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Decreto protege território paraense da entrada de praga devastadora do cacau e cupuaçu

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Publicado em edição extra, o Decreto estadual nº 3.954 no Pará proíbe a entrada, o trânsito e o comércio de materiais vegetais das espécies dos gêneros Theobroma e Herrania, e outras hospedeiras do fungo Moniliophthora roreri, causador da Monilíase, provenientes dos Estados com ocorrência da praga.

Saiba mais: Conheça a monilíase, doença fúngica que atinge o cupuaçu e o cacau

Conforme o decreto, as amêndoas de cacau fermentadas e secas, provenientes de áreas de ocorrência da Monilíase, só poderão entrar no território paraense desde que classificadas na origem, como Tipo 1 ou Tipo 2, e acondicionadas em sacarias novas.

O decreto estadual acompanha as legislações vigentes que tratam sobre a Monilíase como a Instrução Normativa nº 112, de 11 de dezembro de 2020, e a Portaria SDA nº 703, de 21 de dezembro de 2022, do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), além da Portaria nº 7833, de 5 de dezembro de 2022, da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ)

Foto: Divulgação

“Esse decreto estadual é mais uma medida importante e necessária para fortalecer todo o trabalho de defesa vegetal que vem sendo realizado desde o surgimento da doença no Estado do Acre e do Amazonas, num esforço que reúne várias instituições parceiras do setor agrícola para evitar que essa praga chegue ao nosso território e possa comprometer a nossa produção cacaueira”, destacou Jamir Macedo, diretor-geral da Adepará. 

Trânsito agropecuário

O trânsito interestadual de semente, mudas, frutos ou qualquer parte propagativa de espécies vegetais hospedeiras do fungo da Monilíase deve comprovar a origem por meio de nota fiscal, do certificado de semente ou do termo de conformidade, conforme legislação federal vigente (Lei Federal nº 10.711/2003 e Decreto Federal nº 10.586/ 2020).

Pelo decreto, toda cadeia produtiva envolvida na colheita, beneficiamento, recepção e embalagem de amêndoas de cacau ficam obrigadas a se cadastrar na Adepará.

“A obrigatoriedade do cadastramento das áreas de cultivo de cacau e cupuaçu é uma medida que visa garantir a rastreabilidade para que assim nós possamos atestar a comprovação de origem e consolidar dados oficiais sobre as cadeias produtivas desses frutos”, ressaltou a Diretora de Defesa e Inspeção vegetal da Adepará.

Foto: Divulgação

União de esforços

O cumprimento do decreto será de responsabilidade da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (ADEPARÁ), da Secretaria de Estado de Segurança Pública e Defesa Social (SEGUP) e da Secretaria de Estado da Fazenda (SEFA), no limite de suas competências. Nas ações de inspeção e fiscalização sanitária vegetal, os Fiscais Estaduais Agropecuários e os Agentes Fiscais Agropecuários, devidamente identificados, terão livre acesso aos estabelecimentos públicos ou privados que contenham os produtos proibidos pelo decreto.

A Adepará alerta que as cargas oriundas de outras unidades da Federação, em que o transportador não apresente a documentação de trânsito exigida nas barreiras de fiscalização fitossanitárias do Estado, ou apresente documentação em desacordo com as exigências da legislação em vigor, terão sua carga impedida de ingressar e transitar em território paraense.

Caso as cargas sejam interceptadas em municípios do interior do Estado, sem a documentação de trânsito exigida, ou apresentem irregularidades na documentação, o vendedor, o transportador e o adquirente da carga serão autuados e a carga será apreendida e sujeita às sanções legais.

As embarcações, carretas, caminhões, ônibus e veículos de passeio também estão sujeitos à inspeção fitossanitária e aos procedimentos de fiscalização previstos em lei.

Foto: Divulgação

Fiscalização

Na madrugada do último sábado,  25, equipes da Unidade da Adepará em Almeirim, no Baixo Amazonas, apreenderam 4 toneladas de amêndoas de cacau que saíram de navio do Amazonas com destino ao Pará. A carga foi interceptada no porto hidroviário de Almeirim, apreendida e incinerada no aterro sanitário do município, em função do alto risco que apresentava para a cadeia produtiva do cacau paraense. 

Educação Fitossanitária

Para sensibilizar a população paraense, sobretudo a que vive nas regiões do baixo Amazonas, área de risco para a entrada da praga, já foram realizadas duas edições da Caravana da Monilíase no Pará. Em 2023, a caravana aconteceu em Tomé Açu e este ano, o município de Juruti recebeu as ações educativas com o treinamento do corpo técnico da Adepará, que após dias de imersão nas metodologias inovadoras de educação seguiu para as comunidades rurais do município, informando sobre a doença e orientando que os moradores evitem transportar frutos de cacau e cupuaçu.

*Com informações da Agência Pará

Estudo aponta que animais amazônicos podem utilizar adaptações genéticas para enfrentar mudanças climáticas

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Um recente estudo, publicado no jornal ‘Diversity and Distributions‘, revelou que animais da Amazônia podem possuir condições genéticas adaptáveis às mudanças climáticas. O estudo foi conduzido por uma equipe internacional liderada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) em colaboração com pesquisadores da Universidade de Gotemburgo (Suécia), Kew Botanical Gardens (Reino Unido) e Universidade de Brasília (UnB/Brasil). O artigo também aponta estratégias para a manutenção desses processos biológicos fundamentais no bioma.

Buscando entender como os animais amazônicos podem se adaptar às mudanças climáticas, o grupo de pesquisadores utilizou o calango da mata rabo-de-chicote (Kentropyx calcarata), utilizando dados genéticos amostrados em populações naturais para inferir adaptação climática, dados climáticos atuais e projeções para 2040, 2070 e 2100 com base nos cenários do Coupled Model Intercomparison Project. Além disso, foram utilizados dados de desmatamento para prever onde esses grupos poderão viver no futuro.

No total foram analisadas e coletadas amostras de 112 lagartos de várias regiões geográficas. A partir disso a equipe, utilizando análises de associação genoma-ambiente, identificou as regiões do genoma (loci ou SNPs, do inglês single nucleotide polymorphism) que indicam variação genética adaptativa ao clima, identificando diferentes grupos genéticos adaptados a climas específicos, como áreas secas e mais sazonais no sudoeste da Amazônia e ao longo da região de transição entre a Amazônia e o Cerrado e áreas úmidas e menos sazonais da Amazônia central.

Foram usados modelos de como serão as temperaturas nessas áreas até 2100. A equipe avaliou a distribuição geográfica e potencial de resgate evolutivo entre populações da espécie em dois cenários, o moderado, com mudanças climáticas moderadas em relação ao clima que temos hoje, e o extremo, para onde estamos caminhando, com mais emissão de carbono e climas mais extremos em relação ao clima atual. As comparações apontam que, no cenário extremo, existe uma grande perda da distribuição potencial indicando alto risco de extinção local da espécie. Por outro lado, o que se mostra é que se a humanidade controlar as emissões de carbono, há uma previsão melhor quanto à distribuição potencial e o resgate evolutivo da espécie.

Paralelo a isso, os cientistas analisaram um conjunto de dados sobre a cobertura vegetal e o impacto humano, em cenários moderados e extremos. Nos cenários moderados, em que a floresta permanece do jeito que está, a espécie tem um bom potencial para se adaptar às mudanças climáticas até 2070. Mas se a floresta chegar a cenários extremos, de desmatamento e mudanças climáticas severas, essa variação genética pode não ser suficiente para evitar a extinção de populações locais, reduzindo também o potencial de adaptação da espécie como um todo.

Foto: Laurie Vitt

Resgate evolutivo

O resgate evolutivo é a possibilidade das adaptações evolutivas já existentes se espalharem ao longo da distribuição da espécie, prevenindo a extinção local frente às potenciais mudanças ambientais. Parte da espécie está distribuída em regiões mais secas da Amazônia e outras em partes mais úmidas. Como o clima tende a mudar, tendendo a ser mais seco e quente, o resgate evolutivo acontecerá quando indivíduos dessas populações adaptadas a regiões mais quentes conseguirem se manter e no futuro acessar através da dispersão na paisagem aquelas populações que perderam as áreas geográficas adequadas à distribuição.

Josué Azevedo, pós-doutorando do Inpa e primeiro autor do artigo, diz que se esses indivíduos das áreas mais secas migrarem para os lugares em que os indivíduos de áreas úmidas foram extintos, evitarão que a espécie desapareça daquela região.

“Nossos resultados mostram que, em cenários de mudanças climáticas moderadas mantendo a cobertura florestal, esta espécie tem um alto potencial de se valer de suas pré-adaptações e sobreviver até 2070 por meio do processo biológico natural de resgate evolutivo”, explica

O estudo sugere que outros animais podem ter adaptações similares. Uma hipótese avaliada pelo grupo de pesquisa é que a resposta do lagarto às alterações ambientais possa ser repetida em outras espécies.

Uma chamada à ação para conservação

O estudo mostra que as populações na região de transição entre a Amazônia e o Cerrado, que estão sob forte impacto humano e desmatamento, são fontes importantes de variação genética que ajudam na adaptação da espécie. Os pesquisadores afirmam que a persistência e dispersão de indivíduos com variantes genéticas adaptativas pode ser um mecanismo essencial para a manutenção da biodiversidade, potencialmente prevenindo processos demográficos que poderiam levar à extinção local.

Fernanda Werneck, pesquisadora do Inpa e líder do estudo, diz que as descobertas mostram que diferentes populações da fauna possuem vulnerabilidades e potenciais adaptativos distintos às mudanças climáticas e que essa variação precisa ser considerada para se construir estratégias de conservação da biodiversidade mais efetivas frente às mudanças ambientais em curso. Além disso, isso poderia não apenas salvar a espécie focal do estudo, mas também preservar a rica biodiversidade da região que depende da floresta para sobreviver.

“Apesar de parecerem pessimistas em um primeiro momento, nossos resultados reforçam janelas de oportunidade de ação e a urgência de políticas eficazes de conservação que integrem a proteção da floresta Amazônica e ações para mitigar os impactos das mudanças climáticas através de processos biológicos que evoluíram ao longo da história de formação das espécies e populações naturais”, frisa Werneck.

Colaboração

O estudo, uma colaboração entre pesquisadores do Inpa, Universidade de Gotemburgo (Suécia), Kew Botanical Gardens e Universidade de Brasília. Foi financiado por Agências Nacionais: Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e Instituições Privadas Nacionais: Instituto Serrapilheira. Agências Internacionais: Swedish Research Council, Royal Botanic Gardens, Kew, NAS/USAID PEER Program, L’Oréal-UNESCO-ABC For Women In Science.

*Com informações do Inpa

Boa Vista Junina 2024: programação conta com shows e tradicional paçoca de graça

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O tradicional Boa Vista Junina começou dia 1º de junho em Boa Vista (RR), com uma programação que inclui apresentação de quadrilhas, shows com artistas locais e nacionais, além da ‘maior paçoca do mundo‘ que será distribuída de graça aos visitantes da festa.

Realizada até o dia 8 de junho na praça Fábio Marques Paracat, localizada na Avenida Ene Garcez, no Centro, a festa é promovida pela prefeita da capital.

Este ano, o tema é ‘O Arraial da Nossa Gente, Festa da Tradição, é Boa Vista Pra Frente’. Veja a programação completa:

Sábado (1º)

Arena Junina (onde ocorre a apresentação das quadrilhas)

  • 19h – Guerreiros de Jorge (grupo emergente)
  • 20h – Tradição Macuxi (grupo de acesso)
  • 21h – Macedão (grupo de acesso)
  • 22h – Explosão Caipira (grupo especial)

Shows

  • 19h – Fábio Gaiato e banda
  • 19h45 – DJ Stay Box
  • 20h15 – Angélica Dutra e banda
  • 21h – DJ Stay Box
  • 21h30 – Anne Louise Sanfoneira e banda Flor do Norte
  • 22h15 – DJ Stay Box
  • 23h – Elba Ramalho e Geraldo Azevedo 

Domingo (2)

Arena Junina

  • 20h – Coração do Sertão (grupo emergente)
  • 21h – Filhos de Makunaima (grupo de acesso)
  • 22h – Coração Alegre (grupo de acesso)
  • 23h – Zé Monteirão (grupo especial)
  • 00h – Agitação (grupo especial)

Shows

  • 19h – Sabá Kateretê e banda
  • 19h45 – DJ Grazziano
  • 20h15 – Katy Morais e banda
  • 21h – DJ Grazziano
  • 21h30 – Euterpe e banda
  • 22h15 – DJ Grazziano
  • 22h45 – Edilson Marques
  • 23h30 – DJ Grazziano
  • 00h – Zerbine Araújo e Paçoquinha de Normandia

Segunda-feira (3)

Arena Junina

  • 20h – Sanfona Junina (grupo emergente)
  • 21h – Evolução Junina (grupo de acesso)
  • 22h – Matuta Encantá (grupo de acesso)
  • 23h – Furacão Caipira (grupo gspecial)
  • 00h – Eita Junino (Grupo especial)

 Shows

  • 19h – Banda Forró Glória (Gospel)
  • 19h45 – DJ Goes
  • 20h15 – Reinaldo Barroso e banda
  • 21h – DJ Goes
  • 21h30 – Forro Di Chefe
  • 22h15 – DJ Goes
  • 22h45 – Nayadi Rayssa e banda
  • 23h30 – DJ Goes
  • 00h – Forró Kangaia

Terça-feira (4)

Arena Junina

  • 20h – Luar do Sertão (grupo emergente)
  • 21h – Joaninha Caipira (grupo de acesso)
  • 22h – Espantalho Junino (grupo de acesso)
  • 23h – Xamego na Roça (grupo especial)
  • 00h – Coração Caipira (grupo especial)

Shows

  • 19h – Forró de Boa
  • 19h45 – DJ Heverton Castro
  • 20h15 – Ellô Machado e banda
  • 21h – DJ Heverton Castro
  • 21h30 – Forrozão Espoka Sapato
  • 22h15 – DJ Heverton Castro
  • 22h45 – Walker Tavares e banda
  • 23h30 – DJ Heverton Castro
  • 00h – Forró Dubai

Quarta-feira (5)

Arena Junina

  • 20h – Arrasta Pé (Grupo de Acesso)
  • 21h – São Vicente (Grupo de Acesso)
  • 22h – Sinhá Benta (Grupo Especial)
  • 23h – Escola Forrozão (Grupo Especial)
  • 00h – Garranxê (Grupo Especial)

 Shows

  • 19h – Banda Beijo de Vaqueiro
  • 19h45 – DJ Larissa Meraki
  • 20h15 – Larissa Marinho e banda
  • 21h – DJ Larissa Meraki
  • 21h30 – Banda Forró Xote Bruto
  • 22h15 – DJ Larissa Meraki
  • 22h45 – Binho e Tefinho e banda
  • 23h30 – DJ Larissa Meraki
  • 00h – Pipoquinha de Normandia e Rainha do Forró

Quinta-feira (6)

Arena Junina

  • 19h – Coração de Estudante (grupo de acesso)
  • 20h – Estrela Junina (grupo de acesso)
  • 21h – Namoro Caipira (grupo especial)
  • 22h – Amor Caipira (grupo especial)

Shows

  • 19h – Brisiane e banda
  • 19h45 – DJ Anderson Souza
  • 20h15 – Anjo do Arrocha
  • 21h – DJ Anderson Souza
  • 21h30 – Emelly Oliveira e banda
  • 22h15 – DJ Anderson Souza
  • 23h – Marília Tavares 

Sexta-feira (7)

Maior paçoca do mundo (comida tradicional local feita à base de carne seca e farinha amarela) – a partir das 19h 

Arena Junina

  • 19h – Apuração do concurso de quadrilhas
  • 21h – Apresentação da Quadrilha Junina do Projeto Crescer
  • 21h40 – Apresentação Coral do Servidor

Shows

  • 19h – Geração de Adoradores (gospel)
  • 19h45 – DJ Toniolli
  • 20h15 – Forró De Maroto
  • 21h – DJ Toniolli
  • 21h30 – Felipe Cardoso e banda
  • 22h15 – DJ Toniolli
  • 22h45 – Neto Andrade e banda
  • 23h30 – DJ Toniolli
  • 00h – Esporão de Mandi

Sábado (8)

 Arena Junina

  • 19h – Quadrilha Junina do Projeto Social Conviver
  • 19h40 – Quadrilha Junina do Projeto Social Cabelos de Prata
  • 20h20 – Quadrilha Junina Infantil Coraçãozinho (convidada)
  • 20h50 – Quadrilha Junina Infantil Criança Caipira (convidada)
  • 21h20 – Quadrilha Caipira na Roça (Manaus/AM Convidada)
  • 22h – Apresentação da quadrilha campeã do grupo Emergente
  • 22h30 – Apresentação da quadrilha campeã do grupo de Acesso
  • 23h – Apresentação da quadrilha campeã do grupo Especial

 Shows

  • 19h – Trio Unidos do Norte
  • 19h45 – DJ Andrezinho
  • 20h15 – Jhon Mayson e banda
  • 21h – DJ Andrezinho
  • 21h30 – Dennis Martins Príncipe das Toadas
  • 22h15 – DJ Andrezinho
  • 22h45 – Forrozão Bixo de Pé
  • 23h30 – DJ Andrezinho
  • 00h – Nadynne Leal e Banda

Ao todo, 45 artistas locais se apresentam no palco do Boa Vista Junina. O tradicional concurso de quadrilhas juninas reúne 28 grupos durante as oito noites do arraial em 2024.

A ‘maior paçoca do mundo’ deve superar a última edição, em 2023, e bater o próprio recorde 1.264 kg – como ocorre em todos os ano desde 2015, quando a iguaria foi servida pela primeira vez no evento e pesou meia tonelada.

*Com Informações g1 Roraima

Iniciativa no Pará forma professores para propagação da cultura dos povos originários 

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Propagar entre professores e alunos a cultura dos povos originários. Este é o principal objetivo do Permear, projeto piloto da Norte Energia, concessionária da Usina Hidrelétrica Belo Monte, com a Prefeitura de Altamira, que visa formar docentes com ensinamentos e conhecimento que vão além do conteúdo dos livros didáticos tradicionais, valorizando, sobretudo, a essência das culturas indígena e negra e como elas devem ser percebidas e inseridas na sociedade. 

Os conceitos e primeiros resultados do Permear foram apresentados dia 23 de maio, durante o X Seminário Brasileiro de Meio Ambiente e Responsabilidade Social do Setor Elétrico, no Rio de Janeiro. Além de ajudar a combater a discriminação e o preconceito, o projeto tem como objetivo também atender a Lei Federal 11.645/2008, que determina as escolas a incluírem “no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

No entanto, a maior parte dos municípios do país têm dificuldades de executar o que manda a lei, sendo um dos gargalos o fato dos professores não terem a formação sobre a cultura dos povos originários. 

Em dezembro passado, após quatro meses de imersão, 37 professores não indígenas da rede pública de Altamira se formaram no conteúdo Histórias e Culturas Indígenas. Com foco no combate à discriminação étnico-racial, dez professores indígenas deram aulas a não indígenas sobre quem são, como e onde vivem, e o que desejam para seu futuro.

O projeto tem o potencial de multiplicar o conhecimento sobre os povos originários para 5.400 alunos da rede de ensino do Fundamental Maior (6º a 9º ano). O programa prevê ainda a elaboração de um livro direcionado aos professores e a criação de material didático para ser usado pelos alunos. 

O projeto foi idealizado pela antropóloga da Norte Energia, Vanessa Caldeira, e contou com apoio do consultor linguista Nelivaldo Santana, professor da Universidade Federal do Pará (UFPA) e doutorando da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

“Esse é um projeto da agenda de Sustentabilidade da Companhia para trazer mais informação sobre os povos originários. A ideia é replicar o projeto para outros municípios, para o Estado do Pará e para todas as esferas de governo que tiverem interesse no programa”, afirmou Vanessa Caldeira, que apresentou o projeto no seminário.

O ideal do Permear é aderente à realidade daquela região. Somente no Médio Xingu, onde estão Altamira e nove municípios, de acordo com o Censo do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), em maio de 2023 a população indígena do Médio Xingu somava 8.584 indígenas de nove etnias, sendo 5.112 em terras indígenas e 3.472 em contexto urbano e áreas ribeirinhas de Altamira e outros sete municípios da região. 

O professor indígena Kwazady Xipaya Mendes, que foi um dos ministrantes da formação, defendeu a relação de pertencimento dos indígenas e não indígenas com o seu território.

“Agora a gente quer fazer o inverso. Há a necessidade de formar a sociedade não indígena, para que ela entenda o nosso mundo também. A forma de educação que a gente está propondo é para quebrar um preconceito que existe da sociedade não indígena, a partir do respeito e de um olhar sem discriminação”, explicou. 

Foto: Divulgação

Através do Permear, o professor Everaldo Oliveira viu a oportunidade de compartilhar um projeto que desenvolve há dez anos na Escola Otacílio Lima, da qual é diretor: o Coisa de Pretos.

“É preciso enfrentar o racismo produzido e fomentado dentro da escola pública, e para isso é fundamental a execução da lei que estabelece a obrigatoriedade do ensino da história da cultura afro-brasileira e das pautas indígenas na educação básica. O Coisa de Pretos e o Permear devem ser comemorados e celebrados dentro dessa iniciativa de subsidiar pedagogicamente a construção e a afirmação identitária de crianças pretas e indígenas, através de práticas pedagógicas e artes educativas que favoreçam o enfrentamento ao racismo e também o combate à prática de reproduções racistas no ambiente escolar e fora dele”, considerou.

Desenvolvimento Sustentável da ONU

O projeto está alinhado aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU), um apelo global ao enfrentamento da pobreza, proteção do meio ambiente e do clima, garantia de paz e de prosperidade a todas as pessoas, em todos os lugares, como parte da Agenda 2030. A iniciativa segue as diretrizes, principalmente, dos ODS 4 e 17, que estabelecem, respectivamente, ações que assegurem educação de qualidade e a busca de parcerias e meios de implementação de ações que contribuam com o desenvolvimento socioeconômico sustentável.

Além disso, o PERMEAR pretende contribuir com a Década Internacional das Línguas Indígenas 2022-2032 (DILI), instituída pela Assembleia Geral das Nações Unidas, como resultado do Ano Internacional das Línguas Indígenas, proclamado pela UNESCO em 2019. Ele segue a linha do Plano de Ação Global para a DILI, tendo como princípio norteador a participação efetiva dos povos indígenas na tomada de decisão, consulta, planejamento e implementação, com o lema “Nada para nós sem nós”.

Vai fazer churrasco? Aprenda a fazer um vinagrete de banana pacovã

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Você gosta de churrasco? O vinagrete é um dos acompanhamentos mais pedidos quando o assunto é churrasco ou, para quem vive na Amazônia, uma banda de tambaqui assada.

O chef Pedro Bagattoli ensina uma releitura do clássico molho de acompanhamento com um toque amazônico: a banana pacovã como ingrediente especial. Confira:

Ingredientes

2 bananas pacovã 550g aproximadamente
3 tomates aproximadamente 270g
1 cebola roxa pequena aproximadamente 70g
2 pimenta de cheiro aproximadamente 15g
1 pimenta dedo de moça 5g
4 colheres cebolinha picada
20ml azeite
Suco de 1 limão
2 colheres de chicória ou coentro

Modo de preparo

Corte as fatias de banana na espessura de 3 cm;

Com um fio de azeite grelhe em uma frigideira dos dois lados e deixe dourar;

Assim que estiver gelado corte em cubos bem pequenos;

Em seguida, corte o tomate em cubos e cebola roxa em cubos, pimenta dedo de moça, pimenta de cheiro, cebolinha e coentro;

Misture tudo e tempere com sal, suco de limão e o restante do azeite;

Sirva com os nachos.

*Com informações do G1 Rondônia

Conheça a macaúba, ‘ouro’ da Amazônia que pode gerar seis vezes mais óleo que a soja

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A macaúba é conhecida por seus espinhos, pela copa volumosa que parece uma cabeleira e pode passar dos 15 metros de altura. Segundo especialistas, a planta tem grande potencial econômico, ambiental e pode se tornar uma fonte de energia renovável através do biodiesel, sendo até intitulada como “ouro amarelo“.

Pesquisas com a planta já são feitas há mais de 18 anos no Brasil e a primeira amostra foi encontrada em Santarém (PA). Registros apontam o uso da palmeira há milhares de anos no México, Colômbia e em outros Países.

O professor e pesquisador do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), Carlos Colombo, descobriu as utilidades da matéria prima retirada da planta. Segundo Colombo, o fruto da palmeira pode atender vários setores, como o da indústria alimentícia, energética e a de desenvolvimento agrícola com a recuperação do solo.

Produtos

Os dois óleos retirados da polpa e da amêndoa são as matérias primas principais do fruto, e podem ser usados na indústria cosmética e de energia renovável através do refinamento para a produção de biodiesel.

A casca pode ser misturada e adicionada na ração de animais de corte, como bovinos. Após a retirada do óleo da polpa em uma prensa extratora, o que sobrou é chamado de ‘torta da polpa’ sendo uma fonte alternativa proteica. Além de ser rica em fibra podendo ser inserida na dieta animal e humana.

Foto: Pedro Nascimento

Da amêndoa, após a retirada do óleo na prensa, o que sobrou é chamada de ‘torta’ que contém cerca de 38% de proteína e pode ser consumida.

O que sobra do fruto é utilizado para adubar o solo e aumentar a produtividade. A madeira da planta é uma boa opção para revestimento e pode durar mais de 100 anos. Até as folhas são aproveitadas para artesanato e fibra de tecido.

Energia renovável

O óleo apresenta grande potencial de fonte alternativa para energia renovável, através do biodiesel. Para Carlos, governos mundiais vêm adotando políticas que visam substituir fontes de energias de origem do petróleo. A emissão destes combustíveis geram grande impacto ao meio ambiente, por esse motivo o biodiesel que resulta do refino do óleo da macaúba é uma solução de fonte de energia renovável, causando menos impactos ambientais com a emissão na atmosfera .

De acordo com pesquisas elaboradas pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), a macaúba é capaz de produzir cerca de cinco toneladas de óleo por hectare. A agroindústria busca gerar empregos em Rondônia, até mais que a produção de soja.

O pesquisador explicou que o óleo de soja, junto com o de dendê, corresponde a 70% do óleo vegetal usado no mundo. Cenário que deve mudar, já que a macaúba tem potencial de produzir por hectares seis vezes mais que a soja.

“Nós estamos engatinhando na pesquisa da macaúba. A vantagem é que hoje tem muito mais capacidade de gerar dados do que no passado. Então, para estruturar a cadeia de produção da macaúba, você precisa entender um pouco de tudo, desde a semente até a indústria tem que fechar tudo”, explica o cientista.

Foto: Reprodução/Embrapa

Produção sustentável

A macaúba pode ser produzida em cinco Biomas brasileiros se adaptando aos diferentes climas do país. Outro diferencial é que ela não precisa ser cultivada sozinha e pode ser plantada junto com a soja, algodão, milho e outros, além de pasto para bovinos.

O plantio da macaúba é uma alternativa sustentável para Rondônia e foi isso que motivou o empresário Maurício Conte a trazer produção de Macaúba para o estado.

O empresário contou que Rondônia é conhecida no exterior pelo desmatamento ilegal, por esse motivo viu na produção de macaúba uma maneira de diminuir o desmatamento e aumentar a geração de renda através da planta.

“A macaúba é um verdadeiro ‘ouro amarelo’, porque eu tiro o óleo da polpa e da amêndoa. Eu tiro a torta da amêndoa e da polpa para o gado para a ração de peixe; pode ser plantada consorciada com a soja, com o milho, com a pecuária e ele vai conseguir aumentar a renda ”, ressalta o empresário.

Geração de emprego

Em Rondônia a produção teve início com o plantio de cerca de mais de 15 hectares em Pimenta Bueno, de forma experimental. O avanço da indústria da macaúba em Rondônia visa beneficiar desde desde o pequeno ao grande produtor.

Maurício, explicou ainda que a macaúba gera quatro empregos a cada 10 hectares e a soja gera quatro empregos a cada 200 hectares. Isso mostra que a palmeira pode gerar 20 vezes mais empregos que a soja.

Um dos objetivos é triplicar a renda dos produtores que na maioria ainda estão no extrativismo. A renda pode ser aumentada sem retirar outras culturas do plantio de Macaúba. O empresário diz que a palmeira gera empregos desde o viveiro, onde é necessário ter cuidados específicos, até no refino do óleo para biodiesel.

*Por Mateus Santos e Pedro Nascimento, da Rede Amazônica RO

Festa Junina na Amazônia: veja onde curtir um bom “arraiá” na região amazônica

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Para a alegria de muitos, as festas juninas estão chegando! O mês de junho começou e trouxe com ele a temporada de festas juninas em todo o país. Na Amazônia, a programação dos “arraiás” se espalha pelas ruas, parques e espaços culturais das cidades, que oferecem comidas típicas da época, shows de artistas e brincadeiras tradicionais.

O Portal Amazônia encontrou algumas opções para quem quer entrar no clima das festas. Confira:

Terceira edição do Arraiá du Mercado Centrá (Amapá)

Isso mesmo. Uma das festas mais populares de Macapá já está confirmada. Entre os dias 13 a 16 de junho, a população pode conferir a programação junina no Mercado de Central de Macapá. A abertura do evento fica por conta do grupo de pagode nacional ‘Menos é Mais’.

Durante a programação, os grupos juninos serão avaliados e vão concorrer a prêmios de R$ 1 mil a R$ 4 mil, de acordo com a colocação e categoria.

 Festividades contam com comidas típicas. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica

São João da Thay (Maranhão)

Há seis anos, a influenciadora maranhense Thaynara OG realiza a festa ‘São João da Thay’. Este ano, o evento vai acontecer em formato de festival nos dias 7 e 8 de junho.

Com dois dias de muita música e cultura, todo lucro arrecadado durante o evento será revertido para entidades maranhenses.

Leia também: Caprichoso e Garantido participam pela primeira vez do ‘São João da Thay’, no Maranhão

Festival Folclórico do Amazonas (Amazonas)

Em Manaus, uma das principais festas é o Festival Folclórico do Amazonas. Em 2024, a programação vai acorrer entre os dias 8 a 23 de junho no Centro Cultural Povos da Amazônia, zona Sul de Manaus.

O evento conta com a disputa dos grupos juninos nas categorias: ouro, prata e bronze. Os bumbás de Manaus também participam das festividades.

Boa Vista Junina (Roraima)

Com o tema ‘O Arraial da Nossa Gente, Festa da Tradição, é Boa Vista Pra Frente’, a 24ª edição do Boa Vista Junina acontecerá entre 1 a 8 de junho, na Praça Fábio Marques Paracat.

Além das comidas tipicas e shows, a festa também contará com o concurso de 28 quadrilhas juninas que, pela primeira vez, se apresentarão no tablado da Arena Junina 100% coberto. A estrutura já está sendo montada.

Arraial Flor do Maracujá (Rondônia)

Se tem uma festa junina que os porto-velhense gosta é Arraial Flor do Maracujá. A festança acontecerá do dia 21 a 30 de junho, no Parque dos Tanques, localizado na Avenida Lauro Sodré, n ° 3102, bairro Nacional.

Segundo a administração estadual, durante a festa, haverá apresentações tradicionais de grupos folclóricos, atrações musicais e apresentações artísticas. Além da venda de comidas típicas de comerciantes locais.

Foto: Divulgação/Governo do Amazonas

Arraial de Santo Antônio de Lisboa (Pará)

Belém também se prepara para receber as festividades juninas. Um dos grandes eventos é o ‘Arraial de Santo Antônio de Lisboa’. Este ano, o evento segue até o dia 13 de junho na R. São Miguel, 943 – Jurunas.

Entre as atrações confirmadas do evento estão Pinduca, Mayara Cavalcante, Balada Kids, Diego Xavier, Carol Diva, além das apresentações de quadrilhas juninas.

Festa Junina – Cosplay Cuiabá (Mato Grosso)

E quem disse que o universo nerd não pode se chocar com a celebração junina? Em Cuiabá, o público pode acompanhar a ‘Festa Junina – Cosplay Cuiabá’ no dia 22 de junho, a partir das 19h, no Espaço Moriá, localizado na Rua 07, quadra 07 – lote 08, São Tomé 02.

Os ingressos custam R$ 25 (primeiro lote), R$ 30 (segundo lote) e R$ 35 (terceiro lote). Além da habitual programação junina, o evento vai ter Just Dance, Karaokê e competição de cosplay.

Arraiá da Capital (Tocantins)

Em Palmas, a produção do Arraiá da Capital está de vento em popa. A festa está marcada para acontecer de 18 a 24 de junho no estacionamento do Estádio Nilton Santos.

A cada ano, grupos de diversas partes da cidade, compostos por jovens de todas as idades, se unem para celebrar e fortalecer essa manifestação popular.

Doença de chagas: especialista responde principais dúvidas

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Uma doença que parece distante, mas que pode estar mais perto do que a gente imagina — e trazer consequências graves para a saúde de quem não tem diagnóstico e não trata da maneira correta. Autoridades de saúde estimam que a doença de Chagas atinge de 1 a 3 milhões de brasileiros atualmente. 

“Hoje, temos, em média, notificados cerca de 300 a 400 casos novos agudos no país [por ano]. E imaginamos que pode haver uma subestimativa desse valor, por haver alguns pacientes que não diagnosticam”, afirma o médico Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior, coordenador-geral de Vigilância de Zoonoses e Doenças de Transmissão Vetorial do Ministério da Saúde. 

A seguir, o gestor do Ministério aborda os aspectos básicos da doença de Chagas e como esse problema de saúde é enfrentado e tratado no Brasil.

O que é a doença de Chagas?

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “Trata-se de uma doença infecciosa, causada por um protozoário chamado Trypanosoma cruzi, presente em animais silvestres. E esse animal silvestre pode transmitir para o inseto conhecido como barbeiro — ou chupão — e ele elimina o Trypanosoma cruzi nas suas fezes. É a partir daí que pode infectar o ser humano de várias formas”.

Quais são as formas como a doença de Chagas se apresenta?

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “Uma vez persistindo, a infecção vai desenvolver uma forma aguda, que pode ser subclínica ou manifestar sinais — como febre. Depois disso, [a infecção] entra numa forma que chamamos de ‘indeterminada’, que não consegue ser identificada — não tem sintomas clássicos. E, após algum tempo, que pode durar anos, pode desenvolver a forma crônica. E essa é uma forma que pode ser tanto cardíaca — que afeta o coração — como digestiva, podendo afetar o esôfago e o intestino. Se a pessoa tratar, tanto na fase aguda como na forma indeterminada, ela pode, sim, eliminar o Trypanossoma cruzi e não desenvolver essa forma crônica”.

Como é feito o tratamento? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “O tratamento é feito por um medicamento que o SUS fornece, o benznidazol. O medicamento que vem em comprimidos e que é produzido só pelo laboratório público brasileiro, é fornecido somente no SUS. O tratamento não é demorado, leva cerca de algumas semanas (60 dias) e pode ser fornecido na própria unidade de saúde. Quando o paciente busca a unidade de saúde, já será informado sobre a localidade onde o tratamento estará disponível”. 

A pessoa que faz o tratamento de forma correta fica curado? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “O tratamento tem maior eficácia quanto antes for feito. Na forma aguda (da doença), tem uma alta eficácia e, também, na forma indeterminada. Na forma crônica, dependendo do estágio que a doença tiver, o tratamento já não vai ter tanto efeito. Os tratamentos para a forma crônica são muito mais úteis para os sintomas. Para a forma cardíaca por exemplo, são necessários outros medicamentos para poder dar uma melhor qualidade de vida para o paciente, mas não para eliminar o protozoário”.  

Qual a atual incidência da doença no país? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “Hoje, temos, em média, notificados cerca de 300 a 400 casos novos agudos no país, (por ano). E imaginamos que pode haver uma subestimativa desse valor, por haver alguns pacientes que não diagnosticam e, principalmente, pela forma de transmissão oral — que é ingerindo alimentos que contenham o Trypanosoma cruzi vindo do barbeiro. Ou seja, ou o barbeiro foi triturado junto com o alimento ou que tinha fezes do barbeiro naquele alimento que não foi bem higienizado. Então a contaminação acontece pela forma oral, especialmente na região Norte”.

Há estimativa de quantas pessoas vivem com a doença na forma crônica no país? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “Não temos dados exatos, mas estimativas de que nós tenhamos de 1 milhão a 3 milhões de pessoas infectadas, que vivem com a doença. E muitos não sabem, não são diagnosticados. São pessoas que foram infectadas no passado, quando a forma de transmissão principal, há quatro décadas, era pela picada do Triatoma infestans — a espécie mais frequentemente encontrada nas casas das pessoas [à época], já eliminada no Brasil”.

Foto: Divulgação/Governo do Tocantins

Qual a relação da infecção pela doença de Chagas e as condições de pobreza? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “(Tem relação direta com) as condições como o alimento é higienizado, como pode ser consumido e a dependência que as pessoas têm de determinados alimentos em algumas regiões. São fatores que estão associados às condições em que as pessoas vivem que favorecem a transmissão aguda. E também outras condições, como as moradias, que ainda podem favorecer o barbeiro eventualmente colonizar”.

Como o sistema de saúde faz o rastreio da doença de Chagas no Brasil? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “O diagnóstico tem sido feito de forma passiva, as pessoas buscam o atendimento e podem ser ‘suspeitadas’ e diagnosticadas. O Brasil está com algumas iniciativas pelo Ministério da Saúde, avaliando a implementação deste rastreio ativo. O Ministério tem financiado projetos como o IntegraChagas-Brasil, um projeto que tem tanto na Amazônia quanto nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste, em que a gente está ‘triando’ [realizando teste de triagem] tanto mulheres em idade fértil, por conta do risco de transmissão vertical da mamãe para o bebê, quanto pessoas com histórico de contato com o barbeiro”. 

Como se dá essa transmissão vertical da doença de Chagas?

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “A gestante infectada [por Trypanosoma cruzi] pode passar (a doença), tanto durante a gestação quanto no parto. Então, é importante que essa gestante seja acompanhada e a criança, ao nascer, também seja monitorada para que possa fazer testes, exames e, eventualmente, o tratamento também. Porque a criança pode ser tratada e curada, já que as chances de cura são muito altas, se for tratada no início, assim que nasce”. 

Como prevenir a forma clássica de transmissão da doença de Chagas? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “A prevenção vai depender muito da forma de transmissão. A vetorial — quando o barbeiro se alimenta do sangue da pessoa —, geralmente acontece no período noturno, durante o sono. O barbeiro defeca, elimina suas fezes no local. E como o local da picada fica irritado, a pessoa coça, espalha aquelas fezes, facilitando a entrada do Trypanosoma cruzi pelo orifício deixado na picada [do barbeiro]. Para prevenir essa forma, principalmente em áreas onde há identificação do barbeiro, é evitar que ele entre na casa — usando mosquiteiro, telas na janela, vedar as frestas”. 

As formas oral e vertical de transmissão da doença também podem ser evitadas? Como? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “As outras formas, talvez a principal, seria a de transmissão oral — para os alimentos. Então, a principal forma de prevenção é higienizar bem os alimentos. Pois, em geral, isso acontece quando o barbeiro é moído junto com o fruto ou outro alimento e a pessoa não vê. Como se trata de um inseto relativamente grande [para identificar], se o alimento for bem higienizado, eliminamos grande probabilidade disso [contaminação do alimento] ocorrer. Além disso, para a forma de transmissão vertical — da mamãe para o bebê —, a principal forma de prevenção é a testagem da gestante e das mulheres em idade fértil para que tratem e evitem a transmissão para o bebê”. 

Por meio do programa Brasil Saudável, o Ministério da Saúde e outros 13 ministérios trabalham para eliminar a doença de Chagas e outras doenças socialmente determinadas no país. É uma meta possível? 

Francisco Edilson Ferreira de Lima Júnior: “É uma meta bem desafiadora. Temos a meta de eliminar a transmissão vertical. A eliminação da doença de Chagas de uma forma geral, da forma aguda, por exemplo, é mais desafiadora ainda porque ocorre em geral por transmissão oral, são surtos residenciais, em comunidades rurais, populações afastadas que fazem seu alimento em casa. E isso requer um esforço um pouco maior para conseguirmos atingir essas populações. Mas acreditamos que é possível”. 

Doença de Chagas: eliminação da doença é um dos objetivos do programa Brasil Saudável

O Ministério da Saúde, por meio do programa Brasil Saudável — que tem como meta a eliminação de 11 doenças socialmente determinadas, entre elas a doença de Chagas —, listou 175 municípios onde o combate aos determinantes sociais relacionados a essas doenças é prioridade. De acordo com as diretrizes do programa, são localidades que possuem altas cargas de duas ou mais doenças ou infecções.

A estratégia do programa busca “catalisar e potencializar as ações já existentes e/ou as capacidades de cada Ministério no atendimento às necessidades de populações e territórios mais afetados pelas doenças determinadas socialmente ou sob maior risco”.

A doença de Chagas tem tratamento no SUS e cura. Para isso, é fundamental que seja rastreada e tratada de forma correta. O diagnóstico pode ser feito por exame de sangue, nas unidades de Atenção Básica da rede pública. 

Para mais informações sobre a doença de Chagas e sobre o programa Brasil Saudável, acesse www.gov.br/saude.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Brasil 61.

Quem foi a Irmã Dorothy Stang?

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Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos“.

Essa foi a última frase – de acordo com testemunhas oculares – da ativista ambiental e missionária católica Dorothy Stang antes de ser alvejada por seis tiros, em uma embosca, em uma área do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) no assentamento Esperança, em Anapu, no Pará.

Nascida em Dayton, Ohio (EUA), em 7 de junho de 1931, Dorothy Mae Stang chegou ao Brasil em 1966, onde naturalizou-se. Começou sua missão no Maranhão, mas foi na década de 70 que firmou seu trabalho e atuação na Amazônia, na Região do Xingu. 

Em Anapu, Dorothy foi a responsável pela implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança, modelo de assentamento e gestão que produzia uma fonte segura de renda com a colheita de madeira, sem destruir a floresta. A área era disputada por madeireiros e latifundiários, que encomendaram a morte da ativista.

Foto: Carlos Silva

História

Com 17 anos, Dorothy Stang decidiu seguir a vida religiosa. Sua congregação era a das Irmãs de Nossa Senhora de Namur, cujo principal missão é desenvolver trabalho voluntário junto à comunidades carentes.

Ainda na década de 50, antes de vir ao Brasil, a missionária passou por 8 anos de estudo e chegou a lecionar nos Estados Unidos. Fez votos perpétuos de pobreza, castidade e obediência.

Foto: Reprodução

Sua atividade pastoral e missionária se iniciou na cidade de Coroatá, no Maranhão. Seu foco estava na buscava a geração de emprego e renda com projetos de reflorestamento em áreas degradadas, junto aos trabalhadores rurais da Transamazônia.

Sua trajetória passa por sete estados brasileiros: AmazonasParáTocantinsMaranhão, Piauí, Ceará e Paraíba, e seu papel junto aos trabalhadores era encerrar conflitos sociais.

Luta

Um dos principais objetivos de Dorothy era manter o diálogo com lideranças camponesas, políticas e religiosas, na busca de soluções para os conflitos relacionados à posse e exploração de terras.

Em 1982 Dorothy decidiu ir para o Pará e se fixou na Vila de Sucupira, no município de Anapu. Uma das amigas de Dorothy, a religiosa Rebeca Spires, em uma entrevista, lembrou do pedido que escutou da missionária: “você tem que aprender a Bíblia em português, mas tem que aprender o Estatuto da Terra, porque nós trabalhamos com lavradores e eles têm que saber como defender seus direitos. Os direitos que a lei reconhece, a gente tem que conhecer e ensinar o povo para eles saberem como batalhar por si. A gente não vai ficar a vida inteira batalhando por eles, eles que têm que fazer”.

Dorothy também fez parte da Comissão Pastoral da Terra ainda na sua fundação e liderava os diálogos entre as lideranças locais, políticas e religiosas. Durante esse tempo, a religiosa fundou a primeira escola de formação de professores em Anapu, a Escola Brasil Grande.

Ameaças

Dorothy Stang sempre recebia ameaças de  morte, porém nunca se intimidou. Em 12 de fevereiro de 2005, aos 73 anos, foi vítima de uma emboscada e morta a tiros enquanto transitava por uma estrada de terra em Anapu.

Nesta época, ela trabalhava a favor da implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança em comunidades extrativistas da região. Isso ia de encontro com os poderosos da região que por diversas vezes a ameaçaram.

Segundo uma testemunha que viu o crime acontecer, ao ser abordada pela dupla de assassinos, a irmã mostrou a bíblia e leu alguns trechos do livro sagrado. As investigações confirmaram a participação de 5 pessoas no homicídio: dois fazendeiros, dois pistoleiros e um capataz.

Um dos mandantes, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, foi condenado no primeiro julgamento, em 2007, a 30 anos de prisão. Na época, a lei dizia que qualquer pessoa condenada a mais de 20 anos tinha direito a um segundo julgamento.

E foi durante esse segundo julgamento, em 2008, que o fazendeiro foi inocentado graças a um depoimento do seu capataz Amair Feijoli Cunha, assumindo a culpa. A promotoria não se conformou com o resultado e pediu a anulação do julgamento.

O corpo da missionária está enterrado no município que ela escolheu para defender “os pobres mais pobres”, como ela mesma se referiu ao pedir autorização do bispo para trabalhar na região.

Foto: Divulgação/MST

Legado

Dorothy ampliou o debate sobre exploração e posse de terras e sua luta e morte repercutiram internacionalmente. Em 2004 recebeu premiação da Ordem dos Advogados do Brasil (seção Pará) pela sua luta em defesa dos direitos humanos.

Conforme levantamento da Comissão Pastoral da Terra, entre 2005 e 2014, 325 pessoas teriam sido assassinadas no Brasil em razão de conflitos de terra — 219 na Amazônia.

O número de assassinatos de ativistas ligados a causas ambientais bateu um novo recorde em 2020. No ranking global, o Brasil aparece na quarta posição, com 20 assassinatos, atrás apenas de Colômbia, México e Filipinas.

Fundação alerta sobre urgência de ações de adaptação climática com possível nova seca extrema na região amazônica

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A Amazônia viveu uma seca histórica em 2023, com efeitos devastadores para o meio ambiente, especialmente para os povos que habitam e cuidam do bioma na região. Populações ribeirinhas e povos indígenas tiveram acesso limitado à água potável e alimentos. As mudanças climáticas vistas de Norte a Sul do Brasil, e ao redor do mundo, são uma das maiores ameaças que ocupam os grandes debates mundiais.

Os efeitos da estiagem severa foram sentidos pelas comunidades no entorno da capital amazonense. Na região do Baixo Rio Negro, polos vibrantes do turismo de base comunitária na região enfrentaram dificuldade de acesso a itens básicos, como alimentos e água potável. Além disso, tiveram que interromper suas atividades durante o segundo semestre, por conta da seca dos rios, meios de acesso dos turistas para os territórios.

Em 2023, como forma de auxiliar a população na região, que sofreu fortemente com a seca extrema, a Fundação Amazônia Sustentável (FAS) criou a Aliança Amazônia Clima, movimento que conta com o apoio de 80 organizações socioambientais e representantes de centros de pesquisa na região amazônica para o combate aos efeitos da crise climática. Em uma das frentes da Aliança, foram mobilizadas doações de itens de primeira necessidade, como água potável, cestas básicas e medicamentos, para as comunidades mais afetadas pela seca: em 2023, a iniciativa atendeu mais de 12 mil pessoas em 17 territórios como Unidades de Conservação e Terras Indígenas.

Paralelamente, a Aliança Amazônia Clima agrega pesquisadores que monitoram as flutuações do pulso de inundação de bacias hidrográficas e fatores climáticos para identificar tendências para fornecer recomendações no combate a eventos extremos e para ações de adaptação climática. 

Este ano, prevê-se uma seca mais severa que a de 2023, devido à persistência do fenômeno El Niño, que se estendeu até 2024, formando domos de calor. Em abril, a Defesa Civil do Amazonas publicou um relatório crucial alertando para a possibilidade de repetição da situação. Segundo os dados, os rios das bacias da região estão atualmente com níveis de água abaixo do esperado para a cota de cheia normal, indicando que acontecerá um evento de seca extrema neste ano.

“Nós temos vários indicadores nesse ano de 2024 sobre a séria ameaça de uma seca de grandes proporções, como tivemos no ano passado aqui na Amazônia. As projeções cientificas apontam para um aquecimento global mais acelerado do que anteriormente previsto. Quanto mais longa e intensa é a estação seca, mais frequentes e grandes ficam as queimadas. Isso contribui para o aquecimento global e regional, criando um efeito dominó que tende a tornar esse problema cada vez mais grave”, informa Virgilio Viana, superintendente-geral da FAS. 

Da mesma forma, a grande enchente que atingiu o Rio Grande do Sul está relacionada à extrema seca que afetou a Amazônia no ano passado. A catástrofe é causada pela combinação de umidade trazida por rios voadores (um grande corredor de umidade que desce até o Sul todos os anos), uma onda de calor no Sudeste e Centro-Oeste, e ventos intensos no estado, resultando em chuvas contínuas e inundações em várias bacias hidrográficas. Não apenas o clima, mas também as ações humanas estão relacionadas a essas alterações.

A mudança do clima é impulsionada pela emissão de milhões de toneladas de gases de efeito estufa, principalmente devido à queima de combustíveis fósseis, responsável por mais de 85% dessas emissões, segundo relatório publicado pela Agência Internacional de Energia (IEA), realizado pelas consultorias KPMG e Kearney e a Universidade Heriot-Watt. Além disso, o desmatamento acelerado de biomas brasileiros, como a Amazônia e o Pampa Gaúcho, também contribui significativamente para esse problema. O desmatamento da Amazônia, por si só, representa cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa.

“O enfrentamento às mudanças climáticas representa o principal desafio de hoje para o futuro da humanidade. É essencial a mobilização das organizações da sociedade civil, das empresas, das instituições de pesquisa e dos governos nas diferentes esferas para lidar com esse gigantesco desafio que temos pela frente”, considera Virgilio Viana.

“É essencial pensar não apenas em ações emergenciais, mas em ações preventivas de adaptação climática, isso requer um pensar muito abrangente em relação a áreas que precisam ser deslocadas, residências, que são vulneráveis à inundação ou, em caso de seca, pensar em estratégias de comunicação, transporte e logística e de abastecimento de água de longo prazo. Nós temos uma série de experiências aqui no Amazonas, desenvolvidas pela FAS e por instituições financeiras, que permitem compreender quais são os caminhos, qual o custo, como fazer soluções práticas”.

Sobre a Aliança Amazônia Clima

A Aliança Amazônia Clima é uma coalizão para o enfrentamento das mudanças climáticas, em resposta à seca histórica na Amazônia em 2023. Idealizada pela FAS, a Aliança já conta com o apoio de 80 organizações da sociedade civil, empresas e institutos de pesquisa. A coalizão mapeou os pontos mais atingidos pela seca e mobilizou doações de alimentos, água potável, remédios e outros itens de primeira necessidade para as comunidades e áreas isoladas. Em outra frente da Aliança, pesquisadores e analistas acompanham as flutuações do pulso de inundação da bacia hidrográfica do Rio Amazonas e fatores climáticos para identificar tendências e fornecer recomendações em apoio a governos estaduais e municipais no combate a eventos extremos e para ações de adaptação climática.