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BR-319: Licitações serão retomadas após decisão da Justiça Federal e editais serão relançados, diz Dnit

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O Dnit informou à Rede Amazônica, nesta quinta-feira (30), que vai relançar os quatro editais de licitação para obras na BR-319, no Amazonas. Foto: Orlando K. Júnior

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) informou ao Grupo Rede Amazônica, nesta quinta-feira (30), que vai relançar os quatro editais de licitação para obras na BR-319, no Amazonas, após a Justiça Federal suspender a liminar que impedia o andamento do pregão eletrônico. A nova data para publicação ainda será definida.

A medida é um novo desdobramento da decisão da presidente do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), desembargadora Maria do Carmo Cardoso, que derrubou a liminar que havia paralisado os processos licitatórios da rodovia, na última terça-feira (28).

Entenda: Licitações para obras na BR-319 são suspensas por risco ambiental no Amazonas

Com a decisão, foi retomada a tramitação dos pregões eletrônicos que preveem serviços de manutenção e melhoramento no chamado “trecho do meio” da BR-319, entre os quilômetros 250,7 e 656,4. O investimento estimado é de R$ 678 milhões.

A liminar suspensa havia sido concedida pela 7ª Vara Federal Ambiental e Agrária do Amazonas, em ação civil pública movida pelo Observatório do Clima. A decisão previa a paralisação das licitações por 70 dias.

Ao suspender a medida, o TRF1 considerou que a interrupção poderia causar prejuízos à administração pública e à população, além de comprometer a execução das obras dentro da chamada “janela hidrológica” de 2026, período de estiagem mais adequado para os serviços.

Segundo o Dnit, com a retomada do processo, os editais serão republicados para dar continuidade às etapas de contratação das obras na rodovia, que é a única ligação terrestre entre o Amazonas e o restante do país.

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atoleiro na BR-319
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Autorização da pavimentação na BR-319

No dia 31 de março, em Brasília, foram assinados os documentos que autorizam a pavimentação de 339 km da BR-319, entre o Igarapé Atií e o Igarapé Realidade, no Amazonas. O investimento é de R$ 678 milhões, com prazo de execução de três anos.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é o ‘trecho do meio’ da BR-319?

Os editais abrangem quatro segmentos da BR-319: do km 250,7 ao km 346,2; do km 346,2 ao km 433,1; do km 433,1 ao km 469,6; e do km 469,6 ao km 590,1. As obras foram classificadas pelo órgão como serviços de manutenção e melhoramento da via.

Além disso, entre as intervenções previstas pelo Dnit está a construção de uma ponte sobre o rio Igapó-Açu, no km 260,7 da rodovia, com investimento de R$ 44,1 milhões e prazo de execução de 23 meses.

Reunião técnica debate proposta de inscrição da Feira do Ver-o-Peso como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil

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Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

O Solar da Beira, edifício histórico encravado no coração do Complexo do Ver-o-Peso, em Belém (PA), foi palco no dia 23 de abril de uma reunião que pode marcar um novo capítulo na história dos feirantes do Ver-o-Peso. O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e representantes dos 28 setores da Feira do Ver-o-Peso se encontraram para discutir a proposta de ‘Registro das práticas, saberes e tradições’ dos trabalhadores como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil. 

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A iniciativa parte dos próprios feirantes, organizados pelo Instituto Ver-o-Peso com o objetivo de obter o reconhecimento dos saberes, os ofícios e as memórias que fazem da feira um organismo vivo, pulsante e insubstituível na cultura paraense. 

Para a superintendente do Iphan no Pará, Cristina Vasconcelos, a reunião foi produtiva e sanou muitas dúvidas dos feirantes.

“Eles agradeceram muito o Iphan pela ida ao Ver-o-Peso, conseguimos reunir muitos feirantes, e muitas categorias estavam presentes. Foi um encontro muito produtivo”, disse.

Leia também: Mercado ver-o-peso: de mesa fiscal a maior feira do Pará

Reunião técnica debate proposta de inscrição da Feira do Ver-o-Peso como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil
Foto: Reprodução/Iphan

Além do tombamento: o que muda com o registro 

A distinção técnica foi explicada durante a reunião pelo técnico do Iphan, Cyro Lins. O conjunto arquitetônico e paisagístico do Ver-o-Peso já conta com proteção federal desde 1977. 

Enquanto o tombamento protege o bem físico (material) — as edificações, a paisagem, a estrutura —, o Registro incide sobre as práticas culturais, os saberes tradicionais e os modos de fazer transmitidos de geração em geração (imaterial).  

No caso do Ver-o-Peso, a proposta é pela inscrição no Livro de Registro dos Lugares, que reconhece espaços onde se concentram e se reproduzem práticas culturais coletivas de referência para uma comunidade. 

Esse feito não é inédito. Feiras como a de Caruaru, em Pernambuco, e a de Campina Grande, na Paraíba já percorreram essa trilha e hoje são patrimônios imateriais brasileiro. 

feira do mercado ver o peso em belem foto bruno cecim agencia para 1
Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A voz de quem faz a feira acontecer 

Na sala do Solar da Beira, erveiras, farinheiros, boieiras — como são chamadas as cozinheiras tradicionais — e representantes da feira do açaí e do artesanato dividiram o mesmo espaço para falar sobre o que fazem há décadas.

Os relatos trouxeram à tona tanto o peso cultural de suas atividades quanto as dificuldades crescentes para manter os ofícios vivos diante das pressões econômicas e das transformações urbanas. 

Leia também: 6 motivos para conhecer o Mercado Ver-o-Peso, em Belém

Próximos passos 

Ao fim da reunião, ficou definido que o grupo de feirantes presentes se reunirá para organizar as informações necessárias e dar início formal ao pedido de registro.

O Iphan acompanhará o processo, oferecendo suporte técnico para que os saberes de erveiras, farinheiros, boieiras e tantos outros que constroem, diariamente, a identidade do Ver-o-Peso possam ter o registro.  

*Com informações do Iphan

Entenda os impactos do inverno amazônico nos sistemas de água e esgoto na região Norte

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Foto de capa: Bruno Cecim/Agência Pará

Entre os meses de dezembro e junho, a região Norte enfrenta um período de chuvas intensas e prolongadas, tradicionais do chamado inverno amazônico. Nesta época, as chuvas além de contribuírem para diversas ocorrências como alagações e transbordamento de rios, também afetam a rede de abastecimento e esgoto das cidades que dispõem desses serviços.

Isso acontece porque o excesso de chuva acaba causando problemas como aumento no fluxo de água em rios e mananciais, quedas de energia elétrica e sobrecarga nos equipamentos dos sistemas.

Para a engenheira sanitária e ambiental, Gabriela Fragoso, as condições obsoletas das redes de água e esgoto ampliam ainda mais as dificuldades impostas pelo inverno amazônico.

“Se tratando de uma região metropolitana no meio do Amazônia, onde ocorre essa intensidade de chuvas, os sistemas são antigos e subdimensionados, e a população das cidades cresceu muito. Então, isso contribui para alagamentos e extravasamentos, que é quando essa água que vem das ruas não escoa de forma adequada e acaba indo para dentro do sistema. É como se ela não tivesse para onde ir, e aí acaba retornando para as galerias, podendo inclusive voltar para a casa dos clientes”, explicou a engenheira, referindo-se à cidades como Belém (PA).

Leia também: Saiba o que é o inverno amazônico e por que o Amazonas vive a estação ‘peculiar’

Inverno amazônico contribui para diversos problemas nas redes de água e esgoto das cidades
Acúmulo da água que vem das fortes chuvas no inverno amazônico impacta no fornecimento dos serviços à população. Foto: Reprodução/Prefeitura de Bragança-PA

Outro problema que contribui, segundo a engenheira, são as ligações irregulares de água, que acabam impactando na sobrecarga das redes durante o inverno amazônico.

“Ligações clandestinas e ligações irregulares também contribuem, durante o inverno amazônico, para o maior volume de água nas tubulações, tanto drenagem quanto esgoto, causando sobrecarga nos sistemas, que como eu citei antes, são sistemas antigos e subdimensionados. Isso sem falar de outras ações, como a gestão inadequada de lixo e resíduos”, pontuou Fragoso.

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Importância das manutenções preventivas

A especialista explica que a realização de manutenções preventivas durante o inverno amazônico são fundamentais para identificação e solução de problemas, além de garantir o fornecimento dos serviços à população.

“As manutenções preventivas facilitam que essa água das chuvas escoem, evitando assim os extravazamentos e protegem os equipamentos, além de identificar e corrigir problemas antes que eles se agravem diante das fortes chuvas decorrentes do inverno amazônico”, frisou.

Manutenções preventivas são fundamentais para identificar e solucionar problemas nas redes de água e esgoto das cidades. Foto: Reprodução/Águas do Pará

Saneamento é uma responsabilidade conjunta

A engenheira reforça que, apesar do inverno amazônico ser um evento natural, o escoamento da água das chuvas faz parte do saneamento básico das cidades, atribuição do poder público juntamente com a população.

“É importante mencionar a responsabilidade. A Águas do Pará é responsável apenas pelo abastecimento e esgotamento, o saneamento é uma responsabilidade compartilhada entre estado e prefeitura. O saneamento básico é uma ação integrada, não é só água, esgoto ou drenagem, é uma responsabilidade compartilhada entre o poder público, empresas privadas e a população, principalmente na gestão consciente e descarte correto de resíduos”, afirmou Gabriela.

“Um bom saneamento básico impacta na saúde da população e na proteção do meio ambiente. Tem uma pesquisa do Instituto Trata Brasil que apontou o quanto de crianças que se afastam das escolas por não ter água para tomar banho, fazer comida e até sair de casa. A população precisa se conscientizar que é preciso fazer a diferença neste período de inverno amazônico”, completou.

Águas que transformam

A entrevista com Gabriela Fragoso faz parte do quadro ‘Águas que transformam’, do programa Estação CBN Belém, da rádio CBN Amazônia, na edição de 29 de abril.

O especial visa ampliar o diálogo com a população e a melhoria do serviço do fornecimento de água no estado.

Imagem: Reprodução/Youtube-CBN Amazônia

Com apresentação da jornalista Ize Sena, o quadro vai ao ar toda quarta-feira no Estação CBN Belém, na 102.3 FM e no YouTube. Confira a entrevista completa (a partir de 1:17):

Confira mais episódios do especial ‘Águas que transformam’ AQUI.

Embrapa e indígenas se unem para combater a praga vassoura-de-bruxa no Amapá

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Praga vassoura-de-bruxa vem atingindo em massa as plantações de mandioca em áreas indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Amapá. Foto: Adilson Lima/Embrapa

Uma cooperação entre pesquisadores da Embrapa e comunidades indígenas busca conter o avanço da vassoura-de-bruxa da mandioca nas terras indígenas de Oiapoque, no extremo norte do Amapá. A estratégia une a análise laboratorial ao conhecimento tradicional dos agricultores locais, que foram os primeiros a identificar os sintomas da doença em território brasileiro.

Equipes da Embrapa realizam visitas periódicas a aldeias, onde estão instalados experimentos em roças de mandioca. Nesses locais, foram instalados campos experimentais para testar a resistência de diferentes tipos de mandioca ao fungo.

Pesquisador da Embrapa, Saulo Oliveira. Foto: Divulgação/Embrapa

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Ao todo, são avaliados 210 genótipos, incluindo variedades coletadas em diversas regiões do Brasil e cultivos locais. A análise foca em três pilares: incidência, ocorrência e severidade do fungo

“A intenção é verificar o comportamento frente à doença. Procuramos sintomas associados, como o chamado ‘roseta’, visando selecionar plantas resistentes para o melhoramento genético”, explica o pesquisador Saulo Oliveira.

Leia também: Medidas adotadas no Amapá buscam impedir avanço da praga vassoura-de-bruxa

Vassoura-de-bruxa

Vassoura-de-bruxa afeta plantações no Amapá desde 2023
Plantação afetada pela praga. Foto: Reprodução/Embrapa

A vassoura-de-bruxa da mandioca é causada por um fungo de ocorrência inédita no Brasil, classificada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária como praga quarentenária presente, devido sua restrição de ocorrência (Amapá e Pará) e sob controle oficial do Ministério.

A vassoura-de-bruxa da mandioca foi constatada inicialmente em plantios de mandioca das terras indígenas de Oiapoque (AP), localizado na fronteira do Brasil com a Guiana Francesa.

A presença do fungo causador representa alto risco na redução na produtividade das plantas de mandioca afetadas. Até o momento, o fungo Rhizoctonia theobromae não foi detectado em outros hospedeiros no Brasil.

*Por Thiago Nunes, da Rede Amazônica AP

Comunidades indígenas recebem apoio para estruturar pequenos negócios no Amazonas

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Foto: Reprodução/Agência Sebrae

Em Benjamin Constant (AM), no Alto Solimões, a presença do Sebrae segue avançando sobre o território com o objetivo de compreender, na prática, como se organizam os negócios indígenas e o que ainda falta para que esses empreendedores da floresta escalem e ampliem suas oportunidades de comercialização. A agenda levou até um encontro estratégico com representantes da Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis (AAPE MATIS), povo originário do município de Atalaia do Norte, no Vale do Javari, a dias de distância de Benjamin Constant.

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Formalizada, com Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e presença nas redes sociais, a associação reúne cerca de 120 artesãos, entre homens e mulheres, envolvidos diretamente na produção artesanal, indicativo de organização que avança e gera resultados, mas ainda em processo de estruturação.

Após a participação na 3ª Feira de Arte Indígena de Benjamin Constant, em 2025, viabilizada por meio do Edital da Política Nacional Aldir Blanc no Amazonas, conquistaram a Carteira Nacional do Artesão e adquiriram o primeiro barco coberto com motor da associação, ampliando a capacidade de deslocamento e circulação da produção, mesmo diante das grandes distâncias do Vale do Javari.

A Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis, povo originário do município de Atalaia do Norte, no extremo oeste do Amazonas, reúne cerca de 120 artesãos

Leia também: Da floresta ao mercado: negócios artesanais transformam rotina e sustento de indígenas no Amazonas

Comunidades indígenas recebem apoio para estruturar pequenos negócios. Foto: Reprodução/ Agência Sebrae

Ainda assim, o nível de valorização está longe do potencial que esse trabalho representa. A produção surge da floresta e se desdobra em múltiplas expressões culturais: cerâmicas, cuias, máscaras, zarabatanas, arcos e flechas. Cada peça carrega não apenas técnica, mas um conhecimento ancestral transmitido entre gerações, que envolve desde o manejo da matéria-prima até elementos simbólicos como a pintura com urucum e jenipapo, as canções e a preservação da língua nativa.

Para o presidente da associação, Tumi Wassa Matis, a participaçãoem feiras e exposições representa um ponto de virada para o povo. A experiência mais recente, em 2025, marcou esse avanço.

“Foi uma oportunidade que a gente não imaginava. A primeira experiência foi muito importante e rentável. Isso incentiva a comunidade a produzir mais, dar visibilidade ao nosso trabalho e abrir novos caminhos. Por isso, este ano voltamos mais preparados. Antes, esse material não era divulgado. Hoje, começamos a ganhar reconhecimento”, afirma.

Segundo ele, os resultados já começam a aparecer de forma concreta, tanto na visibilidade quanto na estrutura da associação, fortalecendo a produção e ampliando as possibilidades para os artesãos. Tumi também destaca o papel da juventude na continuidade desse processo. “Eu incentivo os mais velhos e também os mais novos a produzirem. Esse conhecimento vem dos anciãos e a gente precisa manter”, enfatiza.

“O artesanato ajuda a preservar nossa cultura, nossa língua e o que mantemos dentro da comunidade”, declarou Tumi Wassa Matis, presidente da Associação de Artesãos Aldeia Paraíso Etnia Matis. 

A realidade apresentada pelos Matis reforça um ponto central da atuação do Sebrae na região: há produção, há organização e há avanços em curso. O desafio agora está em consolidar essa estrutura, ampliar o alcance da produção e fortalecer esses negócios sem que percam sua essência cultural.

É nesse ponto que entra a atuação da Prefeitura Municipal de Benjamin Constant e da Universidade Federal do Amazonas (UFAM), por meio da Inpactas – Incubadora de Negócios de Impacto Socioambiental do Alto Solimões, responsável por articular conhecimento técnico, inovação e conexão com parceiros estratégicos.

Vinculada à universidade, a Inpactas acompanha iniciativas como a Puwakana, startup de curadoria de arte indígena que sediou a agenda na Fazenda São José, além de outros grupos do Vale do Javari, que reúnem dezenas de povos originários organizados em torno da produção artesanal.

Segundo o diretor executivo da incubadora, Pedro Mariosa, o papel da universidade é acelerar soluções que já existem no território.

“A incubadora funciona como um ambiente de apoio para ideias e negócios que ainda não conseguem caminhar sozinhos. A gente entra com suporte técnico, parceiros e ferramentas para que esses empreendimentos ganhem escala”, declarou Pedro Mariosa, diretor executivo da Inpactas.

Leia também: Cartilhas sobre negócios comunitários indígenas apoiam gestão de suas iniciativas econômicas

Comunidades indígenas recebem apoio para estruturar pequenos negócios
Comunidades indígenas recebem apoio para estruturar pequenos negócios. Foto: Reprodução/Agência Sebrae

“Quando falamos de artesanato indígena, não estamos falando de algo simples. É alta artesania, com técnica, conhecimento e qualidade comparável a qualquer produção do mundo”, explica.

Ele reforça que o conceito de inovação na região passa por outro olhar. “Aqui, inovação não é só tecnologia digital. São soluções de impacto socioambiental que já existem e que podem transformar a vida de milhares de pessoas. Esses grupos não estão à margem. Eles estão no centro de um modelo que o mundo começa a valorizar.”

No caso dos Matis, o impacto é direto: são cerca de 100 famílias envolvidas, em comunidades que podem chegar a seis dias de deslocamento até centros urbanos. Um cenário que evidencia não apenas o potencial, mas também os desafios logísticos, de acesso ao mercado e de valorização.

Foto: Reprodução/Agência Sebrae

Com uma população estimada em pouco mais de 600 pessoas, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o povo Matis representa um exemplo de como pequenos grupos, altamente conectados à floresta, podem estruturar negócios sustentáveis a partir da própria cultura.

Mais do que uma visita, o encontro consolida um movimento maior: o de integrar diferentes atores (comunidades, universidade, poder público e instituições de apoio) em torno de um mesmo objetivo, que é transformar produção em oportunidade concreta de geração de renda e fortalecer o empreendedorismo indígena como vetor de desenvolvimento econômico, social e ambiental na Amazônia.

*Com informações da Agência Sebrae.

Sobrevivente do Massacre de Eldorado do Carajás tem bala no olho há 30 anos

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Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Os dias se arrastam para José Carlos Agarito Moreira, de 48 anos. Sentado no terreiro da pequena casa onde vive, ele passa a maior parte do tempo com os pés para cima. “Fico esperando anoitecer para ir deitar”, diz, enquanto tenta esquecer a dor que atravessa a cabeça e, de vez em quando, escorre em pus pela nuca e pelo ouvido, impedindo que ele trabalhe.

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“Acho que é o zinabre da bala que ficou lá dentro”, afirma, apontando para a prótese que carrega no lugar do olho direito, depois de ser atingido por um tiro disparado por um policial militar. Ao lado de um papagaio, ele observa o pequeno movimento da rua em um bairro de Canaã dos Carajás, no sudeste do Pará, e quase não se levanta. A rotina só muda três vezes por semana, quando sai para fazer hemodiálise.

Há três décadas, Zé Carlos foi baleado na Curva do S, em Eldorado do Carajás, o maior massacre da história recente do campo brasileiro. Em 17 de abril de 1996, policiais militares abriram fogo contra um grupo do MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) que bloqueavam a rodovia PA-150, durante um protesto em defesa da reforma agrária.

Na hora, 19 pessoas foram assassinadas e dezenas ficaram feridas. Outros dois trabalhadores morreram dias depois, vítimas dos disparos. Na Justiça, apenas os dois comandantes da operação foram condenados por homicídio.

Saiba mais: Massacre de Eldorado do Carajás: relembre caso da manifestação que terminou em assassinato no Pará

Na semana que marca os 30 anos do massacre, o MST organiza uma marcha de cinco dias entre Curionópolis e Eldorado do Carajás, com atos políticos, debates e atividades culturais ao longo do percurso. A mobilização termina na Curva do S, onde será realizado um ato em memória das vítimas e em defesa da reforma agrária.

Na época do massacre, Zé Carlos tinha 18 anos e havia chegado poucos dias antes ao acampamento onde estavam seus pais, na fazenda Macaxeira. A família migrou do Maranhão para o sudeste do Pará quando ele ainda era criança, atraída pela corrida em direção à Serra Pelada. O ouro não veio, e eles passaram a trabalhar em fazendas da região, sem acesso à própria terra.

Zé Carlos foi visitar os pais no acampamento e acabou ficando. Cerca de dez dias depois, já estava entre os trabalhadores que marchavam pela rodovia em direção a Marabá, pressionando o governo do então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) pela desapropriação da Macaxeira. No fim da tarde daquele 17 de abril, a Polícia Militar cercou a estrada pelos dois lados e avançou para desobstruir o bloqueio.

No início, ele pensou se tratar de bombas de efeito moral. A impressão mudou quando viu um companheiro cair. “Mataram primeiro o Amâncio, o Surdinho”, diz Zé Carlos. Conhecido pelo apelido por ter deficiência auditiva, Amâncio dos Santos Silva avançou na direção dos policiais sem compreender o que ocorria e foi baleado.

A partir dali, os trabalhadores perceberam que não se tratava de dispersão, mas de tiros com munição letal. Zé Carlos tentou sair da linha de fogo, mas não conseguiu. “O policial apontou na minha cara. Na testa. Pra matar”, lembra. A bala entrou pelo olho direito e ele caiu: “Na hora não dói. Ela pesa demais e você cai”.

Ele conta que, apesar de ferido, ainda conseguiu se levantar com ajuda de outros trabalhadores e começou a caminhar, sem compreender a gravidade do ferimento: “Esse olho aqui não é mais meu”. A bala ficou alojada e nunca foi retirada.

Zé Carlos afirma que já teve acompanhamento médico regular, determinado pela Justiça, mas que o tratamento foi interrompido. Hoje tenta retomar o atendimento com o apoio de um advogado e da associação de sobreviventes. “A gente tá correndo atrás pra ver se consegue de novo”, diz.

Leia também: Conheça as histórias de pessoas que se perderam dentro da floresta amazônica

Massacre de Eldorado do Carajás: sobrevivente tem bala no olho há 30 anos
Depois de receber um terreno pelo programa de reforma agrária, Zé Carlos precisou vender a área e mudar para cidade para realizar tratamentos de saúde. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Segundo Maurílio da Silva Soares, que preside a associação das vítimas, o caso de Zé Carlos não é isolado. Ele afirma que dezenas de sobreviventes seguem com sequelas graves e sem acesso regular ao atendimento previsto em decisões judiciais e acordos firmados com o Estado do Pará desde o fim dos anos 1990.

“O massacre não acabou. Ele continua na vida dessas pessoas”, diz Soares. Segundo a associação, entre os 69 trabalhadores feridos, ao menos 25 ainda aguardam indenização e relatam dificuldades para manter tratamento médico.

Procurada, a Sespa (Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará) afirmou que aguarda a formalização das demandas por parte dos representantes dos sobreviventes para dar continuidade aos trâmites administrativos dentro do SUS (Sistema Único de Saúde). Segundo a pasta, apesar de solicitações anteriores, os documentos necessários ainda não foram encaminhados.

A secretaria não informou quantos sobreviventes são atendidos hoje nem explicou como funciona o acompanhamento médico.

“Todos os sobreviventes estão sem assistência médica. O Zé Carlos é o caso mais grave. Mas todos estão na fila do SUS como qualquer outra pessoa”, afirma Soares, presidente da associação. “No nosso caso foi o governo que provocou as sequelas. Então, o governo tem que dar uma atenção especial. Nossos sobreviventes estão morrendo por falta de assistência médica”, complementa. 

Já a PGE (Procuradoria-Geral do Estado) declarou que o Pará cumpre as obrigações assumidas junto à União no âmbito do Sistema Interamericano de Direitos Humanos. Sobre as decisões judiciais, afirmou que “todas foram cumpridas e liquidadas”.

Pará é líder em violência no campo

Soares também foi ferido no dia do massacre. Conhecido no movimento como Márcio Lima, passou a usar o codinome nos primeiros anos de organização do MST no sudeste do Pará, no início da década de 1990, em um contexto de violência brutal no campo.

Levantamento baseado em dados da CPT (Comissão Pastoral da Terra) indica que o Pará registrou 1.003 assassinatos no campo entre 1980 e 2024, mais do que qualquer outro estado — quase  75% dos casos estão concentrados no sul e sudeste paraenses. Os dados constam do livro Assassinatos e Impunidade no Campo no Pará: 1980 a 2024 (Editora Dialética), de José Batista Gonçalves Afonso e Airton dos Reis Pereira.

Esse padrão de violência se intensificou após a repressão da ditadura militar à Guerrilha do Araguaia, organizada pelo PCdoB (Partido Comunista do Brasil) na década de 1970, e marcou a relação entre trabalhadores rurais, grandes proprietários e forças de segurança na região.

No dia do massacre, Soares foi atingido por estilhaços e por uma coronhada de fuzil que lesionou seu braço esquerdo. Afastado da direção do MST desde 2002, afirma que assumiu a presidência da associação dos mutilados com o objetivo de fortalecer a cobrança por direitos.

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Maurílio Soares foi uma das principais lideranças do MST no Pará e atualmente preside a associação das vítimas do Massacre de Eldorado do Carajás. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Soares vive em uma chácara na periferia de Parauapebas, onde planta hortaliças em pequena escala e realiza trabalhos eventuais como servente de pedreiro. Já não possui o lote que recebeu após o massacre.

“Os sobreviventes nunca deixaram de cobrar”, afirma Poliana Soares, da coordenação nacional do setor de direitos humanos do MST. Segundo ela, ao longo dos anos essa pressão foi mantida pelos próprios atingidos e voltou a ganhar apoio direto do movimento diante da persistência das violações. A atuação hoje inclui articulação política, audiências públicas e a tentativa de pressionar o Estado a cumprir as obrigações assumidas com os feridos — principalmente, indenizações e tratamento médico.

O caso foi apresentado à CIDH (Comissão Interamericana de Direitos Humanos) em 1996 pelo MST e pelo Centro pela Justiça e o Direito Internacional, apontando a responsabilidade do Estado brasileiro pelas mortes, pelos ferimentos e pelas falhas na investigação e punição dos responsáveis. Em 2003, a CIDH declarou a petição admissível. A tramitação segue há décadas, ainda sem decisão final. 

Dos 144 policiais denunciados, 142 foram absolvidos, e apenas os comandantes da operação, o coronel Mário Colares Pantoja e o major José Maria Oliveira, foram condenados por homicídio.

A terra que não pôde sustentar

Zé Carlos foi assentado no Projeto de Assentamento 17 de Abril, criado na antiga fazenda Macaxeira, menos de um ano após o massacre. Ficou lá por cerca de 20 anos, plantando e criando os filhos. Porém, as dores provocadas pela bala foram se intensificando. “Tinha dia que eu não aguentava. Tinha dia que eu desmaiava”, diz. Sem conseguir manter o trabalho, vendeu o lote e se mudou para Eldorado do Carajás em busca de tratamento médico.

Passou a fazer hemodiálise em Marabá, em viagens que consumiam o dia inteiro. Saía de madrugada e voltava à noite, passando pela mesma estrada onde havia sido baleado. Mais tarde, vendeu também a casa em Eldorado e se mudou para Canaã dos Carajás, em busca de tratamento com deslocamento menor.

Hoje vive com a esposa em uma casa de madeira, com um quarto, sala e cozinha. A renda da indenização é consumida por empréstimos consignados para as despesas médicas. Restam cerca de R$ 500 por mês. Depende da ajuda dos dois filhos para poder comer.

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Zé Carlos parou de trabalhar em razão das fortes dores de cabeça causadas pela bala alojada atrás do olho. Foto: Fernando Martinho/Repórter Brasil

Mesmo assim, Zé Carlos diz que a luta pela terra valeu. Lembra do que conseguiu produzir no assentamento e do que aquilo representou para a família. “A reforma agrária, pra mim, é luta, é conquista, pra gente conquistar uma terra, trabalhar e comer”, afirma. “Se não fosse a reforma agrária, tu acha que a gente tinha terra? Não tinha”.

Entende, porém, que a violência e as sequelas mudaram tudo. “Hoje eu estou desse jeito, com a bala na cabeça, não posso trabalhar”, afirma. Também não guarda mágoa de quem atirou: “Se eu encontrasse o policial, eu chamava ele pra comer uma galinha caipira mais eu. Porque pelo menos ele me deixou vivo”, complementa.

Sem conseguir trabalhar e sem a terra que conquistou, Zé Carlos passa os dias sentado do lado de fora de casa, à espera do cair da noite, para deitar.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Repórter Brasil, escrito por Daniel Camargos, com edição de Carlos Juliano Barros

Prefeitura intensifica obras de recapeamento em Boa Vista

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Recapeamento avança em trechos dos bairros dos Estados, Buritis, Caçari, Paraviana e Centro. Foto: Francisco Sena/PMBV

As fortes chuvas em Boa Vista já começaram, mas os serviços de recomposição asfáltica seguem de forma intensa e contínua ao longo do mês de abril na capital. Desde o ano passado, diversos bairros vêm sendo contemplados com obras de recapeamento. Desta vez, os trabalhos avançam em trechos dos bairros dos Estados, Buritis, Caçari, Paraviana e Centro.

O secretário municipal adjunto de Obras, Lindonir Barreto, explicou que o serviço atendeu, desde o ano passado, trechos dos bairros Asa Branca, Caçari, Jardim Tropical, Jóquei Clube, Paraviana, Pricumã, Raiar do Sol, Santa Tereza, São Francisco e Tancredo Neves. Já em 2026, as equipes também passaram pelos bairros São Vicente, 13 de Setembro e Mecejana.

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Prefeitura intensifica obras de recapeamento em Boa Vista
O serviço é uma das principais frentes de atuação da prefeitura na área de mobilidade urbana. Foto: Rebeca Lima/PMBV

“Esse serviço é uma das principais frentes de atuação da prefeitura na área de mobilidade urbana. Priorizamos trabalhar antes da chegada do inverno em vias com maior fluxo de veículos e pedestres, com o objetivo de melhorar a segurança e a trafegabilidade”, destacou o secretário.

O prefeito de Boa Vista, Marcelo Zeitoune, também acompanha de perto os serviços em diversos bairros da capital. “A cidade está avançando, e é no dia a dia das pessoas que a transformação acontece. Ainda há muito mais por vir. É assim que trabalhamos: com planejamento, presença e resultados na vida das pessoas”, ressaltou o prefeito.

Leia também: Boa Vista amplia mobilidade urbana com 22 novos acessos em 11 bairros da capital

“Esse serviço ‘caiu como uma luva’. Vai ficar melhor para todo mundo”, afirmou Jackson. Foto: Giovani Oliviera/PMBV

População elogia melhorias na trafegabilidade

O entregador de gás Jackson Bruno Garcia, de 29 anos, trabalha em um estabelecimento localizado na rua Rio Grande do Norte, no bairro dos Estados, onde a via recebeu o serviço de recapeamento. Ao se deparar com o trabalho, ele demonstrou satisfação com as melhorias.

“Esse serviço ‘caiu como uma luva’. Vai ficar melhor para todo mundo. Isso mostra que a prefeitura está sempre trabalhando. Inclusive, não é só aqui. Em vários outros bairros onde vou fazer minhas entregas, vejo a atuação da prefeitura”, afirmou Jackson.

Suely Thomé e Eva Magalhães, também elogiaram o serviço de recapeamento no bairro dos Estados. Foto: Giovani Oliviera/PMBV

Quem também elogiou o serviço foram as aposentadas Suely Thomé, de 71 anos, e Eva Magalhães, de 78. Elas são amigas e fazem parte de um grupo de idosos da Unidade Básica de Saúde Dr. Silvio Botelho, localizada no bairro dos Estados.

“Agora está bem melhor com o asfalto novo. A rua ficou muito bonita, dá para caminhar com mais segurança”, disse dona Eva.

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá

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Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Pesquisadores do Instituto de Pesquisas Científicas e Tecnológicas do Amapá (Iepa), em parceria com a Espeleonordeste (Sociedade Nordestina de Espeleologia), realizam um estudo inédito sobre cavernas e grutas na região da Serra do Laranjal, no sul do Amapá.

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O projeto, chamado ‘Amapá Espeleológico: Prospecção e Topografia de Cavidades Naturais nas Microrregiões do Oiapoque e Mazagão – AP’, busca catalogar cavidades naturais e atualizar mapas e registros de GPS.

Nesta primeira etapa, os trabalhos se concentram em cavernas localizadas no território quilombola do Igarapé do Lago do Maracá, em Mazagão. A iniciativa conta com apoio da comunidade local, que atua como guia dos pesquisadores.

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Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá
Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Entre as descobertas estão urnas funerárias indígenas datadas de cerca de 800 anos, já catalogadas em aproximadamente 20 sítios arqueológicos. A maioria corresponde às chamadas urnas maracá, consideradas patrimônio histórico e cultural. Essas cavernas já são conhecidas há 150 anos.

Objetivos e parcerias

O projeto tem como foco o mapeamento topográfico e a caracterização técnica das cavernas nos municípios de Mazagão, Calçoene e Oiapoque. As pesquisas se concentram em grutas conhecidas desde o século 19, mas que ainda carecem de documentação sistemática, muitas vezes associadas a contextos funerários e ritualísticos.

A iniciativa é liderada pela Espeleonordeste, com a expertise do arqueólogo e espeleólogo Daivisson Santos, em parceria com o NuPArq/IEPA e o IPHAN/Amapá, além do apoio da comunidade quilombola.

“A ideia também é que esse material, todo o mapeamento e todo o registro que for criado a partir desse projeto, sirvam para proteção desse território, a partir dessa relação que a gente tem estabelecido ao longo de 15 anos com a comunidade”, diz Lúcio Costa, gerente do Núcleo de Arqueologia do Iepa.

Leia também: Pará é o segundo estado brasileiro com o maior número de cavernas conhecidas: 3.224

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

Segundo os pesquisadores, o objetivo é garantir que essas cavidades sejam reconhecidas como patrimônio espeleológico nacional, protegidas tanto pela legislação ambiental quanto pela arqueológica.

“Esse projeto é de suma importância para nós, que vem fortalecer cada vez mais o nosso território. Por isso o Iepa está aqui sempre, no nosso território, fazendo o seu trabalho de pesquisa”, destacou José Hamilton, presidente da Associação da Comunidades Remanescentes do Igarapé do Lago Maracá.

Próximas etapas

A próxima fase do estudo está prevista para setembro, nos municípios de Calçoene e Oiapoque, com conclusão em 2027. Os resultados serão encaminhados ao ICMBio e ao Instituto Federal do Amapá (Ifam) para reconhecimento oficial.

Projeto mapeia cavernas e sítios arqueológicos com urnas de 800 anos no Sul do Amapá. Foto: Divulgação/Iepa

As cavernas são consideradas bens da União e áreas de proteção permanente. Por isso, além de revelar segredos do passado, o estudo busca garantir que esses santuários subterrâneos sejam preservados para as próximas gerações.

*Por Francisco Pinheiro e Tatiana Guedes, da Rede Amazônica AP

Nova análise revela extensão do desmatamento não autorizado no Brasil

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Foto: Victor Moriyama

As regras do mercado global estão intensificando o foco em cadeias de suprimentos livres de desmatamento e com conformidade legal. Apesar dos atrasos na sua implementação, a EUDR (regulação da União Europeia para produtos livres de desmatamento) levou muitas empresas a investirem em sistemas de devida diligência para cumprir com a proibição de comercializar no mercado europeu commodities cultivadas em terras desmatadas ou produzidas em desacordo com a legislação vigente no país de origem.

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Enquanto isso, a China, a maior compradora de soja e carne bovina brasileira, começou a realizar pilotos de importação de cargas livres de desmatamento e conversão de vegetação nativa, o que aponta para uma procura crescente por cadeias de abastecimento com garantia de legalidade.

No Brasil, os biomas Amazônia e Cerrado são os mais ameaçados pela expansão agropecuária. Embora o Código Florestal brasileiro forneça o quadro legal para o uso da terra, verificar a conformidade em escala continua a ser um desafio. Uma das principais informações necessárias para verificar a conformidade legal é a Autorização de Supressão de Vegetação (ASV), emitida por órgãos ambientais para permitir a conversão de vegetação nativa dentro dos limites permitidos.

No entanto, apesar dos esforços recentes visando aumentar a transparência e integração de dados, as informações destas autorizações são frequentemente descentralizadas e de difícil acesso, criando uma lacuna de dados significativa. Sem dados transparentes e consolidados sobre ASVs, é difícil para atores da cadeia e reguladores saberem se uma área específica de desmatamento foi autorizada ou não.

Para abordar esta lacuna de dados, o Instituto Centro de Vida (ICV) sistematizou e publicou uma base de dados de autorizações para supressão de vegetação nativa para todo Brasil. Esta iniciativa consolida dados de ASVs publicamente disponíveis, tornando a informação mais acessível para avaliar a conformidade legal em regiões impactadas pelo desmatamento no país.

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Nova análise mostra evidências de não conformidade

A Trase está desenvolvendo um novo projeto em parceria com o ICV e o Centro de Inteligência Territorial da Universidade Federal de Minas Gerais (CIT-UFMG) usando esta nova base de dados para trazer maior clareza sobre como os mercados consumidores internacionais estão expostos ao desmatamento não autorizado por meio das importações de carne bovina e de soja do Brasil.

Na primeira fase deste projeto, comparamos dados oficiais de desmatamento do PRODES para o período 2009–2024 com ASVs válidas, a fim de estimar quanto desmatamento e conversão de vegetação natural recentes ocorreram com e sem autorização na Amazônia, no Cerrado e no Pantanal.

Os resultados mostram uma falta significativa de autorizações, tanto na Amazônia quanto no Cerrado. O desmatamento totalizou 26,4 milhões de hectares (Mha) entre agosto de 2008 e julho de 2024 e, deste total, 22,8 Mha (86%) não possuíam autorização para a supressão da vegetação nativa, enquanto apenas 3,6 Mha (14%) se sobrepunham a áreas com ASV. Isto sugere que a maior parte do desmatamento nesses biomas ocorreu sem autorização registrada e divulgada publicamente.

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

Na Amazônia, a evidência de desmatamento não autorizado é significativa. O desmatamento totalizou 11,7 Mha entre 2009 e 2024, dos quais 11,2 Mha (96%) sem ASV sobrepostas. Além disso, o desmatamento não autorizado é altamente concentrado geograficamente. Apenas cinco municípios foram responsáveis por 20% de todo o desmatamento sem ASV. Três municípios — Altamira, São Félix do Xingu e Porto Velho — foram responsáveis por 13% do total de desmatamento não autorizado.

No Cerrado, o desmatamento total atingiu 14,7 Mha no período analisado. Embora a proporção de desmatamento não autorizado seja menor do que na Amazônia, a área absoluta é elevada. Foram detectados 11,7 Mha (78%) de desmatamento sem ASV, enquanto apenas 3,2 Mha (22%) de áreas desmatadas estavam sobrepostas a uma autorização. O desmatamento sem ASV é menos concentrado no Cerrado em comparação com a Amazônia. A nossa análise mostra que 29 municípios foram responsáveis por 20% da área total desmatada sem ASV.

Fiscalização menos extensiva no Cerrado

A base de dados do ICV também sistematizou informações sobre áreas embargadas, que são sanções emitidas por agências ambientais federais e estaduais que servem como um indicador adicional de infrações ambientais. Para oferecer uma camada adicional de evidência de não conformidade, comparamos os dados oficiais de desmatamento do PRODES do mesmo período com os embargos ambientais.

Leia também: Em 2025, desmatamento tem redução de 11,08% na Amazônia

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil
Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

A análise mostra que 46% de todo o desmatamento na Amazônia ocorreu em áreas sob embargos, o que significa que quase metade do desmatamento não autorizado foi fiscalizado.

Em contraste, apenas 8% do desmatamento no Cerrado se sobrepõe a embargos. Esta discrepância sugere que, embora a não conformidade seja generalizada em ambos os biomas, a fiscalização é mais ativa na Amazônia do que no Cerrado.

Nova análise revela a extensão do desmatamento não autorizado no Brasil. Foto: ICV, Trase

Gestão do risco nas cadeias de soja e carne bovina

Na próxima fase deste projeto, liderada pelo CIT-UFMG, adicionaremos à análise dados de produção de soja e de carne bovina nos biomas Cerrado, Amazônia e Pantanal, avaliando a conformidade com o Código Florestal e identificando a extensão do desmatamento não autorizado e de autuações, usando dados sobre ASVs e áreas embargadas.

Estes dados permitirão às empresas ao longo da cadeia de fornecimento que utilizam soja e carne bovina nos seus produtos priorizarem a devida diligência e a gestão de risco, identificando regiões com taxas mais elevadas de desmatamento não autorizado.

Para governos, produtores e consumidores, esses dados permitirão orientar o direcionamento de recursos de fiscalização e monitoramento onde são mais necessários. Dados transparentes sobre legalidade são essenciais para fortalecer a responsabilização e apoiar a transição para cadeias de suprimentos legais e livres de desmatamento.

Disclaimer: Apesar do robusto quadro legal brasileiro que rege a transparência das informações, existem limitações quanto à integridade, ao formato e à acessibilidade dos dados sobre ASVs e áreas embargadas. Consequentemente, deve-se ter cautela no uso e na interpretação dos resultados desta análise. Informações detalhadas sobre a metodologia desta análise.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Centro de Vida

Exploração de petróleo na Foz do Amazonas pode sair R$ 47 bilhões mais caro que investimentos em energia renovável, aponta estudo da WWF-Brasil

Localizada na Margem Equatorial brasileira, bacia da Foz do Amazonas está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética do país. Foto: Enrico Marone/Greenpeace

A exploração de petróleo na Margem Equatorial, faixa do litoral que se estende do Amapá ao Rio Grande do Norte e abriga o Grande Sistema Recifal Amazônico, está no centro de um dos debates mais relevantes da política energética brasileira. O argumento mais recorrente é o de que explorar esse petróleo geraria riqueza hoje para financiar a transição energética amanhã.

O problema é que essa premissa nunca foi testada com dados. O estudo do WWF-Brasil faz justamente isso: coloca os números na mesa e pergunta se essa lógica se sustenta quando o cálculo considera não apenas o lucro das empresas, mas os custos e benefícios reais para toda a sociedade brasileira, incluindo saúde, clima e oportunidades perdidas.

Leia também: R$ 2,5 milhões: Petrobras é multada pelo Ibama por vazamento de fluido na Foz do Amazonas

O que diz o estudo?

O estudo aplica a Análise Socioeconômica de Custo-Benefício (ACB), do guia metodológico oficial do governo federal recomendado pelo Tribunal de Contas da União para avaliação de grandes investimentos públicos. A diferença em relação a uma análise financeira convencional é fundamental: em complemento à análise de rentabilidade privada, a ACB mede o que a sociedade ganha ou perde com cada escolha, colocando na conta os impactos que o mercado não precifica, como os danos climáticos de secas e enchentes, os prejuízos à saúde pública e as consequências de longo prazo para o país.

Para garantir que os resultados se mantenham mesmo em diferentes cenários de preço e risco, foram realizadas 10.000 simulações, comparando real por real, energia por energia e litro por litro. 

Análise socioeconômica de custo-benefício compara a rota fóssil na Margem Equatorial com energia renovável e biocombustíveis. Foto: Divulgação/WWF
Análise socioeconômica de custo-benefício compara a rota fóssil na Margem Equatorial com energia renovável e biocombustíveis. Foto: Divulgação/WWF-Brasil

O foco do estudo é responder a uma pergunta concreta: faz sentido, para a sociedade brasileira, alocar recursos escassos na Foz do Amazonas quando existem alternativas renováveis disponíveis?

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Segundo o Especialista em Conservação do WWF-Brasil e doutor em Planejamento Energético, Ricardo Fujii, que é um dos coordenadores do estudo, a análise mostra que, em qualquer cenário comparado, a rota fóssil apresenta pior desempenho econômico e social para o país.

”Os motivos são estruturais: a rota fóssil prioriza extração e uso de recursos não renováveis, com altos impactos ambientais, mas a grande evidência do estudo é o custo financeiro dessa escolha. Afinal, quando inserimos na conta as consequências climáticas e sociais, os prejuízos podem ser bilionários. Já as rotas renováveis distribuem benefícios em cadeias descentralizadas, com emissões no ciclo de vida até 80% menores e maior potencial de desenvolvimento regional. Além disso, o país já é autossuficiente em petróleo, e as reservas do Pré-Sal atendem à demanda interna durante o processo de transição energética”.

Números

O estudo apresentou números sobre a comparação entre os investimentos em petróleo na bacia da Foz do Amazonas e energia renovável:

Mesmo volume de investimento (Real por Real):

  • Investimento no petróleo: perdas médias de R$ 22,2 bilhões para a sociedade;
  • Investimento em energia renovável: benefício líquido de R$ 24,8 bilhões;
  • Diferença entre as escolhas: R$ 47 bilhões em custo de oportunidade perdido.

 Mesma quantidade de energia entregue (BTU por BTU):

  • O petróleo custa entre R$ 14,2 bilhões e R$ 33,7 bilhões a mais que as renováveis;
  • A produção desse petróleo lançaria 446 milhões de toneladas de gases poluentes;
  • Esses impactos representam entre R$ 21,1 bilhões e R$ 42,2 bilhões em danos climáticos que recaem sobre a sociedade.

Mesmo volume de combustíveis (Litro por Litro):

  • Substituir petróleo por biocombustíveis (etanol, biodiesel, combustível sustentável de aviação e biometano);
  • Evita perdas de até R$ 29,2 bilhões;
  • Com vantagem adicional de geração de renda e empregos distribuídos pelo território nacional, usando cadeias produtivas e tecnologias já disponíveis.

O risco que ninguém está colocando na conta

Há ainda um risco que costuma ficar fora do debate público: o petróleo da Foz do Amazonas só chegaria ao mercado daqui a décadas, exatamente quando a demanda mundial já estaria em queda estrutural, segundo projeções da Agência Internacional de Energia.

Isso significa que o Brasil correria o risco de construir uma infraestrutura bilionária que se tornaria obsoleta antes de gerar retorno, forçando o Estado a arcar com o prejuízo. Escolher a Foz do Amazonas não é apenas uma decisão ambiental: é uma aposta de alto risco fiscal num ativo que pode nunca se pagar.

Energia renovável na Amazônia. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Por que o WWF-Brasil realizou este estudo?

O WWF-Brasil atua no país há quase três décadas na interface entre conservação, políticas públicas e desenvolvimento. A organização defende que grandes decisões de infraestrutura energética sejam tomadas com base no interesse público e não apenas na viabilidade financeira para o investidor privado.

Este estudo integra as contribuições do WWF-Brasil ao governo federal para a construção do Mapa do Caminho para uma Transição Energética Justa e Planejada, e tem como objetivo oferecer evidências concretas para orientar escolhas públicas com base no retorno real para a sociedade.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Foz do Amazonas

Bacia Sedimentar Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial brasileira, na costa do amapá. Imagem: Petrobras
A Foz do Amazonas fica localizada na Margem Equatorial Brasileira, situada entre o Amapá e o Rio Grande do Norte. Imagem: Divulgação/Acervo Petrobras

Situada no extremo noroeste da Margem Equatorial e na fronteira com a Guiana Francesa, a Bacia da Foz do Amazonas abrange o litoral do Amapá e parte do Pará, numa área de aproximadamente 283 mil quilômetros quadrados. É lá que está localizado o bloco de exploração FZA-M-59, visto como promissor para a soberania energética do Brasil. Desde outubro de 2025, a atividade exploratória na Foz do Amazonas vem sendo realizada pela Petrobras.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela WWF Brasil