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Safra no Acre ultrapassou 186,9 toneladas em 2025

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Mandioca é o produto mais cultivado do Acre. Foto: Marcos Vicentti/Secom AC

A produção de safra de cereais, leguminosas e oleaginosas no Acre alcançou 186.972 toneladas em dezembro do ano passado, segundo o Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado no dia 12 de fevereiro, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A área plantada no estado também chegou a 62.804 hectares. O governador Gladson Camelí destacou os avanços conquistados pelo setor produtivo do estado.

“Esse resultado é fruto de muito trabalho, planejamento e compromisso com quem produz no nosso estado. Ultrapassar 186,9 mil toneladas na safra de 2025 mostra que o Acre está no caminho certo. Estamos investindo em incentivos, assistência técnica, mecanização e apoio direto ao produtor rural, fortalecendo as cadeias produtivas e gerando mais emprego e renda no campo”, disse.

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O governador do Acre Gladson Camelli
Foto: Diego Gurgel/ Secom AC

Ele ainda destacou que o governo seguirá ampliando políticas públicas para garantir infraestrutura, acesso a crédito e novos mercados, para que o Acre continue avançando e consolidando sua produção como referência na região Norte.

Incentivos ao aumento das safras

A secretária de Estado de Agricultura (Seagri), Temyllis Silva, afirmou que o governo continuará incentivando os produtores e fortalecendo as cadeias produtivas, conforme previsto no plano de governo e nas metas do Plano Plurianual (PPA).

“Os projetos em execução, os convênios e os recursos que recebemos do governo federal, por meio de emendas parlamentares vão seguir chegando na ponta. Cadeias como a do café, do cacau, do mel, da mandioca e as ações desenvolvidas em terras indígenas serão ampliadas”, disse. 

Leia também: Com safra recorde, Roraima é destaque do agronegócio brasileiro em 2025

A gestora ressaltou que esse trabalho de colheita da safra ocorre em parceria com associações, cooperativas e prefeituras, com foco especial nos produtores que dependem diretamente do Estado para manter a produção e gerar renda no campo.

“Sabemos que há produtores que se desenvolvem mesmo sem a intervenção do governo, mas também há aqueles que dependem exclusivamente do apoio estatal. Nosso compromisso é dar continuidade ao que vem dando certo, corrigir falhas e alcançar áreas onde ainda não foi possível chegar.”

*Com informações da Agência Acre

Projeto Consciência Limpa promove educação ambiental e sustentabilidade no Acre

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Foto: Larissa Marinho

A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, no Acre, as ações do Projeto Consciência Limpa, uma iniciativa que envolve educação ambiental, sustentabilidade e participação da comunidade. O projeto atua há mais de 20 anos na Região Norte e busca ajudar a população a entender melhor os problemas ambientais e adotar atitudes mais responsáveis no dia a dia.

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O Consciência Limpa utiliza educação, ações práticas e comunicação para incentivar mudanças de comportamento na Amazônia. Ao longo de sua trajetória, o projeto já tratou de temas como destinação correta de resíduos, arborização urbana, prevenção de queimadas, economia circular e consumo consciente, sempre com o objetivo de melhorar a qualidade de vida das pessoas.

No Acre, essas ações são ainda mais importantes devido aos eventos climáticos extremos. Nos últimos anos, moradores de Rio Branco enfrentaram cheias de rios e igarapés, o que mostra a necessidade de cuidar melhor do meio ambiente e usar os recursos naturais de forma responsável.

De acordo com o coordenador do projeto, Matheus Aquino, o Consciência Limpa busca aproximar a população das soluções ambientais.

“O Consciência Limpa tem como objetivo gerar um impacto direto na consciência ambiental da população, unindo educação, mobilização social e incentivo ao descarte correto de resíduos. O projeto é ainda mais importante neste momento, porque o Acre e toda a Amazônia enfrentam desafios ambientais urgentes, e a participação da população é essencial para a construção de soluções reais”, afirma.

Projeto Consciência Limpa no Acre
Foto: Larissa Marinho

Ações previstas no Acre

Entre as ações do Consciência Limpa no Acre está a Ação Consciência Limpa, que contará com mais de 20 expositores e será realizada no Lago do Amor, no dia 28 de fevereiro, ao longo de toda a tarde. O evento vai oferecer serviços de bem-estar, cidadania, saúde e orientação jurídica, além de atividades educativas sobre meio ambiente.

Outra atividade importante é a campanha Descarte Consciente – Drive-thru de Resíduos, que será realizada no mesmo dia da Ação Consciência Limpa e vai facilitar o descarte correto de eletrônicos, pilhas, baterias e óleo de cozinha usado. A ação incentiva a reciclagem e ajuda a melhorar a gestão de resíduos sólidos no estado.

Também será realizado, em março, o Painel Consciência Limpa – Educação Ambiental e Sustentabilidade, que vai reunir especialistas, estudantes, ambientalistas, representantes do poder público e da sociedade civil para conversar sobre soluções sustentáveis e formas simples de mudar hábitos no dia a dia.

O projeto também inclui o plantio de mudas, contribuindo para a recuperação de áreas degradadas e para a valorização da biodiversidade local, com a participação da comunidade em atividades educativas.

Para o gerente de conteúdos especiais da FRAM, Anderson Mendes além de informar as ações incentivam a população a realizarem descartes corretos.

“As campanhas educativas reforçam as ações do projeto e visam informar e incentivar a população do Acre para o descarte correto desses itens que se descartados de forma incorreta poluem o meio ambiente e a reutilização pode gerar renda extra”, ressaltou.

Com essas iniciativas, o Projeto Consciência Limpa se consolida como uma iniciativa de impacto socioambiental, promovendo educação, cidadania e responsabilidade ambiental, e reforçando o compromisso da Fundação Rede Amazônica com o desenvolvimento sustentável da Amazônia. 

“É por meio dessas ações práticas que o projeto busca sensibilizar a população e incentivar atitudes responsáveis que contribuam para a preservação do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida das comunidades”, destaca Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica.

Consciência Limpa

O Consciência Limpa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio da Energisa, Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA AC), Governo do Acre e apoio institucional daOrganização em Centros de Atendimento (OCA), Secretaria de Estado de Administração do Acre (SEAD AC), Life Show Produções e Eventos, Instituto Descarte Correto e Duque Sustentabilidade.

Abridores de letras inserem sotaque próprio no espaço público

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Abridores de letras são populares no Pará. Foto: Reprodução/Projeto Letras que Flutuam 

Em 2007, durante um período como professora convidada da Universidade de Buenos Aires, a designer paulistana Priscila Farias se encantou pelo filete portenho, estilo ornamental típico da capital argentina. “Além da moldura e do fundo colorido, as placas que seguem essa tradição têm letras ornamentadas que remetem a um tempo antigo”, conta a pesquisadora, que é docente da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e de Design da Universidade de São Paulo (USP) e estudiosa da forma das letras no espaço público.

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Em geral, filetar quer dizer pintar com um pincel fino, como explica a designer. “No Brasil, os pintores também designam como ‘filete’ os ornamentos que fazem nas carrocerias de madeira dos caminhões”, diz.

No caso argentino, a tradição que data da virada do século XIX para o XX veio com os imigrantes italianos. “Eles decoravam carroças e, posteriormente, veículos motorizados como caminhões e ônibus”, prossegue a pesquisadora.

“Na década de 1970, devido a mudanças na legislação argentina, esse tipo de pintura desapareceu dos veículos comerciais e de transporte público, que foram padronizados. Mas o estilo permaneceu, por exemplo, em letreiros e fachadas de lojas.”

O filete portenho é um dos exemplos analisados por Farias no capítulo “Latin American vernacular lettering” (ou Letra vernacular latino-americana), que integra o livro The bloomsbury handbook of global typography. Com lançamento previsto para meados de fevereiro pela editora britânica Bloomsbury, a obra é organizada por pesquisadores da Universidade de Reading e da British Academy, no Reino Unido, e da Universidade St. John’s, nos Estados Unidos.

Além da Argentina, Farias se debruça sobre a tradição das letras populares em outros países como México e Colômbia. A respeito desse último, discorre sobre a chiva, híbrido de ônibus e caminhão que costuma servir de meio de transporte público para populações rurais em direção aos grandes centros. “É um serviço informal, realizado por motoristas particulares, que capricham na decoração multicolorida e nas letras tridimensionais para chamar a atenção dos clientes”, observa Farias. “Nos casos analisados, muitas vezes a letra é uma forma de diferenciação que ajuda a identificar lugares ou meios de transporte mais pelas cores e formas do que pelo que realmente está escrito ali.”

O design popular de letras passou a despertar a curiosidade de pesquisadores no Brasil a partir da década de 1990. “Incluir a produção dos letristas populares na memória gráfica brasileira é uma forma de abrir nosso olhar para o que está acontecendo nas ruas”, defende a designer Fátima Finizola, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que desde 2007 desenvolve o projeto “Abridores de letras de Pernambuco”. Em algumas partes do país, o termo “abrir letras” define a prática dos letristas que utilizam o pincel para traçar letras e executar de forma artesanal as encomendas dos clientes.

Leia também: Internautas da Amazônia usam criatividade para desenhar no mapa-múndi em site colaborativo

A iniciativa rendeu um livro homônimo, lançado pela Editora Blucher, em 2013, organizado por Finizola em parceria com a designer Solange Coutinho, também docente na UFPE, e o fotógrafo Damião Santana. Além disso, foram realizadas exposições, a exemplo da mostra com mesmo título que esteve em cartaz no Sesc Campo Limpo, na capital paulista, em 2016. Uma pequena parcela do acervo fotográfico, que contém ao todo cerca de mil imagens registradas nas cidades de Gravatá, Caruaru, Recife, Arcoverde, Salgueiro e Petrolina, está reunida no site do projeto.

Imagem colorida mostra O filete portenho em uma banca de Buenos Aires
Foto: Priscila Farias/ Revista Fapesp

Finizola começou a investigar o tema, com foco na capital pernambucana, no mestrado em design concluído em 2010 na UFPE. No doutorado, defendido em 2015, na mesma instituição, expandiu o escopo e englobou localidades do interior do estado.

Além dos aspectos formais da linguagem visual dos letristas e do processo de produção dos letreiros, a pesquisadora analisou o perfil dos profissionais. Segundo ela, o ofício em Pernambuco é exercido sobretudo por homens de 30 a 70 anos, que aprenderam a atividade de forma autodidata ou por meio da relação mestre-aprendiz. “Mas essa realidade não é exclusiva do nosso estado e pode ser observada em outras partes do Brasil e da América Latina”, comenta.

Os Abridores de Letras da Amazônia

Esse é o caso dos abridores de letras na região amazônica, como relata a designer paulista Fernanda Martins. Formada em artes visuais pela USP e especializada em tipografia, ela se mudou para Belém em 2004. Ao visitar uma comunidade ribeirinha na região do município de Boa Vista do Acará (PA), ficou fascinada pelas letras que decoravam os barcos atracados no local.

Na sequência, resolveu investigar o que chama de letra decorativa amazônica para o trabalho final da especialização em semiótica e cultura visual, que concluiu em 2008 na Universidade Federal do Pará (UFPA).

Leia também: O que falam os rios da Amazônia? Nomes de embarcações carregam afetos, vivências e arte

O encanto pela temática se desdobrou também no projeto “Letras que flutuam”, criado em 2006, em parceria com a designer Sâmia Batista, para valorizar o ofício desses artistas populares. Isso inclui, por exemplo, zelar para que o trabalho dos pintores não seja apropriado para fins comerciais sem o devido reconhecimento de seus autores.

A iniciativa, que levou à criação do instituto com o mesmo nome do projeto, em 2024, vem mapeando há 13 anos os profissionais em Belém e em outras localidades do estado, como a Ilha de Marajó. “Até agora levantamos 140 nomes”, diz Martins.

Segundo a designer, esse tipo de letreiramento amazônico é caracterizado pelas letras maiúsculas, coloridas, decoradas e com sombra.

“Como é dividida em duas partes, cada uma leva uma cor diferente. O efeito de sombra ou de volume é resultado de uma pintura dégradé, denominada ‘matizado’. Ao final da pintura, os profissionais ainda decoram a letra: é o ‘caqueado’”, escreve a designer no livro Letras que flutuam (Secult/PA, 2021).

imagem colorida mostra pintor escrevendo palavras em casco de barco
Letras decoradas em barcos da Amazônia são obra de pintores como Raimundo Gonçalves da Silva, da Ilha de Marajó (PA) Foto: Arquivo/ Instituto Letras que Flutuam

As letras são encontradas em embarcações de madeira, tanto nas particulares como naquelas que fazem serviço de transporte de carga ou de passageiros, mas elas extrapolam os rios e estão também em murais e letreiros de estabelecimentos comerciais. É difícil definir sua origem.

De acordo com Martins, uma das hipóteses está em um decreto federal de 1925, que obrigou os barcos do país a serem registrados e identificados por um nome em seu casco. “A comunidade ribeirinha passou então a nomear os barcos a princípio com letras simples, que ao longo do tempo ganharam decoração e diversidade de cores”, conta.

A pesquisadora identifica nas letras presentes nos barcos amazônicos traços da tipografia decorativa do século XIX. “As letras daquele período são sempre maiúsculas, grossas, com fios de contorno, o que permite a inserção de enfeites. Uma das técnicas mais populares na ocasião era a simulação da tridimensionalidade por meio de sombras”, enumera.

Segundo Martins, os letreiros dos barcos amazônicos apresentam essas mesmas características, que são reinterpretadas com tempero local e acrescidas do uso de um código cromático específico.

“Muitos dos nossos entrevistados contam que aprenderam a pintar entre os anos 1940 e 1970 e alguns deles citam terem feito cursos por correspondência, em que recebiam catálogos de tipografia clássica. Talvez possa haver uma conexão aí”, considera.

Ao mesmo tempo, ela lembra que esse imaginário visual, das letras decorativas, circulava há muito tempo no Pará. “Com a liberação da navegação na região amazônica, em 1867, e a expansão econômica do ciclo da borracha, entre 1879 e 1912, uma grande variedade de material impresso da Europa e dos Estados Unidos aportou na região, gerando a chamada belle époque belenense. Logo, essa estética passou a influenciar as letras em placas e anúncios publicitários”, relata Martins, autora da tese “Impresso no Pará, 1820-1910: Memória gráfica como espírito de época”, defendida em 2017 na Escola Superior de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

Imagem colorida mostra caderno aberto com letras do alfabeto em diferente tipografias
Catálogo com tipografia decorativa comum no século XIX, em registro do Instituto Letras que flutuam

O fluxo de barcos ao longo da região amazônica, em especial nas bacias dos rios Amazonas e Tocantins, fomenta, muitas vezes, uma “competição informal” pela letra mais bonita. “Os barcos levam as letras de um lugar a outro. Esse é um saber transmitido pelo fluxo do rio”, constata Martins. Segundo ela, o ofício de abrir letras na Amazônia sofre o risco de desaparecer. “Na Ilha de Marajó, por exemplo, se percebe o crescimento da pintura com pistola, conhecido na região como grafite”, comenta.

“Esse tipo de pintura vem ganhando espaço entre os jovens porque agiliza a entrega do trabalho. O desafio é encontrar formas de como essas linguagens, as tradicionais e as inovadoras, poderão coexistir de maneira construtiva”.

Na avaliação de Farias, da USP, a sobrevivência dessas tradições está ligada à sua valorização. Na Argentina, por exemplo, os filetes portenhos foram reconhecidos como patrimônio cultural de Buenos Aires em 2006, e, mais tarde, como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2015. “É fundamental que os letristas valorizem o próprio ofício. Isso ajuda na transmissão da atividade e atrai o interesse dos jovens”, defende.

Finizola concorda. “O interesse dos pesquisadores sobre o tema pode ajudar nesse sentido. Percebo que ao longo desses 18 anos de pesquisa, muitos abridores de letra passaram a olhar para a atividade com outros olhos, estimulados pela curiosidade da academia sobre aquela produção”, conta. “Em geral, esses profissionais não têm uma percepção clara de sua relevância para a cultura visual e a memória gráfica brasileira.”

Imagem em preto em branco mostra fachada de prédio antigo no Rio de Janeiro com letreiras escritas a mão
Letreiros no largo da Carioca, centro do Rio de Janeiro, em 1903. Foto: Augusto Malta / Coleção Gilberto Ferrez / Acervo Instituto Moreira Salles

Para o designer Vinicius Guimarães, a pesquisa sobre a memória gráfica brasileira é fundamental para superar a ideia de que a atividade do design gráfico no país teria começado a partir da segunda metade do século XX, com a institucionalização da profissão no Brasil. “O uso de ferramentas quase exclusivamente digitais pode contribuir com a falsa impressão de que fazemos algo novo, por isso é importante ter contato com o que foi produzido em uma história muito mais longeva”, observa o pesquisador.

Na tese “Lettreiros e taboleta: Letreiramento público no Rio de Janeiro em fotografias e periódicos de 1860 a 1910”, defendida em 2021, na Uerj, Guimarães utilizou como fontes de pesquisa as imagens dos letreiros comerciais e os anúncios dos serviços dos letristas nos periódicos cariocas da época. Por meio das peças publicitárias, ele conseguiu mapear o perfil dos profissionais na cidade: no grupo, predominavam os imigrantes europeus que vinham para o Brasil já formados nos seus respectivos ofícios, cujo conhecimento era transmitido aos aprendizes nas oficinas.

De acordo com Guimarães, cerca de 60% dos letreiros feitos artesanalmente eram compostos por modelos de letras semelhantes aos encontrados em manuais de pintura de letras publicados nos Estados Unidos.

No entanto, os profissionais que atuavam no Rio de Janeiro na época também modificavam os modelos dos manuais, indicando a existência de um estilo local. Um exemplo é a letra “E” com a barra horizontal central mais curta, e o “G” com a barra horizontal posicionada abaixo do centro da letra. “É o que podemos chamar de um sotaque tipográfico carioca”, conclui o pesquisador.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp, escrito por Ana Beatriz Rangel

Artistas de Caprichoso e Garantido são campeões no carnaval de São Paulo e Rio de Janeiro

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Palco do maior espetáculo folclórico à céu aberto do planeta, a cidade de Parintins (AM) é conhecida mundialmente pela grande festa cultural dos bois bumbás Caprichoso e Garantido, que disputam o título de campeão anualmente no Festival Folclórico.

A Ilha da Magia, no entanto, também é dona de um berço de artistas que percorrem todo o Brasil espalhando suas técnicas e habilidades artísticas em outros estados.

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Um grande exemplo é a crescente presença de profissionais parintinenses dos dois bois compondo as equipes das escolas de samba no carnaval de outras cidades brasileiras.

Em São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, a Mocidade Alegre e a Viradouro, respectivamente, conquistaram os títulos de campeãs de 2026 em seus estados com a participação de artistas parintinenses em suas equipes.

Leia também: Conheça amazonenses que ajudam a dar vida aos desfiles das escolas de samba de São Paulo e Rio de Janeiro

artistas garantido
Postagem de parabenização dos artistas Alessandro Oliveira e Fabson Rodriguez, do Garantido, campeões pela escola Mocidade Alegre. Foto: Divulgação/Instagram-Marialvobrandao

Começando pela capital paulista, o título da escola Mocidade Alegre conquistou o 13º troféu da sua história com o enredo “Malunga Léa – Rapsódia de uma Deusa Negra”, em homenagem à atriz Léa Garcia, falecida em 2023, aos 90 anos.

A vitória teve a contribuição de Alessandro Oliveira e Fabson Rodriguez, artistas do boi Garantido, e da dupla Kelson Matos e Estevão Gomes, que atuam no Caprichoso.

Já no Rio de Janeiro, a Unidos do Viradouro faturou o quarto campeonato com o enredo “Pra Cima, Ciça”, que homenageou os 70 anos do mestre de bateria Moacyr da Silva Pinto.

O título deste ano contou com a participação dos parintinenses Nildo “Naruna” Costa e Alex Salvador, ligados ao boi Caprichoso, onde foram responsáveis pela construções das alegorias.

Equipe de Nildo Costa (o quinto da esquerda para direita) na campeã Viradouro, do Rio de Janeiro. Foto: Divulgação/Boi Caprichoso

Mais PIN no eixo RJ-SP

Além das campeãs, outras escolas de samba também contaram com a experiência de outros artistas parintinenses ligados aos bois Caprichoso e Garantido.

Em São Paulo, os azulados Nei Meireles (Império da Casa Verde), Eddi Dude (Mancha Verde), Rayner Pereira (Gavião da Fiel), Zico Almeida (Tom Maior), Nonôca Alfaia (Águia de Ouro) e Márcio Gonçalves (Acadêmicos do Tatuapé) atuaram no carnaval paulista.

Do lado da Baixa, os profissionais Adriano Paketá (Tom Maior), Luiz Sampaio (Império da Casa Verde), Sorin Senna (Colorado do Brás), Juciê Souza (Camisa 12), Wendel Miranda (Águias de Ouro) e o grupo Gandhicats (Tom Maior) estiveram presentes no Sambódromo paulista.

Já no RJ, Jucelino Ribeiro (Salgueiro), Kennedy Prata (Beija-Flor de Nilópolis), Brás Lira e Marlucio Pereira, (ambos da Unidos da Tijuca e Mangueira) representaram o Touro Negro na folia carioca, enquanto que Netto Barbosa e Anderson Rodrigues (ambos pela Acadêmicos da Grande Rio e Portela), Leandro Oliveira (Salgueiro), Kemerson Guerreiro (Beija-Flor de Nilópolis) levaram a inspiração vinda do boi vermelho e branco.

Reconhecimento

Nas redes sociais, os bois Caprichoso e Garantido destacaram a atuação dos artistas de Parintins no carnaval das principais cidades do país.

Caprichoso:

Garantido:

Carnaboi 2026: confira a programação do primeiro dia em Manaus 

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Foto: Divulgação/Governo do Estado do Amazonas

Um evento que une a energia do carnaval com a magia do boi-bumbá: este é o Carnaboi. A festa, que tem duas edições – uma em Parintins e outra em Manaus, cidades no Amazonas – reúne foliões carnavalescos e torcedores dos bois Caprichoso e Garantido.

O Carnaboi fecha a temporada momesca e marca o início da temporada bovina nas cidades, com foco no Festival Folclórico de Parintins, quando os bois-bumbás Caprichoso e Garantido disputam o título de campeão. A disputa é realizada sempre no fim do mês de junho, por isso a temporada inicia logo após o carnaval, com ensaios e outros eventos tradicionais no calendário bovino.

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A 25ª edição do Carnaboi, realizada nos dias 20 e 21 de fevereiro no Centro de Convenções Professor Gilberto Mestrinho, o Sambódromo de Manaus, reúne apresentações de artistas amazônidas e dos bois-bumbás Caprichoso, Garantido, Tira Prosa, Corre Campo, Garanhão e Brilhante, a partir das 19h.

Este ano as noites são temáticas e a entrada é gratuita. Confira os horários das apresentações do dia 20 de fevereiro (sexta-feira): 

1ª noite – ‘Boi Bumbá, Brinquedo de São João’

  • 19h – abertura com os bois Tira Prosa e Corre Campo;
  • 19h30 – Grupo A Toada, Kamayurá e Itamar Benarrós;
  • 20h10 – Gean Figueira, Adriano Aguiar e Vanessa Alfaia;
  • 20h50 – Márcia Novo e Helen Verás;
  • 21h30 – Fabiano Neves e Klinger Jr.;
  • 22h10 – David Assayag e Erick Juan;
  • 23h à 0h20 – show especial Garantido e Caprichoso;
  • 0h30 – Canto da Mata e Júnior Paulain;
  • 1h10 – Israel Paulain e João Paulo Faria;
  • 1h50 – Edmundo Oran e Caetano Medeiros;
  • 2h30 – Curumins da Baixa e Luciano Araújo.

Leia também: 3 curiosidades sobre o Carnaboi, a festa de Carnaval com ritmos amazônicos

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Carnaboi 2025. Foto: Alex Pazuello/Acervo Secom AM

Carnaval Amazônico

O projeto Carnaval Amazônico é uma iniciativa do Grupo Rede Amazônica que conecta o público com a essência do Carnaval da região Norte, com o apoio do Governo do Estado do Amazonas.

Chamada apoia colaborações em bioeconomia e desenvolvimento sustentável no Amazonas

Foto: Paulo Pedro P.R. Costa via Wikimedia Commons

A FAPESP lançou uma chamada de propostas em conjunto com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) para o financiamento de pesquisas em ciência, tecnologia e inovação em bioeconomia amazônica, a partir da articulação de colaborações entre pesquisadores dos Estados de São Paulo e doAmazonas.

A chamada – a terceira no âmbito do acordo de cooperação entre as instituições – visa apoiar a criação e o aprimoramento de tecnologias, processos e produtos inovadores para a valorização da sociobiodiversidade amazônica, a transição para uma economia de baixo carbono e a inclusão social.

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A FAPESP e a Fapeam também pretendem fomentar pesquisa em inovação e tecnologia avançada com potencial de gerar cadeias de valor sustentáveis e que contribuam com a inserção mercadológica de bioprodutos e biotecnologias amazônicas em cadeias de valor nacionais e globais, incluindo a criação ou o aprimoramento de mecanismos de certificação e rastreabilidade.

fapeam faz chamada para projetos em bioeconomia
Sede da Fapeam em Manaus. Foto: Divulgação / Fapeam

Para quem é a chamada?

A chamada está aberta a pesquisadores vinculados a instituições de ensino superior e pesquisa de São Paulo e do Amazonas. As propostas devem ter como representantes dois coordenadores, um de cada Estado, e devem ser elaboradas conjuntamente entre as metades paulista e amazonense do consórcio.

Serão apoiadas propostas que se atenham às quatro linhas temáticas da chamada:

  • Linha 1 – Governança, Instrumentos Regulatórios e Modelos de Negócios Sustentáveis em Bioeconomia, tendo como foco principal a estruturação, a viabilidade e a competitividade do ambiente bioeconômico;
  • Linha 2 – Descarbonização, Energias Renováveis e Economia Circular na Amazônia, cujo objetivo predominante é o impacto ambiental e energético da tecnologia/processo/serviço proposto;
  • Linha 3 – Desenvolvimento de Bioprodutos, Bioprocessos e Biotecnologias da Sociobiodiversidade, com foco na geração de soluções tecnológicas inovadoras derivadas da biodiversidade amazônica;
  • Linha 4 – Valorização do Capital Humano e Economia Criativa para a Bioeconomia, instrumentalizando identidades culturais como vetores estratégicos para o desenvolvimento da bioeconomia e incluindo ações de empreendedorismo social.

A FAPESP e a Fapeam apoiarão projetos por até 36 meses. Serão selecionados até dez projetos. A Fapeam destinará um total de R$ 2 milhões para a chamada. A FAPESP reservou um valor global de R$ 6 milhões e aplicará à chamada as normas de apoio e condições de elegibilidade da modalidade de fomento Auxílio à Pesquisa Regular.

Cada coordenador deverá submeter proposta à Fundação de Amparo à Pesquisa de seu respectivo estado, por meio do SIGFapeam, do lado amazonense, e do Sistema de Apoio à Gestão (SAGe), do lado paulista. O prazo para submissão é 23 de março.

Confira os detalhes da chamada AQUI.

*Com informações de Agência Fapesp
 

Fiocruz pesquisa inter-relação entre impactos climáticos e a saúde indígena no Amazonas

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Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá

Uma expedição de campo promovida pelo Projeto Ybyrá, da Fiocruz, financiado pelo Ministério da Saúde, por meio do edital Inova Saúde Indígena, teve início no dia 7 de fevereiro integrando diferentes iniciativas de pesquisa em saúde pública voltadas para populações indígenas isoladas do Amazonas.

Composto por equipes de pesquisadores da Fiocruz Amazônia, Escola Nacional de Saúde Pública (ENSP-Fiocruz), entre outras instituições parceiras, o projeto tem como finalidade promover o levantamento de dados clínicos, epidemiológicos e socioambientais junto às populações de 13 aldeias indígenas da etnia Munduruku, localizadas territórios remotos situados na calha do Rio Canumã, afluente do Rio Madeira, entre os municípios de Borba e Nova Olinda do Norte, a cerca de 300 quilômetros de Manaus.

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A equipe tem trabalhado na coleta de amostras biológicas humanas e de animais, para o rastreamento de possíveis patógenos que possam estar circulando nas áreas peridomiciliares, e oferecendo exames, que deveriam ser rotina na assistência, mas se tornam de difícil acesso para indígenas isolados.

São realizados: hemograma, hemoglobina glicada e PCR para diabéticos e hipertensos, HPV para mulheres (protocolo do autocoleta), além de ações de controle social e empoderamento das comunidades, com palestras sobre direitos humanos, acesso à saúde indígena, inseguranças alimentar e hídrica, impacto dos alimentos ultraprocessados na saúde, saúde bucal, qualidade da água para uso e consumo e educação em saúde.

“A ideia do projeto é permitir uma atuação em rede, numa visão integrada de território de saúde, para entender o impacto das mudanças climáticas na vida dos indígenas e o que está acontecendo, por exemplo, em relação às doenças crônicas, como hipertensão e diabetes, em função do consumo de ultraprocessados nas aldeias, doenças causadas por vetores como insetos e roedores, que não são diagnosticadas, porque as pessoas não saem para fora das aldeias para realizar exames e ter o diagnostico correto”, explica um dos coordenadores do Ybirá, o virologista e pesquisador da Fiocruz Amazônia, Pritesh Lalwani.

Segundo ele, a equipe permanecerá na região ao longo de 16 dias, vivenciando o atual período de cheia dos afluentes. Depois, retornará, entre os meses de agosto e setembro, na seca extrema para um novo levantamento e devolutivas do projeto.

Leia também: Pesquisa analisa saúde indígena e comunicação de risco no Brasil e na Bolívia

Pesquisa destaca contexto climático

De acordo com o pesquisador em Saúde Pública da Fiocruz Amazônia, Rodrigo Tobias, que coordena também a expedição, o Ybyrá visa pesquisar a interrelação entre saúde animal, humana e ambiental numa área indígena remota, em diferentes contextos de extremos climáticos.

“A crise climática já chegou como crise de água e comida nos territórios indígenas remotos que já são vulnerabilizados social e ambientalmente. Quando a seca prolonga ou quando a cheia vem extrema e alaga roças e caminhos da floresta , não é só o ‘clima’ que muda: muda o acesso à água segura, a disponibilidade de alimentos tradicionais, a possibilidade de pescar, plantar e armazenar alimentos e até a logística para chegar a um posto de saúde”, explana Tobias.

Fiocruz pesquisa saúde indígena am
Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá

Segundo o pesquisador, nesses contextos aumentam os casos de diarreia e outras doenças de veiculação hídrica. “Agrava a desnutrição e anemia, piora o controle de doenças crônicas e infecciosas. Por isso, falar de saúde na Amazônia indígena hoje é falar de adaptação climática a partir do território”, aponta Rodrigo Tobias, que tem estudado a interrelação entre inseguranças hídricas e alimentar no território inégna em cenários extremos climáticos.

O Ybyrá utiliza o modo de fazer pesquisa intervenção integrada, em que estão atuando conjuntamente equipes de quatro projetos de pesquisa diferentes da Fiocruz e parceiros como:

  • Universidade Federal do Amazonas (UFAM),
  • Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA),
  • Universidade Federal de São Paulo (Unifesp),
  • Universidade de Campinas (Unicamp),
  • Conselho Distrital de Saúde Indígena (Condisi),
  • DSEI Manaus,
  • Agência de Gestão do SUS (Agesus),
  • Secretaria de Saúde Indígena (Sesai)
  • e Fundação Nacional do Índio (Funai).

“Trata-se de um consórcio de projetos que tem essa característica de pesquisa colaborativa implicada com mudança social junto ao controle social indígena”, afirma Tobias.

“O projeto foi aprovado em comitê de ética e estamos na fase de coleta de dados, empoderamento, educação e controle social, e voltaremos numa segunda etapa, na extrema seca, para fazermos as mesmas atividades e devolvermos parte das pesquisas para as populações”, enfatiza o pesquisador. Pritesh Lalwani destaca também a importância da assistência em saúde oferecida pelo projeto.

Leia também: Estudo aponta que Terras Indígenas ajudam a reduzir transmissão de doenças na Amazônia

“Essa é a contribuição social desse projeto em rede, uma vez que atuando juntos estamos trazendo uma visão integrada do território, buscando entender os impactos das mudanças climáticas e ambientais para uma população que também é negligenciada e enfrenta dificuldades”, enfatiza Pritesh, acrescentando que o trabalho busca entender o impacto também na saúde de animais domésticos que atuam como sentinelas de patógenos nessas áreas.

“Juntamos pesquisa e assistência para o povo isolado dessa região e estamos desenhando um modelo inédito de execução de pesquisa e assistência que pode vir a se tornar política pública para os territórios indígenas do País”, observa Lalwani.

Antes da expedição, que é a primeira realizada oficialmente pelo Ybyrá, as equipes participaram, em Manaus, de reuniões de alinhamento e treinamento no uso aplicativo, software REDCap, para preenchimento de questionários utilizados durante as atividades de coleta para gerenciamento e disseminação dos dados de pesquisa. “Todos os envolvidos no Ybyrá irão coletar dados sobre Saúde Única, englobando condições de vida, qualidade da água, alimentos, condições climáticas, controle social e educação em saúde”, completa Pritesh.

A expedição, que retorna a Manaus no dia 22/02, ocorre em uma embarcação adaptada que desce o Rio Cunamã e visita aldeias mais distantes. Os indígenas adentram o barco, passam por um circuito previamente pensado para aplicação de questionários, realização de triagem e por fim coleta de amostras de sangue.

“Assim, fazemos uma pesquisa interativa e realizamos oficinas temáticas, grupos focais com lideranças e educação em saúde, interagindo com as comunidades em seu ambiente natural”, comenta Tobias, desatacando o ineditismo do roteiro de coleta de dados de forma embarcada e com diversos grupos de pesquisa convivendo no mesmo ambiente.

Fiocruz pesquisa saúde indígena am
Fotos: Divulgação/Projeto Ybyrá

Impacto social da pesquisa

Para a tecnologista em Saúde Pública e pesquisadora da Fiocruz Amazônia Katia Maria Lima de Menezes, que também integra a coordenação do Ybyrá, o projeto é de suma importância para o território.

“Essa é uma área onde os indígenas têm muitas dificuldades de realizar exames, precisam fazer longos deslocamentos para conseguir realizar um hemograma. O Projeto Ybyrá está possibilitando essa oportunidade de oferecer exames com o comprometimento da entrega dos resultados. Com certeza, é o maior impacto social que o projeto vai gerar”, afirma Kátia Lima, que coordena outro projeto financiado pelo Programa Inova da Fiocruz voltado ao fortalecimento do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional em territórios indígenas.

Ela destaca ainda a importância da coleta de amostras para diagnóstico de HPV. “Esse exame (HPV) vai gerar impacto na saúde das indígenas que vivem na região, sobretudo as mulheres que nunca o fizeram, impactando diretamente na prevenção do câncer de colo de útero, principal causa de morte por câncer entre mulheres no Amazonas.

Para as lideranças do controle social indígena na região, a chegada do Projeto Ybirá representa um marco histórico para as comunidades da Calha do Canumã. “O nosso sentimento é de gratidão”, ressalta Pedro Santa Rita, presidente do Condisi e liderança indígena local.

“A vinda do projeto para essa região tão isolada é um grande avanço e uma grande conquista para o nosso povo”, afirma Santa Rita.

Algumas aldeias ficam situadas a quilômetros de distância da sede do município de Nova Olinda, onde está atracada a embarcação que transporta a equipe do projeto.

“Somos muito gratos por um projeto desse escolher as aldeias da Calha do Canumâ, com povos isolados, muito longínquas da cidade, de difícil acesso e difícil comunicação. Para nós é uma novidade e uma realização histórica, saber que todas as coletas terão retorno. Por isso, agradecemos a todos e em especial à Fiocruz por estar cuidando do nosso povo com muita responsabilidade”, enfatizou.

Outra liderança da região, Kleuton Mundurucu, reforçou a importância da contribuição do projeto para o território, ressaltando as potencialidades do projeto em relação a novas parcerias.

“Hoje, sabemos que a saúde indígena tem algumas dificuldades em relação a exames, principalmente os que estão sendo oferecidos pelo Projeto Ybyrá. Estamos muito felizes e orgulhosos de ter vocês aqui no nosso território trazendo melhorias para a qualidade do acesso à saúde das populações indígenas, numa iniciativa que pode se estender a outros territórios”, afirmou.

*Com informações da Fiocruz Amazônia

Pará reduz alertas de desmatamento em 40%, aponta Inpe

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Foto: Pedro Guerreiro/Agência Pará

O Pará registrou redução de 40% na área sob alertas de desmatamento no período de agosto de 2025 a janeiro de 2026, conforme dados do Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

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No acumulado, o Estado contabilizou 488 km² de área sob alerta, frente aos 809 km² verificados no mesmo intervalo do ciclo anterior (agosto de 2024 a janeiro de 2025), o que representa queda absoluta de 321 km².

O resultado estadual superou a média registrada na Amazônia Legal. Considerando todos os estados da região, a área total sob alertas caiu de 2.050 km² para 1.324 km² no mesmo período, retração de 35%, equivalente a 725 km² a menos em relação ao ciclo anterior.

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Políticas integradas e monitoramento contínuo do desmatamento

“A redução de 40% nos alertas de desmatamento demonstra que o Pará está no caminho certo. Temos investido em fiscalização, inteligência ambiental, regularização fundiária e no fortalecimento da bioeconomia como alternativa sustentável. Esse resultado é fruto de planejamento, tecnologia e integração entre os órgãos”, afirmou o governador Helder Barbalho.

O secretário de Estado de Meio Ambiente, Clima e Sustentabilidade do Pará, Raul Protázio Romão, destacou que os números refletem a consistência das estratégias adotadas.

“Os dados demonstram que as medidas implementadas têm produzido efeito concreto. O monitoramento, as ações preventivas e as operações em campo têm sido fundamentais para esse avanço”, ressaltou.

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Segundo o secretário, o acompanhamento contínuo por meio das plataformas de monitoramento ambiental e a articulação com municípios prioritários permanecem como eixos centrais para consolidar a redução e garantir resultados sustentáveis ao longo do tempo.

*Com informações da Semas PA

MPF pede suspensão de licença na Foz do Amazonas

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MPF aponta riscos relacionados à exploração de petróleo pela Petrobras na Foz do Amazonas. Foto:Enrico Marone/ Greenpeace

O Ministério Público Federal (MPF) enviou duas recomendações ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e à Petrobras acerca dos riscos da exploração de petróleo na Foz do Amazonas. O órgão pede a suspensão imediata do licenciamento de pesquisas sísmicas e exige que a análise dos impactos considere os poços previstos para o bloco FZA-M-59 de forma conjunta, e não isolada.

Para os procuradores e procuradoras da República no Pará e no Amapá, a forma como os processos estão sendo conduzidos esconde os verdadeiros riscos socioambientais da exploração de petróleo na região.

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Omissão de dados e transparência

Um dos pontos centrais de uma das recomendações é o bloco de exploração FZA-M-59. O MPF aponta uma contradição entre o que a Petrobras diz à sociedade e o que ela planeja tecnicamente.

Nos materiais de comunicação e reuniões com as comunidades, a Petrobras aborda a perfuração de apenas um poço (chamado “Morpho”). Já em um cronograma atualizado apresentado pela empresa, os estudos ambientais já preveem a perfuração de outros três poços no mesmo bloco (“Marolo”, “Manga” e “Maracujá”), entre 2027 e 2029.

Segundo o MPF, além de prejudicar o conhecimento público sobre a proporção real das atividades previstas, ao licenciar um poço de cada vez, o impacto total é mascarado. Quando quatro poços são perfurados na mesma região, os riscos de vazamentos, o barulho das máquinas e o fluxo de navios se somam, criando um impacto muito maior do que seria mensurado ao considerar cada poço de forma individual e independente. Para o MPF, os impactos devem ser analisados considerando os efeitos cumulativos e sinérgicos.

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instituto é pensado para estudar foz do amazonas
Foz do Amazonas. Imagem: Reprodução/Google Maps

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Pesquisa sísmica na Foz do Amazonas

A outra recomendação foca na pesquisa sísmica — um método que usa canhões de ar comprimido para emitir pulsos sonoros potentes e mapear o petróleo no fundo do mar.

O MPF identificou que o licenciamento dessas pesquisas está avançando sem dados primários. Isso significa que a empresa responsável não foi ao local coletar informações reais sobre todo o ecossistema que vive ali.

Além de destacar que a região abriga o Cânion do Rio Amazonas e recifes de corais, que são áreas de extrema sensibilidade biológica, o MPF aponta que pareceres técnicos do próprio Ibama confirmam que não foi apresentado o diagnóstico  de meio ambiente que foi exigido. Segundo o MPF, sem esses dados, as reuniões técnicas informativas (RTIs) com a população são inválidas, pois a sociedade acaba sendo consultada sobre um projeto cujo impacto real não é conhecido nem pelos próprios técnicos do projeto.

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O mito da “soberania nacional”

O MPF também contesta o uso frequente do argumento de “defesa do interesse nacional” e “independência energética” para acelerar as licenças. Os procuradores e as procuradoras da República explicam que, no modelo de exploração da Foz do Amazonas atual – regime de concessão -, a propriedade do petróleo e do gás extraídos é transferida para as empresas que ganham o direito de explorar. O resultado do 5º Ciclo da Oferta Permanente de Concessão (OPC), por exemplo, resultou na adjudicação de blocos a um consórcio majoritariamente composto por grandes corporações transnacionais, tais como Chevron, Equinor, ExxonMobil, Petrogal, Karoon, CNODC e Shell.

Como muitas dessas empresas são grandes corporações estrangeiras, o lucro da atividade vai prioritariamente para acionistas ao redor do mundo, e não para o Brasil. Para o MPF, o uso da “soberania” como justificativa é contraditório, pois o controle do recurso natural é entregue ao capital internacional, enquanto os custos ambientais operacionais e os riscos de um eventual desastre são assumidos integralmente pelas comunidades locais e pelo ecossistema brasileiro.

Para garantir a segurança das populações e do meio ambiente na região da Foz do Amazonas, o MPF fez pedidos específicos:

  • Ao Ibama:

 Não autorize a perfuração dos poços Marolo, Manga e Maracujá sem que a Petrobras apresente os estudos técnicos necessários;

 Condicione qualquer avanço no Bloco FZA-M-59 à análise conjunta dos quatro poços previstos, considerando os efeitos sinérgicos e cumulativos;

 Suspenda o prazo para manifestação pública e as Reuniões Técnicas Informativas, até que os estudos necessários para as pesquisas sísmicas sejam realizados corretamente;

  • À Petrobras:

 Retifique e atualize, em 30 dias, o projeto de comunicação social e os boletins informativos, para que conste de forma clara a previsão de perfuração dos quatro poços ao invés de um;

 Atualize todos os canais oficiais da empresa, removendo informações que considerem a perfuração de apenas um poço, garantindo o direito à informação e a transparência ambiental.

*Com informações do MPF

Rede Educa destaca ESG como fator estratégico para competitividade do Polo Industrial de Manaus

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A Fundação Rede Amazônica (FRAM), em parceria com o Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM), exibiu a segunda videoaula do projeto Rede Educa com o tema “Introdução ao ESG”. O conteúdo apresentou os fundamentos do conceito e destacou a importância da aplicação prática dos princípios ambientais, sociais e de governança para a competitividade das empresas instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM).

A aula foi conduzida por Lorë Kotinski Aguiar, doutora em Comunicação, com pesquisa voltada ao ESG. Durante a exposição, a especialista abordou temas relacionados ao meio ambiente, sustentabilidade, responsabilidade corporativa e governança, além de explicar como as empresas podem estruturar ações alinhadas aos três pilares do ESG, gerando impacto positivo nas comunidades e fortalecendo o desenvolvimento regional.

ESG e competitividade no cenário internacional

Ao longo da videoaula, Lorë Kotinski ressaltou que o ESG deixou de ser tendência para se tornar requisito estratégico, especialmente diante das exigências do mercado global.

“Para as empresas do Polo Industrial de Manaus, o ESG é fundamental, especialmente no cenário atual. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia abre um mercado gigantesco, mas com regras claras e rigorosas nas áreas ambiental, social e de governança. Por isso, mais do que falar em ESG, é essencial que essas práticas estejam efetivamente presentes nas empresas, tornando-as cada vez mais competitivas, principalmente no mercado de exportação”, destacou.

Formação alinhada à realidade amazônica

O projeto Rede Educa tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre preservação ambiental, sustentabilidade e o papel das empresas e da sociedade na construção de um modelo de desenvolvimento mais responsável e alinhado às demandas contemporâneas.

Os conteúdos são estruturados para dialogar diretamente com a realidade amazônica, promovendo informação qualificada, acessível e conectada aos desafios do setor produtivo regional.

A segunda videoaula do Rede Educa foi exibida no Amazon Sat e está disponível gratuitamente no canal oficial da Fundação Rede Amazônica no YouTube:

O projeto Rede Educa é uma realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM), com apoio do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (CIEAM).