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Pesquisa com biocarvão impulsiona cultivo de melancia em comunidade indígena de Roraima

Técnica com biocarvão impulsionou o plantio de melancia, gerando frutos doces de seis a oito quilos, vendidos no mercado local. Foto: Wéllida Campos/Rede Amazônica RR

O uso de biocarvão tem ajudado a comunidade indígena Mauixi, a 80 quilômetros de Boa Vista (RR), a superar os desafios do solo do lavrado e a gerar renda. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Roraima (UFRR), a prática impulsiona o cultivo de melancia na região e já apresentou resultados positivos.

O primeiro plantio ocorreu em uma área de 3 mil metros quadrados e chama a atenção pelo tamanho e qualidade dos frutos. As melancias pesam entre seis e oito quilos, são doces e já começam a ser vendidas no mercado local.

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A iniciativa surgiu do desejo dos moradores de fortalecer a produção agrícola na própria comunidade, como explica o tuxaua Alexandre da Silva.

“A gente tinha um interesse de cultivar a melancia na comunidade da região e a gente não tinha oportunidade e aí veio a oportunidade junto com a universidade. Fizemos uma assembleia e ele contou do projeto na teoria e tive uma curiosidade de colocar em prática”, relatou o líder indígena.

A partir desse contato, o Centro de Ciências Agrárias da UFRR passou a acompanhar as etapas do processo, desde a análise do solo até o plantio.

Biocarvão e os desafios do solo do lavrado

O lavrado, ecossistema predominante em Roraima, tem características naturais que dificultam a agricultura. O professor e agrônomo responsável pela pesquisa, Valdinar Melo, explicou que a análise confirmou a baixa fertilidade da área.

“Os solos em Roraima têm, por natureza, baixa fertilidade. São ácidos e têm teores de fósforo e cálcio muito baixos. Percebemos que esse produto [biocarvão] é muito rico nesses nutrientes. Fizemos a análise do solo, comprovamos a necessidade e instalamos o experimento”, esclareceu Valdinar.

Leia também: Conheça as vegetações não florestais do bioma Amazônia

biocarvao melancia
Foto: Luiz de Matos/Rede Amazônica RR

Para contornar o problema, os pesquisadores usaram o biocarvão. Ele é feito a partir da queima controlada de galhos, espinhas de peixe, caroços de açaí e outros restos orgânicos.

O adubo é colocado direto na cova na hora do plantio. Além da melancia, a técnica já foi testada e teve sucesso no cultivo de milho.

Com a colheita considerada satisfatória, a Comunidade Mauixi agora negocia a venda da produção e avalia a possibilidade de ampliar o plantio nas próximas safras. Para os moradores, mais do que uma experiência agrícola, o projeto representa um passo importante rumo à autonomia e à segurança alimentar no lavrado roraimense.

*Por Wéllida Campos, da Rede Amazônica RR

Encontrada em casa, mas de volta à floresta: conheça a cobra caninana

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Foto: Reprodução/Youtube-Ticksman

Anfíbios, répteis, mamíferos, vários animais aparecem constantemente nas áreas urbanas aqui do Norte do Brasil. E, claro, dentro dos répteis temos as cobras, que está entre os animais mais comuns que vão aparecendo nessa região. Nós vamos ter de jiboias, sucuris, cobras d’água, cobras venenosas e até mesmo a caninana. Esta última é o destaque desta coluna.

Com a presença do biólogo, pesquisador e doutor em Herpetologia, Saymon de Albuquerque, devolvemos uma cobra caninana (Spilotes pullatus), linda e saudável, que havia aparecido em uma residência, foi resgatada com segurança e agora está voltando para o seu habitat natural.

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Como achamos a caninana?

Quando a população aciona, geralmente no final de semana, bombeiro, Ibama, polícia ambiental, às vezes não tem um carro de plantão para fazer o resgate. E para não matar o animal, às vezes a população acaba chamando algum biólogo. Como eu trabalho com pesquisa e tenho autorização do Ibama para fazer captura e manejo desses animais, eu vou até o local, faço essa contenção, verifico se o animal está bem de saúde.

E dessa vez foi uma caninana de mais ou menos dois metros e meio, que foi devolvida em uma área de floresta próxima à capital de Rondônia, Porto Velho. Ele é uma cobra não peçonhenta, mas é agressiva e rápida.

Leia também: Caninana, a cobra mais rápida do Brasil

cobra caninana
Foto: Leandro Avelar

Nas cores amarelo e preto, ela se destaca facilmente por onde passa e é uma serpente semi-arborícola, ou seja, pode ser encontrada tanto no solo quanto nas árvores e pode se alimentar de roedores, de pássaros e de uma diversidade bem grande de outros vertebrados.

Para preservá-la a orientação é que não matem caso encontrem essas cobras porque elas são importantes, uma vez que se alimentam de animais que transmitem doenças para o ser humano.

Durante o manejo, observamos que ela estava com carrapatos e aproveitamos para conversar sobre:

  • 🐍 A biologia da caninana
  • ⚠️ Os cuidados necessários no manejo
  • 🌿 A importância das serpentes para o equilíbrio da natureza

Cobras não são vilãs! Assista:

Leia também: Por pouco! Encontrei uma jararaca na trilha e quase sofri um acidente

Sobre o autor

Ticksman é o Flávio Aparecido Terassini, biólogo, professor universitário desde 2006, mestre em Ciências pela USP e doutorando pelo Bionorte.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Chuvas aumentam doenças em pets no Norte; especialista alerta para riscos

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Foto: Divulgação/Afya

Com o período chuvoso na região Norte, aumenta a incidência de doenças que afetam cães e gatos, especialmente aquelas relacionadas à umidade, ao calor intenso e à maior circulação de parasitas. Segundo o coordenador do curso de Medicina Veterinária da Afya Ji-Paraná, em Rondônia, professor Bruno Porto de Lima, o clima cria condições ideais para o agravamento de enfermidades dermatológicas, respiratórias e parasitárias.

“As chuvas intensificam problemas como dermatites, proliferação de carrapatos e quadros respiratórios como a Tosse dos Canis (traqueobronquite infecciosa canina). A umidade favorece fungos e bactérias, e os tutores precisam redobrar a atenção”, explica o docente.

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Doenças mais comuns no período de chuvas

De acordo com o professor, as enfermidades que mais acometem pets nesta época são:

  • Tosse dos canis
  • Dermatites úmidas e outras infecções de pele agravadas pela umidade
  • Doenças transmitidas por carrapatos, como erliquiose e babesiose

Entre os principais sinais de alerta estão coceiras persistentes, feridas que não cicatrizam, presença de carrapatos e mudanças no comportamento. “Se o tutor percebe que o animal está apático, recusando alimento ou apresentando feridas úmidas que se ampliam, é fundamental procurar atendimento rapidamente”, orienta.

A falta de prevenção aumenta a vulnerabilidade dos animais durante o período chuvoso. A vacinação contra tosse dos canis é especialmente importante nesse período.

“A vacina é uma aliada fundamental, sobretudo porque muitas doenças dessa época têm origem viral ou são facilmente transmissíveis”, reforça Bruno.

Além disso, cuidados simples fazem diferença na rotina:

  • Manter o ambiente limpo e seco
  • Fornecer ração de qualidade
  • Evitar que o animal durma em locais frios ou úmidos
  • Higienizar o espaço regularmente
  • Doenças zoonóticas também crescem

A combinação de chuvas e alagamentos aumenta a circulação de agentes infecciosos, como a leptospirose, transmitida por urina de ratos em áreas inundadas. A população deve evitar o contato com água contaminada e proteger feridas expostas.

“Em regiões alagadas, o risco de transmissão é maior. O ideal é evitar essas áreas e manter a imunidade dos animais e das pessoas sempre em dia”, alerta.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é a esporotricose?

doenças em pets
Foto: Reprodução/Pixabay

Quando procurar atendimento veterinário?

A recomendação é buscar ajuda imediatamente quando o animal apresentar:

  • Apatia, recusa alimentar ou fraqueza
  • Feridas que aumentam de tamanho ou não cicatrizam
  • Sinais de parasitas, especialmente carrapatos
  • Dificuldade respiratória ou tosse persistente

A Clínica Escola de Medicina Veterinária da Afya Ji-Paraná disponibiliza uma estrutura completa para cuidados preventivos e curativos, com serviços gratuitos para tutores cadastrados no CadÚnico, como: consultas clínicas, castrações de cães e gatos e cirurgias eletivas.

Horários e agendamento

  • Segunda a sexta-feira, das 14h às 18h
  • Agendamento presencial no mesmo horário
  • Moradores do 2º distrito podem buscar encaminhamento pela SEMPBA
  • Atendimento via WhatsApp: (69) 99920-3700

Documentos necessários: RG/CPF, comprovante de residência e comprovante atualizado do CadÚnico.

Saiba quais capitais da Amazônia possuem mais ciclovias e ciclofaixas

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Foto: Reprodução/Aliança Bike

Nas capitais da Amazônia Legal, a infraestrutura cicloviária, estruturas criadas para garantir mais segurança e conforto de ciclistas e de quem utiliza outros meios de mobilidade individual em vias urbanas, avança de forma lenta.

De acordo com dados da Associação Brasileiras do Setor de Bicicletas (Aliança Bike), levantados a partir da extração e análise de dados geoespaciais atualizados do Open Street Map, entre julho de 2024 e julho de 2025, a presença de ciclovias e ciclofaixas na região ainda é pequena em comparação com outras capitais brasileiras. 

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Segundo o levantamento, somando 150,58 quilômetros de vias destinadas aos ciclistas, Belém (PA) é a única cidade da região que aparece entre as dez melhores do país em extensão de ciclovias e ciclofaixas. O número coloca a capital paraense na 8ª posição do ranking nacional e como a mais bem colocada entre as capitais amazônicas.

Além dos quilômetros totais, a capital paraense também está entre as cidades com melhor proporção de ciclovias em relação à malha viária, com 4,89% de ruas com estrutura cicloviária acima da média nacional. 

Leia também: #Série – Atividades ao ar livre: 7 lugares para fazer atividade física em Belém

capitais com mais ciclovias e ciclofaixas
Ciclovia em Belém. Foto: Reprodução/Prefeitura de Belém

Com cerca de 93 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, a cidade de Palmas (TO) é outro destaque em relação à malha viária, possuindo um dos maiores índices por habitante do país: 30,72 quilômetros para cada 100 mil moradores. 

Na sequência, aparecem Rio Branco (AC), com 74,5 km; Cuiabá (MT), com 69,40 km; e Boa Vista (RR), com 47,55 km, que apesar dos números, ainda se encontram abaixo da média nacional, de 158 quilômetros de malha cicloviária por capital.

Embora não estejam entre as primeiras posições do ranking nacional, essas cidades superam outras capitais amazônicas e apresentam redes mais consolidadas. 

Piores índices 

As cidades de Macapá (AP), Manaus (AM) e Porto Velho (RO) possuem os menores índices:

  • Manaus soma 28,1 quilômetros;
  • Macapá soma 18 km;
  • e Porto Velho 22,37 km.

Além disso, Manaus e Porto Velho têm menos de 0,5% das ruas com infraestrutura voltada para bicicletas, um dos menores percentuais entre todas as capitais brasileiras. 

Crescimento lento

De acordo com o estudo da Aliança Bike, houve aumento de cerca de 5% na extensão das ciclovias nas capitais brasileiras em um ano, mas o ritmo de expansão ainda é insuficiente para provocar mudanças significativas na mobilidade urbana. 

Leia também: Veículo sustentável: o incentivo ao uso da bicicleta nas cidades da Amazônia

Ciclovia Boulevard, em Manaus. Foto: Divulgação/Implurb

Atualmente, as ciclovias representam apenas 2,77% de toda a malha viária das capitais, o que evidencia o desafio de ampliar o uso da bicicleta como meio de transporte. 

Desafio para a mobilidade

Os dados mostram que, embora haja avanços pontuais, as capitais amazônicas ainda precisam investir na ampliação e integração das redes cicloviárias.

A expansão desse tipo de infraestrutura é estratégica para melhorar a mobilidade urbana, reduzir a emissão de poluentes e garantir mais segurança para ciclistas.

Diferenças entre ciclovias e ciclofaixas

A sinalização cicloviária tem a função de organizar a circulação, dar prioridade aos ciclistas e prever espaços como rotas específicas e locais de estacionamento.

De acordo com o Anexo I do Código de Trânsito Brasileiro, no Manual Brasileiro de Sinalização de Trânsito, a ciclovia é uma pista exclusiva para bicicletas e outros ciclos, totalmente separada do tráfego de veículos por elementos físicos, como canteiros, blocos de concreto, grades ou até diferença de nível em relação à pista.

Já a ciclofaixa é uma faixa destinada ao uso exclusivo de ciclistas dentro da própria pista, sendo delimitada apenas por pintura no asfalto e por dispositivos de sinalização, como tachões, balizadores e placas.

Em ambas as estruturas podem circular bicicletas, bicicletas elétricas, ciclos e equipamentos de mobilidade individual.

A principal diferença entre elas está no nível de separação em relação aos carros e motos, já que enquanto a ciclovia oferece isolamento físico e maior proteção, a ciclofaixa compartilha o espaço da via, contando com a sinalização para garantir a prioridade dos ciclistas.

Três em cada 10 quilos de açaí na Amazônia Legal são de extrativistas sem acesso à eletricidade, aponta IEMA

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Açaí é fonte de renda para os amazônidas. Foto: Raquel Maia/Rede Amazônica AM

Segundo dados divulgados pelo Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA), cerca de 30% do açaí produzido na Amazônia Legal têm origem em estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica de fornecimento público. Nos casos do óleo de copaíba, da carnaúba e da fibra de piaçava, o volume anual extraído nessas condições supera os 80%.

Na crescente sociobioeconomia da região, as unidades de produção não eletrificadas são uma ampla maioria em Roraima (74%) e no Amazonas (66%), e representam quase a metade do total contabilizado no Pará (45%), que detém a liderança em números absolutos.

O resultado é um modelo de produção ineficiente, de acordo com o IEMA, em que refrigeradores para estoques perecíveis são uma impossibilidade prática e as frutas têm de ser vendidas in natura por falta de máquinas para extração de sua polpa. Sem margem de manobra, quem produz fica à mercê dos atravessadores.

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Muito além do açaí

Os números e as consequências deste cenário de exclusão elétrica constam de um mapeamento produzido pelo IEMA, a partir de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), sobre 49 produtos do extrativismo vegetal amazônico. 

O trabalho, que resultou em um relatório lançado no final de 2025, agora está disponível para consulta por meio do site interativo ‘Plataforma Mapeamento da Sociobioeconomia’.

“O diferencial da ferramenta é a possibilidade de obter e correlacionar dados em um nível de detalhamento que antes não era possível”, diz o pesquisador Fabio Galdino dos Santos, um dos coordenadores da iniciativa.

alguns extrativistas não possuem energia elétrica para extrair açaí
Foto: Rafael Rocha/Embrapa

“O que está na plataforma e não está no relatório é justamente esse nível bem desagregado da informação. O que o relatório resume e agrega, a plataforma distribui”, explica.

O volume de informações é expressivo. A partir de uma combinação de filtros, pode-se extrair dados sobre a produção extrativista em cada distrito dos mais de 770 municípios da Amazônia Legal, bem como seu nível de acesso à infraestrutura elétrica. E isso para qualquer um dos 49 produtos monitorados.

Distritos da Amazônia com problemas de energia elétrica

É possível constatar, por exemplo, que o distrito de São Felipe, o maior do município de São Gabriel da Cachoeira (AM), tem a maior parte de sua produção de açaí (81%) e bacabá (75%) oriundas de estabelecimentos extrativistas sem acesso à energia elétrica. Os dados podem ser depois exportados para aplicativos de planilhas.

Santos conta que os dados segmentados por subdistritos não eram disponibilizados para consulta ao público geral pelo IBGE. “Tivemos que formalizar uma solicitação especial para conseguir mensurar o extrativismo vegetal na Amazônia até esse nível de detalhe, o que é algo inédito”, diz.

Açaí tornou-se fruto nacional. Foto: Divulgação

Outro recurso são as camadas de informações geográficas que podem ser incorporadas ao mapa, como a localização de linhas de transmissão de energia, hidrovias, rodovias e ferrovias federais próximas aos principais pólos de produção.

Para o pesquisador Vinícius Oliveira da Silva, também coordenador da iniciativa, o relatório e a plataforma buscam não apenas disponibilizar informações, mas também contribuir para a eficiência das políticas públicas de universalização do acesso à energia.  

“A grande fronteira do acesso à energia está na Amazônia, mas historicamente existe uma deficiência do Estado em saber onde estão, quem são e o que produzem essas pessoas hoje excluídas. Nosso trabalho busca suprir esta lacuna.”

Segundo ele, as distâncias e a diversidade do contexto amazônico exigem soluções adaptadas à essas diferentes realidades.

“Não basta a política existir. Ela precisa ser baseada em dados reais do território e executada com respeito às particularidades culturais e locais para que realmente promova o desenvolvimento e a qualidade de vida dos povos e comunidades que vivem e mantêm a floresta em pé”.

*Com informações do Instituto de Energia e Meio Ambiente

Amazon Sat transmite duelo entre RPE Parintins x Princesa do Solimões pelo Barezão 2026

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Foto: Mateus Moreira/Acervo FAF

O canal Amazon Sat transmite, nesta quarta-feira (04/03), o confronto entre RPE Parintins e Princesa do Solimões, válido pelo playoff das quartas de final do segundo turno do Campeonato Amazonense Sicredi 2026, o Barezão. A partida será realizada às 15h30, no estádio Francisco Garcia, no Rio Preto da Eva (AM), e vale vaga na semifinal da competição.

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O RPE Parintins, que terminou a fase de grupos na segunda colocação do grupo A, entra em campo com a vantagem do empate, além do mando de campo. Já a equipe do Princesa do Solimões, que terminou em terceiro colocado do grupo B, precisa vencer para seguir na disputa.

Leia também: Barezão: sete curiosidades sobre o Campeonato Amazonense de Futebol

Quem vencer o duelo vai encarar a equipe do Manaus FC, que ficou em primeiro no grupo A e avançou direto, na semifinal do returno do campeonato. 

Amazon Sat transmite duelo entre RPE Parintins e Princesa do Solimões
Estádio Francisco Garcia. Foto: André Tobias/ Amazonas FC

Leia também: Saiba quais foram os sete clubes do Amazonas que já disputaram o Brasileirão Série B

Transmissão no Amazon Sat 

A cobertura do Amazon Sat contará com a narração de Silva Júnior, comentários de Dudu Monteiro de Paula e reportagens de Dayson Valente.

O supervisor multimídia do Amazon Sat, Victor Costa, destacou o momento vivido pela emissora com o retorno das transmissões esportivas.

“Eu estou muito feliz de fazer parte deste momento em que a transmissão de eventos esportivos começa a retornar ao Amazon Sat, principalmente tendo ao nosso lado um dos grandes nomes do jornalismo esportivo aqui da região, o Dudu Monteiro de Paula. Toda a equipe do Amazon Sat e da Rede Amazônica está mobilizada para fazer a melhor transmissão possível e tenho certeza de que este é só o início de uma nova fase do Amazon Sat participando não só do Barezão, como também de outros campeonatos da região Norte”, declarou.

Com um clima de decisão, a expectativa é de um confronto intenso na briga por uma vaga na semifinal do segundo turno do Barezão 2026.

Foto: Chicão Marques/RPE Parintins

Canais

O duelo será transmitido em todos os cinco estados que o Amazon Sat abrange, nos seguintes canais: 

Manaus/AM: 44.1
Porto Velho/RO: 22.1
Rio Branco/AC: 31.1
Macapá/AP: 29.1
Boa Vista/RR: 23.1
Parintins/AM: 46.1

A transmissão também acontece online no Amazon Sat e no portalamazonia.com.

SGB divulga dados de geologia Rondônia: 8 bens minerais são de interesse econômico

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Foto: Divulgação SGB

O Serviço Geológico do Brasil (SGB) publicou, neste ano, os mapas geológicos na escala 1:100.000 das folhas Cacoal e Serra Azul, de Rondônia. O lançamento desses produtos representa um avanço no conhecimento geológico e dos recursos minerais do estado.

No ano passado, o SGB já havia disponibilizado a nota explicativa Geologia e Recursos Minerais de Rondônia, escala 1:500.000.Todas as publicações estão disponíveis gratuitamente no Repositório Institucional de Geociências (RiGeo), do SGB.

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nota explicativa Geologia e Recursos Minerais do estado de Rondônia faz parte da série Geologia e Recursos Minerais dos estados brasileiros, escala 1:500.000, enquanto as folhas Cacoal Serra Azul fazem parte do projeto Geologia e Potencial Mineral do Centro-Leste de Rondônia, fruto da iniciativa mapeamento geológico sistemático na escala 1:100.000.

Geologia e interesses econômicos

O estado de Rondônia é geologicamente diversificada com rochas pertencentes a diferentes ambientes geológicos e idades, o que favorece a presença de importantes recursos minerais. Entre os bens minerais de interesse econômico no estado destacam-se o estanho, ouro, cobre, manganês, ferro, gemas (diamante, topázio, ametista, turmalina, água-marinha, grafita), minerais industriais (areia, brita, argila, cascalho) e insumos para agricultura (calcário e fosfato).

Leia também: Conheça as principais riquezas minerais da Amazônia brasileira

SGB divulga dados de geologia Rondônia: 8 bens minerais são de interesse econômico
Fonte: SGB

Os organizadores da nota explicativa são os pesquisadores Carlos Eduardo Santos de Oliveira, Dalton Rosemberg Valentim da Silva e Gustavo Negrello Bergami, que também estão entre os autores das folhas Cacoal e Serra Azul, juntamente com Carlos Augusto Silva Provenzano, Marco Aurélio Piacentini Pinheiro e Wilson Lopes de Oliveira Neto.

O Projeto foi executado pela Residência de Porto Velho do SGB, com coordenação nacional do Departamento de Geologia da Diretoria e Recursos Minerais do SGB.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil

Projeto Terra Preta fortalece a autonomia digital de povos indígenas em Roraima 

Jovens e comunicadores da aldeia aprenderam ferramentas digitais para uso consciente e produtivo da internet. Foto: Divulgação/EAF

O Projeto Terra Preta realiza, em Roraima, mais uma edição do Encontro de Cidadania Digital, fortalecendo o protagonismo indígena no uso consciente da internet e preparando comunicadores de territórios amazônicos para a chegada da conectividade de alta qualidade por meio das infovias.

A iniciativa, que chega à 9ª edição, faz parte do Programa Norte Conectado, coordenado pelo Ministério das Comunicações e pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), sendo executado pela Entidade Administradora da Faixa (EAF).

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O evento ocorreu entre os dias 23 e 27 de fevereiro, com comunicadores populares, educadores, jovens e lideranças indígenas na Comunidade Tabalascada, região da Serra da Lua, no município de Cantá (RR). Esta foi a segunda vez que a iniciativa ocorreu em Roraima.

Em outubro do ano passado, a capital Boa Vista sediou o 6º encontro, que foi conduzido por uma equipe formada por educomunicadores amazônicos, que também atua em comunidades do Pará e do Amazonas.

Leia também: Jovens Yanomami aprendem a usar drones para mapear território e ajudar na fiscalização da floresta

projeto terra preta
Uma das principais atividades do Projeto Terra Preta são as rodas de conversa para troca de saberes. Foto: Divulgação/EAF

Os encontros promovem a troca de saberes para que o aprendizado de ferramentas digitais impulsione a comunicação popular, a garantia de direitos e o desenvolvimento socioeconômico, sempre respeitando as culturas dos povos envolvidos.

Na Comunidade Tabalascada, os comunicadores participaram de oficinas práticas de produção de conteúdo, elaboração de roteiros para podcasts e videocasts e manuseio de drones. Também fez parte da programação a criação de uma Web Rádio para o Conselho Indígena de Roraima (CIR).

Um dos destaques foi a atividade Partilha de saberes ancestrais e o “Ajuri” para pensar a Terra Preta Digital, coordenada por Nayara Kambeba, integrante do Projeto Terra Preta em Tefé (AM). Ajuri é uma expressão indígena que significa mutirão e ajuda mútua.

Leia também: Estudo sugere que origem da terra preta amazônica seria proposital

Foto: Divulgação/EAF

A capacitação abordou ainda temas como comunicação popular e indígena, uso seguro e crítico da internet e das redes sociais, combate à desinformação e às fake news, além de oficinas sobre plataformas digitais livres, ferramentas de participação social e utilização de serviços de governo digital (e-Gov).

Trajetória do Projeto Terra Preta

Iniciado em junho de 2025, o Projeto Terra Preta já promoveu encontros no Amazonas, Pará e Roraima. Participaram cerca de 300 integrantes de coletivos, comunidades ribeirinhas, quilombolas e povos indígenas de, ao menos, 12 etnias: Tikuna, Kambeba, Kokama, Mayoruna, Macuxi, Wai Wai, Taurepang, Wapichana, Yanomami, Baniwa, Galibi e Anajás.

As atividades ocorreram em Fonte Boa, Santo Antônio do Içá e Tefé (AM); Outeiro, Breves e Belém (PA); e Boa Vista (RR).

Foto: Divulgação

Conceito 

O Projeto Terra Preta é realizado pela Entidade Administradora da Faixa (EAF), em parceria com a Universidade do Estado do Amazonas (UEA). A iniciativa se inspira no conceito da terra preta — solo fértil criado há séculos por povos indígenas a partir de práticas sustentáveis e de convivência harmoniosa com a natureza.

Assim como esse solo simboliza regeneração e abundância, o projeto fortalece saberes locais e estimula o florescimento de iniciativas digitais nos territórios amazônicos, promovendo autonomia e apropriação consciente das novas tecnologias.

Sobre a EAF 

A Entidade Administradora da Faixa (EAF) é uma instituição sem fins lucrativos criada por determinação da Anatel e vinculada ao Ministério das Comunicações. Entre suas atribuições estão a limpeza da faixa de 3,5 GHz, essencial para a operação do 5G no país; a execução dos programas Siga Antenado e Brasil Antenado; a implantação das infovias na Região Amazônica — para expandir a infraestrutura de telecomunicações no Norte do Brasil —; e a implementação de redes privativas de comunicação para o Governo Federal.

Lagarto de duas caudas amazônico é tema de história em quadrinhos

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Ilustração: Norberto Ferreira

Imagine um lagarto que, na tentativa de escapar de um predador, ao invés de perder a cauda, acaba desenvolvendo duas caudas. Pode parecer ficção, mas foi exatamente o que as biólogas Alayne Albuquerque e Kelly Torralvo, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, encontraram em Tefé, no Amazonas. O achado incomum inspirou a criação da história em quadrinhos “Conheça o Ameiva: o lagartinho de duas caudas”, uma publicação que une ciência e educação para explicar o fenômeno.

O protagonista da história é o Ameiva ameiva, conhecido popularmente como calango-verde, um lagarto ágil e de hábitos diurnos que ocorre em várias regiões tropicais das Américas. O que chamou a atenção das pesquisadoras foi a presença de uma cauda bifurcada no animal — uma anomalia morfológica rara, resultado de um processo regenerativo incomum.

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Lagartos e suas habilidades

Os lagartos possuem uma habilidade chamada autotomia: em situações de perigo, eles conseguem desprender voluntariamente a própria cauda para distrair predadores e fugir. A cauda perdida pode ser regenerada, embora a nova estrutura seja formada por cartilagem, e não pelas vértebras originais.

No caso registrado em Tefé, acredita-se que a cauda tenha sofrido uma fratura incompleta, ou seja, ela se rompeu parcialmente, mas não chegou a se soltar. Desse ferimento, surgiu um broto de regeneração que deu origem a uma segunda cauda.

Embora esse tipo de anomalia já tenha sido documentado em outras espécies de lagartos, ele permanece pouco conhecido do público em geral. A partir daí, decidiu-se transformar o achado científico em uma ferramenta de popularização da ciência. A história em quadrinhos apresenta a história de forma lúdica e em linguagem acessível, incluindo curiosidades e até um caça-palavras para envolver leitores de todas as idades.

lagarto vira história em quadrinhos
Trecho da história em quadrinhos. Ilustração: Norberto Ferreira

Segundo Kelly Torralvo, pesquisadora titular do Instituto Mamirauá e uma das autoras, “essa história em quadrinhos é importante para aproximar a sociedade dos trabalhos associados às coleções biológicas, muitas vezes vistos somente com animais em potes, e despertar o interesse em crianças e jovens para uma biodiversidade cotidiana, da qual encontramos em nossos quintais”.

“A história em quadrinhos também foi construída pelo olhar de uma bióloga que também é mãe, a Alayne, que encontrou entre os exemplares da coleção uma oportunidade de falar de estratégias biológicas, adquiridas evolutivamente pela espécie, com outro público além do acadêmico”, acrescenta Torralvo.

Mais do que uma curiosidade da natureza, o caso do lagarto de duas caudas ajuda cientistas a compreender melhor os limites e as variações da capacidade regenerativa desses animais. Os lagartos, aliás, desempenham papéis ecológicos fundamentais, como o controle de populações de insetos e como bioindicadores da qualidade ambiental.

A publicação já está disponível na versão digital e pode ser acessada AQUI.

Para quem quiser conhecer de perto o lagarto que inspirou a história, as autoras convidam o público a visitar a Coleção Herpetológica do Instituto Mamirauá. “Conheça o Ameiva” é um exemplo de como a ciência pode dialogar com a sociedade de maneira criativa, despertando o interesse pela biodiversidade amazônica.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá, escrito por Miguel Monteiro

Cientistas e indígenas registram biodiversidade e cultura da região do Alto Rio Içá

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Inventario Rápido Biológico e Social. Foto Fernanda Lessa/Field Museum

Cientistas de cinco países e especialistas indígenas apresentaram no dia 27 de fevereiro materiais que unem conhecimentos biológicos, indígenas e pesquisa social produzidos a partir de expedição científica realizada no extremo oeste do Amazonas.

O evento de lançamento do livro ‘Relatório do Inventário Rápido Biológico e Social do Alto Rio Içá #33’ foi no Auditório da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI).

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O inventário em campo no Alto Rio Içá foi realizado durante 25 dias, em maio de 2025. A região remota com paisagens pouco documentadas da Amazônia Ocidental agora conta com importantes materiais que trazem a caracterização da área estudada, informações sobre a geologia, flora e vegetação e catalogação de quatro grupos de animais (peixes, anfíbios e répteis, aves, mamíferos).

O relatório traz ainda um panorama social do Alto Rio Içá, a história socioambiental e registros sobre etnoconhecimento, gestão territorial, governança e conflitos socioambientais.

Cultura indígena serve de inspiração para relatório

Além do registro impresso, a alta diversidade biológica e a profundidade histórica e cultural do território foram registradas no vídeo “Ciência Intercultural para a Conservação no Alto Rio Içá”, exibido no evento. O Alto Rio Içá compreende uma área de 350,8 mil hectares de florestas públicas não destinadas ao longo do rio Içá e onde vivem várias comunidades indígenas, como os Kukama, Tikuna e Kambeba.

O Inventário Rápido foi um trabalho de ciência intercultural que contou com a colaboração de cientistas e a participação ativa dos povos indígenas. O objetivo foi revelar a importância da região para a conservação da biodiversidade amazônica e apoiar a proteção territorial formal da região, que sofre ameaças de garimpo, extração de madeira e tráfico de animais.

Os lançamentos foram realizados nas comunidades indígenas que participaram da pesquisa colaborativa (Mamuriá I, Mamuruá II, Nova Esperança, Nova Floresta Urutaí, São José e Três Corações de Jesus), além de Manaus. Os encontros envolveram ainda moradores, gestores e representantes de instituições locais.

Cientistas e indígenas registram biodiversidade e cultura da região do Alto Rio Içá
Devolutiva com as comunidades. Foto Fernanda Werneck (Inpa) e Jeremy Campbell (Field Museum)

Segundo o coordenador do Inventário e diretor do Programa Andes-Amazonas, no Field Museum, o antropólogo sociocultural Jeremy Campbell, o engajamento com as comunidades para a pesquisa teve início em 2021 e buscou ouvir as demandas dos comentários.

“Os Kukamas, Tikunas e demais povos, são guardiões, cuidam das florestas e dos rios, por isso é importante valorizar esse conhecimento milenar indígena e fortalecer ainda mais o protagonismo das comunidades no manejo dos recursos naturais, que eles conhecem muito bem”, ressaltou Campbell.

Para a coordenadora do Programa Povos e Territórios Indígenas da Wildlife Conservation Society – WCS-Brasil, Ana Luiza Melgaço, o Relatório é fruto de construção conjunta, escuta e presença no Alto Rio Içá e as informações geradas fortalecem os direitos dos povos, os diálogos, orientam decisões e reforçam a defesa do território.

“O Relatório é resultado da confiança construída com as comunidades e do compromisso com uma conservação que respeita e aprende com a ciência indígena. Participar deste grande mutirão entre ciências foi de uma imensa satisfação”, disse Melgaço.

*Com informações do INPA