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ICMBio intensifica monitoramento após seca intensa que ameaça botos na Amazônia

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Foto: Divulgação

Em 2023, a crise climática na Amazônia se intensificou com o fenômeno El Niño, que ocasionou a morte de 154 botos-vermelhos e tucuxis no Lago Tefé, no Amazonas. Esse número gerou preocupações e mobilizou o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e outras instituições a instaurar a Emergência Botos Tefé para enfrentar a crise.

Os resultados da análise biológica apontaram que o estresse térmico agudo, causado pelas altas temperaturas, foi o principal fator de mortalidade, sem descartar outras condições ambientais que possam ter contribuído, como a qualidade e a temperatura da água e do ar. Além das questões ambientais, os botos enfrentam outro grande desafio: as atividades humanas. A pesca e a caça na Amazônia têm pressionado ainda mais as espécies aquáticas.

Neste ano, a seca continua a se agravar, e os níveis de precipitação seguem abaixo da média. O efeito disso afeta diretamente os rios amazônicos, que estão com níveis de água historicamente baixos. Os rios Negro e Solimões, por exemplo, registraram em setembro sua cota mais baixa desde o início das medições em 1971. Devido ao déficit hídrico, a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) emitiu resoluções declarando situação de escassez quantitativa de recursos hídricos em importantes bacias hidrográficas da região, como os rios Madeira, Purus e Tapajós.

Monitoramento

Em resposta à crise, o ICMBio adotou medidas rigorosas de monitoramento na região do Lago Tefé, um dos principais habitats dos botos. Em setembro de 2024, foi implementado um Sistema de Comando de Incidente, onde mais de 50 profissionais, entre biólogos, veterinários e ecólogos, estão envolvidos em operações diárias para observar o comportamento dos botos e monitorar a temperatura da água. As medições ocorrem em diversos pontos do lago, duas vezes por dia, no início da manhã e no final da tarde.

Até agora, os botos-vermelhos e tucuxis têm mostrado um comportamento considerado normal. Eles continuam nadando, procurando alimentos e interagindo de maneira semelhante ao período anterior à crise. A presença de filhotes indica que, apesar das condições ambientais desfavoráveis, esses animais estão encontrando formas de se adaptar e continuar se reproduzindo. No entanto, os especialistas estão atentos ao risco de novos episódios de mortalidade em massa, como os que ocorreram em 2023.

A temperatura média da água do lago tem se mantido em torno de 31,2ºC, com variações entre 28ºC e 38,2ºC. Apesar de relativamente estáveis, essas temperaturas ainda são elevadas e representam uma ameaça para os botos, que são extremamente sensíveis ao calor. A vigilância contínua é essencial para evitar que os animais sejam expostos a um estresse térmico que possa resultar em mais mortes.

O Instituto Chico Mendes ressalta a importância de manter o monitoramento constante dos botos e da qualidade ambiental da região. Caso novos óbitos sejam registrados, os animais serão submetidos a necrópsias para determinar as causas exatas das mortes, fornecendo informações fundamentais para a elaboração de estratégias de conservação. A análise dos dados permitirá uma gestão mais eficaz dos recursos naturais e uma melhor proteção das espécies ameaçadas.

Além do monitoramento, o Instituto Chico Mendes tem realizado ações de comando e controle, a fim de diminuir as pressões sobre essas espécies que têm valor econômico para as populações locais, como é o caso do peixe-boi e do pirarucu. Isso porque, além da temperatura dos rios e da diminuição de habitat, a pressão da caça e da pesca é um dos fatores que mais têm contribuído para a vulnerabilidade desses animais.

*Com informações do ICMBio

Professores levam vivência ribeirinha para salas de aula no Amazonas

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Foto: Bruna Martins/FAS

Iniciativas educacionais que, mesmo enfrentando uma série de desafios, estão mudando a realidade das comunidades amazônicas, além de proporcionar valorização aos professores e um ensino diferenciado que respeita as características das populações locais. Essas são as características do projeto ‘Práticas Pedagógicas Inovadoras para a melhoria do Ensino Fundamental e Médio na Amazônia profunda’, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

Trata-se de uma iniciativa que tem o apoio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Movimento Bem Maior (MBM) e teve início em 2023, com objetivo de fortalecer o sistema de formação continuada para profissionais de educação em 11 redes municipais do Amazonas, durante três anos. Até o momento, mais de 516 professores já foram beneficiados pelas atividades do projeto.

Foto: Bruna Martins/FAS

As atividades são replicadas a partir da obra Bases do Aprendizado, com 60 práticas divididas entre 10 temas. Dessa forma, o professor planeja as atividades e as desenvolve junto com os estudantes. A publicação ajuda a levar um pouco do dia a dia das comunidades ribeirinhas para dentro da sala de aula, promovendo a integração e potencializando o aprendizado de estudantes em classes multisseriadas de forma mais lúdica e efetiva.

Fabiana Cunha, gerente do Programa de Educação para a Sustentabilidade (PES) da FAS, explica que a proposta nasceu a partir de relatos entre professores e demais atores sociais.

“As escolas da zona rural, áreas ribeirinhas e de comunidades tradicionais requerem um ambiente pedagógico em contato com a natureza, além de um calendário especial, em virtude da vazante anual dos rios. Os eventos de seca extrema, por exemplo,  impedem que os alunos frequentem as aulas presenciais e, muitas vezes,  nem remotamente, pois muitos não têm acesso à internet de qualidade. Pensando nesses e em outros fatores, como educação inclusiva, construímos um projeto focado na formação continuada dos professores, para que eles continuem transformando a vida de tantos alunos que anseiam por uma educação de qualidade”, destaca.

A professora Jadina avalia que o projeto é fundamental para a melhora da qualidade de ensino, principalmente em comunidades distantes da capital.

“Faz toda a diferença para os alunos, porque eles gostam. Possibilita que eles saiam da sala de aula, conversem, criem algo em grupo. Eles dividem as tarefas e um grupo para apresentar um trabalho melhor que o outro. Não para mostrar que esse aluno ou essa aluna seja melhor, mas para provar que eles são capazes de dar o seu melhor. Tem atividades que a gente elabora não apenas para os alunos, mas para a comunidade em geral. A sala só tem a ganhar, os alunos, a escola e a comunidade também”, complementa Jadina.

Outro exemplo de mudança pedagógica inovadora é o “Alfabetário Ilustrado”, um alfabeto adaptado para as culturas ribeirinhas amazônicas, em que os estudantes aprendem a partir de informações sobre animais, comidas típicas, objetos, entre outros vocabulários, que dizem respeito à vivência ribeirinha amazônica.

Bernardo Lira é professor na zona rural do município de Maraã (a 640 quilômetros de Manaus) e exalta as mudanças com a implantação do projeto. “A Amazônia é uma região onde há muita desigualdade social. Logo, trabalhar com os métodos da FAS é ter muita qualidade com pouco gasto em materiais, visto que aprendemos a utilizar os próprios recursos da natureza para ensinar as disciplinas. Trabalhamos junto à comunidade vários temas, como consciência ambiental. Isso dá mais autonomia e segurança ao professor”, explica.

“Tradicionalmente, os métodos de ensino [usados] eram muito ideológicos, pois eram tendenciosos e procuravam mais a elite do Sul e Sudeste. Hoje, esse novo projeto vem quebrando esse protocolo da desigualdade. Começamos a utilizá-los trabalhando com materiais da própria região mesmo, em que os alunos já têm experiência ao longo de suas vidas. Isso é democrático para o aluno e o professor”, destaca Lira.

Curta rondoniense ‘Ela Mora Logo Ali’ vence primeiro prêmio internacional

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Curta Ela Mora Logo Ali venceu em três categorias do Festival de Gramado. Foto: Reprodução

O curta-metragem rondoniense ‘Ela Mora Logo Ali’ foi um dos vencedores do Festival AluCine Latin Film + Media Arts 2024, realizado em Toronto, no Canadá. O filme já ganhou mais de 40 premiações, mas esse é o primeiro prêmio internacional conquistado pela equipe.

O AluCine é o festival de cinema latino mais antigo do Canadá. O evento acontece há 24 anos e busca estabelecer o contato entre cineastas latino-americanos que vivem na América Latina e aqueles que moram no Canadá.

O curta Ela Mora Logo Ali, dirigido por Fabiano Barros e Rafael Rogante, venceu na categoria ‘Melhor Ficção’. O filme conta a história de uma mãe atípica e negra, vendedora ambulante, que tem sua rotina alterada ao conhecer uma jovem leitora em um ônibus. Segundo a atriz Agrael de Jesus, o primeiro prêmio internacional traz valorização para o cenário cinematográfico de Rondônia.

“Eu achei maravilhoso e sensacional. Ter o nosso trabalho valorizado e reconhecido é muito gratificante e compensador, isso nos dá mais ânimo para continuarmos no ofício”, disse a atriz.

Agrael de Jesus também já foi vencedora do prêmio de Melhor Atriz na categoria ‘Curtas-metragens Brasileiros’ durante o Festival de Cinema de Gramado de 2023, no Rio Grande do Sul. Durante o festival, o filme ‘Ela Mora Logo Ali’, também conquistou outros dois Kikitos de ouro.

Leia também: Pela primeira vez filme de Rondônia concorre no Festival de Gramado

História

O curta-metragem retrata o impacto que a literatura tem na vida de uma família que vive com uma renda mínima e enfrenta diversas dificuldades no dia a dia. A partir do momento em que a vendedora entra em contato com a literatura, ela se abre para novas descobertas e sonhos.

Segundo o diretor Neto Cavalcante, o filme foca na história de uma mãe atípica, ambulante, negra e analfabeta que enxerga na literatura uma forma de mudar sua realidade, uma chave para transformar sua vida.

O curta foi produzido, dirigido e encenado na cidade de Porto Velho, e contou com a participação de uma equipe local.

*Por Amanda Oliveira, da Rede Amazônica RO

Mais de 100 Cadastros Ambientais Rurais são cancelados em Floresta e Parque no Pará

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Foto: Fernando Sette

A Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semas) do Pará realizou a terceira operação de varredura e cancelamento de Cadastros Ambientais Rurais (CAR) na Floresta Estadual do Paru (Flota Paru), no oeste paraense, unidade de conservação administrada pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Estado do Pará (Ideflor-Bio). Nesta ação, 124 CARs inscritos irregularmente foram cancelados, elevando o total de registros tornados sem efeito para 630, desde dezembro de 2022.

Entre os cancelamentos, sete ocorreram no recém-criado Parque Estadual Ambiental das Árvores Gigantes da Amazônia (Pagam), no município de Almeirim, na mesma região. É a primeira vez que CARs são cancelados no novo Parque Estadual, que foi oficialmente instituído em 28 de setembro de 2024, dentro da área da Flota Paru, reforçando as medidas de proteção em territórios de especial valor ecológico.

Regularização

A ação contínua de monitoramento e cancelamento de CARs faz parte das estratégias do Programa Regulariza Pará, uma iniciativa criada para inibir o uso irregular e a ocupação em áreas protegidas, como a Flota Paru, que é caracterizada como uma unidade de conservação de domínio público. A Flota abrange cinco municípios: Almeirim (58%), Monte Alegre (18%), Alenquer (18%), Óbidos (4%) e Prainha (2%).

A Flota Paru tem sido monitorada de perto por equipes técnicas da Diretoria de Geotecnologias (Digeo), vinculada à Secretaria-Adjunta de Gestão e Regularidade Ambiental (Sagra) desde 2023, quando o Ideflor-Bio, gestor da unidade de conservação, reportou um aumento no desmatamento da área. Essa vigilância contínua resultou em duas ações anteriores: a primeira, em dezembro de 2022, cancelou 456 CARs, e a segunda, no início de 2023, resultou no cancelamento de mais de 50 Cadastros.

O Programa Regulariza Pará, criado pelo Decreto Estadual nº 2745/2022, é um dos pilares do Plano Estadual Amazônia Agora (PEAA), e tem como objetivo promover o ordenamento fundiário das terras do Estado e proteger as unidades de conservação.

*Com informações da Agência Pará

Ações na Amazônia e Pantanal tem mais de R$ 938 milhões liberado pelo Governo Federal 

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Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula editou Medida Provisória que abre crédito extraordinário no valor de R$ 938.458.061 para ações de enfrentamento aos efeitos da seca e dos incêndios florestais no Pantanal e na Região Amazônica. Dentre os valores liberados, estão R$ 418 milhões para o pagamento de auxílio extraordinário a pescadores contemplados pelo seguro defeso na Região Norte e que foram prejudicados pela grave estiagem, conforme previsto em outra MP publicada este mês pelo Governo Federal.

O valor de R$ 2.824, equivalente a dois salários mínimos, será pago em parcela única para 148.046 pescadores e pecadoras artesanais de 115 municípios que tiveram o reconhecimento, pelo Governo Federal, da situação de calamidade ou emergência por conta dos efeitos da seca na região.

A Medida Provisória também autoriza a aplicação de R$ 238 milhões pelo Fundo Nacional de Saúde para ações de vigilância em saúde, atenção ambulatorial e hospitalar, disponibilização de suprimentos e medicamentos básicos, além de proteção e reparação da saúde indígena.

O Fundo Nacional de Segurança Pública poderá destinar R$ 25,8 milhões em políticas de segurança pública, prevenção e enfrentamento à criminalidade, bem como na atuação da Força Nacional de Segurança Pública (FNSP). Para fortalecer as operações integradas da FNSP, os valores serão utilizados na atuação de 120 profissionais, pelo período de 100 dias.

Para o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional (MIDR), foram destinados R$ 143 milhões a ações de proteção e defesa civil que objetivam proporcionar o atendimento com ações de resposta e de recuperação aos municípios afetados pela seca, estiagem e incêndios florestais.

O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) receberá R$ 36,7 milhões para diversas atividades como locação de aeronaves, capacitação e estruturação das equipes de fiscalização, contratação de profissionais especializados, dentre outros. Ao Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, por meio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), será mobilizado R$ 1,4 milhão em recursos para proteger áreas de assentamento, além de garantir a segurança das famílias e a preservação do meio ambiente.

Já o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) terá R$ 74,9 milhões para implementar tecnologias de acesso à água para consumo humano e de produção de alimentos por meio do Programa Cisternas.

*Com informações da Casa Civil do Governo Federal

Os desafios da expedição em busca de novas espécies de carrapato pela Amazônia

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Foto: Reprodução/Youtube Ticksman

Por Flávio Terassini – ticksman@gmail.com

Nessa expedição em busca de espécies novas de carrapato pela Amazônia, nós estivemos no estado do Acre, com a suspeita de realmente ter uma espécie nova de carrapato não catalogada para ciência. Então, pesquisadores da USP, com pesquisadores aqui do estado de Rondônia, se juntaram e passaram 10 dias no estado do Acre se aventurando no meio da selva em busca de algumas espécies de animais para, claro, procurar carrapatos. Foram muitos os desafios, principalmente com a chuva, embora era uma época ainda de interseção seca, mas já estavam começando as chuvas, então o translado até o local foi bem difícil e sem falar no calor e outros problemas que a gente acaba enfrentando numa expedição como essa.

A expedição foi muito produtiva, conseguimos encontrar muitos animais, muitas espécies diferentes de carrapato. Mais de dez espécies diferentes de carrapato nesse período e a gente ainda não sabe se encontramos ou não essa espécie nova. Porque agora vem a segunda etapa, que é processar por biologia molecular ou processar em laboratório cada um desses carrapatos através do seu DNA para confirmar se realmente encontramos uma espécie nova. A Amazônia existem muitos segredos que ainda não foram revelados e expedições como essa buscam revelar essas informações para a ciência.

Ficou curioso sobre os detalhes dessa expedição? Confira os bastidores:

Sobre o autor

Ticksman é o Flávio Aparecido Terassini, biólogo, professor universitário desde 2006, mestre em Ciências pela USP e doutorando pelo Bionorte.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Tratar adultos como adultos

Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br

O CEO de uma boa empresa, que pode ser considerada de referência em seu setor de atuação, se manifesta em tom de desabafo: “Estamos fazendo as coisas por fazer, sem nos preocupar com os resultados. Quero colocar de lado um pouco a questão da felicidade e focar na expansão da empresa. Quero que os líderes sejam mais cobradores”.

Pessoalmente, tenho como propósito promover a felicidade de pessoas e de empresas. No entanto, sou obrigado a reconhecer que ele tem razão, parcialmente. Isto porque boa parte dos líderes não age potencializando as duas coisas: pessoas e resultados. Alguns focam nas entregas a qualquer custo, sacrificando a si mesmo e a equipe. Outros adotam uma atitude paternalista, tratando os colaboradores como se fossem frágeis e dependentes, como se não tivessem que entregar resultados. Eles estão sendo pagos por isto e precisam ser tratados como pessoas adultas.

Logicamente, uma empresa que não se desenvolve continuamente é um péssimo lugar para se trabalhar, em todos os sentidos. Para começar, ela perde qualidade e competitividade. Depois, deixa de gerar oportunidades, que somente ocorrem quando há expansão, e de oferecer boas condições, tanto de trabalho quanto de remuneração. Com o tempo, a empresa passa a ter dificuldades de honrar os seus compromissos e corre o risco de desaparecer. Ao invés de um bem, torna-se um mal social. Famílias podem ser fortemente atingidas.

Não fosse tudo isto mais do que suficiente, trabalhar em empresas não exigentes faz com que os profissionais fiquem defasados em relação ao mercado, desqualificando-os para futuras atribuições. Ou seja, não há vantagens para ninguém tratar adultos como seres frágeis. Pais que não assumem o papel de educadores, seja porque dá muito trabalho, seja porque querem agradar, estragam os filhos. O mesmo ocorre com gestores paternalistas.

O outro extremo também não é desejável, o de desconsiderar a importância da felicidade das pessoas que, quando atingida, favorece as empresas. É na frequência da felicidade (que não pode ser confundida apenas com alegria) que as pessoas são mais produtivas e exploram o seu maior potencial. Aqui, todos ganham.

Não cabe às empresas tornarem as pessoas felizes, que é responsabilidade de cada um. Às empresas, cabe criar as condições de trabalho para isto, cuidar do terreno. Isto envolve criar uma cultura que valorize pessoas e resultados, sem precisar fazer a opção entre um e outro. Envolve também desenvolver lideranças que trabalhem sobre estes dois eixos.

Aos líderes, cabe a responsabilidade de favorecer o desenvolvimento da equipe e da entrega dos melhores resultados. Como recomenda a liderança situacional, há momentos de direcionar e cobrar; de treinar e orientar; de compartilhar; e momentos de delegar. O que determina a adequação de uma ou de outra ação, não deve ser o “jeitão do gestor”, mas a situação em si e a maturidade da equipe ou do liderado.

O que é combinado nunca é caro e tratar adultos como adultos é um dos acordos que precisam ser estabelecidos desde o início da relação entre empresas e profissionais. Isto favorece os resultados e a felicidade, que se retroalimentam. Certamente é o que deseja o CEO citado acima e é o que todos queremos.

E você? Também acredita que adultos devem ser tratados como adultos? E que é possível focar em resultados e em felicidade?

Sobre o autor

Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Projeto escolar busca soluções para cultivo de hortaliças durante salinização da água no Bailique

Projeto conta com a participação de estudantes da Escola Bosque. Foto: Divulgação

No período de estiagem as comunidades ribeirinhas no Arquipélago do Bailique, no litoral do Amapá, sofrem com o processo de salinização da água, que fica imprópria para consumo e plantio. Buscando ajudar no processo de criação de hortaliças, professores e estudantes da Escola Bosque do Amapá se uniram para construir um mecanismo que pudesse separar o sal da água.

O projeto “Horta Show” iniciou em 2023 e é realizado na escola pelos professores de ciências da natureza, juntando as áreas de biologia, física e química. Segundo a professora de química, Marcela Gomes, essa ação é essencial para que as hortaliças possam ser plantadas nas comunidades atingidas pela salinização da água.

Cultivo de hortaliças foi implantado há um ano. Foto: Divulgação

O projeto foi um dos destaques da Feira de Ciência e Engenharia do Estado do Amapá, sendo selecionado para a Expo Nacional Milset Brasil.

Os primeiros protótipos foram realizados com garrafas pets para armazenar a terra, no entanto, houve um excesso de calor, causando desidratação e danos nas folhas. Então a equipe trocou o local para e começou a utilizar o Bambu, porém ele não é encontrado com facilidade na região. Na terceira tentativa a equipe utilizou o tronco de árvore oca, e o resultado foi o esperado.

O professor coordenador da área de Ciências da Natureza, Samuel Quaresma, explicou a escolha pelo tronco da árvore oca.

“Esse tipo de tronco é muito encontrado aqui na região, e ele não absorve tanto o calor. Mas, não descartamos a garrafa Pet, nem o bambu. O experimento com garrafa Pet irá ficar na sombra, inclusive com o uso da garrafa, vamos eliminar um pouco o lixo que a população produz”, disse o coordenador de Ciências da Natureza da escola.

Para a estudante, Amylee Gabrielly da Costa Santana, de 16 anos, o projeto é muito importante, tanto para a comunidade, quantos para os alunos da escola.

Comunidade no Arquipélago do Bailique, na foz do Rio Amazonas. Foto: Divulgação/MIDR

De acordo com os professores do projeto, eles ainda pretendem alcançar o desenvolvimento das hortas, com maiores plantações, diversidade de hortaliças e plantas medicinais através do projeto.

*Por Luan Coutinho, da Rede Amazônica AP

Levantamento aponta que todos os municípios do Amapá possuem assentamentos agrícolas familiares

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Foto: Reprodução/Acervo Rede Amazônica AP

Em todo o país, a política de reforma agrária traz o objetivo de promover a distribuição de terras entre trabalhadores rurais. De acordo com levantamento feito pela Diretoria Nacional de Desenvolvimento Agrário, a reforma agrária, enquanto política pública, promove a cidadania, favorece uma estrutura fundiária mais democrática e gera renda no campo.

Em um contexto nacional, o Amapá possui uma particularidade: todos os municípios possuem assentamentos, que são formados por conjuntos de unidades agrícolas.

Cada uma dessas unidades é destinada a uma família de agricultores ou trabalhadores rurais que não possuem condições de comprar um imóvel na zona rural.

As terras que se tornam assentamentos para famílias são espaços que, de acordo com a Constituição, não fazem o manejo correto e geram consequências para o solo.

Programa nacional

Os beneficiários do Programa Nacional de Reforma Agrária têm à disposição recursos que permitem a instalação de um assentamento e o desenvolvimento de atividades produtivas. O chamado crédito instalação é a primeira etapa de financiamento garantida pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) às famílias. No total, são 10 modalidades oferecidas.

No estado do Amapá todas as modalidades de crédito são ofertadas. O Fomento Mulher, condição de crédito voltado apenas para mulheres, permite que mulheres chefes de famílias possam ter mais espaço nos assentamentos. Além disso, hoje todos os contratos de concessão de uso das terras para famílias traz as mulheres como titulares.

*Por Mayra Carvalho, da Rede Amazônica AP

Erradicação do moko da bananeira em área de terra firme exige vazio sanitário de dois anos

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Com base em resultados de pesquisa da Embrapa Amazônia Ocidental (AM) em parceria com Embrapa Roraima, cientistas recomendam o período de 24 meses para o vazio sanitário de bananeiras para a recomposição de áreas de terra firme afetadas pela murcha-bacteriana ou moko da bananeira. A doença é causada pela bactéria Ralstonia solanacearum raça 2, uma praga quarentenária presente sob controle oficial, que se encontra disseminada nos estados do Amapá, Amazonas, Roraima, Pará, Pernambuco, Rondônia e Sergipe.

O moko é uma das doenças mais destrutivas das bananeiras cultivadas em áreas de várzea da Região Amazônica, onde as inundações anuais são o ponto crucial para disseminação da bactéria, pois as águas das enchentes disseminam o patógeno ao longo dos rios, contaminando todos os plantios à jusante do bananal afetado.

Nos municípios de Tabatinga e Manicoré, no Amazonas, por exemplo, os plantios são afetados pela doença, pois estão estabelecidos nas áreas de várzea da calha do Alto Solimões e do Rio Madeira, respectivamente. Nesse caso, a erradicação do mal é praticamente impossível, pois, todos os anos, as áreas são inundadas e as águas das enchentes disseminam a bactéria.

Nas áreas de terra firme, a bactéria se comporta como um patógeno transeunte do solo, pois sobrevive nesse ambiente por tempo limitado. Ela não resiste na ausência de resíduos da planta hospedeira e tampouco produz endósporos, que são estruturas de resistência que garantem a sua sobrevivência sob condições de estresse ambiental. Após o vazio sanitário de dois anos, pode-se plantar novamente bananeiras de mudas sadias no local.

Foto: Reprodução/Luadir Gasparotto

Não há cultivares resistentes, e o controle químico também não funciona, porque a doença é vascular, informa os pesquisadores da Embrapa Luadir GasparottoMirza Carla Normando e Daniel Schurt, no Comunicado Técnico 168 “Sobrevivência da bactéria Ralstonia solanacearum raça 2,” lançado este ano.

“Em áreas de terra firme, a doença só ocorre quando os produtores utilizam, no plantio, mudas contaminadas oriundas das várzeas. A bactéria é disseminada por contato das raízes entre as plantas e, em poucos meses, causa a morte de todo o plantio”, explica Gasparotto.

Como a disseminação de R. solanacearum raça 2 para as áreas de terra firme é antrópica (causada por ação humana), ela pode ser evitada com medidas de exclusão, ou seja, plantio de mudas sadias, desinfestação de máquinas e implementos utilizados no bananal doente e proibição do trânsito desordenado de veículos, de pessoas e de caixas usadas para transporte das bananas entre os plantios.

Segundo a pesquisa, as medidas de erradicação apresentam bons resultados em plantios de banana em terra firme, mas, para recomendar a erradicação, foi importante definir o período de sobrevivência da bactéria no solo. Por isso, foi realizado um experimento por dois anos, na Embrapa, quando foi avaliada a sobrevivência de mudas de bananeira das cultivares Prata Anã e PV03-44, em solos infestados com a bactéria.

Foto: Reprodução/Luadir Gasparotto

Como foi feito o experimento

Em trincheiras infestadas, no dia da infestação e aos 2, 4, 6, 10, 12, 18 e 24 meses, após a infestação foram plantadas dez mudas tipo chifre de cada cultivar. As avaliações consistiram na contagem mensal, durante 24 meses, de plantas mortas ou apresentando sintomas típicos do moko, como murcha das folhas e escurecimento de tecidos observados por meio de secções transversais do rizoma e do pseudocaule. “Os resultados obtidos indicam que a bactéria R. solanacearum raça 2 sobrevive em rizomas de bananeiras infectadas por até dez meses em solos do tipo Latossolo Amarelo e por até oito meses em solo do tipo Argissolo”, informa o pesquisador.

Para a erradicação da doença, é importante que todas as bananeiras sejam mortas. Os pesquisadores recomendam que não se deixe nenhuma planta viva. Após a morte de todas as bananeiras, é recomendável que a área seja cultivada com outras culturas, como macaxeira, mandioca, abacaxi, mamão e milho, durante pelo menos 24 meses. Nesse período, todos os resíduos orgânicos do bananal serão decompostos. Após o vazio sanitário, sem bananeiras, durante 24 meses, a mesma área poderá ser estabelecida com novo plantio dessa planta, mas com mudas de procedência conhecida livre de moko.

Como evitar a doença


Plantio de mudas comprovadamente sadias (certificadas).
Desinfestar ferramentas usadas nas operações de desbaste, corte do pseudocaule e colheita; imergindo o material nas soluções de formaldeído (1:3) ou água sanitária (1:2) após seu uso em cada planta.
Eliminação do coração da bananeira, assim que as pencas emergirem em variedades com brácteas caducas, visando impedir a transmissão pelos insetos, utilizando as mãos para quebrar a ráquis.
Deve-se realizar o controle das plantas daninhas com aplicação de herbicidas em substituição às capinas manuais ou mecânicas.
Recomenda-se em áreas de ocorrência do moko, realizar inspeção periódica do bananal, por pessoas bem treinadas, para a detecção precoce das plantas doentes


As ações implementadas nesta pesquisa possuem alinhamento com os seguintes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030: 2 (Fome zero e agricultura sustentável), 9 (Indústria, inovação e insfraestrutura), 11 (Cidades e comunidades sustentáveis), 12 (Consumo e produção sustentáveis), 15 (Vida terrestre) e 17 (Parcerias e meios de implementação)