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Cinema como direito: Cine Cunhantã dá voz a meninas na Zona Leste de Manaus

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Público feminino, da Zona Leste de Manaus, consegue direito de cinema. Foto: Divulgação

O projeto Cine Cunhantã realizou, entre os dias 12 e 17 de janeiro, a sua primeira oficina de cinema, reunindo 20 alunas em situação de acolhimento institucional. Durante o período, as participantes vivenciaram um processo formativo artístico e educativo que resultou na produção de quatro curtas-metragens, desenvolvidos a partir de suas vivências, reflexões e direitos.

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A oficina proporcionou às meninas o contato com todas as etapas do fazer cinematográfico, incluindo criação de histórias, roteiro, filmagem com celular e edição, estimulando o protagonismo, a expressão e a construção de narrativas próprias.

O cinema foi apresentado como uma ferramenta de escuta, fortalecimento e transformação social, respeitando as diretrizes do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Como parte da metodologia do projeto, também foi realizada uma formação sobre direitos e deveres com base no ECA, conduzida pela assistente social Ana Paula Angiole.

A atividade serviu como embasamento conceitual para o desenvolvimento dos roteiros, contribuindo para que as meninas refletissem sobre temas como proteção, dignidade, convivência familiar, educação e cidadania, incorporando esses conteúdos às narrativas audiovisuais produzidas.

Leia também: Produções cinematográficas revelam o potencial dos estados da Amazônia no cinema

cine cunhatã na zona leste de Manaus
Meninas participam de oficinas de cinema. Foto: Divulgação

Para a diretora da instituição, Irmã Liliana Daou, o impacto do projeto é profundo e contínuo:

“O Cine Cunhantã é uma experiência muito significativa para nossas meninas, pois fortalece a autoestima, incentiva a expressão e contribui para que elas reconheçam seus direitos. É um projeto que dialoga diretamente com o processo de formação humana e emocional dentro da instituição”.

A idealizadora e gestora do projeto, Keylla Gomes, destaca o caráter formativo e transformador da iniciativa: “O Cine Cunhantã nasce do desejo de oferecer às meninas um espaço seguro de criação e escuta. Ver essas jovens transformando suas histórias em cinema reafirma o poder da arte como ferramenta de cuidado, empoderamento e construção de futuro”.

O projeto terá continuidade com a segunda e última oficina, prevista para o mês de fevereiro, que será realizada na escola da instituição, ampliando o alcance da ação ao envolver também alunas da comunidade do entorno, localizada no bairro São José, Zona Leste de Manaus.

Ao final das oficinas, será realizada uma mostra presencial dos curtas-metragens, seguida de uma roda de conversa com a rede de proteção à criança e ao adolescente, composta por representantes do Conselho Tutelar, Defensoria Pública, organizações da sociedade civil e profissionais da psicologia. O momento será dedicado ao diálogo sobre direitos, prevenção de violências e fortalecimento das redes de apoio, promovendo escuta, orientação e articulação entre as instituições e a comunidade.

Cinema é um direito. Foto: Divulgação

Cine Cunhantã

O projeto é realizado por meio da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura, através do Fundo Estadual de Cultura, CONEC – Conselho Estadual de Cultura do Amazonas, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, Governo do Amazonas, Sistema Nacional de Cultura, Ministério da Cultura e Governo Federal.

Conta com o Apoio Institucional da Casa Mamãe Margarida, Ykamiabas Produções, MK Produções, Movimento das Mulheres Negras da Floresta – DANDARA, Audiovisual Mendes e Feitoza Mídias.

Desembargador Mário Sílvio Cordeiro de Verçosa: Grão-mestre entre 1962-1977

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Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br

O Desembargador Mário Sílvio Cordeiro de Verçosa foi o Sereníssimo Grão-mestre que mais tempo ficou com malhete de comando. Em 15 anos conseguiu transformar a GLOMAM em uma referência de potência nacional, a partir da tradição, disciplina, cultura e hierarquia. Foi iniciado maçonicamente na Grande Benemérita Loja Simbólica Conciliação Amazonense n° 3, em 3 de maio de 1947.

Sua obra ‘Registros Maçônicos’ é um clássico, que serve de farol para todos que desejam entender os mistérios da maçonaria amazonense. Participou da delegação da Grande Loja do Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima, a época em diversas mesas redondas da Maçonaria Simbólica Regular do Brasil, começando por aquela que aconteceu em Manaus em 1961.

Presidiu a 3.ª Assembleia Geral da Confederação da Maçonaria Simbólica Regular do Brasil, que aconteceu em Manaus em 1969. Neste período era o Sereníssimo Grão-mestre que promulgou a Constituição Maçônica, que norteou as diretrizes do Poder Judiciário da GLOMAM. Seu eminente Grão-mestre Adjunto no período foi o irmão Manoel Ribeiro.

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Foto: Reprodução/AAL

Mário Sílvio Cordeiro de Verçosa era filho de Edmée Cordeiro de Verçosa e João Batista de Verçosa. O Desembargador integra um das famílias mais tradicionais da terra do guaraná. Seu pai, João Verçosa, foi prefeito do Município de Maués e ao falecer em 1937 era deputado da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas, ocupando sua presidência.

Foi casado com dona Maria de Nazaré Freire de Verçosa, com quem teve os filhos Tanamara, Thales, Tener, Themis e Telma, todos titulados em nível superior.

Embora nascido em Manaus, o Desembargador gostava de declarar-se oriundo de Maués, origem de seu pai, onde nasceram seus dois irmãos mais jovens e onde vivera antes de sua infância. Ingressou na magistratura no dia 8 de junho de 1951, como décimo nono suplente de Juiz de Direito da Comarca de Humaitá.

Em 1956 foi promovido para a capital, onde ocupou como titular a Primeira e a Sexta Vara. Promovido a desembargador, tomou posse nesse cargo no dia 4 de agosto de 1959. No Tribunal de Justiça desempenhou os cargos de Corregedor Geral da Justiça, Presidente da Câmara Cível, Presidente da Câmara Criminal, Presidente das Câmaras Reunidas, Presidente do Conselho da Magistratura, Vice-presidente do Tribunal e presidente do referido tribunal em 1965.

Em 1979 foi decano do Tribunal de Justiça do Estado do Amazonas, além de integrar todos os clubes da sociedade manauara. Foi Presidente do Atlético Rio Negro Clube, onde se notabilizara como um dos mais atuantes dirigentes, realizando fecunda administração, comparável as de seu tio, o saudoso jornalista Aristophano Antony, que por muitos anos dirigira sob aplausos gerais aquela agremiação da Praça da Saudade.

Teve papel destacado na Maçonaria onde pontificou seu Grão-mestrado. Em outra ocasião foi elevado ao Grau 33. Foi membro fundador das grandes lojas dos estados do Acre e de Roraima, além de ter assumido como membro fundador e ex-presidente da Confederação da Maçonaria Simbólica do Brasil. Em sua atividade literária, integrou na Academia Amazonense Maçônica de Letras, onde ajudou a fundar. Foi membro proeminente do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas, assim como da Academia Amazonense de Letras onde ingressou no ano de 1989.

Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Leia também: Marcelo Barbosa Peixoto: um período construtivo na maçonaria amazonense

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Povos indígenas no Pará recebem dossiê sobre direitos sequestrados

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Foto: Reprodução/Unifesspa

Pesquisadoras de Universidades federais do Pará e do Sul e Sudeste do Pará  e de outras instituições, autores no Dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos indígenas”, publicado no Boletim de Ciências MPEG de Ciências Humanas Vol. 20 nº 3, lançado em dezembro de 2025, protagonizaram  evento inédito na história da revista científica do Museu Paraense Emílio Goeldi.

Elas entregaram exemplares do Dossiê a lideranças dos povos indígenas Aikewara e Gavião, nas respectivas aldeias, no sudeste do estado do Pará. A entrega do material impresso ocorreu nos dias 9 e 11 de janeiro.

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Numa iniciativa comprometida com esses povos, fizeram a chamada “Devolução” em que os pesquisadores reconhecem a produção do conhecimento compartilhado pelos povos originários e entregam a  eles o conteúdo produzido conjuntamente.

Como parte do projeto de pesquisa e extensão “Nossa Escola, nossos traços”, coordenado pela antropóloga Luiza Mastop, da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Estado do Pará (Unifesspa), em parceria com o Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), e Universidade Federal do Pará (UFPA), pesquisadoras estiveram, no dia 9 de janeiro, à Escola Municipal de Ensino Infantil e Fundamental Indígena Sawarapy Suruí, na Aldeia Sororó, município de Brejo Grande do Araguaia.

Em mesa de diálogos com a participação de lideranças do povo Aikewara, pesquisadoras  e pesquisadores indígenas e não indígenas participaram o cacique Maira Surui; o vice-cacique Mahu Surui; o ancião/guerreiro Miho Surui; o diretor da escola, Sawarapi Surui; a historiadora Mirtes Manaças (MPPA); e as antropólogas Jane Beltrão (UFPA) e Luiza Mastop (Unifesspa).

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Foto: Reprodução/Unifesspa

Miho Surui representou Arihera Surui, porque adoentada não pôde participar do evento. Arihera e Luiza Mastop são autoras do artigo “Construindo memórias com Arihera: educação e identidade aikewara em foco”.

Na aldeia Sororó, foi providenciada a entrega de uma cópia impressa do Dossiê para a biblioteca da escola Sawarapy Surui e uma cópia para Arihera.

Da esquerda para a direita, os convidados para a mesa de diálogos: Mirtes Manaças (MPPA); Sawarapi Surui (Diretor da escola); cacique Maira Surui; vice-cacique Mahu Surui; Miho Surui (representando Arihera) e Jane Beltrão (UFPA). A professora Jane explica sobre o Dossiê e em seguida entrega uma cópia para o diretor da escola.

“A pesquisa científica é feita com muitas mãos, e, então, essa iniciativa de levar até as comunidades indígenas a publicação que tem como foco os saberes ancestrais delas e ainda a necessidade de serem preservados os seus direitos como cidadãos brasileiros, povos originários do Brasil, mostra-se significativa. É uma forma de continuar compartilhando conhecimentos e assim valorizar a cultura desses povos, algo fundamental na Amazônia”, destacou a professora Jane Beltrão.

A cópia do Dossiê para Arihera foi feita na casa dela pela coautora do artigo, Luiza Mastop.

Leia também: Dossiê evidencia protagonismo de povos tradicionais na luta contra direitos ‘sequestrados’

Como disse Luiza Mastop: “O Dossiê cumpre um importante papel político e epistemológico: o de fortalecer a luta e a resistência dos povos indígenas no Brasil; expressar a autonomia e o protagonismo deles em relação à produção de conhecimento intercultural, em que conhecimento científico e conhecimento tradicional têm o mesmo valor”.

Jane e outros pesquisadores assinam no Dossiê dois artigos: ‘Direitos ‘sequestrados’ aos povos tradicionais: possibilidades de compreensão” e “Territórios indígenas, conhecimentos tradicionais e sustentabilidade nas Amazônias”.

Na Aldeia Akrãtikatêjê, o Dossiê “Direitos ‘sequestrados’ aos povos indígenas” foi repassado à Kátia Tônkyre (Kátia Silene Valdenilson), a primeira mulher cacica em uma  aldeia dos Gavião, na Reserva Indígena Mãe Maria, na região de Marabá, sudeste do Pará. Ela é a protagonista do artigo “Kátia Tônkyre, a guerreira que se forjou na luta” em forma de ensaio fotográfico assinado pelo pesquisador indígena José Ubiratan Sompré (UFPA).

Após receber a cópia impressa do Dossiê, a cacica Kátia folheou a publicação, leu trechos de alguns artigos e teceu comentários sobre o conteúdo.

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Foto: Reprodução/Unifesspa

Autorias compartilhadas

Do dossiê vários artigos foram escritos por autores indígenas e quilombolas num exercício necessário, imprescindível mesmo, em respeito aos saberes que dominam e compartilham com a sociedade não-tradicional. A antropóloga e professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Rosani Kamury Kaingang (Rosani de Fátima Fernandes), é autora de: “Educação Escolar Indígena e Educação Escolar Quilombola: movimentos de luta pelo direito à escola”.

Já Idjarrury Sompré e Putira Sacuena escreveram “Bem-viver psicoanimista como alternativa ao conceito de saúde mental: uma proposta a partir de cosmologias indígenas brasileiras”.

Dentre os autores quilombolas, Andrew Benjó e Celyne da Fonseca Soares são os autores de “A cartilha de letramento racial como forma de enfrentamento ao racismo

Confira o dossiê completo AQUI.

*Com informações da Unifesspa

Documentário amazonense retrata histórias de feirantes da Manaus Moderna

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Foto: Alailson Santos/ Divulgação

A memória afetiva das idas à feira com a família foi o ponto de partida para a estreia de Delbson Barroso na direção cinematográfica do curta-documentário Tesouros da Manaus Moderna‘. O filme propõe um olhar sobre o cotidiano e as histórias de feirantes. A película será lançada no dia 11 de fevereiro, às 18h30, no Cine Teatro Guarany, em Manaus (AM).

Ambientado na tradicional feira da Manaus Moderna, o filme acompanha a rotina e a trajetória de três personagens, feirantes, que tiram dali o seu sustento, um vendedor de peixe, uma vendedora de café e carregadores que atuam no espaço.

Ao revelar o dia a dia desses trabalhadores, o documentário busca documentar e valorizar a figura dos feirantes como agentes fundamentais para o desenvolvimento econômico e para a preservação da cultura amazônica, além de provocar no público o reconhecimento da importância social dessas personalidades anônimas da cidade.

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“Todo manauara tem uma história com a Manaus Moderna, seja indo no domingo fazer a feira da semana ou na sexta-feira, quando chegam os produtos. Eu sempre estive nesse lugar de quem vai comprar. A ideia foi inverter o olhar e mostrar quem faz tudo isso acontecer, a luta de quem acorda de madrugada para manter a feira funcionando”, afirma o diretor e produtor Delbson Barroso.

Segundo ele, o projeto também marca sua estreia na direção de documentário. “Foi um processo de descoberta. Diferente da publicidade, no documentário a gente constrói um caminho, mas descobre muita coisa no ao vivo, na fala do personagem, durante a gravação. Esse aprendizado foi fundamental para mim como diretor”, destaca.

Manaus Moderna é ponto estratégico da cidade

A fotografia do curta sobre esses feirantes é assinada por Juan Pablo Brandão, que também divide o roteiro do filme. Para ele, o projeto nasce de uma vivência pessoal e de um olhar atento para personagens muitas vezes invisibilizados.

porto da manaus moderna na seca de 2023
Foto: Tiago Oliver

Leia também: Vídeo: documentário lançado no Pará aborda Artesanato Florestal

“A Manaus Moderna é o principal porto de abastecimento da cidade, por onde passam frutas, verduras e mercadorias que chegam de toda a região. A gente passa por essas pessoas todos os dias sem imaginar suas histórias. Quando você ouve que alguém construiu a casa ou formou os filhos com o trabalho dali, o olhar muda completamente”, comenta.

Pablo ressalta ainda que o processo de filmagem exigiu sensibilidade e adaptação. “A gente discutiu planos e enquadramentos, mas, na hora, o personagem também conduz a narrativa. Foi preciso respeitar o ritmo e a verdade de cada história”, completa sobre os feirantes.

Com duração de 16 minutos e uma abordagem visual acompanhada de uma fotografia de encher os olhos, “Tesouros da Manaus Moderna” tem o som direto assinado por Naila Fernandes e se propõe a registrar o cotidiano da feira não apenas como espaço comercial, mas como território de memória, trabalho e identidade cultural da capital amazonense. O projeto foi viabilizado por meio de edital da lei Paulo Gustavo, executado pelo Conselho Municipal de Cultura (Concultura).

Pesquisa desenvolve alimentação animal a partir da mandioca no Pará

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Foto: Divulgação/Fapespa

A mandioca, raiz nativa, que já ganhou o título de “alimento do século 21”, pela Organização das Nações Unidas (ONU), é a base da pesquisa do projeto ‘Desenvolvimento de produtos para a alimentação animal a partir da mandioca e seus derivados’. A iniciativa cria e avalia alimentos ensilados e desidratados a partir de derivados da mandioca, utilizando-os como alternativa para alimentação de bovinos e ovinos. 

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Financiada com recursos do Governo do Estado, por meio da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a proposta tem foco na Sustentabilidade e no desenvolvimento socioeconômico da Amazônia e busca, ainda, reduzir custos na pecuária, oferecendo alternativas de baixo custo aos alimentos convencionais utilizados, como milho e soja.

No total, são seis experimentos, sendo quatro experimentos que se concentram na análise dos processos de conservação dos alimentos (ensilagem e desidratação), verificando a qualidade fermentativa e a composição química; e dois experimentos que avaliam os produtos gerados em ovinos, analisando variáveis como consumo, digestibilidade e desempenhos dos animais.

Leia também: Mandioca ou macaxeira: pesquisadora paraense explica as diferenças

Deste modo, são desenvolvidos produtos para a alimentação animal a partir de derivados oriundos do cultivo e processamento da mandioca, avaliando os impactos produtivos e econômicos da sua utilização em propriedades rurais, contribuindo para o desenvolvimento sustentável na Amazônia. E ainda, contribui para diminuir o impacto ambiental causado pelo descarte inadequado dos resíduos e para a formação de recursos humanos qualificados nas áreas agrárias.

Para o doutor, Thiago Carvalho, pesquisador responsável e professor da Universidade Federal Rural da Amazônia (UFRA), “o desenvolvimento deste projeto de pesquisa é de grande relevância devido aos seus amplos impactos econômicos, sociais e ambientais. Ele visa promover o desenvolvimento socioeconômico e a diversificação de renda para pequenos produtores de mandioca e farinheiras, agregando valor aos derivados da cultura”.

Mandioca como alimento

Os resultados iniciais da pesquisa indicaram que a casca de mandioca é mais bem preservada na forma de silagem do que quando exposta, uma prática comum entre produtores. Nesse processo, foi adicionado o componente da torta de dendê, aditivo esse capaz de absorver a umidade e contribuir para redução da deterioração da silagem. 

Em testes com animais, os dados fundamentaram que a silagem de casca de mandioca pode substituir o milho nas dietas, sem perda de desempenho, e, também, resultou no desenvolvimento de um produto já comercializado: a silagem de casca de mandioca com torta de dendê. 

mandioca
Foto: Marcos Santos/USP

As pesquisas que resultaram em três defesas de mestrado, em 2025, apontaram a expansão das formas de utilização dos derivados da mandioca além da ensilagem. Além disso, demonstraram a boa conservação por desidratação solar dos farelos de folha e casca, que são fontes de proteína e energia, respectivamente, nas dietas animais. 

Outra inovação avaliada foi o enriquecimento proteico da casca de mandioca, um derivado energético. Este processo visa aumentar a concentração proteica da casca por meio da inclusão de ureia e do crescimento de leveduras. E, ainda estão em desenvolvimento, mais duas pesquisas adicionais: uma destaca a qualidade fermentativa e composição química dos derivados em formulações de rações parciais, e a outra visa validar o uso de todos os produtos gerados (farelos e casca enriquecida) em animais.

Inovação

O projeto mantém parcerias estratégicas com o Museu da Mandioca da Amazônia, localizado na comunidade de Espírito Santo do Itá, Santa Izabel -PA, e com a empresa Bonnagro, responsável pela disseminação dos produtos. 

Em outubro de 2025, o pesquisador, Thiago Carvalho, esteve nos Estados Unidos (EUA) divulgando os resultados do projeto financiado pela Fapespa e gerenciado pela Fundação Guamá.

Foram três apresentações: a primeira apresentação foi para o grupo da professora Tanya Gressley e do doutor Limjn Kung Jr., referências na área de conservação de forragens, na University of Delaware em Newark-DE, onde o pesquisador concluiu seu doutorado sanduíche, de 2013 a 2014.

A segunda apresentação na University of Florida’s Institute of Food and Agricultural Sciences (UF/IFAS), Animal Science Building, com o grupo de pesquisa do professor indiano Vyas e sua equipe de pesquisadores de diversos países, como Índia, Paquistão, Estados Unidos, Brasil e outros. Por fim, na University of Florida, em Gainesville-FL e em Marianna-Florida, na University of Florida – North Florida Research and Education Center (NFREC), para o grupo do professor Dubeaux.

O projeto traz inovações tecnológicas, utilizando a escala TRL da NASA, possíveis patentes, cartilhas e outros produtos técnicos e tecnológicos. Ao todo, mais de 25 discentes já foram capacitados com o projeto. Além disso, o projeto já tem impactos econômicos e sociais, além da geração de dados e produtos.

Para o pesquisador, o financiamento da Fapespa “é o que permite transformar a proposta de pesquisa em realidade, fornecendo o capital necessário para a infraestrutura, insumos e recursos humanos dedicados à pesquisa e ao desenvolvimento sustentável na Amazônia”, declarou.

Segundo Marcel Botelho, presidente da Fapespa “o Pará é um dos principais produtores de mandioca do país, e tem um potencial incrível para duplicar e até mesmo triplicar a sua produção. Pesquisas como essa tornam possível essa aplicação da produção por trazer novos mercados para a mandioca, agregando tecnologia, agregando valor e tornando mais rentável essa cadeia produtiva. Estamos falando de uma evolução científica que trará benefícios para todos os produtores paraenses não só na produção da mandioca mas também para aqueles que trabalham com a produção animal de forma intensiva. O governo do estado valoriza a pesquisa pois sabe que esse é o caminho para a sustentabilidade da Amazônia”.

*Com informações da Agência Pará

Saiba como fazer um pirarucu aromatizado com raspas de limão

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Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

A culinária da Amazônia é, sem dúvida, um destaque nacional. O pirarucu, um dos peixes mais populares da região, ganha novas releituras na gastronomia de tempos em tempos e, nesta receita, foi “perfumado”. Melhor dizendo: aromatizado, com raspas de limão.

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O prato, preparado pela chef de cozinha acreana Rafysa Assem, ganha complementos que mostram a variedade do paladar amazônico, como o arroz preparado com castanha-da-Amazônia e um molho pesto de jambu.

O pirarucu (Arapaima gigas), um dos maiores peixes de água doce do mundo e originário da bacia amazônica, já é conhecido por sua textura firme e sabor delicado. Confira a receita:

Ingredientes

  • filé de pirarucu fresco (a quantidade que preferir para o prato)
  • sal
  • pimenta do reino
  • raspas de limão
  • arroz agulhinha
  • azeite
  • alho
  • castanha do brasil
  • jambu
  • chicória
  • pimenta de cheiro
  • queijo parmesão ralado

Leia também: Saiba como fazer jaca à casaca

Modo de preparo

Para o pirarucu

Pegar as postas do peixe e fazer marcações de quatro dedos. Nessas partes temperar com sal, pimenta do reino a gosto e as raspas do limão.

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AC

Em uma frigideira colocar azeite para esquentar e adicionar o peixe para selar. Adicione água para dar mais tempo de cozimento ao peixe se ficar cru.

Para o molho

Para o molho pesto é preciso de um liquidificador, um mixer ou um pilão. Adicionar 200 ml de azeite, 80 gramas de jambu fervido, três folhas de chicória, duas pimentas de cheiro.

Adicionar também suco do limão, cinco castanhas, dez gramas de queijo parmesão ralado e uma colher de sopa de pimenta do reino e levar para processar tudo.

Para o arroz

Fazer um arroz branco com alho e adicionar castanha do brasil torrado no forno ou na frigideira.

Montagem

Preparar o prato com o arroz e colocar por cima o peixe. Ao seu entorno colocar o molho preparado no liquidificador e uma folha de jambu para decorar.

Projetos inovadores impulsionam o agronegócio e fortalecem a sustentabilidade em Roraima

Projetos impulsionam o agro em Roraima. Foto: Raquel Maia/Amazônia Agro/Rede Amazônica RR

A inovação tecnológica ocupa um espaço cada vez maior no agro de Roraima, inclusive para melhorar atividades marcadas por trabalhos manuais e pelo alto risco à vida dos trabalhadores. É o caso da colheita do açaí, por exemplo, tradicionalmente feita de forma manual, mas que tem ganhado novas oportunidades por meio da inovação.

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Segundo Reginaldo Rhubí, coordenador de inovação na Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação (Seadi) em Roraima, políticas públicas adotadas pelo Governo estadual com foco no agro tem colaborado para a mudança e melhoria do setor.

“Nos últimos anos houve, na gestão do governador Denarium, uma mudança estratégica na política de gestão do desenvolvimento, fazendo com isso uma reestruturação e dentro desse aspecto nós tivemos duas mudanças significativas do que diz respeito à inovação. Uma delas é a criação da Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento e Inovação, fazendo com que o Governo do Estado tenha uma política oficial e efetiva sobre ciência, tecnologia e inovação, e também com a criação da Fundação de Amparo à Pesquisa (FAPERR), que são instituições que têm fins complementares dentro do processo de inovação”.

Segundo ele, nesse aspecto, com a execução da política geral de desenvolvimento ‘Roraima 2030’, “existe o eixo de desenvolvimento sustentável que tem como visão transversal a ciência, a tecnologia e a inovação, com aspectos que, olhando para o agro, hoje nós temos muitos projetos alinhados com essa iniciativa, observando a inovação com aspecto à política do agro”.

Um dos exemplos é a própria FAPERR que, por meio de editais, tem incentivado os projetos inovadores roraimenses, que também contemplam o agro.

“Nesse aspecto, nos últimos anos, nós temos adotado dentro da Expoferr o que nós chamamos de Hub Seadi de Innovation, que é o nosso hub de inovação aonde discutimos, trazemos e agregamos projetos de inovação e tecnologia com o foco no agro”, exemplifica.

“Na última edição da Expoferr (em 2025), nós tivemos o primeiro edital do Agro Inventores, que foi uma iniciativa do secretário Márcio Granjeiro, com a experiência que ele tem de agrônomo, de produtor rural e também de uma sensibilidade em entender que o produtor tem demandas que muitas das vezes não são atendidas pelo mercado. O próprio produtor acaba sendo inventor e resolve a sua necessidade. Por isso criamos o prêmio que, nesta primeira edição, nos mostrou que esse é um incentivo muito importante para ser feito junto com quem realmente tem a demanda”, completa Rubhi.

Saiba mais: Prêmio AgroInventores de Roraima impulsiona inovação durante Expoferr Show 2025

A ação promoveu incentivo aos “inventores” (estudantes, universitários, produtores, etc) e o coordenador de inovação espera que a edição de 2026 seja ainda maior, como uma forma de “incentivar cada vez mais a capacidade inventiva local, para que com isso a gente estimule a criação de novos negócios, de negócios de impacto ao setor agropecuário”.

Incentivo à inovação: universo agro é amplo

Lembra o exemplo da colheita do açaí? Um dos cases de inovação que mostra o potencial no agro é o do Climbot: um robô desenvolvido para mecanizar a colheita do açaí em áreas de floresta nativa, especialmente na Amazônia, e que se destaca como uma solução inovadora para a realidade do extrativismo

A ideia do projeto surgiu em 2019, a partir de um problema conhecido por quem vive do extrativismo, já que para alcançar os cachos de açaí, o trabalhador precisa subir palmeiras que podem ultrapassar dezenas de metros de altura. Além de colocar vidas em risco, essa atividade limita a escala de produção e impacta diretamente a renda de quem depende da prática.

Agro em Roraima
Colheita de açaí no agro em Roraima. Foto: Wenderson Nunes.

Foi nesse contexto que o Climbot começou a ser desenvolvido, e funciona como um equipamento escalador que é capaz de subir pelo tronco do açaizeiro, realizar o corte do cacho com precisão e retornar o solo, sem que o trabalhador precise se expor ao risco de altura.

Todo o sistema foi projetado para operar em ambientes de floresta, lidando com irregularidades naturais e com a variação de diâmetro do tronco das palmeiras, além de reduzir significativamente o risco de acidentes. 

Desenvolvido pela Agranus, uma startup de base tecnológica, o robô foi concebido especificamente para a realidade do açaizeiro e da floresta amazônica, já que diferentemente de máquinas adaptadas de outros setores, o Climbot tem como objetivo respeitar a floresta em pé, sem a necessidade de derrubada das palmeiras ou de alterações no ecossistema.

Além disso, o projeto também prevê ações de compensação ambiental, como a produção e distribuição de mudas de açaí para produtores, fortalecendo a sustentabilidade da atividade.

Leia também: Conheça o processo de produção do açaí até ficar pronto para consumo

Robô Cilmbot ajuda no extrativismo do açaí no agro em Roraima. Foto: Arquivo pessoal/ Carlos Coutinho

“O objetivo principal do projeto é substituir ou reduzir drasticamente o risco da colheita manual, promovendo maior segurança ao trabalhador, aumento da produtividade, padronização do processo e melhoria das condições de trabalho no extrativismo do açaí. Além disso, o Climbot busca viabilizar a colheita em regiões onde há escassez de mão de obra qualificada, garantindo a continuidade da atividade econômica de forma sustentável”, explica o CEO da startup, Carlos Coutinho

De acordo com Coutinho, o projeto incorpora avanços em engenharia mecânica, com um sistema de escalada próprio, e está em evolução para integrar visão computacional, software embarcado e inteligência artificial, permitindo maior automação, precisão na identificação dos cachos e otimização do processo de colheita.

Para a Agranus, segundo o CEO, o impacto social do projeto é tão relevante quanto o tecnológico. ”O Climbot representa uma inovação também do ponto de vista social e econômico, ao reduzir acidentes de trabalho, aumentar a eficiência da colheita e gerar impacto positivo direto na renda dos produtores”, ressalta. 

Leia também: Prêmio AgroInventores de Roraima impulsiona inovação durante Expoferr Show 2025

Foto: Rafael Rocha/Embrapa

Atualmente, o Climbot passa por testes em campo, acompanhado por empresas que validam o desempenho do equipamento. Com a patente já submetida, o projeto avança para a fase de consolidação como produto comercial e desponta como uma das iniciativas mais promissoras do agro na amazônia.

O Climbot mostra que é possível aliar tecnologia, sustentabilidade e impacto social positivo no campo. E assim como ele, outros projetos inovadores começam a surgir em Roraima, como a startup que faz trabalhos com foco no ambiental, não só para propriedades rurais, mas também com foco na recuperação de áreas. 

Cheia do rio Guaporé causa de morte de filhotes de tartarugas em Rondônia

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Filhotes de tartarugas no rio Guaporé são encontrados mortos. Foto:  Milton Castelo/Secom RO

A cheia do rio Guaporé ameaça o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo, localizado em São Francisco do Guaporé, na fronteira de Rondônia com a Bolívia. Com a elevação do nível do rio, áreas que antes ficavam secas foram alagadas, fazendo com que muitos filhotes morram afogados ainda nos ninhos.

Leia também: Infográfico – Saiba quantas e quais espécies de quelônios existem na Amazônia

As alterações no regime de chuvas têm afetado diretamente o ciclo reprodutivo das tartarugas na região amazônica. As mudanças climáticas atrasaram o período de desova e alteraram o nascimento dos filhotes, aumentando os riscos à espécie.

Para tentar minimizar os impactos, voluntários trabalham diariamente cavando a areia das margens do rio para resgatar as tartaruguinhas ainda dentro dos ninhos.

O trabalho é realizado pela Ecovalle, uma associação sem fins lucrativos que há 26 anos atua em parceria com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) na preservação da espécie. A mobilização tem atraído não só voluntários da associação, mas também moradores, pescadores e turistas.

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filhotes de tartaruga são encontradas mortas pós cheia ddo rio guaporé
Tartaruga-da-Amazônia. Foto: Frank Néry/Secom RO

“Pescadores, turistas, vieram e se sensibilizaram com essa situação e estão aqui ajudando a salvar filhotes, estávamos salvando o maior número possível que a gente conseguir”, conta o voluntário Zeca Lula.

O local é considerado o maior berçário de tartarugas de água doce do mundo. Somente nesta temporada de nascimento, mais de 150 mil filhotes já foram soltos na natureza.

Ninho de filhotes no rio Guaporé

Cada ninho pode abrigar mais de 100 tartarugas. No entanto, o atraso no período de desova, de quase dois meses fora do previsto, e a cheia inesperada têm comprometido a sobrevivência dos filhotes.

De acordo com o coordenador de Meio Ambiente, José Carrath Neto, o trabalho exige atenção constante às mudanças climáticas.

“O grande aprendizado é que, ano após ano, a gente aprende que as condições climáticas na região acabam alterando alguns ciclos e nós precisamos estar atentos a essa mudança para que a gente possa criar métodos e estratégias para poder minimizar os impactos em relação à fauna, à vegetação”, explica.

Rio Guaporé (RO). Foto: Ésio Mendes/Secom RO

Segundo dados do Ibama, o número de tartarugas que conseguem chegar à idade reprodutiva subiu de 1,5% para 3% desde o início das ações de preservação. Mesmo assim, especialistas alertam para riscos futuros.

A médica veterinária Camila Ferrara, especialista em quelônios amazônicos da WCS Brasil, acompanha o trabalho há mais de 20 anos e destaca que o problema não é isolado. Segundo ela, o fenômeno não aconteceu apenas no rio Guaporé, mas em vários rios da Amazônia.

“Mas se esse fenômeno passar a acontecer todos os anos, a gente não vai ter a entrada de novos indivíduos na população, que é o que a gente chama de recrutamento”, alerta.

*Por Gedeon Miranda, da Rede Amazônica RO

Ovitrampas: nova estratégia vai monitorar o Aedes aegypti em Manaus para combater a dengue

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Foto: Divulgação/Semsa Manaus

A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), anunciou o uso de uma nova estratégia para o controle e monitoramento do Aedes aegypti, mosquito transmissor de arboviroses como dengue, zika e chikungunya: as ovitrampas.

Manaus registrou uma redução de 52,7% dos casos de dengue em 2025, em comparação com 2024. A titular da Semsa, Shádia Fraxe, destaca que a nova tecnologia vai começar a ser implementada a partir de fevereiro, tendo o apoio da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Ministério da Saúde.

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As ovitrampas são recipientes que vão permitir contabilizar e mapear digitalmente os locais com maior presença do mosquito na capital amazonense.

“As doenças transmitidas pelo Aedes são uma preocupação permanente da Prefeitura de Manaus, por isso a Semsa atua de maneira sistemática no combate ao mosquito e busca inovações para aprimorar os processos e o resultado das medidas de controle”, destaca a gestora.  

Leia também: 1 mosquito e 4 doenças: conheça o Aedes aegypti, o “maldito do Egito”

O chefe da Divisão de Controle de Doenças Transmitidas por Vetores da Semsa, Alciles Comape, explica que as ovitrampas são recipientes de plástico com palhetas de madeira Eucatex que, no caso de já existirem mosquitos circulando na comunidade, servem para que as fêmeas do Aedes coloquem os ovos.

Após alguns dias da instalação, os agentes de saúde fazem a retirada da palheta para que seja possível verificar a quantidade de ovos produzida em cada área.

“Depois da instalação, as ovitrampas devem ser retiradas pelos agentes de saúde no prazo de cinco a seis dias, ou seja, antes do nascimento das larvas do mosquito, evitando que se torne um criadouro do Aedes. As palhetas com os ovos são encaminhadas ao laboratório para contagem e o registro do quantitativo no aplicativo Conta Ovos, disponibilizado com o apoio do Ministério da Saúde e Fiocruz”, informa Alciles Comape.

De acordo com o planejamento da Semsa, serão instaladas 240 ovitrampas em cada uma das quatro zonas urbanas de Manaus (Norte, Sul, Leste e Oeste), em bairros ou localidades selecionadas, incluindo os 18 bairros em Alta Vulnerabilidade identificados do 4º Levantamento do Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa), realizado em novembro de 2025.

Instalação das ovitrampas

O planejamento para 2026 envolve a instalação das ovitrampas por no mínimo 26 semanas, representando 50% das semanas epidemiológicas ao longo do ano, como recomendado pelo Ministério da Saúde.

“Cada ovitrampa será instalada em um imóvel que esteja localizado na área central entre nove quarteirões, tornando possível a avaliação da situação de infestação do mosquito em cada localidade. Os locais de instalação poderão ser modificados ao longo do ano, de acordo com a necessidade identificada pelos serviços de vigilância epidemiológica e ambiental”, informa Alciles.

A instalação não será feita dentro das residências, mas na área externa dos imóveis, em uma altura preferencialmente de até 80 centímetros ou, dependendo do caso, no máximo de 120 centímetros. Também deverá ficar ao abrigo da chuva e da luz do sol, e fora do alcance de crianças e animais domésticos, e a ovitrampa não deve ser movimentada até o dia da coleta.

monitoramento de dengue em manaus - aplicação de ovitrampas
Foto: Divulgação/Semsa Manaus

“Para isso, precisamos do apoio da população para que a nova estratégia de monitoramento e controle do Aedes aegypti possa ser efetivada. As informações obtidas vão gerar mapas de calor, indicando os bairros com maior risco e ajudando as equipes de saúde a agir de forma mais rápida e eficiente nas ações de controle. É uma estratégia moderna que fortalece a prevenção das arboviroses e contribui para a proteção da saúde da população”, destacou Alciles Comape.

Em 2026, a Semsa pretende realizar um LIRAa no mês de novembro, quando poderá identificar os bairros vulneráveis que servirão de indicador para as novas instalações das ovitrampas no ano de 2027.

Casos de dengue em Manaus

No ano passado, o município de Manaus registrou 1.237 casos confirmados de dengue, o que representou uma redução de 52,7% em comparação com 2024, quando foram registrados 2.615 casos. A Semsa ainda registrou no ano passado 10 casos confirmados de zika e 79 de chikungunya.

No último LIRAa realizado em 2025, Manaus manteve o indicador de médio risco para as doenças transmitidas pelo Aedes aegypti, com um nível de infestação predial de 1,8%, considerando que médio risco compreende valores entre 1,0 e 3,9.

O levantamento indicou seis bairros com alto risco no índice de infestação predial (índices acima de 4% de infestação):

  • Tarumã,
  • Da Paz,
  • Alvorada,
  • Lírio do Vale,
  • Nova Esperança
  • e Santo Agostinho.

A partir dos indicadores de infestação, associados com o número de notificações de dengue, zika e chikungunya, a Semsa elaborou um Mapa de Vulnerabilidade, que mostrou 18 bairros considerados como em alta vulnerabilidade:

  • Tarumã-Açu,
  • Tarumã,
  • Cidade Nova,
  • Parque 10 de Novembro,
  • Flores,
  • Aleixo,
  • Jorge Teixeira,
  • Gilberto Mestrinho,
  • Zumbi,
  • São José Operário,
  • Compensa,
  • Centro,
  • Santa Etelvina,
  • Colônia Terra Nova,
  • Alvorada,
  • Nova Esperança,
  • Santo Antônio
  • e Petrópolis.

“Os dados do LIRAa permitem o direcionamento das ações de controle para as áreas de maior vulnerabilidade, buscando a prevenção das doenças. A utilização de ovitrampas vai reforçar o trabalho utilizando novas tecnologias. Apesar disso, a população deve manter a atenção para evitar depósitos de água que possam virar criadouros do mosquito, como forma de colaborar com o controle do mosquito e prevenção de doenças”, orienta Alciles Comape.

*Com informações da Semsa Manaus

Módulo é lançado para monitorar desenvolvimento de crianças indígenas

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Foto: João Risi/Ministério da Saúde

O Ministério da Saúde anunciou um novo projeto para a promoção e proteção da saúde de crianças indígenas. Por meio da Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), foi desenvolvido o primeiro módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância dentro do Sistema de Atenção à Saúde Indígena (Siasi), ferramenta tecnológica que coleta, gerencia e disponibiliza dados sobre a saúde indígena.

“Com esse módulo inédito, teremos melhorias no acompanhamento pediátrico integral dessas crianças e poderemos registrar os marcos de desenvolvimento. Dessa forma, será possível a identificação precoce de agravos e doenças prevalentes na infância”, aponta a diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena, Putira Sacuena.

Leia também: Mortalidade de crianças indígenas é mais que o dobro das não indígenas

Anteriormente, o rastreio do desenvolvimento infantil não possuía um campo específico no SIASI, o que dificultava a padronização dos registros e a análise dos dados. Com essa inovação, será possível a supervisão integral de crianças de 0 a 10 anos.

Segundo o MS, o módulo será uma ferramenta essencial de apoio às equipes multidisciplinares para organização da puericultura, avaliação dos marcos do desenvolvimento neuropsicomotor, acesso à triagem neonatal, rastreio de sinais de risco para o transtorno do espectro autista (TEA) e identificação de situações de vulnerabilidades, incluindo suspeitas de violência.

Lançamento do módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância Indígena no Siasi
Diretora do Departamento de Atenção Primária à Saúde Indígena, Putira Sacuena. Foto: Reprodução/Youtube Sesai

A iniciativa também fortalecerá a articulação entre a atenção primária, a vigilância em saúde e o diálogo com especialistas das medicinas indígenas.

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Lançamento do Módulo

O lançamento oficial do módulo de Monitoramento do Desenvolvimento na Infância Indígena no Sistema de Informação da Atenção à Saúde Indígena (Siasi) ocorreu nesta segunda-feira (19), no Auditório Emílio Ribas da sede do Ministério da Saúde.

O evento foi transmitido pelo YouTube da Sesai. Participam da atividade representantes dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI). Assista:

*Com informações do Ministério da Saúde