A Secretaria de Cultura e Turismo de Roraima (Secult), por meio do Departamento de Turismo (Detur), e a Agência da ONU para Refugiados (Acnur) celebraram um acordo inédito de cooperação técnica para implementar um projeto de turismo de base comunitária na comunidade indígena refugiada Warao a Janoko, localizada no município de Cantá.
Por meio da parceria entre Acnur, Secult e Conselho Indígena Najakara Mooru (Cinamo), a comunidade Warao a Janoko passa agora a desenvolver um projeto comunitário, com o objetivo de tornar-se um novo destino de visitação cultural em Roraima.
A cooperação envolve ainda a Universidade Estadual de Roraima (UERR), por intermédio do curso de Turismo, a Prefeitura Municipal de Cantá e o Centro de Apoio aos Municípios (CAM) da Assembleia Legislativa de Roraima.
O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) atua desde 2022 junto à comunidade Warao a Janoko, que se estabeleceu no município de Cantá em 2021. Atualmente, os indígenas já desenvolvem atividades de produção e venda de artesanato tradicional, refletindo sua cultura e identidade, além de demonstrar interesse em iniciativas voltadas para o turismo.
A Agência da ONU acredita que esta experiência poderá servir de referência para futuras iniciativas junto a outras comunidades indígenas refugiadas, contribuindo para soluções mais duradouras, sustentáveis e alinhadas às políticas estaduais.
Turismo de base comunitária como desenvolvimento regional
A capacitação integra o projeto Turismo de Base Comunitária dentro das Ações do Programa de Desenvolvimento do Turismo Regional do Plano Estadual de Turismo 2030. Atividades semelhantes já foram realizadas em outras comunidades indígenas de Roraima.
As capacitações abordarão temas como preparação, sustentabilidade e autonomia comunitária, permitindo que os moradores construam seu próprio modelo a partir das vivências que desejam compartilhar.
Foto: Divulgação/Secult RR
O diretor do Departamento de Turismo, Bruno Muniz de Brito, destacou o impacto da parceria. “O intuito do projeto é oferecer a essa comunidade um protagonismo que já vem sendo trabalhado pelas demais comunidades indígenas aqui do Estado de Roraima”, disse.
A proposta é convidar os agentes e operadores que atuam no Cantá, especialmente com a Serra Grande e os demais roteiros que o município dispõe, para que esses operadores conheçam o grupo e as experiências, e possam inserir a comunidade dentro da visitação turística e dos roteiros turísticos da localidade.
O trabalho de capacitação será realizado no mês de março com o envolvimento dos parceiros, que vão levar contribuições e somar esforços para que essa comunidade possa ser incluída na atividade turística, provendo condições de sustentabilidade, de valorização da sua cultura e da memória.
Após a conclusão das capacitações, a comunidade será acrescentada como ponto de parada em roteiros turísticos, especialmente nas idas à Serra Grande, Cantá e Buritizal Grosso. Essa ação reforça o compromisso do Governo de Roraima com a inclusão sustentável de populações refugiadas e indígenas, promovendo o turismo responsável, a valorização cultural e o desenvolvimento econômico local.
Gregório Thaumaturgo de Azevedo Comendador e General, foi uma das figuras mais destacadas do Exército Brasileiro e, político, atuando em diversas regiões do Brasil. Nasceu no Piauí a 17 de novembro de 1851, filho de Manoel de Azevedo Moreira de Carvalho.
Um jovem de invejável inteligência, bacharelou-se em Ciências Físicas e Matemática, pela Escola Militar do Realengo, Rio de Janeiro e, depois em Ciências Sociais e Jurídicas pela Faculdade de Recife. Foi um homem de vida dinâmica, tanto no Exército como fora dele.
Em mais de meio século seu nome encheu de vibração os faustos das atividades militares, civis e politicas, sobretudo, no estado que sempre esteve ligado. Seu nome fez jus a diversas honrarias heráldicas e de membro de sociedades beneficente e científicas.
Como Engenheiro Militar exerceu responsabilidades e várias comissões importantíssimas.
– Assim, o Tratado de La Paz, de 1867, sobre demarcação dos limites entre Brasil e a Bolívia, ficou em foco exigindo imediata realização: o traçado de uma reta partindo da foz do Beni, afluente do Madeira, rumando a nascente principal do Rio Javari.
A determinação desse ponto exigiu do Brasil e Peru sacrifícios sem contar nada menos com seis expedições de exploração, sacrifícios fabulosos de vidas preciosas, de despesas e de tempo. Foi nomeada a Comissão Mista Brasileiro Peruana para determinar o ponto geodésico da nascente principal do Rio Javari.
Por parte do Brasil, o governo designou o então Coronel de Engenheiros Thaumaturgo de Azevedo. Os dois elementos reúnem-se, na foz daquele rio, em Benjamim Constant, cada qual em suas embarcações, sobem o caudal, ate a embocadura do Galvez, tributário da esquerda. O delegado brasileiro reúne os peruanos e lhes comunica o seu propósito de subir o rio e não o Jaquirana, porque os considerava o outro, como verdadeiro curso do Javari.
A estupefação dos peruanos foi tremenda, havendo protestos. Pondere-se que a Comissão mista não foi nomeada com o fim de verificar qual seria o verdadeiro curso do Javari, mas, a sua nascente principal, sabidamente, no Jaquirana. O General, então Coronel, subindo o Galvez, queria dar ao Brasil cerca de 5.000 léguas quadradas.
Concomitantemente, outro problema, também de demarcação, se equaciona para solução imediata a determinação geodesia da passagem da linha reta estabelecida pelo referido Tratado de La Paz, passando pela povoação de Cruzeiro do Sul, Estado do Amazonas.
Comendador Gregório Thaumaturgo de Azevedo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal
Nomeada a Comissão Mista para dirigir o caso, é designado chefe, o Coronel Gregório de Azevedo, Subchefe, o Capitão-tenente Augusto da Cunha Gomes. Por parte da Bolívia, o Dr. José M. Pando.
Cunha Gomes levara do Rio de Janeiro a incumbência de fazer deflexionar a reta, de modo a incluir, na jurisdição federal, as duas povoações citadas. Thaumaturgo de Azevedo discorda de semelhante sugestão. Queria sim, que se considerasse a nascente principal do Javari não determinada ainda, quando já o era desde 1878.
Abriu-se então, uma luta em setembro de 1895, entre Thaumaturgo, de um lado e Cunha Gomes e Pando, do outro, o Chefe da Comissão Brasileira deixa o serviço, assumindo-o, Cunha Gomes. E tudo correu conforme o desejo do Governo Federal. O Coronel Thaumaturgo procurou sustentar o seu ponto vista, em 1901, num livro e duzentas páginas, fartamente documentado livro esse intitulado ‘O Acre, Limites com a Bolívia’ (artigos publicados n’ A Imprensa, de 1900 1901), do Jornal do Comércio do Rio de Janeiro e, Rodrigues & Cia. – 1901.
Dessa importantíssima Comissão de Limites, em que reafirmou grande competência técnica, sabedoria jurídica e honradez, o Coronel Gregório Thaumaturgo é chamado para outra função federal, de muito relevo, qual fosse o Departamento do Alto Juruá, também chamado Prefeitura do Cruzeiro do Sul.
Lembre-se que o território do Acre, depois de criado pelo Tratado de Petrópolis, de 17 de novembro de 1903, foi dividido em 3 partes: Acre, Alto Purus e Alto Juruá. Este último foi entregue ao Coronel Thaumaturgo de Azevedo, que para lá seguiu, em 1904, instalando-se em Cruzeiro do Sul.
Seu governo caracterizou-se por um dinamismo fantástico. É obvio dizer que tudo, estava por fazer, no planejamento da administração. É ele o conseguiu em cerca de um ano, auxiliado por uma equipe de funcionários competentes. Comprova-o Relatório de 1904, um grosso volume com as primeiras objetivações e muitas plantas e mapas geográficos, de todo o território de sua jurisdição. Dito relatório é o pórtico de uma grande sabedoria e civismo, obra de utilidade aos administradores que tinham de prosseguir no desbravamento daquela ubérrima região.
Mas o Dr. Thaumaturgo de Azevedo precisou ir ao Rio de Janeiro, no interesse do seu departamento. Lá permaneceu cerca de seis meses. Foi sua ausência, um colapso na vida pública do Alto Juruá. Di-lo em detalhes, no seu Segundo Relatório, datado de 31 de dezembro de 1905, o caos que encontrou. Foi o relato do seu derradeiro trabalho de engenheiro militar, de doutor em Direito Administrativo e de beneditino, na obra que pode realizar.
Deixei, de propósito para a parte final, o contexto da biografia do General, com a sua atuação politica e administrativa, no Amazonas. Façamos um retrocesso no tempo:
O ilustre Engenheiro militar estava no norte do país, a serviço da Comissão Demarcadora de limites Brasil Venezuela, sediado em Boa Vista do Rio Branco hoje estado de Roraima, quando se deu a mudança do regime. Dirigira-se a Manaus. Eduardo Gonçalves Ribeiro, então no poder, na qualidade de presidente nomeado pelo Governo Provisório da República, ia executar a constituição Federal de 24 de fevereiro de 1891, realizando a eleição do 1° governador do estado do novo regime.
Por, influencia militar, é sugerido o nome do Dr. Gregório Thaumaturgo de Azevedo que é eleito, pela Assembleia Constituinte, a 27 de julho de 1891 e empossado a 12 de setembro do mesmo ano, recebendo o governo das mãos do Coronel Guilherme José Moreira, no momento, seu sucessor legal. Eleito por quatro anos, só estava no cargo até 27 de fevereiro de 1892, quando foi deposto, em virtude dos acontecimentos que se deram na capital federal, após o contragolpe dado por Floriano Peixoto ao ato de Deodoro, dissolvendo a Carta Constitucional da República (24 de fevereiro). Gregório Thaumaturgo procurou resistir mantendo-se no cargo.
Mas, não o pôde. Floriano Peixoto, o Marechal de Ferro, não quis perdoá-lo. A última semana do seu governo foi um período de agonias, de ameaças de fuzilamento de adversário que, por sinal eram toda a gente. Tinha eu 16 anos de idade e, na minha adolescência, curiosa inconsequente, procurava tomar conhecimento dos fatos.
Thaumaturgo de Azevedo aguardou a chegada de sua demissão, tanto importava a nomeação do capitão de Fragata José Inácio Borges Machado, que assumiu as responsabilidades do cargo no mesmo dia 27 de fevereiro de 1892. Thaumaturgo não esperou no palácio do governo a presença do Oficial da Marinha, para entregar-lhe o timão da nau do estado, pois, bem cedo, dirigiu-se ao porto, recolhendo-se a bordo de um navio do Lloyd Brasileiro por acaso ali, partiu ao sul. Nunca vi um bota-fora tão bota-fora, como aquele.
Os acontecimentos do Rio de Janeiro, agravados em Manaus, fizeram-lhe uma chuva de pedras, após ter já prestado tantos serviços a pátria.
O General Gregório Thaumaturgo de Azevedo faleceu em idade avançada, mas, não conseguiu assistir o seu centenário de nascimento a 17 de novembro de 1951, quando seus parentes, amigos e admiradores celebraram o acontecimento.
Foi um dos maiores talentos de cultura e dinamismo, blindado por um caráter forte, mas sem perceber, por uma constante irritabilidade nervosa, que o incompatibilizava perante seus subordinados e amigos. Era o defeito desse vulto plutarquiano da nossa história, cuja, vida andou ligada a do Amazonas.
Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.
Na Ilha do Marajó, no Pará, o filme ‘Manas’ conta a história da jovem Marcielle, de 13 anos, que começa a questionar os limites impostos à sua vida. Em meio a uma comunidade ribeirinha atravessada por desigualdades históricas, o filme mergulha no cotidiano amazônico do Pará e revela as barreiras impostas às mulheres e meninas, conectando uma realidade local a debates de alcance global.
A narrativa de ‘Manas’ nasce de uma pesquisa realizada pela diretora Marianna Brennand Fortes na região, inspirada em relatos e escutas locais sobre violência e exploração sexual de crianças e adolescentes. Ao optar pela ficção, a realizadora constrói uma obra ancorada no território amazônico, sem expor vítimas reais.
O filme adota uma abordagem sensorial, acompanhando a protagonista de forma íntima e constante. A construção da linguagem — da fotografia ao som, passando pela ausência de trilha musical — evita a estetização da violência e aproxima o público da experiência emocional da personagem.
Mais do que ambientação, o território amazônico estrutura o próprio desenvolvimento da história. A dinâmica das marés, os deslocamentos pelos rios e a relação com o ambiente natural interferiram diretamente na realização do filme, incorporando o cotidiano local ao ritmo da narrativa.
A indicação do filme Manas ao Prêmio Goya reforça a projeção de produções do Norte do Brasil no circuito internacional e evidencia a diversidade regional como uma das marcas do cinema brasileiro contemporâneo.
“Ver uma obra produzida no Pará alcançar um espaço tão importante do cinema mundial é motivo de imenso orgulho. É a prova de que o nosso cinema tem identidade, força e voz”, avalia Jamilli Correa.
A protagonista da trama foi selecionada após testes realizados com centenas de meninas da região. Nascida e criada no Pará, a atriz estreou no cinema com o papel de Marcielle.
Fátima Macedo, que interpreta Danielle, também celebrou a indicação:
“A nomeação de Manas para o Prêmio Goya me emociona profundamente porque, além de confirmar a importância do cinema brasileiro no cenário mundial, comprova o impacto do filme em quem o assiste, revelando a universalidade dessa história e a urgência de pontuarmos narrativas como essa”.
Reconhecimento do filme
O filme já acumula reconhecimento internacional, com destaque para o Director’s Award nas Giornate degli Autori do Festival de Veneza e o Women in Motion Emerging Talent Award no Festival de Cannes, além de mais de 20 prêmios em festivais internacionais.
Para a secretária do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), Joelma Gonzaga, o reconhecimento internacional da obra está diretamente ligado ao sistema de fomento existente no país: “A indicação de Manas ao Prêmio Goya reafirma a potência do audiovisual brasileiro e a importância das políticas públicas estruturantes. É resultado de talento, diversidade regional e de um sistema de fomento que permite que histórias brasileiras alcancem o mundo.”
A produtora Carolina Benevides ressaltou o significado da nomeação: “Ver Manas ganhar destaque no Prêmio Goya representa um momento de enorme orgulho e também de responsabilidade. Estar nesse espaço significa que uma história que se passa na Ilha do Marajó encontrou eco além das nossas fronteiras. O reconhecimento no Goya mostra que essa realidade, quando tratada com rigor artístico e compromisso ético, mobiliza públicos em todos os lugares por onde passa”.
Foto: Divulgação
Investimento público no filme Manas
A produção de Manas contou com recursos de políticas públicas federais de fomento ao audiovisual, além de apoio de cooperação internacional com participação brasileira. Ao todo, foram cerca de R$ 8,76 milhões em recursos públicos federais e de cooperação internacional com participação brasileira, considerando aportes do FSA, da Lei do Audiovisual e do Programa Ibermedia.
Por meio do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA) — principal mecanismo federal de financiamento do setor — o filme recebeu R$ 3,35 milhões, distribuídos da seguinte forma:
R$ 100 mil – Edital PRODAV 05/2013 (desenvolvimento) R$ 3 milhões – Edital Concurso Cinema 2018 (produção) R$ 250 mil – Opção de investimento do FSA em comercialização (distribuição)
Via Lei do Audiovisual (Lei nº 8.685/1993) — instrumento de incentivo fiscal que permite o investimento privado em obras brasileiras com renúncia fiscal — o fomento indireto somou R$ 5,37 milhões, por meio dos arts. 1º-A e 3º-A.
O filme também recebeu o Prêmio Ibermedia, no valor de US$ 8,6 mil (aproximadamente R$ 44 mil, considerando a cotação de hoje). O Ibermedia é um fundo de cooperação entre países ibero-americanos voltado ao apoio a coproduções audiovisuais. O Brasil integra o programa por meio de contribuição federal realizada via orçamento da Agência Nacional do Cinema (Ancine).
Tucumã é fonte de renda para mulheres. Foto: Ruth Jucá/ADS
Uma pesquisa recente, publicada na Revista Brasileira de Ciências Sociais, demonstra que a coleta e comercialização de espécies nativas, como o tucumã, se tornam ferramentas vitais de empoderamento feminino e resistência territorial na Ilha de Cotijuba, em Belém (PA).
Coordenado pela Embrapa Amazônia Oriental, o estudo concluiu que as práticas extrativistas vão muito além da geração de renda: elas redefinem o papel social dessas mulheres, oferecendo refúgio contra a violência doméstica e protagonismo político em um cenário de forte pressão imobiliária, em uma área de influência turística, cercada de praias tranquilas de água doce.
Realizado entre 2022 e 2023, a pesquisa analisou a atuação do Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMIB), evidenciando a oferta de refúgio e condição de liderança como impacto na vida das mulheres.
Segundo a pesquisadora Dalva Mota, um dos pontos que mais chamou atenção no trabalho, recai sobre a autonomia pessoal e política das extrativistas. Em um contexto marcado por desigualdades de gênero e violência doméstica, o MMIB atua também como uma rede de acolhimento.
Relatos colhidos pela pesquisa mostram que a participação no movimento permitiu a muitas mulheres romperem os ciclos de submissão. Uma das entrevistadas descreve o movimento como um “refúgio” contra crises conjugais e a imposição do trabalho doméstico exclusivo.
Decisões pelas e para as mulheres
Politicamente, o estudo destaca que a coordenação do movimento é composta exclusivamente por mulheres, garantindo que a tomada de decisão permaneça em mãos femininas, enquanto os homens associados têm direito apenas a voto, mas não a cargos de direção.
Essa estrutura fortalece a autoestima e promove a qualificação profissional de mulheres que, em sua maioria, possuem trajetórias marcadas pelo trabalho doméstico precoce e pela migração em busca de melhores condições de vida.
A pesquisa aponta que a parceria comercial com uma multinacional brasileira de cosméticos, iniciada em 2002, para o fornecimento de priprioca (planta aromática amazônica) e estendida posteriormente ao tucumã (fruto de palmeira amazônica), inseriu essas mulheres em uma “bioeconomia inclusiva” cheia de paradoxos. Ao mesmo tempo em que traduzem seus valores locais para a lógica capitalista de preços e metas, as extrativistas desafiam a demanda industrial por escala.
O tucumã (Astrocaryum vulgare Mart.), especificamente, surge como um símbolo de resistência ecológica. Enquanto o açaí — principal cultura local — sofreu com secas recentes, o tucumã mostrou-se resiliente ao fogo e às alterações climáticas, garantindo uma alternativa econômica viável. Essa atividade ajuda a preservar a paisagem da ilha, hoje fragmentada pelo desmatamento e pela especulação imobiliária que expulsa famílias de seus quintais produtivos.
Tucumãzeiro. Foto: Reprodução/Embrapa
De acordo com as autoras Ana Felicien e Dalva Maria da Mota, a experiência do MMIB prova que a bioeconomia na Amazônia não pode ser vista apenas como uma transação comercial. Dela dependem relações sociais complexas e a manutenção da floresta em pé. Para as mulheres de Cotijuba, o extrativismo é uma forma de “segurar a terra” e garantir que, mesmo em meio a ruínas ambientais e pressões urbanas, suas vidas e saberes continuem a florescer.
O Artigo “O tucumã em movimento: extrativismo e ativismo de mulheres na ilha de Cotijuba, Pará” foi publicado na edição de dezembro, da Revista Brasileira de Ciências Sociais, uma das principais revistas interdisciplinares no âmbito das Ciências Sociais no Brasil. É de autoria da pesquisadora Dalva Mota e da então bolsista de pesquisa Ana Felicien (Universidade Federal do Pará, Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares (INEAF), Programa de Pós-graduação em Agriculturas Amazônicas (PPGAA). Acesse AQUI.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
A diversidade cultural da Amazônia pode ser conferida na ‘Exposição dos Povos da Floresta: Ocupação Artística Contemporânea Mairi’, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS) do Pará, em Belém. A atividade integra o Festival dos Povos da Floresta, projeto itinerante e multilinguagens que tem apoio da Lei Rouanet.
Com visitação até 29 de março, a exibição multilinguagem com entrada gratuita reúne produções de artistas de Rondônia, Roraima, Amapá e Pará. Contempla trabalhos em fotografia, cinema, pintura, desenho, grafite, escultura e multimídia que se conectam com a cultura, memória e os saberes tradicionais da Amazônia.
Na capital paraense, a exposição traz um recorte das etapas do Festival promovidas em Porto Velho (RO), Boa Vista (RR) e Macapá (AP), além da ocupação artística local.
“A exposição parte de um processo curatorial por meio de conversas, que buscam representar as muitas vozes da Amazônia. E esse é o espírito do Festival, possibilitar esses encontros e construir uma experiência viva de território, memória e identidade coletiva”, explica a representante do Festival, Fabiana Barbosa Gomes.
O intuito é apresentar narrativas que evidenciam a heterogeneidade cultural da floresta, destacando os processos de reinvenção e resistência, além de valorizar o protagonismo de artistas amazônicos.
As obras convidam o público à reflexão sobre pertencimento, memória, identidade e patrimônio cultural da Amazônia.
“Quando falamos da Amazônia e o que ela representa nos deparamos com um grande desafio que é essa diversidade que se expande entre os territórios. O projeto multilinguagem é um caminho que encontramos para acessar e encontrar essas expressões que muito dizem sobre a Amazônia. Entendendo os diversos formatos de linguagens existentes, na capacidade das obras de se interligar articulando ancestralidade e contemporaneidade”, comenta Lucas Baim, que responde pela curadoria juntamente com Isabela Bastos.
MIS-PA
A Exposição dos Povos da Floresta ocupa o MIS-PA, equipamento museal mais antigo do estado do Pará, que somente em 2022 ganhou sua sede definitiva. Para a diretora do espaço, Indaiá Freire, a mostra tem um sentido especial.
“O MIS está instalado no Centro Cultural Palacete Faciola, antiga residência de Antônio Faciola, um barão da borracha. Cabe lembrar que os seringueiros eram mantidos em situação análoga à escravidão por seus patrões. Quando o Museu recebe uma exposição que tem como marca os povos ancestrais, da floresta e urbanos periféricos, estamos resignificando esta casa que foi um templo de luxo, resultado da exploração dos territórios, de corpos de indígenas, pretos e caboclos e os convidando a entrar pela ‘sala’ com suas falas artísticas”, salienta.
Foto: Divulgação
Itinerância da exposição
O Festival dos Povos da Floresta é um projeto itinerante e multilinguagens que celebra a arte como instrumento de resistência, sustentabilidade e valorização dos saberes tradicionais. Além da exposição Ocupação Artística Contemporânea Mairi, a programação abrange oficinas e shows.
Para a gerente administrativo da Rioterra – Centro de Inovação da Amazônia, criador do projeto, Edvania Brito, o Festival promove conexões reais, dando protagonismo aos povos da Floresta.
“O evento conecta artistas de diversas linguagens e expressões, então como guardiões dos territórios, eles ampliam o acesso à opinião pública, fortalecem a identidade das diferentes culturas Amazônicas e, isso gera engajamento, cria diálogos e narrativas através de suas expressões artísticas. Isso tudo fortalece a identidade e senso de pertencimento regional”, comenta ela.
Idealizado pela Rioterra, o Festival é apresentado pela Petrobras e realizado pelo Ministério da Cultura (MinC) e Governo do Brasil, por meio da Lei Rouanet. Para a atual edição foram captados mais de R$ 4,9 milhões pelo mecanismo de incentivo à cultura.
“Aqui no Escritório Estadual do MinC no Pará, temos dialogado intensamente com grupos, movimentos e coletivos culturais e artísticos sobre a importância da profissionalização. Quando falamos em profissionalização, estamos nos referindo à necessidade de que esses coletivos tenham seus CNPJs, seja como associações, cooperativas ou outras formas jurídicas”, destaca a coordenadora Telma Saraiva.
A atuação da Pasta, por meio de sua representação no território, fortalece a execução dessas iniciativas e reconhece a multiplicidade do fazer cultural no Norte brasileiro. Segundo ela, é fundamental que os coletivos também estejam estruturados formalmente para que possam acessar outras fontes de financiamento no futuro, como os mecanismos previstos na legislação de fomento cultural.
“Esta exposição é um exemplo concreto dessa possibilidade: um grupo que, por meio da Lei Rouanet, conseguiu viabilizar e manter sua mostra. Isso demonstra como a formalização pode ampliar as oportunidades de acesso a recursos e fortalecer o trabalho dos fazedores de cultura”, conclui.
A pesquisa ajuda a definir áreas prioritárias em Belém com foco na sustentabilidade. Foto: Janine Valente / Embrapa
Informações geradas pela ciência orientam a implementação do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa do Estado do Pará (PRVN-PA), que agora entra em uma fase decisiva: a definição de áreas prioritárias para restauração.
O primeiro workshop sobre o planejamento espacial para a recuperação da vegetação nativa no estado foi realizado nos dias 25 e 26 de fevereiro, em Belém (PA), e reuniu gestores públicos, técnicos e cientistas, na sede da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas).
A Embrapa, por meio do centro Capoeira, atua como parceira estratégica desde a concepção do plano, lançado em dezembro de 2023. Agora, a contribuição se concentra na inteligência de dados para definir onde e como a restauração deve ocorrer de forma mais eficiente.
A meta do estado paraense é recuperar 5,6 milhões de hectares de vegetação nativa até 2030, isso representa uma área maior que o estado do Rio de Janeiro, por exemplo. Essa meta é quase metade do compromisso nacional de 12 milhões de hectares.
Para o analista ambiental Marcelo Awade, da Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade, a pesquisa gera dados que ampliam o conhecimento do poder público e aumentam a eficiência da restauração, por exemplo, indicando áreas prioritárias para a biodiversidade, o sequestro de carbono e para mitigação do efeito das mudanças climáticas.
“Esses dados apoiam a formulação de políticas públicas mais eficientes e mais ajustadas às diferentes realidades do estado”, afirmou o técnico.
Foto: Augusto Miranda/Agência Pará
Por onde começar?
A oficina discutiu variáveis que irão compor o mapa de priorização do estado. A pesquisadora Joice Ferreira, da Embrapa Amazônia Oriental, ressalta que o planejamento espacial funciona como uma ferramenta de precisão para evitar desperdício de recursos e maximizar impactos positivos.
“O planejamento é uma bússola, que vai indicar quais são as áreas onde a restauração vai exigir menos trabalho, onde vai oferecer o maior retorno, áreas onde as pessoas estão mais vulneráveis e onde tem mais previsão de mudança do clima”, destaca a pesquisadora. “A ideia é fornecer embasamento técnico para orientar o governo por onde começar a restauração”, acrescenta.
Entre os critérios avaliados estão vulnerabilidade social, áreas onde a restauração pode reduzir a vulnerabilidade das comunidades locais; risco de incêndio, ou seja, regiões com alto risco podem ter ações postergadas até que haja capacidade de combate eficiente; mudanças climáticas, com análise de projeções de alteração do clima e escassez hídrica; e retorno ambiental, que visa a identificação de locais que oferecem maior ganho ecológico com menor esforço de intervenção.
Pesquisa orienta escolha de áreas prioritárias para restauração, no PA. Foto: Pedro Guerreiro/ Agência Pará
Próximos passos da pesquisa
Após a consolidação dos dados deste workshop, os cenários de modelagem serão testados e validados em um novo encontro com um grupo expandido de parceiros. O objetivo final é a publicação do mapa oficial de priorização que norteará as políticas públicas de restauração no Pará.
Centro Capoeira
Coordenado pela Embrapa, o Centro Avançado em Pesquisas Socioecológicas para a Recuperação Ambiental – Capoeira – iniciou suas atividades em março deste ano. A iniciativa, que reúne mais de 180 pesquisadores de 33 instituições, é dedicada à recuperação de ecossistemas desmatados e degradados e integra atividades de pesquisa em rede e ações colaborativas entre cientistas, povos e comunidades tradicionais, agricultores familiares e gestores públicos. O centro Capoeira é financiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e recebe apoio do Global Centre on Biodiversity for Climate (GCBC), do Reino Unido.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Embrapa
Primeiros vestígios, encontrados em maio de 2025, apontam supostas peças associadas aos povos antigos que viveram no sul do Amapá. Foto: Divulgação/Dnit
Durante as obras de pavimentação da BR-156, no Amapá, equipes técnicas do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) encontraram peças associadas às antigas civilizações que viveram ao Sul do estado. De acordo com o Programa de Arqueologia, os vestígios estão associados aos grupos associados à tradição Jari, que viveram na região há aproximadamente 1.200 anos.
Segundo o DNIT, os primeiros achados ocorreram em maio de 2025, quando as equipes técnicas encontraram fragmentos de cerâmica decorada, artefatos líticos como lâminas de machado e lascas de pedra, além de objetos associados à produção têxtil, como rodas de fuso, e peças com elementos antropomorfos.
Tais materiais, de acordo com o orgão, também apresentam características atribuídas aos grupos Koriabo, que ocuparam áreas do sul do Amapá e do Pará entre os anos 1000 e 1700 d.C. Os arqueólogos do programa afirmam que Os arqueólogos destacam que a área é rodeada por um sítio arqueológico, identificado como Quintela I, localizado nas proximidades do rio Vila Nova.
Área de encontro dos vestígios fica próximo de um sítio arqueológico. Foto: Divulgação/Dnit
No local, foram encontrados recipientes cerâmicos inteiros, incluindo exemplares com elementos decorativos associados à tradição marajoara, reconhecida como uma das mais sofisticadas expressões da cerâmica indígena na Amazônia.
Vestígios apontam a existência de povos que viveram na região do Sul do Amapá. Foto: Divulgaão/Dnit
As escavações, conforme o Programa de Arqueologia, visam garantir que mesmo com a pavimentação, haja o resgate de vestígios arqueológicos importantes, contribuindo para a preservação do patrimônio histórico e cultural da região.
A partir desses materiais, é possível entender como as civilizações se organizavam, além de aspectos do modo de vida e da economia. Esse contexto mostra como esses povos influenciaram o desenvolvimento da região e a sociedade atual.
As atividades arqueológicas são realizadas de forma contínua, por meio de monitoramento, resgate e salvamento arqueológico, conforme previsto nas condicionantes do licenciamento ambiental.
Obras da BR-156 já conta com três dos cinco lotes já licitados. Foto: Divulgação/Dnit
A rodovia federal, que passa pela maioria dos municípios do estado, é considerada a mais importante do Amapá. Segundo o DNIT, dos cinco lotes da rodovia, três já foram licitados. Os trabalhos são divididos entre o DNIT e o Exército, conforme a capacidade de operação dos militares:
1º lote: de Laranjal do Jari até o Igarapé Água Branca. Já licitado, com obras em andamento em 60 quilômetros.
2º lote: de Água Branca até a comunidade do Maracá. O edital sai em 29 de dezembro. Obras devem começar no 1º semestre de 2026.
3º lote: vai até a comunidade de Vila Nova. Projeto já aprovado, com licitação prevista para junho de 2026.
Projeto Educação Sustentável implementa hortas pedagógicas em escolas estaduais nas zonas urbana e rural do estado. Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal
Estimular a alimentação saudável e reforçar o conteúdo ensinado em sala: esses são os objetivos de um projeto que implanta hortas em escolas estaduais de Roraima. Nos espaços, que funcionam como salas de aula ao ar livre, professores ensinam, na prática, temas como ciclos de vida, tipos de solo e cálculos de medida.
A horta pedagógica foi implementada por meio do projeto Educação Sustentável, em 2024. Atualmente, a iniciativa está presente em 30 escolas estaduais da zona urbana e em outras cinco da zona rural indígena do estado.
Projeto de horta em escola de Boa Vista incentiva alimentação saudável e reforça ensino. Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal
Segundo a chefe de Educação Ambiental da Secretaria de Estado da Educação e Desporto (Seed), Naiva Lima, o projeto amplia o aprendizado dos estudantes.
“Acreditamos que as hortas que são implantadas nas escolas elas vêm dar tanto suporte para a alimentação escolar quanto suporte também dentro do currículo, porque ele abrange o currículo, não é uma disciplina, são diversos objetivos de conhecimento que estão programados dentro do currículo”, diz Naiva.
Em uma escola no bairro Caimbé, na zona Oeste de Boa Vista, a horta virou um “laboratório vivo” para atividades didáticas. De acordo com a gestora Francirene Bezerra, no espaço, os alunos participam do plantio, da adubação e da colheita, integrando o cultivo ao conteúdo das disciplinas.
“A complementação para a nossa merenda escolar, isso é muito importante também para os alunos estarem vendo a questão da sustentabilidade dentro da escola, e os alunos acompanham esse trabalho vindo junto, gerenciando junto com a Regina, colhendo, fazendo adubo, plantando junto”, explica ela.
Quiabo, pimentão, couve e tomate cultivados em horta escolar em Boa Vista (RR). — Foto: Francirene Bezerra/Arquivo pessoal
Hortas escolares incentivam alimentação saudável
A professora Regina Alves coordena a horta na escola. Com a produção, ela passou a fabricar e vender molho de pimenta feito com o cultivo. O dinheiro arrecadado é destinado à compra de novas sementes para o canteiro.
Além disso, após a colheita, os alunos também veem os alimentos plantados por eles na merenda do dia a dia.
“O que já plantamos aqui foi pimentão, tomate, pimenta de cheiro, pepino, porque a gente usa na escola como complementação da merenda. Para a geração de renda, a gente vende a cebolinha e o cheiro verde para o próprio professor, porque dali a gente compra semente para ajudar”, explica.
A horta tem acompanhamento da Secretaria de Educação, em parceria com a empresa de energia Eneva, que disponibiliza técnicos em agropecuária.
Ao longo de 800 quilômetros, a BR-319 é vista como uma área estratégica para o fortalecimento de atividades econômicas e logísticas entre Manaus (AM) e Porto Velho (RO). Mas para além disso, o antropólogo e pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), Miguel Aparicio, reitera que a região de influência da rodovia é lar de vários povos e culturas indígenas milenares, que, mesmo ameaçadas por uma possível pavimentação que não consiga manter as devidas salvaguardas ambientais, têm as soluções sustentáveis para os impactos socioambientais.
O pesquisador explica que há, pelo menos, quatro redes indígenas principais:
os povos no entorno da Região Metropolitana de Manaus (RMM);
os povos Mura e os povos de língua Kagwahiva (respectivamente no baixo e alto rio Madeira);
os povos Apurinã e os povos da família linguística Arawá (rio Purus);
e os povos na área do estado de Rondônia.
Há 13 mil anos, essas e outras populações são responsáveis pela configuração e composição da Amazônia. Tanto que, na avaliação de especialistas, as Terras Indígenas (TIs) são os territórios mais conservados e essenciais na luta contra as mudanças climáticas.
Aparicio alerta que hoje, mesmo sem a trafegabilidade adequada na BR-319, as populações já sofrem com a expansão da pecuária, extração de madeira, grilagem, mineração e outros problemas socioambientais em seus territórios.
“O problema da BR-319, em relação aos povos indígenas, não é a estrada como linha conectiva, mas que a sua consolidação desordenada abra uma ferida mortal na Amazônia. Ou seja, um eventual desmonte das Unidades de Conservação, Terras Indígenas, Reservas de Desenvolvimento Sustentável [RDS] e outros territórios”, afirma Aparicio, que também é o presidente do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi).
Foto: Reprodução/DNIT
Com tantas ameaças, muitas etnias decidiram restringir o contato com o restante da sociedade. São os chamados “povos isolados”. O pesquisador pontua que há registros expressivos nas bacias dos rios Purus e Madeira, vivendo uma situação de cerco nos seus territórios e conscientes dos processos em curso na BR-319 e na área de influência.
“Para além da condição de vítima, os povos indígenas estão produzindo soluções sustentáveis há muito tempo. Eu considero que as soluções para os impactos da BR-319 já foram formuladas pelas populações que ocupam a área de influência. Eles já têm as soluções. O que precisamos é ampliar a escala para outras populações”, finaliza.
Pintura segue normas de trânsito e reforça a visibilidade dos ciclistas. Foto: Diane Sampaio/PMBV
Mais visibilidade e conforto para os ciclistas: a Prefeitura de Boa Vista, por meio da Secretaria de Mobilidade Urbana (SMOB) revitalizou mais de 2km da ciclovia na avenida Benjamin Constant, com serviços de pintura dos blocos e da faixa sinalizadora. Mais de 7km de ciclovia já estão de “cara nova” e esse é só o começo dos serviços de manutenção das malhas cicloviárias na capital.
A pintura está de acordo com as normas locais e nacionais de trânsito. Segundo o secretário adjunto de Mobilidade Urbana, Gino Falcão, a sinalização das ciclovias é importante para dar mais visibilidade aos ciclistas e organizar o trânsito.
Capital roraimense possui mais de 47 km de malha cicloviária. Foto: Diane Sampaio/PMBV
“Essa obra reforça o compromisso da Prefeitura com a mobilidade urbana, pois garante segurança, sinalização adequada e qualidade de vida aos que utilizam a ciclovia. A pintura feita é de qualidade e tem alta durabilidade, o que auxilia na orientação contínua dos ciclistas, além de sinalizar os condutores de veículos automotores em locais em que a ciclovia é compartilhada”, enfatizou.
Atualmente, Boa Vista possui mais de 47 km de malha cicloviária, proporcionando locomoção segura, como o vendedor William Vieira, que aprovou a revitalização.
“Acho que as ciclovias dão mais segurança, é mais tranquilo”, comentou Willian. Foto: Diane Sampaio/PMBV
“A bicicleta é meu principal meio de transporte. Eu faço o trajeto do Centro para o Aparecida quatro vezes por dia. Acho que as ciclovias dão mais segurança, é mais tranquilo. Essa revitalização é positiva, estava meio apagado e agora, com a pintura, dá mais visibilidade”, comentou.