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Amazonas FC terá o treinador mais velho do Brasil em 2025

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O técnico mais longevo do futebol brasileiro, Aderbal Lana, de 78 anos, foi anunciado pelo Amazonas FC. Conhecido como a “Velha Raposa”, o treinador falou pela primeira vez sobre a aposentadoria que, segundo ele, é uma ideia que vem sendo cogitada há alguns anos. Nas palavras de Lana, o Amazonas, seu décimo clube no futebol amazonense, deve ser o último da carreira.

O treinador mineiro, radicado no Amazonas, é o técnico com mais títulos estaduais do Brasil. Lana levantou 10 taças do Barezão, no comando de quatro clubes: Nacional, Rio Negro, São Raimundo e Manaus.

Este ano, ele volta a treinar um time da Série B do Brasileiro, que também irá disputar a Copa do Brasil e a Copa Verde. A poucos dias da estreia na temporada, Lana encara os desafios com uma certa naturalidade.

A segundo Lana, expectativa é na maior naturalidade possível porque a gente já está acostumado com isso. E aqui no Amazonas, esse ano, é uma montagem de equipe. Sabemos que a maioria dos jogadores foi embora, outros chegaram. O tempo está um pouco curto para o que nós queremos, mas estamos trabalhando para que tenhamos uma equipe forte.

Sabedoria para encarar as críticas

Antes de ser anunciado oficialmente, os bastidores do Amazonas indicavam a chegada do experiente treinador. A decisão pela escolha do nome gerou críticas internas e externas. Algo com que Lana se acostumou a lidar com o tempo.

Tenho muito desafeto no futebol, porque nunca deixei de falar o que sinto e nunca deixei de tomar posição quando sito que tenho que tomar.

Quando perguntado se o torcedor poderia presenciar a cena clássica do treinador fumando um cigarro à beira do campo, Lana não hesitou em responder.

Na beira do gramado, tenho respeitado as leis do futebol. Não pode. Mas quando estou folgado, se quiser fumar, é um atrás do outro- completou ele.

Aderbal Lana estreia no comando do Amazonas contra o Sete FC, no dia 25 de janeiro, às 15h30, no estádio Larissa Silva, em Presidente Figueiredo, (de Manaus), pela primeira rodada do Campeonato Amazonense 2025.

*Por Bruno Rodrigues, da Rede Amazônica AM

Cineastas nortistas abordam a realidade sem estereótipos, mas financiamento ainda é um desafio

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Foto: Divulgação/@1coletivoarte

No Norte do Brasil, um cinema feito de histórias que abordam questões sociais, políticas e culturais próprias desse território é conduzido por realizadores independentes com recursos escassos, mas não, por isso, menos dedicados. Exercendo o projeto de um cinema nacional, para além do rótulo de “regional”, a produção audiovisual nortista têm ganhado destaque nos últimos anos no cenário nacional, com uma presença expressiva nos principais festivais de cinema brasileiros.

Leia também: 5 opções de cinema para aproveitar a rota alternativa em Manaus 

Em 2022, o longa-metragem Noites Alienígenas, dirigido por Sérgio de Carvalho, do Acre, chamou atenção ao ser exibido no 50° Festival de Gramado e conquistar cinco prêmios, incluindo uma menção honrosa pela atuação do ator e diretor amazonense Adanilo. O filme gira em torno do cotidiano de jovens da periferia de Rio Branco, afetados de forma violenta pela chegada de facções criminosas vindas do sudeste do país para o norte.

Em uma região historicamente marginalizada no cenário do cinema nacional, a produção audiovisual nortista desponta como ato de afirmação cultural. São filmes com narrativas capazes de romper com estereótipos e trazer à tona realidades únicas da Amazônia.

Olhares atentos aos territórios

Longe de retratar a Amazônia como cenário exótico, como é comum em produções de realizadores de fora da região, os cineastas nortistas usam histórias para além da floresta, narrando a complexidade da vida urbana, as lutas dos povos tradicionais e a relação dos povos amazônicos com a crise climática.

Gabriel Bravo de Lima, jornalista e cineasta de Manaus (AM) define sua obra como uma exploração do tema familiar, desde as relações afetivas à estrutura social. “Busco explorar essa área limítrofe onde a família representa apoio, mas também opressão”, diz o jovem realizador. Em 2024, o cineasta venceu duas categorias (Voto Popular e Menção Honrosa Cine Vídeo Tarumã) na sexta edição do Festival de Cinema da Amazônia – Olhar do Norte, um dos maiores festivais do segmento na região, com seu curta-metragem Na dança que cansa voavas, no qual acompanha o rompimento de uma relação.

Em 2020, ele já havia conquistado o prêmio de melhor roteiro na terceira edição do Olhar do Norte, por seu primeiro curta-metragem, No dia seguinte ninguém morreu. No entanto, Gabriel não sente que há espaço suficiente para as narrativas nortistas no mercado audiovisual nacional. “É muito comum ter festivais, mostras, espaços em streaming ou salas de cinema sem nenhuma ou pouquíssima representação nortista”, lamenta.

Para produzir e distribuir seus filmes, a principal dificuldade que o cineasta enfrenta é financeira. Ele financiou a produção do seu primeiro curta com investimento de edital público, destinado aos novos realizadores do Amazonas.

De Belém (PA), a cineasta Mayara Sanchez gosta de escrever narrativas amazônicas contemporâneas. Dramas familiares e narrativas coming of age que discutem gênero e sexualidade e representações femininas são apresentados em filmes como Essa Cidade Se Esqueceu como Planta, lançado em 2023.

Para cumprir com o desafio, é preciso se adaptar ao modus operandi do fazer cinematográfico nas condições amazônicas de longas distâncias, onde os eventos climáticos influenciam as ordens de cronogramas de filmagens. “Também surgem inúmeras outras dificuldades burocráticas devido a questões próprias do território, que implicam em um fazer cinematográfico específico dentro da realidade amazônica”, diz a cineasta.

Com mais de 20 anos de trabalho em produção audiovisual, Juraci Junior atua em Rondônia como diretor, ator, redator e apresentador, com uma trajetória autoral marcada pela busca das histórias de relação das pessoas com as águas da Amazônia. Os rios atravessam diretamente sua criação visual. Seu primeiro curta-metragem, Balanceia (2017), co-dirigido com Thiago Oliveira, leva para as telas as sensações de um viajante que viaja de barco de Parintins (AM), rumo a Manaus, depois de conhecer o Festival Folclórico da ilha. Na animação Nazaré: do verde ao barro (2021), o tema central é o movimento de sobe e desce dos rios e a relação de ribeirinhos com este fenômeno.

Já no documentário Resistência (2023), o diretor fala da tragédia conhecida como “epopeia amazônica”, a construção da ferrovia Madeira-Mamoré, em Porto Velho (RO). O monumento é uma marca colonial que deixou feridas na história dos povos tradicionais da região. “Aqui, as cicatrizes dessa história são tocadas, relevando traumas e questionamentos sobre a tantas mortes causadas pela obra, além dos moradores perceberem que a cidade cresceu de costas para o rio Madeira”, observa Juraci.

Em ritmo de reflexão sobre os eventos climáticos extremos, responsáveis pela desertificação dos rios amazônicos pelo segundo ano consecutivo, o cineasta finaliza seu curta-metragem de animação Pela Água, Sempre!, com co-direção de Douglas Magalhães. “É interessante justamente neste momento de seca extrema, onde os rios perdem sua forma e presença, causando tanta dor a todos nós, e lançam um grito de alerta sobre o futuro do planeta.”

Identidades em movimento

As obras de Bruma de Sá, cineasta de Manaus, flutuam entre temáticas orgânicas, corpo e psique. Ela começou sua trajetória artística como atriz, e quis desenvolver projetos que envolvessem a corporeidade. “Quando estava começando, eu fazia coisas mais experimentais e cruas. Na faculdade, minha pesquisa, Estar Entre (2021), foi desenvolvida a partir das minhas memórias quando criança habitando alguns móveis da minha antiga casa, e como meu corpo interagia e se relacionava, quase como uma dança, com a câmera”, disse.

Estar Entre tornou-se uma obra super orgânica pelos materiais que foram utilizados na produção de seis vídeos experimentais. Um deles é manuseado com uma mistura de água com goma de tapioca sob tecido voil, feito com os fios da trama torcidos e com baixa densidade.

Com o filme Duplo Retrato (2024), um curta-metragem que estreou na última edição do festival Olhar do Norte, a artista desenvolveu uma personagem que passa por momentos turbulentos com ela mesma, uma narrativa complexa que retrata a psique de Julia. “Para isso, utilizei a casa e a duplicata para demonstrar a instabilidade psicológica e depressão que a outra versão dela estaria passando. Acredito que essas são as obras principais e que elas falam muito sobre a sensibilidade da vida”.

Aida Harika Yanomami e o xamã Edmar Tokorino Yanomami, trabalhando nas edições do filme Uma Mulher Pensando (RR) (foto: Aruac Filmes). Foto: Reprodução/Aruac Filmes

Financiamento segue como desafio

Nortista que mora no sul do país e que trabalha de forma independente, Bruma enfrenta um cenário complexo ao tentar conseguir que suas obras tenham investimento e verba orçamentária para serem concluídas. “Aqui no sul, eu sinto que é muito difícil furar a bolha porque as coisas já estão estruturadas do jeito que elas são. É muito difícil que esses projetos sejam realmente contemplados porque na hora da avaliação, o que mais pesa é o portfólio e o nome das pessoas que fazem parte do projeto.”

Rodrigo Aquiles, diretor e montador cinematográfico de Macapá (AP), aborda em suas obras questões sociais e políticas: “Meu trabalho é a minha forma de contribuir para o debate com o foco na questão racial na Amazônia, as obras são meus pilares”, diz. Para ele, falta espaço para as narrativas nortistas no cenário do cinema nacional, apesar de existir um apelo por histórias estereotipadas. “As narrativas sobre a Amazônias que estão em vigor, ao meu ver, são saturadas. O público precisa e anseia novas narrativas e novas formas de contar as histórias da Amazônia. Mas não existe esse espaço, a gente não consegue encontrar esse espaço dentro dos streamings e dentro dos festivais pelo Brasil”, alerta.

O recurso no seu estado é escasso, garante. “É bem complexo fazer cinema independente com o risco de que eu não vou conseguir distribuir esse cinema e não conseguir ter um retorno financeiro. Tem que ter algumas linhas de financiamento específicas para os produtores independentes”, defende.

Narrativas indígenas em destaque

Adanilo, ator, dramaturgo e diretor originário manauara, dedica-se há quase 10 anos a uma pesquisa sobre os povos indígenas das Amazônias e da América Latina de maneira geral. Seus trabalhos trazem temas ligados também às periferias. Conhecido por seus papéis como ator, Adanilo já atuou em longas como Marighella, Noites Alienígenas e O Rio do Desejo. Em 2023, esteve em Cannes por sua atuação em Eureka, longa-metragem do diretor argentino Lisandro Alonso, exibido fora de competição. O filme mergulha em tempos e espaços distintos que mostram o avanço da violência contra os povos indígenas, seja pelo garimpo nas florestas ou pela vulnerabilidade social nos territórios.

Sua primeira direção foi no filme 521 Anos / Siaa Aira (2021), realizado de forma independente. Em 2023, estreou no festival Olhar do Norte o curta Castanho gravado na Comunidade Cachoeira do Castanho, a 24 quilômetros de Manaus, em Iranduba, em novembro de 2021. A história gira em torno da personagem Maria, interpretada pela atriz Sofia Sahakian, uma mulher estrangeira, latino-americana, que tem a chance de conviver com Dona Belém, papel interpretado pela artista amazonense Rosa Malagueta, e seu filho Cícero, interpretado por Israel Castro. “As narrativas do norte sempre estiveram mal retratadas, estereotipadas, por isso é tão importante que nós pessoas do norte consigamos cada vez mais protagonizar as nossas histórias, porque a gente é que sabe como fala da gente”, diz o artista.

O cinema indígena feito no norte utiliza o audiovisual como ferramenta de expressão de resistência e de denúncia. Na última década, os cineastas indígenas ocuparam espaços de produção, direção e narração de suas próprias histórias, o que significa a valorização da cosmovisão, dos saberes tradicionais e das lutas por direitos indígenas.

Muitos desses filmes são produzidos de forma coletiva, com as comunidades participando ativamente de todas as etapas da criação. Um dos destaques do cinema indígena é Morzaniel Ɨramari Yanomami. Nascido na aldeia Demini, na Terra Indígena Yanomami, em Roraima, Morzaniel é cinegrafista e documentarista desde 2010, formado pelo projeto Pontos de Cultura Indígena. No mesmo ano, produziu e lançou o filme Xapiripë Yanopë – Casa dos Espíritos, que venceu o prêmio de Melhor Filme Júri Popular na I Bienal de Cinema Indígena – Aldeia SP. Em 2014, lançou o filme Urihi Haromatipë – Curadores da Terra-Floresta, que venceu o prêmio de Melhor Filme na mostra competitiva do Forumdoc.BH.

Em 2023, os curtas roraimenses Mãri hi – A Árvore do Sonho, de Morzaniel Ɨramari, Thuë pihi kuuwi – Uma Mulher Pensando e Yuri u xëatima thë – A Pesca com Timbó, de Aida Harika Yanomami, Edmar Tokorino Yanomami e Roseane competiram foram exibidos no tradicional Festival de Veneza, no “Eyes of the Forest”, durante um dia dedicado ao primeiro cineasta Yanomami, Morzaniel Ɨramari, ao cinema indígena Yanomami no Brasil.

A cineasta Aida Harika Yanomami, que vive na aldeia Watorikɨ, região do Demini, na TI Yanomami, faz filmes e fotografias e participou da produção e direção de dois dos três curtas. Ela integra o coletivo de comunicadores Yanomami criado em 2018 pela Hutukara Associação Yanomami com apoio do Instituto Socioambiental. “Thuë pihi kuuwi – Uma Mulher Pensando”, de 2022, foi o primeiro filme produzido por mulheres Yanomami e teve sua exibição na 26ª Mostra de Cinema Tiradentes.

O ator e cineasta Adanilo. Foto: Divulgação

Entraves para o desenvolvimento

Embora seu destaque seja evidente, o cinema feito no norte enfrenta desafios particulares pela falta de apoio institucional, financiamento e a falta de valorização da identidade cultural da Amazônia. Iniciativas como a Lei Paulo Gustavo trouxeram algum alívio, mas os investimentos ainda são insuficientes para sustentar a indústria local de maneira robusta. Produzir filmes na região requer recursos. Os cineastas fora dos grandes estúdios lutam para conseguir financiamento, seja de fontes privadas ou públicas.

“O acesso é difícil tanto pela escassez, quanto também pela falta de conhecimento para disputar esse financiamento. É preciso dedicar tempo para entender como o mercado funciona e praticamente todos os produtores independentes dividem a atuação com audiovisual com outra profissão. Para quem está iniciando tudo parece complexo e burocrático”, observa o amazonense Gabriel Bravo de Lima.

Nenhuma produção audiovisual da região norte foi contemplada no edital Novos Realizadores da Agência Nacional do Cinema (Ancine), de 2023. O cinema produzido na Amazônia foi mais uma vez esquecido no que diz respeito aos investimentos para as produções audiovisuais locais.

Mesmo depois de produzir o filme, conseguir distribuí-lo em salas de cinema, plataformas de streaming ou festivais é outra grande barreira. As grandes redes de distribuição costumam priorizar filmes de apelo comercial, por exemplo.

“Duplo Retrato foi uma obra que aconteceu e foi realizada dentro de uma instituição pública, o curso Técnico de Produção de Áudio e Vídeo do Colégio Estadual do Paraná, é uma produção que aconteceu tendo apoio e incentivo dos professores do curso e essa pequena rede de apoio foi essencial para obra acontecer e ser distribuída. O maior desafio é realmente a falta de recursos. Artistas que vivem no norte são afetados pela centralização dos investimentos que, em grande maioria, estão concentrados nas regiões Sul e Sudeste. São menos oportunidades”, lembrou Bruma de Sá.

Adanilo complementa citando a carência de programas de capacitação técnica na região, como cursos de cinema e audiovisual que ajudem a formar profissionais locais.

A falta de políticas públicas direcionadas à cultura é um obstáculo significativo para o desenvolvimento de cineastas emergentes do norte. Isso impacta a produção de diversos realizadores. “O cinema nortista como um todo não tem como se desenvolver, em toda a sua capacidade técnica e criativa, sem o investimento contínuo dos estados. Depender apenas de recursos federais fez com que, desde a pandemia, o setor cinematográfico ficasse abalado, e até agora não voltou ao fluxo de produção de antes. Isso impacta diretamente no desenvolvimento dos artistas e dos projetos daqui. É comum falarem dos ‘grandes valores’ dos editais de cinema. Mas entre a palavra no papel e o filme da tela, existe um caminho grande de desenvolvimento, produção, distribuição, que por vezes duram anos, envolvem uma grande equipe e muitos investimentos”, diz Mayara Sanchez.

Coletividades

A organização de cineastas e produtores em redes e coletivos tem sido uma das formas mais eficazes de enfrentar as dificuldades. Gabriel Bravo de Lima diz que a proximidade com outros cineastas, principalmente iniciantes, serve para trocar ideias e compartilhar experiências. “A ideia de coletividade para mim se tornou indispensável, dentro das minhas produções busco ao máximo proporcionar uma independência para quem trabalha comigo (muitas vezes artistas, sejam do audiovisual ou não) também se expressarem”, pontua. Em 2023, ele fundou sua própria produtora junto com amigos, chamada 1coletivo, para agregar projetos de diferentes artistas e áreas. “É uma luta que ainda estamos no início, mas é empolgante”.

A cineasta Bruma de Sá atualmente é sócia de uma produtora audiovisual, a Voyarte, junto com o artista e seu companheiro, Mauro Gruber. A realizadora também encontrou uma rede colaborativa com as artistas Raia Schnaider e Mate Bertucci. “Essa rede fortalece e faz com que essas produções realmente aconteçam”.

Para Mayara Sanchez, a organização de cineastas e produtores em associações ou sindicatos têm um impacto significativo na criação de oportunidades de trabalho e financiamento. “Um dos problemas mais agravantes no mercado local é a prática desrespeitosa, e eu acho que poderia dizer até neo-colonizadora, das produções nacionais que vem filmar nos estados daqui e não pagam os trabalhadores locais da mesma forma que paga a equipe de fora. É só através da organização coletiva que o mercado local consegue se proteger desse tipo de prática”, manifesta.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Nonada Jornalismo, escrito por Nicoly Ambrosio

A queda da borracha na Amazônia

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Foto: Marcely Gomes/Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

O declínio da borracha na Amazônia passou a concretizar-se em 1900, quando a tenacidade anglo-saxônica exibiu ao mundo as quatro primeiras toneladas procedentes de seringais plantados.

Nos primeiros meses a notícia causou apenas controvérsias. É que dominava, entre nós, a crença de que a Hévea da Amazônia não se adaptaria facilmente em qualquer outra região. Além do mais, os próprios técnicos norte-americanos asseguravam que o produto de plantação jamais chegaria a ser artigo considerável.

Enquanto vinham a baila pontos de vista assim desencontrados, Wickham e outros faziam intensas experiências nos viveiros contando para isso com amplos recursos financeiros.

Assim é que de 4 toneladas iniciais, em 1900, subestimadas inclusive por técnicos americanos, a produção inglesa cresceu de ano para ano, à semelhança de uma avalanche: em 1910, 8.200t; em 1920, 304,816t; em 1930, 800.808 toneladas. Crescimento que em momento algum sofreu solução de tenuidade como determinação inexorável.

Evidentemente, assim aconteceu. A produção brasileira entrou em colapso. Era a famosa ‘Queda da Borracha’, com todo o seu cortejo de horrores para o comércio local. De 37.938 toneladas, em 1910, fomos diminuindo para 23.216; para 14.260 em 1930; até o cumulo dos absurdos com 6.500 toneladas.

Diante de tamanha desigualdade de produção entre o poderio de além fronteiras e a falta absoluta de planos de defesa da Hévea, não foi possível resistir por muito tempo. Centenas de organizações comerciais desapareceram na voragem das falências. Deu-se o êxodo dos seringais. Só os heróis permaneceram as margens dos altos rios, lutando sem tréguas pela sobrevivência.

Manaus experimentou dias amargos com seu principal produto de exportação cotado a preços irrisores e com os demais produtos – a castanha, a madeira, as oleaginosas, peles e couros – explorados pelos abutres da negociata em tais emergências. Deixou de ser aquela capital deslumbrante de que falavam com exaltações visitantes ilustres.

Porto quase sem movimento. Escassas as arrecadações da Fazenda Estadual. Em consequência disso, o funcionalismo em atraso por vários meses. Teatro Amazonas, sem condições de contratar companhias, como fizera desde a inauguração.

O decênio 1915-1925 transcorreu, assim, em meio às mais aflitivas provações. Desapareceram no sorvedouro das falências, ensejando o desespero a capitalistas e o desemprego a assalariados, centenas de casas comerciais, até então consideradas verdadeiras potências do crédito, interessadas na exportação da borracha, que chegou a empalhar como café.

De 1925 em diante, mediante o amparo decisivo do Governo Federal, os preços da goma-elástica passaram a subir. Houve como que um surgimento em toda a Amazônia. Como veremos mais adiante, estava em prática inteligente política, tendo por objetivo neutralizar os efeitos da Resolução de 1924.

Em 1938, finalmente a borracha alcançou preços mais compensadores. A praça de Manaus voltou a ressurgir das cinzas, como a fênix da lenda e toda a população enveredou por novos caminhos, como a preocupação de melhores dias.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Elos da Amazônia: chamada abre participação para empreendedores indígenas do Amapá

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Empreendedores indígenas amapaenses podem participar da chamada Elos da Amazônia. Foto: Michael Dantas/Idesam

Um levantamento recente do Instituto Ethos revela que a população indígena representa 1% dos trabalhadores nas grandes empresas do país, ocupando apenas 0,1% das posições de liderança. Como uma resposta para ajudar a transformar essa realidade, a iniciativa chamada Elos da Amazônia 2024 – Edição Empreendedorismo Científico Indígena está com inscrições abertas, em busca de promover o protagonismo indígena no cenário empresarial.

Com foco em reconhecer empreendedores indígenas que desenvolvam tecnologias inovadoras e disruptivas a partir da biodiversidade amazônica, a Chamada visa fomentar negócios competitivos, economicamente viáveis, ambientalmente equilibrados e socialmente inclusivos.

O edital selecionará duas startups lideradas por empreendedores autodeclarados indígenas, com sede em estados da Amazônia Ocidental (Acre, Amazonas, Rondônia e Roraima) ou no Amapá, e constituídas há no máximo cinco anos.

As propostas devem demonstrar soluções tecnológicas aplicáveis ao mercado, podendo estar na fase de protótipo, validação ou em operação no mercado. As inscrições estão abertas até o dia 24 de janeiro de 2025 e podem ser feitas exclusivamente pelo site.

Além do reconhecimento, os projetos selecionados receberão suporte técnico para transformar ideias em negócios viáveis. Entre os benefícios estão a preparação para execução de recursos via Programas de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D), conexão com incubadoras e aceleradoras, e possível ingresso no Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio).

Cada startup selecionada pelo edital receberá R$ 1 milhão, sendo R$ 500 mil via PPBio para aceleração do negócio e R$ 500 mil para desenvolvimento de um projeto de tecnologia que será executado pelo Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (INDT), via recursos da Embrapii.

Tecnologia com identidade amazônica

A iniciativa conta com a parceria do INDT, que apoia o desenvolvimento de tecnologias com alto potencial de impacto. Os critérios de seleção priorizam propostas alinhadas à sustentabilidade e ao uso consciente dos recursos da floresta. As tecnologias apresentadas podem incluir novos processos, sistemas ou aplicações baseadas na biodiversidade amazônica.

Para os idealizadores da Chamada, iniciativas como essa são fundamentais para promover o empreendedorismo indígena, transformando conhecimento acadêmico e tradicional em soluções de mercado. ‘’Acreditamos que uma tecnologia pode surgir de qualquer lugar: de experiências empíricas, saberes tradicionais ou pesquisas laboratoriais. O importante é prepará-la para o mercado e gerar renda para as comunidades indígenas”, reforça Geraldo Feitoza, Diretor Executivo do INDT.

O edital é uma realização do Idesam, Programa Prioritário de Bioeconomia, agenda da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), e INDT. A chamada conta ainda com o apoio da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii).

Conheça a biodiversidade protegida das áreas de conservação regional de San Martín, no Peru

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As áreas de conservação regional Cordilheira Escalera e Shunte e Mishollo – Boshumi, localizadas na região de San Martín, abrigam uma fauna variada e uma biodiversidade única. Foto: Divulgação/Agência Andina    

A região de San Martín, no Peru, possui duas áreas de conservação regional (ACR): Cordillera Escalera e Bosques de Shunte e Mishollo – Boshumi, áreas naturais protegidas estabelecidas pelo Estado peruano que servem para conservar as diversas formas de vida presentes na natureza, os diferentes ecossistemas e processos naturais que, juntos, geram grandes benefícios.

Foto: Divulgação/Agência Andina

Estas áreas são propostas e geridas pelos governos regionais e são complementares às áreas naturais protegidas nacionais. Além disso, são espaços que permitem o desenvolvimento de atividades econômicas sustentáveis ​​e de cadeias de valor baseadas na gestão dos recursos naturais e no turismo.

Na região de San Martín, estão localizadas duas áreas de conservação regionais onde se guarda e protege a biodiversidade dos frágeis ecossistemas das florestas nubladas montanas e dos ambientes peruanos de yungas e paramos, que fornecem às populações locais, contribuindo para a mitigação do clima. mudar. Vamos conhecer a biodiversidade e a variada fauna que abrigam.

Área de Conservação Regional Cordillera Escalera: ‘Onde nascem nossas águas‘

Foto: Divulgação/Agência Andina

É a primeira Área de Conservação Regional do Peru, criada em 22 de dezembro de 2005 através de solicitação que o Governo Regional de San Martín fez ao Estado, estabelecendo-se como tal pelo Decreto Supremo 045-2005-AG. Com uma área de 149.870 hectares, abrange cinco distritos da província de San Martín (San Antonio de Cumbaza, Tarapoto, Banda de Shilcayo, Shapaja e Chazuta) e quatro da província de Lamas (Pinto Recodo, Caynarachi, Barranquita e San Roque de Cumbaza).

A Cordilheira Escalera é fonte de abastecimento de inúmeros bens e serviços fornecidos pela floresta, destacando-se água e, entre outros, sementes, carne de caça, palmeiras, entre outros, para sete comunidades nativas Quechua Lamista e Chayahuita que mantêm conhecimentos sobre a conservação e utilização dos recursos naturais da floresta, bem como a diversidade biológica existente na área.

Dentro da área protegida surgem cinco importantes sistemas de água (Shanusi, Caynarachi, Mayo – Cumbaza, Shapaja – Chipeza e Pampayacu – Charapillo) que beneficiam mais de 450.000 pessoas.

Área de Conservação Regional das Florestas Shunte e Mishollo – Boshumi

Foto: Divulgação/Agência Andina

A Área de Conservação Regional Boshumi foi instituída como tal em 15 de dezembro de 2018, pelo Decreto Supremo 016-2028, com uma área de 191.405,53 hectares, localizada nos distritos de Campanilla e Huicungo na província de Mariscal Cáceres; e nos distritos de Pólvora, Shunté e Uchiza na província de Tocache, região de San Martín.

Na área existem charnecas (tipos de terrenos áridos e não cultivados) que captam e regulam a água da bacia do alto Huallaga, abastecendo mais de 69 mil pessoas. A área é um espaço de transição entre a puna úmida dos Andes centrais (ecorregião de pastagens e matagais de montanha) e as yungas peruanas (ecorregião de floresta tropical e subtropical úmida), onde existem amplitudes altitudinais entre 800 e 400 metros acima do nível do mar.

Foto: Divulgação/Agência Andina

O objetivo do ACR Boshumi é conservar as charnecas e os serviços ecossistêmicos que prestam em benefício das populações locais, bem como a sua contribuição para a mitigação das alterações climáticas nas regiões de San Martín e La Libertad, que são habitats de espécies endêmicas (únicas na área) e ameaçadas, como o urso de óculos, o macaco-lanudo de cauda amarela, a onça-pintada, o condor andino, entre outras espécies.          

Você pode encontrar até 1.500 variedades de flora entre árvores como cedro, parafuso, pumaquiro, incenso; palmeiras como huasi, palmeiras de cera; bromélias, samambaias e uma variedade de orquídeas. As florestas Shunté e Mishollo cumprem funções importantes, como o armazenamento de carbono atmosférico para ajudar a controlar o aquecimento global.

O Governo Regional de San Martín declarou a criação da ACR de interesse regional em dezembro de 2016, o que permitiu que 26% da superfície da região seja uma área natural protegida e 38,24% seja uma área de proteção e conservação ecológica.

*Com informações da Agência Andina

Quem foi Eduardo Ribeiro e qual sua influência para o Amazonas

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Eduardo Ribeiro. Imagem: Divulgação

Uma das Avenidas mais famosas do Centro de Manaus é a Avenida Eduardo Ribeiro. Mas você sabe quem foi Eduardo Ribeiro e porque uma das principais vias da capital amazonense foi batizada com seu nome?

Eduardo Gonçalves Ribeiro foi jornalista e militar. Nasceu no dia 18 de setembro de 1862 em São Luís, no Maranhão. Foi apelidado de ‘Pensador’, em decorrência de sua ativa participação nos movimentos republicanos e por ter editado o jornal maranhense ‘O Pensador’.

Em 1887 chegou a Manaus, no Amazonas, onde serviu como tenente do Exército. Já na República, em 1890, foi convidado por Augusto Ximeno de Villeroy, que em 4 de janeiro tomou posse como governador do Amazonas, para compor a alta administração do estado como chefe de seu gabinete. 

Quando Villeroy deixou o cargo e se transferiu para o Rio de Janeiro, substituiu-o no governo. Eduardo Ribeiro tomou posse no dia 2 de novembro de 1890 e foi afastado do cargo em 4 de abril do ano seguinte. No entanto, retornou 12 dias depois após o apoio e mobilização popular.

Ao encerrar o mandato, foi promovido a capitão de 1ª classe e foi transferido para o Rio de Janeiro, onde também assumiu o posto de professor da Escola de Guerra. Voltou ao Amazonas em 1892 e propês a criação da primeira constituição estadual, com ideais republicanos e positivistas.

Em seu governo, Manaus passou por inúmeras transformações, especialmente porque a capital vivia em um momento financeiro positivo com a exportação da borracha e precisava atrair mão de obra e capital estrangeiro. Esse e outros fatores motivaram Eduardo Ribeiro a modernizar a cidade.

Assim, como governador do estado, ele foi responsável por agilizar e terminar a construção do Teatro Amazonas e muitas das outras obras de urbanização da cidade, entre elas o Reservatório do Mocó e o Palácio da Justiça, por exemplo.

Foram várias obras feitas e vale ressaltar que, no período de seu governo, o estado estava vivendo a Belle Époque, por isso, uma política de embelezamento, saneamento e desenvolvimento, tendo como norte a cidade de Paris (França), transformando Manaus na conhecida “Paris dos Trópicos”.

Ele morreu em Manaus, em circunstâncias não esclarecidas. Foi encontrado em 14 de novembro de 1900, sentado no chão da sua casa, de pijamas, enforcado. Na residência encontravam-se apenas policiais designados para sua tropa particular, afinal, o maranhense era deputado e presidente da Assembleia. O inquérito foi encerrado e a polícia classificou a morte como suicídio, mas acredita-se que o ex-governador possa ter sido envenenado. 

Estudo destaca aprendizados sobre sistemas de concessões florestais entre Brasil, Indonésia e Congo

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Trabalhadores em área de manejo florestal na Amazônia. Foto: Israel Palestina

O boletim “Concessões em Florestas Públicas Tropicais: um olhar para a cooperação baseada nos desafios em comum entre os países da Aliança BIC”, produzido pela iniciativa de Legalidade Florestal sob a coordenação do Imaflora, analisa como Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo (RDC) podem trocar experiências e fortalecer as concessões florestais como uma ferramenta de manejo sustentável e geração de renda. 

Com apoio da Good Energies Foundation, o estudo contextualiza os desafios compartilhados por essas nações, que juntas abrigam 540 milhões de hectares de florestas tropicais, mas enfrentam taxas alarmantes de desmatamento. Em 2021, essas bacias florestais perderam 2,3 milhões de hectares de florestas primárias, o equivalente a ¼ do desmatamento de florestas tropicais do planeta entre 2002 e 2022.e a equivale a ¼ do desmatamento de florestas tropicais do planeta entre 2002 e 2022. 

Contexto e objetivos do estudo 

A Aliança das Florestas, firmada em 2022 durante o encontro do G20 em Bali, formalizou a cooperação sul-sul entre Brasil, Indonésia e RDC. O estudo teve como foco as concessões florestais, um modelo que permite que empresas, cooperativas e associações de comunidades locais explorem, de forma sustentável, as florestas públicas por meio do manejo florestal. Essa abordagem promove tanto a conservação quanto a geração de benefícios socioeconômicos. “Nosso objetivo foi identificar desafios e oportunidades para fortalecer os sistemas de concessão, integrando experiências que contribuam para práticas mais inclusivas e eficazes”, explica Marco W. Lentini, um dos autores.

Além disso, a publicação destaca que o fortalecimento de concessões florestais não é apenas uma estratégia ambiental, mas também econômica.  

Metodologia: um olhar multidisciplinar 

O estudo foi desenvolvido com base em uma análise documental abrangente, entrevistas com 17 especialistas do setor florestal e um levantamento bibliográfico detalhado. Essas fontes permitiram traçar um panorama comparativo entre os sistemas de concessões florestais no Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo, destacando os desafios compartilhados e as particularidades de cada país. A metodologia adotou uma abordagem multidisciplinar, integrando perspectivas econômicas, sociais e ambientais para avaliar o impacto das concessões nas florestas tropicais e nas comunidades locais. 

Além disso, o boletim incorporou uma análise crítica das políticas públicas e dos instrumentos de gestão florestal vigentes nos países BIC. O objetivo foi identificar lacunas institucionais e propor caminhos para aprimorar a governança, a inclusão comunitária e a eficiência das concessões. “Esse olhar amplo foi essencial para criar recomendações que sejam tanto realistas quanto transformadoras”, explica Luísa Falcão, analista de políticas públicas do Imaflora e coautora do boletim. 

Achados revelam barreiras comuns 

O boletim destaca que, embora as concessões florestais tenham se consolidado como uma das estratégias mais eficazes para promover o manejo sustentável e combater a exploração ilegal, os sistemas vigentes no Brasil, Indonésia e República Democrática do Congo enfrentam desafios estruturais que limitam seu impacto. Uma das principais conclusões é que esses países compartilham barreiras comuns, como a falta de governança robusta, conflitos fundiários e a ausência de políticas públicas que priorizem a inclusão de comunidades locais. 

No caso do Brasil, apenas 1,3 milhão de hectares estão atualmente sob concessões florestais, muito abaixo da meta do Serviço Florestal Brasileiro, por exemplo, de chegar a 5 milhões de hectares no Brasil para esse modelo de manejo. Desde 2011, a produção total de madeira em tora dessas concessões foi de 2,4 milhões de m³, uma quantidade insuficiente frente à demanda nacional de 10 a 12 milhões de m³ anuais.  

Na Indonésia, 70% das florestas públicas estão sob concessões, mas a maioria é dominada por grandes empresas. “Apesar de avanços no mercado de carbono e na exportação de madeira legalizada para a União Europeia, o país enfrenta uma forte pressão do agronegócio, especialmente do cultivo de palma, que ameaça as áreas manejadas. Conflitos sociais e a falta de reconhecimento de direitos consuetudinários também são barreiras significativas”, conta Liviam Cordeiro-Beduschi. 

A RDC, por sua vez, apresenta um cenário mais crítico. Cerca de 90% da madeira explorada no país circula em mercados informais, sem qualquer tipo de regulamentação ou controle. Grandes companhias estrangeiras dominam as concessões, enquanto comunidades locais raramente são incluídas nas cadeias produtivas formais. “A governança na RDC é um desafio central. Sem mecanismos que garantam a rastreabilidade e a inclusão social, o modelo de concessões florestais enfrenta sérias limitações”, aponta Marco W. Lentini, um dos autores. 

O estudo também revelou que as três nações enfrentam dificuldades em diversificar o uso das florestas além da madeira. Produtos não madeireiros, como óleos, sementes e resinas, têm um grande potencial econômico, mas permanecem subexplorados devido à falta de infraestrutura e apoio técnico. Outro ponto comum é a necessidade de integrar as concessões a mecanismos globais, como o REDD+, para atrair financiamento e incentivar a conservação das florestas. 

Apesar das barreiras, o boletim destaca que há um espaço para melhorias, especialmente por meio da troca de experiências entre os países. A adoção de tecnologias de monitoramento, como satélites e sistemas de rastreabilidade digital, é apontada como uma solução compartilhada que pode fortalecer a transparência e combater a ilegalidade em larga escala. “Se conseguirmos alinhar as lições aprendidas nos três países, criaremos um modelo replicável de concessões florestais tropicais, com benefícios ambientais e sociais duradouros”, conclui Lentini. 

Propostas: uma agenda para a transformação 

As propostas são construídas a partir das melhores práticas observadas nos três países e buscam superar os desafios institucionais, sociais e econômicos que limitam o alcance das concessões. 

Um dos pilares das recomendações é o fortalecimento da governança florestal. O estudo sugere a criação de políticas públicas que integrem as comunidades locais nas cadeias produtivas de forma efetiva, reconhecendo seus direitos territoriais e garantindo acesso aos benefícios gerados pelas concessões. “É essencial que as concessões sejam mais inclusivas, transformando as comunidades em protagonistas da conservação e do manejo sustentável. Isso fortalece a floresta e melhora a qualidade de vida das pessoas que dependem dela”, destaca Maryane Andrade, coautora do boletim. 

A adoção de tecnologias de ponta é outra prioridade. Ferramentas como monitoramento por satélite, sistemas de rastreabilidade digital e drones são apontadas como soluções para aumentar a eficiência na fiscalização e garantir que a madeira comercializada seja de origem legal. No Brasil, por exemplo, plataformas como a Timberflow já demonstraram impacto positivo na rastreabilidade, mas ainda precisam ser ampliadas e integradas em escala nacional. 

O boletim também propõe ampliar a escala das concessões florestais, especialmente em áreas públicas subutilizadas. No Brasil, isso significa acelerar a liberação de editais para concessões de cerca de 5 milhões de hectares e criar modelos de concessão não onerosa que favoreçam comunidades locais. Na Indonésia e na RDC, é essencial que os governos priorizem a regularização fundiária e promovam mecanismos que evitem a concentração de terras em grandes empresas. 

Outro eixo importante é o financiamento de iniciativas sustentáveis, incluindo a integração das concessões florestais a mecanismos globais de pagamento por serviços ambientais, como o REDD+. Esse tipo de programa pode atrair investimentos internacionais, incentivando práticas de conservação e manejo responsável. “O futuro das concessões depende de sua capacidade de se conectar a mercados globais que valorizam a sustentabilidade e recompensam a conservação”, afirma Marco Lentini, autor do estudo. 

A diversificação de produtos florestais também é uma recomendação central. Além da madeira, produtos não madeireiros, como resinas, sementes e óleos essenciais, têm potencial para ampliar a geração de renda e reduzir a dependência econômica do setor madeireiro. Para isso, é necessário investir em infraestrutura, capacitação técnica e fomento ao empreendedorismo comunitário. 

Por fim, o boletim destaca a necessidade de fomentar a cooperação internacional. A troca de experiências entre Brasil, Indonésia e RDC pode acelerar a implementação de boas práticas, além de fortalecer o diálogo político em fóruns globais. “Esses países compartilham desafios semelhantes e têm muito a aprender uns com os outros. O alinhamento estratégico é uma oportunidade para criar um modelo global de concessões florestais tropicais”, conclui Lentini. 

De acordo com os autores, as recomendações apontam um caminho para transformar as concessões florestais em uma ferramenta efetiva de conservação e desenvolvimento sustentável, capaz de promover benefícios duradouros para as florestas e para as populações que delas dependem. 

*Com informações da Imaflora

Audiência pública em Santarém debate concessão florestal na região Mamuru-Arapiuns

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio) anunciou a realização da audiência pública no município de Santarém, no oeste paraense, para debater o pré-edital de licitação pública que visa a concessão florestal na região do Mamuru-Arapiuns. O evento acontecerá no próximo dia 22 de janeiro, das 8h30 às 12h, no Auditório da Secretaria Regional de Governo do Baixo Amazonas.

A concessão florestal integra uma das principais estratégias do Governo do Pará para o manejo sustentável e a conservação ambiental, conforme estabelecido pela Lei Federal nº 11.284/2006 e pela Lei Estadual nº 6.963/2007. O objetivo é garantir a exploração racional dos recursos florestais, promovendo desenvolvimento econômico e preservação ambiental na Região de Integração do Tapajós e Baixo Amazonas.

De acordo com o presidente do Ideflor-Bio, Nilson Pinto, a audiência pública será uma oportunidade essencial para assegurar a transparência e a participação popular no processo.

Detalhes

Durante o evento, serão apresentados detalhes do pré-edital, incluindo as Unidades de Manejo Florestal (UMFs), critérios técnicos de avaliação, indicadores de sustentabilidade e as espécies que poderão ser exploradas.

“Nosso foco é garantir que esse processo seja conduzido de forma técnica e responsável, respeitando a biodiversidade e promovendo o desenvolvimento local”, destacou a diretora de Gestão de Florestas Públicas de Produção do Ideflor-Bio, Ana Claudia Simoneti.

Foto: Bruno Cecim/Agência Pará

A audiência pública atende aos preceitos legais previstos no artigo 21 da Lei Federal nº 14.133/2021 e no artigo 8º da Lei Federal nº 11.284/2006, que determinam a realização de consultas públicas em processos de concessão florestal. O objetivo é fomentar o debate sobre os aspectos técnicos, sociais e ambientais do projeto, garantindo a ampla divulgação das informações e a participação de diferentes segmentos da sociedade.

Consulta

O pré-edital e seus anexos estão disponíveis no site oficial do Ideflor-Bio, permitindo que interessados tenham acesso prévio ao conteúdo e apresentem sugestões ou questionamentos durante o evento. A expectativa é que a audiência reúna representantes de comunidades locais, organizações ambientais, empresas do setor florestal e gestores públicos.

A concessão na região do Mamuru-Arapiuns reflete o compromisso do governo estadual com a implementação de políticas públicas voltadas para o uso sustentável da floresta, em uma área estratégica para a preservação da Amazônia. O modelo de concessão é visto como uma alternativa para combater o desmatamento ilegal, promovendo uma gestão equilibrada dos recursos naturais.

“Nosso compromisso é com a construção de soluções que atendam às necessidades econômicas e sociais das comunidades, sem comprometer a integridade ambiental. A audiência pública é o espaço para ouvirmos todos os envolvidos e ajustarmos o projeto às expectativas da sociedade”, ressaltou Nilson Pinto.

*Com informações do Ideflor-Bio

Fórum Estadual de Turismo é reativado no Amazonas para impulsionar o setor

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Foto: Lucas Silva/Amazonastur

O Governo do Amazonas, por meio da Empresa Estadual de Turismo (Amazonastur), anuncia a retomada  do Fórum Estadual de Turismo do Amazonas (Forestur), que tem como objetivo fortalecer políticas públicas e promover o desenvolvimento sustentável do turismo.

A reativação foi oficializada pelo Decreto nº 50.824, de 5 de dezembro de 2024, assinado pelo governador Wilson Lima. Sob coordenação da Amazonastur, o Fórum retorna como um espaço estratégico para contribuir com a Política de Desenvolvimento Turístico do Estado, além de apoiar o planejamento e a execução de ações que integrem os princípios ambientais, sociais e econômicos. 

A diretora de Turismo da Amazonastur, Emmanuelle Pampolha, destacou que a reativação é uma conquista para o turismo amazonense, promovendo um diálogo construtivo para a implementação de um plano de ação integrado.

O presidente do Amazonas Cluster de Turismo (ACT), Kleber Bechara, enfatizou a importância do Forestur como um espaço estratégico para fortalecer o turismo em todo o estado e promover o diálogo entre os diferentes agentes do setor.

“A reativação do Florestur é um marco para o turismo do Amazonas. Este fórum é fundamental para promover debates construtivos e definir ações práticas que beneficiem tanto o trade turístico quanto as comunidades locais. Esperamos que este espaço seja utilizado para validar propostas estratégicas e fortalecer o papel do turismo como uma matriz econômica sustentável no estado,” afirmou Bechara.

Foto: Marcio James/Secom AM

Com 31 instituições participantes, o Fórum terá reuniões ordinárias trimestrais, com uma reunião extraordinária adicional já marcada para fevereiro, tendo como pauta principal o remapeamento das regiões turísticas do Amazonas para atualização do Mapa do Turismo Brasileiro, programa instituído pelo Ministério do Turismo (Mtur).

Criado em 2004, o FET tinha como objetivo principal impulsionar a gestão integrada, cooperativa, compartilhada, democrática e descentralizada da Política Estadual de Turismo. Paralisado desde 2017, o Fórum passou por uma reestruturação com o decreto e agora conta com 31 instituições, tanto do setor público quanto privado, além da sociedade civil.

*Com informações da Agência Amazonas

Defensivos alternativos: uma maneira de afastar pragas sem agredir o meio ambiente

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Foto: Divulgação/Ideflor-Bio

Calda bordaleza, calda de fumo, plantas repelentes. Esses são alguns tipos de defensivos alternativos ou naturais que podem ser usados em plantações, sem causar danos ao meio ambiente. O uso desses produtos foi reforçado pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade do Pará (Ideflor-Bio), no dia 11 de janeiro, data em que é celebrado o Dia do Controle da Poluição por Agrotóxicos. 

Os agrotóxicos são utilizados em áreas de cultivo para combater pragas, fungos e outros tipos de agentes que destroem ou diminuem a produtividade da lavoura. Eles são divididos em cinco categorias, cada produto tem uma função específica. O manejo irregular desses produtos pode causar danos ao meio ambiente. 

Segundo a engenheira agrônoma e diretora de Desenvolvimento da Cadeia Florestal do Ideflor-Bio em exercício, Laura Dias, esses pesticidas deixam resíduos nas plantações e nos frutos.

Náuseas, diarréias, tontura e dificuldade de respirar são alguns dos efeitos dos agroquímicos no organismo. O acúmulo desses agentes químicos no corpo também pode causar leucemia, câncer de pele, alterações neurológicas e até mesmo levar à morte.

Alternativas

Por outro lado, os defensivos naturais são produtos que trazem benefícios para o produtor rural e consumidor. “Essa estratégia traz muitos benefícios porque não vai haver contaminação do solo e da água. Além disso, vai preservar a fauna e os mananciais”, complementou Laura Dias.

O engenheiro agrônomo e gerente do Escritório Regional do Xingu do Ideflor-Bio, Israel de Oliveira, comentou que esses agentes podem ser utilizados também para afastar insetos que afetam as lavouras, assim como fungos. “O óleo de nim, que é um extrato de azadiractina, é um óleo inseticida. Você vai aplicar e não vai ter um efeito colateral para o meio ambiente. Nós podemos usar o trichodermil, que é um controle biológico de fungo”, frisou. Ele ressalta, ainda, que é preciso ter atenção ao receituário de uso de cada defensivo natural, para manter a quantidade e a eficiência da ação desses produtos.

*Com informações do Ideflor-Bio