Home Blog Page 484

Preservação da Terra Indígena Munduruku protege os povos indígenas e a floresta

0

Foto: Mário Vilela/Funai

Operação de Desintrusão da Terra Indígena Munduruku, no Pará, contabiliza 419 ações de combate ao garimpo ilegal com a destruição de 91 motores, 27 retroescavadeiras, 53 acampamentos e veículos utilizados nas atividades ilegais. Com poucou mais de dois meses, a operação já causou um prejuízo financeiro acumulado aos criminosos que praticam o garimpo ilegal na terra indígena que ultrapassa R$ 97,5 milhões. Iniciada em 9 de novembro de 2024, a operação é realizada por mais de 20 órgãos do Governo Federal, entre eles, a Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), sob coordenação da Casa Civil.

Também foram apreendidos equipamentos eletrônicos e ferramentas logísticas utilizadas para sustentar as atividades criminosas. A operação enfrenta a migração de garimpeiros para áreas próximas, como a Área de Proteção Ambiental Tapajós, e as tentativas de burlar fiscalizações por meio de rotas alternativas e pequenos transportes.

Segundo a ministra dos Povos Indígenas, Sonia Guajajara, com essa iniciativa, o Brasil reafirma seu papel na proteção das florestas e dos povos indígenas.

Foto: Divulgação/Polícia Federal

O esforço para retirar ocupantes ilegais de áreas protegidas e impedir a exploração em terras indígenas é um passo para restaurar a justiça histórica e preservar a Amazônia como patrimônio da humanidade. É o que defende o coordenador-geral da Operação de Desintrusão da Terra Indígena Munduruku, Nilton Tubino.

Segundo ele, com a ampliação da presença do Estado na região, a operação também trouxe impactos para as comunidades locais. “O reforço da presença de agentes federais cria um ambiente de segurança e fortalece o tecido social da região, reduzindo as tensões provocadas por invasores e incentivando a reconstrução das dinâmicas comunitárias”, afirmou.

*Com informações da Funai

Manaus lidera em alertas de desastres naturais no Brasil

0

Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Em 2024, Manaus (AM) foi a cidade brasileira que mais emitiu alertas de desastres naturais, segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A capital amazonense lidera o ranking, com 50 alertas emitidos, seguida por Belo Horizonte e São Paulo, que tiveram 41 alertas cada.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O risco é real, como relata Fábio Melo, morador de uma área vulnerável: “Toda vez que chove a gente já fica preocupado”, disse ele, enquanto a estrutura de sua casa, localizada à beira do barranco, desmorona gradativamente.

Moradores de diversas áreas enfrentam problemas semelhantes, como a crescente cratera no Núcleo 23, que já dura quatro anos e continua sem solução, apesar das visitas técnicas.

Em outros locais da cidade, como o bairro Cidade Nova, são registrados 104 pontos de risco, conforme a Defesa Civil. A situação se agrava com os deslizamentos ocorridos no Monte das Oliveiras e na Colônia Terra Nova, que deixaram feridos no ano passado. A preocupação persiste, com os moradores ainda sem uma resposta efetiva das autoridades.

De acordo com o Cemaden, Manaus ocupa a oitava posição no ranking de municípios com maior número de ocorrências de desastres naturais, com 19 incidentes registrados, a maioria de origem hidrológica, como enchentes e enxurradas, seguidos pelos deslizamentos em áreas urbanas vulneráveis.

A situação, que se agrava com as chuvas intensas típicas deste período, é reflexo do crescimento urbano desordenado, levando muitas famílias a se estabelecerem em áreas de risco por falta de opções.

A Defesa Civil Municipal tem realizado adaptações para atender as demandas emergenciais, mas, como aponta a comerciante Amélia Alves, as promessas ainda não foram cumpridas. “Enquanto isso, os moradores ficam à mercê da situação”, lamentou.

Com o aumento da vulnerabilidade e a escassez de soluções definitivas, os moradores de Manaus seguem na expectativa de ações concretas para mitigar os riscos e proteger suas vidas e propriedades durante este período crítico de chuvas.

*Com informações da Rede Amazônica AM

Estudante amazonense conquista medalhas em Olimpíada Internacional de Física

0

Foto: Divulgação/Semcom Manaus

Aluna da Escola Estadual Maria Calderaro, localizada em Presidente Figueiredo, no Amazonas, a estudante Maria Eduarda Alves de Araújo, de 17 anos, conquistou a medalha de prata na Olimpíada Internacional de Física e Astronomia Copernicus, realizada em Houston (Texas), nos Estados Unidos. Única representante do Amazonas no evento, ela também garantiu o 3º lugar no ranking global.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

A competição, que incentiva alunos do 7º ano do Ensino Fundamental até a 3ª série do Ensino Médio de todo o mundo a se aprofundarem nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM), aconteceu de 5 a 10 de janeiro e envolveu exames, desafios interativos e questionários de excursão. Os participantes enfrentaram jogos de física, quebra-cabeças e desafios improvisados.

Para Maria Eduarda, a experiência foi inesquecível:

Durante sua estadia nos Estados Unidos, a aluna participou de visitas técnicas que enriqueceram seus conhecimentos, conhecendo planetários, museus, observatórios e o “Space Center” de Houston.

Ela também destacou a importância de participar de palestras com astrônomos, pois esse momento lhe permitiu visualizar de perto tudo o que havia aprendido em sala de aula.

Portal Amazônia responde: qual é a região do Salgado Paraense?

0

Foto: Divulgação/Alepa

A microrregião do Salgado Paraense é o nome dado para o conjunto de municípios do Nordeste do Pará que localizam-se no litoral paraense. A região recebeu esse nome por causa das cidades de Salinópolis e Vigia, entre a foz do rio Pará e a foz do rio Gurupi, com ecossistemas que incluem manguezais.

Leia também: Conheça os manguezais da Amazônia, o maior cinturão de manguezais do mundo

A região abrange 11 municípios da costa do estado: 

  • Colares
  • Curuçá
  • Magalhães Barata
  • Maracanã
  • Marapanim
  • Salinópolis 
  • São Caetano de Odivelas 
  • São João da Ponta
  • São João de Pirabas
  • Terra Alta 
  • Vigia
Imagem: edição sobre original de Raphael Lorenzeto de Abreu

O Salgado Paraense, compreende também as Reservas Extrativistas Mãe Grande de Curuçá, São João da Ponta, Caeté-Taperaçu, Tracuateua, Araí Peroba, Gurupi-Piriá, Chocoaré-Mato Grosso e Soure, que são predominantes entre as populações tradicionais, com atividades de artesanato, associada à pesca artesanal e à caça do caranguejo.

Tecnologias monitoram biodiversidade, árvores e ar da Amazônia

Foto: João Cunha

O canto dos pássaros. A vibração que a onça-pintada emite ao caminhar pela mata. A comunicação entre os pirarucus na profundeza dos rios. No interior da Amazônia, sons da floresta funcionam como uma orquestra harmônica. Mesmo ouvidos destreinados conseguem perceber a sinfonia. Mas, se um dos “instrumentos” desafina ou para de tocar, o descompasso também é evidente.

📲 Confira o canal do Portal Amazônia no WhatsApp

O pesquisador Emiliano Ramalho coordena o Projeto Providence, que monitora espécies amazônicas. Foto: Marcello Nicolato

A analogia entre a música e a biodiversidade amazônica é do biólogo carioca Emiliano Ramalho, de 46 anos, que mora há mais de duas décadas na floresta. É a melhor forma que ele encontrou para explicar como o monitoramento contínuo dos animais ajuda a avaliar o funcionamento do ecossistema e se há sinais de alerta.

Ramalho é diretor técnico-científico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, na cidade de Tefé, no Amazonas, uma entidade vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI). Ele coordena desde 2016 o Projeto Providence, que usa sistemas automatizados de som e imagem para estudar as espécies amazônicas. São mais de 40 sensores espalhados pela floresta, que realizam monitoramento em tempo real, 24 horas por dia e sete dias por semana.

Cientistas do Instituto Mamirauá investigam comportamentos das onças-pintadas na Amazônia. Foto: Emiliano Ramalho

Emiliano Ramalho já trabalhou especificamente com a contagem de pirarucus, no início da carreira, e depois se tornou um dos maiores especialistas em ecologia e biologia de onças-pintadas, principalmente em ambientes de várzea. Em um cenário que sofre inundações durante três a quatro meses por ano, o felino se adapta e passa a viver no topo das árvores. O comportamento foi registrado cientificamente pela primeira vez pelo pesquisador.

O biólogo costuma dizer que a “onça-pintada é fundamental para a conservação da floresta e a floresta é essencial para a sobrevivência da onça-pintada”. Nesse sentido, o equilíbrio social e natural passa, necessariamente, por estratégias de conservação da biodiversidade amazônica. É esse trabalho, aperfeiçoado pelos instrumentos tecnológicos, que move Ramalho a acreditar em um futuro melhor.

Ecologia digital

Uma outra forma de entender as dinâmicas climáticas da Amazônia é olhar para árvores e vegetações. Esse tem sido o caminho percorrido pelo cientista paulista Thiago Sanna Freire Silva, ecologista digital, como gosta de se intitular, que leciona informática ambiental na Universidade de Stirling, na Escócia, e coordena projetos de monitoramento de florestas inundáveis.

O foco principal do cientista está em entender como mudanças na hidrologia, no nível da água durante secas e cheias, afeta o ecossistema, principalmente em um cenário em que esses fenômenos se tornaram mais extremos. Para ter uma visão analítica mais ampla, ele escaneia extensões grandes da floresta com a tecnologia light detection and ranging (Lidar), um sensor capaz de emitir lasers, mapear e gerar cenários em 3D.

Ecologista digital, Thiago Silva dá aulas de informática ambiental na Universidade de Stirling, na Escócia. Foto: Tânia Rêgo

O cientista explica que a análise ajuda a entender os padrões em níveis macroestruturais, a partir de grandes escalas e padrões de funcionamento da floresta. E que os resultados são aprimorados ao dialogarem com os estudos em nível micro e local. Diante do ritmo acelerado de impactos e prejuízos ao ecossistema, é preciso pensar primeiro em adaptações, antes de vislumbrar regenerações ambientais.

“Um dos grandes problemas dessas grandes crises climáticas é que a gente não tem como frear, pela velocidade e o tamanho delas. Só o que a gente pode fazer é se adaptar, entender melhor o que está acontecendo e conseguir prever com antecedência como essas mudanças vão se acumular ao longo das décadas. Assim, podemos pensar em estratégias melhores de como preservar essas florestas e ajudar as pessoas que dependem desses ambientes”, projeta Silva.

Ao rastrear a saúde das zonas úmidas durante anos, o cientista distingue as áreas que precisam ser protegidas antes que os danos se tornem irreversíveis. Enquanto há estudo, há esperança.

“Qualquer cientista que trabalha com ecologia e mudanças climáticas vive uma montanha-russa de sentimentos. Em alguns momentos, você fica completamente pessimista. Em outros, tem uma explosão de otimismo. O mais importante é que a gente tem buscado engajamento com as comunidades locais, as pessoas que têm maior capacidade de realmente proteger e fazer diferença. E que às vezes podem até não perceber o poder que elas têm”, diz o pesquisador.

Floresta estressada

No caso da cientista Luciana Gatti, os sinais do desmatamento e da crise climática são percebidos no ar. Ela é química e coordena o Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Desde 2003, atua em pesquisas na área de mudanças climáticas, com foco no papel da Amazônia na emissão e absorção de carbono.

Cientista Luciana Gatti coordena o Laboratório de Gases de Efeito Estufa (LaGEE) do Inpe. Foto: Luciana Gatti/Arquivo Pessoal

A medição das emissões de gases do efeito estufa começou em 2004, na Floresta Nacional do Tapajós, no Pará. A partir de 2010, conseguiram expandir os trabalhos para outras localidades da Amazônia. Aviões de pequeno sobrevoam pontos específicos da floresta, onde amostras de ar são coletadas e armazenadas em frascos, para posterior análise em laboratório.

Com isso, poderia ser calculado se a floresta estava se comportando como fonte ou sumidouro de carbono. Ou seja, se ela mantinha a capacidade de absorver mais gases do efeito estuda do que eram emitidos.

“A primeira constatação foi a de que uma região da Amazônia é muito diferente da outra. A maior parte dos cientistas usa um número ou uma taxa e aplica para o bioma inteiro. Vimos que, quanto mais desmatada a floresta, mais a região tinha perdido volume de chuva e aumentado a temperatura ao longo de 40 anos. E isso acontecia principalmente durante a estação seca, especificamente entre os meses de agosto a outubro, no período da seca. Desmatamento não é só perda de carbono e emissão de gás estufa. É também mudança da condição climática para a floresta que ainda não foi desmatada”, explica Luciana.

Em outras palavras, a floresta que está sendo modificada pelo desmatamento ao redor vive em uma situação de “estresse”.

Malas de amostragem da coleta de carbono na Amazônia. Foto: Luciana Gatti

Em um cenário ideal, o balanço de carbono da Floresta Amazônica deveria ser neutro, com equilíbrio entre emissões e absorções. Mas, com o desmatamento, a própria floresta passa a ser fonte de carbono e perde a capacidade de regular o clima. Segundo a cientista, não há outra solução a não ser interromper a destruição e priorizar projetos de restauração florestal.

“Nós precisamos de um plano de sobrevivência para restaurar as áreas perdidas da Amazônia. Eu tenho uma sugestão: vamos colocar como meta reduzir o rebanho bovino brasileiro em 44%, já que é a principal causa de emissão de gases estufa e a maior parte do desmatamento vira pasto”, defende Luciana. “Nosso plano de sobrevivência é plantar árvore. É ela que vai abaixar a temperatura, nos proteger das ondas de calor, dos eventos extremos. Quem disse que destruir a floresta é progresso é ignorante. A salvação dos brasileiros passa por salvar a Amazônia. Sejamos todos ativistas”, defende a pesquisadora.

Série sobre a Amazônia

A reportagem faz parte da série ‘Em Defesa da Amazônia’, que abre o ano da 30ª Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas (COP30), a ser realizada em Belém, em novembro deste ano. Nas matérias publicadas na Agência Brasil, povos da Amazônia e aqueles diretamente engajados na defesa da floresta discutem os impactos das mudanças climáticas e respostas para lidar com elas.

*O conteúdo foi publicado pela Agência Brasil, escrito por Rafael Cardoso (A equipe viajou a convite da CCR, patrocinadora do TEDxAmazônia 2024)

Empresários da Amazônia buscam protagonismo na COP30

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A menos de um ano da realização da 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), entre 10 e 21 de novembro, a cidade de Belém (PA) passa por uma transformação na sua infraestrutura e oferta de serviços. Assim como suas vias, prédios e praças, micro e pequenos empreendedores também se preparam para receber os visitantes e oferecer o melhor da já tradicional hospitalidade amazônica.

Novas tecnologias na moda, produção de biojoias associada ao reaproveitamento, inovação em artigos de decoração com matéria-prima da Amazônia são alguns dos produtos que serão apresentados aos visitantes que chegarão ao estado do Pará para a conferência global do clima.

O governo brasileiro espera receber cerca de 100 mil visitantes ao longo das duas semanas de conferência, entre chefes de Estado, participantes e turistas que pretendem visitar a cidade no mesmo período. Em 2024, Baku, no Azerbaijão, recebeu 54.148 participantes presenciais entre delegações, observadores, convidados e equipe de suporte inscritos na COP29.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Atualmente, Belém possui 18 mil leitos em hotéis e deve alcançar 22 mil nos próximos meses com a inauguração de novas unidades já em construção. O secretário extraordinário para a COP30, Valter Correia, declarou que, além das iniciativas do empresariado paraense, o governo federal garantirá a construção de 500 apartamentos modulares no padrão cinco estrelas, além da disponibilização de dois navios utilizados em cruzeiros internacionais com capacidade de acomodar até 5 mil pessoas.

O número de unidades de hospedagem em residências e locais para temporada nos aplicativos mais utilizados no país também crescem a cada dia. São espaços que já eram usados para hospedagem de visitantes em festividades como o Círio de Nazaré, quando a cidade reúne milhares de turistas do próprio estado e de outras cidades brasileiras, principalmente. Em 2023 foram 80,5 mil turistas, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese-PA).

Capacitação

O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), por exemplo, firmou parceria com um dos aplicativos para capacitação dos proprietários desses espaços e, apenas em 2024, o número de anfitriões na plataforma subiu de 700 para 3,5 mil, informou a instituição.

Uma dessas empresárias é Betty Saldarriaga, que é proprietária de um spa com hospedagem pós-cirurgia plástica. Ela possui unidades tipo suítes duplas, com duas camas de solteiro, que resolveu disponibilizar também para o turismo, inicialmente durante o Círio de Nazaré.

Segundo Betty, a capacitação recebida pelo Sebrae foi fundamental para diversificar a oferta de seu negócio, partindo também para a hospedagem de turismo por meio de uma plataforma. O modelo de negócio era desconhecido pela empresária. “Quando eu fui atender uma paciente, ela me passou o endereço, eu fui até ela. E quando eu cheguei lá, ela me disse que o apartamento não era dela, que ela não estava muito confortável, porque o apartamento não estava oferecendo muitas condições para ela. Aí me explicou e me mandou o nome da plataforma e eu procurei o Sebrae para entender melhor”, lembra.

Após a capacitação, Betty passou a disponibilizar as unidades com agenda de atendimento livre nas ocasiões em que a cidade de Belém tem aumento na demanda por hospedagem turística, como a COP30. “Todo mundo está falando aqui em Belém sobre isso. Inclusive eu estou indicando pessoas que têm suas casas, esses apartamentos, algum imóvel, para aproveitarem a oportunidade e receberam essas pessoas. Eu acho que vai ter bastante gente que vai ajudar bastante como no Círio”, diz.

De acordo com Magno, somente em 2024, o Sebrae realizou 18 mil atendimentos de empresas, dos setores de hospitalidade, alimentos e bebidas, mobilidade e economia criativa, interessadas em se preparar para a COP30. “As empresas nos procuram em busca de orientações em assuntos como gestão financeira, precificação, estoque e atendimento, mirando o aumento de demanda que já chegou a seus negócios com a visibilidade trazida pela conferência da ONU”, diz.

Foto: Divulgação

Inovação

Uma dessas empresas é da design Nilma Arraes, que produz biojoias e objetos autorais com responsabilidade ambiental. A empresária, que já passou por várias capacitações e também atua como consultora do Sebrae, vem inovando no reaproveitamento de materiais descartados de forma abundante na região. “O foco do meu produto, desde sempre, ele tem tudo a ver com a COP, porque eu trabalho a sustentabilidade e o social também, além de eu trabalhar o meio ambiente. O meu trabalho é focado em não usar material que vai destruir e sim em reaproveitar aquilo que iria para o lixo”, explica.

Partindo dessa ideia, Nilma desenvolveu uma matéria-prima chamada Maria, uma abreviação para mistura de açaí com resina e insumos da Amazônia, com a qual produz biojoias e outros acessórios. Para a COP30, lançou a linha de luminárias, chamada Luz de Rios, elaboradas a partir do reaproveitamento de escamas do peixe pirapema, muito presente na costa paraense e consumida na culinária regional.

A estilista Val Valadares foi além e fez uma parceria com outra empresa paraense, responsável por iniciar um novo ciclo da borracha na Amazônia, e juntas lançaram uma coleção de moda feita de látex.

A empresa parceira trabalha com 1.570 famílias de seringalistas, na Ilha do Marajó, a partir de tecnologias sociais que profissionalizam, comercializa biojoias de látex produzidas por mulheres de seringueiros e fornecem matéria prima para indústria de calçados. “Todo seringueiro cadastrado nesse processo, ele põe uma etiqueta lá no Marajó, quando ele pesa o produto. Ela vem com o nome dele direitinho, chega aqui na fábrica, a gente pesa, confere a qualidade da borracha e deposita o dinheiro”, explica Francisco Samonek, coordenador do projeto que estruturou a marca.

Segundo Francisco, a capacitação oferecida pelo Sebrae permitiu que a marca se estruturasse com registro, inserção no mercado, divulgação e precificação, por exemplo. Também foi o ponto de conexão entre as duas marcas. “Estamos trabalhando para capacitar os pequenos negócios locais para que quem venha ao Pará tenha acesso às belezas e riquezas da floresta pelas mãos de quem vive dela.”, reforça Rubens Magno.

Protagonismo


Os empresários também esperam o protagonismo na COP30. A estilista Val Valadares conta que, além de elevar o padrão da costura na Amazônia, sonha abrir um ateliê escola, para multiplicar receita de uma marca que iniciou na comunidade Quilombola Jacundaí, no município de Moju, e que já alcançou as passarelas da Semana de Moda em Milão.

Nilma também tem projetos de expandir os negócios e envolver ainda mais gente na cadeia produtiva de suas criações. “Eu movimento seis pessoas que trabalham como ourives, além de comprar as escamas de um fornecedor de pescados, mas já trabalhei com outros profissionais que me ajudaram em momentos diferentes”, diz.

O protagonismo de quem produz e protege a Amazônia, também é o reconhecimento aguardado por Francisco. “A nossa expectativa maior é fazer nossa apresentação no mercado internacional. A gente está apostando muito na COP com uma grande oportunidade de a gente ser visto”, conclui.

*Com informações da Agência Brasil

Parque Ambiental Chico Mendes: conheça o refúgio de biodiversidade em Rio Branco

0

Foto: Reprodução/Prefeitura de Rio Branco

O Parque Ambiental Chico Mendes (PACM), localizado em um espaço de 57 hectares que preserva uma grande porção da floresta amazônica, é um tesouro natural que convida a comunidade a explorar, aprender e se conectar com a biodiversidade regional. Inaugurado em 2 de julho de 1996, em Rio Branco (AC), o parque é uma homenagem viva ao líder seringueiro Chico Mendes, cuja luta pela preservação dos povos da floresta e pelo manejo sustentável dos recursos naturais marcou a história do Brasil e do mundo.

Mais do que um espaço de lazer, o parque é um laboratório vivo de conservação ambiental. O local abriga fauna e flora amazônica essenciais como marcadores da qualidade ambiental da região. Seu zoológico, por exemplo, é lar de 276 animais, incluindo 33 espécies de mamíferos, aves e répteis típicos da Amazônia, proporcionando uma oportunidade única para a comunidade científica, pesquisadores e estudantes explorarem a biodiversidade local.

Além disso, o parque se destaca por seu compromisso com a preservação dos recursos naturais e pela disseminação de práticas sustentáveis. O espaço colabora com iniciativas de manutenção de um banco genético de espécies regionais, um projeto que busca proteger a riqueza biológica da floresta.

Foto: Reprodução/Prefeitura de Rio Branco

Educação

O parque tem como missão sensibilizar as atuais e futuras gerações sobre a importância da preservação ambiental. Para isso, promove programas de educação ambiental que combinam aprendizado com experiências práticas em meio à natureza.

O espaço é planejado para receber visitantes de todas as idades, oferecendo infraestrutura completa com administração, área de alimentação, estacionamento para 300 veículos, banheiros acessíveis e diversos ambientes de convivência.

Entre as atrações, destacam-se trilhas ecológicas, áreas para piqueniques, uma réplica de uma casa de seringueiro, uma maloca indígena e lendas da floresta, além de uma academia ao ar livre e espaços recreativos para crianças.

Memorial

Um ponto de visita imperdível é o Memorial Chico Mendes, onde os visitantes podem aprender mais sobre a vida e o legado do seringueiro. O memorial celebra a luta de Chico Mendes pela preservação da floresta amazônica e pelos direitos das populações tradicionais.

Visitar o parque é uma oportunidade de se reconectar com a natureza e compreender o papel que cada pessoa desempenha na preservação ambiental.

O Parque Ambiental Chico Mendes está localizado na Rodovia BR-317, km – 02 – Vila Acre. O horário de funcionamento é de terça-feira a domingo, das 6h às 17h. Informações pelo telefone (68) 3221-0961.

Você conhece a origem do bairro Praça 14 de Janeiro em Manaus?

0

Praça 14 de Janeiro: História de um bairro que surgiu da revolta popular e já teve três nomes. Foto: Willian Duarte/Rede Amazônica AM

Berço do samba, símbolo de devoção a Nossa Senhora de Fátima e referência no comércio automotivo, o bairro Praça 14 de Janeiro, na Zona Sul de Manaus (AM), celebroa 141 anos em 2025. Criado após uma revolta contra o governo, o bairro teve pelo menos três nomes antes de voltar ao original, em 1950.

No livro ‘Bairros de Manaus’, o historiador Gaetano Antonaccio relata que o bairro tem uma forte conexão histórica com a revolta popular de 1892, que resultou na deposição do governador Gregório de Azevedo. Sob a liderança do senador Almino Affonso, do empreiteiro Leonardo Malcher e do ex-governador Lima Bacuri, a população exigiu mudanças devido à insatisfação com a administração, marcada por atrasos salariais e descaso com a população local.

“A alegação era de que o governador estava com o pagamento do funcionalismo público em atraso, sem dar assistência compatível com a riqueza da borracha aos moradores da capital e do interior, além de não cumprir compromisso financeiro com os fornecedores do estado”.

No ápice do confronto de 14 de janeiro de 1892, Almino Affonso foi ferido, um soldado da Polícia do Amazonas foi morto com um tiro no peito, e diversos civis foram perseguidos pelas forças de segurança.

Foto: Matheus Castro/Rede Amazônica AM

Bairro já teve três nomes

De acordo com o historiador, o bairro Praça 14 de Janeiro teve pelo menos três nomes ao longo de sua história:

  • O bairro começou como “Praça 14”, nome dado pelos moradores após a revolta de 1892 contra o governo de Gregório de Azevedo.
  • Em 1912, passou a se chamar “Praça Dr. Pedrosa”, em homenagem ao governador Jonatas Pedrosa.
  • Em 1939, foi renomeado para “Praça Portugal” pela Colônia Portuguesa no Amazonas.
  • Em 1950, retornou ao nome original, “Praça 14 de Janeiro”, por meio da Lei n. 257, atendendo a um desejo dos moradores.

Berço do Samba e Centro de Tradição Religiosa

A Praça 14 de Janeiro é marcada pela histórica Igreja de Nossa Senhora de Fátima, um dos templos católicos mais antigos de Manaus. Além disso, o bairro é reconhecido como o “Berço do Samba”, por ser o palco da fundação da Escola de Samba Vitória Régia, celebrando a tradição do carnaval manauara e mantendo viva sua importância cultural.

A Paróquia de Fátima, que celebrou 50 anos em 2024, tem suas raízes em 1939, quando fiéis já se reuniam no local para devoções e missas. Só após anos de devoção, o local foi reconhecido oficialmente como uma comunidade pela Arquidiocese de Manaus.

“Com a construção de uma capela toda em madeira no ano de 1939, no dia 13 de maio, em homenagem à Nossa Senhora de Fátima, foi celebrada a primeira missa no bairro, comemorando-se a construção do Santuário de Fátima”.

Foto: Willian Duarte/Rede Amazônica AM

Embora a Escola de Samba Vitória Régia seja atualmente a mais representativa da Praça 14, o bairro já teve outras agremiações, como a Escola Mista da Praça 14, fundada em 1947. Essa escola iniciou os desfiles na Avenida Eduardo Ribeiro, conquistando o título de campeã no mesmo ano. A Vitória Régia, por sua vez, estreou no Carnaval de 1976, consolidando-se como um dos pilares do samba local.

Foi no local onde hoje está a escola de samba que os moradores da Praça 14 se reuniam inicialmente para as reivindicações do bairro.

“A região era conhecida como Jaqueirão, onde os moradores se reuniam para as reivindicações”, conta o historiador.

A Praça 14 também abriga o quilombo centenário São Benedito, um símbolo da luta e resistência dos moradores descendentes de escravos do Maranhão. Este é o primeiro território quilombola urbano da Amazônia, preservando a história e cultura de seus ancestrais.

Referência no comércio automotivo

A Praça 14 também é conhecida como um importante centro comercial, com destaque para as lojas de revenda de carros e acessórios automobilísticos. A Avenida Tarumã, uma das principais vias do bairro, concentra centenas de estabelecimentos desse segmento, tornando a área um reduto de negócios no setor automotivo.

O bairro Praça 14 também abriga escolas como Plácido Serrano, Primeiro de Maio e Luizinha Nascimento, além de ser sede de importantes instituições públicas, como a Procuradoria Geral do Estado (PGE) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT-AM). O local também guarda o barracão da Escola de Samba Meninos Levados, tornando-se um centro de educação, cultura e administração pública em Manaus.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Desafio do tamanho de uma floresta: competição internacional estimula criação de tecnologias na Amazônia

Brazilian Team conquistou a terceira colocação na competição internacional Xprize Rainforest. Foto: Divulgação

Uma competição internacional, uma equipe brasileira e um horizonte de desafios para pesquisadores do Instituto de Biologia da Unicamp (IB) na floresta amazônica. A bióloga do Museu da Diversidade Biológica do IB, Simone Dena, os professores do IB André Freitas e Luiz Felipe Toledo e o doutorando Axel Minouwa, também do Instituto, integraram o Brazilian Team, formado por mais de cem pesquisadores de universidades brasileiras e terceiro colocado na Xprize Rainforest.

A competição internacional estimula o desenvolvimento de tecnologias para o mapeamento da biodiversidade de florestas tropicais e, durante cinco anos, promoveu a investigação sobre a relação entre a biodiversidade e as mudanças climáticas. A última etapa foi em julho de 2024 e reuniu quase 300 equipes de pesquisa de 70 países.

Saiba mais: Equipe brasileira é premiada na competição internacional Xprize Rainforest

Realizada na floresta amazônica, esta etapa envolveu a disputa pela documentação de espécies em 24 horas; muitas ainda desconhecidas da ciência, como as duas que o grupo coordenado por Dena identificou. A pesquisadora trabalha com bioacústica, uma ciência que estuda os sons emitidos por animais, e na Unicamp também realiza pesquisas na Fonoteca Neotropical Jacques Vielliard.

O convite para participar da equipe brasileira veio da necessidade de auxílio na captação e na análise dos sons de animais na floresta Amazônica. “Sabemos que são espécies novas, porque já existem estudos que demonstram que são. Agora o trabalho é fazer a descrição formal dessas duas espécies”, afirma. Como a pesquisadora não coletou exemplares das novas espécies, apenas seus sons, a suspeita é que pertençam ao grupo dos anfíbios.

Durante os experimentos na floresta, foram aplicadas tecnologias de ponta para realizar as amostragens de forma rápida e remota, por meio de processos automatizados e de inteligência artificial. Sensores, coletores, drones e até robôs adentraram a floresta, criando cenas próximas às dos filmes de ficção científica, que mostram objetos não identificados em ambientes remotos.

Os pesquisadores realizaram o mapeamento de espécies em cem hectares de floresta sem a presença humana e se concentraram na comunidade do Tumbira, reserva de desenvolvimento sustentável do Rio Negro. Foram coletadas amostras de espécies e vestígios de DNA em cursos d ‘água, no dossel das árvores e em áreas de serapilheira, forração de folhas e galhos que se depositam naturalmente sobre o solo. As informações foram relatadas em 48 horas, e, além de três espécies novas, foram identificados 266 animais, como preguiças, macacos, morcegos, peixes e insetos já descritos pela ciência e até mesmo espécies em escala microscópica, como as que Minowa estuda. “São os bichos de que ninguém gosta, mas geralmente são indicadores de que o ambiente é saudável”.

A observação de Minowa revela a importância de investigar os impactos das mudanças climáticas sobre a biodiversidade amazônica, um dos principais objetivos da competição internacional. Mas, na opinião de Freitas, é preciso dar um passo ainda mais importante antes desta investigação, trabalhando na contagem e na identificação de espécies que estão com o tempo contado de existência.

“Trabalhos mostram quantos pesquisadores precisam trabalhar continuamente, por décadas, para descrever toda a diversidade biológica. Temos que correr contra o tempo, porque algumas espécies estão em museus para serem descritas, mas já estão extintas na natureza”, afirma.

Freitas e outros colegas do IB realizaram à distância o levantamento de borboletas e mariposas encontradas nas 24 horas da última etapa da competição. Muitas delas têm exemplares expostos no museu no IB, mas a maior parte ainda precisa passar pelo processo de identificação. Entre estas, o pesquisador tem a expectativa de encontrar espécies ainda não descritas, principalmente mariposas.

Trata-se de um trabalho que não tem prazo para ser concluído, assim como a descrição das novas espécies encontradas pelo grupo da bioacústica. De concreto, fica a certeza de que a troca de experiências entre pesquisadores de vários países e universidades e o acesso a novas tecnologias são essenciais para a execução de uma tarefa tão complexa e desafiadora quanto fascinante, como o mapeamento da biodiversidade das florestas tropicais e os impactos das mudanças climáticas.

“Certamente, o projeto que nos levou ao terceiro lugar já contribuiu com informações importantes, mas é preciso saber quantas espécies existem, e, depois disso, podemos começar a pensar no que está acontecendo ao longo do tempo”, conclui Freitas.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal da Unicamp, escrito por Hebe Rios

Amazonas FC terá o treinador mais velho do Brasil em 2025

0

O técnico mais longevo do futebol brasileiro, Aderbal Lana, de 78 anos, foi anunciado pelo Amazonas FC. Conhecido como a “Velha Raposa”, o treinador falou pela primeira vez sobre a aposentadoria que, segundo ele, é uma ideia que vem sendo cogitada há alguns anos. Nas palavras de Lana, o Amazonas, seu décimo clube no futebol amazonense, deve ser o último da carreira.

O treinador mineiro, radicado no Amazonas, é o técnico com mais títulos estaduais do Brasil. Lana levantou 10 taças do Barezão, no comando de quatro clubes: Nacional, Rio Negro, São Raimundo e Manaus.

Este ano, ele volta a treinar um time da Série B do Brasileiro, que também irá disputar a Copa do Brasil e a Copa Verde. A poucos dias da estreia na temporada, Lana encara os desafios com uma certa naturalidade.

A segundo Lana, expectativa é na maior naturalidade possível porque a gente já está acostumado com isso. E aqui no Amazonas, esse ano, é uma montagem de equipe. Sabemos que a maioria dos jogadores foi embora, outros chegaram. O tempo está um pouco curto para o que nós queremos, mas estamos trabalhando para que tenhamos uma equipe forte.

Sabedoria para encarar as críticas

Antes de ser anunciado oficialmente, os bastidores do Amazonas indicavam a chegada do experiente treinador. A decisão pela escolha do nome gerou críticas internas e externas. Algo com que Lana se acostumou a lidar com o tempo.

Tenho muito desafeto no futebol, porque nunca deixei de falar o que sinto e nunca deixei de tomar posição quando sito que tenho que tomar.

Quando perguntado se o torcedor poderia presenciar a cena clássica do treinador fumando um cigarro à beira do campo, Lana não hesitou em responder.

Na beira do gramado, tenho respeitado as leis do futebol. Não pode. Mas quando estou folgado, se quiser fumar, é um atrás do outro- completou ele.

Aderbal Lana estreia no comando do Amazonas contra o Sete FC, no dia 25 de janeiro, às 15h30, no estádio Larissa Silva, em Presidente Figueiredo, (de Manaus), pela primeira rodada do Campeonato Amazonense 2025.

*Por Bruno Rodrigues, da Rede Amazônica AM