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Na tentativa de minimizar impactos da estiagem na região amazônica, Governo Federal realiza estudos

Medidas visam garantir a continuidade do tráfego de embarcações no Amazonas.

Reprodução /Ministério de Portos e Aeroportos

Após uma inspeção realizada na semana passada nas regiões do Tabocal e da Enseada do Rio Madeira, no Amazonas, o diretor de Infraestrutura Aquaviária, Erick Moura, recebeu, na última terça-feira (16), os dados das sondagens batimétricas da região. Essas informações foram entregues pela equipe de levantamentos batimétricos da Proa – Praticagem dos Rios Ocidentais da Amazônia.

A batimetria é uma técnica utilizada para mapear as profundidades aquáticas em oceanos, mares, lagos e rios, sendo realizada por meio de equipamentos como sonares e ecossondas. Esse processo de medição registra o tempo de retorno das ondas sonoras após atingirem o fundo do corpo d’água, permitindo a elaboração de mapas e modelos tridimensionais do relevo submarino.

Os dados coletados serão fundamentais para a realização de estudos voltados para a identificação de ações preventivas e que minimizem os efeitos da seca na região amazônica em 2024. Esses estudos se concentrarão principalmente na implementação de medidas preventivas de dragagem na região.

O Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), por meio de sua Diretoria de Infraestrutura Aquaviária (DAQ), já mapeou os principais pontos em seu planejamento de dragagens regulares. Esses pontos críticos incluem Codajás – Coari, Tabocal – Foz do Madeira e Tabatinga – Benjamin Constant (Alto Solimões), que foram afetados pela seca em 2023.

A equipe monitora constantemente esses locais e os inclui em campanhas conforme o planejamento estabelecido, que já está em curso no trecho próximo a Humaitá, no Rio Madeira.

Artistas Yanomami exibem obras no mais antigo evento de arte do mundo, na Itália

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Evento de arte em Veneza conta com 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki.

Foto: Daniel Tancredi/Platô Filmes/ISA/Divulgação

Os artistas Joseca Yanomami e André Taniki, ambos do povo Yanomami, irão participar da 60ª Bienal de Arte de Veneza – o maior e mais antigo evento de arte do mundo – com a exibição de 31 obras. A bienal ocorre de 20 de abril a 24 de novembro de 2024, em Veneza, na Itália.

Intitulada ‘Foreigners everywhere’ (Estrangeiros em todos os lugares), a edição dará visibilidade a artistas de grupos marginalizados como indígenas, imigrantes e refugiados. Ao todo, são 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki.

Joseca participa da pré-abertura do evento – entre 16 a 19 de abril – a convite da própria Bienal de Veneza e com apoio da Hutukara Associação Yanomami (HAY) e da Galeria Millan.

“Estou muito feliz nesta viagem para participar [da Bienal de Veneza]. É uma felicidade muito grande”,

disse Joseca pouco antes de embarcar no aeroporto em São Paulo com destino a Veneza.

Taniki também foi convidado pela Bienal de Veneza, no entanto, tem mais de 80 anos e não pode viajar para conhecer a exposição.

Além de artista, Taniki também é um xamã que vive no Alto Rio Catrimani – região onde a arte dos desenhos foi apresentada pela fotógrafa Claudia Andujar – e que produziu a maior parte de suas obras nos anos 1980 e 1990.

Evento de arte na Itália conta com 13 desenhos de Joseca Yanomami e 18 obras de André Taniki. Foto: Daniel Jabra/Isa/Divulgação

A participação de Joseca na abertura do evento é considerada fundamental para reconhecimento da trajetória dele e para a divulgação da luta Yanomami no âmbito internacional. Os desenhos que farão parte da exposição foram cedidos pelo Museu de Arte de São Paulo (MASP), que há três anos adquiriu 92 obras de Joseca e em 2022 realizou a exposição “Joseca Yanomami: Nossa Terra-Floresta”.

O repertório do artista Yanomami é composto pelas inspirações da cosmologia de seu povo, fazendo referência aos cantos, mitos xamânicos, a floresta, a defesa do território e os sonhos. 

Sobre Joseca Yanomami

Daniel Tancredi/Platô Filmes/ISA/Divulgação

Joseca Yanomami ilustra cenas da vida cotidiana na floresta, lugares e eventos evocados pelos mitos e cantos xamânicos.

Nascido na década de 1970, na região do Demini, Terra Indígena Yanomami, e membro da comunidade Watorikɨ, Joseca é um notável artista de seu povo. Há mais de duas décadas, ele começou a desenhar e esculpir animais em madeira.

“Quando eu aprendi a desenhar, eu ouvia os pajés cantando e eu gravava na minha cabeça para desenhar depois, desenho os parentes, os animais, árvores, os passarinhos, araras, macacos, antas, peixes”, 

contou Joseca ao Instituto Socioambiental em 2021.

Joseca também é o primeiro estudioso de línguas de sua comunidade e foi professor em Watorikɨ no início dos anos 1990. Além disso, foi o primeiro Yanomami a trabalhar na área de saúde.

Amazonas FC X Flamengo: clubes se enfrentam na terceira fase da Copa do Brasil

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Vaga nas oitavas de final do torneio será disputado em jogos de ida e volta. O primeiro jogo acontece no Rio de Janeiro.

Foto: Thais Magalhães/CBF

O adversário do Amazonas FC na terceira fase da Copa do Brasil será o Flamengo. O confronto foi definido nesta quarta-feira (17), em sorteio realizado pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro. 

O jogo de ida acontecerá no Maracanã e a volta em Manaus. A tabela básica indica que as partidas devem acontecem nos dias 1 e 22 de maio. Se o placar agregado ficar empatado, o classificado será definido na disputa por pênaltis.

Para chegar na terceira fase, o Amazonas eliminou o Independente-AP, na primeira fase, e o Maringá-PR, na segunda. O Flamengo vai estrear na Copa do Brasil. O clube, por estar na Conmebol Libertadores, entrou direto na terceira fase do torneio.

*Por Rômulo Almeida, do GE Amazonas

Plano de ação entre Brasil e Suíça para fortalecer cooperação científica vai priorizar projetos na região amazônica

Atividades previstas para o biênio 2024-2026 têm foco no desenvolvimento sustentável.

Foto: Rodrigo Cabral/ASCOM MCTI

Representantes do Brasil e da Suíça participaram, na segunda-feira (15), da 6ª reunião da Comissão Conjunta Suíça-Brasil sobre Ciência, Tecnologia e Inovação. O objetivo foi apresentar as parcerias já existentes e discutir o Plano de Ação para o biênio 2024-2026, dando prioridade a projetos ligados à região amazônica.

A delegação internacional, liderada pelo embaixador da Suíça no Brasil, Pietro Lazzeri, foi recebida por representantes do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

“O Brasil é um parceiro estratégico e já temos uma sólida base para aprofundarmos as parcerias. Acreditamos na importância da pesquisa e inovação, pois a ciência está diretamente ligada à economia e à sustentabilidade”, 

afirmou o embaixador Pietro Lazzeri.

Segundo ele, a Suíça tem especial interesse em apoiar projetos na área de bioeconomia, descarbonização e combate ao desmatamento. “Apoiamos a liderança do Brasil na região amazônica. O Brasil é um gigante verde e os potenciais para cooperação são enormes”, declarou Lazzeri.

A reunião foi conduzida pelo presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ricardo Galvão, e pela representante da Assessoria Internacional do MCTI, Vânia Gomes. Também estiveram presentes representantes da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo a Pesquisas (CONFAP) e de outros órgãos de apoio à pesquisa.

Já a delegação suíça contou com a participação da Secretaria de Estado de Educação, Pesquisa e Inovação (SERI), da Fundação Nacional de Ciência (SNSF) e de órgãos de fomento. A próxima reunião da Comissão Conjunta Suíça-Brasil sobre Ciência, Tecnologia e Inovação deve acontecer na Suíça em 2026.

98 milhões de reais são aprovados pelo Fundo Amazônia para combater desmatamento no Acre

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A Ministra Marina Silva participou de cerimônia em Rio Branco, capital acreana.

Foto: José Caminha/Secom AC

O governo federal assinou, em Rio Branco (AC), no último dia 11, um repasse de R$ 97,8 milhões do Fundo Amazônia para o governo do Estado do Acre. Os recursos serão destinados ao fortalecimento da prevenção, do controle e do combate a práticas ilegais de desmatamento e incêndios florestais, além de iniciativas de ordenamento territorial e produção agrícola sustentável.

O Fundo Amazônia, maior iniciativa de redução de emissões provenientes de desmatamento e degradação florestal do mundo, é gerido pelo BNDES em coordenação com o MMA. As diretrizes são estabelecidas por um Comitê Orientador e alinhada ao Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia (PPCDAm), retomado pelo presidente Lula em junho de 2023.

Participaram da cerimônia de assinatura do contrato a ministra Marina Silva (Meio Ambiente e Mudança do Clima), o ministro Paulo Teixeira (Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar), o governador Gladson Cameli e a diretora Socioambiental do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Tereza Campello.

“O Fundo Amazônia ficou parado por quatro anos até ser retomado pelo presidente Lula em 2023. No contrato com o governo do Estado do Acre, estão previstas ações de regularização fundiária com passivos ambientais, que precisam ser regularizadas para acesso a crédito. Também há medidas para dar suporte ao ordenamento territorial das Terras Indígenas e ações direcionadas às atividades produtivas sustentáveis”, 

discursou Marina.

As ações, alinhadas aos planos de prevenção e controle do desmatamento federal e estadual, dividem-se em cinco eixos: monitoramento e controle; ordenamento territorial; produção agrícola sustentável; inventário de emissões e remoções de gases do efeito estufa; e gestão.

Da criação do Fundo Amazônia em 2008 a 2023, os contratos assinados com o Acre somavam R$ 83 milhões. O novo investimento, destacou Campello, é maior que a soma dos aportes anteriores:

“Este projeto apoia uma abordagem ampla e integrada da política socioambiental do Estado do Acre, já levando em conta os critérios orientadores mais atuais do Fundo Amazônia para apoio à prevenção e ao combate a incêndios florestais, além de crimes e infrações ambientais. Sua estruturação pode servir de modelo para projetos de outros governos estaduais da Amazônia Legal, apoiando desde o combate a crimes ambientais até a geração de renda para a população local”, afirmou Campello.

Os recursos financiarão a integração de sistemas de informação para monitoramento ambiental; a prevenção de crimes ambientais, incêndios e queimadas florestais, com fortalecimento do policiamento ambiental, do Corpo de Bombeiros e do patrulhamento aéreo e de fronteira; e a atualização e execução de planos de vigilância das Terras Indígenas do Acre, entre outras ações.

Os investimentos permitirão também a restauração florestal aliada a oportunidades de trabalho para pequenos produtores rurais. Há incentivos à implementação de sistemas agroflorestais, que reúnem no mesmo espaço a produção agrícola e a vegetação nativa. As ações preveem geração de renda para a população local combinada com a redução das emissões de gases do efeito estufa.

“Esses recursos chegam em um momento em que os estados da Amazônia estão precisando investir na preservação ambiental e em atividades sustentáveis. Mas, ao mesmo tempo, existe o nosso compromisso de cumprir as metas de preservação das nossas florestas, determinadas pelo Fundo Amazônia”, afirmou o governador.

Fundo Amazônia

O Fundo já apoiou 110 projetos, em um investimento total de R$ 2 bilhões até o momento. A iniciativa foi retomada em 2023, após quatro anos de paralisação durante o governo anterior.

Desde então, oito países se comprometeram com doações que somam R$ 3,9 bilhões. As contribuições recebidas e contratadas em 2023 somam R$ 726 milhões.

As ações apoiadas já beneficiaram aproximadamente 241 mil pessoas com atividades produtivas sustentáveis, além de 101 Terras Indígenas na Amazônia e 196 Unidades de Conservação (dados apurados até dezembro de 2022).

Abel Figueiredo

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Foto: Reprodução/Multicípios

Localizado no estado do Pará, Abel Figueiredo é um município que tem um pouco mais de 614,131km² em área territorial e segundo o último censo de 2022 realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população da cidade chegou a 7.030 pessoas.

O Censo mostra que no ranking de população dos municípios, Abel Figueiredo encontra-se na 137ª colocação no estado.

O nome Abel Figueiredo foi concebido ao município emancipado em 1991, uma homenagem a um político local. A cidade tem o núcleo habitacional que se constituiu através da construção da rodovia PA-070, a partir de 1964.

A mais importante e comum manifestação cultural da cidade é a religiosa, expressa pelo evento do Círio de Nossa Senhora da Conceição realizada todos os anos no mês de dezembro. 

Abreulândia

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Foto: Reprodução/Blog Olhando da Janela do Trem

Localizado em Tocantins, Abreulândia é um município que teve origem em 12 de maio de 1946 com a montagem de um armazém e uma escola, ambos construídos pelo morador Júlio Pinheiro. O armazém foi erguido para atender peões que por ali passavam com destino às cidades vizinhas. Após o falecimento de Júlio Pinheiro em julho de 1947 sua esposa, Sebastiana Pinheiro, deu continuidade ao projeto de criação da cidade.

O município encontra-se na região-oeste de Tocantins, com uma área territorial de 1.906,295km² e população residente de 2.576 pessoas, a cidade teve sua emancipação política em 1º de Maio de 1989 e sua criação foi oficializada pela lei estadual nº 251 em 20 de fevereiro de 199, posteriormente alterada pela Lei Estadual nº 498, de 21 de dezembro de 1992.

Inicialmente chamado de Araguacema, foi elevado à categoria de município com a denominação de Abreulândia, pela Lei estadual nº 251, de 20-12-1991.

*Com informações da Prefeitura de Abreulândia

Bairro acreano quase foi parar em território da Bolívia durante enchente

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Rua que liga o bairro Leonardo Barbosa ao lado brasileiro da cidade fronteiriça de Brasiléia foi tomada pela água, mas não rompeu por completo. Rio Acre já está abaixo da cota de transbordo na cidade.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Brasiléia

O nível do Rio Acre em Brasiléia (AC), na fronteira com a Bolívia, começou a baixar. Imagens feitas nesta sexta-feira (1º) no bairro Leonardo Barbosa, que chegou a ficar isolado do lado brasileiro, mostram um cenário de destruição deixado pela enchente. A área, porém, não sofreu rompimento definitivo do território nacional.

Após ultrapassar a marca histórica em Brasiléia, que era de 15,55 metros, o Rio Acre chegou a 11,13 metros no início da noite desta sexta, abaixo da cota de transbordo de 11,40 metros. Na quarta (28), a cidade, que fica a cerca de 230 km da capital Rio Branco, ficou 80% inundada.

Por conta do estrago, só é possível chegar ao bairro Leonardo Barbosa a pé. O local tem muita lama, galhos e destroços. Moradores deixam os veículos de um lado e passam caminhando pela área destruída para chegar do outro lado.

O bairro fica na periferia da cidade e tem cerca de 1,1 mil moradores, segundo a Assistência Social do município. O total da área do bairro, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), é de 44 hectares, o equivalente a 66 campos de futebol.

Há anos, a área enfrenta erosão causada pelas cheias do Rio Acre, com o risco de ficar isolada do lado brasileiro e só acessível pelo lado boliviano.

O coordenador da Defesa Civil Municipal, coronel Eden Santos, disse que houve a interrupção total da rua, bloqueio e colapso no sistema de abastecimento de água e energia. Segundo ele, o restabelecimento da energia deve demorar entre 5 a 7 dias em todas as casas.

“Foi feito um paliativo para que as águas cheguem até lá. A partir das 18h já está funcionando o bombeamento [de água] para lá. Foram levados kits de limpeza, cestas básicas, entre outros suprimentos”, ressaltou.

Ainda segundo o coordenador, o Centro de Brasiléia e o bairro Leonardo Barbosa foram as áreas mais afetadas pela enchente. Segundo ele, uma árvore foi responsável por não permitir que a rua apartasse.

“Quando a água estava a três metros acima da estrada, um tronco de árvore parou no local e travou a correnteza. Por conta dessa árvore não apartou. Se não fosse ela, teria feito um novo leito do rio com certeza. A parte de lá passaria para Bolívia”,

ressaltou.

Moradores receberam suprimentos

Na tarde desta sexta, um grupo de pessoas fez uma ‘corrente humana’ para transportar suprimentos de um caminhão com doações para os moradores da região. Foram doados kits de limpeza, água mineral, cestas básicas e produtos de higiene pessoal.

Equipes da Defesa Civil Municipal, do Ministério Público Estadual e da prefeitura estiveram no local para levar ajudar os moradores afetados. Uma equipe do sistema de abastecimento de água também começou a arrumar os canos rompidos pela enchente.

A Defesa Civil Municipal informou, por meio das redes sociais da prefeitura, que as equipes da Energisa Acre irão até o bairro para religar a energia elétrica. O restabelecimento, no entanto, deve levar no mínimo uma semana.

Ainda segundo a Defesa Civil Municipal, a enchente em Brasiléia atingiu 15.312 pessoas. Doze bairros ficaram alagados e montados 16 abrigos para instalar os moradores desabrigados.

O total de desabrigados chegou a 1.276. Já o número de pessoas que saíram de suas casas e ficaram com parentes e amigos foi de 2.220. As equipes de resgate e assistência chegou a mais de 500 pessoas.

O trecho do Rio Acre que corta o município de Brasiléia, no interior do Acre, chegou à marca de 15,58 metros ao meio-dia quarta, se tornando a maior já registrada no município.

Mapa explica como seria o rompimento. Foto: Divulgação/ Inpa MCTI

Enchente histórica

Neste ano, a enchente provocou o isolamento da cidade por via terrestre, já que a Ponte Metálica José Augusto, que liga a cidade a Epitaciolândia, município vizinho, teve que ser interditada no último dia 25.

Treze bairros foram atingidos pela enchente e 15 abrigos foram disponibilizados à população. Além disto, 14.980 pessoas foram atingidas pelas águas no município.

Sem a Ponte Metálica José Augusto, os moradores de Brasiléia e de Epitaciolândia, cidade vizinha, fizeram filas para aguardar as embarcações que têm feito o transporte de moradores para várias atividades. O comércio, inclusive, não parou de funcionar, nem mesmo com a cheia. A ponte foi liberada nesta sexta-feira (1º) após o rio começar a baixar.

O Acre enfrenta uma cheia histórica em 2024. Em todo o estado, pelo menos 23.087 pessoas estão fora de casa, dentre desabrigados e desalojados, segundo a última atualização nesta sexta-feira (01) feita pelo governo do estado.

Além disso, 17 das 22 cidades acreanas estão em situação de emergência e quatro pessoas morreram por conta do transbordo de rios e igarapés. Quatro pessoas já morreram em decorrência da cheia.

*Por Aline Nascimento, do g1 Acre

O Carnaval no Centro antigo de Manaus

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O pesquisador Geraldo Xavier dos Anjos revela que na época da Província do Amazonas os acontecimentos de ruas eram feitos por brincadeiras como o “Entrudo e o Zé – Pereira”, além dos foliões mascarados.

Segundo pesquisador Geraldo Xavier dos Anjos, as reminiscências do carnaval do passado são recheadas de fatos bastante interessantes. Tais manifestações do carnaval que transcorriam nos principais clubes da cidade e de uma forma mais popular nas ruas de Manaus.

O pesquisador nos revela ainda que na época da Província do Amazonas esses acontecimentos de ruas eram feitos por brincadeiras como o “Entrudo e o Zé – Pereira”, além dos foliões mascarados que invadiam o centro antigo de Manaus quando da época da festa popular.

Por sua vez, o entrudo era uma prática proibida, por promover sujeira e imundície. O “Entrudo” foi uma manifestação introduzida no Brasil pelos colonizadores portugueses da Ilha de Açores.

A prática consistia em jogar nas pessoas “água de lama, tinta, lixo e tudo que fosse malcheiroso, até água podre e urina”. Tal comportamento provocou a proibição por meio de uma portaria da Câmara Municipal de Manaus publicada no código De Postura do Município.

Avenida Eduardo Ribeiro, 1913. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

O fiscal do primeiro Distrito desta cidade faz publicar a bem dos interesses o seguinte artigo:

Art. 82-É proibido andar-se pelas ruas e lugares públicos e jogar entrudo ou lançar alguma coisa sobre os transeuntes. Pena de dez mil – réis de multa ou três dias de prisão.

1º Permite-se as mascaradas danças carnavalescas de modo que não ofendam a moral e a tranquilidade pública e não contenham alusão às autoridades ou a religião.

2º Pelas ruas, praças e estradas da cidade não transitarão pessoas mascaradas depois do toque da Ave – Maria, Salvo as que tiverem para isso licença da autoridade policial. Os infratores incorreram na multa de cinco mil – réis ou dois dias de prisão.

Manaus, 28 de janeiro de 1874

Pedro Mendes Gonçalves Pinto

Fonte: O Malho, Ed. 760 ano XVI – 7 de abril de 1917. Foto: Reprodução/Instituto Durango Duarte

Embora sob pena de pesar das multas e prisões, esse procedimento se estendeu até o início do século XX. Por sua vez, “O Zé – Pereira” também trazido pelos portugueses acaba por revolucionar o carnaval. Os brincantes transitavam pelas vias públicas tocando bumbas, zabumbas, esse costume perdurou até o ano de 1929. As fantasias da época eram de palhaços, diabos, papa angus, etc. 

Por volta de 1855 eram publicados em jornais da época os bailes de máscaras, que aconteciam em residências dos barões da borracha e nos clubes, começa assim a prevalecer o carnaval de salão que eram frequentados por uma classe privilegiada e o de rua que contava com a participação popular.
Geraldo Xavier dos Anjos relata ainda que o comércio dessa época promovia vendas de artigos para a quadra momesca em especial na Rua do Imperador (hoje Marechal Deodoro). Nessa artéria funcionava uma loja denominada “Bazar de Paris”, especializada em artigos para o carnaval. Os jornais da época promoviam anúncios de interesses dos foliões, como por exemplo, a presença de um “Coiffeur”, Francês que se chamava George Petrus. O estabelecimento atendia seus clientes com os mais modernos penteados que eram moda na Europa.
Em 1889, época do último Carnaval da Província, aconteceu a “Batalha de Confete” na Praça Dom Pedro II. Com a chegada da República e a urbanização da cidade promovida na administração do governador Eduardo Ribeiro (1892-1896). Na principal artéria e a rua da Matriz (hoje Eduardo Ribeiro), o Carnaval toma conotação com o desfile do “Clube dos Coatyz”. Já em 1904, surgiram dois grupos importantes, “Cavalheiros Infernais e o Clube dos Terríveis, que prolongou sua participação até 1915.
Anúncio sobre o Club dos Terríveis em 12 de fevereiro de 1907 no Jornal do Commercio. Imagem: Reprodução/Biblioteca Nacional

Os Cavalheiros Infernais eram formados por foliões do Clube Internacional, cujas fantasias eram predominadas pela cor vermelha. O “Clube dos Terríveis”, porém, tinha como foliões algumas figuras de maior importância do contexto social da época como: o coronel José Cardoso Ramalho Júnior, o ex-governador Silvério Nery, o próprio governador Constantino Nery e superintendente municipal Adolpho Lisboa e Arthur César Moreira de Araújo.

Fonte:
BAZE, Abrahim. Luso Sporting Club – A Sociedade Portuguesa no Amazonas. Manaus: Editora Valer, 2007. 

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Treinador de futebol mais velho em atividade no Brasil e vencedor de 10 títulos do Campeonato Amazonense: Aderbal Lana

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Treinador tem mais idade que Felipão, por exemplo, que tem 75 anos e comanda o Atlético-MG.

O técnico Aderbal Lana, comemorou em 10 de novembro de 2023 seu aniversário de 77 anos. Lana, além de ser o treinador de futebol mais velho em atividade no país, é um capítulo à parte do futebol amazonense, sendo o maior vencedor do Campeonato Amazonense com 10 títulos. O último com o Manaus FC, em 2017, clube que voltará a comandar na temporada 2024, após seis anos.

Mesmo que seja outro treinador campeão em 2024, Aderbal Lana continuará sendo o líder em títulos com três taças nos últimos anos. Duas foram conquistadas à frente do Nacional, nos anos de 2012 e 2015, além de uma com o Manaus , em 2017. Vale ressaltar que foi o primeiro título do Gavião e, pelo Leão da Vila Municipal, o último dos 43 títulos conquistados pelo clube.

Leia também: Conheça alguns dos clubes de futebol mais tradicionais da Região Norte

Além dos três títulos, Aderbal Lana também tem títulos do Barezão com o Nacional em 1986 e 1991, com o Rio Negro em 1989, além de dois tricampeonatos com o São Raimundo em 1997, 1998 e 1999, pelo amazonense e da Copa Norte quando o Tufão faturou as edicoes de 1999, 2000 e 2001 e um vice-brasileiro da Série C com o Alviceleste Colinense em 1999.

Foto: João Normando

Mineiro de Uberlândia, Lana construiu não só uma carreira vitoriosa dentro de campo, mas também constituiu família, arrumou esposa e teve dois filhos no Amazonas. De volta ao Manaus, clube de 10 anos, no qual o comandante conquistou o título Amazonense em 2017, o primeiro da historia da equipe. O treinador prometeu muito vigor, mas que na próxima temporada não vai abrir mão do cigarro e da cerveja.

“Eu bebo cervejas, geralmente uma, duas cervejas todo dia. Depois de um jogo, evidentemente que você toma um pouquinho mais. O meu cigarro eu não largo, porque é um dos amigos que eu tenho, apesar de muita gente ser contra isso, pra mim não é um vício. Eu sou um cara meio distante da sociedade, porque treinador de futebol é muito difícil viver. Você vai num bar, o cara quer saber por que você tirou o fulano, você vai num restaurante e o garçom te pergunta por que perdeu, ou às vezes até porque que ganhou. E você vai nos momentos de folga, você quer ter paz, quer ter tranquilidade, você treina todo dia, joga nos finais de semana e estuda praticamente toda noite”, conta Aderbal Lana.

“Quando você tem uma folga, é complicado você ficar frequentando os lugares, né? Então você fica um pouco afastado e o que eu tenho é uma rede, um cigarro, a minha televisão, meus quadros sobre futebol, meus slides, meus vídeos e meu pen-drive. Então a vida é essa, cara. E assim a gente vai vivendo, olhando para trás e sabendo que está deixando sempre alguma coisa positiva”, 

disse.

Na próxima temporada (2024), Aderbal Lana terá um grande desafio pela frente com o Manaus FC, recém-rebaixado para a Série D do Campeonato Brasileiro. Em 2018, quando era treinador do time, Lana bateu na trave do acesso à Série C, mas o comandante frisou que em 2024, o maior presente será resgatar o Gavião aos seus dias de glórias.

“Estou bem, feliz por completar mais um ano de vida, agradecendo ao meu Senhor lá de cima, que me deu essa oportunidade de viver uma vida que eu vivo com saúde, com longevidade, com família e com filhos. Graças a Deus, e olhando para trás, saber que eu fui um bom pai, que pratiquei coisas boas, e isso é o mais importante de tudo. Pode crer que eu vou estar com muita saúde, muito vivo, para que a gente consiga levar o Manaus a uma situação melhor ano que vem [2024], porque esse ano foi um ano difícil para o Manaus, com esse descenso”, disse.

“A gente está com muita dificuldade lá, porque você sabe que a realidade hoje é outra, mas nós vamos trabalhar bastante, com muita vivacidade, com muita saúde e muita dedicação para que o Manaus dê alegria novamente ao seu torcedor”,

concluiu.

Em 2024, o Manaus disputa apenas a Série D, Copa Verde e o Amazonense, que inicia no dia 21 de janeiro. O Gavião está no grupo A, com Amazonas, Nacional, Operário e Alvorada.

*Por Kassio Junio, do Globo Esporte Amazonas