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Pontes na Amazônia: conheça algumas ligações e seus desafios para construção

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Ponte Jornalista Phelippe Daou é um dos exemplos de pontes na Amazônia. Foto: Diego Oliveira/Portal Amazônia

A Amazônia é marcada por rios de grande vazão e por planícies alagáveis cuja largura varia em dezenas de quilômetros ao longo do ano. Esses pulsos sazonais alteram profundamente níveis e margens, e a construção de pontes na região, que facilitariam a mobilidade por terra, se torna sujeita a variações drásticas e desafiadoras.

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Além da variação de níveis, grande parte do solo na região amazônica é composto por sedimentos finos e pouco consolidados, o que impõe dificuldades geotécnicas na fundação de pilares e estruturas pesadas.

É o que aponta um estudo intitulado ‘Desafios na Construção de Rodovias no Ambiente Amazônico: Identificação de Problemas de Engenharia‘ publicado em novembro de 2023. No artigo, os autores identificaram que a presença de bancos de areia móveis e de material orgânico instável exige técnicas e estudos específicos para fundações profundas na construção de pontes.

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A logística é outro fator central. Diversas pesquisas, entre elas a da ONG Águas Amazônicas, identificaram que muitas regiões permanecem isoladas por ausência de rodovias continuadas, transporte terrestre difícil e longas distâncias entre centros urbanos. Em vários trechos a navegação fluvial continua sendo a principal via de escoamento e circulação de pessoas, reduzindo, em termos práticos, a demanda econômica imediata por travessias fixas.

Obstáculos naturais e de engenharia

O estudo da ONG Águas Amazônicas identificou também que os grandes rios amazônicos apresentam flutuações anuais de nível que, em trechos, podem variar entre cerca de 4 e 15 metros em uma mesma estação do ano; em áreas de várzea, a largura inundada pode atingir dezenas de quilômetros. Essas características exigem projetos que acomodem grandes variações de tirante e minimizem o risco de assoreamento e erosão nas fundações.

Do ponto de vista geotécnico, solos de planície aluvial requerem técnicas de fundação como estacas profundas, sopros de injeção e estruturas que tolerem recalques diferenciais. Estudos sobre obras viárias na região apontam para a necessidade de diagnósticos rigorosos e soluções adaptativas no dimensionamento de pontes e acessos.

A combinação desses fatores — hidrologia, solos e logística — explica por que travessias por balsas e barcas ainda predominam em muitos trechos ao invés de pontes, mesmo quando existe grande extensão de água a ser vencida.

Pontes na Amazônia brasileira

Ponte Jornalista Phelippe Daou (Ponte Rio Negro) — Manaus (AM) / Iranduba (AM): concluída em 2011, a Ponte Rio Negro tem extensão de aproximadamente 3,6 km e é frequentemente citada como a maior ponte estaiada do país sobre um rio amazônico. A obra liga Manaus à margem oposta do Rio Negro, pouco antes da confluência deste com o Amazonas, e é considerada um marco da engenharia brasileira em área de alta complexidade ambiental e logística.

Ponte Rio Negro em Manaus. Foto: Ana Claudia Jatahy/MTUR

Ponte sobre o Rio Madeira (trecho de Abunã) — Rondônia: a ponte em Abunã, sobre o rio Madeira, inaugurada em 2021, eliminou em grande parte a dependência de balsas em um trecho estratégico entre Rondônia e rotas que levam ao Acre, facilitando deslocamentos e o escoamento regional.

Ponte Mista de Marabá — Marabá (PA): Com 2.340 metros, a Ponte Mista de Marabá ou Ponte rodoferroviária atravessa o Rio Tocantins, em Marabá. A princípio a ponte era somente ferroviária, mas foi adaptada e passou também a ser usada no transporte rodoviário.

Pontes internacionais

Ponte da Integração Brasil–Peru (Assis Brasil/AC e Iñapari): a Ponte da Integração atravessa o rio Acre na fronteira entre Brasil e Peru e faz parte da rodovia BR-317 (trecho da Interoceânica). Inaugurada em meados dos anos 2000, a estrutura conecta a cidade peruana Iñapari ao município brasileiro de Assis Brasil (Acre), sendo um exemplo de obra transnacional na bacia amazônica.

Imagem colorida mostra ponte da Integração Brasil-Peru/ Foto: Secom-Acre
Ponte da Integração Brasil–Peru. Foto: Reprodução/Arquivo Secom Acre

Ponte Binacional Franco-Brasileira (BR-156): Sobre o Rio Oiapoque, liga Oiapoque (AP) a São Jorge do Oiapoque (Guiana Francesa).

Ponte sobre o Rio Mamoré (BR-425): Liga Guajará-Mirim (RO) a Guayaramerin (Bolívia).

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Em termos práticos, a distribuição atual de pontes na bacia evidencia concentração em trechos urbanos e em rotas de integração já estabelecidas, enquanto grandes extensões ainda permanecem dependentes de travessias aquaviárias.

Você sabia que servidores públicos já foram homenageados por seu trabalho nos estados da Amazônia?

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O Dia do Servidor Público, celebrado em 28 de outubro, foi criado para homenagear todos os trabalhadores que dedicam suas vidas em prol do Poder público. São eles que ditam o pleno funcionamento de um município, estado ou país, num esforço diário de garantir todos os serviços básicos para a população.

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A data foi escolhida em referência a 28 de outubro de 1939, quando o então presidente Getúlio Vargas publicou o Decreto-Lei nº 1.713 instituindo as leis com direitos e deveres dos servidores públicos.

Diante da representatividade da data, o Portal Amazônia destaca algumas homenagens a ex-servidores públicos dos estados da Amazônia, que tiveram seus nomes atribuídos à prédios, praças e espaços públicos como uma forma de reconhecimento pelos serviços prestados.

Biblioteca Doutor Alberto Zaire (Acre)

Considerado um dos maiores nomes do serviço público no cenário jurídico do Acre, o Dr. Alberto Zaire dá nome a biblioteca do Museu do Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), local que abriga inúmeros acervos que contam a história do estado e também do poder judiciário, já que ambas estão entrelaçadas.

Ex-deputado estadual, Zaire foi um dos primeiros professores do curso de direito da Universidade Federal do Acre (Ufac) e o primeiro diretor-geral do TJAC.

Foto: Reprodução/Memória TJAC

Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas Drª Rosemary Costa Pinto (Amazonas)

Desde 2021, a fundação passou a se chamar pelo nome da epidemiologista Rosemary Costa Pinto. A Drª Rose, como era carinhosamente conhecida, foi a primeira mulher a comandar a FVS e foi diretora-técnica da instituição de 2013 até o ano da sua morte, decorrente por complicações da Covid-19.

Sua atuação foi marcada pelo empenho e experiência no controle de surtos, epidemias e situações inusitadas ao longo de 25 anos de carreira em prol do Amazonas.

Foto: Divulgação/FVS-RCP

Procuradoria-Geral de Justiça – Promotor Haroldo Franco (Amapá)

O Complexo administrativo do Ministério Público do Amapá homenageia promotor de Justiça Haroldo Franco, reconhecido por sua contribuição de 16 anos em prol da sociedade amapaense, onde participou de diversos casos de grande repercussão local e nacional. Faleceu em maio de 2011, vítima de Acidente Vascular Cerebral (AVC).

Foto: Reprodução/MPAP

Praça Professor Carlos Magno de Medeiros (Mato Grosso)

O local público homenageia um dos professores mais queridos da cidade de Jaciara. Reconhecido profissional local, Carlos Magno lecionou nas escolas do município e faleceu em abril de 2021, vítima de Covid-19.

Foto: Lucas Hirotomo/Prefeitura de Jaciara

Auditório Delegada Ione Coelho (Pará)

Conhecida por sua postura no combate ao crime, na aplicação da Lei Penal e na defesa dos direitos das vítimas da violência urbana, a delegada Ione Coelho se destacou em quase 30 anos de serviço público à frente da Polícia Civil do Pará.

Foi um dos nomes de referência na instituição, até perder a luta contra o câncer em 2018, aos 57 anos. No ano seguinte, teve seu nome atrelado a inauguração de um auditório na Delegacia-Geral, em Belém.

Foto: Reprodução/Polícia Civil do Pará

Galeria A Primeira Mulher (Rondônia)

Localizada no edifício-sede do Tribunal de Justiça de Rondônia, o espaço presta homenagem à 21 mulheres pioneiras do estado de Rondônia, cujas atuações em suas respectivas funções contribuíram para a construção da história e do desenvolvimento da sociedade.

Leia também: Com mais de 100 doações de sangue, servidor público se torna recordista em Rondônia

Foto: Reprodução/Tribunal de Justiça de Rondônia

Complexo Poliesportivo Engenheiro Rivaldo Neves (Roraima)

O nome do complexo, localizado no bairro Dos Estados, Zona Leste de Boa Vista, é uma homenagem ao ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Roraima, Rivaldo Fernando Neves, morto em 2020 em decorrência de um AVC, aos 72 anos.

Engenheiro formado desde 1972, participou da construção de prédios públicos e privados na cidade e atuou também como secretário de Obras.

Foto: Reprodução/Assembleia Legislativa de Roraima

Avenida Siqueira Campos (Tocantins)

A principal via urbana de Palmas homenageia o fundador do Tocantins e idealizador da capital, José Wilson Siqueira Campos.

Falecido aos 94 anos, em julho de 2023, o primeiro governador de Tocantins dá nome à avenida de vinte e cinco quilômetros de extensão e que liga as regiões norte e sul de Palmas.

Foto: Luciane Pires/Secom Palmas

Ginásio Poliesportivo Professor Jackson Pereira (Maranhão)

Localizado em Imperatriz, o complexo esportivo homenageia o professor Jackson Pereira, que teve papel fundamental no crescimento da educação na cidade maranhense e foi defensor da valorização dos professores.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Imperatriz

Pesquisadores mapeiam perfil da primeira turma de enfermagem indígena do Brasil

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Pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso e da Universidade Federal de Mato Grosso. Foto: Deivid Fontes

Um grupo de pesquisadores da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat) e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) realizou um levantamento inédito sobre o perfil da primeira turma do curso de Enfermagem Intercultural Indígena, ofertado desde novembro de 2023, no campus da Unemat, em Barra do Bugres.

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Os pesquisadores analisaram o perfil dos 50 estudantes indígenas matriculados, pertencentes a 42 etnias, distribuídas pelos três biomas de Mato Grosso (Cerrado, Floresta Amazônica e Pantanal).

Os dados revelam que a maioria dos acadêmicos é do sexo masculino (70%), tem entre 36 e 50 anos (44%) e já atuava na saúde indígena antes de ingressar no curso (76%), principalmente como técnicos de enfermagem ou agentes de saúde.

Na região Nordeste do estado, os municípios de Barra do Garças, Canarana e Querência, e na região Noroeste, os municípios de Brasnorte e Sapezal, apresentam as maiores densidades de estudantes indígenas matriculados na primeira turma do Curso de Enfermagem Intercultural. Já os municípios de Juína e Aripuanã e Confresa registraram as maiores taxas de matrícula.

Leia também: Pesquisadores de Mato Grosso e parceiros criam bioinsumo contra percevejos

Tabela 1. Distribuição da faixa etária por sexo e atuação profissional dos estudantes indígenas, Mato Grosso, Brasil, 2023
informação dos pesquisadores
Figura 1. Densidade de matriculados e taxa de matriculados/população indígena residente por município, Mato Grosso, Brasil, 2023

Conforme trechos do artigo, além dos dados como idade e região, os pesquisadores analisaram quais as etnias indígenas foram predominantes, diante do número de vagas destinadas aos grupos étnicos de Mato Grosso, disponibilizadas no vestibular de ingresso.

Essa organização e distribuição de vagas foram estabelecidas pela Diretoria de Gestão de Educação Indígena e FAINDI, seguindo o planejamento padrão de oferta de vagas à formação diferenciada de indígenas na UNEMAT, um processo consolidado e reconhecido nacionalmente há mais 20 anos.

Tabela 2. Distribuição de DSEI, etnias indígenas e Coordenações Regionais da FUNAI, Mato Grosso, Brasil, 2023
Tabela 3. Distribuição de vagas ofertadas por grupos étnicos no vestibular, Mato Grosso, Brasil, 2023

Na razão de sexo por município, observa-se maior equilíbrio entre os indígenas pertencentes ao Distrito de Vilhena e maior disparidade entre aqueles do Xingu, seguido pelo Xavante. Diferenças também foram identificadas no engajamento na força de trabalho da saúde indígena, com menor participação do sexo feminino

Segundo os pesquisadores, o mapeamento é estratégico para subsidiar a criação de novas turmas e fortalecer o modelo intercultural, que une saberes tradicionais indígenas e conhecimentos científicos.

“Esse curso representa uma conquista histórica, reafirmando o direito dos povos indígenas a uma educação diferenciada e de qualidade”, ressaltam os autores do estudo.

Conclusão

Os pesquisadores concluíram que a partir do mapeamento dos estudantes indígenas, foi possível identificar que a localização geográfica do campus universitário não foi um fator determinante para a taxa ou a densidade de matrículas, mas sim o número de vagas disponibilizadas por etnia e o tamanho populacional de cada grupo.

Os maiores grupos étnicos apresentaram menor igualdade de gênero no preenchimento das vagas, sugerindo a presença ainda marcante do patriarcado entre esses povos.

Esses achados podem subsidiar a criação de novas turmas de Enfermagem com esse modelo intercultural no Brasil e em outros países, especialmente no que se refere às etapas de deliberação com lideranças indígenas e gestores.

O estudo

O estudo, publicado em revista científica internacional, foi conduzido por Vagner Ferreira do Nascimento, Thalise Yuri Hattori, Érica Baggio e Ana Cláudia Pereira Terças Trettel (Unemat/Faindi), em parceria com Alisséia Guimarães Lemes e Lúbia Maieles Gomes Machado (UFMT).

Veja o artigo completo abaixo:

Faculdade Indígena Intercultural (Faindi)

A Faculdade Indígena Intercultural (Faindi), da Unemat, é voltada à formação superior específica para povos indígenas. Criada oficialmente em 2008, a partir da consolidação do projeto “3º Grau Indígena”, a Faindi nasceu com a missão de ofertar cursos interculturais que respeitam e valorizam as tradições, línguas e saberes dos povos originários.

Desde então, a faculdade se tornou referência nacional e internacional em educação indígena diferenciada, ofertando licenciaturas interculturais em diversas áreas do conhecimento, além de programas de pós-graduação exclusivos.

*Com informação da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat)

Documentário sobre ensino da língua francesa no Norte do Brasil é gravado no Amapá

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Amapá é cenário de documentário internacional sobre ensino da língua francesa no Norte. Foto: Reprodução/TV5 Monde

Amapá foi escolhido como cenário de um documentário internacional sobre o ensino da língua francesa. A produção é fruto de uma parceria com a embaixada da França e destaca a presença da francofonia na região Norte do Brasil.

Leia também: Portal Amazônia responde: a maior fronteira da França é com o Brasil?

Durante o mês de março, profissionais da emissora internacional TV5 Monde visitaram escolas em Macapá, Oiapoque e na Guiana Francesa. O objetivo foi mostrar a expansão da cultura francesa e seu alcance em diferentes comunidades.

O documentário recebeu o nome “Uma viagem do Rio de Janeiro à Macapá e Oiapoque para a descoberta de uma francofonia brasileira radiante”, em referência ao trajeto percorrido pelo jornalista Ivan Kabacoff durante as gravações.

Segundo Ivanete Gomes, da equipe de Relações Internacionais da Secretaria de Educação do Amapá (Seed), a escolha do Estado foi motivada pela ampliação das escolas bilíngues na região.

Antes do Amapá, a emissora já havia gravado em cidades como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília.

“A embaixada da França mostrou à equipe que valia a pena vir ao Amapá. Aqui, o francês está presente em quase todas as escolas, o que reforça nossa força na difusão da língua”, afirmou Ivanete.

Leia também: Guiana Francesa passa a ter isenção de visto para brasileiros; autoridades do Amapá comemoram

Documentário sobre ensino da língua francesa no Norte do Brasil é gravado no Amapá
Estado faz fronteira com a França em Oiapoque. Foto: Reprodução/TV5 Monde

O documentário integra o projeto “Destination francophonie au Brésil”, que busca mostrar que a francofonia vai além do idioma. A iniciativa destaca uma rede de países, culturas e instituições que promovem cooperação internacional por meio da língua francesa.

A Escola Estadual Marly Maria e Souza da Silva, no conjunto Macapaba, foi um dos locais de gravação. A unidade é a primeira escola bilíngue do Amapá.

Em Oiapoque, o jornalista acompanhou a rotina de uma estudante que cruza a fronteira diariamente para estudar na Guiana Francesa. O município é o único do Brasil que faz divisa com o país europeu, o que, segundo a secretária de Educação, Sandra Casimiro, fortalece o vínculo dos alunos com o francês.

“O Amapá é o Estado com maior afinidade com a língua francesa. Estamos iniciando o ensino bilíngue nas escolas, e essa difusão cultural tem despertado o interesse da embaixada francesa”, afirmou Sandra.

A Secretaria de Educação planeja transformar três escolas de Oiapoque em unidades bilíngues. O projeto está em desenvolvimento pelo núcleo de Relações Internacionais da Seed.

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Primeira exibição do documentário

A primeira exibição do documentário ocorreu nesta sexta-feira (24), em uma sessão especial para cerca de 100 alunos no auditório do o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), em Macapá, e na escola Joaquim Nabuco, em Oiapoque.

A exibição teve como objetivo aproximar os estudantes da língua francesa, já que muitos deles participaram diretamente da produção.

Leia também: Brasil e França se unem para fomentar pesquisa em biodiversidade amazônica

João Paulo Vieira, de 9 anos, foi um dos alunos convidados para assistir ao documentário. Mesmo jovem, ele reconhece a importância de aprender outro idioma.

“É muito importante, porque um dia posso ir para Paris e vou saber conversar com as pessoas. Sei me apresentar, falar obrigada, já aprendi muitas coisas”, disse João.

A proposta é que o documentário seja usado como ferramenta pedagógica nas salas de aula.

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

‘Bilingo’: pesquisadores e indígenas criam aplicativo para salvar línguas ancestrais ameaçadas em RO e MT

Aplicativo ajuda a revitalizar línguas indígenas ameaçadas. Foto: Reprodução

Um projeto que une tecnologia e transmissão de saberes pretende contribuir para a revitalização das línguas em risco dos povos indígenas Bororo, no Mato Grosso, e Makurap, em Rondônia. O aplicativo chamado ‘Bilingo‘ foi criado para registrar vocabulários, frases e narrativas nas línguas maternas desses povos e ajudar a repassar esses ensinamentos para novas gerações.

A iniciativa envolve pesquisadores no Brasil e na Alemanha, professores e jovens indígenas. Gustavo Poletti, desenvolvedor do sistema, explica que o objetivo é que professores das próprias comunidades indígenas possam acessar a tecnologia para criar e distribuir o aprendizado.

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Os Makurap, que habitam Rondônia, estão localizados nas Terras Indígenas Rio Guaporé e Rio Branco e pertencem à família linguística Tupari, do tronco Tupi. No fim da década de 1990, eles ainda falavam a língua, mas hoje ela é usada principalmente por pessoas mais velhas.

Já os Bororo chamam a própria língua de Wadáru, classificada por linguísticas como parte do tronco Macro-Jê, segundo o Instituto Socioambiental (ISA). Eles estão em Mato Grosso.

O Censo 2022 do IBGE, divulgado nesta sexta-feira (24), aponta que o Brasil tem 295 línguas indígenas catalogadas, presentes em cerca de um quinto dos municípios. De acordo com o Atlas das Línguas em Perigo da Unesco, são 190 idiomas em risco no Brasil. O país é o segundo com mais línguas em risco no mundo – atrás apenas dos EUA, de acordo com o documento de 2021.

Leia também: Com 391 etnias e 295 línguas indígenas, saiba quais possuem maior abrangência na Amazônia Legal

Para conter essa ameaça, o aplicativo foi criado para preservar essas duas línguas em risco. A ideia é frear a perda de transmissão entre gerações e aproximar crianças do idioma por meio de jogos e exercícios interativos.

O nome ‘Bilingo’ vem de Brazilian Indigenous Languages (Línguas Indígenas Brasileiras) e a iniciativa experimental e sem fins lucrativos, apesar de não ser inédita, tem a pretensão de ser a maior em quantidade de dados armazenados. O trabalho está na fase de testes e ainda não tem prazo de conclusão.

Para Heloisa Helena Siqueira Correia, docente na Universidade Federal de Rondônia (UNIR), ferramentas tecnológicas como essa trazem em si a resistência e a luta dos povos originários. “Demonstra que as comunidades não estão, e nunca estiveram, congeladas no tempo”, disse.

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Preconceito e proibição

“A gente foi perdendo a língua, deixando de falar na língua materna, e isso aconteceu porque muitos não indígenas tinham preconceito. Eles proibiam os indígenas de falar. A língua Makurap era a mais falada nas terras indígenas, e hoje em dia já não é mais”, disse Jéssica Makurap, jovem da comunidade.

Segundo Carolina Aragon, linguista e integrante do projeto, o desenvolvimento do aplicativo em si já é educativo. Isso porque são os próprios jovens indígenas os responsáveis por coletar palavras e áudios da língua materna com os tios, avós e professores, e alimentar a ferramenta digital.

“Quando o jovem pergunta para um tio, avô ou avó como se diz algo na língua e grava essa resposta, ele já está aprendendo, e assim o aplicativo ensina enquanto é construído. Dessa forma, a nossa intenção é fazer com que a língua volte a circular em outros espaços da comunidade, e não apenas dentro da escola”, explica.

O projeto enfrenta desafios práticos, como a dependência de internet para captar e enviar os áudios para os pesquisadores. Além disso, como são os indígenas que alimentam o sistema, o desenvolvimento da ferramenta acompanha o ritmo de vida da comunidade, que envolve estudo, trabalho na roça, caça e pesca.

Povo Makurap. Foto: Reprodução/Universidade Federal de Rondônia

Como funciona o app ‘Bilingo’

O aplicativo funciona de forma semelhante a plataformas de aprendizado de línguas como Duolingo, Busuu e Rosetta Stone. Os usuários seguem uma jornada de aprendizado temática, que inclui seções sobre alfabeto, alimentação, família e outras áreas do cotidiano. Cada seção contém exercícios variados:

  • Tradução de palavras do português para a língua indígena.
  • Associação de palavras a imagens ou sons.
  • Montagem de frases usando palavras disponíveis no exercício.

“Estamos formando o vocabulário certinho, colocando palavras e frases, e a ideia é encher o aplicativo com histórias, mitos e tudo o que faz parte da nossa tradição. Conforme a gente alimenta o aplicativo, a gente também aprende”, afirma a indígena Jéssica.

Gustavo explica que eles também estão desenvolvendo um exercício para praticar a fala. Nele, o usuário pronuncia uma palavra na língua e um modelo de IA indica se a pronúncia está correta.

O app ainda terá suporte offline, permitindo o uso em áreas sem internet e garantindo privacidade dos dados, já que as informações ficam sob controle das próprias aldeias.

Fabrício Gerardi, linguista e participante do projeto, destaca que o aplicativo também oferece noções de gramática para adultos que querem compreender melhor o idioma, não apenas para crianças. Com o aumento do interesse de diferentes povos, a ferramenta precisou ser adaptada para realidades variadas, de comunidades que ainda falam a língua no dia a dia a aquelas em que as crianças falam português, mas têm noção do idioma tradicional.

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Fortalecimento da cultura

A professora Heloisa Helena, que é Doutora em Teoria e História Literária pela Unicamp e Docente do Departamento Acadêmico de Letras da UNIR, destaca a importância da iniciativa para preservar as línguas indígenas e fortalecer as identidades e culturas dos povos originários.

“A criação de um aplicativo que permite a recuperação de línguas indígenas sob risco de desaparecer completamente traz em si a resistência e a luta dos povos originários. Demonstra que as comunidades não estão, e nunca estiveram, congeladas no tempo, e que são instrumentos a favor da memória, pois dialogam com o passado ancestral, atualizam essa memória e, ao mesmo tempo, interferem no presente para que, no futuro, as etnias indígenas tenham seu protagonismo e autonomia consolidados”, diz Heloísa.

Expectativa

Os pesquisadores destacam que o aplicativo deve servir não só como uma ferramenta de apoio à educação linguística, mas também como instrumento de fortalecimento cultural. O conteúdo será inteiramente controlado pelas comunidades, garantindo que os indígenas mantenham a propriedade sobre sua língua e tradição.

“O aplicativo é uma forma de aprender e, ao mesmo tempo, de manter viva a nossa cultura”, resumiu Jéssica Makurap.

Segundo Gustavo, quando o aplicativo estiver pronto, a própria comunidade será responsável por administrar a iniciativa, definir o conteúdo e decidir como ele será distribuído.

Como surgiu o projeto?

A ideia surgiu quando Gustavo Poletti fazia um doutorado na Universidade de São Paulo (USP) e se inspirou em iniciativas que tinham como propósito revitalizar línguas indígenas.

“Na época, eu estava iniciando meu doutorado e pensei que este seria um campo onde eu poderia contribuir, tanto pela minha experiência em pesquisa como também por eu ter trabalhado com jogos de celular no passado”, disse Gustavo.

Em 2024, durante uma conferência, Gustavo conheceu Fabrício Gerardi, linguista da Universidade de Tübingen, na Alemanha, que já desenvolvia trabalhos com a comunidade Bororo, no Mato Grosso.

Pouco depois, Caroline Aragon, professora da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), passou a atuar na equipe, conectando o grupo com os Makurap, em Rondônia.

O aplicativo começou com o povo Bororo que já tem maior avanço no desenvolvimento do conteúdo. Em Rondônia, a fase inicial está sendo feita com os Makurap, priorizando o registro de vocabulário.

*Por Raíssa Fontes, da Rede Amazônica RO

MapBiomas lança Monitor da Recuperação ambiental

MapBiomas lança Monitor da Recuperação. Foto: Helder Lana

Qual o potencial de recomposição de áreas degradadas ou alteradas no Brasil? Para responder essa pergunta, a rede MapBiomas reuniu as bases de dados disponíveis no país e fez a sobreposição sobre os mais recentes mapas de cobertura e uso da terra no Brasil. O resultado é uma plataforma para visualização e monitoramento de áreas com compromisso ou obrigação de recuperação da vegetação nativa que fica disponível gratuitamente na internet a partir do dia 23 de outubro.

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O objetivo é auxiliar no monitoramento da dinâmica da cobertura vegetal em áreas com compromisso ou obrigação de recuperação ambiental, incluindo áreas embargadas por desmatamento e também iniciativas voluntárias de recuperação.

Leia também: Monitor do fogo do MapBiomas aponta que Brasil teve redução de 70% na área queimada primeiro trimestre de 2025

MapBiomas lança Monitor da Recuperação
Foto: Pedro Devani/Secom

“O monitor da recuperação atende a uma demanda de diversos usuários, reunindo pela primeira vez em um único sistema as áreas com vários tipos de compromisso de restauração, permitindo a caracterização da situação e potencial da recuperação da vegetação nativa em nível nacional ou estadual, mas também gerando um relatório detalhado sobre cada área cadastrada. O monitor aumenta a demanda por dados públicos organizados para informar a sociedade”, explica Marcos Rosa, coordenador técnico do MapBiomas.

Em sua primeira versão, o Monitor da Recuperação avalia áreas provenientes de três fontes principais:

  • Embargos estaduais e federais, motivados por intervenção na cobertura vegetal
  • Dados do Observatório da Restauração (OR) cadastrados como de acesso público
  • Sistema Informatizado de Apoio à Restauração Ecológica (SARE), com projetos de restauração ecológica no estado de São Paulo

Leia também: Desmatamento no Brasil caiu 32,4% em 2024, segundo Mapbiomas

Os embargos federais e estaduais foram obtidos a partir de dados do IBAMA, ICMBio, Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) e das secretarias de meio ambiente (SEMA) dos estados de Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Pará e Piauí.

No total, as áreas cadastradas na plataforma somam 6,9 milhões de hectares, considerando o período de 2000 a 2025. Essas áreas com compromisso ou obrigação de recuperação da vegetação nativa são provenientes, em sua maioria, de embargos federais e estaduais. O IBAMA é a principal fonte, contribuindo com 64,8% do total cadastrado na plataforma, ou 4,5 milhões de hectares.

“Existem milhões de hectares de áreas com obrigação ou compromisso de serem restauradas com vegetação nativa, entender se essas obrigações e compromissos estão sendo cumpridos é fundamental para acelerar o processo de restauração dos biomas brasileiros. Essa é a proposta do Monitor da Recuperação”, segundo Tasso Azevedo, coordenador geral do MapBiomas.

Base de dados

Essa base de dados permitiu apurar que 80% das áreas com compromisso ou obrigação de recuperação encontram-se no bioma Amazônia e 12,1% no bioma Cerrado. O ano com maior quantidade de polígonos cadastrados foi 2024, principalmente devido ao aumento observado no Cerrado. Já o ano com mais áreas com compromisso ou obrigação de recuperação foi 2023. Mais da metade (57,8%) das áreas totais com compromisso de recuperação estão localizadas no Pará (37,8%) e no Mato Grosso (20%), seguidos pelo Amazonas, com 16,5%.

Foto: Reprodução / Ministério da Agricultura e Pecuária

Do total das áreas cadastradas na plataforma, cerca de 23% apresentam compatibilidade com padrão de recuperação, enquanto cerca de 11% são áreas não compatíveis com o padrão de recuperação. “As demais áreas foram consideradas inconclusivas, por serem compromissos recentes ou onde os indicadores não conseguiram distinguir um padrão na dinâmica da vegetação. Reduzir as áreas inconclusivas será um dos principais objetivos para próximas atualizações do monitor”, explica Paulo Teixeira, pesquisador da equipe do Monitor.

Para chegar a esses números, os pesquisadores do MapBiomas desenvolveram um método de categorização de áreas (polígonos) com compatibilidade de processo de recuperação ambiental no Brasil. Também definiram como recuperação o processo de recomposição da vegetação nativa de áreas degradadas ou alteradas, para que voltem a ser funcionais, sem necessariamente retornar às suas condições originais. As áreas elegíveis para a plataforma são aquelas que têm compromisso de recuperação, seja ele voluntário ou compulsório.

A pesquisa

Os pesquisadores usaram os mapas anuais de cobertura e uso da terra (MapBiomas Coleção 10), comparando a classe de cobertura e uso da terra entre o ano do compromisso e o ano mapeado mais recente (2024), identificando o tipo de mudança dentro dos limites de cada área identificada (polígonos). Também foi feito o cálculo da diferença do vigor da vegetação, a partir de um índice de vegetação extraído de imagens dos satélites Landsat disponíveis desde 2000.

“O processo de desmatamento causa uma queda brusca no valor do índice de vegetação. Já a recuperação é monitorada observando-se a ascensão gradual desse índice ao longo do tempo, refletindo o aumento da área foliar e do vigor da vegetação, principalmente em fitofisionomias florestais, servindo de indicativo de que a área pode estar recuperando”, explica Kenia Mourão, coordenadora do Monitor da Recuperação e da equipe da Agricultura no MapBiomas.

*Com informação da MapBiomas

Exportação de milho impulsiona movimentação nos portos do Norte

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Porto de Santana (AP) registrou o maior crescimento percentual de exportação entre os portos organizados da região Norte – Foto: Divulgação/MPor

Os portos organizados da Região Norte registraram movimentação total de 30,2 milhões de toneladas de carga entre janeiro e agosto de 2025. O destaque foi para os granéis sólidos, que somaram 24,8 milhões de toneladas no mesmo período.

Somente no mês de agosto, foram movimentadas 3,9 milhões de toneladas deste tipo de carga, o que representa aumento de 2,16% em relação ao mesmo mês de 2024. Os dados são do Estatístico Aquaviário, divulgado pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).

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O crescimento na exportação

Exportação de milho impulsiona movimentação nos portos do Norte. Foto: Divulgação

O crescimento foi impulsionado principalmente pela movimentação de milho, que totalizou 2 milhões de toneladas em agosto, registrando alta de 10,4% em comparação com agosto de 2024. A movimentação na exportação de adubos (fertilizantes) também apresentou uma alta de 18% em relação ao mesmo mês do ano anterior alcançando 542 mil toneladas em agosto de 2025. Em seguida, destacam-se os produtos químicos inorgânicos, com alta de 13,10% somando 488 mil toneladas movimentadas.

Para o ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, os resultados reforçam a importância estratégica da Região Norte no sistema logístico nacional.

“O crescimento registrado reflete o avanço em eficiência e competitividade dos portos brasileiros, consolidando a região como um dos principais vetores de desenvolvimento e integração logística do país”, destacou o ministro.

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Movimentação nos portos

O Porto de Santana (AP) registrou o maior crescimento percentual entre os portos organizados da região. A movimentação cresceu 25,2%, de 316 mil toneladas em agosto de 2024 para 395 mil toneladas em agosto de 2025, impulsionada principalmente pelo transporte de milho, que apresentou aumento de 85% em elação ao mesmo período do ano anterior.

O Porto de Santarém (PA) também apresentou avanço, com 1,9 milhão de toneladas movimentadas em agosto de 2025, o que representa crescimento de 11,25% em relação a agosto de 2024. Houve ainda aumento de 45,33% nas exportações em comparação com o mesmo mês do ano passado.

Exportação de milho impulsiona movimentação nos portos do Norte
Exportação de milho impulsiona movimentação nos portos do Norte. Foto: Divulgação

O terminal de Porto Velho (RO) registrou alta de 0,92% na movimentação total em relação a agosto de 2024, puxada principalmente pelo transporte de soja, que somou 123 milhões de toneladas.

Ainda de acordo com dados da Antaq, outros portos organizados da Região Norte se destacaram, como o Porto de Vila do Conde (PA)), que registrou 1,8 milhão de toneladas e o Porto de Belém (PA), com 264 mil toneladas em agosto de 2025.

*Com informação do Ministério de Portos e Aeroportos

Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica

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Estudo aponta por meio do desmatamento, um efeito cascata que ameaça integridade do ecossistema. Foto: Divulgação/Polícia Federal

Um estudo publicado na revista científica Ecosystems revela que o desmatamento na Amazônia compromete a integridade dos igarapés, reduz a disponibilidade de água e ameaça a biodiversidade. Igarapé é o nome usado na Amazônia para descrever cursos de água estreitos e com baixa profundidade.

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O responsável pela pesquisa é Gabriel Martins da Cruz, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Síntese da Biodiversidade Amazônia (INCT-SinBiAm) e da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Análise

Foram analisados 269 igarapés ao longo de 13 anos na parte oriental do bioma. Os resultados mostram que a perda da vegetação florestal nas margens e nas bacias de drenagem causa uma série de prejuízos em efeito cascata.

Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés e segurança hídrica
Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés. Foto: Sávio Ferreira

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Primeiro, a redução da mata diminui a entrada de matéria orgânica, como folhas e troncos. Isso provoca acúmulo de areia no leito dos igarapés e leva à perda de estabilidade física desses cursos de água. O que atinge todo o ecossistema ao redor.

“Os igarapés funcionam como veias da floresta. Quando perdemos a vegetação das margens e da bacia, comprometemos a integridade de todo o sistema”, diz o pesquisador Gabriel Martins da Cruz. “Nosso trabalho mostra que preservar apenas a vegetação ripária [perto de corpos da água,] pode não ser suficiente em áreas já muito degradadas”.

Desmatamento na Amazônia ameaça igarapés. Foto: Divulgação

O estudo

O estudo reforça a necessidade de uma gestão integrada das bacias hidrográficas, que envolva tanto a preservação das matas quanto das florestas mais amplas. Essa estratégia, segundo os pesquisadores, é fundamental para restaurar a integridade física dos igarapés e evitar o agravamento da insegurança hídrica — um risco crescente em uma região que já perdeu 32% das massas de água superficiais nos últimos 35 anos, segundo o MapBiomas.

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Para o professor Leandro Juen, orientador da pesquisa, é urgente ampliar o foco das ações de restauração. “Precisamos olhar também para os ambientes aquáticos, que têm sido esquecidos nas estratégias de recuperação ambiental. Os nossos resultados reforçam a urgência de repensar a política ambiental utilizada por algumas agências, que ainda não exigem a devida atenção aos ambientes aquáticos, mesmo em atividades que impactam diretamente esses sistemas ou que, de forma indireta, rebaixam os lençóis freáticos e reduzem a disponibilidade hídrica regional. Restaurar igarapés e margens florestais é restaurar a base da vida na Amazônia”, disse o orientador.

Igarapé antes e depois da seca. Foto: Divulgação

O trabalho também presta homenagem ao ecólogo Robert M. Hughes (1945–2025), referência mundial em ecologia aquática, cuja colaboração foi decisiva para o avanço das pesquisas na Amazônia.

A pesquisa é fruto da cooperação entre redes científicas amazônicas — como o INCT-SinBiAm, o PPBio Amazônia Oriental e o Biodiversity Research Consortium Brazil–Norway (BRC) — e recebeu apoio de agências como CNPq, FAPESPA, FAPESP e CAPES.

Os autores sugerem que a restauração de ecossistemas aquáticos deve priorizar a reconexão entre floresta e igarapé, garantindo o sombreamento natural e o aporte de matéria orgânica. O estudo contribui diretamente para os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS 6, 13 e 15), estabelecidos pelas Nações Unidas, e reforça o papel da Amazônia na resiliência climática global, em linha com os debates da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30).

*Com informação da Agência Brasil, escrito por Rafael Cardoso

Pegadas de dinossauros de mais de 100 milhões de anos são descobertas em Roraima

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Pegadas de dinossauros em Roraima é achado inédito. Foto: Reprodução/JPavani

Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) descobriram pegadas fossilizadas de dinossauros com mais de 100 milhões de anos no município de Bonfim, ao Norte de Roraima. Esse é o primeiro registro de pegadas dos animais pré-históricos encontrado na Amazônia.

As primeiras pegadas na região foram identificadas em 2011 pelo geólogo e doutor em bioestratigrafia, Vladimir de Souza, durante um mapeamento geológico na bacia do rio Tacutu, com alunos do curso de geologia da UFRR.

“É como se a gente voltasse numa máquina do tempo pra um local totalmente diferente, com animais totalmente diferentes. Hoje a gente está aqui e nem imagina o que havia no passado, coisas que a gente vê em filmes sobre dinossauros existiram aqui, talvez até com maior diversidade”, afirmou Vladimir.

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As pegadas estavam preservadas em lajedos, grandes extensões de rochas expostas. Os pesquisadores estimam que tenham elas tenham sido deixadas há pelos menos 110 milhões de anos.

O estudo inédito levou 14 anos para confirmar que as pegadas eram dos dinossauros. Conduzido por Vladimir e os pesquisadores Carlos Eduardo Vieira, doutor em geociências, e Lucas Barros, mestre em ciências biológicas aponta que as pegadas pertencem a dinossauros carnívoros e herbívoros — entre eles, os velociraptores e os saurópodes, conhecidos pelos pescoços e caudas longas.

“Eu posso te confirmar que nós temos desde aqueles dinossauros pescoçudos até os velociraptors. Temos carnívoros, os herbívoros, como se pode dizer. Está tudo registrado aqui em forma de pegadas, na nossa região denominada bacia do Tacutu”, afirmou o pesquisador Vladimir.

Ainda não foi possível identificar as espécies dos dinossauros encontrados na região. Algumas pegadas indicam animais com mais de 10 metros de altura. Outras pertencem a dinossauros com três dedos.

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Pegadas de dinossauros de mais de 100 milhões de anos são descobertas em Roraima
Foto: Reprodução/JPavani

Dinossauros viveram ‘em Roraima’

A região onde foram encontradas as pegadas é formada por rochas sedimentares do grupo dos arenitos, resultado da deposição de camadas de areia. O estudo indica que, no passado, o local era uma planície de inundação ou uma área semiárida, com pouca água e muita areia.

Cerca de 150 milhões de anos atrás, os continentes tinham uma configuração diferente: formavam o supercontinente Pangeia.

Segundo o pesquisador Carlos Vieira, a medida que a Pangeia se fragmentou, “braços” de mar invadiram áreas que antes eram secas, criando novos ambientes com outras espécies de plantas e animais, incluindo os dinossauros.

“Com essas mudanças todas que ocorreram com a geografia da época, nós tivemos, junto, toda uma série de transformações da biota. Então, por exemplo, as plantas se diversificaram muito. A gente passa a encontrar coníferas, tipo pinheiros, plantas com flor, samambaias, então é uma diversidade bastante grande de vegetais, mas também de animais”, explicou o pesquisador.

“É nítida a evolução do ambiente no sentido de ele se tornar mais rico e diverso em espécies. Os fósseis que a gente encontra hoje em dia denotam isso, que a fauna e a flora se tornaram muito mais ricas e diversas do que havia até então”, ressaltou.

Foto: Reprodução/JPavani

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As pegadas indicam, segundo os pesquisadores, que os dinossauros não apenas cruzaram a região, mas viveram onde hoje fica Roraima.

Algumas delas foram criadas enquanto os dinossauros herbívoros migravam em manadas, seguidos por carnívoros. Há também marcas de nado e escavações, que reforçam a hipótese de que eles habitavam o local.

“Isso é possível ver no campo. Você vê pegadas dos herbívoros mais ao centro e, na periferia, dá pra identificar as pegadas dos velociraptors, os raptores, seguindo essas manadas. É uma coisa muito interessante. Claro, era outro ambiente, e os dinossauros não passaram, eles viviam aqui”, disse Vladimir.

Em alguns locais estudados, além das pegadas isoladas, há trilhas que ultrapassam 30 metros de comprimento, segundo o pesquisador.

Descoberta inédita

Vladimir classificou a descoberta como inédita no Norte do Brasil. Segundo ele, praticamente não há registros de dinossauros na Amazônia, e as pegadas representam um grande avanço para colocar Roraima em destaque nas pesquisas sobre dinossauros no país.

“É uma coisa fantástica que tem aqui […] são trilhas que chegam a mais de 30 metros de comprimento e às vezes não é só uma trilha, uma é cortada por outra. Então, há muitas coisas interessantes a respeito da existência de dinossauros aqui no estado”, explicou o pesquisador.

O Brasil já tem registros de pegadas de dinossauros em outras regiões, como o Nordeste, Sudeste e Sul. Em Roraima, além das pegadas, há troncos e folhas petrificadas, o que reforça o potencial para estudos de fósseis de plantas, que também já são estudados pelos pesquisadores da UFRR.

Foto: Reprodução/JPavani

Pesquisa rigorosa

O estudo levou 14 anos até a confirmação dos registros. Todo o processo seguiu critérios científicos rigorosos, com participação de alunos e especialistas em icnologia, área que estuda pegadas fósseis.

“Tudo seguindo uma metodologia científica bem severa. A gente trabalha com questão científica mesmo: você encontra, mas tem que provar que aquilo realmente é uma pegada”, afirmou Vladimir.

Com os resultados, os pesquisadores pretendem expandir os estudos para outras áreas do estado. Segundo Carlos Vieira, a partir dos estudos, rotas paleontológicas e projetos turísticos e educativos podem ser desenvolvidos para valorizar o patrimônio fóssil de Roraima.

“Isso permite levar a mais descobertas e saber como tratar quando se descobre um fóssil novo desses. Então, nós temos toda uma cadeia produtiva turística, capaz de trazer benefícios materiais e imateriais, porque se trata também de conhecimento, que está sendo agregado para essa população”, disse.

*Por Yara Ramalho, Marcelo Marques e Ailton Alves, da Rede Amazônica RR

Banco da Amazônia inaugura duas sedes em Manaus e amplia acesso ao microcrédito

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Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

Visando ampliar o acesso ao microcrédito na região Amazônica, o Banco da Amazônia (Basa) inaugurou, nesta segunda-feira (27), duas novas unidades em Manaus (AM), para oferta deste tipo de financiamento. A instituição agora conta com um ponto na Avenida Senador Álvaro Maia, n°621, bairro Centro, Zona Sul da capital, e outro na Avenida Brasil, n°2956, sala 04, no bairro Compensa I.

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A cerimônia de inauguração das unidades contou com a presença de autoridades locais, entre elas, o senador Eduardo Braga (MDB). O parlamentar destacou a atuação do Basa em expandir o serviço de microcrédito tanto na capital quanto no interior do Amazonas:

“O Basa chega com uma linha permanente de microcrédito com quatro agências na capital e também nos principais municípios do interior. Só que com detalhe, é o banco que vai até o micro e pequeno empresário. É um programa diferente dos demais, pois ele vai até onde o microcrédito precisa ser fomentado. É uma ação ativa em busca de fomento à nossa região, está de parabéns o Basa”, pontuou Braga.

Senador Eduardo Braga prestigiou o lançamento das duas novas agências do Basa em Manaus. Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

Expansão do microcrédito

Com as duas novas unidades, o Basa agora conta com quatro polos urbanos de atendimento em Manaus e um na área rural, tornando a capital um dos principais centros de fomento ao microcrédito da região Norte.

Além disso, os investimentos somam mais de R$ 54 milhões e aproximadamente 16 mil clientes contemplados.

Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

Para o presidente do Basa, Luiz Lessa, as novas instalações reforçam a estratégia de ampliação do programa Basa Acredita, ação voltada para empreendedores formais e informais iniciantes para permitir investimentos em pequenos negócios, geração de renda e fortalecimento da economia de base comunitária.

Luiz Lessa, presidente do Basa. Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

“Quando assumi o Banco da Amazônia, nós tínhamos apenas 13 unidades, com essas duas chegamos em 96 unidades aqui na região Norte e vamos atingir, de acordo com o nosso planejamento, a marca de duzentos polos. Para 2026, a ideia é ter 159 pontos de atendimento em toda região e, com isso, cumprir a nossa missão que é de fomentar o desenvolvimento da região Norte”, pontuou.

O microcrédito é um recurso subsidiado do Governo Federal com uma taxa que começa em 0,5%, mas o mais importante é o bônus de adimplência. Se a pessoa paga em dia, ela tem um desconto de 40% na parcela, ou seja, se fez um investimento de R$ 10 mil e pagar em dia, no final terá pago R$ 6 mil. “Um incentivo para que a pessoa tome um crédito, aplique o crédito de forma consciente para que ela possa crescer e se desenvolver”, frisou Lessa.

Além disso, o presidente conta que o microempreendedor também receberá todo um suporte durante o processo de adesão do microcrédito.

“Não é só vir aqui tomar o crédito. O microempreendedor terá todo um treinamento, orientações de como melhorar o negócio, como fazer uma boa gestão comercial, fluxo de caixa. Na verdade, o crédito ele vem junto com todo suporte, muita coisa importante para pessoa entender e o que fazer com o crédito”, explicou.

Com essa expansão, o Banco da Amazônia planeja ampliar o alcance de sua política de crédito, com a previsão, para região Norte, de mais de R$ 1 bilhão em financiamento voltado a pequenos negócios. A iniciativa, segundo o banco, fortalece a inclusão financeira, impulsiona o desenvolvimento sustentável da Amazônia e amplia as oportunidades de crescimento para quem empreende e movimenta a economia local.

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Oportunidade

Durante a cerimônia, alguns grupos solidários de microempreendedores assinaram novos contratos de crédito, representando diferentes segmentos produtivos, como comércio de alimentos e vestuário, artesanato, transporte, buffet e vendas diretas. Como foi o caso da vendedora Luzenira Gonçalves, 53, que agora terá oportunidade de melhorar o seu negócio e aumentar suas vendas.

Luzenira Gonçalves, de lilás, foi uma das contempladas pelo microcrédito do Basa. Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia

“Esse crédito veio numa boa hora, vai ajudar e muito para continuar o meu trabalho, comprar mais mercadorias, melhorar ainda mais a qualidade do meu negócio. Vou poder agora comprar mesas, cadeiras, ajeitar minha churrasqueira, comprar uma tenda”, comenta Luzenira, que trabalha com a venda de churrasquinhos no Centro de Manaus.

*Por Dayson Valente para o Portal Amazônia