Área desmatada no Amapá em 2020. Foto: Reprodução/Arquivo/Polícia Civil
O Amapá registrou uma queda de 48,15% no desmatamento entre agosto de 2024 e julho de 2025, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). O estado teve a segunda maior redução percentual da Amazônia Legal, atrás apenas do Tocantins, que liderou com 62,5%.
As informações são do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes). O levantamento aponta uma redução de 11,8% na taxa de desmatamento da Amazônia em 2025, em comparação com o ano anterior.
Segundo o Prodes, a área desmatada na Amazônia foi estimada em 5.796 km² — o menor índice registrado nos últimos 11 anos.
Entre agosto de 2024 e julho de 2025, os dados do INPE mostram que vários estados da Amazônia Legal registraram quedas expressivas no desmatamento. Tocantins liderou em redução percentual, seguido por Amapá, Roraima e Rondônia.
“Amapá mostra que é possível”
“O Amapá mostra que é possível conciliar desenvolvimento com conservação. É um exemplo para o país”, afirmou a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva.
Ranking de estados com maior queda de desmatamento
Posição
Estado
Redução (%)
1º
Tocantins
62,5%
2º
Amapá
48,15%
3º
Roraima
37,39%
4º
Rondônia
33,61%
5º
Acre
27,62%
6º
Maranhão
26,06%
7º
Amazonas
16,93%
8º
Pará
12,4%
Fonte: INPE
O resultado é atribuído a ações conjuntas entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), forças de segurança e outros parceiros. As operações priorizaram a proteção de florestas intactas e terras indígenas.
Segundo o ICMbio, no Amapá, a área desmatada caiu de cerca de 2.500 para 1.300 campos de futebol entre 2024 e 2025. A maior parte dessa redução ocorreu dentro de áreas protegidas, como parques, reservas biológicas, estações ecológicas e reservas extrativistas.
A analista ambiental do ICMBio, Érica Martins, destacou que o Brasil tem chances reais de atingir a meta de desmatamento zero até 2030 se mantiver o ritmo atual de fiscalização e políticas de incentivo
“O país teve uma tendência de queda entre 2014 e 2018, mas entre 2018 e 2022 os números explodiram. Agora, voltamos a uma redução drástica. Só nas áreas protegidas, a queda acumulada desde 2022 é de cerca de 72%”, afirmou.
Floresta Nacional do Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
Segundo Érica, a combinação de fiscalização rigorosa com apoio à agricultura familiar e à sociobiodiversidade pode garantir o cumprimento da meta.
Além disso, o Sistema de Detecção de Desmatamentos em Tempo Real (Deter), também do INPE, fornece alertas em tempo real.
Os estados que compõem a Amazônia Legal estão reunindo esforços para levar à COP30 uma série de projetos voltados à conservação ambiental, à bioeconomia e à governança territorial. A conferência, marcada para ocorrer em Belém, no Pará, até o dia 21, assume protagonismo na agenda climática global.
Diferentes iniciativas regionais visam mostrar como a floresta amazônica pode contribuir para os objetivos globais de mitigação e adaptação às mudanças do clima.
Esses projetos fazem parte de um esforço de articulação entre governos estaduais, sociedade civil e instituições de pesquisa, com foco em soluções de base territorial.
As propostas estão programadas para serem apresentadas formalmente no decorrer da COP30, no âmbito da chamada “Action Agenda” (Agenda de Ação) do Brasil, com vistas à captação de financiamento internacional e reconhecimento global.
Estratégia articulada dos estados amazônicos
O Consórcio Interestadual da Amazônia Legal lançou sua estratégia unificada para a COP30, definindo eixos prioritários como uso da terra, sistemas alimentares, mineração sustentável, adaptação climática, financiamento verde, transição energética, conservação ambiental e justiça climática.
Os estados participantes — Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins — assumem que a floresta amazônica cumpre uma função ecológica global essencial, mas também pode se tornar um vetor de desenvolvimento local sustentável.
A mobilização inclui fóruns de participação social em cada estado, além da integração com órgãos federais e municipais, para sistematizar contribuições de comunidades tradicionais, indígenas e setor privado.
Entre os instrumentos preparados está um documento de prioridades, que busca traduzir as demandas regionais em compromissos concretos a serem discutidos na COP 30, destacando as particularidades e potencialidades de cada território amazônico.
Projetos de uso da terra e regularização fundiária
Um dos principais projetos que estará no centro da agenda amazônica é o programa Caminhos Verdes, voltado à regularização fundiária na Amazônia Legal. O investimento previsto é de aproximadamente R$ 146 milhões, destinado à titulação de cerca de 13 mil famílias.
Outra iniciativa de destaque envolve a recuperação de áreas degradadas e a criação de florestas produtivas em assentamentos de reforma agrária. Estima-se que 80 assentamentos estejam envolvidos, beneficiando 6 mil famílias e promovendo a restauração de mais de 4 mil hectares.
Essas ações buscam compatibilizar a produção econômica com a conservação da floresta, fortalecendo atividades sustentáveis e diminuindo a pressão sobre áreas de desmatamento.
Na COP30, os estados pretendem apresentar esses projetos como exemplos de políticas públicas que conciliam desenvolvimento rural, regularização territorial e combate ao desmatamento ilegal.
Carbono, bioeconomia e mercados sustentáveis
Outro foco importante das apresentações é o desenvolvimento de projetos de carbono e bioeconomia. Nos estados do Acre e Rondônia, técnicos estão estruturando um guia de boas práticas para orientar a criação de projetos de carbono com transparência e qualidade, voltados ao mercado internacional.
Além disso, o Fundo de Bioeconomia da Amazônia, operado em parceria com organismos multilaterais, deve ser um dos destaques na COP30. Esse fundo busca canalizar investimentos privados para cadeias de valor sustentáveis, apoiando produtos da sociobiodiversidade e cadeias extrativistas.
Os projetos também visam valorizar o conhecimento tradicional das populações indígenas e ribeirinhas, integrando saberes locais com ciência e tecnologia. A expectativa é que as propostas contribuam para gerar emprego e renda sem comprometer os ecossistemas amazônicos.
A região amazônica também será palco de apresentações científicas sobre projetos de monitoramento climático e adaptação. Um dos exemplos é o AmazonFACE, instalado nas proximidades de Manaus (AM), que simula as condições atmosféricas futuras da floresta para compreender como o ecossistema responderá ao aumento da concentração de gás carbônico.
Além da pesquisa científica, ações ligadas à adaptação, governança territorial e fortalecimento comunitário fazem parte da agenda amazônica. Essas iniciativas incluem programas de capacitação para comunidades locais, incentivo à agricultura de baixo impacto e sistemas de alerta contra eventos climáticos extremos.
Na COP30, os estados pretendem demonstrar que a Amazônia é também um espaço de inovação e aprendizado climático, oferecendo dados e experiências práticas para o enfrentamento das mudanças do clima.
Os resultados científicos desses programas darão suporte técnico aos projetos que serão apresentados, fortalecendo a posição da Amazônia Legal nas negociações internacionais.
Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Expectativas para a COP30
Os estados da Amazônia Legal chegam à COP30 com três grandes objetivos:
ampliar a visibilidade internacional das suas iniciativas,
captar recursos para financiar projetos sustentáveis
e integrar suas ações à agenda global de conservação e adaptação climática.
A “Action Agenda” brasileira para a COP30 destaca eixos como transição energética, florestas, biodiversidade, agricultura sustentável e sistemas alimentares. Os projetos da Amazônia Legal serão apresentados dentro desses eixos, reforçando o papel da região como protagonista das soluções climáticas.
Além da captação de recursos, os governos estaduais esperam firmar parcerias internacionais com agências multilaterais e investidores privados, para garantir a continuidade das ações.
Com isso, a Amazônia Legal se prepara para ocupar um papel central na COP 30, apresentando uma carteira de projetos que une governança ambiental, inovação científica e economia sustentável, contribuindo diretamente para as metas climáticas globais.
60 bioinstrumentos já foram catalogados. Foto: Reprodução/Site oficial Grupo Imbaúba
O músico, cantor, escritor e poeta amazonenseCeldo Braga é um multiartista reconhecido por sua contribuição cultural na Amazônia levando a arte regional para o mundo. E muito mais que isso: Celdo contribui também com a criação de bioinstrumentos, instrumentos musicais produzidos com material amazônico e inspirados na floresta e a musicalidade da mesma.
Ele reuniu as criações no livro ‘Bioinstrumentos amazônicos’, em conjunto com outros músicos da região, totalizando 60 bioinstrumentos originais e adaptados.
O trabalho une a literatura- no livro que explica a trajetória do poeta e a criação dos bioinstrumentos – com a tecnologia – usando QR Codes que levam o leitor direto para o canal no Youtube onde é possível ouvir cada instrumento.
Celdo Braga. Foto: Reprodução/Site oficial Grupo Imbaúba
Elementos como a cuia, usualmente vista apenas como um utensílio diário, conforme pontua o autor na obra, são transformados em ferramentas musicais após pesquisas relacionadas à sonoridade e aperfeiçoamento dos sons. Celdo inclusive participa da iniciativa que leva a arte amazônica para a COP30, em Belém.
No total, são 60 bioinstrumentos catalogados, mas confira aqui 12 dos bioinstrumentos amazônicos:
Canção de fogo
Cuia com varetas de churrasco, fixadas no tampo de meia cuia, atadas em barbante.
Autor: Celdo Braga.
Buzina de barco
Lâmina de látex para ser soprada num ângulo especial sobre a borda da cuia.
Autor: Celdo Braga.
Chuva de cuia
Meia cuia xom tampo de papel e, na parte interna, um mecanismo de talas e missangas.
Autor: Celdo Braga.
Iaçá
Três espetos de churrasco com caroços de manga nas extremidades, fincados em rolhas de cortiça sobre meia cuia.
Autor: Celdo Braga.
Saporeca
Cuia inteira com quatro ou cinco aberturas circulares com diâmetros diferentes ao longo da cuia, para ser tocada em um balão inflado internamente. Ao seco, imita o canto do papagaio, da curica; molhado, imita os vários coaxares de sapos e pererecas.
Autor: Celdo Braga.
Tricó
Três cuias ao meio fixas num cabo de vassoura, com buracos no fundo empapelados, servindo como pele de vibração.
Autor: Celdo Braga.
Cigarra
Pedaço de palmeira jupati escavado, com abertura lateral e as extremidades cobertas por papel madeira. O mecanismo sonoro acontece a partir da fricção de um cordão de tucum girando em um pedaço de madeira roliça.
Autor: João Paulo.
Tucuaci
Caroços de tucumã cravados no interior da estipe de açaizeiro.
Autor: João Paulo.
Macaco-prego
Confeccionado com sementes de cumaru, dispostas em duas varetas metálicas, fixadas sobre uma base de madeira, com suporte de cuia que potencializa sua projeção acústica.
Autor: Eduardo Mendes Gomes.
Tambor d’água
Instrumento de origem africana, adaptado pelo Grupo Gaponga para ser tocado com duas bandas de cuia, cujas bordas são revestidas com emborrachados para garantir a flutuação na água. É montado no interior de uma capemba (curuatá) de palmeira inajá, apoiada sobre uma banqueta de madeira.
Autor: adaptado pelo Grupo Gaponga.
Trivo
Instrumento de três cordas, afinado na escala natural. Suas cordas são ‘dó’, ‘sol’ e ‘mi’ (da grave à aguda). O seu corpo e braço são feitos de madeira e as suas tarrachas são de metal. Suas cordas são de náilon, porém possui uma variante em cordas duplas de aço, chamado trivo duplo. O desenho de seu corpo é em forma de remo, o que representa a cultura da Amazônia.
Autor: produzido por Bero Vidal.
Pata de onça
Produzido com um mecanismo em molas e sementes de cumaru fixadas em uma estrutura de madeira, que sugere o formato da pata da onça-pintada.
Celdo Braga participa da expedição levando declamações, apresentações e também os chamados bioinstrumentos. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM
A arte e a música se tornaram uma das principais formas de expressão da Amazônia na COP30, mostrando a riqueza cultural e a importância da preservação da floresta. Poesia, canções e ilustrações conectaram histórias, identidades e vozes da região à discussão global sobre mudanças climáticas e proteção ambiental.
Entre os artistas que deram voz e forma à Amazônia estiveram o poeta e músico Celdo Braga, o acordeonista Éder do Acordeon e o cartunista Rogério Mascarenhas, o Romas, que marcaram a participação da região com poesia, música e desenho.
Poesia e bioinstrumentos que reverberam a floresta
Com 43 anos dedicados à poesia, à música e à valorização da identidade amazônida, Celdo Braga participou levando declamações, performances musicais e os bioinstrumentos, criados a partir de sementes, cascas e materiais naturais da floresta.
“Eu estava bastante à vontade, porque venho, há muitos anos, desenvolvendo um trabalho voltado para que a natureza seja preservada e a vida seja respeitada. Então, em um evento como este, meu trabalho encontrou ressonância”, afirmou.
O projeto de bioinstrumentos já contava com 60 instrumentos catalogados, feitos com frutos e fibras amazônicas, como caroço de tucumã e casca de cupuaçu, e integrou a plataforma internacional The Amazonic, considerada a primeira biblioteca de sons amazônicos do mundo.
“O projeto tinha oito anos e já havia frutificado em muitos lugares. No final de novembro, lancei um livro reunindo esses 60 instrumentos, como referência simbólica para o estado e para a narrativa de que a floresta vive, soa e respira”, explicou Celdo.
Celdo explica que o projeto dos bioinstrumentos já conta com 60 instrumentos catalogados, todos feitos a partir de frutos e fibras amazônicas, como caroço de tucumã e casca de cupuaçu. Foto: Patrick Marques/Rede Amazônica AM
Natural do Juruá, Éder do Acordeon usou a música para chamar atenção para a preservação, com apresentações que envolveram o público e transformaram perguntas em refrão:
“Vocês vão sujar a água? Vocês vão fazer queimada?”
“Eu não!” — respondeu a delegação.
“Se você fizer queimada, vai aumentar a poluição”, disse o músico iniciando a canção.
“Cantei pela Amazônia, mas também para o mundo inteiro. O que acontece aqui muda o clima do planeta. A música ajudou a tocar o coração de quem ainda não entendeu isso”, finalizou.
O Serviço Geológico do Brasil (SGB) já identificou mais de 2,6 mil setores de risco alto e muito alto em 354 municípios amazônicos, que representam quase metade das cidades da região (45,7%). De acordo com os dados, mais de 1,4 milhão de pessoas vivem nas áreas mapeadas – 5,2% da população regional. As informações são apresentadas no Atlas de Risco Geológico da Amazônia lançado pela diretora-presidente do SGB, Sabrina Góis, durante a 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP30), em Belém.
A publicação inédita consolida 13 anos de mapeamento de áreas de risco geológico e hidrológico em nove estados da região: Amazonas, Acre, Amapá, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins e parte do Maranhão, onde 181 municípios integram a Amazônia Legal.
Sabrina Góis enfatizou a importância dessa entrega durante o lançamento: “O Atlas de Risco da Amazônia é um documento estratégico que contribui diretamente para o planejamento territorial e para a redução de desastres. Esse trabalho mostra o compromisso do SGB com o governo federal em produzir conhecimento que apoie políticas públicas voltadas à adaptação climática, à segurança das populações e à proteção do bioma amazônico”.
Os estados do Amazonas, Acre e Rondônia tiveram 100% dos municípios mapeados, seguidos por Pará (66,7%), Amapá (50%), Maranhão (41,4%), Roraima (33,3%), Mato Grosso (15,6%) e Tocantins (10,7%).
O Pará e o Amazonas concentram a maior parte da população em risco na Amazônia, com cerca de 567 mil pessoas e o maior número de setores de risco mapeados, que somam 1,9 mil, indica o SGB. Em contraste, o estado do Tocantins aparece com apenas nove áreas de risco mapeadas. Esses resultados são influenciados por diversos fatores, como a solicitação de mapeamento por parte dos municípios, as condições de acesso logístico das equipes técnicas e a disponibilidade de recursos para a realização dos levantamentos.
Dos municípios mapeados entre os anos de 2012 e 2024, um total de 284 apresentaram alguma tipologia de risco classificada como de grau alto ou muito alto, enquanto 70 municípios não registraram áreas com esse nível de risco. Dos setores mapeados, 61% correspondem a áreas de risco alto e 39% a áreas de risco muito alto.
Imagem: Divulgação/SGB
A inundação é o risco mais recorrente e de maior impacto, que lidera o número de ocorrências (1.348 ocorrências) e afeta o maior número de pessoas, com 691.989 indivíduos em risco (47,75% do total). Há outras ocorrências relacionadas a erosão, movimentos de massa e fenômenos únicos da região amazônica, como as “ilhas flutuantes” e as “terras caídas”, que afetam comunidades ribeirinhas e alteram o equilíbrio natural dos rios. Os impactos são potencializados por vulnerabilidades sociais e urbanísticas, como a ocupação desordenada de planícies de inundação e encostas.
O atlas aborda as tipologias de risco, incluindo erosão costeira, fluviomarinha, pluvial, movimento de massa, terras caídas, inundações e fenômenos peculiares da Amazônia, como ilhas flutuantes, terras crescidas, acúmulo de sedimentos e colapsos de aterros. Cada processo é apresentado com explicações objetivas, mapas e imagens que ilustram a dinâmica e severidade.
Diante desse cenário, o SGB apresenta recomendações, como: mapeamento e monitoramento contínuos; definição de zonas de não edificação em margens fluviais e no topo de falésias; ampliação da drenagem urbana; educação ambiental; e reassentamento de famílias em risco alto e muito alto.
“A resposta mais eficaz combina soluções de engenharia, estabilização de taludes, contenções e sistemas de drenagem, com estratégias baseadas na natureza, revegetação, restauração de Áreas de Preservação Permanente ciliares e de manguezais, articuladas ao fortalecimento da Defesa Civil e a um planejamento territorial integrado e de longo prazo”, indica o documento.
O Atlas de Risco da Amazônia está disponível no Repositório Institucional de Geociências do SGB. A publicação é de autoria dos pesquisadores: Sheila Gatinho Teixeira, Raimundo Almir Costa da Conceição, Claudio Fabian Szlafsztein, Íris Celeste Nascimento Bandeira, Dianne Danielle Farias Fonseca, Gisele Corrêa dos Anjos, Elton Rodrigo Andretta e Hugo de Souza Ferreira.
Mercúrio usado por garimpeiros na Terra Yanomami é apreendido em operação do Ibama. Foto: Reprodução
O mercúrio usado em garimpos ilegais da Amazônia entra no Brasil por rotas de contrabando que passam, principalmente, pelas fronteiras com a Bolívia e a Guiana, segundo um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA).
O estudo aponta ainda que o Brasil é um dos principais destinos do mercúrio contrabandeado na América do Sul, usado principalmente em garimpos ilegais.
A Guiana é a principal origem do mercúrio encontrado em Roraima, segundo o estudo. O país faz fronteira com o Brasil pelo município roraimense de Bonfim, ao Norte. O metal é usado em garimpos ilegais nas terras indígenas Yanomami e Raposa Serra do Sol, os maiores territórios indígenas do país e que vivem as consequências da atividade ilegal.
O mercúrio contrabandeado da Bolívia é usado com mais frequência em balsas no rio Madeira, em Rondônia, alvo do garimpo ilegal. Além de áreas de exploração em Mato Grosso, como na Terra Indígena Sararé.
Usado por garimpeiros para separar o ouro de outros sedimentos e, assim, deixá-lo “limpo”, o mercúrio é um metal altamente tóxico ao ser humano. Após ser usado pelos garimpeiros, o mercúrio é jogado nos rios, causando poluição ambiental. Assim, entra na cadeia alimentar dos animais e afeta diretamente a saúde da população, principalmente os povos tradicionais.
Como consequência, o mercúrio no organismo pode causar graves problemas de saúde que afetam o sistema nervoso. O metal líquido fica retido no organismo devido à capacidade de bioacumulação.
O relatório aponta que a rede de distribuição de mercúrio se espalha pela Guiana e por Roraima, com diversos pontos de venda e transporte.
Em Georgetown, capital da Guiana, o mercúrio é vendido tanto no atacado quanto no varejo. Entre a cidade e Boa Vista, capital de Roraima, empresas e pessoas transportam o produto pelos dois lados da fronteira.
“Atualmente, trata-se de comércio discreto, que pressupõe relação de confiança entre comprador e vendedor, os quais geralmente se conhecem ou são postos em contato por conhecido em comum. Diante de pessoas desconhecidas, revendedores do produto negam possuí-lo”, diz o estudo.
O mercúrio é transportado em dois tipos de recipientes: de aço, com cerca de 34 kg, e garrafas de plástico com 1 kg, chamadas de “pitchulas”.
De Georgetown, o produto segue para Lethem, cidade da Guiana na fronteira com Bonfim, município ao Norte de Roraima. As duas são consideradas cidades-gêmeas, por estarem ligadas pela divisa.
Georgetown, a capital da Guiana. Foto: Amanda Mclean/Rede Amazônica
Segundo o relatório, a fiscalização policial e alfandegária é frágil nos dois lados da fronteira, “não havendo presença efetiva que dissuada o cometimento de ilícitos fronteiriços”.
O transporte dentro da Guiana ocorre com vans de turismo, que escondem o mercúrio entre eletrônicos e alimentos. Também há envio por avião, em aeronaves fretadas ou de empresas que levam materiais de mineração.
A entrada do mercúrio no Brasil ocorre principalmente pela ponte sobre o rio Tacutu, com apoio de olheiros e veículos batedores que aproveitam horários sem vigilância da Receita Federal ou da Polícia Federal. Também há casos de transporte por barcos e aviões clandestinos em áreas próximas à divisa.
Após cruzar a fronteira, o mercúrio é levado para Boa Vista em carros particulares ou táxis, escondido em fundos falsos, sob bancos ou perto do estepe. O estudo apontou que no trajeto entre Bonfim e Boa Vista, olheiros e motoristas trocam sinais de farol para avisar sobre fiscalizações.
Em Boa Vista, há vários revendedores que vendem o mercúrio a consumidores finais, de acordo com o estudo. De lá, o produto segue para os garimpos da Terra Indígena Yanomami, em Roraima e no Amazonas.
Cercado pela densa floresta amazônica, o território Yanomami é de difícil acesso. O envio do mercúrio para os garimpos ilegais é feito por avião ou barco, junto com combustível e alimentos.
O metal é levado em garrafas plásticas para reduzir o peso, facilitar o transporte e permitir o uso por várias semanas. O relatório aponta que a operação de retirada dos garimpeiros, iniciada em 2023, alterou a dinâmica com bloqueios em rios e estradas e redução da atividade ilegal na região.
Ele também mostra que o mercúrio vindo da Guiana também abastece a mineração no sul da Venezuela. Ele entra por Bonfim, é armazenado em Boa Vista e depois levado até Pacaraima, cidade roraimense na fronteira com o país venezuelano, em táxis legais ou clandestinos.
O mercúrio vindo da Bolívia entra no Brasil principalmente por terra, passando por cidades de fronteira em Rondônia e Mato Grosso. Nas cidades bolivianas, o mercúrio é de fácil acesso.
De acordo com o relatório, as rotas usadas para levar mercúrio em Rondônia também servem para contrabando de cigarros e drogas. O principal fluxo de mercúrio para estado começa em Riberalta, na Bolívia. De lá, o produto segue para Guayaramerín, cidade-gêmea e Guajará-Mirim (RO).
“Para evitar a polícia e embaraços alfandegários, os contrabandistas que atuam na região de Guajará-Mirim se valem da existência de diversos portos clandestinos. O mercúrio, transportado em garrafas PET e frascos pequenos, atravessa o Rio Mamoré em pequenas embarcações até a margem brasileira”, explicou.
Buracos deixados pelo garimpo ilegal na Terra Yanomami. Foto: Samantha Rufino/Rede Amazônica RR
De Guajará-Mirim, o mercúrio segue para Porto Velho, capital rondoniense, e depois pode ser levado até Itaituba (PA), o sul do Amazonas e outras áreas de garimpo no país. Outras rotas passam pelo município de Nova Mamoré e os distritos Vila Iata e Murtinho, em Rondônia.
Em Mato Grosso, o mercúrio entra pela fronteira em dois principais pontos: as cidades bolivianas San Matias e San Ignacio de Velasco, e os municípios de Cáceres (MT) e Vila Bela da Santíssima Trindade (MT), a rota mais usada pelos contrabandistas.
O transporte é feito por terra e rios. Por terra, os contrabandistas usam estradas de chão, conhecidas como “cabriteiras”, e rodovias pavimentadas. O metal segue pelos rios Paraguai e Guaporé.
O relatório também aponta indica entradas pontuais de mercúrio vindas da Colômbia, do Peru e da Guiana Francesa, que abastecem garimpos próximos às fronteiras com esses países.
Cordão da Bicharada em apresentação no primeiro dia de programação da COP30. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas (COP30), que acontece em Belém, no Pará, foi palco de uma manifestação que destaca a força da cultura amazônica e a importância da preservação ambiental.
No primeiro dia do evento que reúne lideranças mundiais (10), uma apresentação do Cordão da Bicharada, tradicional desfile de foliões fantasiados de animais que acontece há mais de 50 anos no município paraense de Cametá, foi realizada.
A participação da Bicharada na maior conferência anual do planeta foi considerada um marco para a história da tradição carnavalesca, porém, parte do público no local recebeu com estranheza e até sarcasmo o desfile das representações animais.
“Animais” percorreram o trajeto até o Green Zone, espaço reservado para sociedade civil, instituições e líderes globais. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo
O Cordão da Bicharada começou lá na década de 1970 e hoje é uma das principais manifestações culturais do Pará que acende o alerta à preservação da fauna amazônica.
O que é o Cordão da Bicharada?
O Cordão da Bicharada é uma expressão cultural que surgiu em 1975, no distrito de Juaba, localizado na região do Baixo-Tocantins, no município de Cametá, interior do Pará. O idealizador foi o mestre Zenóbio Ferreira, ex-morador da cidade, que decidiu criar o bloco carnavalesco para conscientizar a população sobre a preservação do meio ambiente.
Segundo historiadores, a brincadeira saiu do imaginário de Zenóbio através das histórias que seu pai contava sobre os animais amazônicos. A partir daí, o tema virou uma preocupação sobre os prejuízos ao meio ambiente causados por queimadas e desmatamentos, surgindo em Zenóbio a ideia de dar voz aos animais.
Mestre Zenóbio Ferreira foi o grande idealizador do Cordão da Bicharada. Foto: Reprodução/Instagram-Museu Juabense
Durante o carnaval de 1976, um grupo de moradores fantasiados de animais foram às ruas de Cametá para soltar o “grito” dos bichanos. Nascia ali o Cordão da Bicharada.
Araras, jacarés, cobras, macacos, jabutis, tucanos, botos e outros animais típicos da Amazônia eram representados através de danças e marchinhas, no propósito claro de unir a diversão do carnaval com a urgência de preservar o meio ambiente.
O primeiro Cordão da Bicharada deu origem a 22 bichos feitos de materiais como lona, juta e demais materiais recicláveis.
Tradição de gerações
Os historiadores contam que o Cordão da Bicharada, no início, só permitia que adultos pudessem se fantasiar. As crianças apenas admiravam seus pais e vizinhos imitando as espécies durante a manifestação cultural, algumas até ficavam assustadas com tanto realismo dos brincantes.
Mas, desde 1993, Zenóbio decidiu incluir meninos e meninas no Cordão da Bicharada, passando a tradição de geração em geração. De acordo com o mestre, as crianças começaram a pedir para brincar com as fantasias dos animais feitas para os próprios pais, o que acabou se transformando numa grande brincadeira para todos, sem distinção de idade.
Há 30 anos, tradição do Cordão da Bicharada é passada de geração em geração na cidade de Cametá, no Pará. Foto: Raimundo Paccó
Porque o nome Cordão?
De acordo com registros históricos, o termo Cordão diferencia a brincadeira dos blocos de carnaval, porque os “animais” costumavam entrar na casa das pessoas, num trajeto que imitava o formato de um cordão.
Hoje, os “cordões” pouco entram nas casas dos ribeirinhos, mas são levados de barco para o Carnaval oficial da cidade de Cametá, o chamado Carnaval das Águas, quando se apresentam para o grande público.
Cordão da Bicharada, em Cametá, no Pará, chegando para se apresentar em comunidades ribeirinhas. Foto: Acervo Zenóbio Ferreira
COP30
No primeiro dia de programação da COP30, o tradicional Cordão da Bicharada se apresentou no espaço Green Zone, espaço reservado para a participação da sociedade civil, instituições públicas e privadas e líderes globais, em conjunto com o mascote da cúpula, o Curupira.
A apresentação contou com a presença do ministro do Turismo, Celso Sabino, que prestigiou de perto a manifestação cultural criada nos anos 1970.
“A Amazônia é símbolo da força do nosso povo e do compromisso do Brasil com a preservação ambiental. Queremos que cada visitante da COP30 sinta a energia desse bioma e entenda que o turismo sustentável é um caminho eficaz para garantir desenvolvimento e proteção da floresta”, afirmou o ministro.
Ministro do Turismo, Celso Sabino (de azul, no centro) acompanhou o desfile do Cordão da Bicharada. Foto: Reprodução/Ministério do Turismo
Desconhecimento
Apesar de ser um dos grandes patrimônios culturais do Pará, sede da COP30, a apresentação do Cordão da Bicharada foi alvo de críticas. Num exemplo de desconhecimento da história dessa expressão cultural, parte do público que prestigiou a apresentação demonstrou estranhamento.
Alguns veículos de imprensa também descreveram a manifestação cultural como constrangedora e denominou os brincantes como “pessoas trajadas de animais rastejando no pavilhão”, num grande exemplo de desconhecimento de uma das maiores expressões culturais e artísticas do estado paraense.
A Fundação Rede Amazônica (FRAM) promove nesta terça-feira (12), em Belém (PA), uma nova edição do Painel Amazônia Que Eu Quero, com o tema “Gestão de Resíduos Sólidos”. O encontro acontece em um cenário diferente: dentro da embarcação Banzeiro da Esperança, projeto da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), parceira da Fundação.
O evento reúne especialistas e gestores públicos para discutir soluções sustentáveis voltadas à destinação correta dos resíduos na região amazônica. Entre os convidados confirmados estão o ex-ministro do Meio Ambiente e conselheiro da FAS, José Carlos Carvalho, o diretor de negócios da Guamá Tratamento de Resíduos, Reginaldo Bezerra, e a secretária executiva de Inclusão Produtiva da Prefeitura de Belém, Pâmela Massoud.
A edição será transmitida ao vivo pelo G1 Amazonas, Amazon Sat e Portal Amazônia, das 8h30 às 9h30 (horário de Manaus).
A iniciativa integra a série de painéis realizados pela Fundação Rede Amazônica para promover o diálogo sobre o futuro da região e reforçar o papel da Amazônia nas discussões climáticas globais, ja inserido no âmbito da COP 30, que está sendo realizada em Belém.
A Fundação Rede Amazônica tem se consolidado como uma ponte entre diferentes setores da sociedade, promovendo debates que vão além da superfície das discussões políticas. O painel sobre Reforma Tributária reforçou esse papel de mediação — conectando poder público, empresários e especialistas em um mesmo espaço de reflexão.
Correntes de vapor-d’água se formam sobre a floresta na Amazônia são conhecidos como rios voadores. Foto: Gerard Moss/Projeto Rios Voadores
Um grau e meio acima da média: essa foi a temperatura média na Amazônia Brasileira em 2024 – uma marca que idealmente não deveria ter sido atingida, conforme o Acordo de Paris. Não foi um caso isolado: em outros locais do nosso país essa marca também foi ultrapassada no ano passado.
É o caso do Pantanal, onde o aumento em relação à média foi de 1,8°C. Estes são alguns dos dados inéditos que o MapBiomas lançou em 5 de novembro, às vésperas da COP30, em sua nova plataforma, o MapBiomas Atmosfera. A partir de imagens de satélite e modelagem de dados, a plataforma disponibiliza dados climáticos sobre variações de temperatura e precipitação entre 1985 e 2024, além de dados sobre poluentes atmosféricos entre 2003 e 2024 cobrindo todo o território brasileiro.
“O MapBiomas Atmosfera é uma nova ferramenta que auxilia o Brasil a implementar políticas públicas baseadas em evidências experimentais e mostra quais seriam as regiões mais impactadas pelas mudanças do clima e mudança de uso da terra. É uma nova ferramenta importante para auxiliar na preservação de nossos ecossistemas”, destaca Paulo Artaxo, professor da USP e que faz parte da iniciativa do MapBiomas Atmosfera.
O MapBiomas também lança uma publicação para apoiar negociadores, jornalistas, pesquisadores e demais stakeholders participantes da conferência do clima de Belém com um guia contendo um compilado dos mais recentes dados de cobertura e uso da terra no Brasil, traduzidos em blocos temáticos que mostram como essas informações podem orientar ações de mitigação e adaptação climática em diferentes contextos.
“A ciência é a base sobre a qual os países decidiram estabelecer uma ação global conjunta de enfrentamento dos grandes desafios ambientais deste século. Nestas últimas três décadas de negociação, não foi só o clima que mudou: a cobertura e uso da terra, no Brasil e no mundo, também mudaram. E isso tem impacto direto sobre o clima”, explica Julia Shimbo, coordenadora científica do MapBiomas.
“A Amazônia perdeu 52 milhões de hectares, ou -13%, de área de vegetação nativa desde 1985. No mesmo período o bioma teve um aumento médio da temperatura em 1,2°C. Os estudos mais recentes apontam que a perda de florestas modifica as trocas de calor e de vapor d’água com a atmosfera, resultando em temperaturas mais elevadas”, acrescenta Tasso Azevedo, coordenador-geral do MapBiomas.
Recentemente, utilizando essa base de dados, um estudo publicado na Nature Geoscience mostrou que o desmatamento causa 74% da redução das chuvas e 16% do aumento da temperatura na Amazônia durante a seca.
Nas quatro décadas entre 1985 e 2024, a temperatura tem aumentado em todo o Brasil a uma taxa média de 0,29oC por década, segundo o MapBiomas Atmosfera. Alguns biomas, no entanto, estão se aquecendo mais rapidamente. É o caso do Pantanal (+ 0,47°C / década) e do Cerrado (+ 0,31°C / década) – ambos na parte mais continental do país.
A Amazônia, como um todo, permaneceu na média (+ 0,29°C / década), enquanto outros biomas costeiros apresentaram um ritmo mais brando de aquecimento: Caatinga (+ 0,25°C / década), Mata Atlântica (+ 0,21°C / década) e Pampa (+ 0,14°C / década).
“Os últimos três relatórios do IPCC já apontavam estas tendências de aquecimento e de alteração da precipitação que estamos observando na plataforma MapBiomas Atmosfera”, coloca Paulo Artaxo. “Estes aumentos de temperatura têm impactos significativos em todos os biomas brasileiros. A redução de precipitação também tem efeitos importantes, especialmente na Amazônia e no Pantanal”, complementa.
Há uma década, desde 2014, a temperatura no Brasil tem se mantido acima da média do período analisado (1985-2024). O maior valor de anomalia foi observado em 2024, quando a temperatura ficou 1,2 oC acima da média dos últimos 40 anos. Desde 2019, temperaturas acima da média têm sido registradas em quase todos os biomas. Nos biomas Caatinga, Cerrado e Pampa, as anomalias de temperatura têm se mantido em até 1 oC acima da média.
Já o bioma Pantanal registrou um recorde de anomalia em 2024, com temperaturas 1,8 oC acima da média. Esse bioma é alimentado pelas chuvas na Bacia do Alto Paraguai que, em 2024, registrou precipitação 314 mm abaixo da média, com 205 dias sem chuva. O ano de 2024 foi especialmente quente em todo o Brasil, sendo que a temperatura ficou de 0,3 a 2,0oC acima da média histórica em todos os estados.
O MapBiomas Atmosfera mostra também que a temperatura do ar está aumentando em todo o Brasil, mas com variações de estado a estado. Nas unidades federativas mais continentais, como Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí, a temperatura está subindo mais rapidamente, com taxas entre 0,34oC e 0,40oC por década. Já os estados ao longo da costa brasileira tendem a apresentar menores taxas de aumento de temperatura, como Rio Grande do Norte, Alagoas e Paraíba (0,10oC a 0,12oC/década). Na região metropolitana de São Paulo, a temperatura do ar aumenta a uma taxa de 0,19oC por década.
A nova plataforma MapBiomas Atmosfera inclui ainda dados sobre poluição do ar entre 2003 e 2024, estimados a partir de modelos atmosféricos globais. Eles mostram que o ar mais limpo do Brasil se encontra em estados litorâneos do Nordeste, como Bahia, Sergipe e Pernambuco, onde a concentração de material particulado fino (MP2,5) foi inferior a 7 µg/m3 em 2024. O MP2,5 consiste em pequenas partículas suspensas no ar, sendo um dos principais poluentes atmosféricos. O MP2,5 está presente na fumaça emitida pela queima de combustíveis fósseis e de biomassa.
“O material particulado fino (MP2,5) é composto por partículas microscópicas presentes no ar, que representam uma das formas mais nocivas de poluição atmosférica e oferecem riscos à saúde da população”, explica Luiz Augusto Toledo Machado, professor visitante da USP e membro da equipe MapBiomas Atmosfera.
Em Rondônia e Mato Grosso, os estados que apresentaram as maiores concentrações de material particulado fino do Brasil em 2024, a média anual de MP2,5 foi estimada em 42 e 30 µg/m3, respectivamente.
Vista aérea de floresta na Amazônia. Foto: Reprodução/MapBiomas
“De forma geral, a poluição do ar na região Norte foi mais intensa do que em áreas fortemente urbanizadas da região Sudeste em 2024. A baixa qualidade do ar em estados amazônicos tem relação direta com a fumaça dos incêndios florestais, que ocorrem principalmente na estação seca do bioma, entre julho e setembro, quando as chuvas diminuem de 250 mm/mês para 100 mm/mês, aproximadamente”, esclarece Luciana Rizzo, professora da USP e integrante da iniciativa do MapBiomas Atmosfera.
Seca na Amazônia
O clima mais seco favorece a ocorrência de fogo. Em 2024, choveu 448 mm (-20%) abaixo da média do bioma Amazônia, enquanto a temperatura ficou 1,5oC acima da média. Em alguns locais da Amazônia, a anomalia de precipitação atingiu -1000 mm/ano. A diminuição das chuvas contribuiu para o aumento da área queimada, que atingiu 15,6 milhões de hectares no bioma em 2024. A fumaça dos incêndios contém MP2,5, cuja concentração alcançou uma média anual de 24,8 µg/m3 em 2024.
No pico da estação do fogo, em setembro, a área queimada na Amazônia atinge dois milhões de hectares, em média. A concentração média de MP2,5 pode chegar a 43 µg/m3 nessa época do ano. Por outro lado, na época das chuvas, as concentrações de MP2,5 ficam abaixo de 15 µg/m3 na Amazônia.
“Esses números são valiosos para compreender e gerir a qualidade do ar, apesar de não poderem ser tomados de maneira absoluta. Eles indicam a presença de plumas de poluição, áreas e períodos críticos, comportamentos temporais de concentração e dispersão de poluentes, entre outros, o que pode auxiliar na identificação dos problemas de poluição e no desenho de soluções”, diz David Tsai, gerente de projetos do IEMA responsável pela Plataforma da Qualidade do Ar, que reúne os dados de monitoramento da qualidade do ar gerados por estações de medição em solo dos órgãos estaduais de meio ambiente.
“Porém, é importante lembrar que atualmente os dados de satélite e modelagem não têm a acurácia necessária para aferir o cumprimento de padrões de qualidade do ar”, ressalta.
Em 2024, os estados da região Norte registraram déficits de precipitação, com destaque para Rondônia, onde choveu 648 mm (36% abaixo da média histórica entre 1985 e 2024). Os estados com menor número de dias chuvosos foram Sergipe, Pernambuco e Alagoas, variando entre 266 e 272 dias sem chuva.
Se por um lado choveu menos no norte do país em 2024, os estados da região Sul registraram chuvas acima da média, especialmente o Rio Grande do Sul, onde choveu 328 mm (19% acima da média histórica). Em maio de 2024, choveu mais do que o dobro do esperado para o Rio Grande do Sul: foram 370 mm, 150% acima da média histórica. A região serrana do estado registrou volumes de chuva até 500 mm acima da média em maio de 2024.
“Esse padrão de seca na maior parte do Brasil e de chuvas na região Sul é tipicamente observado em anos de fenômeno meteorológico El Niño, resultado do aquecimento anômalo das águas do oceano Pacífico”, explica Luiz Machado.
Enquanto a temperatura do ar tem aumentado sistematicamente em todo o país, a precipitação anual mostra um comportamento mais complexo, com alternância entre períodos secos e chuvosos nos últimos 40 anos em todo o Brasil. Em 2009 choveu 252 mm (+ 14%) acima da média no país. Já 2023 foi o ano mais seco, com chuvas 308 mm (- 18%) abaixo da média, quando se registrou o volume de 1446 mm.
A região do Matopiba, fronteira agrícola do Cerrado, perdeu 27% de áreas naturais entre 1985 e 2024, majoritariamente (99%) para a agropecuária. No Matopiba, a temperatura tem aumentado a uma taxa de 0,32oC por década. A precipitação mostra uma alternância entre períodos secos e chuvosos, com número de dias sem chuva variando de 145 a 210 dias por ano.
No caso da Caatinga, o ano mais quente e seco foi 2023, com temperatura 0,8 oC acima da média histórica e precipitação média de 547 mm/ano (27% abaixo da média). A distribuição espacial das chuvas no bioma é desigual, e, em seu interior, foram observadas regiões com precipitação inferior a 300 mm em 2023.
Além das informações mencionadas, o MapBiomas Atmosfera também reúne dados sobre o número de dias sem chuva e a disponibilidade de água no solo — indicadores para a análise do estresse hídrico no Brasil. O sistema ainda apresenta informações sobre dias de chuva persistente, que ajudam a identificar regiões com excesso de precipitação e monitorar áreas vulneráveis a enchentes. Por exemplo, os dados de 2024 mostram anomalia de dias com chuva persistente no Rio Grande do Sul, especialmente entre os meses de abril e junho.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo MapBiomas
O acendimento das luzes no Parque do Rio Branco inicia a temporada natalina em Boa Vista. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
O clima natalino chegou a Boa Vista com muita emoção, cores e sorrisos. O início desse momento mágico foi marcado pelo acendimento das luzes do Mirante Edileuza Lóz, no parque do Rio Branco e na Orla Taumanan, neste domingo, 9. Os famosos pontos turísticos da capital ficaram ainda mais lindos e iluminados, reunindo diversas famílias.
Com imagens de trenós, renas, laços gigantes e um Papai Noel subindo no mirante, o Parque do Rio Branco se transforma em um cenário natalino perfeito para passear, registrar fotos e criar memórias afetivas. Segundo o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura (Fetec), Dyego Monnzaho, este é um dos momentos mais aguardados do ano pelas famílias de Boa Vista.
Parque do Rio Branco é o cenário perfeito para experiências inesquecíveis. Foto: Giovani Oliveira/PMBV
“O acendimento do Mirante simboliza o cuidado da Prefeitura com a cidade e com as pessoas. A iluminação especial, que também será levada a outros pontos turísticos, transforma Boa Vista em um ambiente mais bonito e acolhedor, reforçando o clima natalino com mensagens de paz, esperança e motivação para toda a população”, disse o presidente.
Também receberão iluminação natalina os seguintes pontos:
Parque do Rio Branco
Orla Taumanan
Teatro Municipal de Boa Vista
Complexo Ayrton Senna
Praça do Cinturão Verde
Avenida Ville Roy
Avenida João Alencar
Mangueira da Ataíde Teive
Praça do Centro Cívico
Praça do Cruviana
Praça do Mirandinha
Além disso, haverá uma novidade na Praça Fábio Paracat, que será divulgada nos próximos dias.
Famílias criam memórias afetivas no maior cartão postal da Boa Vista
O servidor público Alexsandro Nascimento foi com a esposa Elaine e o filho Theo para curtirem o início da temporada natalina. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Com um cenário natalino pronto, as famílias aproveitaram para viver experiências inesquecíveis de final de ano. O servidor público Alexsandro Nascimento foi com a esposa Elaine e o filho Theo para curtirem o início da temporada natalina.
“A gente já sabia que ia ter o acendimento das luzes e decidimos aproveitar esse momento de lazer, trazendo o nosso filho para acompanhar o evento. Assim como todo mundo que está aqui, viemos desejar um feliz Natal para todas as famílias presentes e viver isso junto à população. É uma lembrança que a gente vai guardar com carinho”, disse.
“Esse é um período importante. As crianças já aguardam por isso, querem colocar luzes em casa e se fantasiar. Então, é divertido viver isso na cidade”, contou Valter. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
O militar Valter Benfica prestigiou o acendimento com a esposa Vanessa e o filho Gustavo e contou nunca ter visto um evento assim em outros lugares.
“Já estava na programação vir para o mirante. Chegamos cedo para ver tudo de perto, pois é a primeira vez que participo. Foi muito legal, bacana e bonito. Esse é um período importante. As crianças já aguardam por isso, querem colocar luzes em casa e se fantasiar. Então, é divertido viver isso na cidade”, contou.
A pequena Giselle Sofia, de 11 anos, foi com a mãe e contou que amou ver a nova iluminação do mirante. “Eu gostei demais. Quero vir mais vezes. Amei estar com a minha família. Achei tudo muito bonito”, enfatizou.
Programação natalina
Acendimento das árvores de natal
Parque Germano Augusto Sampaio – 16/11, às 19h
Praça Fábio Marques Paracat – 16/11, às 20h
Natal da Paz 2025
6 de dezembro, 19h, no Palco Aderval da Rocha Ferreira