O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou ação civil pública, com pedido liminar, para que seja determinado o controle e a erradicação de búfalos na região da Reserva Biológica Guaporé (Rebio Guaporé), no oeste rondoniense. Na ação, o MPF lembra que o crescimento desordenado da espécie já traz danos ambientais e pode trazer riscos econômicos e sanitários.
A população de búfalos, que soma mais de 5 mil animais e ocupa 12% da reserva, não é vacinada e nem está submetida a controle sanitário. Nesse sentido, o procurador da República autor da ação, Gabriel Amorim alerta que, “a existência descontrolada desses animais, inclusive, pode manchar a credibilidade da cadeia da pecuária de Rondônia, prejudicando gravemente a economia local”.
O MPF pede que o um plano de controle utilize métodos que causem o menor sofrimento possível aos animais e danos colaterais ao meio ambiente.
De acordo com a ação, os búfalos exóticos foram introduzidos, em 1953, na antiga Fazenda Pau D’óleo, de domínio do então Território Federal do Guaporé, hoje domínio do estado de Rondônia. Contudo, a fazenda foi abandonada e 36 animais se reproduziram livremente em um habitat com farto alimento e nenhum predador. Estima-se que, até 2030, essa população chegue a 50 mil e ocupe mais da metade da área da Rebio.
Impactos ambientais
Além dos riscos sanitários e econômicos, o MPF adverte que a presença desses animais na Rebio Guaporé coloca em risco o meio ambiente. Segundo a ação, a presença dos animais vem compactando o solo, causando desertificação e desviando cursos hídricos. Os búfalos também disputam recursos com o cervo do pantanal, uma espécie ameaçada de extinção.
O MPF mostra que os ambientes alagados foram reduzidos em 48% nos últimos 34 anos em decorrência do pisoteamento e abertura de canais com erosão e compactação do solo, causados pelos búfalos.
A situação é conhecida desde 2008, quando o Ministério Público do estado e outros órgãos locais visitaram a área para atender a uma denúncia de que estavam sendo realizadas intervenções em sítios arqueológicos na região. Os agentes não encontraram sinais de intervenções humanas, mas foi possível constatar a presença de vestígios de búfalos selvagens, fato que poderia causar danos ao sítio arqueológico em razão de suas pisoteadas, da consequente erosão, desvio de corpos hídricos, entre outros problemas. Desde então foram feitas várias reuniões e tratativas para tentar solucionar a questão.
Pedidos
A ação civil pública pede que a Justiça Federal determine ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e ao Estado de Rondônia uma série de medidas. Se condenado, o órgão deverá apresentar, em até dez meses, um plano de controle e erradicação dos búfalos na Rebio Guaporé e região, utilizando métodos que causem o menor sofrimento possível aos animais e danos colaterais ao meio ambiente.
Já o estado de Rondônia deverá executar o plano usando recursos financeiros, humanos (servidores públicos) e equipamentos, sob comando do ICMBio. Por fim, o governo rondoniense deverá dispor de recursos para a elaboração e execução de um plano de recuperação de área degradada, mediante aprovação e gestão da autarquia federal.
Inicialmente, a ação foi endereçada à 2ª Vara de Ji-Paraná, mas o MPF solicitou a redistribuição para a 5ª Vara da Seção Judiciária de Rondônia, que trata de questões ambientais no estado.
O projeto Escola Vai ao Mangue, promovido pelo Instituto Peabiru com apoio da Petrobras, leva estudantes para vivências práticas no maior manguezal contínuo do planeta, localizado na costa amazônica.
A região traz benefícios ambientais, como lembra Marcos Fernandes, coordenador do Laboratório de Ecologia dos Mangues da Universidade Federal do Pará (UFPA):
“Essa região é de grande importância ecológica, ela é de grande importância socioeconômica e de grande importância cultural. Do ponto de vista ecológico, eles servem como berçários para diversas espécies marinhas e terrestres. Nas espécies marinhas, inclui os peixes, os crustáceos, todos os mariscos que a gente pode observar em áreas de manguezal e é essencial para a biodiversidade e da pesca local”.
Durante as atividades de projetos nos mangues paraenses, os alunos têm a oportunidade de interagir diretamente com o ecossistema, conhecendo espécies como o mangue vermelho, o mangue preto e o mangue branco, além de animais como o caranguejo-uçá.
O manguezal da costa amazônica, que se estende por 679 quilômetros entre o Pará e o Maranhão, é o maior do mundo em extensão contínua. Esse ecossistema mistura água doce e salgada, abriga espécies como o turu, um molusco, e o ajuru, fruto, fundamentais para a cultura alimentar e economia local.
John Gomes, gestor do projeto Mangues da Amazônia, do Instituto Peabiru, comenta a necessidade de conhecer a realidade local.
“Conhecer esse ecossistema, conhecer as pessoas que interagem, como esse meio ambiente interage entre si, é muito importante. Então, estudar os manguezais antes mesmo de aplicar um projeto nessas comunidades e nessa região costeira é de suma importância, porque a gente vai ser assertivo no momento de fazer alguma intervenção nesse ecossistema”.
Em ano de COP30, projetos como o do Instituto Peabiru são importantes, visando a conservação e o diálogo da educação ambiental, como explica John Gomes.
“Quando você pensa em COP30 para o Brasil, já é bem amplo e muitas pessoas não entendem. Quando fala de Amazônia, filtra mais ainda. E aí quando a gente entra para as escolas e na questão da educação, é o momento de a gente apresentar para eles a importância do meio ambiente, de trabalhar em contexto ambiental, respeitando o ambiente, respeitando as pessoas, a gente vai estar contribuindo para as mudanças climáticas do mundo. Então, a importância dos projetos nesse sentido de educação ambiental é sensibilizar as pessoas para que a gente consiga recuperar, onde é preciso recuperar, e conservar, nas áreas ainda conservadas”.
A conservação de florestas favorece a produtividade do cacau na Bahia e no Pará, estados líderes na produção brasileira do fruto, que é o principal ingrediente do chocolate. É o que aponta estudo publicado no dia 30 de janeiro, na revista ‘Environmental Conservation‘ por pesquisadores do Instituto Tecnológico Vale (ITV) e das universidades federais do Pará (UFPA) e de Goiás (UFG).
No Pará, municípios que preservaram suas florestas tiveram aumento de cerca de 65% na produtividade do cacau desde a década de 80. Já municípios que sofreram forte desmatamento tiveram perdas de produtividade, alguns com reduções de mais de 40%. A maioria dos municípios baianos perderam produtividade ao longo do período de monitoramento, mas aqueles que recuperaram suas florestas tiveram perdas menos acentuadas.
Os pesquisadores reuniram dados históricos sobre a produção do fruto em 161 municípios da Bahia (101) e do Pará (60). A área analisada abrange cerca de 552 mil hectares, o que representa 93% da produção nacional. A equipe calculou a diferença na produtividade entre os períodos de 1985 a 1987 e 2019 a 2021, comparando métricas como variação da cobertura florestal, da extensão de terras cultivadas e do nível de fragmentação florestal, assim como as áreas totais municipais e a porcentagem dedicada ao cultivo.
“Independentemente do histórico de uso do solo nas regiões estudadas, nosso trabalho deixa claro que a perda de cobertura florestal é um fator determinante para a queda na produção”, ressalta Gustavo Júnior de Araújo, pesquisador do ITV e autor principal da publicação. “Os municípios da Bahia vêm sofrendo com a degradação da Mata Atlântica desde o século 18 e a conversão de florestas para agricultura nessa região foi muito intensa”, explica o pesquisador.
O estudo também revelou que os efeitos sobre as propriedades produtoras podem variar conforme o tamanho da área de cultivo. Em municípios paraenses nos quais o cacau não é o principal produto agrícola, a maior cobertura florestal beneficiou apenas grandes propriedades – aquelas com mais de 10 hectares –, possivelmente devido aos maiores recursos financeiros desses produtores. Florestas densas aumentam a distância até centros comerciais e dificultam o acesso a tecnologias, o que pode limitar a lucratividade das pequenas propriedades. Já na Bahia, a produtividade, em ambas as escalas, foi menor em municípios com maior fragmentação florestal.
As conclusões alertam para a necessidade de repensar as práticas agrícolas utilizadas. “Em busca de retornos financeiros mais rápidos, muitos produtores recorrem a monocultivos de cacau a pleno sol, com variedades clonais”, relata Araújo. “Além das incertezas sobre a sustentabilidade desse modelo, a expansão dos monocultivos pode reduzir as florestas naturais e os serviços ecossistêmicos essenciais à cacauicultura”, complementa.
Araújo explica que a conservação das florestas é essencial para a regulação climática natural, proteção do solo, polinização e controle biológico de pragas, por exemplo.
O autor defende a implementação de práticas que equilibram a produção e a conservação das florestas como passo fundamental para uma cacauicultura mais eficiente e ecológica.
“É necessário incentivar políticas públicas que promovam os benefícios dos sistemas agroflorestais, apoiar financeiramente os produtores na transição para sistemas mais sustentáveis e fomentar a pesquisa sobre a viabilidade e os impactos dos monocultivos de cacau”, aponta. Araújo e sua equipe devem continuar contribuindo com a investigação de questões como a influência da diversidade genética das plantas, do clima e dos microrganismos presentes no solo, atentando para a rentabilidade dos produtores de cacau aliada à conservação da floresta.
*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência Bori
O Dia Mundial dos Povos Indígenas, celebrado em 7 de fevereiro, marca ainda um tempo de luta pelos seus direitos e representatividade. A data foi instituída em 2008 pela Lei n° 11.696. No Acre, três mulheres indígenas – Nedna Yawanawa, Soleane Manchineri e Gemina Shanenawa – estão à frente dessa batalha, ocupando cargos estratégicos na defesa de comunidades e na formulação de políticas públicas. É através de lugares de poder e liderança que garantem o fortalecimento das mulheres indígenas.
A diretoria indígena da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (Semapi), Nedna Yawanawa, fala sobre a responsabilidade como representante no Estado e do sentimento de respeito.
“Porque nós estamos num momento diferente, que a própria cultura não é estática, ela é dinâmica. Então nós também passamos por esse processo de mudança, em que as mulheres, hoje, elas passam a ter essa visibilidade, porque a gente sempre contribuiu. Desde os serviços, desde os trabalhos de tarefa na aldeia, nós temos o nosso papel”, afirmou.
Essas mulheres são símbolos de força e resistência que preservam as tradições e histórias com desafios diários para que as gerações futuras possam continuar o legado ancestral para garantir que a voz dos povos originários ecoe cada vez mais longe.
A coordenadora da organização de mulheres indígenas do Acre, Gemina Shanenawa, relata o preconceito e falta de oportunidade para conseguir se inserir no mercado de trabalho.
“Eu encontrei muitas portas fechadas. A falta de oportunidades de ser inserida no mercado de trabalho aqui dentro de Rio Branco, sofrer muito preconceito, racismo também, então quando se trata da mulher indígena, nós temos esse desafio. Hoje eu tenho um cliente que relata assim pra gente, ‘me chamam de Xiu’ quando me falaram que a equipe de vocês era de mulheres indígenas, eu não dei muita credibilidade, por quê? Porque infelizmente existe uma sociedade ainda que deturpa a imagem de nós, povos indígenas’,” relembrou.
As mulheres indígenas enfrentam desafios ao longo da vida, superando obstáculos que vão desde o preconceito até a valorização das suas raízes.
A ouvidoria geral da Defensoria Pública do Acre, Soleane Manchineri, afirma que as mulheres não têm tantos espaços e dos preconceitos sobre a imagem da mulher indígena.
“A gente ainda perece muito em relação às questões econômicas, porque não tem tantos espaços que estão abertos para a população indígena, principalmente em relação às mulheres, e a gente tem um legado negativo que é a erotização da mulher, da imagem da mulher indígena, que foi construída na literatura. Então a gente precisa superar essa imagem erotizada, e nós mulheres indígenas, nós temos inteligência, a gente não é simplesmente um símbolo sexual, a gente é dotada de sabedoria, de querer, de conquista, de avanço. Nós somos mães, nós somos estudantes, somos mulheres que levam outras mulheres para frente, a gente faz esse papel de estar fazendo um acolhimento, e isso não é visto assim”, explicou.
Qual a importância de uma adequada arborização para as pessoas e para as cidades? Tanto em uma grande metrópole ou em municípios com população menor, a arborização urbana ocupa um lugar significativo no que se refere à saúde e ao bem-estar da população, além de ser uma aliada no combate às mudanças climáticas. No entanto, recorrentemente, a presença das árvores é subestimada ou vista apenas como um detalhe estético no planejamento urbano.
Muito mais que sombras e paisagens, as árvores contribuem para a redução da temperatura nas cidades frequentemente afetadas pelo chamado “efeito ilha de calor”, um fenômeno causado, entre outros fatores, pelo excesso de concreto e asfalto que retêm calor. Além disso, as árvores melhoram a qualidade do ar, pois absorvem gases poluentes, como o dióxido de carbono (CO₂), e liberam oxigênio. Também atuam como filtros naturais, capturando partículas em suspensão, como poeira e fuligem, que podem causar problemas respiratórios.
Para que os benefícios da presença de árvores nas cidades, ou seja, da arborização em espaços urbanos sejam plenamente aproveitados, é necessário que ocorra um planejamento de forma criteriosa, desde a escolha das espécies e o plantio, considerando as mais adequadas para cada ambiente urbano.
Publicação
O Brasil, que abriga uma das maiores biodiversidades do planeta, apresenta desafios no que se refere à arborização urbana. Essa realidade ganha ainda mais destaque na Amazônia, onde a abundância de espécies nativas contrasta com a preferência histórica por plantas exóticas em áreas urbanas. Buscando alternativas a esse cenário, os pesquisadores Rafael P. Salomão e Nélson A. Rosa (in memoriam) apresentam o Guia de Seleção de Árvores Ornamentais: Paisagismo Urbano para a Amazônia, um manual técnico-científico que propõe diretrizes para a escolha e manejo adequado de espécies em espaços urbanos.
Disponível no portal do Museu Goeldi, o guia destaca a importância das árvores não apenas como elementos estéticos, mas como agentes que podem impulsionar a qualidade de vida nas cidades. Na Amazônia, onde altas temperaturas e umidade são constantes, a arborização urbana pode ser uma solução eficaz para atenuar o desconforto térmico, melhorar a qualidade do ar e promover o bem-estar das populações. Contudo, como apontado pelos autores, o planejamento adequado e o uso de espécies nativas são fundamentais para alcançar esses objetivos.
O guia apresenta uma matriz de seleção que analisa diversos atributos de espécies arbóreas, com destaque para características como altura da árvore adulta, forma da copa, floração, folhagem e valor cultural ou legal. Esses critérios ajudam gestores públicos, paisagistas e ambientalistas a tomar decisões informadas sobre quais árvores plantar em diferentes espaços urbanos.
Análise da Arborização Urbana em Belém
O pesquisador Rafael Salomão destaca que analisou a arborização na capital paraense qualitativa e quantitativamente, examinando, também, a legislação municipal sobre o tema.
“Durante esse processo de análise, verificamos que é de 78 o número de espécies que foram usadas na arborização de Belém. Dessas, apenas 10 espécies correspondem a mais de 90% do total de árvores plantadas e apenas duas são originárias da Amazônia”, pontua.
O Manual de Orientação Técnica da Arborização Urbana de Belém, publicação de 2013 coordenada pela Prefeitura de Belém e Universidade Federal Rural da Amazônia, recomenda 85 espécies, das quais 46 são da Amazônia e 39 exóticas. Considerando que grande parte das cidades do interior do Estado tende a seguir os projetos paisagísticos da capital, segundo o pesquisador, pode-se considerar que a composição e a densidade não se distanciam destes números.
Rafael destaca, ainda, a matriz de seleção de espécies ornamentais para uso urbano, relacionando 151 espécies com uso atual e potencial no paisagismo urbano, das quais 89 são adequadas às vias urbanas e 54 às áreas verdes. Entre estas, 32 foram consideradas como de extrema beleza, 49 como muito belas e 70 como ornamentais. Espécies com flores perfumadas somaram 26, e outras 15 proporcionam sombra abundante.
Atributos
Dentre as características arbóreas que o guia destaca, está a altura. A altura de uma árvore é um fator determinante para seu uso em áreas urbanas, especialmente sob redes elétricas. O guia classifica as árvores em três categorias: pequenas (até 6 metros), médias (entre 6 e 12 metros) e grandes (acima de 12 metros). Para áreas sob fiação elétrica, recomenda-se espécies de menor porte, enquanto árvores de grande porte são ideais para parques e praças. Essa avaliação previne conflitos com a infraestrutura urbana e reduz custos com manutenção, como podas frequentes.
A forma copa das árvores é fundamental por proporcionar sombra e conforto térmico, especialmente em regiões de altas temperaturas. O guia destaca tipos de copa, como as densas e largas, que oferecem excelente cobertura, e as ralas e estreitas, mais adequadas para espaços menores. Exemplos práticos incluem copas esféricas, como a do oitizeiro (Licania tomentosa), e copas em forma de guarda-chuva, como a do visgueiro (Parkia pendula).
Além disso, as flores são um dos principais atrativos ornamentais das árvores. O manual valoriza espécies com florações vistosas, como o ipê amarelo (Handroanthus serratifolius) e o ipê roxo (Handroanthus impetiginosus), reconhecidos pela exuberância de suas cores. Apesar de muitas flores terem curta duração, seu impacto visual e ecológico, ao atrair polinizadores, as torna elementos essenciais no paisagismo urbano.
Por fim, o guia também destaca que muitas árvores têm importância cultural e legal, sendo símbolos de identidade local. O guia ressalta espécies como as mangueiras (Mangifera indica), indissociáveis da paisagem de Belém, conhecida como “Cidade das Mangueiras”. Além disso, algumas espécies, como o pau-brasil (Caesalpinia echinata) e a castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), são protegidas por leis devido à sua relevância histórica, econômica e ambiental.
Os assuntos do Guia são relevantes para o debate sobre o processo de arborização na capital paraense e foram tópicos do evento “Plantas para Belém: estratégias para a arborização e jardinagem de Belém frente aos desafios urbanos e climáticos”, realizado em novembro de 2024, no Auditório Paulo Cavalcante – Campus de Pesquisa do Museu Goeldi, como resultado do acordo de cooperação técnica com a Prefeitura de Belém sobre a educação ambiental e arborização da cidade.
No decorrer do evento, os presentes participaram de palestras e dinâmicas de grupo com temáticas referentes à estrutura urbana de Belém; vulnerabilidades urbanas frente às mudanças climáticas; resiliência, sustentabilidade e conservação ambiental a favor da inclusão; e aproveitamento de espécies nativas da região amazônica.
A Coordenadora de Pesquisa e Pós-Graduação do Museu Goeldi, Marlúcia Martins, destacou a importância do debate e a busca de um consenso sobre espécies adequadas em função das características específicas de Belém.
O professor Sérgio Brazão, da Universidade Federal Rural da Amazônia, enfatiza a importância de uma abordagem técnica para a arborização urbana em Belém, considerando as especificidades geográficas da cidade. Durante a oficina, Brazão ressaltou que, por ser uma cidade plana, mas com áreas de baixa altitude e subsolos ricos em água, é essencial escolher espécies adaptadas a essas condições para garantir a sobrevivência das árvores. Ele também enfatizou a necessidade de selecionar espécies adequadas para as áreas de terra firme, visando criar uma arborização que reflita a identidade amazônica.
Na construção de uma cidade resiliente às mudanças climáticas, Marlúcia Martins destaca que a arborização urbana deve ser planejada como parte integrante da infraestrutura da cidade, contribuindo para a contenção do solo, amenização de temperaturas, absorção de carbono e manutenção da fauna, como polinizadores e aves. Além disso, a distribuição equitativa de áreas verdes no espaço urbano é essencial para garantir benefícios socioambientais em todas as regiões da cidade, promovendo maior justiça climática.
A Bacia do Tacutu, que atravessa trecho da fronteira entre o Brasil e a Guiana, tem sido objeto de estudos que avaliam seu potencial para a geração de óleo e gás. Os trabalhos realizados na Guiana contribuíram para o reconhecimento de um meio-gráben (estrutura de uma fossa tectônica profunda e assimétrica), de idade jurássico-cretáceo e com uma espessura sedimentar e vulcânica estimada entre 1.200 e 6.000 metros.
No Brasil, o Serviço Geológico do Brasil (SGB) liderou as primeiras investigações geológicas de superfície na Bacia do Tacutu. Essas pesquisas indicaram a necessidade de estudos mais aprofundados, como poços estratigráficos para verificar o empilhamento sedimentar e a existência de camadas geradoras de hidrocarbonetos. As análises destacaram elementos estruturais associados ao meio-gráben, como blocos falhados, que podem funcionar como armadilhas para o acúmulo de óleo e gás.
O SGB tem ajudado no avanço dos estudos estratigráficos da Bacia do Tacutu. Na atividade de mapeamento geológico, assomam o reconhecimento da estratigrafia, do arcabouço estrutural, da geofísica terrestre e de subsuperfície, de estudos de palinologia (flora/fauna) e geocronologia.
Recentemente, um acordo de cooperação técnica entre o SGB e a Guyana Geology and Mines Commission (GGMC) trouxe a integração de informes geológicos e da geodiversidade entre os dois países.
Esses esforços conjuntos colocam a Bacia do Tacutu como uma região promissora à exploração de óleo e gás, unindo ciência e cooperação internacional para o desenvolvimento sustentável dos recursos naturais.
Em décadas passadas, estudos exploratórios, conduzidos pela Petrobras no Brasil e pela canadense Home Oil Company na Guiana, contribuíram significativamente para identificar rochas geradoras e suas potencialidades.
Resultados promissores e novos desafios
Análises químicas revelaram altos níveis de carbono orgânico total (COT) em folhelhos negros de uma de suas camadas, registrando boa favorabilidade na geração de hidrocarbonetos e reforçando, por sua vez, o potencial da bacia na geração de óleo e gás. A descoberta de ocorrência subcomercial de óleo em basalto fraturado no poço Karanambo (Guiana) tem incentivado a continuidade das investigações exploratórias.
Melhorar a qualidade do ensino a partir do uso de meios e ferramentas tecnológicas de geoprocessamento como forma de inclusão digital e incentivo ao mercado de trabalho, para alunos da rede estadual de ensino foi o objetivo de uma pesquisa apoiada pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).
O estudo amparado pelo edital n° 006/2021 – Programa de Desenvolvimento e de Inovação para Educação Básica – Prodeb/Fapeam teve como premissa encorajar o pensamento crítico dos estudantes e incentivá-los na entrada ao mercado de trabalho.
A pesquisa “Aplicações tecnológicas do geoprocessamento nos estudos ambientais como ferramenta de inclusão digital e preparação ao mercado de trabalho, direcionadas ao ensino médio da rede estadual de educação do Amazonas” foi coordenada por Flávio Teixeira Lima, mestre em Ciência e Engenharia de Materiais; doutorando em Geografia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), e professor da Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar.
O projeto multidisciplinar teve como base a disciplina de Geografia na análise espacial, e também integrou conhecimentos da Matemática, Física e Química no Sensoriamento Remoto; de Informática no contato com softwares especializados em Geoprocessamento; e da Língua Inglesa.
Com essa metodologia, foi possível identificar dados de componentes físicos, bióticos e antrópicos do espaço geográfico de uma determinada região. E dessa maneira, trouxe a possibilidade de contribuição para o debate sobre a relação da sociedade com o meio ambiente.
Para o coordenador, uma das formas de melhorar a qualidade de ensino é a partir da disponibilização de ferramentas tecnológicas em sala de aula ainda nos primeiros anos da vida escolar, especialmente para aqueles alunos com acesso limitado ao mundo digital.
“A inclusão digital permite a inserção de habilidades que possam ser melhoradas ao longo do tempo, além de criar uma cultura voltada ao mundo da tecnologia, uma vez que é uma área que traz imensas contribuições sociais”, disse.
Durante a pesquisa realizada na Escola Estadual Manuel Rodrigues de Souza, localizada no bairro Armando Mendes, zona leste de Manaus, foi apresentado aos estudantes o conjunto de técnicas que fazem parte da Geotecnologia, que cuida da coleta, da interpretação e da investigação dos dados reunidos, possibilitando acesso a softwares especializados como ArcGIS Dashboards e ArcGIS Pro, e a técnicas da aerofotogrametria com o uso de drones.
Flávio Lima espera que o projeto tenha despertado o interesse dos alunos para o mercado de trabalho na área de tecnologia, bem como para a investigação científica em geral. O pesquisador explica que, a depender do que faz parte da grade curricular, a escola também tem influência direta não só no desenvolvimento intelectual dos alunos, mas também no campo profissional.
“A tecnologia está presente em todas as áreas do conhecimento. Isso faz com que gere ampla possibilidade de escolha, permitindo que o indivíduo busque uma área que seja compatível com seus interesses profissionais”, pontuou.
Ele acredita que tem sido cada vez mais relevante que os métodos de ensino sejam repensados, para atrair a atenção dos estudantes, promovendo a autonomia e o trabalho colaborativo, integrando teoria e prática. Para isso, são necessárias atividades que estejam de acordo com as diretrizes da BNCC (Base Nacional Comum Curricular) e que estimulem a curiosidade dos estudantes em um espaço de análise crítica e de criatividade.
“A aliança entre teoria e prática possibilita mais autonomia nos estudos. Facilita o aprendizado, uma vez que torna o aluno alguém mais crítico, desencadeando assim maior poder de busca do conhecimento e de situações do ambiente que o envolve”, declarou.
De acordo com o coordenador, a inclusão digital em sala de aula não se trata apenas da disponibilização de equipamentos, mas também da necessidade de mostrar aos estudantes de que maneiras a tecnologia pode contribuir no dia a dia, e quais oportunidades podem surgir a partir do domínio dessas ferramentas.
Resultados
O estudo gerou a produção do artigo científico “As Contribuições das Geotecnologias na Construção do Conhecimento Geográfico Frente aos Desafios da Consolidação do Pensamento Espacial e do Raciocínio Geográfico na Nova BNCC”, que foi publicado na Revista Presença Geográfica (RPGeo), da Universidade Federal de Rondônia (UNIR), disponível no link: periodicos.unir.br
Além disso, imagens e vídeos foram produzidos a respeito da análise geográfica, bem como materiais cartográficos a partir dos estudos de Geoprocessamento.
Cupuaçu, buriti, açaí, murumuru e castanha-da-amazônia são os principais componentes dos cosméticos produzidos pela startup Brava Amazônia. Os biocosméticos foram fomentadas pelo Programa Inova Amazônia-Módulo Tração, Edital Nº 001/2023, e são desenvolvidos com ingredientes naturais e biodegradáveis selecionados para minimizar o impacto ambiental.
A coordenadora do projeto, Kevelyn Sbravati, destaca que o descarte responsável de resíduos faz parte da missão da empresa, e reforça os benefícios dos insumos da Amazônia à pele e à saúde.
“Utilizamos insumos como manteiga de cupuaçu, óleos de buriti, de açaí, de castanha-da-amazônia, manteiga de murumuru e seiva de sangue dragão selecionados com base em critérios de qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. Os produtos são desenvolvidos com ingredientes naturais e biodegradáveis, cuidadosamente escolhidos para minimizar o impacto ambiental”, ressaltou.
Em parcerias com comunidades locais, a startup busca fomentar o desenvolvimento econômico local, respeitando a cultura e os direitos das comunidades amazônicas, seguindo práticas de manejo sustentável e garantindo a preservação dos recursos naturais.
A criação conta como apoio do Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
O apoio da Fapeam através do Programa Inova Amazônia amparou a startup nas oito etapas para garantir a qualidade e a responsabilidade social do produto, produzindo resultados eficientes sem abrir a mão da preservação ambiental na criação do produto no laboratório e nas embalagens eco-friendly (amigas do meio ambiente).
Brava Amazônia
Atualmente, a empresa já passou pelas fases de pesquisa, desenvolvimento, registros, e Minimum Viable Product (MVP) – produto mínimo viável, em tradução livre – e está iniciando a fase de lançamento do lote piloto.
“No momento estamos gerando conteúdos educativos com a audiência através das mídias sociais, divulgando nosso compromisso com sustentabilidade e valorização da Amazônia e aquecendo o público para o lançamento oficial que acontecerá em fevereiro”, comentou Sbravati.
A startup tem parcerias com as indústrias no Polo Industrial de Manaus (PIM) que garantem práticas sustentáveis por meio do manejo ético dos insumos, produção com baixo impacto ambiental e uso de embalagens recicláveis e biodegradáveis.
Cada lugar possui uma riqueza de ingredientes que compõem sua gastronomia original. Na Amazônia, seus sabores famosos, como o cupuaçu ou o açaí, estão cada vez mais presentes em receitas diferentes e inovadoras. E que tal incluir essa riqueza de sabores nos drinks?
Em Manaus (AM), alguns bares tem explorado, cada vez mais, a inclusão de ingredientes típicos da região para criar novos sabores que surpreendem o paladar e promovem a cultura local. Conheça alguns desses drinks e onde encontrar:
Kin-Maru
Criado pelo restaurante Kin Sushi Bar, o Kin-Maru tem como ingrediente principal o Cumaru, conhecido como “Baunilha da Amazônia“. Esse drink é refrescante e ideal para o clima quente da região.
As sementes de Cumaru são infusionadas em cachaça por aproximadamente 10 dias. Depois de pronta, a cachaça é misturada com uma dose de maracujá, sumo de limão e mel natural.
A mistura é batida com gelo em uma coqueteleira e servida. Para um toque final, pode-se coar para remover as sementes do maracujá.
Foto: Gabriel Gardinni
Amazônico
O bar Brazin criou o Amazônico, um drink que tem como estrela a cachaça de Jambu, conhecida pelo efeito levemente anestésico que provoca na boca.
A receita leva uma dose de cachaça de Jambu, pedaços de abacaxi, sumo de limão e melado de cana. O toque final fica por conta das raspas de Cumaru e da casca de limão siciliano para decorar e aromatizar a bebida.
Foto: Mariana Guerreiro
Moscow Mule Amazônico
O tradicional Moscow Mule ganhou uma versão amazônica. Presente na carta de drinks do restaurante Tambagrill e do bar LeBar, essa releitura mantém a base original (vodka, sumo de limão e sugar syrup), mas substitui a espuma tradicional pela espuma de taperebá e adiciona um toque regional com a Fisális, também conhecida como a “cereja da Amazônia“.
Foto: Divulgação
CaipiMaru
A clássica caipirinha ganhou um toque amazônico no Tambagrill. A cachaça infusionada com Cumaru transforma essa versão do drink em uma experiência única. O sabor levemente adocicado da “baunilha brasileira” faz toda a diferença nessa releitura de um dos drinks mais famosos no mundo.
Foto: Divulgação
Piña Colada Amazônica
O Tambagrill também reinventou a tradicional Piña Colada ao incorporar ingredientes regionais. A versão amazônica leva suco de cupuaçu, vodka, xarope de açúcar e uma espuma cremosa de taperebá, criando um equilíbrio perfeito entre dulçor e acidez.
O Pará deve alcançar um crescimento econômico de 3,5%, este ano. O percentual é maior do que a projeção prevista para o Brasil, cujo aumento do Produto Interno Bruto (PIB) tende a ser de pouco mais de 2%. Os dados são da Tendências Consultoria e colocam o Pará como o terceiro Estado do país com maior índice de crescimento do PIB e o maior da Região Norte do país.
Setores como o Agronegócio, a Mineração e o de Serviços são os que mais contribuem para o desenvolvimento econômico acelerado da economia estadual. Também, tem destaque o fortalecimento e investimentos para a consolidação da Bioeconomia.
“O Pará, nos últimos cinco anos, com a gestão do governador Helder Barbalho, vem investindo fortemente em um equilíbrio entre a produção e a conservação da floresta. Por isso, o nosso Estado vem se destacando cada vez mais não só no crescimento das suas vocações naturais, que são o Agronegócio, a Mineração e os Serviços, mas também nos serviços ecossistêmicos, no crédito de carbono, que são cadeias produtivas que vêm cada dia mais se consolidando e ganhando espaço, na Bioeconomia”, destaca o presidente da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), Marcel Botelho.
Ele ressalta que o Pará tem uma economia diversificada. “Nós temos um agronegócio pujante, com o segundo maior rebanho do Brasil, uma grande produção e expansão de soja e de milho. Nós possuímos outros produtos da agricultura, da agrofloresta, como açaí, o cacau, que são líderes nacionais”.
“Temos uma mineração fortíssima, uma das maiores províncias minerais do mundo está aqui, no Pará. Nós temos a maior jazida de ferro do mundo, então, por isso, a nossa balança comercial sofre outras influências, o nosso PIB sofre outras influências”, diz Marcel Botelho.
A Fapespa também projeta o crescimento real da economia paraense em 3,3%. Entre os investimentos estratégicos que devem acelerar esse aumento estão a expansão da mineração, melhorias na infraestrutura logística, bioeconomia, energia renovável e o fortalecimento das cadeias produtivas do agronegócio, comércio exterior e turismo.
A economista Renata Novaes enfatiza que Pará responde por 41,1% do PIB regional e a realização da Conferência Mundial Sobre as Mudanças Climáticas (COP 30), em Belém, trará impactos ainda mais positivos para o crescimento da economia, com o aumento da visibilidade do Pará no cenário internacional, o que abre portas para novos investimentos em energia limpa, agricultura sustentável e ecoturismo.
Ela assinalou que eventos do porte da COP 30, Atrai investimentos, especialmente em infraestrutura. Já contamos com mais de 4 bilhões em investimentos na infraestrutura viária, para melhorias na rede hoteleira e locais turísticos, o que gera empregos e movimenta a economia”, pontua Renata.
“A bioeconomia também ganha força, estimulando negócios sustentáveis e novas oportunidades para a região”, completa.