Diante da previsão do Super El Niño e do potencial aumento de prejuízos relacionados a eventos extremos no país, o agronegócio brasileiro precisa acelerar a adoção de boas práticas produtivas, ampliar a recuperação de áreas degradadas e fortalecer a adaptação climática, utilizando como instrumentos o crédito, o seguro rural e a assistência técnica.
O uso sustentável da terra, nesse sentido, é fundamental para preparar o campo para um cenário climático cada vez mais instável, defende a Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura em um novo documento de propostas para os candidatos às eleições de 2026.
O alerta surge em um momento crítico, com uma nova análise da Administração Atmosférica e Oceânica Nacional dos Estados Unidos (NOAA) indicando que há 81% de chances de o El Niño se tornar muito forte entre outubro e dezembro, o que deve ampliar a ocorrência de ondas de calor, secas e chuvas intensas.
Para a Coalizão Brasil, o cenário reforça a urgência de impulsionar da agenda a adaptação climática, focando em uma direção estratégica que reduza as vulnerabilidades do setor produtivo.
“A previsão de um El Niño deixa de ser apenas um alerta meteorológico para se tornar um chamado urgente à modernização das nossas políticas públicas para o campo”, alerta Leila Harfuch, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e sócia-gerente da Agroicone.
“O fenômeno pressiona a agenda de adaptação climática, exigindo que o seguro e o crédito rural sejam atualizados para oferecer previsibilidade e proteger a renda do produtor diante de quebras de safra cada vez mais frequentes”, afirma. “Não podemos mais tratar eventos extremos como exceções; precisamos de um planejamento territorial robusto e da implementação célere do Código Florestal para reduzir as vulnerabilidades e garantir a segurança hídrica, energética, produtiva e alimentar do país”.
El Niño é um alerta
Além do fortalecimento do seguro e do crédito rural, as medidas prioritárias apresentadas pela Coalizão aos candidatos às eleições de 2026 incluem a expansão de tecnologias já consolidadas, como o plantio direto, o uso de bioinsumos e sistemas integrados, como a Integração Lavoura-Pecuária-Floresta (ILPF), que recuperam a qualidade do solo e ampliam a capacidade de adaptação da produção.
“A resiliência da agropecuária brasileira depende do reconhecimento do uso sustentável da terra como um ativo econômico”, afirma Rodrigo Castro, membro do Grupo Estratégico da Coalizão e diretor de País da Fundação Solidaridad.
O documento da Coalizão também enfatiza a importância de considerar a conservação e o manejo adequado da terra como ativos econômicos concretos, e não temas apartados da agenda produtiva.
“É preciso produzir mais e melhor, o que passa obrigatoriamente pela adoção de práticas de agricultura regenerativa, de baixo carbono e de conservação do solo para criar resiliência diante da irregularidade climática. É importante ressaltar que a agropecuária brasileira contribui para a segurança alimentar de mais de 1 bilhão de pessoas no planeta; garantir a nossa capacidade de adaptação é assegurar o abastecimento de quase 20% da população mundial”, alerta Castro.
Para o especialista, ao acelerarmos a regularização ambiental e integrarmos a conservação da vegetação nativa aos sistemas produtivos, “não estamos apenas protegendo biomas, mas blindando a produtividade contra os efeitos do clima e garantindo a competitividade do Brasil no mercado global”, enfatiza.
Para acessar o documento com as propostas completas, clique aqui ou acesse o site oficial.
Atividade de preparação de selva ocorreu na cidade de Zanderij, no Suriname. Foto: Reprodução/CMA
No intuito de capacitar militares para operações em ambiente de selva, o Exército Brasileiro realizou, entre 4 a 8 de julho, o Programa de Treinamento em Operações na Selva na República do Suriname, país vizinho da América do Sul. Por meio da 22ª Brigada de Infantaria de Selva, a atividade reuniu participantes do Exército, da Marinha e da Polícia Militar do Suriname para essa especialização, juntamente com o Comando de Fronteira Amapá e 34º Batalhão de Infantaria de Selva.
As instruções foram realizadas na Base de Instrução Ayoko Kazerne, situada na cidade de Zanderij, e abordaram temas como o ambiente operacional amazônico, emprego de drones, orientação avançada, Atendimento Pré-Hospitalar Tático (APHT), tiro rápido básico, tiro avançado de combate, técnicas de ação imediata, infiltração orientada, movimento tático , técnicas de ação no objetivo, exploração tática de cena, além do planejamento e da condução de operações.
Atividade reuniu participantes do Exército, da Maria e da Polícia Militar do Suriname. Foto: Reprodução/CMA
Foto: Reprodução/CMA
O programa foi encerrado com uma cerimônia de entrega de certificados, presidida pelo Adido de Defesa, Naval e do Exército Brasileiro na República do Suriname. O evento contou com a participação do comandante do Exército Surinamês, Tenente-Coronel Menig, além de autoridades militares locais.
A atividade integra o programa regular de cooperação bilateral entre o Exército Brasileiro e as Forças Armadas do Suriname.
O Exército Brasileiro realiza a preparação de militares para operações em ambiente de selva no Centro de Instrução de Guerra na Selva (CIGS), localizado em Manaus (AM), desde 1966. A atividade tem duração de 12 semanas e os conhecimentos desenvolvidos são compartilhados por meio de intercâmbios com Forças Armadas de Nações Amigas, no contexto das atividades de diplomacia militar.
A formação é uma das especialidades mais reconhecidas internacionalmente do Exército Brasileiro. Desenvolvida com base na experiência adquirida ao longo de décadas de atuação na Amazônia, ela reúne conhecimentos sobre sobrevivência, mobilidade, logística, navegação, liderança e emprego de tecnologias em um ambiente operacional de elevada complexidade.
CIATox do HUGV registra aumento na procura por informações sobre o estireno e reforça quais medidas devem ser adotadas em caso de exposição. Foto: William Duarte/Rede Amazônica AM
O vazamento de estireno, registrado em Manaus (AM) no dia 15 de julho, elevou a procura da população por informações sobre os riscos da exposição à substância e as condutas adequadas diante da inalação do produto. Desde o episódio, o Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox), que funciona no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), da Rede HU Brasil, passou a registrar aumento no número de atendimentos por telefone.
O estireno é uma substância química utilizada na fabricação de plásticos e resinas. A inalação do produto pode causar irritação das vias respiratórias e dos olhos, além de provocar manifestações que variam conforme o tempo de exposição, a concentração no ambiente e as condições de saúde da pessoa.
Segundo a chefe da Unidade de Farmácia Clínica do HUGV, Sangely Mendonça, responsável pelo atendimento do CIATox, a maior parte das ligações recebidas pelo serviço na quinta-feira (16) é de pessoas que buscam informações para terceiros.
“As pessoas ligam para saber como orientar a família, colegas de trabalho e moradores de áreas próximas. A demanda realmente está bastante alta”, afirma.
Entre os sintomas mais relatados por quem procurou o serviço nas últimas horas estão o desconforto respiratório, que costuma surgir logo após a exposição, além de irritação nos olhos, no nariz e na garganta.
Medidas imediatas em caso de exposição ao estireno
De acordo com Sangely Mendonça, a primeira providência é interromper imediatamente a exposição ao produto.
“Ao perceber que está em uma área contaminada, a pessoa deve sair imediatamente do local e procurar um ambiente aberto e ventilado, onde não haja contato com a substância. Se estiver dentro de casa e tiver condições de ir para outro ambiente seguro, essa também é uma orientação importante”, explica.
Caso haja irritação nos olhos ou na pele, a recomendação é lavar a região com água corrente em abundância. Se as roupas tiverem sido expostas ao produto, recomenda-se retirá-las assim que possível para reduzir o contato.
A especialista destaca que alguns sinais exigem avaliação médica imediata. “Dificuldade para respirar, sensação intensa de falta de ar, desmaio e dor importante no peito são situações que requerem atendimento de urgência”, alerta.
O que não fazer em caso de exposição
Uma das recomendações é não recorrer à automedicação para aliviar sintomas respiratórios ou outros desconfortos sem avaliação de um profissional de saúde. Também não é indicado permanecer na área contaminada pelo estireno acreditando que os sintomas desaparecerão espontaneamente, já que a continuidade da exposição pode agravar o quadro.
Sobre o uso de máscaras, a especialista ressalta que os modelos convencionais não oferecem proteção contra gases tóxicos. “Existem equipamentos específicos utilizados em ambientes industriais, mas eles não fazem parte da rotina da população. Mesmo em ambiente hospitalar, a recomendação é utilizar equipamentos de proteção adequados quando disponíveis”, salienta. Também é importante não ignorar sintomas persistentes e procurar atendimento médico imediatamente.
Pessoas que apresentarem sintomas após a exposição ao estireno devem procurar uma unidade de saúde ou, em situações de urgência, acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192). O tratamento é direcionado às manifestações apresentadas pelo paciente.
“Não existe antídoto para essa substância. O tratamento é sintomático e de suporte, ou seja, depende dos sintomas apresentados pelo paciente. Se houver falta de ar ou desconforto respiratório persistente, é fundamental procurar um serviço de pronto atendimento para avaliação e, se necessário, realização de oxigenoterapia e outras medidas de suporte”, enfatiza.
Enquanto houver risco de exposição ao estireno, a população também deve acompanhar as informações divulgadas pelos órgãos responsáveis pela ocorrência. “É importante acompanhar as notícias para verificar quais regiões podem estar sendo atingidas, porque esse produto pode se dispersar para outras áreas. Assim, as pessoas conseguem evitar permanecer em locais onde a concentração ainda seja maior”, pontua Sangely.
Centro divulga cuidados em caso de exposição ao estireno. Foto: Divulgação/HUGV-Ufam
CIATox
O Centro de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) funciona 24 horas por dia e presta atendimento à população e aos profissionais de saúde em casos de intoxicação e exposição a produtos químicos, medicamentos, animais peçonhentos e outras substâncias tóxicas.
Além do atendimento à população, o serviço oferece suporte técnico aos profissionais de saúde responsáveis pela condução desses casos. “Orientamos tanto a comunidade quanto os profissionais de saúde. Médicos que tenham dúvidas sobre o manejo desses pacientes também podem entrar em contato conosco para receber orientação técnica e acompanhamento”, finaliza a responsável pelo serviço.
O atendimento é realizado pelos telefones (92) 3305-4702 e 0800 722 6001.
Plano de Contingência
Na quinta, o Colegiado Executivo do HUGV-Uam reuniu-se para aprovar o plano de contingência para o enfrentamento a “Exposição Acidental a Gás Tóxico (Estireno)”. O documento visa estabelecer diretrizes para resposta rápida diante da escalada de contaminação ambiental por estireno, visando proteger pacientes, acompanhantes, trabalhadores e visitantes, assegurando a continuidade da assistência hospitalar e reduzindo os riscos decorrentes da exposição ao agente químico.
“A criação do Comitê de Crise e a aprovação do plano de contingência permitem que o hospital esteja preparado para responder de forma organizada e eficiente a eventuais situações de risco, garantindo a proteção dos nossos pacientes, acompanhantes, trabalhadores e demais usuários dos serviços do HUGV”, finalizou o superintendente em exercício do HUGV-Ufam, André Mourão.
Obras ampliam em 3 km a calçada e a ciclovia da Avenida Dom Aparecido. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
A Prefeitura de Boa Vista segue investindo na ampliação da mobilidade urbana. Desta vez, a Avenida Dom Aparecido, que liga os bairros João de Barro e Cidade Satélite recebe obras de construção de calçada e ciclovia, ampliando a infraestrutura do local em mais 3km de extensão.
A intervenção busca garantir mais acessibilidade, segurança e conforto para quem utiliza a via diariamente, além de melhorar a integração entre os dois bairros e promover um deslocamento mais seguro e eficiente para pedestres, ciclistas e motoristas.
De acordo com o secretário municipal adjunto de Mobilidade Urbana, Gino Falcão, a previsão é que os serviços sejam concluídos em agosto e trará diversos benefícios à aos moradores da região.
Intervenção garante mais acessibilidade, segurança e mobilidade entre os dois bairros. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
“Essa obra também fortalecerá a integração entre os bairros João de Barro e Cidade Satélite, facilitando o acesso da população a escolas, unidades de saúde, estabelecimentos comerciais e demais serviços públicos”, destacou o secretário.
Desde 2021, a Prefeitura já implantou 164 km de calçadas, distribuídos em mais de 310 trechos da cidade. Com a conclusão da ciclovia da Avenida Dom Aparecido, Boa Vista passará a contar com 50 km de malha cicloviária.
“É a melhor coisa que a prefeitura está fazendo, porque vou ter um espaço seguro para andar”, disse a moradora, Ana Cristina. Foto: Jonathas Oliveira/PMBV
Investimento fortalece acessibilidade e qualidade de vida da população
Ana Cristina Lira é moradora do bairro João de Barro. A bicicleta é o principal meio de transporte dela e da família. Por isso, ela comemora os investimentos em ciclovia, por onde passará a trafegar com mais segurança.
“Estou achando essa obra muito boa. Vai melhorar bastante o nosso deslocamento, porque eu e meu marido usamos a bicicleta todos os dias. Pela manhã, eu passo por esse trecho. É a melhor coisa que a prefeitura está fazendo, porque vou ter um espaço seguro para andar”, disse a moradora.
Praia, piscina ou igarapé? Em julho, as férias escolares e o calor chamam para pelo menos um desses destinos e as famílias planejam passeios e viagens com todos seus integrantes, incluindo os pets. Se a sua opção é levá-los junto ou deixá-los sob outra supervisão, saiba que os animais domésticos precisam de cuidados específicos para manter a saúde e o bem-estar durante o verão amazônico.
Segundo o relatório sobre o Estado do Clima Global 2025, da Organização Meteorológica Mundial (OMM), o clima da Terra está mais desequilibrado do que em qualquer outro momento da história.
Diante desse cenário, Adriano Braga Brasileiro de Alvarenga, docente da Faculdade de Medicina Veterinária do Instituto de Medicina Veterinária (IMV/UFPA Campus Castanhal) e especialista em Comportamento e Bem Estar Animal, explica que as temperaturas elevadas já atingem os animais, pois atrapalham a dissipação do calor corporal, causam desidratação, estresse térmico e insolação. Filhotes, idosos e obesos, os de pelagem escura ou densa, além daqueles com doenças cardíacas ou respiratórias estão entre os grupos mais vulneráveis.
Em caso de altas temperaturas, “o animal deve ser levado para um local fresco, receber resfriamento gradual com água fresca para permitir a termorregulação e ser encaminhado ao médico veterinário”, ressalta o professor.
Avaliar o consumo de nutrientes também é fundamental neste período. Adriano Alvarenga afirma que a alimentação não deve mudar, mas é essencial focar em alimentos frescos e evitar refeições pesadas nos horários mais quentes do dia. Certos animais podem reduzir o apetite durante o verão, desde que continuem bem hidratados e saudáveis.
Disponibilizar pontos de água limpa é útil para estimular a ingestão. O professor alerta que a hidratação reduz diversas patologias, entre elas, as urinárias. “Outra boa opção é implementar o enriquecimento sensorial com alimentos dentro de cubos de gelo, pois ocupa o tempo do animal e proporciona hidratação adicional ou indireta”, recomenda Adriano.
Animais domésticos precisam de atenção redobrada no período de calor mais intenso. Foto: Pedro Bentes
Animais podem sofrer com estresse e ansiedade durante viagens
O calor também acende um alerta para maior proliferação de pulgas, carrapatos e mosquitos. “Também são comuns dermatites e problemas gastrointestinais relacionados ao calor. A alta umidade do ar amazônico também pode favorecer doenças causadas por fungos”, reforça o especialista. É importante manter os animais domésticos em locais bem preservados e buscar protetores solares específicos, sobretudo para aqueles de pouca pelagem ou de cor clara.
Caso prefira aproveitar o verão passeando com os pets, priorize o início da manhã ou fim da tarde, um tempo de duração curto e em locais arborizados, pois a temperatura amena protege as patas de queimaduras. Já, se você estiver planejando uma viagem, é necessário considerar as condições prévias do animal como saúde, idade e temperamento, visto que algumas espécies sofrem com maior ansiedade e estresse.
Se esse for o caso do seu animal, talvez seja preferível deixá-lo com um cuidador de confiança ou hotel especializado. Para qualquer desses responsáveis, repasse informações como rotina, alimentação, medicamentos, comportamento, além de deixar seus contatos e do médico veterinário, além de orientações em caso de emergência.
Adriano Alvarenga destaca que o bem-estar animal é o fator decisivo. “Animais expostos pela primeira vez a um novo ambiente como o carro, podem apresentar comportamento aversivo, enjoo e até vômito. O ideal é expor o animal a pequenos passeios prévios para o organismo se adaptar”, recomenda o professor.
Por isso, destinos conhecidos como pet friendly, que possuam boa estrutura veterinária, com áreas de sombra ou que não exijam longos períodos de esforço e de exposição ao sol são as melhores opções.
Nos trajetos de carro, utilizar a caixa de transporte ou cinto de segurança apropriado é indispensável, além de paradas para hidratação e realização das necessidades fisiológicas, lembrando de nunca deixar seu pet sozinho no veículo. Já nas viagens em transportes maiores como aviões, o mais recomendado é seguir as normas da companhia e consultar o médico veterinário antes do embarque.
Mesmo com tantos detalhes, o professor enfatiza que esses cuidados são básicos para evitar desconfortos e tornar a experiência proveitosa para toda a família.
“Planeje a viagem com antecedência, mantenha a vacinação e controle de parasitas em dia, leve água, alimentação, medicamentos, documentos do animal e os objetos com os quais ele está acostumado, como pelúcias e bolas. O objetivo é garantir a segurança e uma experiência positiva para o pet, evitando que ele associe a viagem e a estímulos aversivos”, finaliza Alvarenga.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Jornal Beira do Rio, da UFPA, edição 178, escrito por Karina Moraes
Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado. Foto: Reprodução/LaCoop Amazônia
Durante muitos anos, o café robusta foi visto apenas como um grão comum, destinado principalmente à indústria. Em Rondônia, essa história começou a mudar quando agricultores familiares passaram a investir em qualidade, inovação e cooperativismo. Hoje, cafés produzidos por essas famílias conquistam prêmios, cruzam oceanos e chegam às xícaras de consumidores em países como Coreia do Sul, China, Alemanha e Espanha.
No centro dessa transformação está a Cooperativa dos Agricultores Familiares da Amazônia (LaCoop Amazônia), criada em 2017, quando um grupo de produtores percebeu que o café produzido na região tinha características únicas, mas enfrentava um desafio: comercializar microlotes de cafés especiais.
“A dificuldade que se tinha em comercializar microlotes de café fez com que reunissem um grupo de produtores e começasse a ideia de se criar uma organização que pudesse fazer isso por eles. Daí nasceu a Lacoop”, explica o diretor-presidente da cooperativa, Nildo Pereira.
Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado. Foto: Janderson Dalazen
A partir da criação da cooperativa, os produtores passaram a trabalhar de forma coletiva para elevar o padrão dos cafés produzidos nas propriedades familiares. O foco deixou de ser apenas a produtividade e passou a incluir qualidade, sustentabilidade e agregação de valor ao produto.
Segundo Nildo Pereira, o diferencial do café produzido em Rondônia começa nas próprias características da Amazônia. O clima, a umidade e a nebulosidade influenciam o desenvolvimento dos grãos e ajudam a formar um perfil sensorial próprio, que hoje distingue o robusta amazônico no mercado de cafés especiais.
“Os cafés especiais na Amazônia e em Rondônia surgiram justamente pelo diferencial que é produzir na região amazônica, pelas características que esse produto tem em função de tudo que cerca a Amazônia, clima, nebulosidade, umidade. Tudo isso faz com que o café da Amazônia, o café de Rondônia e, em especial, o café robusto amazônico, o Matas de Rondônia, tenha características únicas”, disse.
Café Robusta Amazônico conquistou prêmios e chegou a mercados internacionais. Foto: Reprodução/LaCoop Amazônia
Além das condições naturais, a cooperativa passou a orientar os produtores sobre boas práticas de manejo, uso racional de agroquímicos e protocolos de produção voltados à qualidade e à sustentabilidade. A proposta, segundo o diretor, é buscar um equilíbrio entre produtividade, preservação ambiental e retorno financeiro para as famílias.
“A forma de produzir o que mudou foi, de fato, alguns cuidados culturais, alguns tratos culturais que vêm de encontro com a qualidade, o zelo pelo uso racional dos agroquímicos de forma que não viesse a interferir na qualidade do café”, explicou.
Qualidade que abriu mercados
O investimento na qualidade começou a refletir nos resultados. Ao longo dos últimos anos, cafés produzidos por cooperados passaram a conquistar espaço nos principais concursos de cafés especiais de Rondônia e abriram portas para novos mercados.
“Hoje 70% de todos os cafés premiados em Rondônia, de uma certa forma, são de pessoas diretamente envolvidas na Lacoop”, informou.
O reconhecimento também ajudou a ampliar a presença do robusta amazônico no mercado internacional. Os grãos produzidos pelos cooperados já foram exportados para países da Ásia e da Europa, enquanto o mercado brasileiro continua sendo o principal destino da produção.
“Os cafés da cooperativa já chegaram a mercados asiáticos, principalmente Coréia, China, além de países da Europa, Alemanha”, disse.
Conheça a cooperativa que ajudou a transformar o robusta amazônico em café premiado. Foto: Reprodução/LaCoop Amazônia
Mais do que reconhecimento, os prêmios também mudaram a forma como muitos produtores comercializam o café. Em vez de vender apenas o grão cru, parte dos cooperados passou a investir em marcas próprias e em todas as etapas de beneficiamento, agregando valor ao produto.
“Grande parte dos produtores premiados criaram as suas próprias marcas, estão fazendo o ciclo completo, torrando, moendo, empacotando e colocando nas grandes cafeterias Brasil afora”, informou.
Para Nildo Pereira, essa transformação é resultado de um trabalho construído ao longo dos últimos anos para mostrar que o robusta amazônico poderia ser reconhecido não apenas pela produtividade, mas também pela qualidade e pela identidade.
“Caracterizar o café produzido aqui como único, criar uma característica para ele, foi um diferencial, foi o que de fato fez com que hoje estivesse no nível que nós estamos”, explicou.
A Secretária Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça, Marta Machado, afirmou em conversa com o jornalista Welliton Lopes, no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat, que o Governo Lula encontrou um “déficit de fiscalização” na Amazônia.
Ao comentar o tema, Marta Machado afirmou que o trabalho feito por ela e sua equipe encontrou problemas no combate ao crime organizado na região ao assumir a pasta e que isso também contribuiu para um cenário de necessidade de atenção do Governo Federal na região.
“A gente assume a gestão com um déficit muito sério de fiscalização, inclusive fiscalização ambiental na região da Amazônia e claro esse déficit de fiscalização foi um dos fatores que propiciou a entrada do crime organizado e a consolidação de algumas rotas ali importantes, principalmente as rotas dos rios amazônicos”, comenta.
Marta Machado afirmou ainda que a partir de 2023, o Governo Federal tomou decisões classificadas por ela como “acertadas” na região para endurecer o trabalho de fiscalização a crimes ambientais, tráfico de drogas e outros crimes.
“Então, em 2023, em uma ação muito acertada e urgente o Governo retoma as ações na Amazônia, inclusive com a inauguração do CCPI [Centro de Cooperação Policial Internacional], coordenado pela Polícia Federal com representantes de todos os países que compartilham a Amazônia. Então houve um foco muito acertado que já deu muito resultado em termos de situação do desmatamento, de toneladas de apreensão de drogas e agora a gente dá um passo além, integrado com esse programa, com um programa mais completo. Um programa que vê a segurança pública de uma maneiro integrada”.
A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
Para Cesário Nascimento, as obras refletem o compromisso da prefeitura com a qualidade de vida da população. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
A Prefeitura de Boa Vista deu continuidade, nesta semana, às obras de terraplenagem no bairro Pedra Pintada. A rua Turquesa recebeu os serviços das equipes, que também seguirão para outras vias, como Ametista, Castelita, Safira, Esmeralda, Quartzo e Cristal, entre outras.
O serviço já contemplou vias como Topázio, Jade, Pérola, Olho de Tigre, Turmalina e Turquesa, correspondendo a cerca de 1.500 metros de obras executadas no bairro. Segundo o secretário-adjunto municipal de Mobilidade Urbana (SEMOB), Gino Falcão, o trabalho promove qualidade de vida para os moradores do bairro e melhora o trânsito.
“Esse serviço leva para a população conforto e dignidade. Melhoramos o cotidiano de todos os moradores que se deslocam pelas ruas e avenidas. Com as obras, a população pode trafegar com segurança e comodidade pelos bairros da capital”, disse.
Terraplenagem segue em ritmo acelerado e beneficia diversas ruas do bairro Pedra Pintada. Foto: Richard Messias/PMBV
A terraplenagem faz parte do compromisso da gestão de investir na infraestrutura e garantir melhorias para a população do Pedra Pintada. Além do serviço, o bairro foi contemplado com outras entregas, como o Complexo da Primeira Infância Missionária Pauline Suellen da Silva Andrade, composto pela Praça José Francisco Gomes, pelo Jardim Filtrante e pela Escola Municipal Professor Fridman da Cunha Nascimento.
Morador do bairro há mais de uma década, Cesário Nascimento da Silva, de 63 anos, afirma que sempre está atento aos avanços promovidos pela Prefeitura no Pedra Pintada. Para ele, os investimentos reforçam o comprometimento da gestão com o cuidado às pessoas.
“Eu aprovo essas obras. Vivo aqui há muitos anos, e ver a rua onde moro recebendo esse serviço é muito bom. É a prova de que o bairro evoluiu bastante e vai continuar melhorando. Nós não fomos esquecidos, e a Prefeitura está cumprindo, todos os dias, a promessa de cuidar da gente. Estão de parabéns pela obra”, disse.
Em resposta aos questionamentos no programa Entrevistas, do canal Amazon Sat, a responsável pela pasta da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas e Gestão de Ativos do Ministério da Justiça, Marta Machado, classificou como “equivocada” a decisão de transformar o conceito de facções criminosas presentes no Brasil como organizações terroristas.
Para Marta Machado, o conceito está sendo interpretado de uma forma equivocada pelos Estados Unidos (EUA) e afirma ainda que o Governo Federal tem somado esforços para combater os crimes cometidos por pessoas ligadas a essas facções.
“A gente lamenta um ato unilateral deste pelo governo dos Estados Unidos diante de um país que tem feito muitos esforços para combater as ações desse crime organizado. Essa é uma decisão que é pouco técnica e tem um componente político muito forte”, defendeu.
“Tecnicamente há uma diferença entre crime organizado e terrorismo. Não é uma diferença de gravidade, mas é outra natureza. O terrorismo tem uma base ideológica, muitas vezes religiosa e muito política, já o crime organizado busca lucro. Claramente eles estão falando dessas facções criminosas que estão ali na Amazônia e eles buscam lucro. O crime organizado acaba funcionando como uma empresa que vai diversificando suas atividades e nessa região tem trabalhado com tráfico de drogas em convergência com outros ilícitos”, explicou Machado.
Marta Machado afirmou ainda durante o programa que “não faz sentido” a decisão do governo dos Estados Unidos da América sobre as facções criminosas. Para ela, a decisão precisa ser baseada em evidências e o governo brasileiro tem evidências e conhecimento para combater essas facções.
“Isso é algo que do ponto de vista técnico não faz sentido e claro de um país que está fazendo muitos esforços inclusive para combater os desdobramentos internacionais e transnacionais do crime organizado. Com muita integração, com cooperação internacional, com cooperação interfederativa, a gente acredita que com isso, com políticas públicas baseadas em evidências, a gente vai ter resultados”, afirma. Assista:
A entrevista completa já está disponível no canal do Amazon Sat no Youtube: assista o programa completo AQUI.
‘Entrevistas’
O programa Entrevistas, do Amazon Sat, nasce com a proposta de aproximar os amazônidas das decisões tomadas em Brasília que impactam diretamente a região. Produzido pela sucursal do Grupo Rede Amazônica na capital federal, o programa aborda temas ligados à política, justiça, economia e meio ambiente, ouvindo representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de especialistas e formadores de opinião.
Apresentado pelo jornalista Welliton Lopes, que há mais de duas décadas acompanha pautas da Amazônia em Brasília, o programa pretende aprofundar debates e revelar os bastidores das decisões que influenciam a vida de mais de 30 milhões de pessoas na região amazônica. A atração também busca transformar assuntos técnicos e complexos em informações acessíveis ao público.
‘Entrevistas’ tem sempre um episódio inédito às terças-feiras, às 19h30, e conta com reexibições: quartas, às 9h; quintas, às 13h30; sextas, às 17h30; sábados, às 9h30; domingos, às 15h45; e segundas, às 19h30. Todos os horários seguem o fuso de Manaus/AM (GMT -4).
A Amazônia ocupa mais da metade do território nacional e se estende por nove estados: Acre, Amapá, Amazonas, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Além da floresta, o bioma – o maior do mundo – reúne rios, serras, áreas alagadas, unidades de conservação e territórios indígenas que compõem uma das maiores ofertas de turismo de natureza do país.
De parques nacionais e estaduais a experiências de turismo de base comunitária, os destinos amazônicos oferecem atividades como observação de fauna, trilhas, passeios de barco, montanhismo, banhos de cachoeira e vivências com comunidades tradicionais.
As paisagens e os roteiros variam conforme as características ambientais e culturais de cada estado, ampliando as possibilidades para visitantes interessados em conhecer a Amazônia.
Confira alguns atrativos e destinos separados por estados que permitem explorar a diversidade de ecossistemas e as formas de interação entre conservação ambiental, cultura local e turismo na Amazônia.
Acre
No Parque Nacional da Serra do Divisor, o ponto mais ocidental do Brasil, o turista encontra um verdadeiro refúgio de ecoturismo e biodiversidade amazônica.
Na região do Rio Moa, é possível explorar trilhas na floresta tropical, banhar-se em um circuito de cerca de sete cachoeiras e observar mais de 1.200 espécies de animais, incluindo pássaros como a choca-do-acre e macacos endêmicos.
O ponto alto da contemplação fica no mirante da Serra, a 500 metros de altitude, que oferece uma vista panorâmica única para assistir a um dos últimos pôr do sol observados no território brasileiro.
A experiência na região é enriquecida pelo contato direto com as comunidades ribeirinhas e os territórios das etnias indígenas Nawa e Nukini, onde o turista pode ouvir histórias e lendas locais e saborear a gastronomia típica da floresta, com pratos à base de peixes de água doce e frutas regionais que constroem o cenário da Amazônia.
Parque Nacional da Serra do Divisor é considerado o ponto mais ocidental do Brasil e um dos locais para conhecer a Amazônia. Foto: Pedro Devani/Secom Acre
Amapá
Um dos principais destinos que unem turismo e natureza no estado é o Parque Nacional do Cabo Orange, localizado no extremo norte do país, onde o visitante pode realizar passeios de barco pelos rios e canais da região para observar extensos manguezais, campos alagados e uma rica fauna composta por guarás, garças e outras aves costeiras.
Já no coração do estado, o Parque Nacional Montanhas do Tumucumaque, considerado uma das maiores áreas contínuas de floresta tropical protegida do mundo, atrai visitantes interessados em expedições pela floresta amazônica, trilhas, cachoeiras, corredeiras e observação da fauna, incluindo espécies como a onça-pintada, a harpia e o macaco-aranha.
Outro destaque é a região de Ferreira Gomes e Porto Grande, banhada pelo Rio Araguari, onde o turista pode aproveitar balneários naturais, navegar por rios de águas cristalinas, praticar pesca esportiva de espécies como o tucunaré e contemplar paisagens típicas da Amazônia preservada.
Localizado no extremo norte do Brasil, Parque Nacional do Cabo Orange une o que há de mais bonito de manguezais e uma rica fauna. Foto: Reprodução/Entre Parques
Amazonas
O Parque Nacional de Anavilhanas, em Novo Airão, reúne um dos maiores arquipélagos fluviais do mundo, com centenas de ilhas e canais do Rio Negro, onde o visitante pode navegar por paisagens da floresta preservada, percorrer trilhas e observar botos-cor-de-rosa.
Em Presidente Figueiredo, conhecida como a “Terra das Cachoeiras“, o destaque são as trilhas que levam às quedas d’água, corredeiras e grutas em meio à floresta. Outro atrativo são os passeios pelos rios Negro e Solimões, que incluem caminhadas guiadas, pesca recreativa e a contemplação do Encontro das Águas.
Próxima a Tefé, a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá é referência em ecoturismo e turismo de base comunitária, oferecendo passeios por igarapés e vivências com comunidades ribeirinhas da Amazônia.
Em São Sebastião do Uatumã, a experiência combina pesca esportiva, turismo sustentável e imersão na floresta, com passeios pela reserva, trilhas, e navegação pelo rio Uatumã.
Durante a temporada do tucunaré, entre agosto e dezembro, o município recebe visitantes do Brasil e do exterior, que também encontram na culinária regional, marcada por pratos à base de peixes amazônicos e pelo tradicional tucumã, um dos destaques da viagem.
Um dos maiores arquipélados fluviais do mundo, Parque Nacional de Anavilhanas fica localizado no município de Novo Airão. Foto: Ivo Brasil
Maranhão
A Comunidade Tradicional Praia de São Pedro, em Carutapera, localizada na Reserva Extrativista Marinha Arapiranga-Tromaí, oferece um roteiro de turismo de base comunitária que integra natureza, cultura e experiências da Amazônia conduzidas pelos próprios moradores.
Entre os principais atrativos estão as vivências com a pesca artesanal, incluindo o tradicional arrasto de camarão e a confecção de redes de pesca, além de passeios de canoa pelos manguezais e estuários (onde a água doce de um ou mais rios se encontra e se mistura com a água salgada do oceano); observação de aves, como os guarás; e contemplação de praias preservadas, lagos naturais e pôr do sol.
A experiência também valoriza a gastronomia local, com destaque para o tradicional avoado, em que visitantes compartilham peixes e frutos do mar preparados pelos pescadores à beira da praia.
O roteiro ainda inclui manifestações culturais, como a Festividade de São Pedro e o Festival de Verão da Praia de São Pedro, fortalecendo a identidade das comunidades tradicionais e promovendo a conservação ambiental por meio do turismo sustentável.
Numa paisagem que integra natureza, cultura e experiências regionais, Comunidade Tradicional Praia de São Pedro fica em Carutapera, em MA. Foto: Reprodução/Facebook-Giovano Rangel
Mato Grosso
No extremo norte de Mato Grosso, a Amazônia e sua floresta ganham força e revelam cenários de mata nativa intocada em municípios como Alta Floresta e Paranaíta.
O grande destaque da região são as Torres de Observação do Cristalino, estruturas de aço com até 50 metros de altura que ultrapassam a copa das árvores, permitindo ao visitante observar centenas de espécies de aves e primatas, incluindo o raro macaco-aranha-de-cara-branca.
O roteiro inclui a navegação pelas águas calmas do Rio Cristalino, caminhadas guiadas na Trilha da Castanheira, que leva a uma árvore milenar, e passeios de caiaque para ver o pôr do sol.
Já em Paranaíta, o turista pode explorar as formações rochosas do Canyon do Indiscreto no Rio Teles Pires e conhecer sítios arqueológicos com petróglifos antigos gravados nas pedras, consolidando a região como um polo de ecoturismo e aventura na Amazônia mato-grossense.
Com 50 metros de altura, as Torres de Observação do Cristalino permitem que os visitantes possam observar a copa das árvores e centenas de aves e primatas sobrevoando o local. Foto: Marcos Amend/Cristalino Lodge
Pará
No Parque Estadual do Utinga, refúgio urbano de biodiversidade amazônica na região metropolitana de Belém, o visitante explora trilhas em meio à floresta, pratica atividades ao ar livre como caminhadas, ciclismo e caiaque, além de observar animais silvestres como bichos-preguiça, macacos e uma rica diversidade de aves amazônicas.
Para quem busca o “Caribe da Amazônia“, Alter do Chão, em Santarém, revela, durante a estação seca, praias sazonais de areia branca e águas cristalinas do Rio Tapajós, como a famosa Ilha do Amor.
O roteiro pode ser ampliado com passeios pelos igapós da Floresta Encantada, trilhas guiadas na Floresta Nacional do Tapajós para contemplar imponentes samaúmas e uma imersão na cultura tapajônica, na gastronomia regional e no carimbó, elementos que fazem parte do cenário nortista e da Amazônia.
Já a Ilha do Marajó, maior arquipélago fluviomarinho do planeta, reúne praias como a do Pesqueiro, experiências de ecoturismo em fazendas tradicionais, observação de guarás, jacarés e búfalos, além da riqueza da cerâmica marajoara e da gastronomia típica, marcada pelo queijo do Marajó, pela carne de búfalo e pelos peixes amazônicos.
Parque Estadual do Utinga, em Belém, é considerado o refúgio urbano da biodiversidade amazônica na região metropolitana da capital paraense. Foto: Divulgação/Parque do Utinga
O território reúne diferentes formações vegetais, como floresta tropical aberta, floresta densa e áreas de transição ecológica, compondo um cenário de grande biodiversidade cortado por rios e igarapés.
Mais do que um destino de visitação, a comunidade oferece uma oportunidade de conhecer experiências de turismo de base comunitária que valorizam a cultura indígena e a conservação ambiental.
No Complexo Yabnaby, os visitantes podem vivenciar aspectos do cotidiano Paiter, participar de trilhas guiadas, conhecer a gastronomia tradicional e compreender como o manejo sustentável da floresta faz parte da identidade do povo.
Os Paiter Suruí também se destacam pela produção de café orgânico e pela coleta de castanhas e sementes destinadas à recuperação de áreas degradadas.
Habitado pelo povo indígena Paiter Suruí, Terra Indígena Sete de Setembro, em Cacoal-RO, possui a cultura indígena e a conservação ambiental como experiências turísticas únicas. Foto: Emily Costa/Rede Amazônica RO
Roraima
Roraima reúne uma ampla variedade de roteiros voltados ao turismo de natureza, com opções que vão desde trilhas em serras e montanhas até passeios por rios e cachoeiras.
Entre os destinos mais procurados está a Serra do Tepequém, um dos mais famosos do estado, localizado no município de Amajari, e conhecido por suas cachoeiras e trilhas de diferentes níveis de dificuldade.
A região abriga uma fauna diversificada, com tamanduás, jabutis, araras, gaviões, garças e diversas espécies de aves.
Também no estado, o Monte Roraima é referência para o montanhismo e trekking na América do Sul, famoso por seus imensos paredões rochosos.
Já o Parque Nacional do Viruá, localizado em Caracaraí, é uma unidade de conservação que concentra diferentes ecossistemas e oferece atividades como caminhadas, passeios embarcados e observação da vida silvestre. É um dos principais pontos do Brasil para a observação de aves (birdwatching).
Situado em Amajari, Roraima, Serra do Tepequém é um dos destinos mais procurados do país e reconhecido como destino do ecoturismo nacional. Foto: Reprodução/Viagens e Caminhos
Tocantins
A cerca de 260 km de Palmas, o Parque Estadual do Cantão é uma unidade de conservação de aproximadamente 90 mil hectares. Com cerca de 900 lagos, o destino muda com as estações.
Na cheia, barcos navegam entre as copas das árvores da floresta alagada; na seca, surgem praias de areia clara e trilhas. Essa dinâmica torna o Cantão um dos principais destinos de ecoturismo do Tocantins, onde a observação da fauna também é uma das grandes atrações.
Ao longo dos passeios é possível avistar aves de diferentes portes, mamíferos, jacarés e, dependendo da época do ano, botos do Araguaia e tartarugas-da-Amazônia. Navegar pelos lagos e canais, caminhar por praias desertas e percorrer trechos de floresta preservada permite ao visitante conhecer um dos mais importantes mosaicos naturais do Brasil.
Um dos principais destinos de ecoturismo de Tocantins, Parque Estadual do Cantão conta com aproximadamente 90 mil hectares e cerca de 900 lagos. Foto: Reprodução/Site Mirante Mão de Deus