Em junho de 1970, um jovem de 18 anos morreu em um acidente de moto no trecho que mais tarde se tornaria a Avenida Rogério Weber. A avenida foi batizada em sua memória e hoje é uma das vias mais movimentadas de Porto Velho (RO).
Ele era filho do primeiro comandante do 5º Batalhão de Engenharia de Construção (5º BEC) e chegou à capital aos 14 anos, quando o pai assumiu a direção do batalhão.
Antes do acidente, o trecho entre as avenidas Pinheiro Machado e Sete de Setembro era chamado Major Guapindaia. Já da Sete de Setembro até o 5º BEC, a via era conhecida como Norte-Sul, construída pelo próprio batalhão.
O acidente aconteceu no trecho Norte-Sul. Rogério pilotava uma motocicleta quando bateu em um caminhão basculante do próprio 5° BEC e morreu no local.
Avenida homenageia
Em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, um dos três irmãos de Rogério, Márcio Weber, contou que ele tinha o sonho de se tornar piloto comercial e que já pilotava aos 15 anos. Segundo ele, o irmão era um desbravador.
Final dos anos de 1960. Em pé, ao centro, Cel Carlos Aloysio Weber e ao seu lado os filhos Rogério e Flávia Weber. Entrada da residência do Comandante do 5º BEC. Foto: Reprodução
“Ele era uma pessoa extremamente amiga daqueles que conhecia em Porto Velho. Além de ter sido um irmão e um filho muito querido, ele era alguém de quem todos gostavam; não tinha quem não gostasse dele”, relembra Marcio Weber.
Segundo Carlos Alberto Camargo Lima, sargento de Engenharia na época e autor do livro sobre os 60 anos do 5º BEC, Rogério era um jovem alegre, brincalhão e carismático, que chamava atenção por onde passava, mas mantinha a simplicidade e a amabilidade.
Após o acidente, foi criado às pressas nos fundos do 5º BEC o Cemitério Recanto da Saudade. A área, improvisada para receber o corpo do jovem, o primeiro a ser sepultado ali, acabou se tornando o cemitério destinado a militares e civis que trabalharam na unidade entre 1966 e 1971.
Ação percorreu cerca de 430 km em rios e lagos da Unidade de Conservação. Foto: Divulgação/Naturatins
O Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) finalizou no dia 14 de dezembro, as ações da 4ª campanha do Programa de Monitoramento e Conservação das Ariranhas (Pró-Ariranha). As atividades tiveram início dia 9, na região sul do Parque Estadual do Cantão (PEC) e áreas do entorno, no município de Pium. Como resultado, foram avistadas 31 ariranhas (Pteronura brasiliensis), distribuídas em sete grupos familiares e um indivíduo solitário, reforçando a importância do PEC como área estratégica para a conservação da espécie no estado.
Institucionalizado por meio da Portaria/Naturatins nº 70/2022, o Pró-Ariranha tem como objetivo acompanhar a ocorrência da espécie, considerada ameaçada de extinção, além de subsidiar ações de conservação e manejo. A campanha seguiu o planejamento estabelecido na terceira etapa de campo do programa.
Durante o período de monitoramento, as equipes realizaram deslocamentos terrestres e fluviais pelos rios Javaés, Javaezinho, Araguaia e Riozinho, além de canais e lagos do interior e no entorno das Unidades de Conservação (UCs) e do Parque Nacional do Araguaia. Ao todo, foram percorridos aproximadamente 430 km por rios e lagos da região.
Ações de monitoramento de ariranhas no parque
As ações incluíram observação direta das margens, bancos de areia e barrancos, busca ativa por grupos de ariranhas, registros de vocalizações, rastros, material biológico e identificação de tocas. Também foram coletados dados ambientais, como nível da água, condições climáticas e presença de outras espécies associadas ao ambiente aquático.
Foto: Divulgação/Naturatins
A equipe realizou ainda o registro fotográfico e o mapeamento dos pontos de ocorrência e de locais estratégicos para o acompanhamento contínuo da espécie. Além disso, houve interação com ribeirinhos locais, que contribuíram com informações sobre registros recentes e compartilharam percepções sobre a fauna aquática da região.
A inspetora de Recursos Naturais, Aline Vilarinho, explicou que esta campanha de monitoramento é realizada quatro vezes por ano no âmbito do programa e apresentou resultados expressivos.
“Essa foi a última campanha deste ano e visitamos a parte sul do parque. Observamos uma quantidade significativa de indivíduos, com registro de vários grupos e tocas ativas. Também realizamos a coleta de material biológico para análise, o que tornou o trabalho de campo muito produtivo”, destacou.
A coordenadora do programa Pró-Ariranha, a bióloga Samara Almeida, avaliou positivamente os resultados da quarta campanha.
“Mesmo com os dados ainda em fase de análise, a expectativa é que sejam incorporados ao menos dez novos indivíduos ao catálogo anual. Conseguimos realizar coletas de amostras biológicas, microbiológicas e genéticas, além de cumprir integralmente o planejamento da campanha. Também participamos de uma reunião do recém-formado Comitê de Bacias dos rios Coco e Caiapó. Encerramos a campanha com um saldo bastante positivo”, afirmou.
“Gata morena”, como é conhecida a cidade amapaense, completa 38 anos de emancipação político-administrativa nesta quarta-feira (17). Foto: Divulgação/Márcia Facundes
O município Santana, no estado do Amapá, completa 38 anos de emancipação político-administrativa nesta quarta-feira (17). Conhecida como “Gata Morena“, a cidade é considerada um polo econômico e histórico do Estado.
A emancipação ocorreu em 1987 e representa um marco na autonomia da gestão pública e desenvolvimento econômico do município, que antes era considerado distrito de Macapá.
A data é vista como oportunidade para valorizar a história e fortalecer tradições entre moradores antigos e novos. Diante da data comemorativa, o Grupo Rede Amazônica conversou com Serginho Guedes, morador há 59 anos e reuniu sete curiosidades sobre o município de Santana.
1. Celebrações
Santana tem três datas marcantes:
4 de fevereiro (data que celebra a criação do povoado de Santana, em 1758, por ordem do governador Francisco Xavier de Mendonça Furtado);
26 de julho, dia de Santa Ana, padroeira da cidade;
e 17 de dezembro, aniversário oficial do município.
2. Origem do nome Santana
O nome Santana vem da tradição das grandes navegações, quando povoados recebiam nomes de santos. Assim como Macapá, que já foi chamado de Povoado de São José de Macapá.
O apelido “Gata Morena” reflete as tradições culturais dos moradores. A cidade é também uma das principais portas de entrada do Amapá, graças ao porto de embarque e desembarque.
4. Economia do minério
A economia de Santana tem forte ligação com a mineração. O porto da cidade foi usado para escoar minério de ferro e manganês pela Indústria e Comércio de Minérios S.A. (Icomi). Hoje, o município segue estratégico para a retomada da atividade mineral no estado.
Porto de Santana, no Amapá. Foto: Rafael Aleixo/Rede Amazônica AP
5. Vila Amazonas
Nos anos 1950, a Icomi construiu a Vila Amazonas, projetada por Oswaldo Bratke, para abrigar trabalhadores da mineração. O bairro é símbolo da urbanização moderna no Amapá aos moldes americano.
Em 2024, a prefeitura revitalizou a antiga parada de ônibus “Rádio Cipó”, construída pela empresa. Mas apesar disso, com o tempo, o bairro perdeu características originais, restando poucas lembranças da época.
6. Bairro Nova Brasília
O bairro Nova Brasília reúne moradores antigos do município, que anteriormente moravam onde hoje é a área da Docas de Santana. A área já foi chamada de “Cutaca” e “Vila Olaria”.
Os habitantes foram transferidos para a região atual do Nova Brasília, sendo considerado um dos primeiros bairros planejados após a Vila Amazonas.
7. Forte Cumaú
O Forte de Cumaú foi construído por ingleses e depois reconstruído pelos portugueses. Serviu como defesa estratégica na Amazônia e está diretamente ligado à formação da região de Santana e à colonização do Amapá.
Santana, Laranjal do Jari, Ferreira Gomes e Tartarugalzinho terão eventos culturais, shows e ações especiais para celebrar aniversário de formação administrativa. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AP
Quatro municípios do Amapá celebram mais um ano de criação nesta quarta-feira (17): Santana, Laranjal do Jari, Ferreira Gomes e Tartarugalzinho. Os municípios prepararam programações especiais de aniversário para moradores e visitantes. As agendas incluem shows, eventos culturais, atividades esportivas e ações de fim de ano.
As datas de criação marcam momentos importantes da formação administrativa do estado e, por isso, as comemorações costumam mobilizar moradores, lideranças locais e visitantes. Confira abaixo a programação de aniversário de cada município.
Vista aérea de Santana, no Amapá — Foto: Rede Amazônica
Para o Festival Viva Santana 2025, que celebra os 38 anos do município, a cantora nacional Viviane Batidão se apresenta nesta terça-feira (16), às 21h, na Avenida Santana. Nesta quarta-feira (17), a Prefeitura realiza o tradicional corte do bolo, às 16h, na Praça Cívica.
Programação de aniversário:
Terça-feira (16) — Festival Viva Santana 2025;
21h — Show de Viviane Batidão, na Avenida Santana;
Quarta-feira (17) — Aniversário da cidade;
16h — Corte do bolo de aniversário, na Praça Cívica.
Programação Natalina — Natal nas Águas:
De 16 a 25 de dezembro;
Entrega de brinquedos para crianças ribeirinhas;
Flash mobs natalinos nos bairros.
Santana é a segunda maior cidade do Amapá, com 123.096 habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2020), localizada na Região Metropolitana de Macapá. A cidade abriga o principal porto do Amapá, administrado pela Companhia Docas de Santana (CDSA), empresa pública vinculada diretamente à Prefeitura. O porto é um dos principais pontos de escoamento de cargas e tem papel estratégico na economia estadual.
Laranjal do Jari, no Sul do Amapá — Foto: Maksuel Martins/Secom
A programação oficial começou na sexta-feira (12) e segue até quarta-feira (17), no Terminal Rodoviário de Laranjal do Jari. Nesta terça-feira (16), a atração nacional é o cantor Natanzinho Lima. O encerramento, na quarta-feira (17), terá a dupla cristã Jefferson e Suellen.
Programação cultural — terça-feira (16):
19h — Apresentador Bob;
19h30 — DJ Patrick da Kenner;
21h10 — Banda Simone Matos;
22h40 a 0h — DJ pirotécnico Anderson Perfect;
23h40 — Homenagens e queima de fogos;
0h30 — Natanzinho Lima;
2h — DJ Balieiro;
3h — Aparelhagem JSOM.
19h — DJ gospel M. Áudio Stúdio;
19h — Cantor Leandro Souza;
19h15 — Michel Moraes e Banda;
19h40 — Cantor Gabriel Trindade;
20h05 — Edson e Banda;
20h20 — Ministério de Louvor Quadrangular;
20h40 — Cantora Yasmin Oland;
20h55 — Fala das autoridades;
21h15 — Mirian Guedes e Banda;
21h35 — Thaís Nogueira e Banda;
21h50 — Ministração da palavra (ato profético);
22h40 — Jefferson e Suellen (atração nacional).
Programação religiosa — quarta-feira (17):
19h — DJ gospel M. Áudio Stúdio;
19h — Cantor Leandro Souza;
19h15 — Michel Moraes e Banda;
19h40 — Cantor Gabriel Trindade;
20h05 — Edson e Banda;
20h20 — Ministério de Louvor Quadrangular;
20h40 — Cantora Yasmin Olanda;
20h55 — Fala das autoridades;
21h15 — Mirian Guedes e Banda;
21h35 — Thaís Nogueira e Banda;
21h50 — Ministração da palavra (ato profético);
22h40 — Jefferson e Suellen (atração nacional).
O município terá, ainda, uma corrida esportiva no dia 20 de dezembro como parte das comemorações de aniversário.
Localizado na região sul do Amapá, às margens do rio Jari, o município é o maior do estado em extensão territorial e o terceiro mais populoso. Entre os principais atrativos turísticos, está a Cachoeira de Santo Antônio, um dos pontos mais visitados da região.
Ferreira Gomes
Cidade de Ferreira Gomes, no Amapá — Foto: Fecomércio-AP/Divulgação
O município tem a economia baseada em atividades agropecuárias tradicionais e, mais recentemente, vem ampliando ações ligadas ao turismo, aproveitando o potencial paisagístico da região.
É lá que está localizada a Usina Hidrelétrica Ferreira Gomes, uma das principais estruturas energéticas do Amapá.
Tartarugalzinho
Município de Tartarugalzinho celebra 38 anos — Foto: Fecomércio-AP/Divulgação
O município também celebra aniversário nesta quarta-feira (17) com transmissão de jogo de futebol, apresentações musicais, culturais e sorteios, que vão acontecer na Praça Saturnino.
Programação:
14h — Transmissão do jogo Flamengo x PSG;
19h — Cantar os parabéns;
19h30 — Sorteio do IPTU premiado: 1 moto, 1 geladeira e uma bicicleta;
20h — Apresentações culturais;
21h30 — Pagode com Os Moreiras.
Tartarugalzinho está localizado no leste do Amapá. Seu surgimento e crescimento estão diretamente ligados à posição geográfica às margens da BR-156, que impulsionou a ocupação e o desenvolvimento da região.
No turismo, o município se destaca pelos diversos balneários e pela Cachoeira da Chamflora, um dos principais atrativos naturais da cidade.
A publicação marca a entrada em vigor das regras definidas de forma coletiva, com ampla participação social, que devem orientar a gestão e o manejo das UCs, tendo em vista atingir os seus objetivos de criação.
Os Planos de Manejo estão definidos na Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC) como os principais instrumentos de gestão das Unidades. São documentos técnicos construídos de forma participativa com as comunidades e instituições com atuação nos territórios protegidos pelas UCs.
Entre outros elementos, os Planos descrevem os recursos e valores fundamentais das UCs, definem seu zoneamento e usos possíveis para cada zona, além de estabelecerem normas para o manejo dos recursos naturais dos territórios.
O processo de construção do Plano de Manejo da Estação Ecológica foi iniciado em 2019 e envolveu desafios logísticos para as atividades necessárias à sua elaboração, dado o isolamento geográfico da UC, acessível apenas via fluvial.
Oficina da Esec de Jutaí-Solimões. Foto: Divulgação/ICMBio
Participaram da Oficina do Plano de Manejo, realizada em Santo Antônio do Içá, no ano passado, a Coordenação de Planos de Manejo do ICMBio (COMAN), a equipe do Núcleo de Gestão Integrada (NGI) do Instituto em Tefé, responsável pela gestão da UC, representantes das comunidades tradicionais e povos indígenas que possuem relação com o território, as prefeituras dos municípios de Jutaí e Santo Antônio do Içá e o Instituto de Desenvolvimento Sustentável de Mamiraúa, entre outros.
O chefe do NGI Tefé, Iury Valente, explica que “a Esec Jutaí-Solimões é um território protegido estratégico na região do Alto Solimões. A região é de difícil acesso e a UC possui importância ecológica, hidrológica e arqueológica, mas também socioambiental para a região”.
“O planejamento e o desenvolvimento das atividades para a construção do Plano foram desafio que superamos em conjunto. Além das dificuldades esperadas, a pandemia da COVID-19 exigiu resiliência da equipe responsável. A construção e publicação do Plano de Manejo traz luz sobre essa complexidade e integra a sociedade civil para construirmos em conjunto as estratégias que levarão a UC a atingir os objetivos que levaram a sua criação”, continuou o analista.
A Estação Ecológica de Jutaí-Solimões, criada em 1983, protege 290 mil hectares do bioma Amazônia, nos municípios amazonenses de Amaturá, Jutaí, Santo Antônio do Içá e Tonantins. A UC possui comunidades ribeirinhas em seu interior e sobreposição com duas Terras Indígenas homologadas.
A Esec, localizada entre os rios que dão origem a seu nome, na região do Alto Solimões, protege a biodiversidade, os recursos naturais das florestas inundáveis e de terra firme e sítios arqueológicos, beneficiando as demais áreas protegidas do entorno e os modos de vida dos povos indígenas e comunidades ribeirinhas que fazem o uso histórico do território.
Oficina da Flona do Aripuanã e da Rebio Manicoré. Foto: Divulgação/ICMBio
Flona do Aripuanã e Rebio do Manicoré: Plano de Manejo Integrado
Na Flona do Aripuanã e na Rebio do Manicoré, foi adotada a concepção de Plano de Manejo Integrado das duas UCs, uma vez que são territórios contíguos e possuem interrelações. O processo de construção do Plano de Manejo foi coordenado pela COMAN, com intensa colaboração da equipe do NGI ICMBio Humaitá, responsável pela gestão das unidades. Além de aprovar o Plano, a portaria também estabelece as Zonas de Amortecimento (ZA) de ambas UCs, com normas específicas de uso.
O processo de construção do Plano foi iniciado em 2023, paralelamente à formação do Conselho Consultivo integrado das UCs, que compartilham a mesma realidade socioambiental e mesma representatividade dos atores locais no território.
A Oficina de elaboração do Plano de Manejo ocorreu no último ano, em Porto Velho (RO), reunindo 30 atores-chave representantes dos setores relacionados com a gestão das unidades, dentre eles representantes do Conselho Consultivo, do ICMBio, de outras entidades federais, de órgãos estaduais, das secretarias municipais, organizações não governamentais, pesquisadores e comunidades do interior da Flona do Aripuanã e entorno da Rebio do Manicoré. Do evento, resultou a construção dos elementos do Plano de Manejo das UCs, que agora orienta a gestão das áreas protegidas.
Floresta Nacional do Aripuanã. Foto: Divulgação/ICMBio
Caio Veiga, analista ambiental e ponto focal de Gestão Socioambiental do NGI Humaitá, relata que a aprovação do Plano foi recebida com muita alegria no território. “O Plano foi fruto de construção coletiva desde a formação e posse do Conselho Consultivo, passando pelas etapas preparatórias em que fizemos várias reuniões nos municípios das UCs e nas comunidades”, coloca.
“A expectativa é de que o Plano ajude a orientar os beneficiários e usuários sobre as normas de uso do território, além de consolidar num documento todas as informações que temos sobre as unidades e seus principais recursos e valores, incluindo as comunidades tradicionais e os ecossistemas que devem ser protegidos para garantir os objetivos de criação das UCs”, avalia Caio.
A Flona do Aripuanã abrange 751 mil hectares nos municípios de Apuí, Manicoré e Novo Aripuanã. Já a Rebio do Manicoré protege 359 mil hectares nos municípios de Manicoré e Novo Aripuanã. As UCs, criadas em 2016, localizam-se no sul do Amazonas, em área sob influência da BR-230 (Transamazônica). A região onde se encontram as UCs é estrategicamente recomendada para a existência e criação de áreas protegidas, servindo como um escudo para a proteção do bioma.
Também na Amazônia, revisão geral do Plano de Manejo da Reserva Biológica do Guaporé (RO)
O ICMBio publicou a revisão geral do Plano de Manejo da Reserva Biológica do Guaporé, em Rondônia, atualizando diretrizes e instrumentos de gestão para fortalecer a conservação da biodiversidade local. O documento consolidado é resultado de uma oficina participativa realizada em 2022, com apoio da COMAN.
Criada em 1982, a Rebio do Guaporé protege um mosaico de ecossistemas que incluem ambientes amazônicos, Cerrado e áreas alagáveis semelhantes ao Pantanal, abrigando rica biodiversidade, com destaque para as 182 espécies de aves registradas — entre elas migratórias e ameaçadas de extinção, como a harpia. A unidade funciona como um importante laboratório natural para pesquisa, educação ambiental e conservação dos recursos naturais, assegurando a proteção desses ambientes para as gerações presentes e futuras.
Meta principal é impulsionar produção, armazenamento, processamento, escoamento e a comercialização de alimentos produzidos na região amazônica. Foto: Vitor Vasconcelos/Secom-PR
O Governo do Brasil, por meio de uma ação interministerial coordenada, lançou o projeto “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva”. A iniciativa, que visa fortalecer atividades produtivas baseadas na bioeconomia e ampliar o mercado de alimentos da agricultura familiar sustentável na Amazônia, será financiada com R$ 96,5 milhões provenientes do Fundo Amazônia.
O objetivo é melhorar e garantir o acesso de povos indígenas, comunidades tradicionais e agricultores familiares aos mercados de alimentos e de produtos da sociobiodiversidade.
Os recursos serão investidos ao longo de dois anos e fortalecerão o fornecimento de alimentos ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA). Também vão permitir que o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE) enriqueça o cardápio regional com produtos como pirarucu, pescada-amarela, tambaqui, matrinxã, jaraqui, castanha-do-Pará, borracha extrativa, babaçu, mel, cacau, cupuaçu e outros.
Os beneficiários serão os agricultores familiares dos nove estados que compõem a Amazônia Legal – Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima, Tocantins, Mato Grosso e Maranhão.
Produtos
O projeto busca otimizar e assegurar a eficiência, qualidade e sustentabilidade de todas as etapas da produção, desde a matéria-prima até o consumidor final. Serão contemplados produtos como açaí, castanha-do-Brasil, frutas diversas, farinha de mandioca e pescados artesanais, que unem o uso sustentável da natureza com a identidade cultural de cada território.
A iniciativa tem como meta principal impulsionar a produção, o armazenamento, o processamento, o escoamento e a comercialização desses alimentos produzidos por ribeirinhos, pescadores artesanais, extrativistas e outros grupos tradicionais da região amazônica.
A execução da iniciativa será conjunta, envolvendo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), gestor do Fundo Amazônia. O programa tem o apoio do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA); Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); e Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS).
Com a participação do MMA, contrato foi assinado entre BNDES e a Conab. Foto: Rogério Cassimiro/MMA
Seleção
Os projetos desenvolvidos pelas organizações de povos indígenas, tradicionais e agricultores familiares (PIPCTAFs) serão selecionados por meio de uma chamada pública. O “Florestas e Comunidades: Amazônia Viva” prevê pelo menos 32 projetos, cada um com valor de até R$ 2,5 milhões. Os recursos poderão ser aplicados em logística, infraestrutura para armazenamento dos produtos e acesso à energia renovável, entre outros investimentos necessários para acessar o mercado formal de alimentos.
CONAB
As nove superintendências regionais da Conab na Amazônia Legal serão apoiadas com infraestrutura de tecnologia da informação e veículos para melhorar a execução de políticas de fomento à produção sustentável. A sede da Conab, em Brasília, também receberá reforço na infraestrutura de rede, garantindo a operacionalização dos sistemas e informações necessários para implementar as políticas públicas na região.
Desenvolvimento do ‘Amazônia Viva’
Para o diretor-presidente da Conab, Edegar Pretto, o projeto consolida um legado para quem vive na floresta.
“É um legado que nós, do governo brasileiro, precisamos deixar para esse público da floresta. Os produtos da sociobiodiversidade merecem a visibilidade que têm outros produtos, como as commodities, também produzidas no nosso Brasil. Nós queremos que o desenvolvimento seja para todos e ninguém fique para trás”, afirmou.
Sinergia
Segundo a diretora Socioambiental do BNDES, Tereza Campello, o Fundo Amazônia é um instrumento de política pública que hoje integra combate ao desmatamento, inclusão produtiva e geração de renda. “Estamos somando aqui nesse novo projeto, criando toda uma sinergia para que a agenda ambiental e a agenda da sociobiodiversidade possam ser estruturadas e tenham mais um salto estratégico de qualidade”, afirmou.
Preservação
O ministro do MDA, Paulo Teixeira, destacou o compromisso do Governo do Brasil com a preservação ambiental. “O nosso presidente Lula sempre teve dois grandes compromissos, o primeiro deles com o meio ambiente. O governo conseguiu diminuir o desmatamento em patamares que nós nunca tivemos no país, e o outro, o de pensar na sociobiodiversidade, preservar a floresta e no desenvolvimento das pessoas que moram na Amazônia”, disse o ministro.
A secretária Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Lilian Rahal, ressaltou que a atuação integrada entre ministérios é importante para garantir direitos e renda aos povos tradicionais da Amazônia.
“Temos feito esse esforço dos diferentes ministérios aqui presentes para que nós tenhamos ações efetivas de garantia de condições de vida para essas populações e não só boas condições de vida, mas também geração de renda e uma economia que permita uma situação razoável de convivência com aquele ambiente”, ponderou.
O escritor amazonense Milton Hatoum, eleito para a Cadeira nº 6 do Quadro dos Membros Efetivos da Academia Brasileira de Letras (ABL), lançou no dia 14 de dezembro em Manaus (AM), os livros ‘Dança de enganos’ (Companhia das Letras) e ‘A natureza como ficção’ (Valer).
Em ‘A natureza como ficção’ (2024), Hatoum analisa como a floresta amazônica é retratada em ‘A selva’, de Ferreira de Castro, e ‘Mad Maria’, de Márcio Souza.
O autor destaca o contraste entre barbárie e cultura e chama atenção para a vida dos nativos e dos trabalhadores vindos de fora, envolvidos na construção da ferrovia Madeira-Mamoré e na exploração da borracha.
A obra incentiva a leitura dos dois escritores, que, em épocas diferentes, narraram de forma sensível as peculiaridades da Amazônia.
Capa do livro ‘A natureza como ficção’, de Milton Hatoum. Foto: Reprodução/ facebook-@editoravaler
Capa do livro ‘Dança de enganos’, escrito por Milton Hatoum. Foto: Reprodução/ Amazon
Já ‘Dança de enganos’ (2025) é um drama familiar marcado por contexto histórico e político. O livro aborda amor, perdas e desencontros, narrados pela voz de uma personagem resiliente.
Ambientado no fim dos anos 1960, o romance é conduzido por Lina, mãe de Martim. No cenário da ditadura, ela enfrenta o afastamento do filho e decide escrever sua história.
Ao longo da narrativa, Lina revisita sua vida e a de pessoas próximas, como o irmão Dácio, a mãe Ondina, a empregada Delinha e o artista Leonardo.
O livro apresenta personagens marcados por perdas e desencontros.
Martim, protagonista de ‘A noite da espera’ e ‘Pontos de fuga’, aparece na obra pela ausência sentida pela mãe. Lina escreve sobre ele e levanta a questão central: a memória escolhe o que esquecer?
Milton Hatoum nasceu em Manaus (AM) em 1952. Formado em arquitetura pela Universidade de São Paulo, estreou na literatura com Relato de um certo Oriente (1989), vencedor do prêmio Jabuti. Entre suas obras estão ‘Dois irmãos’ (2000), adaptado para TV, teatro e quadrinhos, e ‘Cinzas do Norte’ (2005), premiado em diversas categorias.
Também publicou ‘A cidade ilhada’ (2006), ‘Órfãos do Eldorado’ (2008), ‘Um solitário à espreita’ (2013) e ‘A noite da espera’ (2017). Sua obra já foi traduzida em 14 países e, em 2018, recebeu o prêmio Roger Caillois, na França.
Criança bebe água filtrada na escola da comunidade indígena de Yomibato, no Parque Nacional de Manu, Peru. Foto: Glenn Shepard/Rainforest Flow
As mudanças climáticas precisam estar na agenda das políticas públicas de saúde. Isso ficou evidente durante o encontro “Mitigação do impacto das mudanças climáticas na saúde pública por meio da abordagem de saúde única”, ocorrido no Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG), durante a Conferência das Partes (COP30).
Especialistas de diferentes partes do mundo relataram como o equilíbrio sistêmico mantém a saúde global e trouxeram exemplos de como doenças infecciosas, especialmente as transmitidas por vetores, e as zoonoses representam uma preocupação internacional, pela alta prevalência, pelos graves impactos à saúde e à economia e pelas ligações com os efeitos do clima.
O relator do evento, Glenn Shepard, doutor em antropologia médica e pesquisador do MPEG, destacou que o grupo construiu uma minuta de “declaração de consenso dos especialistas”, que, basicamente, fala da necessidade de reconhecer a conexão entre a saúde planetária e a ambiental. A pesquisa do antropólogo também contempla essa questão.
Participaram da discussão – que se deu de forma híbrida no dia 12 de novembro, com reunião presencial no Campus de Pesquisa do MPEG, em Belém-PA – especialistas de diferentes países (como China, Filipinas, Indonésia, Marrocos e Brasil), entre os quais:
Minghui Ren, vice-presidente da Associação Chinesa de Medicina Preventiva (CPMA) e diretor do Instituto de Saúde Global;
Hannah Marcus, coordenadora do Grupo de Trabalho de Meio Ambiente e Saúde da Federação Mundial de Associações de Saúde Pública;
Luis Eugenio de Souza, professor do Instituto de Saúde Coletiva da Universidade Federal da Bahia;
Mayumi Duarte Wakimoto, chefe de Vigilância em Saúde do Instituto Nacional de Infecções Evandro Chagas;
e Christovam Barcellos, pesquisador sênior do Observatório de Clima e Saúde do ICICT, Fundação Oswaldo Cruz.
De acordo com o relator do encontro, já é um consenso entre os estudiosos da saúde única (one health) o fato de que, quando a biodiversidade se perde, aumentam os riscos. Sabe-se que as mudanças climáticas influenciam significativamente a disseminação e a dinâmica de transmissão das doenças. Isso ocorre em decorrência da alteração dos padrões de temperatura, da precipitação, da umidade, da ocorrência de inundações e de secas, porque esses eventos afetam a ecologia dos vetores, as interações com os hospedeiros e os habitats.
Foto: Andréa Batista/MPEG
Impactos à nutrição e à saúde
Por exemplo, é fato que as abelhas têm um papel importante na polinização de uma diversidade de plantas e, consequentemente, na nutrição humana, e sabe-se que o desmatamento e a monocultura é uma ameaça às espécies. “Sem as abelhas, a gente não come”, frisou Glenn Shepard.
Um outro cenário amplamente citado no encontro foi o das mudanças climáticas, especialmente o efeito do aumento da temperatura, mudando o comportamento de doenças, como malária e dengue, e a fragmentação do habitat dos animais alterando as relações entre predadores e presas e impactando a saúde humana.
“A expansão da dengue é um exemplo dos efeitos das alterações climáticas à saúde. Os pesquisadores apontaram o avanço dos assentamentos humanos nas florestas, o armazenamento de água por causa da seca e das cheias e o aumento de temperatura fazendo o ciclo de vida do mosquito ficar mais curto e, consequentemente, aumentando a transmissão da doença. Em relação à malária, os dados apontam que as mortes globais diminuíram entre 2000 e 2023 devido a ações de prevenção, mas, a partir de 2023, começaram a subir de novo. O aumento de eventos climáticos extremos, da seca extrema aumenta a transmissão de malária, devido aos impactos em algumas espécies de carapanã, por exemplo”.
O que os estudiosos defendem é uma abordagem multidisciplinar envolvendo ciência climática, biologia de vetores, saúde pública e conservação. Isso tudo com políticas coordenadas em níveis nacional e internacional.
“A fala de Carlos Nobre (cientista e meteorologista renomado), no encerramento da programação do Museu Goeldi na COP30, também reacende a preocupação sobre a possibilidade de que alguma doença que, hoje, é endêmica na Amazônia e restrita a lugares remotos possa escalar e se tornar a próxima pandemia global, devido à violência contra o bioma, ao desmatamento, ao tráfico ilegal de madeira de animais, à expansão da agropecuária e à extração desordenada de ouro, aliado ao aumento do fluxo de gente nesses lugares remotos”, alertou.
Custos da destruição
O pesquisador Glenn Shepard lembrou, ainda, que, durante o encontro, os especialistas em saúde única comentaram sobre os custos econômicos com a perda da biodiversidade e que como eles impactam a saúde humana e ecossistêmica. Segundo ele, estima-se que essa perda chegue a até 25% do produto bruto global. Paradoxalmente, os pesquisadores apontaram que há 1,7 trilhões de dólares em subsídios para atividades que contribuem para a destruição, como petróleo, agricultura não sustentável etc.
“Então, é como se os governos estivessem pagando pela destruição da saúde. Essa é a contradição. Nesse sentido, houve alguns encaminhamentos no sentido de expandir o conhecimento sobre saúde única. No Brasil, essa abordagem está crescendo, ganhando tração entre os pesquisadores em saúde pública, mas não entre os médicos e não entre os políticos”, disse.
Por outro lado, o grupo discutiu a preocupação com o alto uso de antibióticos na pecuária, que teria o efeito de aumentar a resistência de micróbios. Estima-se que esse uso vai aumentar em 30% até 2040. Para os especialistas, as mudanças climáticas geram condições ao espalhamento de organismos resistentes (humanos e de rebanhos). Cerca de 100 países, incluindo a China, já teriam iniciativas vinculadas à pecuária sustentável, com redução do uso de drogas, promoção de conexões entre produção de alimentos, incentivos econômicos e sistemas. O grupo discutiu como essas práticas poderiam inspirar a agropecuária mais sustentável no Brasil.
Glenn Shepard, pesquisador do Museu Goeldi, relatou encontro de especialistas que ocorreu durante a COP30. Foto: Andréa Batista/MPEG
Encaminhamentos
Para o doutor em antropologia médica o encontro ocorrido durante a COP não encerrou a discussão em torno da necessidade de se pensar a saúde de forma integrada. Pelo contrário, acendeu a preocupação e levantou alguns possíveis encaminhamentos, como a necessidade de que cientistas e sociedade civil possam atuar na sensibilização de governos para dar andamento a políticas de estabilização climática como uma forma de contribuir para a saúde dos seres humanos e animais e dos ecossistemas; a construção do documento com recomendações e princípios pactuados pelos especialistas em saúde única; e de criação de museus de saúde única em cada bioma, com o Museu Goeldi como possível espaço para essa iniciativa na Amazônia.
Em relação à minuta da “declaração de consenso dos especialistas”, Glenn Shepard explicou que foi uma construção durante o evento a fim de reforçar a abordagem em relação à saúde única nas respostas às mudanças climáticas.
“Houve uma sugestão, pelos especialistas brasileiros, de entregar esse documento ao Ministério da Saúde, que, diferente do que ocorre em outros países, está aberto a abordagens de saúde complementar mais holísticas, tanto no sentido de incorporar a medicina ayurvédica, a medicina indígena, a medicina chinesa, a medicina tradicional brasileira, quanto a essas abordagens de saúde única. Há uma expectativa de que essa visão seja fortalecida”, avaliou o pesquisador do Museu Goeldi, Glenn Shepard.
Entre os pontos consensuados:
está o fortalecimento de estruturas de governança que facilitem a coordenação entre os setores de saúde humana, saúde animal, meio ambiente e social, para desenvolver estratégias abrangentes de mitigação, e não apenas respostas de adaptação;
como também o estabelecimento de plataformas e mecanismos que promovam a troca contínua de conhecimento e o compartilhamento de boas práticas na implementação do One Health;
a construção de parcerias entre governos, organizações internacionais, instituições acadêmicas, sociedade civil e entidades do setor privado para aproveitar a expertise e os recursos coletivos para uma implementação eficaz da saúde única;
o investimento em pesquisa e inovação que avancem nossa compreensão das interconexões clima-saúde;
e o estabelecimento de mecanismos abrangentes de monitoramento e avaliação para avaliar a relação custo-efetividade das intervenções One Health na mitigação climática e orientar a melhoria contínua.
O pesquisador Glenn Shepard vem observando as implicações da saúde animal na saúde humana, o que tem relação com essa abordagem de saúde única. No Museu Goeldi desde 2009, o antropólogo tem trabalhado nas áreas de etnologia indígena, etnoecologia e etnobiologia, e antropologia médica com povos tradicionais da Amazônia. Integrante do projeto Rainforest Flow, que atua no Peru, ele observou as mudanças na saúde de comunidades após a implantação de tanques de filtragem de água que funcionam basicamente com pedras e areia.
Em dado momento da pesquisa, ficou evidente para Glenn Shepard que não adiantava apenas cuidar das pessoas com medicação e água potável, sem cuidar dos animais e do meio ambiente. Segundo ele, enquanto os dados epidemiológicos apontavam para a diminuição de doenças de veiculação hídrica, como diarreias, por exemplo, eles mostravam um aumento das zoonoses (doenças transmitidas por animais).
“Os estudos precisam se aprofundar, mas os dados apontavam para a necessidade de que, junto ao tratamento dos humanos, era necessário fazer uma intervenção veterinária e de higiene, pois o ambiente favorecia a contaminação e a recontaminação de algumas doenças, principalmente, das zoonoses”, disse.
O nstituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) concedeu, na RPI nº 2865 do dia 2 de dezembro, o registro de Indicação Geográfica (IG), na espécie Indicação de Procedência (IP), para o mel de Boa Vista do Ramos, no Amazonas.
Com o novo reconhecimento, o Brasil passa a contar com 159 IGs registradas: 41 Denominações de Origem (DO), sendo 31 nacionais e 10 estrangeiras, e 118 IPs (117 nacionais e 1 estrangeira).
Localizado na região amazônica, o município de Boa Vista do Ramos se beneficia da maior biodiversidade do mundo, marcada pelo clima quente, floresta densa e flora abundante. Esse ambiente favorece a criação de abelhas nativas, que têm papel fundamental no equilíbrio ambiental, atuando na polinização e na dispersão de sementes.
Entre elas estão os Meliponíneos, abelhas indígenas sem ferrão que constroem seus ninhos em troncos ocos ou no solo e são típicas de regiões tropicais e subtropicais.
Terra do Mel
A meliponicultura tem grande relevância econômica e ambiental no Amazonas. Há registros de quase 200 espécies na região, e mais de 40 municípios produzem o derivado, mas Boa Vista do Ramos se destaca nacionalmente, sendo reconhecida como a Terra do Mel.
O município reúne vegetação favorável, grande diversidade de espécies e alta produtividade, tornando-se o maior produtor do Brasil. A atividade beneficia diversas famílias, gera renda e contribui diretamente para a conservação da vegetação e o aumento da produção de pomares.
O reconhecido pelo INPI é produzido em meliponários de terra firme e áreas de várzea, exclusivamente por abelhas indígenas sem ferrão, como a Melipona seminigra (jandaíra) e a Melipona interrupta manauense (jupará). O produto apresenta características sensoriais próprias, como leve acidez, aroma marcante e coloração única, resultantes das floradas da região.
A tradição local também impulsionou o desenvolvimento de eventos ligados ao setor, como a Festa do Trabalhador e a Feira que celebra a produção, que reforçam a notoriedade do município. O reconhecimento da atividade levou ainda à instalação da primeira Casa do Mel do Amazonas dentro dos padrões exigidos por lei, equipada de acordo com as normas sanitárias e habilitada pelo Serviço de Inspeção Estadual (SIE) para a comercialização do produto.
Manguezais da costa do Amapá recebem nova campanha de monitoramento. Foto: Alessandra Lameira/ICMBio
A costa do Amapá recebeu no início deste mês uma nova campanha de monitoramento dos manguezais da Ilha de Maracá. Técnicos coletaram informações sobre a vegetação e sobre a população de caranguejo-uçá (Ucides cordatus), espécie típica da região.
A ação foi realizada na Estação Ecológica de Maracá-Jipioca, unidade gerida pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). O trabalho contou com apoio da Universidade do Estado do Amapá (Ueap) e integra o Programa Nacional de Monitoramento da Biodiversidade (Monitora).
O objetivo é avaliar a saúde dos ecossistemas e acompanhar possíveis mudanças ambientais ao longo do tempo, verificando se as áreas estão preservadas ou apresentam sinais de impacto. Esta foi a 8ª edição da campanha.
Na vegetação, os técnicos coletam dados sobre biomassa, altura e diâmetro das árvores. As informações ajudam a entender como os mangues reagem às mudanças naturais e às pressões externas.
No caso do caranguejo-uçá, o estudo mede a densidade e a estrutura populacional da espécie por meio da contagem e análise das tocas. Assim, é possível estimar o tamanho médio e a população.
Na Estação Ecológica de Maracá-Jipioca, a captura de caranguejos é proibida. A unidade funciona como berçário natural e ajuda a manter populações que se espalham para outros manguezais fora das áreas protegidas.
Os resultados seguem protocolo do Subprograma Marinho-Costeiro do ICMBio e vão orientar estratégias de conservação e manejo.
“Esse monitoramento nos permite entender como o ecossistema está se comportando frente a fatores climáticos, antrópicos e ambientais locais. São oito anos de coletas de dados contribuindo para a conservação desse ambiente essencial”, afirma o analista ambiental Tiago de Miranda Marques, do ICMBio.
Os manguezais ficam na faixa entre marés de regiões tropicais e subtropicais. Eles abrigam grande diversidade de espécies e oferecem serviços essenciais, como proteção da costa contra erosão e tempestades, regulação climática, fornecimento de alimentos e potencial para o ecoturismo.