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Casos de Doença de Chagas mostram importância do manejo de alimentos à base de frutos amazônicos

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Foto: Éder Souza/Acervo pessoal

A ocorrência recente de episódios severos de Doença de Chagas no Pará, entre eles a morte de um jovem de 26 anos na Região Metropolitana de Belém, evidencia um problema recorrente: a contaminação causada, sobretudo, por falhas no preparo de alimentos à base de frutos amplamente consumidos na Amazônia, como açaí, bacaba, buriti e outros derivados de palmeiras.

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Em Ananindeua, o paciente recebeu diagnóstico e faleceu poucos dias depois. A principal linha de investigação das autoridades sanitárias aponta para a ingestão de açaí contaminado durante a etapa de manipulação.

A administração municipal confirmou novos registros, ampliou inspeções em estabelecimentos comerciais e passou a acompanhar moradores com sinais compatíveis. O caso ocorre em um contexto onde esses alimentos integram a rotina alimentar, a economia local e práticas culturais tradicionais.

Leia também: Mudanças climáticas podem ampliar área de risco da Doença de Chagas na Amazônia

Para o biólogo Éder Souza, professor da Afya Faculdade de Ciências Médicas de Itacoatiara, situações como essa integram a dinâmica regional da enfermidade. “Na Amazônia, a Doença de Chagas não se limita ao contato com o barbeiro. A via oral tem papel central e está diretamente relacionada à ausência de controle sanitário adequado durante o preparo dos alimentos”, explica.

Para o pesquisador, os indicadores reforçam o papel estratégico da cadeia produtiva dos alimentos, sem estigmatizar o consumo. “O problema não está no açaí, na bacaba ou no buriti. O risco surge quando o manejo não segue as orientações sanitárias. Optar por pontos de venda confiáveis é uma medida essencial de proteção”, destaca.

Casos da Doença de Chagas na Amazônia Legal

Na Amazônia Legal, a concentração expressiva dos casos está no Pará. O estado lidera as notificações da doença no país e responde por cerca de 80% dos registros da região Norte, na última década. Dados da Secretaria de Saúde do Pará mostram a notificação de 536 casos da doença em 2023, número que caiu para 485 em 2024.

Já em 2025, foram contabilizados 484 episódios e oito óbitos, com maior incidência em municípios como Breves, Barcarena, Belém, Muaná, Ananindeua e Abaetetuba. O órgão informa que 89% das infecções locais ocorrem por via oral, associadas a produtos contaminados.

Casos de Doença de Chagas
Pesquisa analisa relação de alimentos amazônicos com a Doença de Chagas. Foto: Éder Souza/Acervo pessoal

No Amazonas, a evolução da Doença de Chagas também demonstra permanência do agravo no território, embora sem muita incidência. Em 2023, foram 11 casos, com redução para cinco em 2024 e quatro em 2025.

Nos demais estados da Amazônia Legal, os dados consolidados de 2024, disponíveis no DataSUS, apontam o Amapá com 41 casos, o Acre com 17, Maranhão e Mato Grosso com dois episódios cada, Rondônia e Tocantins com apenas uma notificação. Roraima não apresentou registros no período. O quadro confirma que, embora o Pará concentre a maior parte das ocorrências, a doença permanece ativa em praticamente toda a região.

Éder Souza, que ministra no curso de Medicina da Afya a disciplina “Tópicos em doenças infecciosas e parasitárias aplicadas ao contexto amazônico”, avalia que essas variações não indicam superação do problema nos estados com menor número de notificações. “Elas revelam a presença contínua do parasita no território, influenciada por fatores ambientais, climáticos, sociais e também pela capacidade de diagnóstico e vigilância”, afirma.

Leia também: Doença de chagas: especialista responde principais dúvidas

Como ocorre a contaminação

A contaminação ocorre quando o protozoário Trypanosoma cruzi alcança o alimento durante a colheita, o transporte ou o beneficiamento, geralmente por meio de insetos infectados ou de seus resíduos. Diferente da forma vetorial clássica, essa modalidade pode atingir várias pessoas simultaneamente, como em surtos familiares ou comunitários.

Segundo Souza, a proteção depende de práticas rigorosas, porém viáveis. “Higienizar adequadamente os frutos, aplicar o choque térmico, manter ambientes limpos e utilizar água potável no preparo são ações simples, eficazes e amplamente recomendadas pelos órgãos de saúde”, observa.

Para o público, a orientação envolve observar a procedência dos produtos e estar atento a sinais como febre persistente, fadiga intensa, dores musculares, inchaço facial, náuseas ou mal-estar após o consumo de alimentos artesanais. A procura imediata por assistência médica é fundamental, já que o tratamento na fase aguda apresenta elevada eficácia.

Nível do Rio Acre está acima da cota de inundação, mas em processo de descida

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Bacia do Rio Acre. Foto: Clemerson Ribeiro/Anac

O rio Acre está em processo de descida na capital Rio Branco (AC), segundo Boletim de Alerta Hidrológico do Serviço Geológico do Brasil (SGB), divulgado na tarde desta segunda-feira (19/01). De acordo com os dados, o nível está na marca de 14,41 m, acima da cota de inundação fixada em 13,50 m. A previsão é que o rio chegue a 14,20 m no período da noite. As informações foram divulgadas às 14h (horário de Brasília) e às 12h (horário local do Acre).

Nas demais estações, o nível do rio está na cota considerada normal para o período. Em Xapuri (AC), o rio marca 9,64 m e, em Brasiléia (AC), o nível está em 8,05 m.

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O monitoramento em tempo real pode ser acompanhado pelo Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Acre (SAH Acre).

Os boletins de alerta hidrológico da Bacia do Rio Acre continuarão a ser divulgados pelo SGB até que os níveis de todas as estações se normalizem. Após esse período, o SGB retoma com a emissão semanal de boletins de monitoramento hidrológico, como parte da Operação 2025-2026 do Sistema de Alerta Hidrológico da Bacia do Rio Acre.

rio acre
De Assis Brasil até Rio Branco, todas as cidades registraram vazante. Foto: Pedro Devani/Secom AC

Monitoramento do rio Acre

O SGB iniciou, na terça-feira (13/01), a emissão de boletins de alerta hidrológico do SAH Acre em razão do grande volume de chuvas na região e da rápida elevação do nível do rio. Esses boletins apresentam previsões dos níveis dos rios para as próximas horas, contemplando as cidades de Rio Branco, Xapuri, Brasiléia e Epitaciolândia. Até o momento, 19 boletins foram publicados.

Com o instrumento, o SGB informa sobre os níveis que o rio deve atingir nos municípios e possibilita antecipar cenários nas cidades localizadas nas bacias. Desse modo, auxilia as Defesas Civis e órgãos municipais nas atividades de prevenção e apoio às populações afetadas por inundações.

Clique aqui para acompanhar os boletins disponíveis no portal SACE.

Leia também: Bairros da capital acreana sofrem com enchente do Rio Acre em 2025

Parceria

O monitoramento dos rios é feito a partir de estações telemétricas e convencionais, que fazem parte da Rede Hidrometeorológica Nacional (RHN), coordenada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA). O SGB opera cerca de 80% das estações, gerando informações que apoiam os sistemas de prevenção de desastres, a gestão dos recursos hídricos e pesquisas. As informações estão disponíveis na plataforma SACE.

Governo federal reconhece emergência em Rio Branco

O governo federal reconheceu a situação de emergência em Rio Branco por conta das enchentes. A medida foi oficializada por meio da Portaria nº 153, de 15 de janeiro, publicada no Diário Oficial da União (DOU) pela Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil nesta segunda-feira (19).

A decisão do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), assinada pelo secretário Wolnei Wolff Barreiros, tem como base o decreto nº 1.212, de 14 de março de 2025, que foi prorrogado no último dia 29 de dezembro em razão da segunda cheia do Rio Acre em menos de um ano.

*Com informações do Serviço Geológico do Brasil e da Rede Amazônica AC

Norte apresenta níveis de perda de água acima da média nacional, aponta Trata Brasil

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Norte e Nordeste são as regiões com maior perda de água. Foto: balouriarajesh/Pixabay

Diante de cenários de escassez hídrica e da intensificação das mudanças climáticas, o controle de perdas de água torna-se indispensável para manter a segurança e a disponibilidade do abastecimento. Um estudo do Instituto Trata Brasil alerta que esses desperdícios geram impactos negativos ao meio ambiente, à receita e aos custos de produção das empresas e, principalmente, à população.

Segundo dados do SINISA, ano-base 2023, 40,31% da água produzida nos sistemas de distribuição é perdida antes de chegar aos consumidores.

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Ao considerar o volume total não faturado — consumida sem autorização ou perdida antes de chegar ao consumidor — em 2023, cerca de 5,8 bilhões de m³, esse montante equivale a 6.346 piscinas olímpicas de água tratada ou 21.153.224 caixas d’água, suficientes para abastecer diariamente uma família de cinco pessoas.

Quadro 1 – Perdas na Distribuição por Macrorregião Brasileira, 2023

Norte e Nordeste apresentam níveis de perdas de água acima da média nacional, aponta Trata Brasil

Leia também: Região Norte ainda vive cenário crítico de saneamento básico, aponta levantamento do Trata Brasil

Norte e Nordeste são as regiões mais afetadas com a perda de água

A situação de perdas no Brasil apresenta significativas diferenças quando se comparam suas diversas macrorregiões.

É possível concluir que Norte (49,78%) e Nordeste (46,25%) são as regiões mais carentes e que enfrentam os maiores desafios para a redução dos índices de perdas.

Além disso, são também aquelas que apresentam os piores indicadores de atendimento de água, coleta e tratamento de esgotos.

Alagoas (69,86%), Roraima (62,51%) e Acre (62,25%) são os estados que mais perdem na
distribuição.

Conforme definido como meta pela Portaria nº 490/2021, do Ministério do Desenvolvimento Regional (MDR), o nível aceitável de perdas deve ser de, no máximo, 25% na distribuição e 216 litros por ligação/dia até 2034.

*Com informações do Instituto Trata Brasil

Programas especiais do Amazon Sat embarcam no universo agro de Roraima; confira as estreias

Produção de commodities em Roraima é destaque nacional. Foto: Reprodução / Amazon Sat

Na Amazônia, o setor agro tem se tornado um destaque principalmente com relação ao cultivo de grãos como soja e milho, pela criação de gado e aves, além da produção de frutas e outros alimentos. Com isso, existem ações voltadas para práticas produtivas mais sustentáveis, mesmo com desafios para equilibrar a utilização da natureza e os interesses econômicos.

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O Governo de Roraima incentiva a economia do estado com mudanças significativas: de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Roraima lidera o Brasil em expansão do PIB entre 2019 e 2023, com destaque para agropecuária, diversificação produtiva e avanços em energia e serviços.

Governador de Roraima festeja recorde de safra do agronegócio no estado
Governador de Roraima, Antonio Denarium, comemorando na produção de soja. Foto: Divulgação/Governo de Roraima

O canal Amazon Sat busca mostrar a realidade dos estados na Amazônia e, em Roraima, tem acompanhado a movimentação dos setores econômicos com conteúdos que revelam detalhes sobre a expansão do estado, suas práticas sustentáveis e como tem registrado um retorno positivo para a região.

Os programas Amazon Sat Agro e IgaraPod Amazon Sat produziram materiais em fazendas, fábricas e entrevistaram quem atua diretamente na economia roraimense. As estreias dos programas especiais vão ao ar nos dias 26 e 27 de janeiro, respectivamente.

Para o coordenador de jornalismo do Amazon Sat, Lemmos Ribeiro, é importante falar sobre o crescimento de Roraima e seu papel na economia brasileira.

“Atualmente, o estado é responsável pelo abastecimento de parte da região Norte e também atende ao mercado internacional. É esse movimento que buscamos mostrar ao produzir esse tipo de conteúdo. Em janeiro, estivemos em campo conversando diretamente com produtores rurais e com iniciativas públicas e privadas para compreender como a safra tem crescido a cada nova colheita e qual o impacto disso no desenvolvimento econômico do estado”, afirma o coordenador.

amazon sat em roraima
Amazon Sat produz conteúdos agro para grade. Foto: Reprodução / Amazon Sat

Especiais do Amazon Sat com foco no cenário agro

No episódio especial do Igarapod Amazon Sat gravado no estado, o apresentador Dudu Monteiro de Paula recebeu, por exemplo, o secretário de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação de Roraima, Márcio Granjeiro, além de produtores locais. Ele conversou com os convidados sobre a sustentabilidade e inovação no setor agro de Roraima.

Gado bovino é símbolo da economia de Roraima. Foto: Reprodução / Amazon Sat

Segundo Dudu, o Igarapod Amazon Sat especial em Roraima busca desvendar o crescimento econômico do estado olhando por vários prismas, pois foi a região que mais cresceu nos últimos seis anos, de acordo com dados do IBGE.

“Fundamentalmente, foi exatamente na agricultura que Roraima acabou deslanchando sua economia, e é exatamente esse papo que nós tivemos com as pessoas, como o vice-governador, o secretário de agricultura e conversamos com alguns produtores. E esse aqui é um estado totalmente agrícola, de norte a sul, tem tantas ações”, adianta o apresentador. 

Já no programa especial Amazon Sat Agro, as repórteres Isabelle Lima e Joiana Costa apresentam dados mais específicos sobre exportações, investimentos e commodities que são mais produzidas em Roraima.

Em um dos blocos do programa, Murilo Ferrari, presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho (Aprosoja), comenta sobre o cenário atual da plantação de soja e milho. O empresário Gennor Faccio completa o papo sobre a fomentação da produção de arroz.

Isabelle Lima e Joiana Costa apresentando o Amazônia Agro. Foto: Reprodução / Amazon Sat

Ao longo do mês de janeiro também serão transmitidos outros conteúdos voltados ao estado de Roraima, com flashes e produções exclusivas.

“O diferencial do Amazon Sat está na forma como se dedica a contar as histórias da região com profundidade, presença e diversidade de formatos”, assegura Lemmos Ribeiro.

Confira os canais do Amazon Sat:

  • Manaus/AM: (44.1)
  • Porto Velho/RO: (22.1)
  • Rio Branco/AC: (31.1)
  • Macapá/AP: (29.1)
  • Boa Vista/RR: (23.1)

DNA: Pesquisa inédita com genoma protege espécies de peixes da Amazônia

Conjuntos de DNA foram decifrados por estudo inédito feito pela UFPA. Foto: Adriano Gambarini/OPAN

O pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum) são duas espécies de peixes amazônicos que, além de compartilharem o bioma de origem, possuem outras características em comum: a alta demanda pela gastronomia e a dificuldade de reprodução em ambientes de piscicultura.

Foram essas características que os elegeram as primeiras espécies a terem seus conjuntos de DNA decifrados por um estudo inédito conduzido pela Universidade Federal do Pará (UFPA).

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Segundo o pesquisador Sidney Santos, que liderou a equipe do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas, o estudo foi motivado pela necessidade de conter os impactos causados pelo avanço da exploração predatória dessas espécies, em função do aumento da demanda.

“A ideia central é, se você de uma forma equilibrada e direcionada conseguir conhecimento suficiente para produzir esses peixes do jeito mais sustentável possível, você pode diminuir a demanda da natureza”, explica.

Leia também: Onça-pintada e peixe-boi têm genomas mapeados em alta qualidade, anuncia GBB

DNA

A forma mais completa de buscar esse conhecimento é decifrando o DNA (ácido desoxirribonucleico) fornecido por amostras biológicas de vários indivíduos das espécies. Essa molécula, composta por quatro tipos de nucleotídeos (Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G), guarda informações precisas sobre saúde, traços físicos e ancestralidade, por exemplo.

No caso do estudo com o pirarucu e o filhote, os cientistas colheram amostras de mais de 100 peixes, para que os DNAs pudessem ser lido por um sequenciador genético capaz de entender a ordem dos nucleotídeos. Cada ordem diferente traz informações sobre um ser vivo, que juntas formam o genoma daquela espécie. Um tipo de manual completo sobre o grupo.

“Isso pode valer para qualquer animal que você imagine, qualquer vegetal. O modelo é sempre o mesmo. Se você, de uma forma sustentada, consegue a informação completa sobre o genoma desses animais, você pode fazer qualquer coisa com eles, inclusive reproduzir”, diz Santos.

Leia também: Estudo realizado por pesquisadores do Pará e São Paulo sequencia primeiro genoma do cupuaçu

Segundo o pesquisador, na prática, é possível saber se aquele peixe é filho de uma matriz para produção na piscicultura, ou se ele foi retirado diretamente da natureza e comercializado para outro país.

Rastreabilidade

A proteção das espécies vai além de aliviar a retirada do meio ambiente de peixes reproduzidos naturalmente. Por meio do conhecimento do genoma das espécies, é possível também saber a origem precisa daquele animal.

Segundo o diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, Igor Hamoy, que participou do estudo da UFPA, além de todo o conhecimento fisiológico, o genoma permite a rastreabilidade genética.

Estudo da UFPA som dna de peixes foi motivado pela necessidade de conter impactos causados pelo avanço da exploração predatória
Um dos DNAs estudados é do pirarucu. Foto: Divulgação/WWF Brasil

“Com a história que está dentro do genoma do pirarucu, por exemplo, eu consigo descobrir se um pirarucu que está sendo vendido em Boston foi oriundo da Amazônia”, diz Hamoy.

Ele destaca ainda que toda a informação trazida pelo estudo é registrada em um banco genético público, possibilitando o avanço de novas pesquisas sobre a espécie.

“Eu consigo descobrir exatamente que espécie é aquela e não ter mais dúvidas se o nome científico ou o nome vulgar, que está sendo utilizado por uma comunidade, é realmente aquele peixe que aquela comunidade amazônica há muito tempo come, há muito tempo trabalha”, destaca.

Avanços

Foi a partir da informação obtida, que os pesquisadores conseguiram avançar sobre os principais entraves em relação a psicultura do pirarucu e do filhote: a indução do hormônio sexual, o desenvolvimento de uma nutrição adequada para ambientes artificiais e a rastreabilidade para evitar que espécies amazônicas sejam comercializadas de forma ilegal.

Segundo a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais, do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, esses avanços da ciência são orientadores na implementação de políticas públicas de conservação no país.

“A pesquisa genética contribui para aumentar nosso conhecimento sobre a biodiversidade brasileira e também contribui para a gente conseguir melhor compreender o que a gente já fez e o que ainda falta ser feito,” afirmou.

De acordo com a secretária, o planejamento até 2030, previsto na Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb) foi pensado a partir do que a ciência aponta ser necessário para reduzir a perda de biodiversidade e regenerar os biomas brasileiros.

Algumas políticas públicas dependem ainda mais dos genomas decifrados por cientistas, como é o caso da elaboração das listas de espécies exóticas invasoras e Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção. Outro exemplo citado pela secretária é o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado pelo governo federal em 2024.

“Em processos de refaunação, porque fauna desapareceu, ou restauração de vegetação, essa biblioteca de informação genética permite que a gente possa ter acesso ao conhecimento necessário para devolver aos lugares certos as espécies”, explica Mesquita.

Leia também: Estudo aponta que genoma de povos originários da Amazônia foi moldado pela Doença de Chagas

Desafios

Na avaliação do pesquisador Sidney Santos, a ampliação de estudos para decifrar genomas de espécies em geral é um tipo de conhecimento que tem uma tendência de avançar no país e em todo o mundo, principalmente pela diminuição do custo dos recursos necessários.

“O genoma humano, que foi o primeiro, demorou 10 anos para fazer, custou de US$ 2,5 a 3 bilhões. A partir daí, o poderio das máquinas foi aumentando. Hoje, com o MGI, que é o equipamento [sequenciador de DNA] que usamos, você consegue fazer 48 genomas humanos em 3 horas, a um custo, que eu espero que ainda diminua, de US$1,5 mil a US$ 2 mil no máximo”, diz.

Por outro lado, Hamoy destaca que para a região amazônica os desafios são maiores que em outras regiões do país. De acordo com Santos, além do equipamento da UFPA ser o único sequenciador genético do setor público da Amazônia, há ainda o chamado “custo Amazônia” causado por dificuldades logísticas e operacionais.

“O custo hoje está menor, mas não é um custo ainda acessível para qualquer pesquisador, para qualquer universidade. Então o parque tecnológico que a UFPA tem aqui, no Laboratório de Genética Humana e Médica, é um parque que consegue fazer tudo isso, informou.

Pesquisador da UFPA, Sidney Santos, liderou  estudo sobre impactos causados pelo avanço da exploração predatória. Foto: Sidney Santos/Arquivo Pessoal
Foto: Sidney Santos/Acervo Pessoal

“Mas o insumo dessa pesquisa, por exemplo, tem que ser financiado. Então, assim, são muitas linhas de pesquisa, que precisam de financiamento, especialmente aquelas que são pesquisas aplicadas”, acrescentou.

Para Rita Mesquita, o trabalho para assegurar que espécies não sejam perdidas é um desafio do tamanho da biodiversidade do país: a maior do mundo.

“O que o Ministério [do Meio Ambiente] faz nesse sentido é continuar trabalhando com a ciência para aprimorar nossa informação sobre áreas prioritárias, continuar buscando a proteção dos territórios para as espécies, principalmente aquelas mais ameaçadas, que essas espécies tenham a devida proteção para não desaparecer”, reforça.

E o papel da ciência é parte fundamental para gerar conhecimento que permita que a interação de humanos com espécies de qualquer bioma seja pautada por parâmetros de sustentabilidade, destaca a secretária.

“Isso vale para bicho e vale para planta. Se a gente tem formas de manejar de maneira sustentável, formas de recuperar, restaurar e devolver, a gente pode estabelecer uma relação onde as espécies possam ser manejadas a partir de princípios sustentáveis do manejo de baixo impacto e com populações asseguradas em áreas protegidas”, conclui.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Brasil, escrito por Fabíola Sinimbú

Lençóis Maranhenses podem ter acesso limitado, segundo ICMBio

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Foto: Fernando Donasci/MMA

Com um crescimento de quase 200% no número de visitantes entre 2019 e 2024, o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses se tornou um dos principais marcos do turismo de lazer, ecológico e práticas esportivas do Brasil. Em 2019, o parque recebeu em torno de 141.000 visitantes, já em 2024 foram 440.000, um crescimento de 191% no período.

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Os dados do ano passado ainda não foram somados, mas levando em conta apenas os primeiros 7 meses do ano, o número de turistas ultrapassou os 381.000, número 37% superior, quando comparado ao mesmo período do ano anterior.

De olho nesses dados, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), que realiza a administração do parque, estuda implantar um limite de de entradas de pessoas nos Lençóis Maranhenses.

A chefe do Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses, Cristiane Figueiredo, destaca a necessidade de uma construção coletiva para que o turismo na região continue sendo sustentável e reforça que é preciso monitorar os impactos desse aumento na visitação nos últimos anos.

“A responsabilidade de proteger o Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses é de todos nós, é do ICMBio, é do trade turístico, é dos turistas e dos moradores também. Então, o Parque Nacional dos Lençóis, o ICMBio, junto com as prefeituras e o trade turístico de Santo Amaro, Barreirinhas e de Primeira Cruz, nós estamos trabalhando para poder fazer o monitoramento dos impactos do turismo e também para definir o número balizador da visitação”.

Lençóis Maranhenses recebe certificação da Unesco como Patrimônio Natural da Humanidade
Foto: Fernando Donasci/MMA

Leia também: Trilha Amazônia Atlântica ganha nova etapa de expansão no Maranhão

Ainda não há definição sobre implantação de medidas para controle de fluxo ou prazo para que isso aconteça. 

Planejamento busca melhorar acesso aos Lençóis Maranhenses

Cristiane reforça que o turismo de baixo impacto precisa ser garantido para que os benefícios econômicos e sociais continuem sendo acessados para quem mora ou explora economicamente o parque.

“O turismo ele traz muitos benefícios, muitos benefícios para o parque, muito benefício para as comunidades do dos municípios do entorno do parque, para o estado do Maranhão, mas o o turismo ele também traz impactos. E os impactos negativos, eles precisam ser monitorados, eles precisam ser controlados para que a gente faça o que o nosso turismo ele seja cada vez melhor”.

O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses possui cerca de 156.000 hectares, localizado no Estado do Maranhão, é uma unidade de conservação de proteção integral criada por decreto em 1981. Em 2024, o parque foi reconhecido como patrimônio natural da humanidade pela UNESCO, título que certamente impactou na visibilidade e no interesse dos turistas em visitar a região.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Rádio Agência Nacional, escrito por Madson Euler, com produção de Daiana Vitor

Macapá para o mundo ver: projeto valoriza cultura, cidadania e identidade da cidade

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Macapá, vista aérea por meio de drone. Foto: Breno Melo/Bee Movie

A cidade de Macapá ganha um novo projeto voltado à valorização de sua identidade cultural, à promoção do turismo consciente e ao fortalecimento da cidadania: Macapá para o mundo ver. A iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) propõe ações integradas de comunicação, educação e valorização cultural durante dois dos principais momentos do calendário da capital amapaense: o aniversário da cidade e o carnaval de rua.

Com foco na ocupação qualificada dos espaços públicos, o projeto atua por meio de campanhas educativas, conteúdos audiovisuais, registros culturais e ações de orientação ao público, destacando o carnaval como patrimônio cultural vivo e as festas populares como espaços de convivência, memória e pertencimento. A proposta também incorpora práticas de educação ambiental, incentivando atitudes responsáveis e o cuidado coletivo com a cidade.

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Para a diretora executiva da FRAM, Mariane Cavalcante, o projeto reforça o compromisso da instituição com o desenvolvimento cultural e social da região: “O Macapá Para o Mundo Ver nasce do desejo de valorizar a cidade a partir daquilo que ela tem de mais forte: sua cultura, sua gente e suas manifestações populares. É um projeto que olha para as festas como espaços de educação, de cidadania e de construção de pertencimento, promovendo uma Macapá mais consciente, acolhedora e preparada para ser vista pelo mundo”.

Além de valorizar artistas, blocos e trabalhadores da cultura, o projeto também evidencia o papel da economia criativa e da economia circular impulsionadas no período do carnaval, fortalecendo a cadeia produtiva local e gerando emprego e renda.

Orla Folia em macapá 2024
Foto: Arthur Alves/PMM

De acordo com o coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica, Matheus Aquino, a iniciativa amplia o alcance das ações educativas ao integrar presença territorial e comunicação.

“Nosso objetivo é mostrar que celebrar também é cuidar. O projeto trabalha a educação cidadã e ambiental de forma acessível, dialogando diretamente com quem vive e frequenta a cidade, reforçando práticas como o uso consciente dos espaços públicos, o respeito às pessoas e a valorização da cultura local”, afirma.

As campanhas educativas do projeto ganham força por meio da ampla estrutura de comunicação do Grupo Rede Amazônica, alcançando públicos diversos dentro e fora do estado. Segundo o gerente de conteúdos especiais da Fundação, Anderson Mendes, a estratégia de mídia é fundamental para potencializar o impacto da iniciativa.

“O Macapá Para o Mundo Ver foi pensado para dialogar diretamente com a população por meio dos nossos veículos e das redes sociais. As campanhas educativas vão circular na TV, no rádio, nas plataformas digitais e nas redes, levando mensagens claras sobre cidadania, turismo consciente, valorização cultural e cuidado com a cidade, ampliando o alcance do projeto e fortalecendo seu caráter educativo”, explica.

O Macapá Para o Mundo Ver conta com o apoio da Prefeitura de Macapá e da Tratalyx, além do apoio institucional da Rede Amazônica, Amazon Sat, CBN, Portal Amazônia e G1, com ampla difusão em TV, rádio, plataformas digitais e ações presenciais.

Ao unir cultura, educação, cidadania e sustentabilidade, o projeto reafirma Macapá como uma cidade viva, diversa e criativa — uma capital amazônica que celebra suas raízes com responsabilidade e orgulho, pronta para ser vista pelo Brasil e pelo mundo.

Macapá para o mundo ver

O projeto Macapá para o mundo ver é uma iniciativa da Fundação Rede Amazônica (FRAM) que propõe ações
integradas de comunicação, educação e valorização cultural durante o aniversário da cidade e o carnaval de
rua. Conta com o apoio da Tratalyx e da Prefeitura de Macapá.

Bairros da capital acreana sofrem com enchente do Rio Acre em 2025

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Foto: Dayane Leite/Rede Amazônica AC

O Rio Acre, na capital Rio Branco (AC), segue acima da cota de transbordamento e marcou 14,54 metros às 9h deste domingo (18), segundo a medição da Defesa Civil da capital. O alerta máximo é de 14 metros, marca superada no dia 16 de janeiro.

A atualização mais recente do órgão até então aponta que dez famílias já foram retiradas de casa por conta da cheia, sendo que seis foram levadas ao Parque de Exposições Wildy Viana, onde foram montados 74 abrigos de forma emergencial.

As famílias que solicitaram a remoção vivem em bairros que ficam próximos ao Rio Acre, como Seis de Agosto, Cadeia Velha, Ayrton Senna, Base e Habitasa. A Defesa Civil Municipal concentra as ações emergenciais nessas regiões, inicialmente.

Leia também: Por que Rio Branco teve enchente histórica em dezembro? Entenda fenômeno que causou fortes chuvas

Enchente do Rio Acre
Enchente do Rio Acre em Rio Branco atingiu o nível de 14,54 metros. Foto: Dayane Leite/Rede Amazônica AC

Pelo menos 20 bairros estão atingidos pelos impactos da segunda enchente em menos de 1 mês e a terceira em menos de um ano.

Conforme o último boletim da Defesa Civil de Rio Branco, emitido no sábado (17), são:

  • 20 bairros afetados
  • 521 famílias atingidas
  • 1.823 pessoas atingidas
  • 14 comunidades rurais afetadas

A Defesa Civil, junto com a Energisa, faz inspeções em 12 bairros para verificar riscos na rede elétrica e, quando preciso, realizar desligamentos preventivos. Com o tempo nublado, não foram registradas chuvas significativas no sábado (18), segundo levantamento da pasta.

Grupo Rede Amazônica entrou em contato com o órgão sobre o cenário deste domingo (18) e aguarda retorno.

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Histórico da enchente

Desde dezembro de 2025, a cidade de Rio Branco tem registrado a subida atípica dos igarapés urbanos e do Rio Acre, o principal manancial da cidade. Tal cenário que não era visto há 50 anos.

  • O primeiro transbordamento ocorreu em 10 de março de 2025, quando o nível chegou a 14,13 metros naquele dia. A maior medição daquele período foi de 15,88 metros, quando atingiu mais de 30 mil pessoas;
  • O segundo ocorreu em 27 de dezembro de 2025, a menos de um mês, quando o rio subiu cerca de quatro metros em menos de 24 horas e alcançou 14,03 metros. O nível chegou a 15,41 metros e atingiu mais de 20 mil pessoas;
  • O terceiro foi na última sexta-feira (16), com o manancial marcando 14,01 metros na medição das 15h.

Da penúltima vez que o manancial atingiu essa marca, a menos de um mês, permaneceu por cinco dias acima do nível, depois começou a recuar e saiu da cota de alerta no dia 2 de janeiro, quando marcou 12,91 metros, permitindo, assim, o início da limpeza nos bairros que foram atingidos pela cheia.

As cotas estabelecidas são:

  • ⚠️ Atenção: 10 metros
  • 🚨 Alerta: 13,50 metros
  • ❗ Transbordamento: 14 metros

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Enchente do Rio Acre em Rio Branco atingiu o nível de 14,54 metros — Foto: Dayane Leite/Rede Amazônica

Chuvas

Com previsão de 287,5 milímetros de chuva para janeiro, em 15 dias do mês já foram registrados 372,2 milímetros, o que representa cerca de 129,5% acima do volume esperado.

Ainda de acordo com o órgão, a elevação do rio está relacionada ao período de maior intensidade das chuvas na região. Entre o último domingo (11) e a manhã de segunda-feira (12), choveu 92,2 milímetros em cerca de nove horas na capital acreana.

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC

Dispositivo impresso em 3D é criado no Tocantins para combate à dengue

Projeto está na fase final do Programa Centelha 2, com a conclusão da segunda versão do dispositivo, já aprimorada em termos de atratividade e funcionalidade. Foto: Divulgação/Acervo Pessoal

A startup Wasi Biotech, no Tocantins, desenvolveu uma solução tecnológica inovadora para o enfrentamento de um dos principais problemas de saúde pública no Brasil: a proliferação do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, da zika e da chikungunya

O projeto, coordenado pelo professor e pesquisador doutor Walmirton D’Alessandro, utiliza impressora 3D para a criação de um dispositivo capaz de atrair mosquitos e contaminá-los com um fungo. Ao entrar em contato com o fungo dentro do dispositivo, o mosquito se infecta e passa a disseminar o agente entre outros indivíduos, reduzindo gradativamente a população do vetor.

A solução conta com o apoio do Governo do Tocantins, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Tocantins (Fapt), no Programa Centelha 2 TO.

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O coordenador destacou que a impressora 3D é uma peça-chave no desenvolvimento do projeto. O uso dessa tecnologia permite que o dispositivo seja produzido localmente, a partir de um arquivo digital, reduzindo custos logísticos e facilitando a replicação da solução em diferentes regiões.

“Com o design pronto e o arquivo do produto, qualquer local que tenha uma impressora 3D pode produzir o dispositivo, sem necessidade de transporte físico”, explicou o pesquisador.

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Além do design funcional, a equipe também se preocupa com a estética e a aceitação do produto pela população. O dispositivo foi pensado para ser discreto e pode ser instalado em ambientes internos, como residências, ou em espaços públicos e institucionais. 

Monitoramento e apoio à saúde pública

Outro diferencial do projeto é a integração com tecnologias de monitoramento. O dispositivo poderá emitir sinais Sistema Global para Comunicações Móveis (GSM), permitindo o acompanhamento de dados como temperatura, umidade, pressão atmosférica e localização, além de possibilitar a criação de um observatório digital para apoiar a vigilância em saúde.

Essas informações podem auxiliar gestores públicos na tomada de decisões e no direcionamento de ações de combate às arboviroses.

O projeto tem foco prioritário no modelo Business to Government (B2G), voltado para parcerias com governos e secretarias de saúde.

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Fases do dispositivo

O projeto está na fase final do Programa Centelha 2, com a conclusão da segunda versão do dispositivo, já aprimorada em termos de atratividade e funcionalidade. Os testes iniciais comprovaram a eficácia do fungo utilizado e os próximos passos envolvem a validação do equipamento em campo, considerando as condições climáticas do Tocantins.

O projeto-piloto teve início em Paraíso do Tocantins. A expectativa é expandir a aplicação para Palmas e Gurupi, além de outras cidades, conforme a consolidação das parcerias institucionais.

Educação e comunicação

Equipe da startup Wasi Biotech e da Fapt durante visita técnica ao projeto apoiado pelo Programa Centelha 2 – Divulgação/Acervo Pessoal

Além do desenvolvimento tecnológico, o projeto também investe em educação científica e comunicação acessível, incluindo materiais lúdicos voltados para crianças e famílias, com o objetivo de explicar, de forma simples, como o dispositivo funciona e como contribui para a proteção da saúde.

“Não adianta ter uma tecnologia complexa se a população não entende. A gente precisa falar a linguagem das pessoas”, reforçou o pesquisador Walmirton D’Alessandro.

O projeto conta com uma equipe formada por pesquisadores e profissionais de diferentes áreas. O professor Walmirton D’Alessandro é responsável pela gestão administrativa do negócio. Por sua vez, o professor Ivo Sócrates Moraes auxilia na aplicação da tecnologia ao dispositivo, enquanto a professora Sávia Herrera atua na área de mercado.

A equipe também conta com Iago Figueiredo, responsável pelo desenvolvimento de diferentes designs dos dispositivos; e a professora Aline D’Alessandro, que faz o estudo epidemiológico da doença nas regiões.

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Programa Centelha

O professor Walmirton D’Alessandro, destacou que o Programa Centelha foi fundamental para tirar a ideia do papel e estruturar a startup. “O Centelha foi um divisor de águas. Ele me deu condições de transformar a pesquisa em inovação, captar recursos e levar esse conhecimento para a comunidade”, afirmou.

Pesquisadores, professores, estudantes e empreendedores que desejam transformar ideias inovadoras em negócios de base tecnológica ainda podem participar do Programa Centelha Tocantins. As inscrições foram prorrogadas até o dia 30 de janeiro, ampliando a oportunidade para submissão de propostas que apresentem soluções inovadoras. Os interessados podem conferir o edital completo aqui .

No estado, a iniciativa é realizada pelo Governo do Tocantins, por meio da Fapt, tendo como interveniente a Universidade Estadual do Tocantins (Unitins); e é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e a Fundação Certi.

*Com informações do Governo de Tocantins

Fotógrafo registra festival que celebra cultura ancestral do povo Shawãdawa, no Acre

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Foto: Cleiton Lopes/Secom A

O 6º Festival Kãda Shawã Kaya, na Aldeia Foz do Nilo, no município acreano de Porto Walter (AC), marcou um momento importante para o Povo Shawãdawa. Entre 8 e 11 de janeiro os indígenas celebraram sua cultura ancestral por meio de pinturas corporais, vestimentas originais, arcos e flechas, cantos e danças inspiradas na rica natureza da floresta.

Um dito popular afirma que “uma imagem vale mais do que mil palavras”. E toda a profusão de cores e formas do festival foi captada pelas lentes do fotógrafo Cleiton Lopes, do Governo do Acre, que montou um verdadeiro estúdio fotográfico para registrar o festival com foco, sobretudo, nos personagens que participaram das festividades.

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6º Festival Kãda Shawã Kaya. Foto: Cleiton Lopes/Secom AC

Os aspectos humanos e criativos do povo Shawãdawa foram registrados e o resultado é um arquivo fotográfico que servirá de referência para quem quiser estudar a cultura dos povos originários do Acre.

A beleza indígena e o vigor desse povo, que sofreu no passado um massacre cultural, não podendo praticar os seus costumes, espiritualidade e idioma, passaram por uma regeneração profunda nos mais recentes anos. 

Leia também: Mariri Yawanawa: a celebração da vida na floresta do Acre

6º Festival Kãda Shawã Kaya. Foto: Cleiton Lopes/Secom AC

O concurso de beleza nas vestimentas originais, a disputa de arco e flecha, as brincadeiras, as danças e cantorias, as pinturas corporais, as cerâmicas e artesanatos estão detalhados nas fotografias que agora constituem um registro antropológico da Nação Shawãdawa, conhecidos como “Arara”.

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6º Festival Kãda Shawã Kaya. Foto: Cleiton Lopes/Secom AC

Povo Shawãdawa

O povo Shawãdawa também é conhecido como Arara. A história descrita no site da Comissão Pró-índio (CPI-AC), diz que um ‘branco’ (não indígena) andava caçando na mata e o indígena Arara também, quando os dois se encontraram e o ‘branco’ perguntou: “Como é o nome do seu povo, compadre?”.

O indígena não entendeu a pergunta, mas ele tinha matado uma arara, a levantou e mostrou pro ‘branco’. Com isso, ele entendeu: “Ah, o nome do teu povo é Arara”.

De acordo com a comissão, as terras indígenas se concentram no Igarapé Humaitá, com 87.572 hectares e Jaminawa Arara do Rio Bajé, com 28.926 hectares e que abrangem as cidades de Porto Walter, Tarauacá, Marechal Thaumaturgo e Jordão. Saiba mais AQUI.

*Material originalmente publicado pela Agência de Notícias do Acre, com informações de Nelson Liano