Peregrinação de Nossa Senhora do Carmo acontece todos os anos, com saíde de Manaus e destino à Parintins. Foto: Thyago Lima
A 17ª edição da Romaria das Águas poderá ser acompanhada ao vivo pelo canal Amazon Sat. A transmissão da Bênção de Saída acontece no dia 13 de julho, diretamente do anfiteatro da Ponta Negra, em Manaus (AM), a partir das 18h (horário local) – 19h (horário de Brasília) e 17h (horário do Acre) -, marcando o início da peregrinação fluvial rumo a Parintins.
Idealizada pelo artista plástico Juarez Lima em 2009, a Romaria das Águas nasceu como cumprimento de uma promessa e, ao longo dos anos, transformou-se em uma das maiores manifestações de fé da Amazônia.
A peregrinação reúne centenas de embarcações e milhares de fiéis durante o trajeto entre Manaus e Parintins, em homenagem a Nossa Senhora do Carmo, padroeira da Ilha Tupinambarana. Após a morte de Juarez Lima, em 2024, a organização passou a ser conduzida por seus familiares, que mantêm viva a tradição criada pelo artista.
Jair Mendes ao lado de Juarez Lima durante uma das edições da Romaria das Águas. Foto: Juarez Lima Filho e Thyago Lima/Acervo pessoal
Confira a programação da transmissão da Bênção de Saída da Romaria das Águas 2026:
Horário
Programação
17h00
Abertura oficial e recepção dos fiéis
18h00
Momento Cultural Amazônico
19h00
Celebração da Bênção de Saída
19h50
Show de Evangelização
A cerimônia reúne romeiros, autoridades, representantes da Igreja Católica e artistas em um momento que une religiosidade, cultura e tradição amazônica. Após a bênção, a imagem de Nossa Senhora do Carmo inicia a peregrinação fluvial em direção a Parintins, onde integra a programação da festa da padroeira do município, celebrada em 16 de julho.
Acre segue entre os estados com pior desempenho em democracia ambiental na Amazônia Legal. Foto: Reprodução/Secom AC
O Acre continua entre os estados com pior desempenho em democracia ambiental na Amazônia Legal, segundo o Índice de Democracia Ambiental (IDA), divulgado no dia 2 de julho pelo Instituto Centro de Vida (ICV) e pela Transparência Internacional Brasil. Um ano após aparecer entre os últimos colocados no levantamento, o estado permaneceu na faixa considerada “ruim” e voltou a registrar um dos piores resultados na proteção de defensores ambientais.
Segundo os dados, o Acre passou de 26,5 pontos, registrados no levantamento anterior, para 35,5 nesta edição. Apesar da melhora na pontuação, o estado continua entre os cinco com pior desempenho da Amazônia Legal. Já no indicador que mede a proteção de defensores, a nota passou de 2,5 para 2,9 pontos, mantendo o Acre atrás apenas de Roraima, que registrou 0,8 ponto.
O levantamento avaliou 120 indicadores para medir como a União e os nove estados da Amazônia Legal garantem transparência, acesso à informação, participação social, acesso à Justiça e proteção aos direitos socioambientais.
Entre os estados, Mato Grosso (56,7 pontos), Pará (55,3), Amazonas (43,8) e Maranhão (41,9) receberam classificação “regular”. Já Tocantins (39,6), Rondônia (36,2), Amapá (35,8), Acre (35,5) e Roraima (22,8) ficaram na faixa “ruim”. A média dos estados foi de 40,8 pontos.
Acre possui cerca de 85% de sua cobertura vegetal nativa preservada. Foto: Pedro Devani/Secom AC
Segundo o estudo, a proteção de defensores foi o aspecto mais crítico avaliado. A média dos estados nesse indicador foi de apenas 15,1 pontos. A pesquisa aponta ainda que apenas Mato Grosso, Maranhão e Pará possuem mecanismos próprios de proteção a defensores ambientais.
De acordo com a Transparência Internacional Brasil e o ICV, a maioria dos estados ainda não conta com estruturas capazes de prevenir riscos, proteger ativistas e responder de forma adequada a situações de violência contra pessoas que atuam na defesa do meio ambiente.
Estudo defende temas ambientais
O levantamento conclui que a agenda de proteção a defensores ambientais ainda é pouco institucionalizada na Amazônia Legal. Para os pesquisadores, os estados precisam de políticas públicas voltadas à prevenção de ameaças, à proteção de ativistas e ao enfrentamento de casos de violência.
Entre as recomendações do estudo está a aprovação, pelo Senado, do Acordo de Escazú, tratado internacional voltado à garantia dos direitos de defensores ambientais.
Acre aparece entre os estados com classificação “ruim” na pesquisa. Imagem: Reprodução/Instituto Centro de Vida (ICV) e Transparência Internacional Brasil
O documento também propõe ampliar os programas de proteção, incentivar a participação social em temas ambientais e criar estruturas especializadas em meio ambiente, questões fundiárias e povos indígenas no Judiciário, no Ministério Público, nas Defensorias Públicas e nas polícias.
Proteção a defensores ambientais
Raimundo Mendes de Barros é um dos líderes ambientais de Xapuri. Foto: Reprodução
O baixo desempenho do Acre no indicador de proteção a defensores ambientais já havia sido apontado na edição de 2025.
Além disso, a divulgação do levantamento ocorreu em meio à repercussão da Operação Suçuarana, feita pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) na Reserva Extrativista Chico Mendes, em Xapuri.
A ação de combate a crimes ambientais provocou protestos de moradores e colocou em evidência o debate sobre a segurança de lideranças que atuam na defesa do meio ambiente.
Na ocasião, uma das lideranças que relatou ameaças foi Raimundo Mendes de Barros, conhecido como “Raimundão”, primo de Chico Mendes e uma das principais referências do movimento extrativista no Acre.
O Comitê Chico Mendes, formado por familiares do líder seringueiro, divulgou uma nota pública em defesa de Raimundão e afirmou que ele vinha sofrendo ameaças por atuar na defesa da floresta e das comunidades tradicionais.
Filhote de harpia foi registrado durante monitoramento do segundo ninho da espécie na Bolívia. Foto: Divulgação/MHNNKM
Após meses de monitoramento, um filhote de harpia teve seu nascimento registrado na Bolívia. O Programa de Conservação da Harpia, liderado pelo Museu de História Natural Noel Kempff Mercado (MHNNKM), no departamento de Santa Cruz, documentou de forma inédita, no dia 7 de julho, o ciclo reprodutivo da espécie considerada em perigo de extinção nas florestas bolivianas.
De acordo com o museu, o nascimento do filhote ocorreu nos primeiros meses deste ano, como resultado do monitoramento permanente do ninho descoberto em setembro de 2025 no município de Santa Rosa del Sara.
“Após anos de trabalho de campo, múltiplas expedições de monitoramento e o esforço conjunto do programa (…) foi possível registrar o segundo nascimento de um filhote de harpia (Harpia harpyja) confirmado para a Bolívia”, disse o museu por meio de suas redes sociais.
O monitoramento do ninho permitiu documentar o ciclo reprodutivo pela primeira vez de forma contínua na Bolívia. Foto: Divulgação/MHNNKM
O ninho foi localizado após uma busca sistemática promovida por pesquisadores do museu, com o apoio da família Drawert, proprietária da área onde essas aves vivem. A descoberta possibilitou acompanhar de perto um novo ciclo reprodutivo, uma expectativa que meses depois foi confirmada com o nascimento do filhote.
Antes da descoberta, as águias já haviam sido avistadas em várias ocasiões tanto pela família quanto por especialistas. Esses registros guiaram o trabalho de campo até que identificassem o local onde iniciariam um novo ciclo reprodutivo. Meses depois, essa expectativa se tornou realidade.
O nascimento possibilitou documentar continuamente todo o ciclo reprodutivo e obter informações sobre sua biologia e ecologia, conhecimento que até então era escasso na Bolívia e essencial para fortalecer as estratégias de conservação.
Segundo o pesquisador Alexander Blanco, assessor internacional do programa desde sua criação, o ninho está entre os maiores ativos documentados para a espécie em toda a sua área de distribuição, uma característica que aumenta o valor científico do monitoramento.
Harpia em perigo
A harpia é uma das maiores aves de rapina do mundo.Foto: Divulgação/MHNNKM
Os resultados dessa pesquisa são ainda mais relevantes porque o Livro Vermelho de Vertebrados da Bolívia 2026 recategorizou a harpia como ameaçada, após ter sido considerada vulnerável e, subsequentemente, quase ameaçada.
Conhecida como o “emblema do ar de Santa Cruz”, esta espécie de águia é uma das maiores aves de rapina do mundo. Pode atingir entre 90 centímetros e pouco mais de um metro de comprimento, uma envergadura de asas de até 2,24 metros e desenvolver garras de quase sete centímetros. Habita florestas úmidas de planície e necessita de grandes extensões de cobertura florestal para estabelecer seus ninhos e encontrar alimento.
O Livro Vermelho de Vertebrados da Bolívia 2026 recategorizou a águia como ameaçada. Foto: Divulgação/MHNNKM
Sua reprodução progride lentamente, característica que faz de cada nova prole um registro de enorme importância para a conservação. A espécie põe um ou dois ovos e, entre 34 e 35 meses, podem se decorrer entre o nascimento de uma prole, dificultando a recuperação de suas populações diante de ameaças constantes.
O Livro Vermelho identifica a perda e degradação das florestas, a caça ilegal, colisões com linhas de energia e perseguição humana entre os principais riscos para sua sobrevivência.
Na Bolívia, o tamanho de sua população ainda é desconhecido, por isso especialistas consideram prioritário expandir pesquisas sobre sua distribuição, sucesso reprodutivo e requisitos de conservação.
O museu ressaltou que o monitoramento permanente do ninho fornece informações sem precedentes sobre a biologia e ecologia dessa ave, uma base científica que orientará futuras ações de conservação de uma espécie que hoje enfrenta um risco maior de desaparecer das florestas bolivianas.
O deputado federal pelo estado do Amazonas, Sidney Leite (PSD), em conversa no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat, afirmou que a força tarefa de deputados e senadores da Amazônia para mudar a legislação sobre o transporte aéreo e fornecer mais opções de voos na região é para o que ele chamou de “modernizar a legislação”.
Para o parlamentar, os amazônidas vivem “isolados” do restante do Brasil por vias terrestres e, por isso, o poder público precisa agir diante das empresas concessionárias que estão oferecendo o serviço em cidades que estão dentro da Amazônia Legal.
“Precisamos modernizar a legislação haja vista que nós na Amazônia vivemos no isolamento. Pagamos uma passagem absurda que é mais cara que um voo internacional. Nós temos dificuldades de voos entre as capitais. Para você ter uma ideia, o cidadão que mora no Amazonas, no município de Guajará, que fica na fronteira com o Acre tem que ir pra Cruzeiro do Sul pegar um voo para Rio Branco, pegar um outro voo na madrugada para Brasília e de Brasília pegar um voo para Manaus, o que é um desrespeito para com a população da Amazônia”, afirmou o deputado federal.
Sidney Leite afirmou ainda que preços de passagens aéreas fora da região, com distâncias mais longas, são mais baratos que de viagens curtas entre cidades na Amazônia.
“Se eu tirar uma passagem de Manaus para Salvador e parar em Brasília, essa passagem é mais barata que o trecho ‘Manaus – Brasília’ e não há nada que justifique isso. Mas isso não é só em relação a Manaus. O que acontece é que nós temos o monopólio de três companhias aéreas e com esse projeto de lei nós queremos atrair empresas internacionais para fazer voos que iniciem ou terminem na Amazônia, não só garantindo a oferta de voos, mas diminuindo o preço das passagens”, comentou.
Preço de carga no voos
O deputado federal Sidney Leite afirmou ainda que a situação atual do tráfego aéreo também encarece o preço do transporte de carga e isso afeta cidades como Manaus que possuem uma alta produção industrial. Para ele, os projetos de lei farão com que essa situação também possa ser corrigida.
“Queremos também diminuir o preço de carga porque nós temos uma demanda muito grande. Para você ter uma ideia, o aeroporto da cidade de Manaus é terceiro maior aeroporto de movimento de cargas do país, ficando atrás só do aeroporto de Guarulhos e Viracopos no estado de São Paulo. Nós praticamos isso de forma absurda. O cidadão de qualquer parte do país compra pela internet e recebe em três dias no máximo a sua demanda, já nós não, porque vivemos nesse isolamento e na ditadura desse monopólio das companhias aéreas”, pontua.
A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições:
quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30.
Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
Doutor em Literatura, o autor junta sua produção ficcional na nova publicação da Editora Valer. Imagem: Divulgação
A literatura amazônica ganha um novo título de destaque com o lançamento do livro ‘Com o rio Negro na boca’, do escritor Thiago Roney, publicado pela Editora Valer, em Manaus (AM). Reunindo 24 contos escritos ao longo de 14 anos, a obra consolida uma trajetória literária marcada pela experimentação da linguagem, pelo absurdo do cotidiano, pelo tempo sombrio no Brasil e pela construção de uma Amazônia distante dos estereótipos.
Em vez da anomalia da normalidade, os textos mergulham em conflitos familiares, violência, religiosidade, infância, delírio e desigualdade social, fazendo do rio Negro uma poderosa imagem simbólica que atravessa toda a coletânea.
Em ‘Com o rio Negro na boca’, a escrita de Thiago Roney transita entre o grotesco e o lírico, entre a violência e a ternura, criando narrativas em que o cotidiano é continuamente tensionado até seus limites.
Os personagens vivem situações extremas e transformam o pensamento, a memória e a própria linguagem em matéria narrativa, conduzindo o leitor a um universo onde realidade e delírio se confundem.
Livros de Thiago Roney revelam sua trajetória
Professor, pesquisador e escritor, Thiago Roney é doutor em Literatura pela Universidade de Brasília (UnB), mestre em Letras e Artes pela Universidade do Estado do Amazonas (UEA) e autor dos livros ‘O estouro da artéria de um cavalo húngaro’ (2013), ‘A merda do mundo’ (2015), ‘O drone de Yebá Buró – um poema cosmopolítico’ (2022) e ‘Realismo dos fantasmas da periferia: o pensamento do realismo mágico’ (2025).
O lançamento do novo livro, ‘Com o rio Negro na boca’, será realizado no dia 14 de julho, às 19h, no Valer Teatro (Salão Verde), localizado na Rua José Clemente, n° 600, no Largo São Sebastião, Centro de Manaus.
O Amapá lidera a insegurança alimentar grave no Norte, com 9,3% dos domicílios nessa situação. O cenário contrasta com o recuo da fome no restante do Brasil. Foto: Fábio Tito
A Região Norte tem a realidade mais alarmante do país quanto ao acesso à comida: apenas 37,7% dos lares têm segurança alimentar. O dado contrasta com o cenário nacional no mês em que o Brasil completa um ano oficialmente fora do Mapa da Fome.
Enquanto o país avança, o Amapá registra 9,3% de seus domicílios em situação de insegurança alimentar grave. O que representa cerca de 81 mil pessoas sem ter o que comer diariamente.
Em Macapá, a geladeira da diarista Kátia Santos tem apenas água no congelador e pouca comida na gaveta. O pouco que ela tem em casa não é suficiente para o almoço dos quatro filhos pequenos.
“Hoje nós temos um pedaço de frango que sobrou de ontem. Aí é o que vai ser feito o almoço. Eu sempre falo, eu não almoçando, mas meus filhos comendo, para mim está ótimo”, diz a diarista.
O cenário no Norte contraria a tendência nacional, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
Os indicadores mostram que, embora a fome tenha diminuído no país, 18,9 milhões de famílias brasileiras ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar. No Norte, contudo, a proporção de lares que vivem com a garantia de comida na mesa vem caindo.
Dados da região Norte mostram que insegurança alimentar ainda é um problema. Foto: João Pantoja/Rede Amazônica AP
Impacto do clima e da economia local
Para o técnico do IBGE Joel Lima, o empobrecimento do prato na Amazônia está ligado a fatores climáticos e econômicos.
“Não nos parece ser uma coincidência que os estados que têm maior percentual de domicílios, de moradores em insegurança alimentar moderada ou grave, serem da região norte. Tem algo a ver tanto com as questões estruturais de produção de alimentos que está acontecendo agora, recente, questão das secas ou cheias extremas, as mudanças climáticas, e também por essa questão mesmo da economia dessas regiões ser muito dependente do Estado, poder estatal”, falou.
Quando o foco se fecha no Amapá, o estado lidera negativamente com o nível mais crítico de fome da região Norte. O índice aumentou em relação ao ano anterior e hoje representa 22 mil lares amapaenses.
A economista e pesquisadora em desenvolvimento territorial Lúcia Tereza Ribeiro do Rosário explica que o Amapá vive o paradoxo de ter fartura natural, mas não produzir o próprio sustento.
“Por outro lado, a gente tem uma baixa capacidade de produção alimentar. E isso encarece os produtos. Por que isso acontece? Porque a gente tem que trazer alimentos de fora. E isso encarece a nossa alimentação. Fica mais complicado para as pessoas poderem comer. Pessoas em situação de vulnerabilidade, exemplo, pessoas de baixa renda. No momento em que há uma alta de preços de alimentos, isso faz com que ela tenha uma baixa capacidade de adquirir esses alimentos”, afirma a economista.
R$ 1.010 para sustentar 5 pessoas
Para sobreviver, Kátia faz faxinas esporádicas quando consegue alguém para olhar os filhos. No entanto, o sustento fixo da casa depende inteiramente de benefícios sociais do governo, que somam R$ 1.010 por mês para sustentar cinco pessoas.
“Mas eu falo assim, eu nunca perco a esperança. Eu quero poder trabalhar, voltar a trabalhar para dar o que comer e que beber para os meus filhos. Eu falo, eu vou lutar e vou até o fim para conseguir coisas melhores para os meus filhos, principalmente na alimentação”, relata a diarista.
Para reverter a insegurança alimentar no Amapá e nos demais estados do Norte, a pesquisadora Lúcia Rosário aponta três frentes de ações necessárias para o poder público:
Emprego e renda: Ampliar as políticas locais de geração de trabalho para reduzir a dependência exclusiva de auxílios;
Integração de benefícios: Melhorar as políticas de proteção social regionais, integrando de forma mais eficiente as ações das prefeituras e do estado com o governo federal;
Produção local: Promover políticas públicas voltadas para o fortalecimento da agricultura e o barateamento da alimentação regional.
*Por Isadora Pereira e Michele Ferreira, da Rede Amazônica AP
Artista indígena venezuelano Santiago Pemón. Foto: Divulgação/Sesc
O músico indígena venezuelano Santiago Pemón lançou o primeiro EP da carreira para levar a música ancestral do povo Pemón-Taurepang a públicos de diferentes regiões do Brasil. O trabalho reúne três faixas inspiradas em cantos tradicionais, interpretadas na língua materna e acompanhadas por instrumentos como violoncelo e percussão.
Natural de Santa Elena de Uairén, na Venezuela, na fronteira com o Brasil, Santiago foi criado na comunidade indígena Manak-Krü, onde encontrou na música uma forma de preservar e compartilhar a cultura do povo Pemón. O trabalho pode ser ouvido em plataformas digitais de música:
Atualmente, Santiago atua como orientador musical do Serviço Social do Comércio (Sesc), que também apoiou o lançamento do primeiro EP chamado de “Santiago canta o povo Pemón“. Nas três faixas, ele une a tradição oral indígena a elementos da música contemporânea.
Segundo o artista, o EP representa um passo importante na trajetória musical. “Chega um momento em que o artista encontra o próprio caminho, o próprio estilo. Depois disso, o próximo passo é gravar”, afirmou.
Santiago vê o lançamento como o início de novas oportunidades: “Depois da primeira gravação, muitas outras possibilidades se abrem”.
Repertório do artista
O repertório do artista apresenta releituras de cantos tradicionais do povo Pemón. As duas primeiras faixas são inspiradas em ritmos ancestrais ligados aos rituais e celebrações da comunidade. A terceira composição é autoral e traz uma abordagem mais contemporânea, utilizando apenas voz, violoncelo e percussão.
Na primeira música, Santiago interpreta um Parixara, dança tradicional associada aos rituais que celebravam a abundância da caça. A canção recebe uma nova leitura com o violoncelo, instrumento inexistente na versão original, mas incorporado à estrutura da obra.
A segunda faixa revisita o ritmo Tükui, tradicionalmente relacionado aos rituais de fartura dos peixes. A terceira composição é uma criação pessoal, sem letra, em que a voz é utilizada como um instrumento. A obra faz um percurso entre momentos de reflexão e esperança, simbolizando a passagem da noite para o amanhecer.
Imagem: Reprodução/Sesc RR
Santiago conta que reinterpretar essas músicas é uma maneira de manter viva a identidade de seu povo.
“Continuo sendo um indígena tocando violoncelo. Não deixo de ser quem sou por usar um instrumento que veio de outro lugar. O que faço é trazer os cantos do meu povo com respeito, preservando sua essência e mostrando que a cultura também pode dialogar com o presente”.
Santiago também integra o Trio Pémon, formado ao lado dos irmãos Luis e Greccia Páez. Atualmente, os três seguem projetos individuais — Greccia estuda em Santa Catarina e Luis se dedica às artes plásticas e à música em Roraima —, por isso o trio se reúne para apresentações e gravações quando a agenda permite. Relembre o trio:
Além da disputa entre Caprichoso e Garantido, Parintins também encanta visitantes pelas paisagens naturais e pela possibilidade de contemplar a cidade amazonense de diferentes ângulos. Durante o período das festividades, turistas e moradores podem aproveitar diversos espaços para conhecer a Ilha Tupinambarana do alto e registrar imagens panorâmicas da região.
Esses locais valorizam os atrativos turísticos da cidade. Conheça três locais que proporcionam vistas privilegiadas de Parintins e ajudam a tornar a experiência na ilha ainda mais especial:
Bumbódromo de Parintins
Muito além de ser o palco do maior festival folclórico da Amazônia, o Bumbódromo permite observar uma característica marcante de Parintins: a divisão por cores não é somente dentro da arena. A arquitetura da arena acompanha essa tradição, e o lado vermelho está voltado para a região historicamente ligada ao Boi Garantido, enquanto o lado azul aponta para a área ligada ao Boi Caprichoso. O local oferece visitas mediadas durante o Festival em junho.
Vista áerea de Parintins e do Bumbódromo. Foto: Paulino produções
Vista do lado vermelho (Garantido)
Do lado encarnado da arena é possível observar:
Uma vista panorâmica dos bairros e ruas tradicionalmente ocupados pelos torcedores do Boi Garantido.
A direção da Cidade Garantido, curral oficial onde acontecem ensaios, eventos e concentrações da galera vermelha.
Uma visão ampla da Arena Cultural e de toda a extensão do complexo do Bumbódromo.
Vista do lado azul (Caprichoso)
O lado azul oferece uma observação mais ampla da cidade, permitindo observar:
O Bairro da Francesa, tradicional reduto do Caprichoso, onde está localizado o Curral Zeca Xibelão.
Parte do centro urbano de Parintins.
A arena central e as arquibancadas azuis.
A torre e a Catedral de Nossa Senhora do Carmo.
Dependendo da altura do ponto de observação, especialmente em áreas mais elevadas como os camarotes ou mirantes do 7º andar, é possível ter uma ampla vista da cidade até o Rio Amazonas.
Com aproximadamente 42 metros de altura, a torre da Catedral proporciona uma das vistas mais completas de Parintins. Do alto, é possível contemplar praticamente toda a cidade em uma visão panorâmica de 360 graus.
Vista do alto da torre da Catedral. Foto: Rebeca Almeida/Portal Amazônia
Entre os principais pontos visíveis estão:
O Bumbódromo, palco oficial das apresentações dos bois Garantido e Caprichoso.
O Rio Amazonas, com suas embarcações.
O centro de Parintins.
O conjunto histórico formado pelo Obelisco da Fundação e pelo Cruzeiro das Missões, localizados nas proximidades da catedral.
Diversos bairros que compõem a cidade.
Dicas extras para os torcedores
Para os apaixonados pelos bois, o roteiro traz ainda sugestões especiais que não são “do alto”: do lado azul, o Píer Caçapava oferece uma estrutura voltada aos torcedores do Caprichoso, com vista para o rio Amazonas.
Já os torcedores do Garantido podem visitar o píer localizado na casa do compositor Sandro Putinok, o Paulista, no bairro São Benedito. O espaço, aberto ao público, homenageia um dos grandes nomes da história do boi vermelho e branco e se tornou ponto de encontro para os apaixonados pelo Garantido.
Segundo Denis Carvalho, especialista em projetos da Fundação Rede Amazônica (FRAM), conhecer diferentes pontos turísticos da cidade é uma forma de ampliar a experiência dos visitantes.
“Parintins possui uma riqueza cultural e paisagística que vai muito além da arena. Conhecer a cidade por diferentes perspectivas permite que moradores e turistas fortaleçam sua conexão com o território e vivenciem ainda mais a cultura amazônica”, destaca.
Além de valorizar o patrimônio turístico do município, a iniciativa busca incentivar a circulação de visitantes por diferentes espaços da cidade, fortalecendo o turismo local e ampliando as experiências de quem visita a ilha.
A ação busca fortalecer a valorização da cultura popular amazônica, preservar a memória coletiva e ampliar o acesso às tradições do Festival Folclórico de Parintins por meio de conteúdos educativos, culturais e informativos exibidos em diferentes plataformas do Grupo Rede Amazônica.
Fiscalização do Osinfor reduziu o número de árvores fantasmas (aquelas listadas nos planos de gestão, mas que não estão presentes na floresta) de 14.367 em 2015 para apenas 82 em 2025. Foto: Reprodução/Agência Andina
Nos últimos dez anos, o número de ‘árvores fantasmas‘ no departamento de Loreto, no Peru, foi reduzido em mais de 99% graças à inspeção florestal realizada pela Agência de Supervisão dos Recursos Florestais e da Vida Selvagem (Osinfor) com base nas informações que os usuários da floresta registram nos planos de manejo florestal.
Fiscalização do Osinfor reduziu em mais de 99% os relatos de ‘árvores fantasma’ em Loreto. Foto: Reprodução/Agência Andina
Segundo informações da Osinfor, o número de árvores fantasmas (aquelas que constam nos planos de gestão, mas não existem na floresta) diminuiu de 14.367 em 2015 para apenas 82 em 2025.
Este resultado decorre do trabalho colaborativo com a Direção Regional de Recursos Naturais e Gestão Ambiental de Loreto, que fortaleceu a capacidade de fiscalização da Osinfor.
As inspeções preliminares realizadas para aprovação dos planos de gestão e o envio oportuno das informações de licenciamento por meio da plataforma SIADO Região permitem que a Osinfor disponha de dados precisos e atualizados para o planejamento e a execução de suas inspeções.
“Todas as atividades de colheita sujeitas a um plano de manejo devem atender a certas condições para garantir uma colheita responsável. Hoje podemos afirmar que a taxa de árvores faltantes caiu para menos de 1%, o que significa que os planos de manejo contêm informações precisas sobre a floresta”, disse César Escalante Fernández, coordenador do Escritório Descentralizado da Osinfor em Iquitos.
Fiscalização do Osinfor reduziu em mais de 99% os relatos de ‘árvores fantasma’ em Loreto. Foto: Reprodução/Agência Andina
Em Loreto, existem 67 planos de gestão florestal ativos. Destes, 21 são planos gerais de gestão florestal (PGMF) caracterizados por planejamento industrial de alto impacto, 15 são planos intermediários de gestão florestal (PMFI) que permitem a extração de até 2.500 m³ e 31 são declarações de gestão florestal (DEMA) que autorizam a colheita de um máximo de 600 m³ de madeira.
Para garantir que os recursos não se esgotem, tanto o PGMF quanto o PMFI dividem a área de exploração em planos operacionais (PO), o que permite que uma parcela seja explorada, enquanto as outras permanecem intocadas e se regeneram naturalmente por meio de suas árvores-semente.
“Sem planos de gestão florestal, a exploração madeireira seria insustentável, pois não haveria como controlar a atividade florestal de acordo com a modalidade de cada usuário, e o resultado seria a ilegalidade. Esses instrumentos são o que nos permitem verificar se o que eles declaram corresponde ao que realmente existe na floresta”, explicou Anselmo Saavedra Vargas, analista florestal da Osinfor.
Fiscalização do Osinfor reduziu em mais de 99% os relatos de ‘árvores fantasma’ em Loreto. Foto: Reprodução/Agência Andina
Comprometidos com a legalidade
Com o objetivo de garantir o cumprimento das obrigações e a prática da legalidade em concessões e propriedades privadas com a DEMA e a PMFI, a Osinfor realizou duas oficinas de capacitação em Iquitos, destinadas a 26 proprietários e gestores florestais representando 39 títulos habilitadores no departamento de Loreto.
As oficinas foram realizadas com o apoio do Centro de Inovação Produtiva e Transferência Tecnológica Florestal de Maynas (CITE) e abordaram temas como a correção voluntária de pequenas inconformidades, a notificação preventiva, os processos de inspeção e supervisão da Osinfor, o registro no livro de operações e a elaboração do relatório de execução.
Pirarucu ao molho de maracujá do chef Edielson Souza. Foto: Reprodução/Amazon Sat
A temporada 2026 do programa Sabores da Amazônia, do canal Amazon Sat, explora muito mais que ingredientes e receitas. Agora, o programa se aprofunda na trajetória dos chefs e ensina, com mais detalhes e alguns segredos, as receitas selecionadas.
O chef Edielson Sousa é um dos convidados que mostra que a gastronomia é construída pela experiência e pela dedicação em todas as etapas da profissão. Para ele, o aprendizado adquirido ao longo da carreira foi fundamental para se tornar o profissional que é hoje.
“Eu me sinto um chefe completo. Eu fui açougueiro, então aquela minha experiência hoje serve para a minha chefia, para a cozinha. Se precisar de mim no fogão, eu faço. Se precisar lavar panela, eu lavo. Se precisar ir para a churrasqueira, eu vou. Se precisar bandejar no salão, eu bandejo também. Vale muito a pena passar por processos que vão gerando mais experiências para você. É a minha vida, é o que eu amo fazer”, afirma.
Chef Edielson Souza no programa Sabores da Amazônia. Foto: Reprodução/Amazon Sat
O chef destaca ainda que a busca constante por conhecimento é uma das chaves para crescer na gastronomia.“Vale muito a pena você ter perseverança, ter a vontade de adquirir conhecimento. Eu vou ser sempre desse jeito: assumir responsabilidades, tomar a frente e buscar melhorias. Sempre.”
Eldielson Sousa já participou do programa na temporada 2026, e para conferir a história completa do chef é só clicar aqui.
A receita do episódio é um pirarucu ao molho de maracujá. Segundo o chef, o prato une dois ingredientes marcantes da região amazônica em uma combinação equilibrada entre o sabor suave do peixe e o frescor do maracujá. Confira:
Ingredientes para o pirarucu ao molho de maracujá:
Para o peixe:
2 filés de pirarucu porcionados
1/2 pimentão
1/2 cebola
2 dentes de alho
Chicória a gosto
Suco de 1 limão
Sal a gosto
Pimenta-do-reino a gosto
1/2 xícara de vinho branco
Para o molho:
Polpa de maracujá
Açúcar a gosto
Sal a gosto
Suco de 1/2 limão
1 colher (chá) de amido de milho (dissolvido em um pouco de água)
Pirarucu ao molho de maracujá do chef Edielson Souza. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Modo de preparo
1. Marinada e preparo do peixe:
Porcione os filés de pirarucu.
No liquidificador, bata o pimentão, a cebola, o alho, a chicória, o suco de limão, o sal, a pimenta-do-reino e o vinho branco até formar uma marinada. Coloque os filés em um refratário e cubra com a marinada.
Cubra com papel-alumínio e leve ao forno por 30 a 40 minutos.
2. Molho de maracujá:
Em uma panela, coloque a polpa de cinco maracujás. Adicione uma pequena quantidade de açúcar, uma pitada de sal e o suco de meio limão.
Leve ao fogo baixo, mexendo ocasionalmente, até que o molho reduza e adquira uma textura homogênea e levemente encorpada.
3. Montagem:
Disponha o pirarucu assado no prato. Regue generosamente com o molho de maracujá.
Finalize com pimenta-biquinho e folhas de chicória para decorar. Sirva ainda quente.
Pirarucu ao molho de maracujá do chef Edielson Souza. Foto: Reprodução/Amazon Sat
Dica do chef
O chef Edielson recomenda servir o prato de pirarucu ao molho de maracujá acompanhado de vinho branco, ressaltando a harmonia entre a leveza do pirarucu e a acidez equilibrada do molho de maracujá.
“O pirarucu ao molho de maracujá é um prato literalmente amazônico. É uma receita que faz muito sucesso no restaurante e que também fica perfeita para ocasiões especiais, como as festas de fim de ano”, destaca.