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Hortas escolares ao ar livre são transformadas em ‘salas de aula’ em Roraima

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Projeto Educação Sustentável implementa hortas pedagógicas em escolas estaduais nas zonas urbana e rural do estado. Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal

Estimular a alimentação saudável e reforçar o conteúdo ensinado em sala: esses são os objetivos de um projeto que implanta hortas em escolas estaduais de Roraima. Nos espaços, que funcionam como salas de aula ao ar livre, professores ensinam, na prática, temas como ciclos de vida, tipos de solo e cálculos de medida.

A horta pedagógica foi implementada por meio do projeto Educação Sustentável, em 2024. Atualmente, a iniciativa está presente em 30 escolas estaduais da zona urbana e em outras cinco da zona rural indígena do estado.

Leia também: Projeto implanta hortas em escolas de Belterra, no oeste paraense

Projeto Educação Sustentável implementa 'hortas pedagógicas' em escolas estaduais nas zonas urbana e rural do estado.
Projeto de horta em escola de Boa Vista incentiva alimentação saudável e reforça ensino. Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal

Segundo a chefe de Educação Ambiental da Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed), Naiva Lima, o projeto amplia o aprendizado dos estudantes.

“Acreditamos que as hortas que são implantadas nas escolas elas vêm dar tanto suporte para a alimentação escolar quanto suporte também dentro do currículo, porque ele abrange o currículo, não é uma disciplina, são diversos objetivos de conhecimento que estão programados dentro do currículo”, diz Naiva.

Em uma escola no bairro Caimbé, na zona Oeste de Boa Vista, a horta virou um “laboratório vivo” para atividades didáticas. De acordo com a gestora Francirene Bezerra, no espaço, os alunos participam do plantio, da adubação e da colheita, integrando o cultivo ao conteúdo das disciplinas.

Saiba mais: Conheça cinco tipos de hortas caseiras implantadas em comunidades ribeirinhas do Amazonas

“A complementação para a nossa merenda escolar, isso é muito importante também para os alunos estarem vendo a questão da sustentabilidade dentro da escola, e os alunos acompanham esse trabalho vindo junto, gerenciando junto com a Regina, colhendo, fazendo adubo, plantando junto”, explica ela.

Quiabo, pimentão, couve e tomate cultivados em horta escolar em Boa Vista (RR). — Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal
Quiabo, pimentão, couve e tomate cultivados em horta escolar em Boa Vista (RR). — Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal

Hortas escolares incentivam alimentação saudável

A professora Regina Alves coordena a horta na escola. Com a produção, ela passou a fabricar e vender molho de pimenta feito com o cultivo. O dinheiro arrecadado é destinado à compra de novas sementes para o canteiro.

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Além disso, após a colheita, os alunos também veem os alimentos plantados por eles na merenda do dia a dia.

“O que já plantamos aqui foi pimentão, tomate, pimenta de cheiro, pepino, porque a gente usa na escola como complementação da merenda. Para a geração de renda, a gente vende a cebolinha e o cheiro verde para o próprio professor, porque dali a gente compra semente para ajudar”, explica.

A horta tem acompanhamento da Secretaria de Educação, em parceria com a empresa de energia Eneva, que disponibiliza técnicos em agropecuária.

*Por Kailane Souza, da Rede Amazônica RR

Mesmo ameaçados, povos indígenas têm as soluções para impactos da BR-319, afirma pesquisador

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Foto: Orlando K. Junior

Ao longo de 800 quilômetros, a BR-319 é vista como uma área estratégica para o fortalecimento de atividades econômicas e logísticas entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO). Mas para além disso, o antropólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Miguel Aparicio, reitera que a região de influência da rodovia é lar de vários povos e culturas indígenas milenares, que, mesmo ameaçadas por uma possível pavimentação que não consiga manter as devidas salvaguardas ambientais, têm as soluções sustentáveis para os impactos socioambientais.

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O pesquisador explica que há, pelo menos, quatro redes indígenas principais:

  • os povos no entorno da Região Metropolitana de Manaus (RMM);
  • os povos Mura e os povos de língua Kagwahiva (respectivamente no baixo e alto rio Madeira);
  • os povos Apurinã e os povos da família linguística Arawá (rio Purus);
  • e os povos na área do estado de Rondônia.

Há 13 mil anos, essas e outras populações são responsáveis pela configuração e composição da Amazônia. Tanto que, na avaliação de especialistas, as Terras Indígenas (TIs) são os territórios mais conservados e essenciais na luta contra as mudanças climáticas.

Aparicio alerta que hoje, mesmo sem a trafegabilidade adequada na BR-319, as populações já sofrem com a expansão da pecuária, extração de madeira, grilagem, mineração e outros problemas socioambientais em seus territórios.

Leia também: BR-319: Conheça 5 curiosidades sobre a rodovia que divide opiniões

Efeito ‘espinha de peixe’ na BR-319

Outro efeito preocupante é o “espinha de peixe”, que nasce com a abertura de estradas e ramais ilegais. Segundo um estudo recém-publicado pelo Observatório BR-319 (OBR-319), atualmente existem 45.495 feições lineares, totalizando  18.897 quilômetros de extensão.

“O problema da BR-319, em relação aos povos indígenas, não é a estrada como linha conectiva, mas que a sua consolidação desordenada abra uma ferida mortal na Amazônia. Ou seja, um eventual desmonte das Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável [RDS] e outros territórios”, afirma Aparicio, que também é o presidente do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi).

Obras de pavimentação da BR-319
Foto: Reprodução/DNIT

Com tantas ameaças, muitas etnias decidiram restringir o contato com o restante da sociedade. São os chamados “povos isolados”. O pesquisador pontua que há registros expressivos nas bacias dos rios Purus e Madeira, vivendo uma situação de cerco nos seus territórios e conscientes dos processos em curso na BR-319 e na área de influência.

“Para além da condição de vítima, os povos indígenas estão produzindo soluções sustentáveis há muito tempo. Eu considero que as soluções para os impactos da BR-319 já foram formuladas pelas populações que ocupam a área de influência. Eles já têm as soluções. O que precisamos é ampliar a escala para outras populações”, finaliza.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319

Revitalização de ciclovias amplia segurança e mobilidade em Boa Vista

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Pintura segue normas de trânsito e reforça a visibilidade dos ciclistas. Foto: Diane Sampaio/PMBV

Mais visibilidade e conforto para os ciclistas: a Prefeitura de Boa Vista, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana (SMOB) revitalizou mais de 2km da ciclovia na avenida Benjamin Constant, com serviços de pintura dos blocos e da faixa sinalizadora. Mais de 7km de ciclovia já estão de “cara nova” e esse é só o começo dos serviços de manutenção das malhas cicloviárias na capital.

A pintura está de acordo com as normas locais e nacionais de trânsito. Segundo o secretário adjunto de Mobilidade Urbana, Gino Falcão, a sinalização das ciclovias é importante para dar mais visibilidade aos ciclistas e organizar o trânsito.

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Revitalização de ciclovias amplia segurança e mobilidade em Boa Vista
Capital roraimense possui mais de 47 km de malha cicloviária. Foto: Diane Sampaio/PMBV

“Essa obra reforça o compromisso da Prefeitura com a mobilidade urbana, pois garante segurança, sinalização adequada e qualidade de vida aos que utilizam a ciclovia. A pintura feita é de qualidade e tem alta durabilidade, o que auxilia na orientação contínua dos ciclistas, além de sinalizar os condutores de veículos automotores em locais em que a ciclovia é compartilhada”, enfatizou.

Atualmente, Boa Vista possui mais de 47 km de malha cicloviária, proporcionando locomoção segura, como o vendedor William Vieira, que aprovou a revitalização.

Leia também: Boa Vista amplia qualidade nutricional da merenda escolar

“Acho que as ciclovias dão mais segurança, é mais tranquilo”, comentou Willian. Foto: Diane Sampaio/PMBV

“A bicicleta é meu principal meio de transporte. Eu faço o trajeto do Centro para o Aparecida quatro vezes por dia. Acho que as ciclovias dão mais segurança, é mais tranquilo. Essa revitalização é positiva, estava meio apagado e agora, com a pintura, dá mais visibilidade”, comentou.

Justiça condena governo de Roraima a construir nova sede para museu

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Museu Integrado de Roraima após a demolição em maio de 2023. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

A Justiça de Roraima determinou que o governo do estado construa uma nova sede para o Museu Integrado de Roraima (MIRR) no prazo de 360 dias. A decisão, de 29 de janeiro de 2026, também condenou o Estado a pagar R$ 50 mil de indenização por danos morais coletivos devido ao abandono do acervo histórico e cultural.

No dia 26 de fevereiro, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) entrou com um recurso contra a decisão. O governo argumenta que os prazos estipulados pela Justiça são de “impossível cumprimento espontâneo”.

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Ao Grupo Rede Amazônica, a Secretaria de Cultura e Turismo (Secult) informou que está ciente da decisão e que já possui projetos para construção da nova sede e catalogação técnica do acervo. No entanto, devido à complexidade do trabalho, a secretaria ressaltou que vai pedir à Justiça um prazo mais adequado para cumprir as determinações com segurança e planejamento.

O Museu Integrado de Roraima foi inaugurado em 1985, antes localizado no Parque Anauá, zona Leste de Boa Vista, foi demolido pelo governo em maio de 2023, após 12 anos de abandono. Ficavam expostos no local materiais arqueológicos, peças de arte e até ossos humano e de animais.

Leia também: Único museu de Roraima é demolido após mais de uma década abandonado

A ação civil pública que gerou a condenação foi movida pelo Ministério Público (MP) de Roraima. O juiz Guilherme Versiani Gusmão Fonseca, da 1ª Vara de Fazenda Pública de Boa Vista, concluiu que houve grave omissão do Estado na proteção do patrimônio público.

O problema se agravou após a demolição do antigo prédio que abrigava o museu, segundo a promotoria.

Museu Integrado de Roraima foi demolido pelo Governo de Roraima e funciona em local improvisado no Parque Anauá.
Museu Integrado de Roraima foi demolido pelo Governo de Roraima e funciona em local improvisado no Parque Anauá. Foto: Caíque Rodrigues/Rede Amazônica RR

Desde então, as peças históricas ficaram sem local definitivo e, atualmente, estão guardadas em espaço chamado de Parque Tecnológico, que fica no Parque Anauá, local onde ficava a sede demolida.

Durante o processo, o MP apontou negligência na segurança, citando a existência de mais de 40 boletins de ocorrência relatando furtos no local.

Recurso aponta prazos inviáveis para construção do museu e falta de pessoal

No recurso apresentado à Justiça, chamado de embargos de declaração, o estado contesta as exigências do magistrado. A PGE destaca que a construção de um museu exige processos demorados e obrigatórios por lei, como projetos arquitetônicos complexos e licitações.

O governo alega também não ter equipe técnica suficiente no estado, como museólogos e arqueólogos, para fazer o inventário exigido em apenas 90 dias.

Segundo a PGE, o acervo conta com mais de 40 mil itens arqueológicos e 17 mil peças botânicas, o que torna o prazo materialmente impossível.

O recurso aponta ainda uma contradição na sentença. Segundo o Estado, uma inspeção da própria Justiça confirmou que o acervo está guardado hoje em um local com boas condições de conservação, com salas climatizadas e mobiliário adequado. Para o governo, isso não justificaria a urgência de construir um novo prédio em 360 dias.

Por fim, a Procuradoria argumenta que a reconstrução do museu já é uma meta prevista no Plano Plurianual (PPA 2024-2027) e que a Justiça não pode atuar como “administradora”, interferindo no orçamento do Poder Executivo.

Determinações da Justiça

Com a condenação inicial (que agora é alvo do recurso), o governo de Roraima ficava obrigado a:

  • Realizar um estudo técnico e inventário completo de todo o acervo do MIRR em até 90 dias (Essa etapa deve ser acompanhada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional);
  • Identificar, catalogar, verificar o estado de conservação e garantir a guarda correta de todas as peças no mesmo prazo de 90 dias;
  • Apresentar o projeto arquitetônico da nova sede em até 180 dias.
  • Construir a sede própria e reabrir o museu ao público em até 360 dias.
  • Incluir no orçamento anual do Estado os recursos necessários para a manutenção do espaço e do acervo.
  • Informar o IPHAN formalmente sobre todas as medidas adotadas em relação a bens arqueológicos.

*Por João Gabriel Leitão e Nalu Cardoso, da Rede Amazônica RR

Pan-Amazônia lidera missão ao porto peruano de Chancay e Canal do Panamá

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Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Coordenada pela Associação Pan-Amazônia, empresários dos estados do Amazonas, Roraima e Rondônia integraram, no período de 16 a 21 de fevereiro, missão institucional objetivando conhecer projetos estratégicos de infraestrutura econômica na América do Sul, fortalecer relações institucionais e avaliar oportunidades comerciais, logísticas e de investimentos visando desenvolver laços de negócios entre Peru, Panamá e a região Norte do Brasil.

As atividades se iniciaram em Lima, capital peruana, onde a delegação foi recebida pela ministra do Comércio Exterior e Turismo do Peru, Teresa Mera, em reunião com a presença do vice-ministro de Comércio Exterior e Turismo e representantes de diversos órgãos governamentais e empresas privadas ligados à estrutura portuária e modais de transporte que operam desde a Ásia dando suporte à corrente de comércio estabelecida com países sul-americanos.

Foram realizadas apresentações técnicas abordando a infraestrutura logística peruana, o papel estratégico do país como eixo de conexão Ásia–América do Sul, o potencial de integração comercial Peru/ Brasil e as oportunidades específicas para a região Norte brasileira relativamente ao estratégico corredor bioceânico Oeste amazônico/porto de Chancay.

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De acordo com o diretor executivo da Associação Pan-Amazônia, Belisário Arce, esta nova rota para a Ásia objetiva impactar significativamente a redução de custos de transporte e potencializar o crescimento das exportações do Norte e Centro-Oeste brasileiro, especialmente no tocante à produção de grãos dos estados do Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima.

Fatores que levaram a Associação a organizar e cumprir a agenda de trabalho nos dois países amigos, salientando-se os arrojados Porto de Chancay e o Canal do Panamá. Reunidos com o Embaixador do Brasil em Lima, Clemente Baena Soares, os empresários da Pan-Amazônia levantaram queixas reais, destacadamente sobre a burocracia excessiva e os entraves alfandegários que tanto prejudicam o fluxo de mercadorias na região. A integração física já existe, mas os “trâmites de papéis” precisam acelerar, salienta Arce.

A missão seguiu para a Cidade do Panamá e as Eclusas de Água Clara, onde se localiza o famoso Canal, que, em suma, compreende uma hidrovia artificial de 82 km edificada sobre o istmo do Panamá conectando os oceanos Atlântico e Pacífico. Um marco da engenharia mundial ao encurtar drasticamente viagens marítimas e, desta forma, eliminar o perigoso contorno do Cabo Horn, o ponto mais meridional do continente Sul-americano.

Crucial para o comércio global, a estrutura permite economizar tempo e custos, sendo uma das rotas mais importantes para o transporte de mercadorias entre a Ásia, as Américas e a Europa. Sua importância destaca-se, sobretudo, por ser vital ao comércio internacional, por onde passa cerca de 4% a 6% do comércio marítimo mundial; reduzir a longa e perigosa rota do Cabo Horn economizando milhares de milhas, tornando-se, enfim, cadeias de suprimentos fundamentais às rotas Ásia-Costa Leste dos EUA, Europa-América do Sul mais eficientes.

A delegação da Associação Pan-Amazônia em visita a Lima e Panamá City estava assim constituída:

  • Belisário Arce – Fundador e Diretor Executivo da Associação;
  • David Israel – empresário do setor de turismo;
  • João Luiz Oliva Pinto e esposa Antonia Oliva, empresários do setor de logística de transporte;
  • Adelso Neves – do setor de logística, transporte de carga terrestre e fluvial;
  • Diretor presidente da Fogás, Jaime Benchimol e esposa, Anne Benchimol;
  • Osiris M. Araújo da Silva, economista, do setor de agronegócios;
  • Adélio Barofaldi, CEO do grupo Rovema, de Rondônia, que atua nos setores de geração de energía, agronegócio, indústria, logística e transporte;
  • Germano Andrade – advogado tributarista;
  • Felipe Castro – produtor e transportador de soja em Roraima;
  • Phelippe Daou Júnior, CEO da Rede Amazônica, e sua esposa, Flávia Piva.

Leia também: Agro paraguaio impulsionado por capital brasileiro

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Turismo de Base Comunitária: Barcarena abre nova temporada para visitas em roteiros turísticos

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Com a oferta de experiência imersiva, o projeto TBC Barcarena envolve agricultura familiar a conservação da floresta amazônica no Pará. Foto: Franklin Salvador

Já imaginou viver uma experiência imersiva e verdadeiramente amazônica em Barcarena, no Pará? É isso que o projeto Turismo de Base Comunitária em Barcarena (TBC Barcarena) oferece em uma série de roteiros turísticos abertos ao público.

A nova temporada iniciou em 7 de fevereiro, composta por 18 atrativos, divididos em oito roteiros diferentes, que oferecem experiências gastronômicas, trilhas, apresentações culturais, banhos de cheiro, contação de histórias e muito mais, sempre com a comunidade à frente da imersão amazônica.

Leia também: Sítio-escola reúne artefatos de povos antigos de Barcarena durante pesquisa de campo

Com uma distância de 2 horas de Belém, a cidade possui uma beleza natural encantadora, rica cultura gastronômica e comunidades abertas para receber visitantes que procuram adentrar na Amazônia ribeirinha, quilombola e urbana.

A agricultora Natalina Coutinho recebe visitantes em seu sítio, onde há uma trilha encantadora e frutos deliciosos, os quais Natalina usa para a produção de geléias saborosas. 

“O Turismo de Base Comunitária significa encantar o público com aquilo que a gente tem de forma natural e agradável, mostrando a sustentabilidade do nosso município e da nossa região. Isso é muito importante pois agrega valor ao nosso trabalho, na nossa comunidade e a toda uma sociedade em conjunto”, explica a agricultora.

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O TBC Barcarena é realizado pelo Fundo Hydro e Mitsui Bussan no Brasil, e executado pelo Instituto Peabiru. Foto: Franklin Salvador
O TBC Barcarena é realizado pelo Fundo Hydro e Mitsui Bussan no Brasil, e executado pelo Instituto Peabiru. Foto: Franklin Salvador

Barcarena investe no turismo

Joyce Ferreira, turismóloga e coordenadora do projeto, explica que o Turismo de Base Comunitária é resultado de um trabalho coletivo:

“A gente mostra para a comunidade que o turismo de base comunitária é feito por eles, e como isso pode agregar na valorização da cultura, do patrimônio e dos seus atrativos”.

Os roteiros acontecerão no primeiro e no último sábado de cada mês até maio. Para mais informações, como valores, entre em contato pelo e-mail barcarenatbc@gmail.com ou telefone (91) 99210-6054. Você pode também manifestar interesse respondendo ao formulário online.

*Com informações do Instituto Peabiru

Cartilha reúne resultados do manejo sustentável do pirarucu no Amazonas

Foto: Adriano Gambarini/OPAN

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) entregou cerca de 700 cartilhas com apresentação dos resultados do Programa de Manejo Sustentável de Pirarucu, desde 1999, às comunidades participantes do programa de manejo no Estado do Amazonas.

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cartilha, distribuída pela Coordenação de Uso Sustentável da Fauna e da Biodiversidade (Cofap), do Instituto, traz informações sobre a formação, a importância e os resultados do manejo, com base nas experiências da Superintendência do Ibama no estado do Amazonas, que apoia e monitora as iniciativas de manejo.

As cartilhas foram distribuídas às secretarias municipais de educação que atendem as escolas envolvidas nos projetos de educação ambiental do programa, incentivando a participação comunitária.

Leia também: Com manejo sustentável, pirarucu recupera estoque natural na região do Médio Solimões

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Foto: Reprodução/Embrapa

Cartilha reforça importância do manejo

manejo do pirarucu (Arapaima gigas) se consolidou no Amazonas como um importante processo de gestão compartilhada dos recursos naturais para a conservação da espécie. Os lagos onde pode ocorrer o manejo estão inseridos em unidades de conservação federais e estaduais, terras indígenas e áreas de acordo de pesca, beneficiando as comunidades ribeirinhas amazonenses.

A iniciativa reforça o impacto positivo na conservação da espécie e na melhoria da economia local, evitando as invasões de pescadores irregulares aos ambientes aquáticos e protegendo a biodiversidade da região Amazônica.

Em 2025, o Ibama implementou o Programa Arapaima por meio da Portaria nº 22/2025, com o intuito de incentivar e avaliar a viabilidade de expandir o programa para outros estados da bacia hidrográfica do rio Amazonas, reconhecendo o potencial dessas regiões para a conservação e o uso responsável da espécie.

Acesse a Cartilha ’26 Anos do Manejo de Pirarucu no Estado do Amazonas: Aprendizados e Desafios de um Modelo de Gestão Compartilhada’ AQUI.

*Com informações do Ibama

Observatório da OTCA lança painel sobre degradação florestal na Amazônia

Área desmatada ilegalmente no Amazonas. Foto: Reprodução/Ibama

O Observatório Regional Amazônico da Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (ORA/OTCA) lançou o novo Painel de Degradação Florestal da Amazônia, ampliando o conjunto de ferramentas de monitoramento ambiental disponíveis na plataforma.

A nova interface reúne mapas e gráficos dinâmicos que apresentam a série histórica de dados de degradação florestal dos oito países amazônicos (Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Peru, Guiana, Suriname e Venezuela) entre 1984 e 2024, permitindo análises espaciais e temporais integradas. Há ainda uma análise específica para todas as áreas naturais protegidas e territórios indígenas na Amazônia.

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O módulo de degradação passa a complementar os dados de desmatamento já disponibilizados pelo ORA. “O desmatamento é a remoção total da cobertura de vegetação nativa, já a degradação representa um processo intermediário, de empobrecimento da floresta, sem sua destruição completa, como ocorre, por exemplo, no corte seletivo de árvores”, explica Maycon Castro, Especialista Monitoramento Ambiental do ORA.

“Compreender a degradação é essencial porque ela frequentemente antecede diferentes trajetórias da paisagem. Uma área degradada pode evoluir para o desmatamento, avançar para a regeneração florestal ou permanecer por longos períodos em um estado de pousio”, explica Tarsila Andrade, especialista em geoprocessamento do ORA. 

A degradação florestal é mais difícil de mapear do que o desmatamento, pois, em alguns casos, ocorre com a floresta ainda em pé. Entre seus principais vetores estão os incêndios florestais, intensificados nos últimos anos por cenários de seca na Amazônia, o corte seletivo de madeira e o efeito de borda associado à fragmentação da paisagem.

Estes processos reduzem a capacidade da floresta de prover serviços ecossistêmicos, como regulação climática, conservação da biodiversidade e manutenção do ciclo hidrológico. O acesso a esse tipo de informação é estratégico para subsidiar políticas públicas baseadas em evidências nos países amazônicos.

“Nossas análises sobre áreas degradadas podem inclusive ajudar a separar as atividades ilícitas de corte seletivo, daquelas que através das concessões florestais praticam o corte seletivo”, explica afirma Arnaldo Carneiro, coordenador do ORA.

Leia também: Desmatamento, degradação, exploração: pesquisador aponta quais são as principais ameaças para a Floresta Amazônica

painel ora otca
Imagem: Reprodução/OTCA

Eventos de Perturbação

Os dados que alimentam o painel têm como base o produto Tropical Moist Forests (TMF), desenvolvido pelo Joint Research Centre (JRC) da União Europeia, que utiliza imagens de satélite para monitorar a evolução das florestas tropicais ao longo do tempo. Pela metodologia do TMF, uma área é classificada como floresta degradada quando sofre até três episódios de perda temporária da copa das árvores ao longo do tempo. Esses eventos, que podem ser causados por fogo, exploração de madeira ou outras pressões, duram no máximo cerca de dois anos e meio e precisam estar separados por períodos de recuperação da floresta.

Quando as perturbações se tornam mais frequentes, ou seja, passam de três ocorrências, a área deixa de ser considerada degradada e passa a entrar na conta do desmatamento, a partir do primeiro impacto registrado. Nos anos mais recentes da análise, o sistema adota critérios adicionais para diferenciar degradação e desmatamento, com base na quantidade e na consistência das observações feitas pelos satélites.

“Essas informações permitem enxergar a Amazônia de maneira mais completa, revelando não apenas onde a floresta foi derrubada ou degradada, mas também onde ela está sendo regenerada, pois o universo de áreas que foram desmatadas e abandonadas também é importante. Este mapeamento deve permitir identificar ambas trajetórias: da degradação ao desmatamento e do desmatamento para a regeneração. Isso amplia nossa capacidade de interpretar a história recente da região e fortalece o apoio aos países amazônicos na formulação de políticas baseadas em evidências”, afirma Carneiro.

Painel da ORA/OTCA

O novo painel de Degradação Florestal está reunido na Aba “Deforestation”, em seguida, “Deforestation/Degradation”, na qual o usuário pode optar por analisar os dados de degradação florestal ou desmatamento.

*Com informações da OTCA

Da cozinha ribeirinha ao turismo de base comunitária em Belterra: projeto incentiva bioeconomia

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Pequeno negócio de Belterra (PA) participa de projeto do Sebrae voltado à bioeconomia e passa por transformação estrutural e estratégica unida ao turismo local. Foto: Reprodução/Sebrae

Cores vibrantes da cultura ribeirinha, aromas de peixes típicos do Tapajós e a promessa de chalés ecológicos. A “Casa do Elton”, antes um restaurante simples da Flona do Tapajós, hoje oferece uma imersão completa na bioeconomia e no turismo de base comunitária, fruto de um intensivo programa de capacitação do Sebrae que redefiniu o futuro do empreendimento em Belterra (PA).

Localizado na comunidade de Piquiatuba, dentro da Floresta Nacional do Tapajós, o espaço chefiado por Elton John Vasconcelos ganhou um novo futuro a partir do trabalho de capacitação.

A iniciativa incluiu mentorias, capacitações técnicas e consultorias em áreas como atendimento, hospitalidade, organização do espaço, identidade visual e gestão.

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Da cozinha ribeirinha ao turismo de base comunitária em Belterra
O empreendedor Elton John Vasconcelos, de Piquiatuba, oferece serviços de gastronomia e de turismo e investe na expansão do negócio. Foto: Reprodução/Sebrae

O negócio também recebeu apoio na construção de identidade e ambientação. O estilista Walter Rodrigues, parceiro do Sebrae por meio da Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), desenvolveu uniformes exclusivos para a equipe, valorizando a cultura local. As peças foram confeccionadas por mulheres da própria comunidade.

Segundo Newman Costa, coordenadora nacional de Biomas e Bioeconomia do Sebrae que acompanhou a acompanhou de perto o projeto, o espaço passou por uma verdadeira transformação estrutural e estratégica.

“Ele deixou de ser apenas um restaurante e se transformou em um espaço turístico. Entramos com capacitação gastronômica, hospitalidade, valorização do artesanato local e organização do ambiente”, disse Newman Costa, coordenadora nacional de Biomas e Bioeconomia do Sebrae.

“O que antes era um restaurante simples se tornou um modelo de negócio sustentável, integrado à bioeconomia e preparado para receber o mundo. A gente enxergou nele o potencial de mudança. Hoje ele é referência. É um exemplo de como é possível crescer sem perder a identidade”, conclui Newman.

A Casa do Elton planeja oferecer serviços de turismo e de hospedagens em chalés ecológicos. Foto: Reprodução/Sebrae

O negócio avança agora para uma nova etapa. A Casa do Elton em breve vai oferecer serviços de hospedagens em chalés ecológicos no estilo pousada. As obras começaram em fevereiro, com inauguração prevista para abril. Sempre dedicado ao trabalho, Elton está confiante sobre os projetos para crescimento: “Estamos começando com o pé direito e vamos terminar com o pé direito”.

Leia também: Portal Amazônia responde: o que é turismo de base comunitária?

Sobre o projeto que apoia o turismo local

O programa de Bioeconomia do Sebrae, desenvolvido inicialmente no bioma amazônico, ganhou destaque com o lançamento de um livro durante a COP30.

A iniciativa estruturou uma metodologia específica para fortalecer empreendimento da bioeconomia na região, considerando as oportunidades geradas pelo evento e as particularidades do território.

Agora, o projeto avança para Amapá, Acre e Amazonas e inicia a expansão do modelo para outros biomas brasileiros, como Cerrado, Mata Atlântica, Pantanal, Caatinga e Semiárido. A proposta é replicar a metodologia desenvolvida na Amazônia, adaptando-a às realidades locais para impulsionar a bioeconomia em diferentes regiões do país.

*Com informações do Sebrae

E-book é disponibilizado com soluções para impulsionar nova economia da Amazônia

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E-book é disponibilizado gratuitamente. Foto: Reprodução/FIINSA

O Festival de Investimentos de Impacto e Negócios Sustentáveis da Amazônia (FIINSA) – Edição Especial COP30 consolidou-se como um espaço estratégico para a construção de uma nova economia para a região amazônica. Realizado em Belém (PA), o evento reuniu empreendedores, comunidades tradicionais, investidores, representantes do setor público e organizações da sociedade civil para debater caminhos concretos rumo a uma bioeconomia que gere renda, preserve a floresta e fortaleça os territórios amazônicos. Todo esse conteúdo foi reunido em um E-book gratuito no site: fiinsa.org.br/.

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O E-book reforça como a programação, composta por painéis, rodas de conversa e atividades colaborativas, abordou temas como protagonismo comunitário, sociobioeconomia, investimentos de impacto, inovação orientada pelo território, juventude, cultura, tecnologia, inteligência artificial e os desafios estruturais para que a Amazônia deixe de ser vista como promessa e seja reconhecida como realidade econômica.

FIINSA LANÇA E-BOOK
Grupo que participou da COP30 criou E-book. Foto: Reprodução/FIINSA

Leia também: E-book celebra pluralidade de pesquisas na Amazônia Sul Oriental

Ao final, as discussões convergiram para um ponto comum: o desenvolvimento para a Amazônia só é sustentável quando nasce da floresta, respeita o tempo dos territórios e valoriza os saberes de quem vive neles.

O documento reúne os principais debates, reflexões e entrevistas exclusivas com participantes desta edição, além da carta “Da Amazônia para o Mundo” – documento cocriado por mais de 430 participantes, com propostas e soluções para uma nova economia amazônica.

Na visão dos organizadores do evento, o ebook amplia o alcance e fortalece o legado dessa edição especial. “Realizar o FIINSA no primeiro dia da COP30, no dia 10 de novembro de 2026, foi uma escolha simbólica e estratégica. Queríamos abrir esse espaço global mostrando que a Amazônia não entra na conversa apenas como tema, mas como território que já constrói respostas, experiências e soluções concretas para os desafios do clima e da economia”, afirmou Marcus Bessa, cofundador do Impact Hub Manaus e um dos organizadores do evento.

Na mesma linha, André Vianna, outro cofundador do evento e diretor técnico do Idesam, destaca que o conteúdo reforça o protagonismo de quem vive nos territórios na construção de uma nova forma de pensar e agir sobre a Amazônia.

“O FIINSA evidenciou que a economia da Amazônia deve ser liderada por quem vive na floresta. O ebook sistematiza esse conhecimento coletivo e amplia o diálogo com investidores, formuladores de políticas públicas e a sociedade, em um momento-chave para o futuro do planeta”, ressalta. 

Confira o e-book:

*Com informações do FIINSA e Idesam