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Selo reconhece qualidade de panelas de barro produzidas por mulheres Macuxi em Roraima

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 Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR

Com uma forma de produção artesanal, passada de geração em geração e que perpetua uma tradição secular, as panelas de barro produzidas por mulheres do povo Macuxi na comunidade Raposa I, na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima, ganharam um selo de Identificação Geográfica (IG) que atesta a qualidade e a autenticidade do produto.

A comunidade é a primeira em Roraima e a segunda localizada em terras indígenas no Brasil a ter um projeto com a certificação, que é concedida pelo Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI).

Costume ensinado desde 1870, a produção das panelas de barro por mulheres Macuxi é uma atividade ancestral que representa orgulho para a comunidade e garante fonte de renda para os indígenas que vivem na região.

Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR

A identificação geográfica é usada para identificar produtos ou serviços que tenham uma origem geográfica específica. Ela destaca a procedência do produto e é concedida a um local conhecido e reconhecido a nível nacional e também internacional como um centro de fabricação.

No caso das ‘Panelas da Raposa’, o trabalho feito por mulheres indígenas despertam o interesse daqueles que visitam a comunidade, que realiza o etnoturismo e recebe visitantes de todo o mundo, além de chamar a atenção de empresas de outros estados e até países. As panelas já foram vendidas para Boa Vista, Normandia, Amazonas, São Paulo e até a Guatemala.

Panelas de barro produzidas na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima. — Foto: Ailton Alves/Divulgação
Foto: Divulgação /Ailton Alves

O selo foi concedido no dia 13 de agosto e entregue a comunidade durante o tradicional Festejo das Panelas de Barro, dedicado a celebração do artesanato, realizado entre os dias 8 e 10 de novembro. Há dez anos a comunidade Raposa I, no município de Normandia, ao Nordeste do estado, é palco do evento.

Os moradores celebram a tradição com indígenas de comunidades vizinhas, que são convidados para os três dias de festa, que ocorre tradicionalmente em novembro. Neste ano, o selo trouxe ainda mais significado para a festa.

Tradição secular

Não há uma data definida de quem iniciou primeiro a tradição, mas os indígenas garantem que o trabalho começou há muito tempo, ainda no século 19, quando os seus ancestrais viviam no arredores das serras da terra indígena, de onde o barro é retirado. Hoje em dia, eles ainda vivem nas regiões das serras, porém em comunidade mais afastadas dos pés das montanhas.

Claucimar da Silva Raposo, líder das ceramistas na Raposa Serra do Sol. — Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica
 Foto: Ailton Alves/Rede Amazônica RR

Líder do grupo de paneleiras, que formam uma associação dentro da comunidade indígena para compartilhar as experiências e conhecimento, a indígena Macuxi Claucimar da Silva Raposo explica que a produção das panelas de barro é um trabalho demorado. Ela herdou a tradição de mulheres da família e exerce o trabalho artesanal com o barro há mais de 15 anos.

A produção começa com a extração da terra, que é retirada de uma área de serras. A busca pela matéria prima exige uma caminhada de quatro horas.

Ceramistas Claucimar Raposo e Lilibete da Silva (da esquerda para a direita) durante o processo de peneirar o barro.  — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Com a goma e o barro em pó, as ceramistas iniciam a modelagem das panelas. Inicialmente, os dois materiais são misturados e ao atingirem uma determinada homogeneidade, a massa descansa por duas horas ou, no máximo, uma noite.

Depois, a massa é modelada a mão e passa por um aperfeiçoamento de até dois dias, dependendo da data de entrega do produto. Durante o processo, a peça também é polida com uma pedra de jaspe e aquecida em um forno a lenha, por 20 ou 30 minutos.

Aquecida, a panela é coberta por pedaços de caimbé, uma árvore encontrada no lavrado roraimense, e queimada. Após a queima, as panelas passam por um processo de “cura” onde os indígenas cozinham arroz ou tucupi, molho tradicional da região Norte, extraído da mandioca brava, dentro da peça, que filtra o óleo.

Mulheres do povo Macuxi usam urucum benzido para pedir permissão da 'Vovó Barro'. — Foto: Yara Ramalho/g1 RR
 Foto: Yara Ramalho/g1 RR

Mas o trabalho das ceramistas envolve muito mais do que esforço físico e técnicas, ele depende, principalmente, da ligação das indígenas com a ancestralidade. Mentora de toda essa tradição, a entidade indígena Ko Ko Non, que em macuxi quer dizer “Vovó Barro”, é sempre consultada.

Para não deixá-la assim, quem manipula a argila que se transforma em panela seguem regras como: as mulheres não podem tocar no barro durante o período menstrual, isso para não adoecer ou não correr o risco do artesanato desandar. Estar feliz também é um pré-requisito para participar da produção.

Selo de referência

O processo de certificação do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) começou em maio de 2021, com o apoio e orientação do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) em Roraima.

O processo envolveu dez etapas: sensibilização das ceramistas, formação de um comitê gestor, capacitação do comitê, adequação de conselho regulador, criação de intensidade visual, dossiê histórico, delimitação geográfica, elaboração de um Caderno de Especificações Técnicas (CET), simulação do processo e o protocolo e acompanhamento.

Povo Macuxi: cultura da produção de panela de barro feita por mulheres deve ganhar selo. Além do artesanato, as famílias da comunidade Raposa I tem ligação próxima com a agricultura familiar. Os indígenas cultivam diversas culturas para consumo interno e comercialização.

O produtor rural Eduardo Galvão, por exemplo, trabalha com a fruticultura — um ramo da agricultura que se dedica especificamente às plantações de frutas.

Através do intercâmbio entre diferentes regiões e realidades, os indígenas esperam que novos projetos evoluam e possam ser reconhecidos, tal qual as panelas feitas pelas mulheres do povo Macuxi.

*Por Ailton Alves, da Rede Amazônica RR

Geoportal utiliza tecnologia para direcionar ações no combate aos incêndios florestais em Rondônia

Reforço na Brigada aérea do CBMRO está entre as ações de combate aos incêndios florestais em Rondônia. Foto: Frank Néry/Secom RO

O governo de Rondônia tem intensificado o combate aos incêndios florestais e o investimento com a contratação de aeronaves de combate ao fogo e operações que reúnem as forças de segurança do estado, a exemplo das operações “Verde Rondônia”, “Protetores do Bioma”, “Mapinguari” e “Temporã” (fases 1 e 2) que atuam diretamente no Parque Estadual Guajará-Mirim e na Estação Ecológica Soldado da Borracha.

As ações recebem o suporte direto da Sala de Situação da Coordenadoria de Geociências (Cogeo) da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Ambiental (Sedam), que ocupa função na estratégia de conservação ambiental e desenvolvimento sustentável, destacando-se por pesquisas e avanços tecnológicos na análise de solo, água e outros componentes ambientais.

Geoportal

Através da Sala de Situação, a Sedam/Cogeo faz o monitoramento de focos de calor existentes dentro do estado e seu entorno, gerenciando um banco de dados de focos de calor gerados diariamente do sítio eletrônico da Nasa. As informações ficam a disposição da população no Geoportal na página da Sedam.

De acordo com o secretário da Sedam, Marco Antônio Lagos, com os dados, a Sedam monitora diariamente focos de incêndio, tanto em Rondônia quanto em regiões vizinhas, como Acre, sul do Amazonas, norte do Mato Grosso, além da fronteira com a Bolívia, compondo um panorama detalhado da situação regional.

Imagem: Reprodução/Geo Portal

Ações Efetivas

Para conter os focos de incêndios florestais, a Sedam têm realizado diversas operações nas áreas de preservação ambiental, onde há os maiores registros de focos de incêndio e calor. O grupo também é composto por policiais que realizam investigação e policiamento para identificar e prender os autores de queimadas ilegais, que estão prejudicando o estado.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Rondônia (CBMRO) está em curso com a “Operação Verde Rondônia”, que iniciou as atividades em 6 de junho de 2024, justamente para combater a prática desse tipo de crime. São seis bases distribuídas estrategicamente pelos municípios do estado, que registraram um total de 22.074 ações preventivas, 5.135 incêndios combatidos, 1.160 averiguações realizadas e 116 multas aplicadas.

Foto: Frank Néry/Secom RO

Monitoramento

A Sala de Situação da Cogeo opera com base em informações atualizadas de plataformas de satélites que monitoram diariamente os focos de calor na região amazônica. Segundo os dados mais recentes, Rondônia registrou um aumento nos focos de incêndios durante o período de seca. De acordo com as Informações de incêndios para Sistemas de gerenciamento de recursos (FIRMS/Nasa), de junho a outubro deste ano, foram registrados 78.468 focos de incêndio no estado.

Foto: José Leandro Barbosa/Secom RO

Entre os estados vizinhos da Amazônia Legal, os números só são maiores que os do Acre, que teve 36.122 focos. Nos outros estados a situação é ainda mais alarmante. No Mato Grosso, foram mais de 355.505 registros de queimadas. No Amazonas, a situação também exige atenção, com destaque para os municípios de Boca do Acre, Lábrea e Apuí, que acumula mais de 153.734 focos de incêndio no mesmo período, enquanto na Bolívia, a área de fronteira com Rondônia foi a que mais sofreu com os incêndios florestais com mais de 787.552 focos entre os meses de junho e outubro.

O governador de Rondônia, Marcos Rocha, ressalta que ao identificar as áreas mais críticas, o governo do estado pode direcionar os esforços das equipes de combate em tempo real.

Articulação

Em agosto, a Cogeo recebeu a visita de representantes da Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (Governors’ Climate and Forests Task Force – GCF-TF), uma colaboração subnacional única entre 38 estados e províncias do Brasil, Indonésia, México, Nigéria, Peru, Espanha e Estados Unidos, focada em construir uma colaboração entre governos, sociedade civil e setor privado para reduzir o desmatamento e promover o desenvolvimento sustentável.

Em setembro, foi a vez de uma missão técnica internacional, composta por representantes do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), em parceria com a Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), com o apoio do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC).

O grupo conheceu os sistemas e tecnologias utilizados pelo governo de Rondônia na defesa ambiental e nos sistemas de alerta. Os dados são fundamentais para o acompanhamento e avaliação dos indicadores ambientais, proporcionando um panorama mais preciso sobre as condições dos ecossistemas da região e auxiliando na elaboração de políticas públicas efetivas para a proteção do meio ambiente.

*Com informações do Governo do Estado de Rondônia

Projeto sobre antioxidantes naturais presentes em frutos da Amazônia é aprovado em concurso internacional

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Foto: Divulgação/Ueap

Um projeto de pesquisa realizado pela Universidade do Estado do Amapá (Ueap), em parceria com a Universidad San Sebastián (USS) do Chile, foi aprovado no Concurso de Fomento à Vinculação Internacional (Fovi 2024), também do país sul-americano. A premiação visa financiar redes de colaboração chilenas e estrangeiras, promovendo o intercâmbio de conhecimentos entre países.

A iniciativa coordenada no Brasil pelo professor Gabriel Araújo-Silva, do colegiado de Licenciatura em Química, visa avaliar antioxidantes naturais presentes em frutos da Amazônia e da floresta austral chilena, para aplicações industriais em alimentos e cosméticos. O projeto vai contar com a formação de estudantes, realização de estágios e intercâmbios entre os dois países.

A partir do recurso, será possibilitada execução do projeto de pesquisa, com o pagamento de bolsas de doutorado, custeio das missões de trabalho da equipe do Chile no Brasil e vice-versa. O financiamento será viabilizado pela Agência de Pesquisa e Desenvolvimento (Anid) do Governo chileno, organizador do concurso.

Uso do açaí e da “limona”

No Amapá, projeto de pesquisa vai estudar os potenciais antioxidantes do açaí
Açaí. Foto: Reprodução/Secom PA

A pesquisa é liderada no Chile pela professora Luisa Quesada, da USS, e estuda as propriedades de uma espécie ancestral de maçã do país, mais especificamente a variante “Limona”. Com colaboração dos pesquisadores brasileiros e da Ueap, o projeto também vai estudar os antioxidantes presentes no açaí e outros frutos amazônicos.

A ideia da iniciativa é criar uma rede de pesquisa voltada ao desenvolvimento de métodos de extração ambientalmente corretos e capazes de obter os compostos antioxidantes presentes nessas frutas típicas de cada local. Além dos professores dos dois países, também compõem a equipe os pesquisadores associados Marcela Mansilla, Carlos Galleguillos e Saulo da Silva.

*Com informações do Governo do Estado do Amapá

Amapaense vence prêmios internacionais por geração de energia a partir de óleo residual

Foto: Hadassa Gama/Acervo pessoal

A jovem cientista do Instituto Nacional Leva Ciência (INLC), Hadassa Paulino Lopes Gama, tem apenas 14 anos e já busca fazer a diferença no Amapá. Com um projeto inovador sobre produção de energia elétrica de forma sustentável, Hadassa recebeu duas medalhas de reconhecimento internacional em um evento científico no Chile.

Sobre o projeto

Hadassa desenvolveu com a orientadora Danielle Brito, o projeto para produzir energia elétrica a partir de óleo residual, com o objetivo da solução de dois problemas que atingem o estado: o acesso limitado a energia elétrica em comunidades locais e o descarte inadequado de óleo vegetal.

Além disso, outro fator para o desenvolvimento do projeto, é a dificuldade que as famílias de comunidades isoladas no estado possuem para acessar energia elétrica.

Foto: Hadassa Gama/Arquivo Pessoal

Prêmio Internacional

Em agosto deste ano, a jovem recebeu credencial para participar da ‘Latinamerican Expo Ciências’, organizada pela Mouvement International pour le Loisir Scientifique Et Technique (Milset), no Chile.

Sem patrocínio, ela contou com o apoio da família e vendeu brigadeiros e rifas para financiar sua participação.

Foto: Hadassa Gama/Arquivo Pessoal

No evento, que aconteceu na Universidade Central do Chile, em Santiago, entre 12 e 16 de novembro, a jovem cientista conquistou dois títulos, sendo: Medalha de bronze e Medalha de mérito científico.

Hadassa é pesquisadora pelo Instituto Nacional Leva Ciência, uma instituição sem fins lucrativos que promove a iniciação científica com crianças, adolescentes e jovens.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Noruega anuncia doação de US$ 60 milhões ao Fundo Amazônia

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Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Em reconhecimento aos esforços do Brasil com a redução do desmatamento da Amazônia em 31%, em 2023, a Noruega fará a doação de US$ 60 milhões, cerca de R$ 348 milhões na cotação desta segunda-feira (18), para o Fundo Amazônia. O anúncio foi feito pelo primeiro-ministro Jonas Gahr Støre, neste domingo (17), durante a Conferência Global Citizen Now: Rio de Janeiro. O Fundo Amazônia é gerido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), sob coordenação do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).

Para o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, é mais uma demonstração importante da confiança do mundo e, em especial, da Noruega, ao compromisso do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a redução do desmatamento, a preservação da Amazônia e com a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas.

O primeiro-ministro Støre destacou os reflexos obtidos a partir do combate ao desmatamento no país. “O sucesso do Brasil na redução do desmatamento é uma prova clara das ambições e da determinação do governo Lula. Mostra como medidas direcionadas podem produzir resultados importantes para o clima e a natureza,” afirmou.

Segundo a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o Fundo Amazônia alcançou a marca de R$ 882 milhões em aprovações de projetos este ano.

Ela disse que certamente o Fundo Amazônia é um dos mais auditados do mundo e o BNDES segue reforçando a sua governança, na busca de ampliar o impacto na proteção ambiental, na bioeconomia e na inclusão social na região amazônica.

Foto: Reprodução/Idam

“Essa nova doação da Noruega mostra que estamos num caminho auspicioso para amplificar ações que beneficiem ainda mais pessoas e a natureza naquele território”, pontuou Tereza Campello.

De acordo com o BNDES, dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes/Inpe), indicam que no período entre agosto de 2023 e junho de 2024, o desmatamento na Amazônia no Brasil chegou ao nível mais baixo desde 2015. O patamar é o quinto menor índice desde o início das medições, em 1988.

A meta do governo brasileiro de zerar o desmatamento na Amazônia é até 2030, o que é “fundamental para a maior floresta tropical do mundo, que desempenha um papel essencial na regulação climática global”, segundo o BNDES.

O ministro norueguês do Clima e Meio Ambiente, Tore Sandvik, lembra que as florestas tropicais do mundo absorvem e armazenam bilhões de toneladas de CO² e o investimento na preservação da floresta tropical é um dos mais importantes que o país realiza.

“Desde que Lula reassumiu a Presidência em janeiro passado, o desmatamento diminuiu drasticamente, mostrando que o Brasil é um líder global e uma força motriz na proteção das florestas tropicais”, afirmou.

Estados Unidos

Também neste domingo (17), o governo dos Estados Unidos anunciou uma série de iniciativas de apoio à conservação da Amazônia, que integram o programa americano de combate às mudanças climáticas. O anúncio foi feito em visita do presidente Joe Biden à Manaus.

Biden anunciou que os Estados Unidos farão a doação de US$ 50 milhões para o Fundo Amazônia. O total de contribuições dos EUA ao fundo atinge US$ 100 milhões, sujeito a notificação do Congresso americano.

*Com informações da Agência Brasil

Belém é confirmada como cidade sede do ‘Global Citizen Festival’ em 2025

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A capital paraense, Belém, foi anunciada, no dia 17, como sede do festival ‘Global Citizen’ do próximo ano, em 2025. É a primeira vez que o evento será realizado na Amazônia. O anúncio foi feito ao vivo na programação do Global Citizen Now, que acontece no Rio de Janeiro.

O evento faz parte da programação do G20 Brasil realizado na véspera do encontro da cúpula dos líderes de estado. No encerramento da programação, Hugh Evans, CEO do Global Citizen, disse que a capital paraense vai receber artistas e grandes líderes globais para falar em defesa do planeta.

“Pela primeira vez, em 2025, nós vamos trazer o festival do Global Citizen em Belém, junto a COP 30. Com outros festivais, o Global Citizen Festival vai ser um dos maiores que tivemos, com artistas indígenas unidos para defender o planeta”, disse o CEO.

O que é a Global Citizen?

A Global Citizen é um movimento global que utiliza eventos de grande escala para mobilizar ações contra a pobreza extrema. Este evento reúne artistas, líderes mundiais e milhões de cidadãos globais que utilizam suas vozes para instigar mudanças significativas. Em edições anteriores, realizadas em cidades como Nova York, Londres e Mumbai, o evento abordou temas urgentes como mudança climática, igualdade e sustentabilidade.

Além de sediar o Global Citizen, Belém também receberá outros importantes eventos internacionais. A cidade será a sede da Conferência das Partes (COP 30), também conhecida como a “COP da Floresta”, um encontro vital para discussões sobre o clima e a preservação ambiental. Outro destaque será o “Amazônia para Sempre”, programado para setembro de 2025. Ademais, Belém já foi palco de rodadas de negociações do G20 em 2024, consolidando seu status como um centro de discussões globais.

Foto: Thalmus Gama / Ag. Pará

COP 30

Faltando um ano para a COP30, o Governo do Pará avança na preparação de Belém, que vai receber o evento entre 10 e 21 de novembro de 2025. No âmbito do governo estadual, estão em execução cerca de 30 obras estruturantes nos eixos de saneamento, mobilidade e desenvolvimento urbano. 

Além de assegurar a infraestrutura para a realização do evento, as obras em andamento trarão melhorias permanentes para a população local e para os visitantes. As obras contam com recursos do Tesouro do Estado, de Itaipu Binacional e financiamento do BNDES.

O Parque da Cidade e o Porto Futuro II estão entre as principais obras. O Parque da Cidade, espaço onde será realizada a conferência, já está com cerca de 70% das obras previstas para a COP30 concluídas. Construído em uma área de 500 mil m² de um antigo aeroporto, o parque é um dos grandes legados da COP para Belém e após a realização da conferência climática da ONU será entregue para uso da população.  O projeto final do parque contempla o museu da aviação, um centro de economia criativa, boulevard gastronômico, ciclotrilha e ecotrilha, áreas verdes preservadas, lago artificial e instalações esportivas voltadas para a promoção da qualidade de vida, lazer, cultura, arte e bem-estar.

No Porto Futuro II, cinco galpões cedidos pela Companhia Docas do Pará (CDP) ao governo do Estado estão sendo recuperados e vão ser transformados em um complexo de lazer e gastronomia, com um inovador polo de bioeconomia, que será um novo ponto turístico da cidade. Com espaço para valorização da cultura popular, do patrimônio imaterial, da história amazônica, das experiências gastronômicas e também da biodiversidade do Pará, o Porto Futuro II vai proporcionar uma experiência única para o visitante. Mais de 50% das obras já estão concluídas.

As iniciativas estão gerando mais de 6 mil empregos diretos e indiretos, demonstrando o compromisso do governo com o crescimento econômico sustentável e a preparação adequada para receber eventos de grande porte.

*Com informações da Agência Pará

Desintrusão na Terra Indígena Munduruku, no Pará, impõe prejuízos ao garimpo ilegal

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Foto: Divulgação/Casa Civil

A primeira semana da Operação de Desintrusão da Terra Indígena (TI) Munduruku, localizada no Pará, gerou resultados no combate ao garimpo ilegal na região. O Governo Federal, responsável pela execução das ações, contabiliza 120 intervenções de segurança executadas, resultando em autuações, embargos e apreensão de mais de 100 mil litros de combustíveis.

Já foram aplicados R$ 4,4 milhões em multas, e o prejuízo direto ao garimpo ilegal ultrapassa R$ 32 milhões, com a inutilização de maquinário pesado e estruturas de apoio à atividade criminosa. Todas as ações ocorreram entre os dias 10 e 16 de novembro foram divulgadas pela Casa Civil da Presidência da República, pasta que coordenada a desintrusão, ou retirada de pessoas que ocupam uma área de forma ilegal, principalmente no caso de TIs.

A operação conta com a participação de diversos órgãos federais, incluindo o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), Força Nacional de Segurança, Polícia Federal (PF), Polícia Rodoviária Federal (PRF), Ministério dos Povos Indígenas e Exército Brasileiro. Além disso, as agências reguladoras ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) e Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), e o Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam) também desempenham papéis cruciais.

O Censipam tem contribuído com monitoramento por satélite e análise de dados geoespaciais, ajudando a localizar áreas estratégicas de atuação. As ações incluem patrulhamento terrestre, aéreo e fluvial, com foco na inutilização de equipamentos e na desarticulação de redes logísticas que sustentam o garimpo ilegal. Um dos maiores desafios relatados é a capacidade dos garimpeiros de ocultar maquinário e combustível, o que exige aprimoramento contínuo das estratégias operacionais.

Divulgação/Casa Civil

Segurança Pública

Além do combate ao garimpo, a operação teve reflexos positivos na segurança pública. Em Jacareacanga, município que abriga quase que a totalidade da TI Munduruku, moradores relataram uma queda nos índices de crimes como tráfico de drogas e roubos, atribuída ao policiamento 24 horas realizado pela Força Nacional, com suporte da PF e PRF.

Próximos Passos

Com os primeiros resultados, a operação segue sem registros de ocorrências graves nos primeiros dias. O objetivo é manter o foco em proteger o território indígena e combater atividades ilegais. As lideranças envolvidas destacam a importância de medidas contínuas para garantir a segurança e a sustentabilidade da operação. O relatório também aponta para a necessidade de reforçar e ampliar a fiscalização em áreas próximas à Terra Indígena Munduruku.

A operação reforça o compromisso do Governo Federal em combater crimes ambientais e proteger comunidades indígenas, enquanto busca minimizar os impactos econômicos e sociais nas regiões afetadas.

*Com informações da Casa Civil

Em dois meses, mais de 400 focos de incêndio foram registrados no Amapá

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Foto: Rafael Aleixo/g1 Amapá

Foram registrados no Amapá 426 focos de incêndio em 13 munícipios no período de setembro a outubro de 2024. Da quantidade, 22 foram totalmente combatidos, segundo um levantamento do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos (Ibama) divulgado no último dia 12.

Dos 426 focos registrados no estado, Mazagão foi o município que apresentou a maior porcentagem de concentração, já a capital foi a terceira. Veja:

  • Mazagão: 171 focos (40,1%)
  • Vitória do Jari: 53 focos (12,4%)
  • Macapá: 39 focos (9,2%)
  • Calçoene: 28 focos (6,6%)
  • Tartarugalzinho: 23 focos (5,4%)
  • Santana: 22 focos (5,2%)
  • Amapá: 13 focos (3,1%)
  • Laranjal do Jari: 9 focos (2,1%)
  • Pedra Branca do Amapari: 7 focos (1,6%)
  • Pracuúba: 7 focos (1,6%)
  • Ferreira Gomes: 5 focos (1,6%)
  • Porto Grande: 5 focos (1,2%)
  • Cutias: 1 foco (0,2%)

Dos municípios atingidos, o combate de focos foi registrado nos seguintes:

  • Laranjal do Jari : 1 foco combatido;
  • Tartarugalzinho: 6 focos combatidos;
  • Amapá: 15 focos combatidos .

Segundo a pesquisa, o combate em questão foi mapeado a partir do início do mês de novembro, registrados até o dia 10 do mesmo mês.

Dados são conforme levantamento do Ministério do Meio Ambiente, Ibama, Diretoria de Proteção Ambiental, Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e a Coordenação estadual do Prevfogo-AP

Soluções de combate aos incêndios no Amapá

Uma iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação e Biodiversidade (ICMbio) é o Sistema Vellozia, que mostra uma visão detalhada e estratégica de monitoramento das áreas florestais atingidas nas unidades de conservação federal.

O sistema apresenta dados relevantes sobre camadas de dados e autuações de infração, fornecendo informações aos gestores ambientais. E apresenta também uma precisão de análise espacial temporal das áreas que estão sendo diretamente impactadas pelas queimadas.

Além da proteção nacional, medidas estão sendo reforçadas no estado na busca do combate aos focos, como a Operação Amapá Verde. Outro fator que contribui para o aumento das queimadas em áreas florestais, é o período de intensa estiagem que enfrentam os 16 municípios do estado. O governo federal reconheceu situação de emergência nas cidades.

Dados da operação Amapá Verde

Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amapá (CBM) a operação iniciou no dia 1º de agosto de 2024 e segue até o mês de dezembro do mesmo ano com a mobilização de 760 bombeiros militares.

No ano de 2023, a operação iniciou em 16 de agosto. Este ano os serviços foram antecipados devido aos altos índices de incêndios registrados no ano passado.

“O início antecipado em 2024 foi uma resposta aos altos índices de incêndios registrados no ano anterior, com o objetivo de intensificar as ações preventivas e minimizar os impactos ambientais”, disse a sargento do Corpo de Bombeiros do Amapá, Gisele Brasil.

O CBM divulgou ainda que a operação conta com 13 bases avançadas para prevenção e combate nos municípios com maior incidência de incêndios. Quatro bases foram instaladas em locais que já possuem quartéis dos bombeiros. São eles:

  • Vitória do Jari;
  • Laranjal do Jari;
  • Porto Grande;
  • Oiapoque.

Outras 9 foram montadas em locais que não possuem os quartéis da corporação, que também possuem incidência das queimadas, incluindo a comunidade de tartarugalgrande. São:

  • Ferreira Gomes;
  • Mazagão;
  • Cutias;
  • Pedra Branca do Amapari;
  • Tartarugalzinho;
  • Amapá;
  • Itaubal;
  • Calçoene
  • Vitória do Jari

Os bombeiros informaram ainda que esse ano a prioridade foi a prevenção com 8.586 pessoas atendidas. O serviço foi reforçado com o nivelamento de 38 militares pela Força Nacional. De 1º de agosto até 13 de novembro, foram feitos:

  • 475 Combates;
  • 398 Prevenções;
  • 688 Monitoramentos.

*Por Isadora Pereira, da Rede Amazônica AP

Presidente dos EUA anuncia aporte ao Fundo Amazônia e diz deixar legado “forte” para Trump na área ambiental

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Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica AM

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Joe Biden, anunciou o aporte de US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia durante a visita a Manaus, no Amazonas, neste domingo (17). Em seu pronunciamento, Biden também reforçou que deixa um ‘legado forte’ para Donald Trump, que assume a presidência americana em 2025.

O anúncio foi feito durante a agenda do democrata no Museu da Amazônia (Musa), onde ele se reuniu com lideranças indígenas da Amazônia brasileira e cientistas. O novo investimento elevará o total de contribuições dos EUA ao Fundo Amazônia para US$ 100 milhões.

A doação está sujeita à aprovação do Congresso americano – agora de maioria republicana – e tem como objetivo acelerar os esforços globais para conservar terras e águas, proteger a biodiversidade e enfrentar a crise climática.

O aporte de mais US$ 50 milhões ao Fundo Amazônia foi o segundo anunciado pelo governo Biden. Em 2023, no começo do governo Lula, um primeiro repasse de US$ 50 milhões foi anunciado na retomada do fundo, que havia sido desativado durante o mandato de Jair Bolsonaro.

Os valores anunciados por Biden, porém, ainda estão longe da promessa de repassar US$ 500 milhões feita em abril de 2023.

Criado há 16 anos, o Fundo Amazônia reúne doações internacionais para financiar ações de redução de emissões provenientes da degradação florestal e do desmatamento, apoiar comunidades tradicionais e ONGs que atuam na região, além de fornecer recursos diretamente para estados e municípios para ações de combate ao desmatamento e a incêndios.

O presidente americano também anunciou que está lançando uma coalizão internacional para mobilizar, no mínimo, US$10 bilhões até 2030 para restaurar e proteger 20.000 milhas quadradas de terras. Ele também assinou uma proclamação designando o dia 17 de novembro como o Dia Internacional da Conservação.

 Foto: Alexandro Pereira/Rede Amazônica

Outras medidas anunciadas por Biden foram:

  • Emitir uma proclamação oficial para proteger a conservação da natureza no mundo inteiro.
  • Mobilizar, por meio da Corporação Financeira de Desenvolvimento, centenas de milhões de dólares em parceria com uma corporação brasileira para reflorestar a Amazônia.
  • Oferecer financiamento para lançar o Fundo das Florestas Tropicais, iniciativa do governo brasileiro.
  • Apoiar uma legislação que irá lançar uma nova fundação de conservação internacional, que irá utilizar fundos públicos para atrair bilhões de dólares em capital privado.
  • Ele reforçou estar deixando ‘uma base muito forte’ nas políticas climáticas para o sucessor Donald Trump.

“Estou saindo da presidência em janeiro e vou deixar ao meu sucessor uma base muito forte, se eles decidirem seguir esse caminho. Alguns podem negar ou atrasar a revolução de energia limpa que vem acontecendo nos EUA, mas ninguém pode revertê-la”, disse.

Ainda durante o pronunciamento, o presidente dos Estados Unidos enalteceu a região. Foi a primeira vez que um presidente em exercício dos Estados Unidos visitou a região da Amazônia brasileira, conforme a Casa Branca.

A visita de Biden à Amazônia ocorre dois meses antes do fim do mandato dele à frente da presidência dos EUA. A eleição do republicano Donald Trump no começo de novembro reacendeu as discussões sobre clima e meio ambiente. Como a maior economia do mundo e a segunda emissora de gases de efeito estufa, as decisões dos EUA têm impacto direto na luta global contra as mudanças climáticas.

Negacionista das mudanças climáticas, Trump usou o mote “Drill, baby, drill” (perfure, baby, perfure), sobre aumentar a exploração de petróleo do país, durante a campanha deste ano. Conhecido por sua postura de flexibilização regulatória e apoio ao setor de combustíveis fósseis, Trump promete tocar uma agenda antiambiental, o que preocupa especialistas

No seu primeiro mandato, Trump tirou os EUA do Acordo de Paris, pacto assinado pela comunidade internacional em 2015 para limitar o aquecimento global, e revogou mais de 100 regras ambientais, que impactaram nas emissões de gases de efeito estufa, um dos principais responsáveis pelo aquecimento global.

Foto: Daniele Branches/Rede Amazônica

Visita à Amazônia

Joe Biden desembarcou em Manaus por volta das 13h30 (horário de Brasília) e partiu por volta das 18h com destino ao Rio de Janeiro. Ele estava acompanhado da filha Ashley e da neta Natalie, segundo a agência de notícias AFP. A porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, também estava na comitiva.

Por volta das 14h, o democrata fez um passeio de helicóptero pela região. Ele foi escoltado por outros seis helicópteros da Força Aérea Americana. Por alguns minutos, Biden sobrevoou o Encontro das Águas, dos rios Negro e Solimões, a Reserva Florestal Adolpho Ducke e o Museu da Amazônia (Musa).

Depois, o presidente visitou o Musa, onde encontrou com os pesquisadores Henrique Pereira, do Instituto de Pesquisa da Amazônia (Inpa), Filippo Stampanoni, diretor geral do Museu, além da pesquisadora do Camila Ribas, também do Inpa, e Peter Fernandez, CEO da Mombak, empresa que negocia créditos de carbono.

No Museu, Biden fez uma trilha pela floresta. Ele também encontrou com lideranças indígenas dos povos Kokama, Xerente e Wapichana, que o aguardavam ao pé de uma Sumaúma – maior espécie de árvore encontrada na Amazônia que pode chegar a 50 metros de altura e viver cerca de 120 anos.

Biden também foi recebido pela embaixadora dos EUA no Brasil, Elizabeth Bagley, pelo governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil) e pelo prefeito de Manaus, David Almeida (Avante).

O climatologista brasileiro Carlos Nobre, referência há décadas nos estudos sobre os efeitos das mudanças climáticas na Amazônia, também acompanhou o presidente americano durante a visita.

Após a viagem a Manaus, o Biden seguiu para o Rio de Janeiro, onde participa da Cúpula dos Líderes do G20. No evento, ele deverá reforçar o papel dos EUA no incentivo ao crescimento econômico sustentável.

A Casa Branca anunciou a viagem do presidente no último dia 7 de novembro, detalhando que Biden visitaria Manaus e o Rio de Janeiro entre os dias 17 e 19. Antes de chegar ao Brasil, ele participou da cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), realizada em Lima, no Peru.

*Por Juan Gabriel, da Rede Amazônia AM

Projeto de beneficiamento de castanha gera renda para extrativistas e indígenas de Mato Grosso

Silvio Bragança de Souza da ACCPAJ e Silvana Fuhr (consultora) mostrando os frutos da castanheira coletados na região. Foto: Vitória Lopes

O Programa REM MT apoia um projeto de fortalecimento da cadeia de valor da castanha, no município de Cotriguaçu, região noroeste de Mato Grosso. Desenvolvido pela Associação dos Coletores(as) de Castanha do Brasil do PA Juruena (ACCPAJ), o projeto recebeu um investimento de R$ 1,54 milhão e conta com a participação de 45 famílias associadas e indígenas do povo Rikbaktsa.  

Para estruturar a coleta e o beneficiamento de castanhas na região, foram realizadas diversas melhorias e aquisições, impactando diretamente o trabalho e a infraestrutura dos coletores. Dois barracões foram construídos na Aldeia Babaçuzal, do povo Rikbaktsa, que atuam diretamente na coleta das castanhas para beneficiamento. Os barracões serão utilizados para abrigar máquinas, equipamentos e para secagem das castanhas. E para facilitar a coleta, foram adquiridas cinco motocicletas, três quadriciclos com carretinha acoplada e barco com motor.

Os veículos otimizam o transporte das castanhas dentro da mata e auxiliam no escoamento da produção em locais que o acesso é realizado somente pela água, permitindo um transporte mais ágil e eficiente dos produtos ao longo dos rios, facilitando o acesso a áreas mais remotas e contribuindo para a expansão da distribuição, além de, melhorar as condições de trabalho dos coletores com o peso das castanhas.

O projeto investiu também na adequação da agroindústria, com aquisição de maquinários e equipamentos, visando tornar o local plenamente operacional, facilitando a estocagem e o processamento da castanha. No local, foi feita a instalação de uma rede de vapor da caldeira para a autoclave, que assegurará que os processos de esterilização e cozimento sejam realizados conforme os padrões exigidos. A agroindústria está em fase final de implantação, necessitando apenas de adequações para sua plena funcionalidade. 

Agroindústria para beneficiamento de castanhas está sendo finalizada em Cotriguaçu. Foto: Divulgação/Programa REM MT

Em parceria com a Associação Indígena Abanatsa (AIABA), as castanhas coletadas pelos indígenas e extrativistas serão processadas na agroindústria, com uma infraestrutura adequada. Os coletores de castanha da região ficam envolvidos praticamente o ano todo com a atividade, iniciada com a coleta entre novembro e dezembro, com pico nos meses de março, abril e maio, com uma atuação menos frequente até o mês de setembro. O volume colhido anualmente é de cerca de 160 mil kg.

O projeto apoiado pelo Programa REM MT também visa aumentar o engajamento das mulheres e jovens, especialmente na fase de industrialização. Atualmente, a receita das associações ACCPAJ e AIABA provém majoritariamente da venda de castanha não processada. Por meio do projeto será possível agregar valor ao produto, melhorar sua qualidade e aumentar sua vida útil, além de garantir maior segurança no transporte e comercialização.

Foi realizado um curso de associativismo e cooperativismo aos extrativistas e indígenas, fortalecendo a coesão entre os membros da ACCPAJ e AIABA, aumentando o conhecimento sobre responsabilidades e direitos. No curso, foram introduzidas técnicas e conceitos de gestão para melhoria da administração de ambas associações. O projeto promoveu também a capacitação técnica para os coletores em boas práticas de coleta de castanha.

Segundo o coordenador do projeto, Silvio José Bragança de Souza, a iniciativa vai além do beneficiamento da castanha: “O intuito é agregar valor à matéria-prima, melhorar a remuneração dos coletores e criar um ciclo sustentável onde tanto os coletores quanto os proprietários de áreas de manejo possam se beneficiar economicamente, sem a necessidade de desmatamento. Assim, mantemos a floresta em pé”.

Indígenas do povo Rikbaktsa, na Aldeia Babaçuzal, também são beneficiados com o projeto apoiado pelo Programa REM MT. Foto: Priscila Soares/Programa REM MT

Atualmente, o projeto beneficia diretamente 45 famílias, associadas da ACCPAJ, além dos coletores indígenas da aldeia Babaçuzal e há uma expectativa de ampliação do número de beneficiários com a finalização da agroindústria. 

O apoio do Programa REM MT em projetos como esse fortalece o trabalho das comunidades que sobrevivem da floresta. “O projeto do REM MT fez uma diferença enorme, especialmente no apoio direto às comunidades e associações. É por meio de iniciativas como essa que conseguimos recursos capazes de transformar a realidade das pessoas que vivem e dependem da floresta. Acredito que projetos como esse são essenciais para garantir que nossa floresta continue preservada e de pé”, finaliza Silvio. 

*Com informações do Programa REM MT