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#Série – 9 festas religiosas para conhecer no Amazonas 

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As festas religiosas ultrapassam a fé individual e se consolidam ao reunir dezenas ou até milhares de fiéis em procissões, promessas e tantas outras celebrações que atravessam gerações.

Essas expressões populares guiam populações e demonstram parte de suas culturas. O Portal Amazônia procurou algumas dessas manifestações mais populares nos estados da Amazônia Legal e preparou uma série destacando as principais festas religiosas de casa estado.

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Na terceira matéria da série, seguimos para o Amazonas, estado que abriga algumas das maiores expressões de fé do país, pois em diferentes municípios festas religiosas mobilizam populações inteiras, movimentam a economia local e preservam tradições centenárias.

Procissões terrestres e fluviais, novenários, missas campais, arraiais e promessas fazem parte do calendário religioso do Estado.

Conheça sete festas religiosas tradicionais no Amazonas

Festa de Nossa Senhora do Carmo 

A festa em honra à Nossa Senhora do Carmo, padroeira do município de Parintins, é uma das celebrações religiosas mais populares e importantes do Amazonas. Com fé e devoção à santa, a festa dura 10 dias com celebrações que acontecem entre 6 e 16 de julho, logo após o Festival Folclórico de Parintins. 

As celebrações da festa incluem procissões com a imagem da santa e bandeiras, para aqueles que pagam promessas, missas e o tradicional arraial com com as comidas da barraca da santa e os brinquedos do parque.

Considerada como patrimônio cultural de Parintins, a festa recebe muitos romeiros que se deslocam de outros municípios do Estado do Amazonas para participarem. 

Festejo em honra à Nossa Senhora do Carmo. Foto: Pitter Freitas

Leia também: Você sabe como a Catedral de Nossa Senhora do Carmo influenciou o Festival de Parintins?

A festa do começa no dia 6 de julho, com o Círio de Nossa Senhora do Carmo e finaliza no dia 16 com a celebração da procissão e da santa missa solene, que conforme dados da Secretaria de Turismo do Município, cerca de 35 mil pessoas participam.

festa de Nossa senhora do Carmo
Foto: Eder Repolho

Durante os festejos na praça da Catedral são realizados os bingos, shows de bandas, apresentações de bonecas vivas e das associações folclóricas de bumbás, batismos de crianças, casamentos, jornadas apostólicas e leilões organizados pelos comerciantes e pecuaristas locais.

Além disso, durante os meses de maio e julho acontece a peregrinação da santa entre os municípios próximos, como Barreirinha, Boa Vista do Ramos e a capital Manaus.

O percurso do Círio sai da Paróquia de São José Operário e passa pelas ruas Nações Unidas, Álvaro Maia e Avenida Amazonas com destino à Catedral. Durante o trajeto pelas ruas da cidade a imagem da santa é reverenciada pelos moradores que ornamentam suas casas com flores e estendem tapetes de folhagem. 

Em 2009 a Romaria das Águas foi implementada nos festejos, quando os fiéis vão até o porto da cidade para prestar homenagens à santa. Navegando pelo Rio Amazonas, o trajeto é guiado por uma imagem gigante de Nossa Senhora do Carmo que mede cerca de 16 metros de altura. 

Foto: Reprodução/Facebook-@Catedral de Parintins

A festa da Padroeira de Ordem Carmelita era, inicialmente, a festa da Assunção da Bem-Aventurada Virgem Maria. No entanto, entre 1376 e 1386, surgiu o costume de celebrar uma festa especial em homenagem a Nossa Senhora, foi então que a data do dia 16 de julho foi fixada, que é também a data em que, segundo a tradição carmelita, Nossa Senhora apareceu para S. Simão e lhe entregou o escapulário.

A santa é padroeira de Parintins e a Catedral em sua homenagem foi tombada por sua importância cultural pela Lei Nº 618/2004. 

Festa de Santo Antônio de Borba

De acordo com a tradição, no local onde se construía a sede do município de Borba, uma imagem de Santo Antônio foi encontrada por pescadores. A imagem, porém, começou a desaparecer e a ser encontrada sempre no mesmo lugar, e após sucessivas ocorrências foi entendido que eram manifestações da vontade do santo.

No local onde a imagem sempre aparecia foi construída a igreja, e ao redor da igreja, o município de Borba nasceu.

Festa em honra a Santo Antônio de Borba. Foto: Reprodução/Acervo Rede Amazônica AM

Leia também: Borba, no Amazonas, atrai turistas com piscinas naturais e festa religiosa

Iniciada por padres jesuítas em 1756, a festa foi reconhecida como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Estado em 2022. 

A procissão fluvial da Canoa de Saída é o primeiro grande evento dos festejos antoninos de Borba e a imagem de Santo Antônio é levada a uma capela da comunidade de Acará, para depois ser devolvida pelo mesmo percurso.

Também chamada de Grande Procissão Fluvial no rio Madeira, a Canoa de entrada acontece no último dia do mês de maio, e milhares de fiéis vão em embarcações para buscar o santo de Acará e levá-lo de volta à sede em Borba. 

Procissão de Santo Antônio de Borba. Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

Durante a procissão fluvial dezenas de barcos, lanchas, embarcações e uma balsa disponibilizada pela prefeitura acompanham o trajeto entoando cânticos. Durante a Canoa de Entrada, ao entardecer cerca de duas mil luminárias, com bases feitas de laranjas nativas, são colocadas sobre o rio para iluminar a frente da cidade.

A programação da festa inclui alvoradas, trezenários, missas, arraiais, procissão e momentos culturais. A festa movimenta a economia da cidade e atrai visitantes em busca das belezas naturais da região, como o Balneário do Lira e o Balneário do Rio Mapi. 

Procissão Fluvial de São Pedro

Realizada nas águas do Rio Negro, no dia 29 de junho, a procissão fluvial de São Pedro reúne pescadores e embarcações decoradas que navegam pelas águas do Rio, como forma de homenagear e festejar o dia do padroeiro dos pescadores. Além disso, a procissão é uma das celebrações mais tradicionais de Manaus.

Procissão Fluvial em homenagem a São Pedro. Foto: Reprodução/ Arquidiocese de Manaus

Celebrada em Manaus desde 1949, a festa de São Pedro inclui uma procissão fluvial e uma missa terrestre. Ao desembarcar no porto, os fiéis seguem em procissão terrestre até a Catedral Metropolitana de Manaus onde acontece a missa solene em honra a São Pedro. 

Festa de Nossa Senhora da Conceição 

A festa de Nossa Senhora da Conceição, considerada padroeira de Manaus e do Amazonas, inicia no dia 29 de novembro com um novenário voltado à santa. Durante o novenário acontecem celebrações eucarísticas, procissões, missas e adorações, além de uma feira da solidariedade e uma ciclo procissão em alusão à data. 

Foto: Reprodução/Catedral Metropolitana de Manaus

Leia também: ‘Templos de fé’: as histórias de seis igrejas famosas em Manaus

Celebrada no dia 8 de dezembro, com mais de 369 anos de história, a devoção à Nossa Senhora da Conceição no Amazonas data de 1659, quando foi trazida pelos missionários Carmelitas.

Inscrita no calendário Litúrgico da igreja católica em 1477, pelo Papa Sisto IV, a festa da imaculada Conceição foi proclamada como dogma em 8 de dezembro de 1854, pelo Papa Pio IX. 

Santa Teresa D’Ávila 

Durante os dias 6 e 15 de outubro, no município de Tefé, no Médio Solimões, acontece a festa de Santa Teresa d’Ávila, padroeira do município.

Considerado o maior evento católico da região, milhares de fiéis, romeiros e visitantes se reúnem na Catedral de Santa Teresa para participar de dez noites de devoção, celebração e homenagens a santa. 

Foto: Reprodução/Facebook-SantaTeresad’ávila

A devoção à santa Teresa remonta a 1689, quando o Padre jesuíta Samuel Fritz fundou a missão de Tefé com o propósito de evangelizar os povos indígenas do rio Solimões. A missão foi consagrada a Santa Teresa d’Ávila, por sua vida mística e pelas reformas no Carmelo. 

Com o passar dos séculos, a devoção se fortaleceu entre os moradores de Tefé e em 1759, o local foi elevado à categoria de paróquia sob a proteção da santa.

O reconhecimento oficial veio no dia 4 de janeiro de 2004, quando Dom Sérgio Eduardo Castriani proclamou Santa Teresa d’Ávila como padroeira da Prelazia de Tefé, por meio de um decreto lido durante a celebração da Festa da Epifania do Senhor.

Foto: Reprodução/Facebook-SantaTeresad’ávila

Além das missas solenes, novenas e procissões, o arraial conta com quiosques de comidas típicas, bingos, leilões, apresentações culturais e a presença dos comerciantes ambulantes, conhecidos como marreteiros. Alguns dos fiéis pagam suas promessas, em silêncio ou descalços, enquanto outros participam com gestos de gratidão e fé.

No dia 15 de outubro, dia litúrgico de Santa Teresa d’Ávila, acontece uma procissão pelas ruas da cidade e uma missa campal na catedral reunindo muitos fiéis. 

Festa do Divino Espírito Santo

A festa do Divino Espírito Santo, uma das mais antigas tradições do catolicismo no Brasil, teve origem em Portugal, no século XIV, e foi trazida ao Brasil pelos colonizadores portugueses, após uma promessa feita pela Rainha Isabel Aragão ao Espírito Santo. 

O município de Alvarães, localizado no Amazonas, celebra no dia 31 de maio, a Festa do Divino Espírito Santo e se transforma em um espetáculo de fé, cultura e natureza. A programação inclui missas, procissões, apresentações folclóricas e grandes atrações musicais.

Foto: Reprodução/Facebook-@Festejo do Divino E.S. Alvarães

Leia também: As velas do Divino: tradição, fé e sustentabilidade nas águas do município de Alvarães no Amazonas

Foto: Reprodução/Facebook-@Festejo do Divino E.S. Alvarães

Entre os diversos símbolos do festejo, as velas do Divino, luzes flutuantes que iluminam o lago de Alvarães, posta sobre ‘barquinhas’ rodeadas de papel colorido, destacam-se entre os fiéis. 

A festa começa com a tradicional elevação do mastro, quando os fiéis o carregam em procissão até o local onde será levantado e fixado durante os 10 dias de celebração. A programação inclui também novenas, cortejos, celebrações e culmina com uma missa campal, ao ar livre, quando fogos de artifício anunciam o encerramento da festa.

É nesse momento que o Lago de Alvarães e milhares de velinhas coloridas e flamejantes formam uma cidade iluminada, que mistura fé, arte e natureza.

Velas do Divino
Foto: Reprodução/Instagram-miguelmonteirowild

Festa de São Sebastião 

De 11 a 19 de janeiro, os fiéis de São Sebastião participam de noites de novenário em honra ao santo católico, padroeiro que intercede contra as epidemias, pestes e guerras. No dia 20, dia litúrgico do santo, acontece a tradicional procissão pelas ruas do centro histórico de Manaus, com a imagem do santo, e uma missa campal na Igreja de São Sebastião. 

São Sebastião teve uma vida cercada de desafios e provações, conquistando o posto de comandante da Guarda Pretoriana e converteu-se ao cristianiamo de forma secreta, já que na época o império romano era governado por Diocleciano e por Maximiano. 

Procissão em homenagem a São Sebastião. Foto: Reprodução/Arquidiocese de Manaus

Suas boas ações não passavam despercebidas, como visitar os cristãos presos e ajudar os necessitados e doentes. O santo não participava dos martírios nem das manifestações de idolatria dos romanos, e por essa razão foi denunciado por um soldado. 

O imperador Diocleciano, ao saber que Sebastião era cristão, sentiu-se traído e mandou que ele abandonasse a sua fé e ao se negar, foi alvejado por flechas e apesar de ter sobrevivido, ele foi novamente condenado e morto. Graças a sua vida de defensor da fé cristã e martírio, Sebastião foi canonizado e declarado padroeiro da contra a peste e a guerra. 

Festa de Santa Teresinha do Menino Jesus 

Santa Teresinha do Menino Jesus nasceu em Alençon, na França, no dia 2 de janeiro de 1873, e faleceu no dia 30 de setembro de 1897, com apenas 24 anos. Teresinha viveu sua vida em missão pelo amor de Jesus Cristo e em 1923, foi beatificada pelo Papa Pio XI, e canonizada em 1925. 

Foto: Reprodução/Instagram-@stateresinhaalvorada

Leia também: Devoção: conheça os santos protetores dos Estados da Amazônia

Aos 15 anos, Teresinha quis ingressar para o convento, mas devido a pouca idade foi negada. Recorrendo ao bispo e ao Papa, Teresinha insistiu por três meses até ter a autorização do bispo para ingressar. 

A programação em honra à santa inclui adoração ao Santíssimo Sacramento, novena das rosas, unção dos enfermos, terço da misericórdia e uma procissão seguida de missa campal.

Festejo em Honra a Nossa Senhora das Dores

Realizado entre os dias 6 e 15 de setembro, no município de Manicoré, o Festejo de Nossa Senhora das Dores é um evento religioso que movimenta o interior do estado, movimenta a economia local e atrai milhares de visitantes ao Município. 

Declarado como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial do Amazonas a partir do Projeto de Lei (PL) no 189/2022, o festejo em honra a Nossa Senhora das Dores foi instituído e celebrado pela primeira vez em 1865.

Andor de Nossa Senhora das Dores em Manicoré. Foto: Reprodução/ Rede Amazônica

A sede administrativa e religiosa da região do Médio Rio Madeira era, originalmente, a Freguesia dos Baetas. No entanto, o crescimento acelerado do povoado de Manicoré mudou esse cenário e com o desenvolvimento econômico e o aumento populacional, Manicoré tornou-se mais influente que Baetas. 

Por conta do avanço, no dia 6 de julho de 1868, com o apoio do Tenente-Coronel da Guarda Nacional Manoel Pereira de Sá, a administração provincial do Amazonas oficializou a transferência da sede da freguesia para Manicoré.

A partir desse decreto, o povoado passou a ser reconhecido como Freguesia de Nossa Senhora das Dores de Manicoré, começando a devoção da santa na região. 

*Com informações da Arquidiocese de Manaus, Universidade de Caxias do Sul, Universidade Federal do Amazonas e Prelázia de Tefé

**Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Leia mais da série:

#Série – 7 festas religiosas para conhecer no Amapá

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As festas religiosas são expressões populares que ultrapassam a fé individual e se consolidam reunindo diversos fieis em procissões, promessas e tantas outras celebrações que atravessam gerações.

O Portal Amazônia procurou algumas dessas manifestações mais populares nos estados da Amazônia Legal e preparou uma série destacando as principais festas religiosas de casa estado.

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Após cinco festas religiosas celebradas no Acre, a série segue para o Amapá, estado com tradições religiosas profundamente conectadas à ancestralidade africana e à cultura ribeirinha.

O Amapá possui em seus municípios e comunidades quilombolas, manifestações religiosas centenárias que reúnem música, teatro, dança e rituais. 

Conheça sete festas religiosas tradicionais no Amapá

Festa de São José

A festa de São José, padroeiro do Amapá, é celebrada de 16 à 19 de março, e reúne romarias, um tríduo, uma missa solene, uma carreata e uma festa social. São José era carpinteiro na Galiléia e marido da Virgem Maria, protetor da Sagrada Família, foi escolhido por Deus para ser o patrono de toda a Igreja de Cristo.

A tradição dessa celebração acontece desde a fundação da Vila em Macapá, em 1758. No entanto, a construção da catedral dedicada ao santo só começou três anos depois.

Foto: Alexandra Flexa/GEA

Leia também: Devoção: conheça os santos protetores dos Estados da Amazônia

Além disso, no ano de 1870, São José foi declarado oficialmente como o Patrono Universal da Igreja pelo Papa Pio IX e declarado o Patrono da Justiça Social pelo Papa Bento XV. 

Durante os dias 16 a 18, acontece a romaria das crianças, a romaria dos jovens, a missa campal no monumento, o tríduo na catedral e a missa solene.

No dia 19 de março, dia de São José e feriado estadual, a missa solene é realizada na catedral de São José, além de uma procissão, uma festa social e um bingo, uma carreata e a missa de encerramento. 

Marabaixo

O Marabaixo, celebrado oficialmente no dia 16 de junho, por meio da Lei Estadual nº 1521/2010, é uma das principais celebrações do Amapá. Realizado dentro das comunidades quilombolas, especialmente nos bairros do Laguinho, Santa Rita, Favela e na Vila de Mazagão Velho, a celebração foi reconhecida como Patrimônio Cultural do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), em 2018. 

As rodas de Marabaixo acontecem em um barracão ao som das caixas e tambores feitos de madeira e couro, e versos cantados pelo público que misturam devoção, memória e resistência. Além disso, as danças são marcadas por passos curtos e saias rodadas que dão movimento à roda. 

festas religiosas
Dançadeiras na roda de marabaixo, no centro cultural, Julião Ramos. Foto: Reprodução/IPHAN

Apesar de ser uma celebração com raízes profundas nas religiões de matriz africana, o Marabaixo segue o calendário do catolicismo popular, especialmente as festas do Divino Espírito Santo e da Santíssima Trindade.

A gengibirra, bebida tradicional feita com gengibre e cachaça, e as mulheres, responsáveis por conduzir os cantos e transmitir os saberes, são pilares dessa manifestação. 

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

Festa de São Tiago

A festa de São Tiago, realizada anualmente em Mazagão Velho, é considerada uma das mais ricas manifestações de fé e cultura. Com mais de 246 anos de tradição, a celebração é realizada por 13 dias e conta com missas, transladações, arraiais e apresentações principais nos dias 24 e 25 de julho, que reúnem devoção católica, heranças africanas e uma encenação teatral que mobiliza toda a comunidade. 

A festa tem origem no século XVIII, quando famílias que viviam na colônia portuguesa de Mazagão, na África, foram transferidas para a Amazônia e trouxeram consigo a devoção a São Tiago e o teatro das batalha. O teatro conta a aparição de Tiago como um soldado anônimo que lutou bravamente ao lado do povo cristão contra os mouros e garantiu sua vitória.

Festa de São Tiago. Reprodução/Arquivo GEA

Leia também: Festa de São Tiago 246 anos: conheça a batalha entre mouros e cristãos

A encenação envolve momentos marcantes, como o baile das máscaras, que representa o engano dos mouros ao tentar envenenar os cristãos, a cena do ‘bobo velho’, em que um espião mouro é recebido com bagaços de laranja jogados pela comunidade, o confronto teatral entre os exércitos e o vominê, dança da vitória dos cristãos.

As encenações teatrais são os momentos mais esperados dos festejos, sendo celebrado então o dia santo de São Tiago.

Festividade de Nossa Senhora da Luz 

A festividade de Nossa Senhora da Luz, também celebrada em Mazagão Velho, integra sete comunidades tradicionais e um ritual que ultrapassa mais de um século. A devoção foi trazida por Maria Nogueira da Fonseca, carioca que se mudou para o Amapá com o marido no fim do século XIX.

A festa dura oito dias e reúne folias, fogos de artifício, alvoradas, um novenário, batuques tradicionais e visitas às casas das famílias devotas. O ápice da festa acontece no dia 8 de setembro, data em que a comunidade recebe os visitantes, os grupos musicais e os romeiros.

Festa de Nossa Senhora de Nazaré

Inspirada na tradição do Círio paraense, a festa de Nossa Senhora de Nazaré em Macapá reúne mais de três décadas de tradição. Realizada pela primeira vez em 1934, a primeira procissão do Círio de Nazaré, segundo a Diocese de Macapá, aconteceu graças à religiosas da Congregação das Filhas do Coração Imaculado de Maria que resolveram organizar uma festa em homenagem a padroeira dos paraense. 

Círio de Nazaré no Amapá. Foto: Marcelo Loureiro

A programação, realizada anualmente em outubro, inclui a missa da troca do manto e procissão de transladação, romaria, romaria fluvial, romaria dos motociclistas, missa e procissão do Círio de Nazaré, sete dias com Maria, romaria dos jovens, romaria das crianças, missa e procissão do recírio, festas dos devotos e uma programação musical com um Círio Musical. 

O ritual das barracas foi incorporado no evento, vindo das tradições de Belém. Em Macapá, as barracas eram construídas rudimentarmente em frente à igreja de São José, no local onde hoje é o Teatro das Bacabeiras. Até a década de 60 havia a ‘Barraca da Santa’ em frente à Igreja, onde eram realizadas as festividades da administração paroquial, acompanhadas de retretas da Guarda Territorial.

Leia também: 5 curiosidades sobre o Círio de Nazaré no Amapá

Festa de Nossa Senhora da Piedade

A festa de Nossa Senhora da Piedade, realizada na comunidade quilombola do Igarapé, também em Santana, reúne mais de 150 anos de tradição. Em 2024, a celebração foi reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial do Amapá.

Foto: Gabriel Penha/Fundação Marabaixo

A festividade ocorre entre junho e julho, e conta com a peregrinação da imagem, novenas, folias, batuques, uma procissão fluvial, bailes populares e a tradicional Procissão da Meia Lua, realizada com barcas pelos rios da comunidade.

Durante as festividades, os romeiros pagam promessas com velas, rezas e fogos no ritual da ‘pedra do castigo’, um dos rituais mais conhecidos da celebração.

Festa de São Gonçalo

A festa de São Gonçalo, realizada no dia 10 de janeiro, em Mazagão Velho, reúne moradores e visitantes em celebrações de devoção, cultura popular e identidade histórica da comunidade. Vestidos com trajes nas cores amarelo, branco e verde e símbolos do santo, os foliões percorreram as ruas da vila entoando cânticos, tocando violões e balançando sinos.

Considerado padroeiro dos violeiros e conhecido também como santo casamenteiro, São Gonçalo de Amarante viveu em Portugal entre os séculos XII e XIII. Protetor dos humildes, sua história é cercada por relatos de milagres e por sua forma singular de evangelizar.

Foto: Aog Rocha/ GEA

Após a missa em honra a São Gonçalo, a programação segue uma procissão e tradicional cortejo cultural ao redor do quarteirão. O cortejo tem início na casa do juiz do mastro, pessoa responsável por guardar a imagem do santo e conduzi-la à igreja matriz. 

Além disso, a programação também inclui momentos de confraternização, almoço comunitário, música ao vivo e atividades típicas, como o leilão e a derrubada do mastro.

*Com informações da Diocese de Macapá, do IPHAN e do Governo do Amapá

**Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Leia mais da série:

#Série – 5 festas religiosas para conhecer no Acre 

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As festas religiosas ultrapassam a fé individual e se consolidam como expressões coletivas que reúnem diversos fieis em procissões, promessas e tantas outras celebrações que atravessam gerações.

Essas celebrações de devoção estão profundamente ligadas às origens da região e ultrapassam os muros dos locais dedicados às celebrações, ocupando ruas, praças e avenidas, reunindo famílias e mobilizando comunidades.

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O Portal Amazônia procurou algumas dessas manifestações mais populares nos estados da Amazônia Legal e preparou uma nova série, destacando as principais festas religiosas de casa estado. Nesta primeira matéria, conheça cinco festas religiosas celebradas no Acre.  

Festa de Nossa Senhora da Glória 

A festa de Nossa Senhora da Glória, considerada uma das maiores manifestações religiosas da região Norte, é celebrada tradicionalmente no dia 15 de agosto e reúne anualmente milhares de devotos em Cruzeiro do Sul, no Acre. A festividade conta com um novenário da padroeira em que o encerramento é celebrado na data da Assunção de Nossa Senhora, o dia 15 de agosto, conforme a tradição católica. 

Em 2025, a celebração religiosa do novenário foi oficialmente reconhecida como Patrimônio Histórico Cultural Imaterial do Estado. Aprovado pelo Conselho Estadual de Patrimônio, o festejo foi o primeiro do estado a receber o reconhecimento.

festa religiosa no acre
Nossa Senhora da Glória. Foto: Ítalo Souza

Leia também: Memorial reúne itens que relembram trajetória de padre Paolino no Acre

Durante os 11 dias do novenário, os fiéis participam de uma programação que inclui novenas, missas, procissões com crianças e uma tradicional feira do empreendedor. Além disso, os fiéis também participam de eventos como a corrida da Glória, a caminhada da juventude com Maria e a missa para idosos e doentes. 

A Catedral de Nossa Senhora da Glória, um dos cartões-postais de Cruzeiro do Sul, serve como ponto de partida para as romarias reunindo diversos fiéis em torno da padroeira.

Procissão de São Sebastião em Xapuri

Procissão religiosa de São Sebastião em Xapuri. Foto: Caio Fulgêncio/Acervo Rede Amazônica AC

A procissão de São Sebastião, uma tradição religiosa centenária, é celebrada no dia 20 de janeiro e é a segunda maior manifestação religiosa do Acre, possuindo mais de 123 anos de importância para os devotos.

A tradição antecede até mesmo a anexação do Acre ao Brasil, tendo a sua primeira procissão antes de janeiro de 1902, quando Xapuri ainda era chamada Vila Mariscal Sucre e estava sob domínio boliviano. 

A fé dos devotos já se manifestava e marcava presença muito antes das disputas que resultaram na Revolução Acreana. A imagem do santo foi instalada em 1912 às margens do Rio Acre e se tornou um símbolo de proteção e devoção na região. 

No novenário, iniciado no dia 11 de janeiro e com encerramento no dia 20, os devotos participam de novenas, missas e da grande procissão que percorre as ruas da cidade.

Círio de Nazaré no Rio Branco

O Círio de Nazaré no Rio Branco, inspirado na tradicional celebração paraense, é realizado no segundo domingo de outubro e reúne diversos devotos na capital acreana.

A celebração religiosa é marcada por diversos rituais, como a troca do manto da Imagem Peregrina, realizado no dia anterior ao Círio, e que simboliza a realeza de Maria e a renovação espiritual do ciclo da fé.

Leia também: Círio de Nazaré reúnem milhares de fiéis nas ruas de Rio Branco

Círio de Nazaré no Acre. Foto: Val Fernandes/Secom AC

No dia da celebração, às margens da Gameleira, na capital acreana, a imagem de Nossa Senhora de Nazaré chega em uma procissão fluvial, ao encontro com a imagem de Jesus de Nazaré que a espera em terra, simbolizando a proteção e a esperança dos devotos. 

Após a procissão fluvial, a imagem segue em uma procissão terrestre até a Catedral de Nossa Senhora de Nazaré. Os fiéis realizam o percurso com velas, cantos e orações, pagando promessas e agradecendo as graças recebidas. 

Festejo de Nossa Senhora da Seringueira

Imagem de Nossa da Seringueira do Acre. Foto: Reprodução/Facebook-@arepublicabrasileira

A festa religiosa de Nossa Senhora da Seringueira, também chamada de Nossa Senhora do Acre, é celebrada em duas datas importantes: no dia 27 de janeiro e no dia 17 de novembro. A imagem, uma pintura representando a Virgem Maria com o Menino Jesus em um braço e um ramo de seringueira no outro, pintada por um indígena boliviano que acreditava ter visto uma aparição da santa, simboliza a ligação entre a fé, o trabalho e a resistência.  

Os devotos da imagem acreditam que a tela teria sido usada como tentativa de emboscada por tropas bolivianas durante a Revolução Acreana e, apesar de não haver registros documentais, a fé permanece entre os devotos e marcas de bala realmente podem ser vistas na pintura. 

Atualmente, a imagem restaurada encontra-se na Catedral de Nossa Senhora de Nazaré, Rio Branco, construída entre 1948 e 1958 pelo bispo Dom Júlio Mattioli. 

Leia também: Nossa Senhora da Seringueira: a devoção mariana que atravessa a história do Acre

Festa de São João do Guarani em Xapuri

A festa de São João do Guarani em Xapuri, celebrada no dia 24 de junho, na Reserva Extrativista Chico Mendes, a 42 km da área urbana de Xapuri, expressa a relação espiritual entre o povo da floresta e o território em que vive.

A festa reúne diversos devotos que percorrem estradas de terra e trilhas na mata para homenagear o santo considerado protetor da comunidade, mesmo sem ser canonizado pela Igreja Católica.

Celebração em homenagem a São João do Guarani. Foto: Murilo Lima/Acervo Rede Amazônica AC

São João do Guarani está ligado à vida de um seringueiro que viveu mais de 100 anos atrás na Colocação Guarani e, que depois de adoecer e tentar buscar ajuda na cidade, morreu no caminho. Seu corpo foi encontrado dias depois e foi sepultado onde atualmente está localizado o santuário e a imagem, que recebe centenas de promessas todos os anos.

A devoção religiosa a João do Guarani teve origem com relatos de caçadores e trabalhadores da floresta que afirmavam ter sido salvos pela intercessão do ‘santo’, o que aumentou a crença popular, e a fama de suas graças se espalhou pela região. Atualmente, a festa conta com a realização de um missa, uma procissão pela floresta, quermesses e bingos. 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

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Matamatás: saiba as diferenças entre as duas espécies reconhecidas pela ciência

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Matamatá. Foto: Luis F. C. Lima

A Amazônia, lar de uma grande diversidade de quelônios, abriga uma espécie que chama a atenção pela aparência, comportamento e importância científica: o matamatá. Porém, o que antes era considerado uma espécie única, surpreendeu os pesquisadores. 

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Descrita em 1783, pelo naturalista alemão Johann Schneider, a Chelus fimbriata era considerada a única espécie dessa tartaruga de água doce, que ocupa as bacias dos rios amazônicos no Brasil no Brasil, Peru, Equador, Colômbia e Bolívia.

No entanto, em 2020, uma nova espécie foi descoberta nas bacias do Orinoco, que corta a Colômbia e a Venezuela, e do alto rio Negro, no Brasil.

De acordo com a Revista Fapesp, a nova espécie, Chelus orinocensis, foi descrita com base em análises morfológicas e genéticas realizadas por pesquisadores do Brasil, da Colômbia, da Alemanha e do Reino Unido e pode ajudar no combate ao tráfico internacional desses animais. 

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

Ao Portal Amazônia, o doutor em ecologia aquática e pesca e membro do grupo de especialistas em quelônios de água doce da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), Fábio Cunha, explicou as principais diferenças entre as espécies.

Duas espécies e territórios diferentes

Os matamatás pertencem à ordem Testudines, reunindo todos os quelônios marinhos, terrestres e de água doce que, dentro desse desse grupo diverso, destacam-se por sua morfologia incomum. As diferenças físicas entre as duas espécies são sutis, o que caracteriza o grupo como espécies crípticas.

“Nós usamos um termo na ciência que a gente chama de espécies crípticas, ou seja, espécies que são quase impossíveis de distinguir só a olho nu, do ponto de vista morfológico, com as características e estruturas anatômicas”, explica Cunha.

De acordo com o especialista, para a descrição da nova espécie, foram usadas além das características morfológicas, como formato e tamanho, as proporções da carapaça, e informações e resultados moleculares.

Leia também: Conheça a Matamatá, uma estranha tartaruga da Amazônia

Segundo a Fapesp, o C. orinocensis apresenta carapaça mais clara e ovalada, enquanto o C. fimbriata tende a ter casco mais escuro e com formato mais retangular.

Matamatá. Foto: Fábio Cunha/Cedida

Além disso, a parte inferior do casco também varia, já que na espécie do Orinoco ele é mais amarelado e com menos pigmentação escura.

As análises genéticas das espécies indicam que as linhagens se separaram há cerca de 13 milhões de anos, quando as bacias dos rios Amazonas e Orinoco passaram a evoluir de forma independente.

Comportamento do matamatá

Além da aparência peculiar, os matamatás impressionam pela estratégia de alimentação. Predominantemente carnívoro, o animal se alimenta exclusivamente de peixes. 

“Eles não mastigam, dão um bote e engolem a presa inteira por sucção. Esse movimento pode durar cerca de 44 milissegundos, quase como um piscar de olhos”, revela Cunha.

Adaptados a ambientes de águas calmas como lagos, igarapés e rios de corrente lenta, os matamatás não são bons nadadores. Em vez disso, caminham pelo leito do rio, camuflados entre folhas e galhos, já que a coloração do casco e as projeções na carapaça ajudam a imitar troncos submersos.

Ele fica ali parado, ele não nada muito bem, mas se desloca por entre os galhos e troncos, e quando o peixe está passando perto, imaginando que é um tronco, ele dá o bote e se alimenta. Ele não consegue tirar em pedaços, ele não mastiga, ele ingere com muita quantidade de água e depois a presa cai diretamente no trato digestivo, que faz o processo de digestão e absorção de nutrientes”, detalha.

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Matamatás
Matamatás. Foto: Fábio Cunha/Cedida

Quando jovens, os matamatás podem ser predados por peixes grandes ou jacarés, enquanto na fase adulta, praticamente não possuem predadores naturais conhecidos.

“É um animal grande, robusto e com casco muito rígido. O fato de ele existir até hoje mostra que essa linhagem teve sucesso evolutivo”, afirma o pesquisador.

Importância da descoberta para a conservação

A descrição de uma nova espécie vai além da curiosidade científica, segundo o especialista. Ela tem impacto direto nas estratégias de conservação.

“Toda vez que se descreve um novo táxon, a gente avança no conhecimento da biodiversidade. Estamos dizendo que aquela região abriga mais linhagens evolutivas do que se imaginava. Isso exige um olhar mais cuidadoso para a conservação”, reforça.

A Amazônia é considerada um ‘hotspot de biodiversidade’ (termo aplicado para designar áreas geográficas de alta biodiversidade e risco de destruição), com altas taxas de diversidade e endemismo. Isso significa que muitas espécies só existem ali e, caso sejam extintas localmente, podem desaparecer do planeta.

Ameaças atuais aos matamatás

Apesar de não estarem, até o momento, classificados como ameaçados de extinção, os matamatás enfrentam diversos riscos. Um dos principais é a retirada ilegal de filhotes da natureza para o comércio de animais de estimação.

“Por serem exuberantes, muitos criadores e colecionadores têm interesse nesses animais. O problema é que, na maioria das vezes, essa retirada é feita de forma criminosa e sem controle”, alerta o especialista.

De acordo com Fábio Cunha, a caça do animal acaba sendo um risco, visto que eles são retirados da natureza sem um controle, quase sempre de forma criminosa.

Além disso, há ameaças mais amplas que afetam todos os quelônios amazônicos: desmatamento, poluição, construção de hidrelétricas, dragagem de rios, mineração e aquecimento global.

Leia também: Conheça 5 animais estranhos da Amazônia

Matamatá. Foto: Fábio Cunha/Cedida

“O aquecimento global, por exemplo, pode estar afetando e alterando a determinação sexual, então, de repente, uma população que tem poucas fêmeas pode estar comprometendo o recrutamento populacional dessa espécie”, explica.

De acordo com Cunha, são muitas as pressões ambientais e “não é algo exclusivo do matamatá, mas de todos os quelônios da amazônia”.

Bioindicadores da saúde ambiental

Assim, por conta dessas características do ambiente, de acordo com o especialista, os matamatás são mais abundantes em ambientes preservados. Regiões como o Alto Rio Negro, uma das áreas mais conservadas da Amazônia, apresentam boas populações da espécie.

“Isso nos permite dizer que o matamatá pode funcionar como um bioindicador da qualidade ambiental. Onde tem matamatá, o ambiente ainda está equilibrado, com poucas pressões antrópicas”, conclui Fábio.

Por isso, os matamatás são animais vistos como peças-chave para entender a saúde dos ecossistemas amazônicos. Conhecer suas diferenças, hábitos e ameaças é um passo fundamental para garantir que essas espécies singulares continuem fazendo parte da maior floresta tropical do mundo.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Mulheres que lutam contra a violência no Amazonas: compromisso social e proteção com dignidade

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Ronda Maria da Penha. Foto: Antônio Lima/Secom AM

O combate à violência contra a mulher tem duas datas para conscientização: o Dia Internacional, celebrado em 25 de novembro (instituído pela ONU em memória das irmãs Mirabal) e o Dia Nacional, celebrado em 10 de outubro, em alusão aos protestos históricos contra crimes de gênero.

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As duas datas nasceram com o propósito de combater agressões físicas, sexuais e psicológicas contra mulheres. Mas o combate requer ações, uma boa rede de apoio e, claro, atenção. E algumas mulheres tem exercido todas essas funções no Amazonas, liderando profissionais para fortalecer o acolhimento e também salvar vidas.

Conheça duas mulheres que tem lutado contra a violência no Amazonas

Foto: Carol Vaz/Arquivo pessoal

Carol Vaz

  • Defensora pública
  • Coordenadora do Projeto Órfãos do feminicídio
  • Núcleo de Defesa da Mulher (Nudem)

A defensora pública do Amazonas, Carol Vaz, coordena um projeto voltado para os órfãos do feminicídio, uma iniciativa que nasceu da compreensão de que a violência não termina com a morte da mulher e se estende às crianças e às famílias que ficam desamparadas após o crime.

O projeto oferece acompanhamento jurídico e psicossocial contínuo, garantindo que essas crianças tenham seus direitos preservados e não sejam invisibilizadas pelo sistema de justiça.

“Esse projeto ganhou o prêmio Inovari, que é um prêmio nacional, em 2021. Nós fazemos o acompanhamento jurídico e psicossocial dessas famílias que ficam depois de um feminicídio, principalmente das crianças menores”, explicou. 

Atuação no tribunal do júri 

Carol atua na definição da guarda das crianças, nos pedidos de pensão e em todas as medidas necessárias para garantir a estabilidade e a proteção das vítimas indiretas do feminicídio.

Atendimento integrado 

No Núcleo de Defesa da Mulher (NUDEM), Carol Vaz coordena uma equipe formada por defensoras públicas, assessores jurídicos, assistentes sociais e psicólogos. 

“A gente prioriza fazer esse atendimento conjunto para que as crianças e as mulheres não sejam revitimizadas, e para que elas contêm a história apenas uma vez para todas as profissionais”, explicou. 

Além das ações criminais e das medidas protetivas, o NUDEM, junto com a assistência social encaminha para vagas em creches e escolas, fornece auxílio-aluguel e, quando necessário, casas-abrigo. 

Histórias que inspiram outras mulheres

Além do atendimento jurídico, Carol Vaz também coordena uma exposição que reúne histórias e fotografias de dez mulheres atendidas pela Defensoria Pública. O projeto mostra que a violência deixa marcas, mas que é possível seguir vivendo.

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Foto: Débora Mafra/Arquivo pessoal

Débora Mafra

Delegada especializada em crimes contra a mulher no Amazonas

Durante o período em que esteve à frente da Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher, a delegada aposentada Débora Mafra construiu um modelo de atendimento baseado no acolhimento humanizado. Para ela, a mulher vítima de violência não deve ser questionada ou julgada, mas acolhida com respeito, empatia e segurança desde o primeiro atendimento.

 “Nós temos que acolher a mulher porque ela foi vítima de violência doméstica e não questionar o porquê. Se foi vítima, já merece todo carinho e todo acolhimento”, explicou. 

Rede de apoio

Enquanto exercia a função, Débora conta que as vítimas eram encaminhadas para serviços psicológicos e assistenciais, casas-abrigo, programas de proteção e iniciativas que garantiam a segurança imediata e a autonomia das vitimas.

Denúncia salva vidas 

Para Débora Mafra, a denúncia é um instrumento de sobrevivência e proteção, não apenas para a mulher, mas para toda a família:

“A maioria das vítimas de feminicídio nunca denunciou. Quanto mais denúncia, menos mulheres morrem”.

Ferramentas de combate à violência contra a mulher

Alguns recursos foram criados e implementados para garantir a fiscalização das medidas protetivas e segurança às mulheres que decidem denunciar:

  • Sistema De Apoio Emergencial A Mulher (SAPEM)
  • Aplicativo Alerta Mulher 
  • Ronda Maria da Penha 
  • Delegacias especializadas 

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Paxiúba, a palmeira que parece caminhar pela floresta

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Paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). Foto: João Marcos Rosa/Nitro

Uma árvore capaz de andar pela floresta? A ideia pode parecer uma lenda ou até mesmo um exagero contado por guias de turismo, mas na Amazônia, esse fenômeno realmente existe, ainda que de uma forma muito diferente do que se possa imaginar. A árvore em questão é paxiúba, também conhecida como palmeira-andante (Socratea exorrhiza). 

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No Museu da Amazônia (MUSA), em Manaus (AM), os visitantes têm a oportunidade de conhecer de perto essa espécie de árvore que chama a atenção por possuir raízes aéreas que dão a impressão de movimento, e uma altura que pode ultrapassar os 20 metros.

paxiúba, a árvore andante
Paxiúba. Foto: Ty Sharrow/iNaturalist

Leia também: Conheça cinco espécies de árvores que são encontradas somente na Amazônia

Apesar do nome popular, a árvore não caminha como um ser animado. O que acontece, na verdade, é um processo lento de migração das raízes, motivado principalmente pela busca por luminosidade e estabilidade do solo

De acordo com o professo Deivison Molinari, doutor em geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o fenômeno das árvores andantes já é algo conhecido pelo meio acadêmico e científico. Inclusive, na Amazônia, pesquisadores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), já utilizaram a árvore como objeto de estudo. 

“Na verdade é um mecanismo de deslocamento das raízes. Ela não é algo tão grande, é algo centimétrico por ano, por uma busca de maior luminosidade. Então, o mecanismo que a própria árvore tenta se ajustar, porque ela não está recebendo luz e ela busca a luminosidade, então ela acaba se deslocando do sistema de raízes”, explicou Molinari. 

Paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

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Segundo o professor, a paxiúba possui longas raízes que se assemelham a “pernas”, e quando uma parte do solo se torna instável ou deixa de receber luz suficiente, novas raízes crescem em direção a um local mais favorável.

Além disso, de forma gradual, o tronco passa a se apoiar nas raízes mais recentes, enquanto as antigas perdem a função, gerando um deslocamento real, porém extremamente lento, geralmente em poucos centímetros por ano. 

Características da paxiúba

Frutos da paxiúba. Foto: João Marcos Rosa/Nitro

A árvore costuma nascer em locais alagados e pode ser encontrada por toda a América Central. No Brasil, a espécie pode ser localizada na bacia do Amazonas, em Mato Grosso, no Acre, no Amapá, no Maranhão e no Pará, sendo identificada por conta de suas raízes que permitem a sustentação e a locomoção.

Além disso, os frutos da paxiúba adquirem uma coloração vermelho-acastanhada quando maduros e servem de alimento para diversas espécies de aves. Para os povos indígenas da região, a árvore é uma espécie importante que serve como alimento, além de ser utilizada para fins de construção.

A semente do fruto é grande, parecida com a de uma noz-moscada, com veios bem marcados. A árvore tem um tronco único, reto e fino, que mede cerca de 10 a 20 centímetros de diâmetro, mas que pode crescer muito, chegando a até 20 metros de altura, o que muitas vezes faz com que o tronco nem chegue a encostar no chão, ficando levemente suspenso.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Sete curiosidades sobre a Cúpula do Teatro Amazonas 

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Cúpula do Teatro Amazonas. Foto: Aguilar Abecassis/Cedida

O Teatro Amazonas, inaugurado no dia 31 de dezembro de 1896, é um monumento dedicado à arte e à ambição da elite da época, que sonhava em colocar a capital amazonense no centro do mundo. Reconhecido como um dos principais cartões-postais da Amazônia, a construção em Manaus foi tombada como patrimônio histórico pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) em 1966. 

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A cúpula do Teatro, entre todos os elementos luxuosos da construção, tornou-se um emblema da cidade incorporando-se à floresta. A cúpula chama a atenção pela exuberância, composta por 36 mil peças nas cores da bandeira brasileira, importadas da Alsácia, na França.

O perfil no Instagram manaus_memoria_e_patrimonio, do turismólogo Julio Sales, reuniu curiosidades sobre a construção. Confira algumas:

A construção foi rejeitada por alguns moradores

A cúpula do Teatro Amazonas nem sempre despertou a admiração dos moradores de Manaus. De acordo com o Patrimônio Belga do Brasil, quando ela foi inaugurada, no final do século XIX, sua instalação foi combatida por monarquistas que consideraram uma homenagem à República, estampado nos jornais palavras como “feia”, “uma aberração”, “de mau gosto”, e outras depreciações para criticar a construção.

Leia também: Portal Amazônia responde: qual a origem da cúpula do Teatro Amazonas?

Cúpula do Teatro Amazonas vista de cima
Foto: Reprodução/Instagram-@Vivamanaus.am

Além disso, de acordo com a Associação Nacional de História e os memorialistas da cidade, em abril de 1896, Lourenço Machado, cidadão da região, foi contratado para executar a pintura da construção. No entanto, em 1898, o governador Fileto Pires encaminhou um ofício autorizando a colocação de calhas e retirando a cúpula do Teatro Amazonas, o chamado ficou aberto algumas semanas, mas não foi para frente. 

O projeto original não previa a cúpula 

O teatro foi inaugurado durante o auge do ciclo da borracha, período em que Manaus vivia a intensa transformação econômica e urbana, inspirado nos modelos europeus da Belle Époque.

Estrutura interna da cúpula do Teatro Amazonas
(Foto: Frank Cunha/Acervo Rede Amazônica AM)

De acordo com Lena Brito, guia de turismo do teatro, o projeto original não previa a construção da cúpula, sendo inserida posteriormente como símbolo de modernidade e prosperidade, além de representar a bandeira do Brasil.

É oca e apenas decorativa

A cúpula é uma estrutura de ferro fundido, sem qualquer finalidade acústica para o funcionamento do teatro, diferente do que acontece em cúpulas de igrejas ou salas de concerto, sua função é exclusivamente estética. Além disso, ela é totalmente oca por dentro, sem pintura e decoração.

Origem belga 

A estrutura metálica foi adquirida na Bélgica, transportada em partes até Manaus e montada diretamente sobre o telhado do teatro. Tendo as obras concluídas em 1895, a cúpula foi fabricada pela empresa Compagnie Centrale de Construction de Haine-Saint-Pierre.

Leia também: As cores do Teatro Amazonas: conheça a curiosa história por trás das cores que o teatro já teve

Construção da cúpula do Teatro Amazonas. Foto: Reprodução/Patrimônio Belga no Brasil

Além disso, de acordo com o arquiteto Bernard Pirson, em sua dissertação de mestrado ‘Architecture métallique démontable au XIXe siècle exportée d’Europe vers les pays d’Outre-mer: une contribution belge : Les Forges d’Aisea, muitas estruturas de cobertura e elementos decorativos foram realizadas na América Latina por empresas belgas, sendo a cúpula do teatro um dos destaques no Norte.

Telhas importadas da França

Um dos elementos mais marcantes da construção são suas 36 mil telhas esmaltadas e vitrificadas, importadas da região francesa da Alsácia, segundo dados da secretaria de economia e cultura criativa.

A cúpula foi adquirida na Casa Koch Frères, em Paris, sendo o colorido original em verde, azul e amarelo uma analogia à bandeira brasileira.

Além disso, a presença da cor vermelha indica a forte influência francesa em Manaus naquele período, marcada pela importação de costumes, materiais e referências culturais da Europa.

Foto: Reprodução/Instagram-@Vivamanaus.am

Iluminada em noite de espetáculo

Durante muito tempo o Teatro Amazonas foi a maior construção da cidade, e por conta disso, a cúpula era vista de todos os cantos de Manaus. Em noite de espetáculos os vitrais eram iluminados como forma de atrair e avisar o público que a casa de óperas receberia apresentações naquela noite. A tradição é mantida até hoje. 

É possível conhecer a cúpula? 

Por razões de segurança, a cúpula não é aberta à visitação pública. Segundo Lena Brito, o acesso é restrito.

“Por ser de difícil acesso, perigoso e muito quente, só é possível entrar com autorização especial e acompanhado de bombeiros, com todos os equipamentos de segurança”, explica.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar

Parque Nacional dos Campos Amazônicos: onde Amazonas, Rondônia e Mato Grosso se encontram

Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade

Criado em 2006, o Parque Nacional dos Campos Amazônicos (PNCA), localizado no sul do Amazonas, entre os biomas Amazônia e Cerrado, é uma unidade de conservação que representa um elo entre as áreas protegidas do Amazonas, de Rondônia e de Mato Grosso, funcionando como uma barreira contra o avanço do desmatamento e da degradação ambiental na região. 

Criado pelo Decreto Federal de 21 de junho de 2006 e reforçado pela Lei nº 12.678/2012, o parque possui 961.317,77 hectares e é administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) como uma Unidade de Conservação de Proteção Integral.

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De acordo com o plano de manejo do parque, o PNCA integra o Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC) e cumpre um papel estratégico no cumprimento de compromissos ambientais assumidos pelo Brasil em acordos e tratados internacionais voltados à conservação da biodiversidade, à mitigação das mudanças climáticas e à proteção de ecossistemas sensíveis.

“As unidades de conservação são reguladas e normatizadas pela lei do SNUC, que é o Sistema Nacional de Unidades de Conservação, que divide as unidades de conservação em proteção integral, aquelas que não podem ter moradores na parte interna, e as de uso sustentável, onde tem moradias, moradores, comunidades. O Parque Nacional dos Campos Amazônicos é um exemplo de proteção integral, que não pode ter pessoas morando dentro”, explicou o doutor em geografia pela Universidade Federal do Amazonas, Deivison Molinari, ao Portal Amazônia.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que são Parnas?

Parque Nacional dos Campos Amazônicos
Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/Entreparquesbr

A área em que o parque está inserido é reconhecida pela grande diversidade biológica, e pelo seu elevado grau de endemismo de animais vertebrados. Além disso, sua localização é considerada estratégica na conexão ambiental do sul da Amazônia, especialmente dentro do Mosaico da Amazônia Meridional, que reúne diversas unidades de conservação e terras indígenas. 

Leia também: Saiba o que são as Unidades de Conservação (UCs) e a importância delas para a Amazônia

Embora o parque esteja inserido no bioma Amazônia, ele abriga extensas áreas de vegetação aberta, típicas do Cerrado e da Campinarana. Além disso, na região do PARNA, a floresta ombrófila acontece principalmente sobre solos bem desenvolvidos, enquanto a floresta ombrófila aberta aparece em áreas de depressão, geralmente associadas a relevos mais dissecados.  

“Essa região tem uma vegetação que é de baixo porte, vegetação herbácea, são aquelas que, no máximo, vai dar uns 2, 3 metros de altura, aquelas árvores retorcidas com galhos meio grossos. Essa é a característica fisiológica desses campos”, explica Molinari.  

Fauna e flora protegidas 

Entre as espécies de mamíferos protegidas no parque estão grandes predadores e espécies sensíveis à perda do habitat, como a onça-pintada, o gato-do-mato, o maracajá-peludo e a ariranha, espécie classificada como ameaçada.

Além disso, o parque também abriga espécies típicas do Cerrado, como o lobo-guará, considerado ameaçado, e o tamanduá-bandeira, classificado como vulnerável. 

Leia também: 6 parques nacionais na Amazônia que são fontes de pesquisa e ecoturismo

Fauna presente no Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/ ICMBio

Na flora, destacam-se espécies que possuem alto valor ecológico e econômico, como a castanheira-do-brasil e o mogno, ambas fortemente pressionadas pela exploração ilegal em outras regiões da Amazônia. 

Pressões ambientais

O Parque Nacional dos Campos Amazônicos enfrenta pressões constantes, como a grilagem de terras, o garimpo ilegal de ouro e cassiteria, extração seletiva de madeira nobre e o avanço da fronteira agropecuária, impulsionado pela pecuária extensiva. 

Além disso, na região, práticas como o sistema de corte-e-queima ainda são comuns, exigindo grandes áreas para uma produção agrícola de baixa escala, o que intensifica o desmatamento no entorno das áreas protegidas. 

Como surgiram esses campos?

Na Amazônia, a regra geral é a presença da floresta, mas existem exceções: pequenas manchas de campos naturais, conhecidas como refúgios florestais, explicadas pela teoria do professor Aziz Ab’Sáber. Esses campos aparecem, por exemplo, em Roraima, onde são chamados de lavrados, e também em áreas de Humaitá, no Amazonas, e de Rondônia.

Leia também: Conheça 5 Parques Nacionais encontrados na região Norte

Parque Nacional dos Campos Amazônicos. Foto: Reprodução/Entreparquesbr

De acordo com Molinari, justamente por serem exceções dentro do bioma amazônico e possuírem grande valor ecológico, o Poder Público Federal decidiu criar unidades de conservação para protegê-las, e é nesse contexto que surge o Parque Nacional dos Campos Amazônicos.

*Por Rebeca Almeida, estagiária sob supervisão de Clarissa Bacellar. Com informações do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Amazônia News estreia no Amazon Sat com foco em notícias que constroem a região

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Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

O telejornal ‘Amazônia News’ estreia na programação do canal Amazon Sat, a partir do dia 12 de janeiro. O noticiário passa a ser exibido de segunda a sexta-feira, às 13h (horário de Manaus), sob o comando da jornalista Juliana Fontes.

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Produzido na Amazônia e para a Amazônia, o telejornal nasce com a proposta de dar visibilidade a quem pesquisa, produz e transforma a região diariamente. E promete levar pautas voltadas à ciência, educação, tecnologia e indústria, a partir do olhar de quem vive e conhece a realidade amazônica.

Para o supervisor multimídia do Amazon Sat, Victor Costa, a estreia do telejornal representa um passo importante na ampliação do conteúdo oferecido pelo canal.

“Com o passar do tempo, percebemos que apenas nossos programas especiais não são o suficiente para abranger toda a complexidade de temas da Amazônia, daí surge a necessidade de um programa que trate de pautas mais factuais, diárias, e que principalmente aproxime ainda mais a nossa audiência do material que apresentamos. Essa é apenas a primeira de uma série de mudanças que preparamos para o Amazon Sat neste ano com esse objetivo de diversificar a nossa grade de programação”, explicou. 

Amazônia News
Da esquerda pra direita: a correspondente de Manaus, Jackeline Lima, e Juliana Fontes, apresentadora do Amazônia News. Foto: Reprodução/Youtube-Amazon Sat

A apresentadora Juliana Fontes destacou a responsabilidade e o significado de assumir o comando de um telejornal voltado exclusivamente para a região.

“Assumir a apresentação de um programa voltado para a Amazônia significa, para mim, assumir uma grande responsabilidade e também um privilégio. É saber da importância de dar voz às pessoas que vivem a região, valorizar a cultura, a diversidade, os desafios e as riquezas desse bioma”, afirmou.

O Amazônia News será transmitido para os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Rondônia e Roraima.

“Com a estreia do programa eu espero que continuemos fazendo o conteúdo de qualidade pelo qual o Amazon Sat já é conhecido e seguir na nossa missão de integrar e desenvolver a Amazônia”, comentou Victor Costa. 

Foto: Reproduçãoi/Youtube Amazon Sat

Canais do Amazon Sat

Acompanhe o Amazônia News nos seguintes canais:

  • Manaus/AM: 44.1
  • Porto Velho/RO: 22.1
  • Rio Branco/AC: 31.1
  • Macapá/AP: 29.1
  • Boa Vista/RR: 23.1
  • Parintins/AM: 46.1

Calendários da natureza: como os povos indígenas organizam o tempo a partir dos ciclos naturais

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Natalicio Karai apresentando calendários Guarani. Foto: Reprodução/Museu das Culturas Indígenas

Tradições como roupas novas, ceias fartas, simpatias, fogos de artifício e a famosa festa de virada de ano, à meia-noite no dia 31 de dezembro, compõem o imaginário popular de grande parte da população quando se fala em Réveillon, em ano novo.

No entanto, para a maioria dos povos indígenas, essa data não carrega significado simbólico, visto que essas etnias não seguem o calendário gregoriano, adotado mundialmente, mas que se organizam a partir dos ciclos da natureza. 

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Na Amazônia brasileira, por exemplo, o número de etnias é de 391 (Censo de 2022 do IBGE) e esses povos desenvolvem seus próprios calendários com base em fenômenos naturais como o regime das chuvas, as cheias e as vazantes dos rios, os períodos de plantio, pesca, caça e, sobretudo, o movimento das constelações. Esses calendários são transmitidos de geração em geração e orientam a vida social, econômica e espiritual dessas comunidades. 

Leia também: ‘Constelações e as estações do ano’: Como os indígenas usam a cosmologia a seu favor?

Embora muitos indígenas já estejam habituados ao calendário gregoriano, utilizado em atividades institucionais, escolares e administrativas, por sua proximidade com os centros urbanos, esses povos mantêm suas próprias formas de medir o tempo.

Divisão do tempo indígena

A divisão do tempo é uma prática ancestral que acontece a partir das mudanças das constelações. Entre os povos indígenas os calendários são representados graficamente por círculos, que organizam os ciclos naturais ao longo do ano, em que são considerados elementos como a agricultura, atividades de subsistência e a mudança das constelações. 

Calendários Indígena
Calendário indígena. Foto: Reprodução/Instituto socioambiental

Nas comunidades localizadas próximas à linha do Equador, o ano costuma iniciar com a constelação da Jararaca, período que coincide com a época de enchentes, aproximadamente nos meses de novembro e dezembro no calendário gregoriano. Diferente do calendário ocidental, essas datas não são fixas, já que se a cheia do rio atrasa ou adianta, o início do ano também muda. 

Enquanto isso, de acordo com a Cooperação e Aliança no Noroeste Amazônico (Canoa), os povos Tukano orientais, Aruaki e Macu, que habitam a região do Alto Rio Negro, no Noroeste Amazônico, utilizam um calendário desenvolvido pelo organização. Dividido em três círculos principais, os calendários reúnem os ritos de passagem, como benzimentos, os períodos agrícolas e os períodos de pesca, como a caça e a coleta de insetos.

O padre Justino Sarmento Rezende explica que, para muitos povos indígenas, a organização do tempo está profundamente ligada aos ciclos da vida e da natureza. Segundo ele, o ritmo do cotidiano não é marcado por datas fixas, mas por acontecimentos fundamentais da existência humana, como a gestação, o nascimento e a morte, que em diversas culturas são acompanhados por rituais e celebrações.

Calendário Indígena. Foto: Reprodução/Instituto Socioambiental

“Geralmente as pessoas seguem o ritmo, o ciclo da vida, a gestação da mulher, o nascimento de uma criança. Quando alguém morre, algumas culturas realizam festas”, afirma o padre.

Além disso, a chegada das frutas comestíveis, por exemplo, também dá origem a festas e momentos de partilha entre as comunidades e parentes, assim como os períodos de caça e pesca. De acordo com Justino, as cerimônias antecedem atividades importantes do cotidiano, como a abertura de roças, a construção de casas e a recepção de visitantes. 

Ele explica que não existe um único modelo de organização do tempo entre os povos indígenas, e que as comunidades que passaram por processos de evangelização ou escolarização acabam incorporando outras referências ao seu calendário tradicional. 

Leia também: Rochas milenares eram usadas como calendário solar por povos indígenas: conheça o Stonehenge da Amazônia, no Amapá

“Quem já é evangelizado, cristianizado, faz também festas religiosas. Quem tem escola inclui o calendário escolar, as festas cívicas, e assim vai seguindo, depende de como cada povo vai vivendo a sua própria história”, explica.

Diversidade de calendários

A diversidade dos calendários indígenas está diretamente ligada à diversidade cultural desses povos. Não existe apenas ‘um povo indígena’ ou ‘uma única cultura indígena’, são muitos povos diferentes, com histórias, crenças e formas de viver próprias. 

Essa diversidade também aparece na relação dos povos indígenas com o calendário ocidental e com as festas de fim de ano. Quanto maior o contato com a população não indígena, maior costuma ser a influência do calendário gregoriano e de datas como o Natal e o Ano Novo.

Calendários indígenas. Foto: Thiayu Suyá

As manifestações socioculturais indígenas são construídas tanto a partir das tradições quanto do contato com a sociedade envolvente. Povos que mantêm uma relação mais próxima com cidades, escolas e instituições acabam incluindo no dia a dia festas cívicas, religiosas e até o calendário escolar.

Apesar disso, o sentido simbólico da passagem do tempo está presente em todas as culturas, já que a ideia de renovação, tão associada ao Ano Novo no calendário, também aparece em diferentes etnias, ainda que em outras datas e contextos. Assim, enquanto o calendário gregoriano marca o tempo de forma fixa e padronizada, os calendários indígenas permanecem flexíveis e profundamente conectados à natureza. 

*Com informações do Instituto Socioambiental