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8 comerciais que marcaram a TV no Amazonas; você lembra?

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Existem comerciais e propagandas de TV que quebram a barreira do tempo e são capazes de nos transportar para a época em que eram vinculados.

Aos saudosistas e também aos curiosos, essa lista de comerciais publicitários foi criada para mostrar alguns que marcaram época e conquistaram o público de Manaus. Confira:

Tio Acram

Quem nunca sonhou em ir para a Disney, após assistir ao comercial da agência de turismo ‘Tio Acram’? A música chiclate fica na cabeça de qualquer um que assiste ao vídeo:

Vitória Fernandes

Muitas noivinhas de Manaus casaram usando roupas da Vitória Fernandes. Os noivos e convidados podiam encomendar suas roupas para o casamento também. Mas além da loja de roupas, o empreendimento contava com um salão que ficava responsável pelos cabelos e a maquiagem. A música ficou na memórias de muitos:

Obrigado, Senhor

A Rede Amazônica sempre foi uma referência na comunicação da região Norte. Existiu uma época em que a emissora encerrava a programação com uma música de agradecimento. Alguém lembra?

Comercial de supermercado nostálgico

O DB é um hipermercado que já é conhecido pelos manauras. Mas assistindo a esse comercial de 2005 será que somos surpreendidos?

Guaraná Tuchaua

Você lembra da garrafa de vidro verde do guaraná Tuchaua? Esse comercial dos anos 2000 do refrigerante que foi criado no Amazonas é nostalgia pura. Confira:

Supermercado C.O

Outra lenda do “atacarejo” de Manaus é o Supermercado C.O. Os preços dos anos 2000 assustam, não é?

Amazonas Shopping

O Natal é uma época mágica. Em 1992, o Amazonas Shopping fez um comercial emocionante sobre esse, que é um dos momentos mais esperados do ano para o comércio. Confira:

Carnaval

Quem gosta de folia? A Rede Amazônica sempre esteve presente no Carnaval de Manaus. Confira:

Você sabe por que Manaus comemora aniversário em 24 de outubro?

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Foto: Chico Batata

Manaus completa 355 anos em 2024, no dia 24 de outubro. Fundada no século XVII, a capital amazonense tem uma rica história e um papel importante na formação do Brasil. Mas você sabe por que o aniversário é comemorado no dia 24 de outubro?

A cidade foi criada para afirmar a presença portuguesa e estabelecer o domínio lusitano na região amazônica, que já era considerada uma posição estratégica no território brasileiro.

O núcleo urbano começou a se desenvolver às margens do Rio Negro com a construção do Forte da Barra de São José, idealizado pelo capitão de artilharia Francisco da Mota Falcão, em 24 de outubro de 1669. Essa data foi escolhida como o marco do nascimento da cidade.

Em 1848, a Vila da Barra foi elevada à categoria de cidade, recebendo o nome de Cidade da Barra do Rio Negro. Em 1856, passou a se chamar Manáos, em homenagem à nação indígena dos Manáos (Mãe dos Deuses), um dos grupos étnicos mais importantes da região, reconhecido historicamente por sua coragem e valentia.

Período da borracha e crescimento da cidade

A cidade cresceu impulsionada pela demanda mundial pela borracha, e a riqueza gerada pela extração e exportação do látex deixou marcas arquitetônicas, como os palacetes e o icônico Teatro Amazonas.

No entanto, com a introdução da borracha sintética, Manaus enfrentou um período de decadência econômica. Apesar disso, durante a ditadura militar, a cidade voltou a atrair a atenção do governo devido à política de segurança nacional.

Obras como a Transamazônica, iniciada em 1972, e a regulamentação da Zona Franca de Manaus, em 1967, foram realizadas com o objetivo de atrair investimentos e promover o povoamento da região. Embora o objetivo tenha sido alcançado, a ocupação dos bairros periféricos ocorreu de maneira desordenada, resultando em um aumento populacional que dobrou em apenas duas décadas.

Atualmente, segundo levantamento do IBGE, Manaus é a sétima cidade mais populosa do Brasil, com 2.279.686 habitantes, e a mais populosa da Região Norte. Além disso, é um dos principais destinos turísticos do país e um ponto de referência em sustentabilidade e conservação ambiental.

*Com informações do g1 Amazonas, da Rede Amazônica AM

O que fazer em Manaus em um dia?

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Porto de Manaus. Foto: Reprodução/Semcom Manaus

Manaus, a maior da Região Norte do país, está incrustada no meio da Floresta Amazônica e é banhada pelo Rio Negro, um dos principais afluentes do famoso Rio Amazonas. Com mais de 2 milhões de habitantes, oferece diversas opções turísticas.

Em 2024, a capital amazonense completa 355 em 24 de outubro. Para celebrar, confira um guia simples e prático para quem ama a cidade e deseja fazer um tour no aniversário da “Paris dos Trópicos”.

Teatro Amazonas

O tour inicia pelo Teatro Amazonas, um dos principais símbolos da cidade e vestígio do período áureo da borracha na Amazônia. Considerado um ícone arquitetônico, o espaço funcionará nesta quinta-feira (24), das 9h às 13h.

Entrada:

R$ 20 (inteira)
R$ 10 (meia-entrada)
Manauaras têm acesso gratuito mediante comprovação de naturalidade.

Foto: Marcio James/SEC-AM

Largo de São Sebastião

Depois de visitar e se encantar com o teatro centenário, a próxima opção é explorar o Largo de São Sebastião, que circunda o monumento.

No local, você encontrará:

  • Igreja de São Sebastião: uma das mais imponentes construções da capital do Amazonas, datada da época da borracha.
  • Galerias de arte: com entrada gratuita.
  • Lojinhas de souvenirs: para levar uma lembrança da cidade.

Se a fome bater, há:

Cafés e restaurantes: que servem o melhor da culinária amazonense, com preços a partir de R$ 20.

Foto: Andrezza Lifsitch/G1 Amazonas

Centro de Manaus

Descendo pela Avenida Eduardo Ribeiro, localizada atrás do Teatro Amazonas, o manauara tem acesso ao principal centro de compras da cidade. No local, há:

  • Lojas de roupas
  • Lojas de departamentos
  • Perfumarias
  • Lojas de produtos diversos em atacado e varejo
Foto: Patrick Marques/G1 Amazonas

Mercado Adolpho Lisboa

Para quem gosta de levar um souvenir para casa, o Mercado Adolpho Lisboa oferece boas opções. A dica é pechinchar: os preços podem variar, e negociar pode resultar em melhores ofertas.

Foto: Reprodução/Semcom Manaus

Se a fome bater, o mercado também possui ótimas opções para o almoço. Outra sugestão é experimentar os peixes da culinária local.

Para aqueles que têm medo das famosas “espinhas” dos peixes da região, as opções recomendadas são: costela de tambaqui ou filé de pirarucu à milanesa, acompanhados de vinagrete, baião de dois e farofa de “farinha do uarini”.

Para quem deseja experimentar um peixe mais exótico, o jaraqui é a escolha ideal. É importante ter atenção com as espinhas, mas uma dica valiosa é: “quem come jaraqui não sai mais daqui”. Essa é a famosa frase utilizada pelos amazonenses, referindo-se à tendência de os visitantes se apaixonarem pela cidade e decidirem ficar.

Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Museu da Amazônia

À tarde, a sugestão é visitar o Museu da Amazônia (Musa), localizado na Zona Norte da capital amazonense. É uma oportunidade imperdível para conhecer a biodiversidade amazônica! No local, os visitantes podem explorar:

  • Exposições
  • Viveiros: de orquídeas, bromélias, aráceas e palmeiras
  • Fauna: serpentes, aranhas, escorpiões e borboletas
  • Jardim sensorial
  • Lago das vitórias-amazônicas
  • Aquários
  • Torre de Observação: com 42 metros de altura, proporcionando uma vista única da floresta.

Além disso, sete trilhas na floresta oferecem aos visitantes passeios agradáveis e descobertas surpreendentes. É importante lembrar que, para acessar o espaço, é necessário usar sapatos fechados.

Para chegar ao Musa, a recomendação é optar por carro de aplicativo ou táxi, pois cruzar a cidade de transporte coletivo pode demorar muito, fazendo com que o visitante perca tempo.

O Musa funcionará nesta quinta-feira, das 8h30 às 17h, com entrada permitida até às 16h30. Os valores para a visitação variam entre R$ 40 e R$ 120.

Foto: Divulgação

Orla da Ponta Negra

Para fechar a tour pela capital do Amazonas, o manauara pode fazer uma visita noturna à orla da Ponta Negra, localizada na Zona Oeste da cidade. A dica é ir de carro de aplicativo, pois o espaço fica distante da área central.

A orla oferece uma linda vista do Rio Negro, especialmente durante o pôr do sol, e é uma ótima opção para pedalar e caminhar. Os visitantes também encontrarão opções para jantar e lanchar em praças de alimentação próximas ao complexo turístico, além de artesanatos.

Foto: Marcely Gomes/Semcom Manaus

*Com informações do g1 Amazonas, da Rede Amazônica AM

COP16: entenda o que está em jogo na cúpula de biodiversidade da ONU

Foto: César Carrión/Presidência da Colômbia – PDM

A “COP do povo”, a “COP da implementação” ou a “COP da paz com a natureza” — a cúpula de biodiversidade das Nações Unidas, a COP16, já ganhou vários lemas. Mas, independentemente desses rótulos, governos, ambientalistas e empresas se reúnem na Colômbia este mês com o desafio de transformar essa retórica em ações concretas de proteção e restauração da natureza.

O que é a COP16?

A COP16 é a sigla para a 16ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (CDB) das Nações Unidas. A CDB é um tratado firmado em 1992 com o objetivo de coordenar os esforços globais para a conservação e o uso sustentável da biodiversidade, além de promover o compartilhamento justo dos benefícios provenientes de recursos genéticos de animais e plantas. Ela conta com 193 países-membros, sendo que quatro membros da ONU ainda não aderiram: Andorra, Sudão do Sul, Estados Unidos e Vaticano.

Onde e quando será realizada a COP16?

A cidade colombiana de Cali será a sede da COP16, realizada entre os dias 21 de outubro e 1º de novembro. O anfitrião original, a Turquia, retirou sua oferta após os danos causados pelo terremoto que atingiu o país em fevereiro de 2023.

Quais são os objetivos da COP16?

A COP16 foca na implementação do acordo firmado na COP15, conferência realizada em dezembro de 2022. Os quatro objetivos de longo prazo e as 23 metas do Marco Global da Biodiversidade de Kunming-Montreal visam interromper e reverter a perda de biodiversidade global até 2030.

As principais metas incluem:

  • Proteger 30% das áreas terrestres e 30% dos oceanos até 2030;
  • Aumentar significativamente o financiamento para proteger e restaurar a natureza;
  • Reduzir o impacto de espécies invasoras;
  • Combater a poluição por agrotóxicos e plástico;
  • Promover o manejo sustentável da agricultura;
  • Incluir povos indígenas e comunidades tradicionais nas tomadas de decisões.

Os países participantes precisam enviar a atualização de suas Estratégias e Planos de Ação Nacionais para a Biodiversidade (EPANBs) antes do início da COP16. Elas devem estar alinhadas com as metas do Marco da Biodiversidade. Caso não consigam finalizá-las a tempo, poderão apresentar apenas suas metas nacionais.

Até o final de setembro, 24 países já haviam submetido suas estratégias e planos para a CDB. Outros 72 enviaram suas metas locais.

A reunião pretende identificar obstáculos e oportunidades dessas estratégias, além de discutir formas de monitorar e acompanhar seu progresso, estabelecendo indicadores específicos para medir seus resultados.

Espera-se que a COP16 conclua as negociações do Sequenciamento Genético Digital (DSI, na sigla em inglês) sobre o compartilhamento de benefícios provenientes dos recursos genéticos de plantas e animais. Está em discussão a criação de um fundo global voltado especificamente para isso.

Negociadores da COP16 realizaram uma primeira reunião em agosto para chegar a um acordo preliminar em relação ao fundo. Mas muitos detalhes ficaram em aberto, como quais países serão responsáveis por contribuir, como será sua gestão e quem será beneficiado com o financiamento.

A conferência ainda abordará outros assuntos relevantes: a criação de um órgão permanente da CDB para fortalecer a participação de povos indígenas e comunidades nas negociações; o desenvolvimento de um plano de ação global para integrar políticas voltadas para a saúde e a natureza; a formulação de orientações para o manejo de espécies invasoras, uma das principais causas da perda de biodiversidade; e a atualização da Estratégia Global para a Conservação de Plantas.

Quais são os principais nomes da COP16?

Susana Muhamad, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, conduzirá as negociações como presidente da COP16. Ex-secretária de Meio Ambiente de Bogotá, ela ganhou reconhecimento por sua dedicação às causas socioambientais e pela defesa incansável do processo de paz no país, além de ter liderado programas de assistência técnica sobre mudanças climáticas e conservação.

A COP16 marcará ainda a primeira participação de Astrid Schomaker como secretária-executiva da CDB. Ex-diplomata da Comissão Europeia, a alemã assumiu o cargo no início do ano.

Que países têm papel importante nas negociações?

A Colômbia, anfitriã da COP16 e nação com a maior biodiversidade por quilômetro quadrado do mundo, escolheu “Paz com a natureza” como lema do evento. A frase não reflete apenas o desejo de transformar a relação do homem com o meio ambiente, adotando uma postura mais cooperativa, mas também alude às negociações de paz de um país que enfrenta conflitos armados há mais de 60 anos. Não à toa, a Colômbia liderou o ranking global de assassinatos de ativistas ambientais pelo segundo ano consecutivo, com 79 mortos só em 2023.

Junto à Alemanha, a Colômbia lançou uma iniciativa que garante apoio financeiro e técnico a países que estejam desenvolvendo seus planos de biodiversidade. Além disso, a Costa Rica, a França e o Reino Unido lançaram a Coalizão de Alta Ambição para as Pessoas e a Natureza, pressionando participantes por metas ambiciosas. Já um grupo de países em desenvolvimento, liderado pela Nigéria, formou a Aliança Ministerial para o Financiamento da Natureza, cobrando recursos à preservação.

Enquanto isso, o Reino Unido e o Malawi co-presidem as negociações sobre o compartilhamento de benefícios genéticos. E o Reino Unido, o Equador, o Gabão e as Maldivas pedem que os governos endossem um plano com dez pontos para o financiamento da biodiversidade, com o objetivo de impulsionar a proteção, a restauração e o uso sustentável da natureza.

Financiamento é ponto de atrito?

Na COP15, os países concluíram que seriam necessários no mínimo US$ 200 bilhões anuais para financiar a proteção e a restauração da biodiversidade. Esse valor deveria vir de diversas fontes, incluindo recursos públicos e privados, além de mecanismos inovadores de financiamento, como pagamentos por serviços ecossistêmicos, títulos verdes, compensações e créditos de biodiversidade.

Na ocasião, criou-se um fundo global para a biodiversidade com o objetivo de agilizar o repasse de recursos. Porém, apenas sete países contribuíram até o momento — somando US$ 243,8 milhões, segundo o Fundo Global para o Meio Ambiente da ONU, que administra o dinheiro doado.

Isso está muito aquém dos US$ 20 bilhões anuais que os países desenvolvidos prometeram às nações mais pobres até 2025, valor que deve aumentar para pelo menos US$ 30 bilhões por ano até 2030.

Especialistas argumentam que arrecadar os US$ 20 bilhões é fundamental para garantir a confiança na COP16. A maior parte das espécies remanescentes do mundo habita países em desenvolvimento, o que significa que eles arcam com uma parcela desproporcional de responsabilidade e custos para preservá-la.

Em junho, um grupo de organizações ambientais lançou uma campanha global para pressionar pelo cumprimento da meta até 2025. Representantes da CDB também pediram a governos de países ricos para aumentarem suas contribuições.

O Programa da ONU para o Meio Ambiente (Pnuma) dedicará um dia exclusivo às finanças na COP16 a fim de incentivar ministros, executivos e outros líderes a colaborar com soluções de financiamento para a conservação.

A China deve lançar o primeiro edital para apoiar países em desenvolvimento por meio de seu fundo de biodiversidade, no valor de 1,5 bilhão de yuans (cerca de R$ 1,2 bilhão). Os recursos foram anunciados em outubro de 2021.

O fundo do DSI, que deve ser criado na COP16, pode ter um papel decisivo para resolver essa lacuna financeira. As estimativas da CDB, antes das negociações em agosto, sugerem que o fundo teria de US$ 1 bilhão a US$ 10 bilhões ao ano.

Os países também haviam se comprometido a reduzir os subsídios que prejudicam a natureza, mas eles cresceram 55%, para US$ 1,7 trilhão, entre 2022 e 2023. Isso ocorreu em parte pelo aumento no consumo de combustíveis fósseis, segundo o último relatório do Pnuma. Astrid Schomaker já admitiu que a questão dos subsídios é “muito, muito complicada”.

Quem participará da COP16?

São esperados mais de 14 mil participantes na COP16, incluindo delegados de países signatários e não signatários da CDB (como os EUA e o Vaticano), pelo menos 12 chefes de Estado, incluindo do Brasil, México, Honduras e Guiné-Bissau, e cem ministros, representando as pastas de meio ambiente, finanças e agricultura.

Também marcarão presença líderes de povos indígenas e comunidades tradicionais, autoridades de governos locais, membros da sociedade civil, empresas, instituições acadêmicas e organizações de mulheres e jovens.

Como saber se a COP16 será bem-sucedida?

Nas declarações da ministra Susana Muhamad em setembro, o governo colombiano definiu três metas principais na COP16. Em primeiro lugar, busca garantir a participação de todos os setores da sociedade. Em segundo, a gestão do presidente Gustavo Petro espera que os demais países e atores considerem a proteção e a restauração da natureza com a mesma importância atribuída à descarbonização. Por fim, a Colômbia espera chegar a um acordo sobre o fundo de DSI.

Organizações ambientais, como o WWF, esperam que as EPANBs sejam concluídas e venham acompanhadas de mecanismos sólidos de monitoramento. Elas também cobram medidas concretas para lidar com as causas da perda de biodiversidade, maior integração com a política climática global e um acordo sobre o fundo de DSI.

Empresas da coalizão Business for Nature apelaram aos governos para que adotem e reforcem políticas e leis voltadas para a proteção da natureza. Elas defendem ainda o uso sustentável do solo para reduzir impacto ambiental e cobram que os fluxos de financiamento sejam direcionados a iniciativas com emissões neutras em carbono ou com impacto ambiental positivo.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Dialogue Earth, escrito por Catherine Early

Uma vila jesuíta fundada em 1728 é o berço de Rondônia

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O sargento-mor Melo Palheta. Foto: Iconografia

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

O arraial de Santo Antônio das Cachoeiras – origem da cidade de Santo Antônio do Rio Madeira, berço de Porto Velho e de Rondônia – quando implantado, em 1728, situava-se em um território indígena, cenário de disputas entre Espanha e Portugal e frequentado por aventureiros de vários países. A presença lusitana na região era minoritária, causando preocupações ao reinado de D. João V, que temia a expansão da colônia espanhola.

Uma das expedições oficiais mais remotas de que se conhece à localidade do Madeira ocorreu em 1723, quando o sargento-mor luso-brasileiro Francisco de Melo Palheta liderou uma missão a mando da Coroa portuguesa. Ele havia deixado Belém em 11 de novembro de 1722 e atingiu o Madeira em fevereiro seguinte. No percurso, à altura da foz deste rio, os expedicionários acamparam em um lugar que, pouco depois, seria transformado numa vida criada por Padre João Sampaio, onde hoje é a cidade de Borba, no estado do Amazonas.

Ante à constatação que aqueles “sertões”, como eram referidos nos relatórios de viagens, constituíam-se em “terras de ninguém”, ferindo interesses de Portugal, surgiu a necessidade de se publicar o alvará-régio de 27 de outubro de 1733 – vigorado durante duas décadas; a medida proibia a navegação de outros países nesta região. Na prática, porém, pouca coisa mudou na hidrografia movimentada e cobiçada. Não havia fortificações e nem anteparos militares capazes de conter os aventureiros.

Nascido em Belém, por volta de 1670, Melo Palheta, foi um militar astuto. Em sua epopeia, narrou fatos interessantes como a existência de um caminho aberto na floresta, próximo do encontro dos rios Madeira com Mamoré, onde um indígena se apresentou como líder dos demais, em número de treze, e, “com arrogância”, se atracou com o indígena que vinha com a expedição; só desistiu de sua fúria ao perceber o poder bélico dos viajantes. Por fim, entraram em entendimento e o chefe recebeu presentes e até foi convidado a se inserir na campanha militar, mas recusou; o originário preferiu declarar paz e permanecer em seu lugar. Em outros pontos a caminho do Guaporé, houve mortes de moradores nativos que tentaram impedir o percurso dos enviados pelo rei.

Há sobre Palheta uma curiosidade: foi o primeiro produtor de café no Brasil, cultura iniciada em 1727 pelo Grão-Pará, na fazenda do próprio explorador que passou a ser conhecido como “O Pai do Café Brasileiro”. As sementes ele teria conseguido clandestinamente durante uma missão na Guiana Francesa.

A saga do sargento-mor foi pesquisada por Capistrano de Abreu (1853/1927), historiador cearense que se dedicou, principalmente, aos estudos acerca da ocupação do território brasileiro na fase da Colônia. Os relatos originais manuscritos por Melo Palheta estão em papéis hoje guardados pela Biblioteca Nacional, no Rio de Janeiro, sob o título “Narração da viagem e descobrimento que fez o sargento-mor Francisco de Mello Palheta ao Rio da Madeira e suas vertentes (…)”.

João Sampaio: fundador

Apesar do pioneirismo de Palheta na navegação no Vale do Madeira, a vila primitiva de Santo Antônio foi fundada e nominada posteriormente, por jesuítas liderados pelo padre João de Sampaio, português de Coimbra, nascido em 1680, membro da Companhia de Jesus e estabelecido, a princípio, em Belém, desde 1710, tendo percorrido toda a região, até o Perú.

Em 1737, a vila contava com cerca de cem moradores, incluindo “índios mansos” da etnia Mura, caboclos e portugueses seguidores de Sampaio. Ao longo das margens do Madeira, foram contabilizadas 32 comunidades de etnias e troncos diversos, com predominância dos Mura; considerados grandes navegadores, eles falavam uma língua isolada até aderirem ao Nheengatu na comunicação com os entrantes.

O interesse de Portugal era convertê-los ao catolicismo e utilizá-los na extração de cacau, como forma de manter a rota ocupada no trajeto entre Belém e a área aurífera de Mato Grosso. Tudo ia bem no processo de exploração, apesar das dificuldades naturais nas relações com os povos tradicionais, com suas raízes milenares na região.

Em 1842, um falso emissário do líder jesuíta Padre Sampaio, aproveitando-se de sua ausência, levou alguns indígenas para serem vendidos como escravos no mercado de Belém. A notícia chegou ao vale do Madeira, desencadeando uma crise sem precedentes.

O episódio foi considerado uma traição ao povo originário. Em resposta, os casebres de palha de Santo Antônio foram incendiados e metade de seus moradores foi morta pelos Mura. Os outros “civilizadores do sertão”, como eram chamados, foram expulsos da região. Embora rotulados de bravios e canibais, na verdade, os indígenas eram as grandes vítimas da ganância dos colonizadores sem escrúpulos que percorriam a região, espalhando todas as mazelas possíveis, de doenças e estupros à escravidão e aos assassinatos.

No mesmo ano de 1842 uma bandeira vinda do Mato Grosso, comandada pelo minerador e comerciante português Manoel Félix de Lima, percorreu os vales dos rios Guaporé, Mamoré e Madeira. Ele estava acompanhado de garimpeiros falidos das minas de Cuiabá – que viveram o apogeu somente entre 1735 e 1739 –, além de indígenas e negros escravizados. Na travessia, ele relatou ter encontrado muitos espanhóis, alemães, húngaros, além dos “temidos índios Mura”.

Ao alcançar Santo Antônio, Félix de Lima constatou que a antiga vila jesuíta estava reduzida a destroços e nenhum morador restara. Em 22 de janeiro do ano seguinte, João Sampaio morreu no Pará, aos 62 anos, coincidindo com o declínio das missões jesuítas no Rio Madeira. Ambos, Sampaio e Félix de Lima, seriam, um século e meio mais tarde, considerados heróis [apesar de os interesses do segundo serem privados] e seus nomes foram dados às principais ruas de Santo Antônio, que sempre renegou sua condição de povoado emergido em território indígena, relegando os moradores ancestrais às margens de todo o desenvolvimento e da própria história oficial.

Em 1748, foi criada a Capitania do Mato Grosso, separada de São Paulo, como medida de proteção das fronteiras contra a Espanha e, assim, o território de Santo Antônio passou a integrar o imenso município de Vila Bela da Santíssima Trindade, a capital mato-grossense, da qual foi emancipado somente em 1908.

Dois anos depois da criação da Capitania, foi assinado o Tratado de Madri, em 1750, ratificando as fronteiras. Em 1759, o estadista português Sebastião José de Carvalho e Melo, o futuro Marquês de Pombal, expulsou os missionários jesuítas do Brasil, acusando a Companhia de Jesus de pretender edificar um estado dentro do estado português e de denunciar as práticas escravagistas patrocinadas pelo governo, resistindo ao poder do rei.

Muito tempo se passou. Vila Bela decaiu economicamente e, assim, Cuiabá passou a ser capital da província do Mato Grosso, em 1835. A instalação efetiva do município de Santo Antônio do Rio Madeira só ocorreu em 1912, com a posse do primeiro prefeito e dos vereadores, ainda na época do 1º Ciclo da Borracha. No mesmo ano, ocorreu a inauguração da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que, dos seus 366 km de extensão, 559 km ficavam dentro do município de Santo Antônio, que fazia fronteira com a Bolívia pelos rios Mamoré e Guaporé e era o ponto final da linha telegráfica Cuiabá-Santo Antônio, implantado pela Comissão Rondon entre 1907 e 1915. Santo Antônio abarcava um imenso território onde é hoje quase todo o estado rondoniense. Era uma região repleta de seringais.

Em 1945 o município de Santo Antônio já havia perdido a importância com o fim da 2ª Guerra Mundial e a queda na exportações do látex que sustentava sua economia. Assim, foi oficialmente extinto e incorporado a Porto Velho, até então uma pequena cidade do sul do Amazonas, detentora de apenas sete quilômetros da Ferrovia M-M, mas com melhores condições portuárias.

Em 1943 havia sido criado o Território Federal do Guaporé pelo presidente Getúlio Vargas; nome alterado para Território de Rondônia em 1956, e elevado à condição de estado autônomo instalado em 1981.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Manaus em canções: 7 músicas que retratam a capital do Amazonas

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Manaus, a capital do Amazonas, é uma cidade que respira cultura, história e natureza. A cidade é um ponto de encontro de diferentes influências culturais e essa diversidade é refletida na música. Desde a época da borracha até os dias de hoje, artistas manauaras ou que se inspiram na cidade têm usado suas canções para contar histórias sobre a terra, a floresta e o povo amazonense.

Confira uma lista especial com algumas músicas que colocam Manaus no centro das atenções:

Porto de Lenha

“Porto de Lenha” é um clássico da música amazonense e talvez a canção mais conhecida que fala sobre Manaus. Composta por Aldísio Filgueiras e Torrinho, e interpretada pela banda Raízes Caboclas, a música tem uma pegada regional forte, misturando elementos do folclore amazônico com ritmos típicos da região. A letra retrata a simplicidade da vida manauara, evocando imagens do Rio Negro e da floresta.

Manaus cidade grande, costume de interior pequeno

Com mais de dois milhões de habitantes, a cidade de Manaus vem crescendo. Essa foi a maior inspiração para a banda Cabocrioulo construir a música ‘Manaus cidade grande, costume de interior pequeno’. A produção mostra todas as nuances musicais que fazem sucesso na região Norte.

Amazonas

João Donato, um dos maiores nomes da música brasileira, também compôs uma canção que é um tributo à Amazônia e a Manaus. A faixa “Amazonas”, com sua melodia suave e influências da bossa nova, é uma homenagem à beleza da região. A música captura a tranquilidade e o mistério das águas dos rios que rodeiam Manaus e o sentimento de respeito pela floresta.

Manaus

Um dos principais representantes da música amazonense contemporânea, Nicolas Jr. escreveu a música “Manaus” para expressar a realidade dos manauaras. A letra fala sobre as belezas da cidade, mas também sobre as dificuldades enfrentadas pelos seus habitantes, como as altas temperaturas e os desafios socioeconômicos.

Domingo de Manaus

O que você gosta de fazer em um domingo de verão? O compositor Chico da Silva respondeu está pergunta na canção ‘Domingo de Manaus’. Na música, ele afirma que gosta de tomar banho na Ponta Negra e tomar um delicioso tacacá.

Canção de Manaus

Manaus é a “cidade sorriso”. Esse termo veio da ‘Canção de Manaus’ escrita por Áureo Nonato em 1965. Foi nesta música que a capital do amazonas ganhou o sinônimo de cidade sorriso.

Sou Manaus

Em seu repertório, o artista amazonense Marquinhos Negritude possui diversas canções que usam Manaus como fonte de inspiração. Entre elas estão “Morena, Manaus Morena”, “Largo de São Sebastião”, “Teatro Amazonas” e “Sou Manaus”.

E aí? Quais outras canções deveriam entrar pra essa lista?

Símbolo de Manaus e gravemente ameaçado de extinção, sauim-de-coleira tem habitat reduzido a cada ano

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Foto: Divulgação/ISC

O dia 24 de outubro, quando Manaus completa 355 anos, também celebra outra data: é o Dia do sauim-de-coleira (Saguinus bicolor), primata que é mascote oficial da cidade, endêmico do estado do Amazonas e ameaçado de extinção. Mas, a cada aniversário da cidade, os protetores deste pequeno e carismático primata da família Callitrichidae, que vive em partes dos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, têm menos motivos para comemorar.

Leia também: Sauim-de-Coleira: conheça o símbolo de Manaus ameaçado de extinção

O sauim só ocorre numa pequena área de aproximadamente 8.000 km² e o avanço das áreas urbanas e rurais desses municípios sobre a floresta cria um processo dinâmico e acelerado de perda e fragmentação do habitat da espécie. Assim, muitos sauins acabam morrendo, enquanto outros ficam ilhados em fragmentos de florestas, cercados por prédios, condomínios e/ou plantações.

Para continuarem sobrevivendo, muitos são obrigados a se deslocar por essas áreas urbanizadas em busca de abrigo e alimentos, onde acabam vítimas de atropelamentos, eletrocussão e ataques de cães. Como resultado desses impactos provocados pelas ações humanas, temos o agravamento da situação de conservação da espécie.

Diante desse cenário dramático, o sauim foi categorizado como criticamente ameaçado de extinção, tanto na Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN) como na Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA). Essa é a categoria na qual as espécies enfrentam o mais alto risco de extinção na natureza. A situação da espécie é tão grave que, recentemente, ela foi incluída na lista dos 25 Primatas mais Ameaçados do Mundo (2018-2020), criada pela IUCN, Sociedade Internacional de Primatologia e Rewild.

Para mudar essa realidade, o Instituto Sauim-de-Coleira (ISC), uma Organização da Sociedade Civil sem fins lucrativos, reúne os mais renomados cientistas das áreas de primatologia, ecologia, gestão, conservação ambiental e educação para buscar soluções para a conservação da espécie. 

Desde 2019, o ISC desenvolve atividades de pesquisa científica, conservação, educação e articulação de políticas públicas para a proteção do sauim-de-coleira e de seu habitat. Atualmente, o ISC coordena um estudo interinstitucional financiado pela Re:wild para identificar áreas prioritárias para conservação do sauim, que balizará as políticas públicas para a conservação da espécie.

“Somos pessoas diversas no conhecimento, experiência de vida, origem, ideologia e formação. O que nos une é a causa, a ansiedade por fazer diferente e a convicção que há outras formas para tirarmos o sauim-de-coleira do caminho da extinção”, explica o presidente do ISC, Maurício Noronha.

Educação ambiental

O ISC vem desenvolvendo estudos e ações para promover a conservação do sauim-de-coleira e seu habitat. Uma delas é o Programa Sauim na Escola, que desde 2023 visa sensibilizar sobre a importância da conservação da espécie em escolas localizadas em áreas de influência de Unidades de Conservação onde há ocorrência de sauins.

Em cerca de um ano, o projeto atendeu a mais de 3 mil crianças por meio da realização de dinâmicas de incentivo à leitura e da distribuição gratuita do livro paradidático “O Sauim Isso e Aquilo”. A meta do ISC é ampliar o número de escolas beneficiadas pela iniciativa.

Foto: Divulgação/ISC

“Nós acreditamos que a educação transforma a sociedade, por isso incentivamos a leitura. E isso é muito importante, especialmente em um país onde 4 entre 10 brasileiros são analfabetos funcionais. Além disso, estamos dando às crianças da periferia a oportunidade de acesso a um bem cultural cada vez mais inacessível: um livro. A nossa intenção é fazer das crianças os futuros embaixadores da conservação do sauim-de-coleira. Depois de sensibilizadas, elas levarão esses conceitos para sua vida pessoal, além dos muros da escola, tornando-se multiplicadores da conservação ambiental”, disse Maurício.

Para ele, a conservação do sauim-de-coleira e do seu habitat é uma forma de promover uma melhor qualidade de vida não só para o primata que é o símbolo de Manaus, mas para todos.

Conheça a história da Irmã Helena Augusta Walcott, criadora de mais de 10 bairros em Manaus

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Foto: Reprodução

Ao passar pela Avenida Itaúba no bairro Jorge Teixeira, Zona Leste de Manaus (AM), é impossível ficar indiferente com a estrutura da Escola Municipal Helena Augusta Walcott. Devido a pressa do dia a dia, muitas pessoas não reparam ou nem conhecem o nome que ela carrega na fachada.

A freira cujo nome batiza a escola teve um papel importante na ocupação de terras da capital amazonense nas décadas de 70 e 80.

Foto: Reprodução

No artigo de Mara Tereza Oliveira de Assis, ‘As primeiras lutas por moradia popular em Manaus: vida e militância da irmã Helena Augusta Walcott’, há o relato de que Helena nasceu em Guajará Mirim, em Rondônia. Por isso, Helena era amazônida. Ela era filha de Lorenzo Walcott e Clarissa Knights, ambos de Barbados, um dos países que compõem o Caribe.

Sua vida religiosa iniciou cedo e logo ingressou na igreja católica para se tornar freira. Nos seus primeiros anos de serviços, a jovem participou de diversos projetos sociais.

Ao se mudar para a capital do Amazonas, Manaus, Helena fixou moradia no bairro da Compensa. As primeiras ocupações de terra na capital tiveram início com ela, que organizou e liderou um movimento social por moradia popular a partir da década de 70.

Por causa de sua militância e engajamento social, a freira chamou a atenção de latifundiários, grileiros e do poder público local. Sempre participando de manifestações pedindo direito à moradia para a população mais carente de Manaus.

Foto: Reprodução

Mãe dos sem-teto 

Com Helena não havia meio termo. Com seus protestos e ocupações, a freira criou pelo menos 15 novos bairros em Manaus, entre eles: Zumbi dos Palmares I e II, Terra Nova, São José, João Paulo II, Nossa Senhora de Fátima, Novo Israel, Armando Mendes, Japiim, Nova Luz, Santa Etelvina, Monte das Oliveiras, Lírio do Vale, Valparaíso e Redenção. Foi assim, com esse trabalho, que lhe deram o apelido de ‘mãe dos sem-teto’.

Mesmo admirada por muitos, alguns viam o trabalho da freira de outra maneira. Por causa de seu ativismo, Helena foi ameaçada de morte, espancada e até mesmo, presa sob pena de liderar conflitos entre o povo e o poder público.

Helena faleceu no dia 13 de junho de 2022 aos 84 anos. O seu velório aconteceu na quadra do Colégio Preciosíssimo Sangue, lugar onde congregava. A irmã acabou se tornando heroína pelo movimento dos sem-terra e sem-teto no Amazonas.

Museu do Homem do Norte reúne registros do dia a dia da população amazônica

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Foto: Tiago Melo/Acervo g1 Amazonas

O Museu do Homem do Norte (Muhno) foi idealizado pelo sociólogo-antropólogo Gilberto Freyre, criado com o objetivo de reunir um significativo acervo que representasse e refletisse as características e peculiaridades da vida do homem da região Norte do Brasil.

Inaugurado em 13 de março de 1985, funcionando em um prédio da Avenida Sete de Setembro, no centro de Manaus (AM), o Museu do Homem do Norte foi administrado pela Fundação Joaquim Nabuco (FUNDAJ), por meio do seu Instituto de Estudos da Amazônia até 2006.

Foi então realizado um contrato de Comodato entre a FUNDAJ e a Prefeitura de Manaus, para que esta a administrasse até julho de 2010. 

Detalhes da cultura indígena ganham destaque no segundo ambiente do museu (Foto: Tiago Melo/G1 AM)
Foto: Tiago Melo/Acervo g1 Amazonas

Fechado por dois anos, foi reaberto ao público em 16 de maio de 2008 em novo endereço, na rua Quintino Bocaiúva, no centro da capital amazonense, onde funcionou por cerca de seis meses.

O contrato com a Prefeitura de Manaus havia expirado sem que esta manifestasse interesse em continuar administrando o Museu. Diante do impasse, em agosto de 2010, o Governo do Amazonas assume a administração do Museu assumindo a responsabilidade pela guarda acervo e revitalização do Museu.

Foto: Tiago Melo/Acervo g1 Amazonas

Em setembro de 2011, o Muhno reabre suas portas ao público, em nova fase, com nova curadoria, com espaços expositivos ao ar livre, no Centro Cultural dos Povos da Amazônia, que dispõe de ampla área externa.

Leia também: Centro Cultural dos Povos da Amazônia: conheça o local que difunde a história e os conhecimentos dos amazônidas

O acervo é constituído por 2.000 objetos, que foi adquirido ao longo do tempo por meio de doações, compras, cessões e incorporações. Sua força está no conjunto das coleções por aquilo que representam. 

O conjunto permite uma visão da amplitude cultural regional desde as técnicas do trabalho do dia a dia das populações amazônicas, aos meios de transporte, às habitações, a alimentação, as festas, o artesanato, a religiosidade, os mitos e ritos, além de importante acervo arqueológico.

No último momento é exposta a cultura contemporânea do homem do norte (Foto: Tiago Melo/G1 AM)
Foto: Tiago Melo/Acervo g1 Amazonas

O Museu do Homem do Norte dispõe de visitas guiadas, em português e em inglês, para grupos de estudante e turistas, inclusive inglês, além de possibilitar visitas assistidas para deficientes visuais, dispondo ao longo do percurso objetos que podem ser tocados. 

Cozinhas e redário são criados para fortalecer turismo de base comunitária em reserva no Pará

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Foto: Poliane Batista/Sapopema

O projeto de construção de infraestruturas para o turismo nas comunidades São Miguel, São Marco e Tucumã, em Santarém, no Pará, está animando e mobilizando dezenas de comunitários. Conduzida pela Tapajoara e Sapopema no âmbito do Projeto Floresta Mais Amazônia/PNUD, a iniciativa pretende aumentar as possibilidades de geração de renda para a região que aposta no turismo sustentável com a floresta em pé.

Poliane Batista, bióloga da Sapopema e responsável pelo projeto, reforça a relevância da atual fase de implementação das estruturas, após um longo período de planejamento e diálogo. “Apesar das dificuldades, especialmente com a seca extrema, estamos unindo forças em um processo participativo para seguir o calendário de execuções planejadas,” explicou.

As primeiras construções, incluindo cozinhas comunitárias e redários, têm previsão de entrega até o final do ano, utilizando tanto materiais levados de Santarém quanto recursos naturais da própria reserva.

Tamara Saré, arquiteta envolvida na execução dos projetos, contou que a iniciativa inclui a construção de cozinhas comunitárias, redários, cabanas e outros equipamentos que vão profissionalizar a atividade turística nessas áreas. Ela destaca a importância da participação comunitária em todas as etapas do processo, desde a consulta inicial até o compromisso ativo na construção.

Representantes das comunidades falaram sobre suas expectativas e gratidão pelo projeto. Ronildo dos Santos, da comunidade Tucumã, ressaltou a confiança mútua entre a equipe de construção e os moradores locais. “Nosso objetivo é receber grupos de pessoas, e confiamos no trabalho de parceria. Queremos que esse esforço conjunto traga benefícios para nossa comunidade e visitantes,” declarou.

Rildo Pidal, da comunidade de São Miguel, contou sobre a alegria e gratidão pelo projeto que promete aumentar a renda local através do turismo comunitário. “O turismo é uma porta aberta para todas as comunidades, e somos gratos pelo apoio da Sapopema. Esse incentivo fomenta a economia local e traz novas oportunidades,” disse.

O projeto apoiado pelo Projeto Floresta+ Amazônia é uma iniciativa do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA), com apoio do Fundo Verde para o Clima (Green Climate Fund – GCF) e avança com a expectativa de transformar significativamente a infraestrutura turística da região, destacando o papel crucial das comunidades locais no processo de desenvolvimento sustentável.

*Com informações da Sapopema