cantor e jogador de futebol, por influência de seu irmão mais velho, Ninimberg Guerra, atacante do Botafogo em 1983.

Chegou a atuar no futebol pelo ASA, no Amazonas, e pelas categorias de base do Fluminense, no Rio de Janeiro, antes de retornar ao Amazonas e investir na carreira musical. Seu nome artístico ‘Berg Guerra’ surgiu como uma homenagem ao irmão, falecido em 1996.

Leia também: Voz da experiência: sete veteranos da música amazônica que seguem firmes nos palcos

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Foto: Reprodução/Facebook-Berg Guerra

Em sua carreira, Berg Guerra formou várias duplas como ‘Berg e Breno’, ‘Berg e Adriano’ e ‘Berg e Bryan’, até ser convidado por Jonas Alves para participar de uma banda de forró no clube da companhia.

No entanto, Berg percebeu que não servia para cantar forró e, com a saída da banda, migrou para o bolero pop, com o qual ganhou notoriedade.

O cantor traz em seu repertório os estilos de bolero e brega, com diversas canções de sucesso que marcaram época desde os anos 80, como ‘Mi vida’ e ‘Tu Sabes’.

Zezinho Corrêa

Batizado como José Maria Nunes Corrêa, Zezinho Corrêa nasceu na comunidade Imperatriz, no município de Carauari, no interior do Amazonas. Eternizado como a voz do grupo de boi bumbá Carrapicho, Zezinho fez enorme sucesso com a música ‘Tic Tic Tac’ nos anos 90. 

Foto: Márcio Benchimol

Antes de estrear como cantor, Zezinho vivia do teatro. Estudou interpretação e dança no Rio de Janeiro e atuou no Grupo de Teatro Experimental do Sesc, estrelando espetáculos que valorizavam a cultura amazônica, como ‘Folias do Látex’ e ‘Tem Piranha no Pirarucu’, o que o ajudou com a presença de palco como vocalista do Carrapicho. 

Zezinho Corrêa faleceu no dia 6 de fevereiro de 2021, aos 69 anos, vítima da Covid-19. No entanto, seu legado permanece vivo nas vozes que continuam entoando os batuques do boi bumbá.

Paulo Onça

Paulo Juvêncio de Melo Israel, nascido e criado no bairro do Boulevard, em Manaus, ganhou o apelido que levaria como identidade artística ainda na adolescência.

Conhecido inicialmente como ‘Paulo Galinha’, devido à sua fama de namorador na adolescência, o artista teve seu nome artístico rebatizado por influência de um amigo de longa data. 

Foto: Reprodução/Amazon Sat

De acordo com Simone Andrade, viúva de Paulo, quem apelidou Paulo de ‘onça’ foi Nicolau Montemurro, já que quando Paulo ia compor, se afastava do convívio social para escrever e refletir, passando longos períodos em silêncio nas redondezas da Igreja Nossa Senhora de Nazaré.

“Ele era muito calado, Paulo era muito na dele, gostava de compor ali por trás da igreja e ficava ali. Os meninos, na época, todo mundo jogando dominó, jogando bola, que, de primeiro, nos anos 70, 80, a moçada se reunia muito em praça. Aí o Montemurro fala assim: ‘Tu parece uma onça, tu só vives isolado, só vives muito distante da gente’. Foi o Montemurro que botou esse apelido no Paulo Onça”, declarou Simone ao Portal Amazônia. 

A partir daí, Paulo decidiu levar esse nome para a vida toda, adotando como nome artístico. Segundo Simone, o nome deu muito certo e foi o que fez a diferença na carreira do compositor. 

Leia também: Cinco composições marcantes de Paulo Onça interpretadas por artistas consagrados

Nunes Filho

Nascido no dia 14 de dezembro de 1948, em Manaus, José Bernardo Nunes Filho, ou simplesmente Nunes Filho, é um dos nomes mais lembrados da música amazonense.

Ele ficou conhecido como o ‘Príncipe do Brega’, título conquistado graças ao seu talento e proximidade com o público.

Foto: Suelen Golçalves

Ao longo de sua carreira, ele interpretou gêneros diversos, mas foi no brega que alcançou maior destaque, com sucessos como ‘Lábios de Mel’ e ‘Por Te Amar Assim’.

Com mais de 70 anos, ele segue em atividade, se apresentando em eventos culturais e programas de rádio e televisão.

Lorena Simpson 

Lorena Caroline da Silva Simpson, conhecida artisticamente como Lorena Simpson, é natural de Manaus e cantora da música pop eletrônica do Brasil.

Foto: Reprodução/Instagram.

Reconhecida nacional e internacionalmente por hits como ‘Brand New Day’, lançado em 2009, Lorena foi uma das primeiras cantoras de música pop eletrônica do Brasil a ganhar destaque fora do país.

Somando centenas de shows, mais de 10 singles lançados, um EP e diversos videoclipes, a artista já se apresentou em países como México, Argentina, Chile, Portugal e Estados Unidos. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Portal Amazônia responde: o que é a Amazônia Setentrional?

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A expressãoAmazônia Setentrional‘, apesar de não ser uma divisão oficial adotada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é amplamente utilizada por pesquisadores, pelo setor de defesa e por especialistas em debates acadêmicos, ambientais e geopolíticos para se referir à porção mais ao norte da Amazônia Legal, uma região estratégica e diversa. 

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O termo deriva da ideia de posição geográfica associada aos pontos cardeais, já que assim como ‘meridional’ remete ao Sul, setentrional refere-se ao Norte, ou seja, algo setentrional está acima, geograficamente, de outra parte no topo do mapa.

“O termo setentrional está sendo associado aos pontos cardeais. Então, o norte, o sul, o leste, o oeste. O norte também é chamado de setentrional ou também chamado de boreal, onde acontecem as auroras boreais no extremo do hemisfério norte”, explicou o doutor em geografia, Deivison Molinari, ao Portal Amazônia

O que compõe a Amazônia Setentrional?

A Amazônia Setentrional corresponde ao limite extremo norte da região, abrangendo áreas que vão desde a costa atlântica amazônica até fronteiras internacionais como a Guiana Francesa, o Suriname, a Guiana, a Venezuela e a Colômbia.

No Brasil, essa porção envolve os estados:

  • do Amapá, localizado no extremo norte e com áreas de floresta bem preservada;
  • de Roraima, totalmente setentrional e fazendo fronteira com a Guiana e com a Venezuela;
  • o Norte do estado do Pará, especialmente a região entre o baixo Amazonas e a fronteira com a Guiana;
  • e o Norte do Amazonas, nos municípios próximos à fronteira com a Colômbia e a Venezuela.  

Leia também: Entenda a diferença entre Amazônia Legal, Internacional e Região Norte

De acordo com Molinari, a porção setentrional também engloba a parte da Amazônia litorânea, conhecida como Amazônia Azul. “Onde é a flor do Amazonas e a região de Roraima, na área onde existe o contato com o oceano e a faixa da Amazônia das águas”, afirmou. 

A área da Amazônia Setentrional se caracteriza por grandes extensões de florestas conservadas, numerosas terras indígenas e unidades de conservação, cidades pequenas com forte dependência dos rios e a presença de fronteira internacional em grande parte do território.

Região estratégica para o Brasil

Amazônia Setentrional- área do projeto Calha Norte
Amazônia Setentrional e área do projeto Calha Norte. Foto: Reprodução/Tiago Luedy

De acordo com o estudo ‘Interações Fronteiriças no Platô das Guianas: Novas construções, novas territorialidades, de Durbens Nascimento e Jadson Porto (2010), a Amazônia Setentrional ocupa um papel central no planejamento de Defesa Nacional, já que desde 1980, o Brasil passou a dar mais atenção as áreas de fronteiras do Norte por sua importância geopolítica.

O Projeto Calha Norte (PCN), criado em 1985, tem a missão de proteger a fronteira brasileira, fortalecer infraestrutura de estradas, energia e comunicações, apoiar comunidades indígenas, instalar órgãos federais em regiões remotas e garantir a presença militar em pontos sensíveis.

Atualmente, ele cobre 32% do território nacional, alcançando 194 municípios e boa parte da população indígena brasileira.

Leia também: Portal Amazônia responde: como funciona o Calha Norte?

A fronteira e a segurança

Além do carácter ambiental, a Amazônia Setentrional aparece como destaque em estudos de segurança devido ao fenômeno do ‘transbordamento de vulnerabilidades’ vindos de países vizinhos.

Os dados presentes na pesquisa ‘A ameaça do terrorismo internacional sobre a Amazônia Setentrional Brasileira’, de Tiago Luedy, mostram que a região sofre com a influência de grupos criminosos nas fronteiras internacionais, abriga áreas de baixa presença do estado, convive com tensões geopolíticas na chamada Amazônia Caribenha (Guiana, Suriname, Trinidad e Tobago) e é corredor para o tráfico. 

Uma Amazônia menos conhecida 

Embora seja uma parte crucial do território nacional, a Amazônia Setentrional é pouco conhecida devido a fatores como o difícil acesso terrestre, a longa faixa de fronteira internacional, a urbanização concentrada em poucas cidades e a presença de comunidades tradicionais e populações indígenas.

Essa porção abriga também uma das áreas de floresta mais bem preservadas do país, além de rios, manguezais e ecossistemas costeiros.

Além disso, a região está no centro de discussões que envolvem as pressões ambientais, a mineração legal e ilegal, o avanço de frentes de destruição, a segurança de fronteira, a soberania nacional, as políticas de integração com países vizinhos e a valorização de populações tradicionais.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Portal Amazônia responde: o que é o Manejo Florestal Sustentável?

Foto: Reprodução/Serviço Florestal Brasileiro

A Amazônia, maior floresta tropical do planeta, é fonte de recursos fundamentais para a economia de madeiras, óleos, sementes e frutos que alimentam a vida de milhares de espécies e centenas de povos indígenas e comunidades tradicionais. Diante do avanço do desmatamento e da exploração sem escala, entender como utilizar a floresta sem destruí-la se torna uma questão essencial.

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O Manejo Florestal Sustentável é uma prática que alia o uso racional dos recursos naturais à preservação, pode ser a resposta, já que essa forma de manejo busca garantir que as gerações futuras continuem usufruindo dos mesmos benefícios que existem atualmente, mantendo o equilíbrio. 

O que é o manejo florestal sustentável?

O manejo florestal sustentável trata-se da utilização da floresta sem destruí-la por completo, deixando-a irrecuperável.

De acordo com a geógrafa Ivani Faria (UFAM/UNIFAL), o manejo florestal sustentável consiste no conjunto de práticas que permite o uso dos elementos florestais, sejam eles madeireiros ou não-madeireiros, de modo que a floresta possa se regenerar de forma natural.

“Tem que haver essa ideia da regeneração ou a recuperação dessas florestas para o futuro, visando benefícios tanto ambientais quanto econômicos, sociais e culturais que permitam a recuperação, a regeneração delas para o futuro”, afirmou Ivani ao Portal Amazônia.

manejo florestal sustentável
Curso mostra princípios do manejo florestal em várzeas da Amazônia. Foto: Luciano Abreu

Leia também: Desmatamento e manejo florestal: entenda a diferença entre as duas formas de extração de madeira

A prática é amparada pelo Decreto nº 1.282, de 19 de outubro de 1995, que regulamenta a exploração das florestas da bacia Amazônica, e define o manejo florestal sustentável como a administração de uma floresta para obtenção de benefícios econômicos e sociais que respeita os mecanismos de sustentação do ecossistema. 

Tipos de manejo

De acordo com Ivani, de um jeito mais didático para explicar, existem três formas de manejo florestal sustentável: o manejo de florestas plantadas, o de florestas nativas e os sistemas agroflorestais

Manejo de florestas plantadas

O manejo de florestas plantadas, também conhecido como silvicultura, consiste no plantio de espécies homogêneas voltadas para a produção. Nessas florestas se cultivam espécies como eucalipto e pinus, voltadas para a fabricação de papel, celulose, carvão e madeira serrada.

Segundo a geógrafa, a silvicultura é um manejo totalmente econômico, voltado ao capital e à indústria, em que essas plantações são otimizadas por tecnologia e costumam ser implementadas na maioria das vezes, em áreas já desmatadas. No entanto, ela alerta para o problema recorrente que é a monocultura que pode causar desequilíbrios nos ecossitemas.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é manejo sustentável?

Manejo florestal sustentável
Floresta plantada para o manejo florestal sustentável em Rondônia. Foto: Rinkon Martins

“Todo tipo de monocultura acaba com o solo e desequilibra o ecossistema, mas esse tipo de reflorestamento é totalmente voltado à indústria mesmo, ao capital”, explicou a professora. 

Embora o reflorestamento possa ser lucrativo, ele é raramente considerado totalmente sustentável, já que provoca impactos ambientais significativos e reduz a biodiversidade.

Leia também: Pesquisa considera manejo florestal sustentável como alternativa viável para conservação

Manejo de florestas nativas

O manejo de florestas nativas busca conciliar a exploração econômica com a preservação ambiental e cultural. Neste manejo, a retirada de madeira acontece de forma seletiva e controlada, respeitando os ciclos naturais de regeneração.

Dentre os modelos de manejo nativo existem dois grupos:

  • Manejo madeireiro: Tipo de manejo em que se retira madeira de espécies específicas de forma planejada, evitando danos às árvores vizinhas e mantendo a floresta em pé.
  • Manejo não-madeireiro: Tipo de manejo que abrange a coleta de frutos, castanhas, óleos, sementes e cipós sem comprometer a biodiversidade.

Esses tipos de manejo são normalmente realizados por povos indígenas e comunidades tradicionais, que compreendem a floresta como parte da vida e não como mercadoria. 

“As comunidades e os povos indígenas não pensam ou tratam os elementos naturais como mercadoria, como capital. Eles entendem os elementos naturais como parte da vida, para garantir  a vida e para o bem viver. Um sistema de vida que não dissocia elementos naturais da sociedade mas se integram com um só. Então esse manejo de florestas nativas tem valor ambiental, social, cultural, que vai além, porque é para garantir o bem viver dessas comunidades e a tradição dos povos, que retira esses elementos não-madeireiros para a vida”, explicou Ivani.

manejo florestal sustentável
Floresta nativa onde se é viável o manejo florestal sustentável. Foto: Reprodução/Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima

Leia também: Manejo Florestal Sustentável estimula geração de renda apoiada na preservação ambiental

De acordo com a geógrafa, tudo isso está envolvido no “conhecimento sobre o saber, o fazer e como eles manejam o que é para a sobrevivência e o que é para o bem viver”.

Manejo de sistemas agroflorestais

O sistema agroflorestal (SAF), que combina agricultura, pecuária e floresta, é uma alternativa que tem ganhado destaque. Nele, as plantas nativas convivem com espécies agrícolas e pastagens, criando um ecossistema equilibrado e produtivo.

“Então, ele vem também com essa proposta de uso das espécies nativas, que articula a agricultura e a pecuária com a floresta, usando tantas plantas nativas, frutas e sistemas da agricultura para manter o equilíbrio do ecossistema”, explicou Ivani.

manejo florestal sustentável
Sistema agroflorestal para o manejo florestal sustentável no Tocantins. Foto: Reprodução/Governo do Tocantins

Esse tipo de manejo vem sendo adotado por assentamentos do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e por pequenos agricultores da Amazônia, que encontram nesse tipo de prática uma forma de recuperar as áreas degradadas e garantir renda sem agredir o meio ambiente. 

De acordo com a geógrafa, o problema que pode ocorrer nesse tipo de manejo é a introdução de espécies exóticas que não são próprias daquele ecossistema, e que podem provocar vários danos como o desequilíbrio ambiental.

Quem pode realizar o manejo?

manejo florestal sustentável
Equipe realizando estudos para o manejo florestal sustentável. Foto: Reprodução/Imazon

Segundo Ivani, toda a sociedade, de certa forma, deveria realizar o manejo florestal sustentável. Por um lado, o manejo de florestas plantadas seja, em geral, realizado por grandes grupos econômicos, por outro,  o manejo de florestas nativas e os sistemas agroflorestais têm se expandido entre pequenos produtores, assentamentos rurais, comunidades tradicionais e povos indígenas.

Projetos como o do fotógrafo Sebastião Salgado, em Minas Gerais, que reflorestou milhares de hectares de área degradada, e as experiências do MST com reflorestamento agroflorestal (Assentamento Quilombo Campo Grande e a projeto “Plantio de Água” a ser desenvolvido no Assentamento Popular de Campo Belo: Joaquim Rosa Cambraia, no sul de Minas Gerais), são exemplos de iniciativas que aliam a recuperação ambiental com a justiça social. Isso mostra que tanto proprietários de terra, posseiros, assentados e até mesmo as empresas podem fazer esse tipo de reflorestamento.

Na Amazônia, os povos indígenas e as comunidades tradicionais, como os castanheiros, seringueiros, açaizeiros, piaçabeiros, quebradeiras de coco, entre tantos outros, são os verdadeiros protagonistas desse processo de manejo.

De acordo com Ivani, essas comunidades realizam o manejo de verdade e “usam apenas o que é necessário para viverem, sem destruir o que garante a própria vida: a floresta”.

Leia também: Pesquisa analisa importância e impactos do manejo florestal sustentável no Amazonas

Como realizar um bom manejo florestal sustentável?

Para se realizar um bom manejo florestal sustentável, é preciso um planejamento técnico e um acompanhamento contínuo. De acordo com as orientações de manejo reunidas em publicação da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), seis passos são fundamentais para o sucesso da prática:

  1. Definir os objetivos do manejo: Seja para abastecer uma indústria, preservar espécies nativas ou integrar agricultura e floresta, o manejo deve ter um propósito claro e um objetivo para que a floresta continue cumprindo seu papel. 
  2. Calcular a área necessária: A área a ser manejada deve ser proporcional ao consumo de matéria-prima, já que em florestas naturais o ciclo de corte pode ser de 30 anos, tempo necessário para a regeneração das árvores. As técnicas adequadas podem reduzir esse período, aumentando a produtividade sem ampliar a área explorada.
  3. Executar um inventário florestal completo: O inventário é essencial para o manejo, pois permite identificar as espécies, volumes e condições da floresta, fornecendo dados para o planejamento da extração e recuperação. Nesta etapa, apenas engenheiros agrônomos habilitados devem conduzir o inventário, garantindo a precisão e a confiabilidade.
  4. Planejar e realizar uma exploração de baixo impacto: A exploração de madeiras é uma das fases mais críticas do manejo, e quando mal executada pode danificar até 60% da cobertura florestal. As técnicas de exploração de impacto reduzido, como o corte seletivo, o mapeamento prévio das árvores e o uso de guinchos para arraste, diminuem os danos e aumentam a eficiência. 
  5. Monitorar o desenvolvimento da floresta: Os inventários contínuos, realizados entre dois a cinco anos, devem acompanhar o crescimento das árvores e a regeneração natural. Isso permite avaliar o impacto da exploração e ajustar as práticas de manejo.
  6. Aplicar tratamentos silviculturais e proteger a área: A manutenção de estradas e o combate a incêndios são essenciais para proteger o investimento e garantir a sustentabilidade da floresta. Os cortes de cipós, os desbastes seletivos e o controle de espécies competidoras ajudam no crescimento das árvores reservadas.

O manejo como ferramenta de conservação e mercado

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Foto: Rafael Aleixo/GEA

Com o crescimento das exigências ambientais, o manejo florestal sustentável adquiriu um papel estratégico no mercado internacional, já que os países importadores de madeira tropical passaram a demandar certificações que comprovem a origem sustentável dos produtos.

A certificação florestal não só garante acesso a novos mercados, como fortalece a imagem da empresa e agrega um valor ao produto final. Além disso, o Brasil é signatário do Acordo Internacional de Madeiras Tropicais e compromete-se a garantir que toda madeira exportada tenha origem em áreas sob manejo sustentável.

Na visão da geógrafa, o manejo florestal sustentável (espécies nativas e sistema agroflorestal) é uma ponte entre o conhecimento ancestral e o saber científico.

“Cada povo tem seu modo de manejar, baseado em seu conhecimento da natureza. Essa diversidade é o que chamamos de sociobiodiversidade, um patrimônio que deve ser valorizado e protegido”, concluiu.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar 



Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula dos Povos?

Representantes da Cúpula dos Povos participando da Pré-COP Sindical em Brasília. Foto: Naira Leal

A Cúpula dos Povos é uma mobilização internacional organizada por movimentos sociais, organizações comunitárias e redes internacionais. De forma paralela à COP30, a cúpula debate a vida, os direitos e os territórios de comunidades indígenas, tradicionais e periféricas vítimas da desigualdade e que sofrem com as crises climáticas.

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Composta por debates, plenárias e manifestações culturais, a cúpula vai acontecer de 12 a 16 de novembro e vai explorar temas como a soberania alimentar, a transição energética justa, reparação, cidades sustentáveis e o protagonismo das mulheres

“Não é possível pensar numa COP 30 em que a discussão da pauta climática não seja pautada na justiça climática. Não haverá transição justa enquanto não houver direitos garantidos aos povos tradicionais”, afirmou Sara Pereira, da FASE Programa Amazônia. 

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula do Clima?

Programação da Cúpula dos Povos

A programação conta com atividades abertas ao público e grandes mobilizações como a barqueata no Rio Guamá, a Grande Marcha Popular e o banquetaço na Praça da República. Além disso, o evento pretende reunir cerca de 30 mil pessoas de 62 países em defesa da justiça climática, em diferentes espaços da cidade ao longo dos cinco dias.  

Veja a programação:

12 de novembro (quarta-feira) 

O evento começa com a chegada das delegações e um ato de abertura. Pela manhã, acontece a barqueata no Rio Guamá, com cerca de 150 embarcações vindas de comunidades ribeirinhas, e à tarde, uma recepção seguida da abertura oficial no palco principal, e apresentações culturais que encerram o primeiro dia.

Leia também: COP30: Fundo Florestas Tropicais para Sempre, repetição do Acordo de Paris 2015, futuro incerto

Visão panorâmica do Rio Guamá, que recebe a barqueata no dia 12 de novembro
Visão panorâmica do Rio Guamá, que recebe a barqueata no dia 12 de novembro
Visão panorâmica do Rio Guamá, que recebe a barqueata. Foto: Zé Netto/Cúpula dos Povos

13 de novembro (quinta-feira)

Neste dia, iniciam-se as oficinas e rodas de conversas organizadas em torno dos eixos de convergência da Cúpula, como a soberania, reparação e transição justa. Além disso, também acontece as plenárias mundiais, a Cúpula das Infâncias e a Feira Popular que ocuparão diversos espaços da cidade. 

14 de novembro (sexta-feira)

Este dia será dedicado à síntese política e à formulação das propostas que integrarão a declaração final da Cúpula. Pela manhã, continuam as plenárias dos eixos ‘Internacionalismo’, ‘Cidades Sustentáveis’ e ‘Mulheres’ e pela tarde, acontece a Assembleia dos Movimentos Sociais e o Seminário Saúde e Clima, seguidos da Plenária Final, em que serão apresentadas as propostas da Declaração da Cúpula dos Povos.

Foto: Reprodução/Cúpula dos Povos

Leia também: Conheça a jovem ativista de 13 anos convidada para representar o Brasil na COP30

15 de novembro (sábado)

Durante o feriado da Proclamação da República está prevista a Grande Marcha Popular, considerada o ato mais emblemático da mobilização. No decorrer da marcha devem participar mais de 20 mil pessoas, entre povos originários, quilombolas, trabalhadores urbanos e rurais, juventudes e movimentos ambientais.  

16 de novembro (domingo)

O encerramento será marcado pela leitura da Declaração Final da Cúpula dos Povos, durante uma audiência pública com representantes da presidência da COP30. À tarde, o tradicional Banquetaço na Praça da República encerra o evento com uma grande celebração coletiva que celebra a partilha e o encontro entre os povos.

Foto: Reprodução/Cúpula dos Povos

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Justiça climática e protagonismo popular

Para Márcio Astrini, secretário-executivo do Observatório do Clima, a força da Cúpula dos Povos está justamente na sua capacidade de pressionar e propor.

“A participação dos movimentos sociais é crucial para disputar a agenda climática e garantir que os recursos sejam investidos corretamente, ajudando a diminuir as desigualdades sociais e não a aumentar”, afirmou.  

A Cúpula dos Povos afirma que as respostas para as soluções urgentes para conter o colapso climático também vem das florestas, das periferias e das comunidades, propondo alternativas desde a soberania alimentar e energética até as novas formas de governança ambiental. 

Portal Amazônia responde: o que é a Cúpula do Clima? 

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

A Cúpula do Clima é um evento preparatório para a 30ª Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 30), que acontece de 10 a 21 de novembro de 2025, em Belém, no Pará.

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A Cúpula é um encontro que reúne chefes de Estado e de Governo, ministros e dirigentes de organizações internacionais para debater temas como clima e natureza, transição energética e os diferentes impactos das tragédias climáticas na humanidade.

De acordo com o doutor em geografia, Deivison Molinari, o fato da COP30 acontecer na Amazônia reforça a necessidade dos países em reconhecerem o papel estratégico das florestas tropicais.

“A COP é um evento que tem rodado o mundo. Estamos na 30ª edição e, pela primeira vez, ela será realizada no Brasil e, mais que isso, na Amazônia, em Belém. Isso tem uma importância enorme, porque coloca a floresta e as populações que vivem dela no centro das discussões climáticas”, afirmou. 

A ideia da Cúpula do Clima é que os países se comprometam com a redução da emissão de petróleo, gás natural e carvão e invistam em alternativas mais limpas. 

Financiamento e justiça climática

No Brasil, pela primeira vez, a Cúpula do Clima foi antecipada, sendo realizada nos dias 6 e 7 de novembro, antes do evento principal. Contou com a participação de 18 presidentes, 11 primeiros-ministros, do secretário de Estado do Vaticano e de um rei – Príncipe William, representando o Reino Unido.

Entre os temas de debate da Cúpula do Clima está a criação de novos mecanismos de financiamento para que países e comunidades preservem o meio ambiente. Um dos destaques é o Fundo de Florestas Tropicais para sempre (TFFF), proposto pelo Brasil, que prevê a remuneração de nações que preservam florestas tropicais e destinam 20% dos recursos para os povos indígenas e comunidades tradicionais. 

Leia também: MMA explica como funcionará o Fundo Florestas Tropicais para Sempre

Cúpula do Clima
Cúpula do Clima. Foto: Bruno Peres/Agência Brasil

Leia também: 143 delegações vão participar da Cúpula do Clima em Belém

Segundo Molinari, esse tipo de fundo é essencial para equilibrar as responsabilidades na formação de fundos para a prevenção de desastres em apoio a países com maior vulnerabilidade ambiental. 

“No caso do Brasil, temos o Fundo Amazônia e, agora, essa proposta do Fundo Florestas Tropicais. A ideia é convergir recursos para regiões onde a natureza precisa de proteção”, ressaltou o professor. 

De acordo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ideia do fundo é corrigir uma promessa que não foi cumprida desde a COP15, realizada em 2009, em que países ricos declararam o investimento de US$100 bilhões de dólares para apoiar nações com florestas em pé. Segundo ele, o dinheiro não foi realmente investido e a dívida já ultrapassa US$1,3 trilhão de dólares.

Para Marina Silva, ministra do Meio Ambiente, a medida é importante porque o mundo precisa buscar novas fontes de financiamento para quem mais preserva o meio ambiente e reduzir desigualdades sociais também é uma forma de enfrentar a crise climática.

O que é a COP? 

A Conferência das Partes é um fórum internacional que trata de mudanças climáticas e surgiu da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC) sendo realizada anualmente desde 1995. 

Entre os marcos históricos do evento esta a assinatura do Protocolo de Quioto, em 1997, que criou metas de redução de emissão para países industrializados, e o Acordo de Paris, assinado em 2015, que estabeleceu o compromisso global de limitar o aumento da temperatura média do planeta a 1,5°C.

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Cúpula do Clima
Foto: Hermes Caruzo/COP 30

“Essas discussões vêm desde os anos 70. Tivemos a Conferência de Estocolmo em 1972, a Rio 1992, o Protocolo de Quioto em 1997, o Acordo de Paris em 2015 e agora a COP30. É algo que está sendo amadurecido e buscado ao longo de vários eventos”, concluiu o professor. 

De acordo com Molinari, a COP é basicamente um recurso entre os países para criar acordos e compromissos que ajudem na redução de combustíveis fósseis e também para convergir dinheiro para fundos ligados a preservação do meio ambiente.

7 animais encontrados na Amazônia que auxiliam no controle biológico

Foto: Laís Maia/Instituto Mamirauá

O controle biológico por meio de animais é uma estratégia ambiental sustentável usada para reduzir populações de organismos considerados como pragas na agricultura ou na saúde pública, já que em vez de recorrer apenas a inseticidas ou venenos, utiliza-se a ação de organismos vivos, como predadores, parasitas, bactérias, aves e mamíferos. 

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Segundo o pesquisador doutor em Geografia Deivison Molinari, o controle biológico geralmente acontece em um ambiente agrícola e segue etapas como a identificação da praga ou organismo a ser controlado, delimitação da área de aplicação e isolamento da espécie inimiga natural, e a inserção ou manejo dos inimigos naturais no ambiente desejado, para reduzir a população da praga sem eliminar completamente o equilíbrio ecológico.

Conheça alguns animais encontrados na Amazônia que ajudam nesse processo e como cada um contribui para o equilíbrio ambiental:

Sapos, rãs e pererecas

Os anfíbios são um dos agentes naturais mais importantes no controle de insetos transmissores de doenças.

“Sapos, rãs e pererecas cumprem uma função gigantesca no controle biológico de insetos que transmitem doenças para humanos, como dengue, chikungunya e malária”, explicou o biólogo Rogério Fonseca, ao Portal Amazônia. 

Esses animais consomem milhares de mosquitos ao longo da vida. A diminuição de suas populações devido à poluição, destruição de áreas úmidas ou atropelamentos prejudica diretamente o controle de vetores de doenças.

Leia também: Produtores usam fungos e bactérias para combater pragas e doenças em lavouras de soja em Roraima

Roraima
Sapo-do-monte-roraima. Foto: Morten Ross

Andorinhas e outras aves insetívoras

As aves comedoras de insetos possuem um papel fundamental no controle aéreo de pragas. De acordo com Rogério Fonseca, a andorinha é uma excelente controladora de insetos que acompanha os ciclos reprodutivos de insetos em quase todo o continente americano, diminuindo essas populações.

Espécies como andorinhas, andorinhões e tesourinhas consomem mosquitos, moscas e mariposas. Em áreas rurais, ajudam na redução de insetos que atacam plantações, e no ambiente urbano, combatem os mosquitos que afetam a saúde da população.

De acordo com Fonseca, é de suma importância manter os abrigos naturais das andorinhas, dos sapos, das rãs e das pererecas, já que durante os ciclos climáticos anuais a disponibilidade de insetos é muito maior. Esses animais controlam as toneladas de insetos que se tornariam epidemias violentas.  

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Andorinha-azul. Foto: Dado Galdieri/Hilaea MediaI

Corujas, águias, gaviões e falcões 

As corujas são eficientes predadoras noturnas de roedores, como ratos e camundongos. Em ambientes urbanos e rurais as corujas controlam a população de roedores que podem transmitir doenças como a leptospirose, além de destruir plantações e armazenamentos de alimentos. 

“As corujas ficam bem próximas dos lugares onde tem populações grandes de ratos e controlam no período noturno”, afirmou Fonseca. 

Por serem discretas, as corujas muitas vezes passam despercebidas, mas fazem parte de um sistema natural de vigilância ecológica. Além disso, a instalação de caixas-ninho é uma estratégia comum em algumas regiões agrícolas para atrair corujas e reduzir o uso de venenos. 

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Foto: Keliton Silva

As aves de rapina como o gavião-carijó, o falcão-de-coleira, o urubu-rei e a águia-chilena também realizam a caça de roedores e animais que podem causar prejuízos econômicos e sanitários. 

Nos ambientes agrícolas, principalmente durante os períodos de pré e pós-colheita, é comum observar o aumento de populações de ratos. As aves de rapina se tornam importantes reguladores do equilíbrio ecológico, já que evitam a proliferação de roedores e ajudam a reduzir o uso de venenos. 

Onças, jaguatiricas e outros felinos silvestres

Os animais carnívoros como a onça-pintada, a onça-parda, a jaguatirica e o gato-maracajá, possuem um papel crucial no controle de mamíferos como capivaras, tatus e roedores de grande porte.

“É bem importante que a gente não mate onças, onças-pardas, jaguatiricas ou gato-maracajá, porque esses animais silvestres estão prestando um serviço silencioso de controle biológico das pragas”, explicou Fonseca. 

O medo e a caça ilegal desses animais comprometem o equilíbrio natural, já que quando os felinos desaparecem, ocorre crescimento descontrolado de suas presas, trazendo prejuízos econômicos e ecológicos para produtores rurais e comunidades.

Foto: Emiliano Ramalho/Instituto Mamirauá

Cobras (sucuris e jiboias)

As cobras, como as jiboias, as sucuris e as caninanas, são predadoras naturais de roedores e pequenos mamíferos, e contribuem para a redução de ratos em áreas urbanas e rurais. A presença de cobras em quintais é frequentemente vista como ameaça, mas muitas vezes indica que há excesso de roedores no local.

“Quando você vê uma cobra no quintal, significa que há roedores ali. Ela também está fazendo um serviço ecossistêmico silencioso, comendo os ratos que transmitem doenças à população”, explicou o biólogo. 

Apesar do medo que provocam, as cobras evitam explosões populacionais de roedores, protegendo a saúde pública.

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Foto: Alexandre Almeida

Jacarés

Nas áreas de várzeas e nos igarapés urbanos da Amazônia, os jacarés se alimentam de roedores, peixes contaminados e outros animais que podem se proliferar de maneira excessiva. Além disso, esses animais ajudam a reduzir populações de pragas de matéria orgânica acumulada em lixo descartado irregularmente. 

Além do controle dos roedores, os jacarés também contribuem para manter o equilíbrio de peixes e pequenos animais em ecossistemas aquáticos. 

De acordo com Fonseca, os jacarés que habitam os igarapés urbanos possuem uma alimentação quase que exclusivamente composta por roedores. No entanto, esse papel é muitas vezes ignorado pela população, que vê o animal apenas com um risco. 

Jacaré-açu é o maior das Américas (Foto: Laís Maia/Instituto Mamirauá)
Foto: Laís Maia/Instituto Mamirauá

Morcegos insetívoros

Os morcegos, que se alimentam de insetos, são responsáveis por consumir grandes quantidades de mosquitos e mariposas causadoras de danos agrícolas e sanitários. Esses animais são fundamentais para o equilíbrio ecológico, já que um único indivíduo pode consumir mais de mil insetos por noite, incluindo mosquitos e mariposas que atacam lavouras. 

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Foto: Reprodução/Amazon Sat

As espécies como o morcego-de-cauda-livre ajudam a proteger as plantações de milho, soja e algodão contra lagartas que destroem folhas e espigas. Além disso, a destruição de cavernas e telhados onde se abrigam compromete essa atividade natural. 

A manutenção dos habitats naturais aliada a preservação de matas ciliares, igarapés, cavernas e áreas de florestas, são fundamentais para garantir que anfíbios, aves, mamíferos, répteis e insetos continuem exercendo seu papel ecológico. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Capela, Igreja, Basílica? Entenda a diferença entre os espaços de celebração católicos

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Catedral Metropolitana de Belém. Foto: Reprodução/Catedral de Belém

A Igreja Católica, ao longo do tempo, estruturou seus espaços de celebração de acordo com as características e necessidades de cada comunidade. Por isso, os templos católicos recebem nomes e funções diferentes, como capelas, igrejas, matrizes, catedrais, basílicas e santuários, cada um com um significado específico e um papel importante na vivência da fé.

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“Da maior catedral à menor capela, a nomenclatura está relacionada a fatores como: expressão religiosa e fiéis alcançados pelo trabalho pastoral ali desenvolvimento ou peregrinos que visitam o referido lugar como centro de devoção”, explicou o Padre José Amarildo ao Portal Amazônia

O Círio de Nazaré, por exemplo, é a maior procissão católica do Brasil e maior procissão mariana do mundo, em devoção à figura de Maria, mãe de Jesus. Durante seu percurso pode-se encontrar esses espaços e, claro, é impossível não associar a procissão à Basílica. Entenda como funciona a divisão:

Capela

A capela, menor e mais simples dos templos de celebração católicos, é um local destinado a realização de missas, orações e outros ritos que não necessitem da estrutura completa de uma paróquia. As capelas costumam ser encontradas em hospitais, escolas, universidades, cemitérios e até em fazendas. 

A origem da palavra ‘capela’ vem a partir da história de São Martinho de Tours, que, segundo a tradição, cortou sua capa ao meio para dividir com um mendigo que passava frio. A metade da capa que ficou guardada recebeu o nome de ‘capela’, dando origem ao termo que até hoje é usado para se referir a pequenos espaços sagrados 

A maioria das capelas não possui um sacerdote fixo responsável, mas, quando há um padre designado para tomar conta do local, ele é chamado de capelão. 

A capela de Nossa Senhora de Lourdes é um local de fé e devoção católica localizada em Belém do Pará. Desde julho de 2024, a gruta da Capela passou a abrigar os restos mortais de padres jesuítas que serviram à comunidade local, realizando o desejo dos fiéis. 

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Capela de Nossa Senhora de Lourdes. Foto: Reprodução/Facebook-@CapeladeNossaSenhoradeLourdes.

Igreja e igreja matriz

Na estrutura da igreja católica, a palavra geralmente se refere ao templo principal de uma paróquia, onde atua um vigário ou pároco. É na igreja paroquial que se concentram as atividades religiosas de uma comunidade, como missas regulares, batizados, casamentos e catequeses. 

“As igrejas possuem pastorais, movimentos e serviços eclesiais que mantém a fé viva com iniciativas locais de formação, atendimento social, sacramentos, etc”, explicou o Pe. José Amarildo.

Além disso, é o espaço onde o pároco exerce sua autoridade pastoral e administrativa, orientando espiritualmente os fiéis sob sua responsabilidade.

Já a Igreja Matriz é a principal igreja de uma paróquia, muitas vezes a mais antiga e simbólica de uma cidade. É nela que ocorrem as principais celebrações religiosas, como as festas do padroeiro e os eventos litúrgicos mais importantes.

De acordo com o padre Amarildo, uma Igreja matriz é a referência da comunidade paroquial, geralmente mais ampla e localizada numa região central, de onde se administra aquele território da paróquia.

A igreja de Nossa Senhora Senhora do Carmo, localizada no Centro histórico de Belém, é uma das igrejas mais antigas da cidade, fundada pelas carmelitas em 1626.

Igreja de Nossa Senhora do Carmo, em Belém do Pará. Foto: Liaquila por Tripadvisor

Catedral

A catedral é a igreja principal de uma diocese ou arquidiocese, ou seja, da região eclesiástica administrada por um bispo ou arcebispo. O nome vem da palavra cathedra, em latim, que significa ‘cadeira’, a cadeira do bispo, símbolo de sua autoridade e ensino.

“Ali, o bispo celebra com mais frequência a Missa, e, geralmente se realizam os eventos diocesanos, como as cerimônias litúrgicas, a missa crismal e as ordenações sacerdotais, acolhendo as paróquias localizadas naquela circunscrição”, explicou Amarildo. 

Por essa importância, as catedrais costumam se destacar pelo tamanho, beleza arquitetônica e valor histórico, sendo pontos centrais da vida religiosa e cultural das grandes cidades.

A Catedral Metropolitana de Belém, foi inaugurada no dia 1° de fevereiro de 1774 com a benção da capela mor da catedral. O Dom João Evangelista Pereira da Silva tomou posse como bispo da catedral em novembro de 1772.

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Catedral Metropolitana de Belém. Foto: Reprodução/Catedral de Belém

Basílica

O termo Basílica se refere a um reconhecimento concedido pelo Papa para um lugar que é referência litúrgica, e podem ser divididas em dois tipos: 

  • Basílica Maior, restrita às quatro grandes basílicas localizadas em Roma;
  • e Basílica Menor, concedida a templos fora do Vaticano, reconhecidos por sua relevância religiosa.

De acordo com o padre Amarildo, as Basílicas, em sua vida celebrativa, devem seguir estritamente as orientações da Basílica de São Pedro, no Vaticano.

Elas se destacam por sua grandiosidade, capacidade de acolher milhares de fiéis e por serem locais de grandes peregrinações e celebrações papais.

O Brasil tem 71 basílicas, entre elas a Basílica Santuário de Nossa Senhora de Nazaré do Desterro, em Belém, conhecida como um lugar de referência pela devoção mariana. A Paróquia de Nossa Senhora de Nazaré do Desterro recebeu o título de Basílica menor, no dia 19 de julho de 1923.

Basílica Santuário de Nazaré. Foto: Basílica Santuário de Nazaré

Santuário

O santuário é uma igreja ou paróquia que se torna um centro de devoção especial, reconhecido pela presença de relíquias, imagens milagrosas ou pela ocorrência de graças atribuídas à intercessão de um santo ou da Virgem Maria.

“É uma Igreja que abriga uma expressão específica de devoção para o povo que visita este lugar como peregrinação, a partir de uma experiência de fé. O Santuário geralmente é reconhecido pelo fluxo de fiéis, atendimento frequente de confissões e aconselhamentos, horários diversos de celebração eucarística, etc”, explicou Amarildo. 

O título de santuário é concedido pelo bispo local, após comprovação da importância religiosa e do fluxo de peregrinos. O santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é conhecido em toda Belém e região pela famosa Novena em honra a sua Padroeira às terças-feiras.

Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foto: Reprodução/Instagram-@Igrejasdebelém

Cada templo (igreja) tem uma função específica na caminhada de fé do povo de Deus, e é por meio de suas funcionalidades que lhes são atribuídos os seus nomes, além de seus Santos padroeiros ou títulos de Nossa Senhora que ali são venerados.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Noçoquem: a floresta encantada e a origem do guaraná

A lenda por trás do surgimento da etnia indígena Sateré-Mawé e do guaraná, na região do Lago Parauari, afluente do rio Maués, no Amazonas, conta que no começo do mundo, a região era habitada por seres míticos poderosos…

Noçokem e a lenda do guaraná!

Segundo a tradição oral, no começo do mundo existiam três irmãos: Ocumáató, Icuamã e Onhiamuaçabê, responsáveis por uma floresta encantada, chamada de ‘Noçoquem’.

Onhiamuaçabê era uma jovem que possuía estranhos poderes mágicos e vasto conhecimento medicinal, motivo de seus irmãos não permitirem que ela se casasse.

Os irmãos não queriam que ela revelasse os segredos das plantas medicinais e remédios, e nem que ela perdesse sua força mágica. Apesar da proibição, todos os animais de Noçoquem queriam viver com Onhiamuaçabê.

Um belo dia, uma cobra decidiu espalhar pelo caminho por onde a jovem passava todos os dias um perfume que alegrava e seduzia, e quando Onhiamuaçabê aspirou o perfume agradável, a cobra atirou-se sobre a moça e a tocou.

O toque, em uma de suas pernas, foi o suficiente para que a jovem ficasse grávida. Os antigos de Noçoquem acreditavam que para que uma gravidez acontecesse, bastava uma moça ser olhada por algum homem ou animal que a desejasse como esposa. 

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Onhiámuáçabê em Noçoquem
Foto: Reprodução/Facebook-@Noçoquem

Quando os irmãos de Onhiamuaçabê foram até ela buscar um remédio para caçar, conhecido como ‘pussanga’, tiveram uma surpresa: o líquido havia coalhado e no fundo da preparação se encontrava uma espécie de tapioca. A coagulação foi o suficiente para que os irmãos soubessem que Onhiamuaçabê estava grávida.

A jovem foi expulsa de Noçoquem pelos irmãos e levou consigo a mucura, para que lavasse suas roupas; o pato, para que pudesse pegar água no porto; e a saracura (uma espécie de ave), para lhe levar cogumelos. 

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Os irmãos, ao descobrirem que o filho de Onhiamuaçabê havia nascido ‘normal’ com braços e pernas, desenvolveram uma raiva pela criança e a proibiram de entrar em seus domínios e se alimentasse de sua plantação. O menino passou então a desejar comer as mesmas frutas que seus tios comiam, plantadas em Noçoquem.

Antes do bebê começar a se desenvolver, Onhiamuaçabê plantara na floresta encantada de Noçoquem uma castanheira. No entanto, com a expulsão da moça de Noçoquem, os irmãos se apoderaram das terras mágicas da floresta encantada e a proibiram de consumir os frutos.

Onhiamuaçabê, morando isolada de seus irmãos, recomendava ao filho que não se aproximasse da floresta encantada. O menino, esquecendo as recomendações da mãe e consumido pelo desejo de comer as castanhas, alimentava-se de frutas do Noçoquem. 

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Filho de Onhiámuáçabê, que virou o guaraná
Foto: Reprodução/ Facebook- @Deolhonamitologia

Os guardas de Noçoquem, que tinham recebido ordens de matar quem entrasse na floresta, viram o menino subir na castanheira e o mataram. 

Onhiamuaçabê, ao descobrir a tragédia, em prantos, sepultou o filho e invocando as forças mágicas da natureza, profetizou: “Tu, meu filho, serás a maior força da natureza e quem provar dos teus olhos (o guaraná) terá proteção, longa vida e saúde permanente”.

E assim, dos olhos do menino, criou-se o guaraná, e do corpo, uma criança que deu origem aos indígenas da etnia Sateré Mawé.  

Na etnia, o guaraná é consumido religiosamente e é o motivo dos visitantes participarem de uma ‘sessão de çapó’, em que o guaraná é servido em cuia passada de mão em mão entre os presentes. Essa tradição tem grande significado religioso, já que todos os participantes do ritual ficam sob a proteção mitológica dos espíritos da floresta.

A preparação do Guaraná

Depois de colhidas, as frutas são colocadas em grandes cestos e transportadas para a aldeia, onde são despejadas no chão e pisoteadas para a soltura das sementes. Após esse processo, são colocadas novamente nos cestos e levadas para o rio, para serem lavadas e depois postas no sol para secar. 

Depois de secas, as sementes são torradas e moídas até se tornarem um pó bastante fino. Além disso, os indígenas Sateré Mawé também preparam uma espécie de pão de guaraná, feito com o pó úmido transformado em pasta elástica.  

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Guaraná, segundo a lenda de Noçoquem surgiu do filho morto de Onhiamuaçabê
Foto: Erico Xavier-FAPEAM

De acordo com o relato do sertanista João Américo Peret, em seu texto publicado pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), a quantidade de pó em uma dose diária para uma pessoa é de apenas uma colher de chá em meio copo de água, servido ao natural ou adoçado com açúcar ou mel de abelha.

Atualmente, entre os indígenas da etnia, o guaraná é utilizado como fortificante capaz de amenizar a fome de viajantes, e como um analgésico que tira as dores de cabeça, as febres e o mal estar. Além disso, para eles o guaraná também é capaz de curar disenterias, aumentar a resistência física e muscular e aumentar a longevidade do homem.

História e significado

Segundo registros históricos comentados pelo sertanista João Américo Peret, o padre alemão Bettendorf foi o primeiro civilizado a provar o guaraná preparado pelos indígenas da Mundurucânia, região do rio Tapajós e Madeira. Chegando à aldeia fatigado, febril e faminto, ele relatou sentir-se revigorado após consumir a bebida, comparando o efeito a um ‘elixir da eterna juventude’. 

Foto: Lyon Santos/MDS

Atualmente o guaraná é associado ao tuxaua verdadeiro, líder que guia a comunidade com bons conselhos e palavras de entendimento. Ao consumir o guaraná, todos participam de uma experiência simbólica que une sociedade, natureza e espiritualidade.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

**Com informações do boletim de ciências humanas do Museu Paraense Emílio Goeldi

Você sabia que caranguejos e camarões podem ser encontrados no campus da UFAM em Manaus?

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Camarões e caranguejos são encontrados na UFAM. Foto: Fabio Godoi

A biodiversidade da Amazônia costuma ser associada a espécies como o boto, a onça-pintada e a vitória-régia. Mas em fragmentos da floresta em meio à cidades como Manaus (AM) é possível encontrar espécies comuns em áreas mais silvestres? O campus da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), com cerca de 700 hectares de floresta urbana, abriga não apenas aves, jacarés ou até esquilos, mas surpreende abrigando também camarões e caranguejos.

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O campus, considerado a maior floresta urbana do Brasil, funciona como laboratório natural para estudos. De acordo com o livro ‘Fauna e Flora da Universidade Federal do Amazonas: A maior biodiversidade urbana do Brasil’, organizado por Claudia Guerra Monteiro, Edinbergh Caldas de Oliveira e Edmilson Bruno da Silveira, a área mantém ecossistemas que suportam diversas comunidades de organismos, como os crustáceos. 

“Nossa missão é tentar resgatar a qualidade da água e dessa forma tentar manter a diversidade que temos de mais de 40 espécies de peixes e pelo menos 20 espécies de crustáceos entre camarões, caranguejos, pulgas da água e de tatuzinho-de-jardim”, afirmou o doutor em biologia, Edinbergh Caldas de Oliveira, ao Portal Amazônia

O que são crustáceos ? 

Os crustáceos são invertebrados predominantemente aquáticos, compostos pelos camarões, caranguejos, siris e lagostas, que apesar de sua maioria ser encontrada em ambiente marinho, também estão presentes em rios, lagos, igarapés e até no solo.

No campus da UFAM, os pesquisadores registraram espécies variadas, como tatuzinhos-de-jardim, pulgas-d’água, camarões e caranguejos.

Leia também: 6 curiosidades da fauna e flora da UFAM que você não conhecia

Os caranguejos e camarões na UFAM

A presença de camarões e caranguejos na UFAM se dá devido aos igarapés e corredores ecológicos da região, já que eles funcionam como refúgio para as espécies. Os camarões, por exemplo, são abundantes e possuem um papel importante na ecologia de ambientes aquáticos, como principal alimento dos peixes. 

Camarões são encontrados na Ufam
Foto: Fabio Godoi

O caranguejo de água doce, crustáceo semi-terrestre encontrado em rios e pequenos igarapés, utiliza a terra firme para construir suas tocas e procurar alimento, explorando tanto a água quanto a margem dos igarapés, ajudando a amaciar o solo e a circular nutrientes.

um dos crustáceos encontrados na Ufam
Foto: Fabio Godoi

De acordo com Oliveira, a presença desses animais é um indicador de qualidade ambiental, já que muitos crustáceos são sensíveis a mudanças bruscas no ecossistema, como poluição ou alteração do fluxo da água.

“A presença indica melhor funcionamento das diversas relações ecofisiológicas desses já bastante assoreados igarapés devido aos impactos causados pela urbanização desordenada do entorno da área do campus da UFAM”, afirmou Edinbergh de Oliveira ao Portal Amazônia. 

Leia também: Especialista explica diferença entre camarões de água doce e de água salgada

Importância ecológica dos crustáceos

A função dos crustáceos no ecossistema consiste em consumir matéria orgânica em decomposição, ajudando a reciclar elementos essenciais para o funcionamento da cadeia alimentar. Além disso, eles são fonte de alimento para peixes, aves, anfíbios e até mamíferos que circulam pelo campus.

“Os crustáceos são de suma importância para o equilíbrio da fauna Aquática, pois constituem o elo entre peixes e outros vertebrados como jacarés, por meio da teia alimentar, sendo alimento de peixes, atuando como consumidores de invertebrados menores, além de recicladores de detritos e algas presentes nos igarapés. Colaborando assim para manter o equilíbrio desse ecossistema”, afirmou Oliveira. 

Preservação da área 

A área da UFAM sofre com pressões constantes, devido ao avanço urbano, a poluição e até o desmatamento em áreas vizinhas. Além disso, a poluição dos esgotos e as construções de prédios próximo das nascentes dos 17 igarapés do campus da Ufam são grandes ameaças à vida dos crustáceos. 

Área da Ufam. Foto: Reprodução/ Universidade Federal do Amazonas

Dessa forma, de acordo com Oliveira, é preciso criar parcerias para retirar o lixo que todo dia é jogado na área verde do entorno da área do campus pelos moradores e até por empresas.

A fauna e a flora da Ufam 

O livro ‘Fauna e Flora da Universidade Federal do Amazonas: A maior biodiversidade urbana do Brasil’ reúne fotos e informações abrangentes da biodiversidade do campus. O capítulo sobre crustáceos, ajuda a refletir sobre a importância dos ‘pequenos habitantes’ que, muitas vezes, passam despercebidos. 

“Precisamos urgente preservar a biodiversidade do nosso fragmento florestal da UFAM onde é considerada a maior biodiversidade em área urbana do Brasil, um pequeno pedaço do que é nossa Amazônia em um fragmento cercado por cidade e bastante impactado”, concluiu Oliveira. 

Pela primeira vez, Amazon Sat transmite missa de abertura do Mutirão Brasileiro de Comunicação para rede de canais nacionais

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Foto: Lucas Silva/Amazonastur

Pela primeira vez, o canal Amazon Sat vai transmitir, nesta quinta-feira (25), a missa de abertura do Mutirão Brasileiro de Comunicação (Muticom). Em sua 14ª edição, o evento tem como tema ‘Comunicação e Ecologia Integral: transformação e sustentabilidade justa’ e acontece de 25 a 28 de setembro no Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques, em Manaus (AM). 

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“O mais importante, antes de tudo, é ressaltar que temas como este têm ganhado cada vez mais destaque na região Norte. A transmissão de um evento como a missa do Multicom, que une comunicação, fé e ecologia integral, é uma oportunidade de fortalecer nossa identidade local e regional. Ao estarmos aqui, falamos sobre questões que são profundamente relevantes para a nossa realidade, o que torna nossa abordagem ainda mais eficaz”, afirmou o coordenador do Amazon Sat, Lemmos Ribeiro.

Reunindo comunicadores(as), pasconeiros(as), agentes pastorais e todos os interessados em comunicação e ecologia integral, o evento tem como objetivo refletir sobre a democratização e as políticas de comunicação, as perspectivas as relações entre Igreja Católica, a sociedade brasileira e a cultura contemporânea no campo da Comunicação Social. 

De acordo com a organização, o tema deste ano dialoga diretamente com as encíclicas Laudato Si’ e Laudate Deum, do Papa Francisco, reforçando a responsabilidade da comunicação na evangelização e na defesa socioambiental.

Para o cardeal Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus e anfitrião do evento, “a emergência climática está a exigir debate, reflexão, discussão, diálogo, e a comunicação possibilita esse espaço para que sempre mais a sociedade perceba, acorde para essa realidade que atinge a todos”. 

Leia também: Cardeal da Amazônia: Dom Leonardo Steiner passa a integrar grupo de cardeais do Vaticano

missa e palestra são parte da abertura do muticom 2024
Foto: Reprodução/Acervo Muticom

Retransmissão

Em uma ação nacional conjunta, o Amazon Sat abrirá o sinal de transmissão para outros dez canais (tv e rádio) que vão retransmitir a missa de abertura:

Para o gestor do Amazon Sat, “a satisfação de contribuir com esse tipo de conteúdo, não apenas para a nossa audiência local, mas também compartilhando o sinal com outras emissoras e expandindo essa informação para todo o Brasil, é um reflexo do nosso compromisso com temas importantes e da nossa responsabilidade em levar mensagens de conscientização para um público ainda maior”.

Leia também: As velas do Divino: tradição, fé e sustentabilidade nas águas do município de Alvarães no Amazonas

Programação do Muticom 

Abertura do Muticom 2025, em Manaus. Foto: Divulgação/Assessoria Arquidiocese de Manaus

A programação do Muticom combina espiritualidade, reflexão e debates temáticos. Confira: 

25 de setembro 

  • 14h: Início do Credenciamento
  • 17h: Missa Amazônica- transmitida pelo Amazon Sat 
  • 18h: Jantar
  • 19h: Mesa de Abertura
  • 19h40: Celebração do Encontro e Noite Cultural
  • 21h: Encerramento

26 de setembro 

  • 8h30: Momento de Espiritualidade
  • 8h45: Memória do Dia Anterior
  • 9h: 1° Painel “Comunicação e Ecologia Integral”
    Gilvan Sampaio – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
    Rosiene Carvalho – BandNews Amazônia
    Mediação: Ivânia Maria Carneiro Vieira (UFAM)
  • 10h30: Intervalo para o Lanche
  • 11h: Conversa de Beira de Rio (Interação dos participantes com os Painelistas)
  • 11h45: Lançamento de Livros
  • 12h: Almoço
  • 14h: Atividades nos 12 Rios Amazônicos Temáticos
  • 15h30 – Intervalo para o Lanche
  • 16h – Trocar Ideias e Partilhar o Sentir
  • 17h30: Confluência dos Rios Amazônicos (Plenária Geral)
  • 18h30: Encerramento das Atividades do Dia

27 de setembro 

  • 8h30: Momento de Espiritualidade
  • 8h45: Memória do Dia Anterior
  • 9h: 2° Painel “Comunicação, Transformação Social e Sustentabilidade Justa”
    Cicilia Maria Krohling Peruzzo – Universidade Federal do Rio de Janeiro
    Elaíze Farias – Amazônia Real
    Mediação: Ricardo Alvarenga (UFMA/ GRECOM CNBB)
  • 10h30: Intervalo para o Lanche
  • 11h: Conversa de Beira de Rio (Interação dos participantes com os Painelistas)
  • 11h45: Homenagens
  • 12h: Almoço
  • 14h: Atividades nos 12 Rios Amazônicos Temáticos
  • 15h30 – Intervalo para o Lanche
  • 16h – Trocar Ideias e Partilhar o Sentir
  • 17h30: Saída para imersão nas Comunidades Manauaras

28 de setembro 

  • 8h: Saída do Centro de Convenções para o Porto do Ceasa
  • 9h: Celebração da Comunicação no Encontro das Águas
  • 11h30: Saída do Porto do Ceasa para o Centro de Convenções
  • 12h: Almoço de Encerramento – Centro de Convenções