Acampamento Terra Livre teve participação de 7 mil indígenas de todas as regiões. Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Realizado anualmente em Brasília, o Acampamento Terra Livre se consolidou como a maior mobilização dos povos indígenas do país, reunindo milhares de lideranças para discutir direitos, políticas públicas e a proteção dos territórios tradicionais. Organizado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, o evento também funciona como um espaço de pressão política sobre os Três Poderes, diante de pautas consideradas prioritárias para as comunidades originárias.
O coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Dinamam Tuxá, avalia que o Acampamento Terra Livre, que se encerrou no sábado (11), em Brasília, cumpriu o dever de cobrar os Três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário) pela garantia dos direitos aos povos originários no país.


“O acampamento é um momento de cobrança para as instituições do Estado brasileiro”, afirmou.
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O evento teve a participação de mais de sete mil indígenas de todas as regiões. Em entrevista à reportagem, ele avalia que o eixo principal de cobranças é a necessidade de acelerar as demarcações de territórios.
Ameaças
“Durante toda a semana, inclusive nas marchas, a mensagem direcionada para o Congresso Nacional é de alerta para as principais ameaças que estão tramitando na Câmara e no Senado”, disse.
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Ele voltou a manifestar repúdio à implementação do marco temporal (PEC 48) e que foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
A proposta já foi aprovada no Senado para ser incluída na Constituição. O tema aguarda análise da Câmara. Outra ameaça é o projeto de lei 6050, que tramita no Senado. “Tem o objetivo único e exclusivo de abrir as terras indígenas para grandes empreendimentos”, afirmou Tuxá.
Frustração
A liderança indígena disse que, ao Poder Executivo, foi reconhecido que nos últimos três anos, foram demarcados 20 territórios, mas que deve haver mais rapidez.
”Esperávamos que o governo atuasse de uma forma mais ambiciosa em termos de números de terras demarcadas, de terras protegidas, e de números de desintrusão das terras indígenas”, afirmou.
Os indígenas também manifestaram, nesta semana, ao Supremo Tribunal Federal (STF) contrariedade ao projeto de construção da Ferrovia Ferrogrão. A votação foi adiada na Corte. Para viabilizar a ferrovia, seria necessário alterar os limites do Parque Nacional do Jamanxim (PA).
Para Tuxá, os indígenas voltam aos seus territórios com uma mistura de sentimentos.
“Houve algumas entregas simplórias, como é o caso de grupos de trabalho constituídos. Esperávamos mais e que houvesse demarcações de terra, homologações e portarias declaratórias”, lamentou.
*Por Luiz Cláudio Ferreira – da Agência Brasil
