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Conheça a paineira, ‘árvore rosa’ reconhecida como patrimônio histórico ambiental de Ariquemes

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Conhecida pelas grandes dimensões — que podem chegar a 30 metros de altura — e por flores que encantam a paisagem onde ela é inserida, uma paineira se tornou patrimônio histórico ambiental da cidade de Ariquemes (RO) a partir de um decreto municipal.

O documento proíbe o corte, retirada, derrubada ou remoção a fim de preservar a planta e o terreno onde ela fincou suas raízes. A árvore fica localizado na Avenida Capitão Silvio.

Mas onde surgiu essa planta tão peculiar para a região amazônica? E qual a importância de árvores em ambientes urbanos?

O Grupo Rede Amazônica conversou com o pesquisador, botânico e professor do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Rondônia (Unir), Narcísio Bigio, que explicou sobre a origem da planta e como árvores de outras regiões do país vieram parar na região do bioma amazônico.

De acordo com o Narcísio, a espécie da planta já foi identificada na região da Bolívia, Mato Grosso e recentemente em Rondônia, formando assim uma linha nessa região batizada como ‘Ceiba Camba’.

O botânico explica que a espécie se adapta muito bem com vegetação de florestas tropicais úmidas. Ela tem uma característica peculiar: quando acaba o período de chuva e o solo fica mais seco, elas perdem as folhas e começam a florescer, liberando finalmente os seus frutos.

A floração da Paineira acontece uma vez ao ano, entre março e junho, início do período de seca em Rondônia. Além das flores, a planta produz matérias-primas, como a paina, uma espécie de algodão que envolve as sementes e pode ser utilizado para isolamento acústico e como enchimento, travesseiros, almofadas, cobertores e colchões.

Espécies como a da Paineira não são comuns na região Norte, mas sim no Sul e Sudeste do Brasil. O professor diz que espécies como essas foram trazidas e preservadas por colonos de estados sulistas e, por lembrar muito da terra natal, elas foram mantidas e preservadas.

Foto: Reprodução/Natureza pelos meus olhos

Mais árvore, menos calor

A presença de árvores faz diferença e é responsável pela melhora da qualidade do ar e também realiza a regulação térmica do ambiente.

Segundo César Guimarães, analista ambiental e doutor em Biologia Experimental, essa percepção de mudanças de temperaturas nas zonas urbanas são chamadas de “Ilhas de Calor”. Esse fenômeno acontece pela falta de árvores.

A grande concentração de asfalto e concreto, acumula mais calor e faz com que a temperatura fique acima da média. A umidade relativa do ar também fica baixa nestas áreas, o analista ressalta que a presença de árvores na zona urbana pode melhorar o conforto térmico por conta da cobertura das folhas. 

Ele diz que uma árvore de cerca de 20 metros quadrados de copa, consegue bombear cerca de mil litros de água para a atmosfera, gerando chuva e produzindo mais oxigênio.

De acordo com César Guimarães, uma árvore pode produzir em média 17 quilos de oxigênio por ano, o suficiente para 10 pessoas por dia.

Preservar para respirar

Para Narciso, além de ajudar na temperatura e na produção de oxigênio, as árvores têm outra grande importância. A preservação e a presença da fauna urbana.

Cidades mais arborizados sempre são beneficiadas com a aparição de aves, pequenos primatas e mamíferos nestas vegetações.

A falta de árvores, não somente na área urbana, mas em todo mundo é prejudicial para os seres vivos. Com a falta destas plantas, a qualidade de vida é reduzida e pode colaborar com o aumento de poluentes como: dióxido de carbono, metano, óxido nitroso e chuvas ácidas.

A preservação e tombamento de árvores, como a Paineira de Ariquemes é importante para manter os ambientes mais frescos e representa um título de consciência ambiental para a população.

*Por Mateus Santos, da Rede Amazônica RO

Projeto realiza reintrodução de ararajubas em Belém 

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A ararajuba é tão colorida quanto barulhenta. Penduradas nos galhos, três dessas aves gritam enquanto olham para o biólogo Marcelo Vilarta, alguns metros abaixo, enquanto ele as observa. Também chamada de guarubas, essas parentes de araras e periquitos ostentam plumagem amarela vibrante, com pontas verdes nas asas, que chamam atenção na vegetação amazônica. No entanto, são essas cores que colocam sua população em risco de extinção.

Leia também: Ararajuba: ave candidata a símbolo oficial nacional está ameaçada de extinção

O comércio ilegal de animais de estimação, aliado à perda de habitat, reduziu a população de ararajubas (Guaruba guarouba) a menos de 10 mil espécimes na natureza – um pequeno número para um grande bioma como a Amazônia, o único lugar na Terra onde são encontrados de forma nativa. Eles estão presentes principalmente no estado do Pará, com registros também no Maranhão e no Amazonas.

“Não há ararajubas [na natureza] em nenhum outro lugar do mundo”, diz Vilarta. Ele faz parte de um projeto de reintrodução dessas aves apoiado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e Biodiversidade (Ideflor-Bio) e pela Fundação Lymington.

O programa começou em 2017, e o primeiro bando de ararajubas foi liberado na natureza em janeiro de 2018, no Parque Estadual do Utinga, em Belém, cidade onde essas aves estão extintas há mais de cem anos. Os curiosos espécimes que observam Vilarta da árvore são três dos 50 que foram soltos aqui até agora.

Foto: Sarah Brown

Capturada por sua plumagem

A ararajuba desempenha um papel importante na dispersão de sementes, especialmente de árvores frutíferas como o murici (Byrsonima crassifolia) e o açaí (Euterpe oleracea), além de outras 21 plantas nativas da Amazônia. Embora bastante comum em cativeiro, a espécie se encontra ameaçada de extinção na natureza. Tanto na Lista Vermelha da IUCN quanto na classificação nacional, a ave é categorizada como vulnerável.

A perda de habitat por desmatamento e o tráfico de animais silvestres continuam a ser ameaças significativas para a ararajuba. O comércio ilegal era uma ameaça maior nas décadas de 1980 e 1990, de acordo com Luís Fábio Silveira, curador de aves do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo, que trabalha com o projeto de reintrodução da ararajuba.

Hoje em dia, diz ele, as pessoas criam a ave em cativeiro, e “elas podem ser adquiridos legalmente em todo o mundo” de criadores autorizados.

No entanto, a demanda por aves exóticas e raras como animais de estimação e os lucros que elas trazem mantêm o mercado ilegal ativo na Amazônia.

A compra de aves traficadas pode ser mais barata do que por meio de canais legais, e os traficantes são atraídos pelos altos lucros potenciais. Uma arara-azul (Anodorhynchus hyacinthinus), por exemplo, pode chegar a 90 mil reais. E uma pesquisa online encontrou sites que vendem ararajubas por até 13 mil reais. A maioria das aves traficadas é vendida no Brasil, mas algumas vão para os Estados Unidos e a Europa.

Os traficantes geralmente capturam ararajubas cortando árvores inteiras com ninhos e coletando os filhotes sobreviventes. Essa é uma prática devastadora para a população selvagem. “As aves que sobrevivem não podem se reproduzir  novamente porque seus ninhos foram destruídos”, diz Vilarta. “Eles precisam de cavidades de árvores muito específicas para fazer ninhos, e essas cavidades são muito difíceis de se encontrar.”

Protegendo a espécie

A Fundação Lymington, sediada no estado de São Paulo, tem criado ararajubas com sucesso nos últimos 20 anos para aumentar o número da espécie e, em 2017, uniu-se ao Ideflor-Bio para reintroduzir a ave de volta à natureza, com o apoio do Museu de Zoologia da USP. Belém foi escolhida para a reintrodução para trazer de volta “uma espécie a um lugar onde ela já havia desaparecido”, diz Vilarta.

O Parque Estadual do Utinga, no centro de Belém, é uma unidade de conservação e o maior espaço verde da cidade, com uma área de 1.393 hectares de ambiente amazônico natural amplamente preservado, o habitat preferido da ararajuba. A área é protegida por segurança privada e pela polícia ambiental pública, reduzindo a possibilidade de tráfico e desmatamento.

Os coordenadores do programa montaram dois aviários no meio do parque, onde dez ararajubas estão sendo preparadas para serem reintroduzidos na natureza. A maioria veio do programa de reprodução da Fundação Lymington, mas algumas foram resgatadas do tráfico ou de serem mantidas como animais de estimação. Dentro dos recintos, as ararajubas passam por um período de adaptação e aclimatação que leva pelo menos cinco meses.

Foto: Sarah Brown

O viveiro tem vegetação semelhante à que as ararajubas encontrarão na natureza, e elas são ensinados a reconhecer e consumir alimentos locais. As aves também são treinadas para reconhecer predadores, como jiboias, e para isso Vilarta e sua equipe colocam cobras vivas em segurança perto do recinto. 

Em seguida, os pesquisadores avaliam as reações das ararajubas às cobras, bem como às aves de rapina locais que caçam na área, e dão a elas uma nota de aprovação se emitirem coletivamente gritos de alarme quando os predadores se aproximam.

A educação ambiental para o público em geral, especialmente em escolas e universidades e para os visitantes do parque, também desempenha um papel fundamental na proteção de longo prazo da ave.

As atividades educativas incluem a distribuição de cartilhas sobre a ararajuba para estudantes, a criação de jogos para crianças e a realização de uma exposição sobre a espécie no Parque Porto do Futuro, em Belém.

Até o momento, o programa de reintrodução está funcionando. Um estudo publicado em 2021 sobre o projeto constatou que “as aves liberadas foram muito bem-sucedidas em encontrar e consumir alimentos nativos, fugindo de predadores, e um casal conseguiu se reproduzir com sucesso”.

Apesar do sucesso, a reintrodução de todas as ararajubas, especialmente as capturadas anteriormente, nem sempre é fácil.

No viveiro, uma fêmea de ararajuba se equilibra na rede de malha dentro do recinto e se aproxima de Vilarta, demonstrando pouco medo das pessoas. O biólogo diz que ela já foi mantida como animal de estimação, criada ilegalmente no Pará, antes que o proprietário a entregasse para o projeto. “Você pode até falar com ela e ela responde”, diz ele.

Outra ave se agarra à rede próxima. Vilarta entra na gaiola, recolhe o animal usando uma vara longa e o coloca perto de uma caixa-ninho para protegê-lo do sol escaldante do meio da manhã. Antes de ser resgatado e entregue ao projeto, esse espécime em particular havia sido mantido em uma gaiola por 15 anos e nunca aprendeu a voar.

Vilarta diz que a reintrodução dessas duas aves na natureza será um desafio, se é que será possível, devido à sua incapacidade de se adaptar à vida fora do cativeiro. “Pelo menos esses dois podem ser felizes e seguros aqui”, diz ele.

Atualmente, dez das cinquenta ararajubas selvagens reintroduzidas permanecem no Parque Estadual do Utinga e visitam o recinto diariamente para socializar com as aves em cativeiro e comer nos comedouros que Vilarta deixa para elas. Ele passa todos os dias ao lado dos recintos, monitorando as populações selvagens e em cativeiro.

As outras 40 que foram liberadas anteriormente se dispersaram para outras regiões. Antes de ser solta, cada ararajuba recebe um anel nas pernas e um colar no pescoço para ajudar a manter o controle da população. Os colares de rádio ajudam a monitorar as aves individualmente até certo ponto, mas não são eficazes em longas distâncias.

“Depois que elas são soltas, é difícil mantê-las sob controle”, diz Vilarta. O plano agora é expandir o tamanho dos aviários atuais para acomodar mais ararajubas s e, em seguida, soltar outras 50 na natureza nos próximos dois anos. Os pesquisadores e conservacionistas esperam que essas aves continuem a criar suas próprias populações em Belém e além.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Mongabay, escrito por Sarah Brown

Boa Vista inicia pesquisa de Origem-Destino Domiciliar

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A Prefeitura de Boa Vista começa, no dia 24 de julho, a nova etapa do processo de construção do primeiro Plano de Mobilidade Urbana Sustentável (PMUS): a pesquisa de Origem-Destino Domiciliar, ocasião em que pesquisadores cadastrados, treinados e devidamente identificados percorrerão 3 mil domicílios em toda a cidade, das 7h às 19h. A previsão é que os trabalhos encerrem no final de agosto.

O objetivo é coletar informações detalhadas sobre a população, mapeando os padrões de deslocamentos dentro da cidade e viagens. Tais dados serão a base de planejamento, implementação e otimização de políticas públicas relacionadas à mobilidade urbana, como: definição de linhas de ônibus, expansão do sistema, o funcionamento de transporte complementar (como táxi-lotação) e na identificação dos principais corredores caminháveis da cidade.

Além disso, orientam a localização ideal para estações de bicicletas, tanto individuais quanto compartilhadas, e a regulação de outros meios de transporte da capital. Segundo o arquiteto e urbanista Ricardo Freitas, membro do comitê gestor do PMUS, é importante que a população atenda aos pesquisadores quando baterem à porta.

Boa Vista inicia pesquisa de Origem-Destino Domiciliar. Foto: Reprodução/Prefeitura de Boa Vista

PMUS

O Plano de Mobilidade Urbana Sustentável orienta a política de mobilidade de uma cidade e estabelece diretrizes para o sistema de transporte público, incluindo a rede cicloviária. Também mapeia as obras necessárias para melhorar o deslocamento de forma sustentável, considerando a melhor forma de ir e vir das pessoas.

No Brasil, a Lei Federal nº 12.587/2012 instituiu a Política Nacional de Mobilidade Urbana, para que municípios com mais de 20 mil habitantes elaborem seus planos, essenciais para acessar recursos federais para investimentos no setor.

Vídeo raro de doninha amazônica é registrado por produtores de café na Bolívia

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A Wildlife Conservation Society publicou em suas redes sociais, no dia 18 de julho, imagens raras de um mamífero conhecido popularmente como doninha amazônica ou lobinho d’água (Neogale africana). As imagens foram registradas por um grupo de produtores de café na Bolívia, onde a espécie ainda não havia sido registrada por ninguém até o momento.

Vídeo: Reprodução /Instagram/thewcs.

A espécie é considerada um dos mamíferos menos disponíveis em literaturas da fauna sul-americana, possui  estrutura corporal alongada, crânio  largo com olhos e orelhas pequenos. A cauda é peluda e menor que o corpo. Possuem patas nuas na parte de baixo e apresentam membranas. A doninha amazônica mede aproximadamente de 20 a 30 cm. A pelagem é castanho escuro, castanho claro e bege-amarelado no ventre e na porção posterior dos membros.

No Brasil, segundo consta na revista eletrônica do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), há registros desta espécie em Unidades de Conservação do Acre de acordo com os relatos de moradores locais, no Rio Juruá e no município de Humaitá, no Amazonas, e ainda no Pará.

Curiosidades 

A dieta da doninha é composta basicamente por roedores, mas em caso de falta de suas presas naturais, optam por galinhas, coelhos ou outros animais domésticos em cativeiro. Possuem hábitos tanto diurnos quanto noturnos, tem costume de viver sozinhos, mas podem formar grupos. 

São animais terrestres e aptos para a escalada, indicando hábitos arborícolas. Além disso, como possuem membrana são capazes de nadar. Vivem em floresta úmidas, como a Floresta Amazônica, mas podem ser encontrados em áreas mais secas e abertas.

Políticas públicas ainda não frearam violência contra indígenas, aponta relatório

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A mudança de governo, no âmbito federal, não foi suficiente para frear a violência e o desrespeito aos direitos indígenas. A conclusão é do Conselho Indigenista Missionário (Cimi), órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que lançou, no dia 22 de julho, o relatório anual ‘Violência Contra os Povos Indígenas do Brasil’, dados de 2023.

“O conselho lança esse relatório com profundo pesar”, afirma o presidente do Cimi e arcebispo de Manaus (AM), Leonardo Steiner, na apresentação do documento.

“A cada ano, depois de organizarmos e analisarmos os dados e as informações que nos são enviadas pelas equipes de missionárias e missionários, bem como as obtidas junto aos órgãos públicos e à imprensa, vemos que as descrições de fatos e as cenas de violência se repetem e nos impactam profundamente.”

Segundo o conselho, o primeiro ano da atual gestão federal (2023) foi marcado pela retomada das ações fiscalizatórias e maior repressão às invasões em alguns territórios, como o dos yanomami, no Norte do país, mas a demarcação de novas áreas da União destinadas ao usufruto exclusivo indígenas e também as ações de proteção e assistência às comunidades permaneceram insuficientes.

O relatório cita a criação do inédito Ministério dos Povos Indígenas (MPI), à nomeação de representantes de diferentes etnias para postos importantes, como o próprio MPI, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e a Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), e a declaração de Emergência Nacional de Saúde na Terra Indígena Yanomami, com a subsequente operação de retirada – ou desintrusão – de não-indígenas, sobretudo garimpeiros, da reserva.

Após seis anos de paralisação dos processos demarcatórios, o governo federal homologou, no ano passado, oito novas terras indígenas. De acordo com a Funai, a União também destinou mais de R$ 200 milhões para ações de proteção e demarcação territorial. E cerca de R$ 5,3 milhões foram destinados ao pagamento de indenizações por benfeitorias a ocupantes de boa-fé retirados de terras indígenas.

Marco temporal

No relatório, o Cimi reconhece que, em 2023, houve uma melhora na execução da política indigenista em comparação aos anos anteriores, mas ainda insuficiente.

“Após anos de abandono e omissão ativa de governos anteriores frente à presença ilegal de garimpeiros na Terra Indígena Yanomami, a declaração de Emergência Nacional de Saúde e o início de uma grande operação de desintrusão no território apontaram na direção de uma mudança efetiva em relação à política indigenista. Sem demora, contudo, a realidade política se impôs. O Congresso Nacional atuou para esvaziar o MPI e atacar os direitos indígenas, especialmente por meio da aprovação da Lei 14.701/2023”, destacou o conselho.

Aprovada em setembro do ano passado, a Lei nº 14.701 estabelece o chamado marco temporal. Pela tese, os indígenas só têm direito aos territórios originários que ocupavam ou já reivindicavam até 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal.

O Supremo Tribunal Federal (STF) tinha apontado a inconstitucionalidade da tese apenas uma semana antes de os deputados federais e senadores aprovarem a lei. O que motivou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a vetar este ponto da lei, em outubro.

Em dezembro, o Congresso derrubou o veto de Lula, mantendo o marco temporal. A queda de braço entre Executivo e Legislativo foi judicializada por setores favoráveis e contrários à lei. Em abril, o ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou a instauração de um processo de conciliação, suspendendo o julgamento de qualquer ação que trate do tema.

A previsão é de que a comissão criada para tentar estabelecer um acordo entre as partes comece a funcionar no próximo dia 5 de agosto.

Para o Cimi, as disputas em torno dos direitos indígenas, travadas no âmbito dos três Poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo), se refletem em um ‘cenário de continuidade das violências e violações contra os povos originários e seus territórios’.

O relatório destaca que os ‘avanços’ na constituição ou reestruturação, pela Funai, dos grupos técnicos responsáveis por identificar e delimitar os territórios indígenas indicam ‘a disposição do órgão em dar andamento à primeira etapa na regularização de demandas represadas há anos’.

Encaminhamentos

Segundo a Funai, em 2023, os processos relativos a 25 terras indígenas foram encaminhados a fim de permitir a publicação das chamadas portarias declaratórias, uma declaração estatal sobre os limites da área já identificada e delimitada por antropólogos como território tradicional indígena. Além disso, foram constituídos 37 grupos técnicos para verificar a situação de outras áreas reivindicadas.

“Contudo a indefinição sobre o marco temporal torna impossível uma previsão acerca do cumprimento dos prazos estabelecidos, na medida em que o governo hesita e utiliza a Lei 14.701/2023 como justificativa para não avançar nos procedimentos demarcatórios”, acrescenta o conselho.

O documento reforça que a homologação de oito terras indígenas ao longo do ano passado ficou ‘aquém das expectativas’, ainda que o resultado seja superior ao dos quatro anos anteriores, quando nenhum novo território foi homologado.

Governo

Consultados, os ministérios dos Povos Indígenas e da Saúde informaram não ter tido acesso prévio ao relatório divulgado esta tarde e que se manifestarão após analisar o documento.

Em nota, o Ministério da Justiça e Segurança Pública informou que a Força Nacional de Segurança Pública tem atuado em terras indígenas, sob demanda, para auxiliar outros órgãos a manter a ordem pública e garantir a segurança e integridade patrimonial e das pessoas.

Ainda segundo a pasta, só no primeiro semestre deste ano, agentes da tropa federativa participaram de operações em 21 áreas indígenas de nove unidades federativas, incluindo ações de combate ao garimpo ilegal, remoção de não-indígenas, proteção dos recursos naturais, policiamento ostensivo e fiscalização ambiental.

Além das operações, a Força Nacional também trabalha na desintrusão das terras Yanomami, Karipuna, Arariboia, Kayapó, Munduruku, Uru-Eu-Wau-Wau e Trincheira Bacajá, esta última, já concluída e, atualmente, em fase de monitoramento da região e elaboração de um plano de sustentabilidade do território.

A nota do Ministério informa ainda que as desocupações correm no âmbito da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 709, expedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em novembro de 2023. A Suprema Corte homologou os planos operacionais de retirada de invasores dos sete territórios, destacando a necessidade de planejamentos semelhantes e adaptados à realidade de cada comunidade.

“Além disso a Secretaria de Acesso à Justiça (Saju) mantém diálogo constante com comunidades indígenas e com organizações como o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), recebendo e articulando as demandas das populações dentro do MJSP e com outros órgãos do Governo Federal a fim de garantir a efetivação dos direitos dos povos indígenas”, concluiu a pasta.

Leia o relatório:

*Com informações da Agência Brasil

Queimadas aumentaram 189% em Rondônia no mês de julho em comparação à 2023

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Em 23 dias do mês de julho, 763 focos de queimadas foram identificados em Rondônia. O número corresponde a um aumento de 189% em comparação ao mesmo período de 2023. Os dados são do Programa de BDQueimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Mesmo antes de acabar, julho de 2024 já se destacou como o pior em relação a queimadas nos últimos três anos.

Porto Velho é o município do estado com mais focos, seguido por Nova Mamoré (104), Cujubim (76) e Candeias do Jamari (67).

A capital de Rondônia também se destaca negativamente em um panorama nacional, sendo a 4ª cidade do país que mais teve vegetação queimada neste mês. Nova Mamoré (RO) também faz parte do ranking.

O período entre 15 a 21 de julho foi o mais dramático no estado, segundo os dados do BDQueimadas. Somente nesses sete dias, 560 focos foram identificados.

Já em relação às unidades de conservação, o Parque Estadual Guajará-Mirim é o mais afetado. Na região, 90 focos de queimadas foram contabilizados.

Ao longo dos anos, a região vem sofrendo devastação em decorrência da permanência de invasores no local. Os crimes mais recorrentes são extração ilegal de madeira, desmatamento, incêndio, pastagem, caça e pesca ilegal e grilagem de terras.

Estiagem e seca extrema

O município de Porto Velho completou quase dois meses sem chuvas este mês, segundo o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). No período de estiagem, os moradores enfrentam altas temperaturas e tempo seco.

As previsões do Sipam para esta semana, indicam atuação de uma massa de ar quente e seca que causam: ventos fracos, baixa umidade e ausência de chuva. Essas condições de tempo aumentam o risco de incêndios florestais.

Em Rondônia, 18 municípios já foram reconhecidos pelo governo federal como em situação de emergência devido à estiagem extrema. Entre eles, Porto Velho e Nova Mamoré.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Pesquisador do Inpa debate sobre mudança do ciclo hidrológico na Amazônia e o impacto nas populações ribeirinhas

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O pesquisador afirma que eventos extremos são influenciados por muitos fatores, a exemplo o aquecimento global. Foto: Débora Vale

As mudanças climáticas na região amazônica têm influenciado o aumento significativo dos eventos extremos como secas e enchentes, que por sua vez tem afetado o ciclo hidrológico na Amazônia. É o que apontou o pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), Jochen Schöngart, durante a participação na 76ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Na mesa-redonda intitulada ‘A Hidrografia, os aquíferos, as secas e enchentes na Amazônia‘, o pesquisador afirmou que eventos extremos são influenciados por muitos fatores, a exemplo o aquecimento global. .

De acordo com Schöngart, tanto as populações da Amazônia quanto seus ecossistemas são afetados por esses eventos.

O ciclo hidrológico é o processo contínuo de circulação da água entre os diferentes ecossistemas da da natureza como a atmosfera, os oceanos, os rios, os lagos, as geleiras e os lençóis subterrâneos. A Amazônia é caracterizada por altos índices pluviométricos, com chuvas intensas ao longo do ano, principalmente durante a estação chuvosa entre dezembro e maio. A umidade excedente é absorvida pela vegetação, que realiza a evapotranspiração, ou seja, joga a  água para a atmosfera, formando nuvens e contribuindo para o regime de chuvas na região. 

Entretanto, o aumento das secas somado ao desmatamento tem resultado em impactos negativos no ciclo hidrológico local e regional. As mudanças no ciclo hidrológico na Amazônia têm gerado impactos significativos para as populações ribeirinhas da região, dentre esse impactos pode-se citar: a inundação de áreas habitadas; o nível dos rios que afetam a pesca, a agricultura e outras atividades tradicionais; saúde e segurança; e a perda de recursos naturais.

Jochen enfatiza que é crucial investir em educação, pesquisa e tecnologia para mitigar os efeitos das mudanças climáticas.

Jochen é pesquisador titular da Coordenação de Pesquisas em Dinâmica Ambiental (Codam) do Inpa, membro e vice-coordenador do Grupo de Pesquisa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (Maua).  Atua também como membro do Comitê Científico do Programa de Grande Escala da Biosfera-Atmosfera na Amazônia (LBA/Inpa-MCTI) e faz parte do corpo docente dos Programas de Pós-Graduação em Ecologia, Botânica e Ciências de Florestas Tropicais, todos do Inpa.

Além de Schöngart, participaram da mesa o professor Ingo Daniel Wahnfried da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), o pesquisador Ayan Fleischmann do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM),  e como mediador,  Naziano Filizola, também da Ufam. 

Para acompanhar a mesa completa, clique aqui.

Saiba qual vila histórica amapaense tentou “virar país” três vezes no século 19

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A Amazônia amapaense abriga uma vila histórica que tentou “virar país independe” três vezes. O atual distrito de Cunani, no município de Calçoene, a cerca de 426 quilômetros da capital Macapá, tentou se tornar uma república independente pela primeira vez no dia 23 de julho de 1886.

As demais tentativas ocorreram em 1887 e 1892 e também não foram reconhecidas pela comunidade internacional. Elas fracassaram após neutralizações dos governos francês e brasileiro na época. No período, o Brasil e a França disputavam a área que compreende o atual Rio Oiapoque ao Rio Araguari, no que foi chamado de Contestado Franco-Brasileiro.

O Cunani foi fundado pelo francês Prosper Chaton e se chamava “Guanany” que na língua Tupi significa Tucunaré, uma espécie de peixe em abundância na região. Apesar de ter um nome indígena, a vila foi formada principalmente por escravizados fugitivos, aventureiros e comerciantes franceses e brasileiros.

Após a descoberta de ouro em Calçoene, houve um crescimento significativo de moradores em busca do metal na região em meio à disputa econômica, geopolítica e militar. De acordo com o historiador Célio Alício, houve a emissão de moedas próprias e selos postais da “República Independente da Guiana”, ou “República do Cunani”.

“A comunidade surge no contexto do Contestado Franco-Brasileiro, região rica em minério que foi encarada como um ‘Eldorado” desde o século 17 e desde então ocorreu uma disputa que durou mais de 200 anos. Primeiro foi entre Portugal e França e depois entre Brasil e França, após a independência”, descreveu o historiador.

Distrito do Cunani, no município de Calçoene. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica

As tentativas de independência: 1886, 1887 e 1892

As três tentativas de independência ocorreram nos anos de 1886, 1887 e em 1892. Nenhuma teve êxito por conta de que a área já estava na disputa entre Brasil e França.

As duas ações foram lideradas pelo escritor e jornalista francês Jules Gros, integrante da Sociedade de Geografia Comercial de Paris. Apesar da área do possível “novo país” estar localizado na América do Sul, ele era governado de Paris, de onde o fundador emitia as moedas e selos.

Brasão, bandeira e a condecoração Ordem da Cavalaria Estrela de Cunani também foram criados. Ainda de acordo com o historiador Célio Alício, a criação da república e o seu governo a partir da Europa evidenciam os fins comerciais dos idealizadores e não de interesse em ajudar a população local.

Ainda segundo o historiador, as pessoas que recebiam as comendas não precisavam necessariamente ser simpáticas à causa, mas apenas comprar o título de nobreza ou as comendas. A terceira tentativa de independência ocorreu de 1892 a 1911 e foi liderada pelo francês naturalizado brasileiro Adolph Brezet.

Telha importada de Marseille, na França, que foi usada na antiga igreja de Cunani. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica

O Cunani em 2024

Em 2020, a vila recebeu o certificado como remanescente de quilombo. O acesso remoto, parte pelo oceano e parte pelo Rio Cunani, além das más condições da única estrada que liga a vila com a sede do município de Calçoene, tem dificultado a vida de quem ainda reside no distrito.

Com o passar dos anos, os moradores foram abandonando o local por falta de escolas para a educação dos filhos. De acordo com o Censo 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apenas 56 pessoas moram em Cunani.

O agricultor Rodivaldo Alves Chagas, de 68 anos, nasceu e cresceu na vila. Ele colhe cacau para produzir chocolate caseiro, técnica que aprendeu com os pais e avós.

Outro destaque na economia local é a produção de açaí, considerado um dos melhores do norte do país. De acordo com uma pesquisa da Embrapa Amapá, o fruto da região possui um alto teor antocianinas, característica que deixa a polpa mais arroxeada e priorizada no mercado internacional.

*Por Rafael Aleixo, da Rede Amazônica AP

Pará se destaca com plano de recuperação da vegetação nativa

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No Dia Nacional de Proteção às Florestas, celebrado no dia 17 de julho, o Pará foi destacado como pioneiro na construção do Plano de Recuperação da Vegetação Nativa (PRVN), uma iniciativa que integra a Política Estadual de Mudanças Climáticas (PEMC) do Governo do Estado. O plano busca o enfrentamento da emergência climática com estratégias robustas e sustentáveis.

A Secretaria de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas), responsável pela coordenação das ações, avança com a implementação do Plano, com a estruturação do processo de recuperação de uma área de 10 mil hectares dentro da Área de Preservação Ambiental (APA) Triunfo do Xingu, além da implementação de uma biofábrica para fornecer mudas de qualidade, essenciais para a restauração ambiental.

Leia também: Pará abre consulta pública sobre concessão florestal na Unidade de Recuperação Triunfo do Xingu

Resultado de um processo participativo, a construção do PRVN, lançado em 2023, na 28ª Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP 28), contou com a participação ativa de Povos Indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais.

Ampliar as ações de recuperação da vegetação nativa é um desafio central na Década das Nações Unidas da Restauração de Ecossistemas (2021-2030). Diversos países, incluindo o Brasil, comprometeram-se a restaurar 350 milhões de hectares até 2030, como parte do Desafio de Bonn. O Brasil estabeleceu a meta de recuperar 12 milhões de hectares, compromisso reforçado por acordos internacionais como o Acordo de Paris, a Declaração de Nova York sobre Florestas e a Iniciativa 20×20 na América Latina.

O Pará criou um ambiente político favorável para a implementação desta agenda ambiental desde 2019. Em 2020, o estado instituiu a Política Estadual sobre Mudanças Climáticas e, posteriormente, lançou o Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), no qual se comprometeu a recuperar 5,6 milhões de hectares até 2030. O PRVN-PA é, portanto, o principal instrumento do estado para atingir essa ambiciosa meta.

*Com informações da Agência Pará

1ª edição de Feira de Economia Solidária do Baixo Amazonas une diversidade e sustentabilidade

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Com apoio da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), por meio do Instituto de Ciências da Sociedade (ICS) e com participação da Incubadora de Economia Solidária (Iecosol), será realizada em 24 e 25 de julho a 1ª Feira de Economia Solidária do Baixo Amazonas, com o tema ‘Diversidade e Sustentabilidade’. 

O evento ocorre na praça Barão de Santarém, no centro da cidade. Durante a feira será lançado o Plano Safra da Agricultura Familiar, um conjunto de ações do governo federal para fortalecimento da agricultura familiar com o objetivo de promover a produção sustentável de alimentos.

O governo federal liberará R$ 76 bilhões a juros mais baixos para todo o Brasil, e uma parte desses recursos será destinada a agricultores familiares do estado do Pará. 

Os recursos serão anunciados pelo representante do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) no Pará, Edson Júnior, e pelo secretário de Agricultura Familiar do Pará, Cássio Pereira, que estarão presentes na feira.

Na ocasião, a professora Annelyse Figueiredo, do Instituto de Saúde Coletiva (Isco), fará palestra em que apresentará seus estudos sobre a ‘problemática do agrotóxico’. Calouros da Ufopa participarão de uma gincana ambiental, coordenada pela professora Márcia Janete da Cunha Costa e pela aluna do curso de Gestão Pública Mariah Vanzeler, ambas da incubadora Iecosol.

*Com informações da Universidade Federal do Oeste do Pará