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Ação integrada visa controlar parasitoses intestinais e hanseníase no Território Yanomami

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Foto: Divulgação/DSEI Yanomami

O Polo Base Auaris, no território Yanomami, em Roraima, foi definido como ponto central para a implementação de um Plano Estratégico de Vigilância e Controle das Parasitoses Intestinais e Hanseníase. A ação, liderada pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai), em parceria com a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA) e o Médicos Sem Fronteiras (MSF), tem como objetivo combater problemas de saúde pública que impactam diretamente as comunidades locais, especialmente crianças menores de cinco anos e gestantes.

Além da Sesai, do Departamento de Doenças Transmissíveis da SVSA e do MSF, também participaram da ação o Distrito Sanitário Especial Indígena Yanomami e Ye’kwana (DSEI/YY), a Universidade de Brasília (UnB) e a Universidade Federal de Roraima (UFRR).

O projeto surgiu diante da alta prevalência de geo-helmintíases (grupo de doenças parasitárias intestinais), um problema crítico na região, que pode causar desnutrição, anemia e outros impactos na saúde infantil. A hanseníase, considerada uma doença negligenciada, também foi incorporada ao plano, com ações de triagem e testes rápidos para mapear o perfil epidemiológico do território.

De acordo com Pedro Falcão, sanitarista da Coordenação-Geral de Vigilância da Hanseníase e Doenças em Eliminação da SVSA (CGHDE) e coordenador técnico do projeto, os resultados iniciais da ação são promissores. Segundo Falcão, além da redução das parasitoses intestinais, houve uma melhoria no estado nutricional das crianças atendidas e no bem-estar geral das comunidades.

Falcão ressalta ainda que, com a continuidade do projeto de intervenção da vigilância e sua expansão para outras áreas, a expectativa é que mais comunidades sejam beneficiadas, promovendo não apenas melhorias na saúde, mas também no desenvolvimento sustentável da região.Foto: divulgação/Dsei Yanomami

“Através da expansão do Plano Estratégico de Vigilância e Controle das Parasitoses Intestinais e Hanseníase, poderemos garantir mais qualidade de vida e o desenvolvimento sustentável da região, bem como a melhoria na gestão e no fluxo da informação para a tomada de decisão pelos gestores de saúde indígena”, esclareceu o sanitarista.

O projeto foi iniciado em julho deste ano, com reuniões técnicas para planejamento e definição de abrangência, capacidade técnica e logística. A equipe multidisciplinar contou com seis profissionais de diferentes especialidades, incluindo duas biólogas, um médico dermatologista, uma pediatra, um farmacêutico e um sanitarista.

Em novembro, a equipe visitou 14 comunidades de Auaris, promovendo acolhimento e executando intervenções essenciais, como cadastro, medidas antropométricas, coleta de amostras de fezes, tratamento antiparasitário com albendazol, triagem de doenças de pele e aplicação de testes rápidos de hanseníase.

A próxima fase do plano está prevista para fevereiro e março de 2025, com expansão para novas áreas do Polo Base Auaris e qualificação dos profissionais locais com base nos resultados.

Além da execução das ações em campo, o projeto prevê atividades complementares, como análise laboratorial das amostras fecais na UFRR e a capacitação de técnicos locais para fortalecer a vigilância em saúde e promover a sustentabilidade das intervenções. Um curso de formação sobre o enfrentamento da malária também deverá ser realizado, complementando os esforços para melhorar a saúde pública nas comunidades Yanomami.

*Com informações do Ministério da Saúde

‘Máquina de nuvens’: emissões da floresta amazônica e descargas elétricas produzem partículas de chuva

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Nuvens sobre a bacia amazônica: foto tirada durante um voo de pesquisa. Foto: Philip Holzbeck/Instituto de Química Max Planck

Um grupo internacional de pesquisadores, com destaque para a participação de brasileiros, conseguiu pela primeira vez desvendar o mecanismo físico-químico que explica o complexo sistema de formação de chuvas na Amazônia, com influência no clima global. Envolve a produção de nanopartículas de aerossóis, descargas elétricas e reações químicas em altitudes elevadas, ocorridas entre a noite e o dia, resultando em uma espécie de “máquina” de aerossóis que vão produzir nuvens.

A pesquisa, publicada no dia 4 de dezembro na capa da revista Nature, descreve os mecanismos de como o isopreno – um gás liberado pela vegetação por meio de seu metabolismo – é transportado até a camada da atmosfera acima da superfície terrestre próxima da tropopausa durante tempestades noturnas. Uma série de reações químicas desencadeadas com a radiação solar dá origem a uma grande quantidade de aerossóis que formam as nuvens. Esta produção de partícula é acelerada por reações com óxidos de nitrogênio produzidos por descargas elétricas na alta atmosfera, em nuvens dominadas por cristais de gelo.

Até então, os cientistas já haviam identificado as partículas em outra expedição, mas não o mecanismo físico-químico completo. Acreditava-se que o isopreno não chegaria às camadas superiores da atmosfera porque reagiria ao longo do caminho, pois é bastante reativo, e se degradaria rapidamente com a luz solar. Com a descoberta desses novos mecanismos, será possível aprimorar modelos do sistema terrestre, ferramentas fundamentais para simular o clima e compreender o funcionamento presente e futuro do planeta.

Para chegar ao resultado, o grupo usou o material obtido durante o experimento científico CAFE-Brazil, sigla em inglês para Chemistry of the Atmosphere: Field Experiment in Brazil. Único desse tipo, o experimento realizou diversos voos sobre a bacia amazônica entre dezembro de 2022 e janeiro de 2023, a 14 quilômetros (km) de altitude, o que corresponde a duas vezes a altura do Aconcágua, ponto mais alto da América do Sul. Totalizou 136 horas de voo, cobrindo 89 mil km – mais do que duas voltas completas na Terra pelo Equador.

Aeronave de pesquisa do projeto CAFE-Brazil logo após a decolagem. Foto: Dirk Dienhart/Instituto de Química Max Planck

Pesquisador do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (IF-USP) e colaborador do Departamento de Química do Instituto Max Planck, na Alemanha, Machado diz que o resultado abre um horizonte amplo para analisar o impacto do aquecimento global no clima, no meio ambiente e no ecossistema.

Para Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável (CEAS) da USP, professor do IF-USP e coautor do artigo, os resultados permitem realizar modelagens com mais confiabilidade, podendo incluir mecanismos do ponto de vista físico-químico e biológico.

Levantamento divulgado pelo MapBiomas em outubro, com base em imagens de satélites, mostrou que pastagem foi a principal finalidade do desmatamento da Amazônia entre 1985 e 2023. No período, o crescimento dessa área foi de mais de 363%, passando de cerca de 12,7 milhões para 59 milhões de hectares. Com isso, 14% da Amazônia tinha virado área de pastagem em 2023.

O mecanismo

A floresta exala aromas muito característicos. São gases conhecidos como compostos orgânicos voláteis (VOCs, na sigla em inglês), entre eles o terpeno – grupo de substâncias encontradas em resinas de árvores e óleos essenciais – e o isopreno. Estima-se que as florestas em todo o mundo liberem mais de 500 milhões de toneladas de isopreno na atmosfera anualmente, sendo que um quarto dessa emissão vem da Amazônia.

Na floresta amazônica, o isopreno é emitido durante o dia, pois depende da luz do sol. Acreditava-se que o gás não alcançava as camadas mais altas da atmosfera porque seria destruído em poucas horas por radicais hidroxila, altamente reativos. “Agora, estabelecemos que isso é parcialmente verdade. Ainda há quantidade considerável de isopreno à noite. Uma parte significativa dessas moléculas pode ser transportada para camadas mais altas da atmosfera”, afirma em nota o autor correspondente do artigo, Joachim Curtius, professor da Universidade Goethe de Frankfurt (Alemanha).

Durante a noite, tempestades tropicais sobre a floresta ajudam a transportar gases, como o isopreno, para camadas mais altas por meio de convecção intensa. Semelhante a um aspirador, esse processo é impulsionado por correntes de ar ascendentes, especialmente em regiões com alta umidade e calor acumulado. Os gases se combinam com compostos de nitrogênio provenientes dos relâmpagos na alta atmosfera.

Nas áreas mais altas, entre 8 e 15 km de altitude, as temperaturas chegam a 60°C negativos. Cerca de duas horas após o sol nascer, os radicais hidroxila que se formam também nessas altitudes reagem com o isopreno, dando origem a nitratos orgânicos, compostos diferentes dos encontrados próximos ao solo. Produzem, assim, altas concentrações de nanopartículas de aerossóis, com mais de 50 mil delas por centímetro cúbico.

Essas partículas crescem ao longo do tempo e são transportadas por longas distâncias, podendo atuar como núcleos de condensação de nuvens. Influenciam o ciclo hidrológico global, o balanço de radiação e o clima. Os mecanismos de formação desses compostos nitrogenados orgânicos agora serão incorporados nos modelos climáticos, melhorando a previsão de chuvas, especialmente em regiões tropicais.

A FAPESP apoia o estudo por meio de um Projeto Temático vinculado ao Programa de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais (PFPMCG) e liderado por Machado e outro por Artaxo, além de outros quatro projetos.

Além dessa pesquisa, a Nature traz na mesma edição outro estudo desenvolvido por parte da equipe de pesquisadores que trata da nova formação de partículas a partir do isopreno na troposfera superior. Eles reproduzem em câmaras experimentais as condições presentes nessas altitudes, analisando em detalhe as reações desencadeadas pela luz solar.

A expedição

Vários voos de pesquisa realizados no experimento CAFE-Brazil contribuíram para a geração de perfis de altitude para diferentes gases. Foi possível medir massas de ar transportadas para a troposfera superior e as diferenças entre as situações diurnas e noturnas.

O professor Machado, que participou da coleta de informações na Amazônia, conta que os voos chegavam a ter duração de até 12 horas.

Machado, à esquerda, durante um dos voos. Foto: Luiz Machado/Acervo pessoal

A base de trabalho foi montada em Manaus (AM). Os voos eram realizados com o avião HALO (sigla em inglês para High Altitude and LOng range research aircraft), uma aeronave de pesquisa para longas distâncias (mais de 8 mil km), altas altitudes (até 15,5 km) e grandes cargas (até 3 toneladas).

O experimento contou com a parceria entre a Universidade Goethe de Frankfurt, o Instituto Max Planck de Química (Alemanha), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) – que foi responsável pela licença da expedição científica coordenada pelo pesquisador Dirceu Herdies, também autor do artigo –, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) e a USP.

Equipe do CAFE-Brazil, sediada em Manaus. Foto: Divulgação

Recentemente, outro estudo liderado por Machado foi publicado na revista Nature Geoscience mostrando que a floresta é capaz de produzir sozinha aerossóis que, induzidos pela própria chuva, desencadeiam um processo de novas formações de nuvens e precipitação.

Os artigos ‘Isoprene nitrates drive new particle formation in Amazon’s upper troposphere‘ e ‘New particle formation from isoprene in the upper troposphere‘ podem ser lidos, respectivamente, em: www.nature.com/articles/s41586-024-08192-4 e www.nature.com/articles/s41586-024-08196-0.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Luciana Constantino

Iniciativa Amazônia+10 divulga resultado final da chamada Expedições Científicas; veja a lista

Foto: luis deltreehd/Pixabay

Iniciativa Amazônia+10 divulgou no dia 2 de dezembro o resultado final da chamada Expedições Científicas, lançada em novembro de 2023 pelo Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Foram selecionados 22 projetos ao todo, 14 deles com participação de pesquisadores apoiados pela FAPESP.

O conjunto de propostas aprovadas está orçado em aproximadamente R$ 76 milhões, financiados por 19 Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs), pelo CNPq e por agências estrangeiras, como UK Research and Innovation (UKRI), do Reino Unido, e Swiss National Science Foundation (SNSF), da Suíça.

O edital apoiará expedições científicas voltadas à ampliação do conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a biodiversidade amazônica. As propostas selecionadas estão alinhadas ao objetivo da chamada: preencher duas lacunas importantes do conhecimento científico sobre a região, uma geográfica e outra taxonômica, além de expandir as pesquisas sobre a diversidade sociocultural dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia.

Considerando os 22 projetos, mais de 60 localidades pouco abordadas pela comunidade científica serão estudadas, entre elas terras indígenas, reservas de desenvolvimento sustentável e extrativistas e outras regiões de difícil acesso.

Cada uma das propostas é liderada por cientistas de, pelo menos, duas FAPs ou agências estrangeiras, sendo um deles obrigatoriamente vinculado a instituições de ensino superior e/ou pesquisa com sede nos Estados da Amazônia Legal (Amazonas, Acre, Rondônia, Roraima, Pará, Maranhão, Amapá, Tocantins e Mato Grosso). O edital também previa a inclusão na equipe de pesquisa de pelo menos um integrante do grupo conhecido como PIQCT (Povos indígenas, Quilombolas e Comunidades Tradicionais).

“Estamos na reta final de um processo exitoso, resultado de esforços de articulação das fundações estaduais de amparo à pesquisa, das instituições de ensino e pesquisa, dos pesquisadores e de agências de fomento nacionais e internacionais. Os projetos aprovados vão ampliar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade amazônica, com a participação de cientistas locais, em parceria com outros Estados e países”, comenta Márcia Perales, diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Os 22 projetos aprovados contarão com financiamento das agências de fomento (FAPs, CNPq, UKRI e SNSF) por um período de até 36 meses. Cada proposta foi avaliada por equipes de todos os Estados participantes da chamada – os nove da Amazônia Legal, além do Rio Grande do Sul, Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Goiás, Pernambuco, Alagoas, Paraíba, Paraná, São Paulo e Distrito Federal.

Posteriormente, as propostas foram avaliadas por um painel científico formado por pesquisadores de diversas áreas do conhecimento, que classificaram os projetos de acordo com o seu mérito científico. E, por último, as agências financiadoras reuniram-se no âmbito do Comitê Coordenador da Iniciativa Amazônia+10 para definir o financiamento de cada um dos projetos, na tentativa de maximizar o número de propostas aprovadas.

“Ficamos muito contentes por mais este passo da iniciativa. Estamos caminhando no sentido de diversificar os instrumentos de apoio à pesquisa em temas relevantes para a região. Queria parabenizar todas as instituições nacionais e internacionais envolvidas. Foi um trabalho complexo, mas muito estimulante. Na sequência teremos outras iniciativas que, sem dúvida, vão contribuir para fazer avançar a pesquisa sobre os temas da Amazônia e também contribuir para fortalecer as instituições locais”, diz Carlos Américo Pacheco, diretor-presidente do Conselho Técnico-Administrativo da FAPESP.

A chamada recebeu 191 propostas no total – 25% a mais que o número de projetos submetidos ao primeiro edital da iniciativa, em 2022 –, distribuídas por nove grandes áreas do conhecimento (Ciências Agrárias, Biológicas, da Saúde, Exatas e da Terra, Humanas, Sociais Aplicadas, Engenharias, Linguística, Letras e Artes e outras).

“Este edital reflete o compromisso do Confap em fortalecer a pesquisa científica na região amazônica, incentivando ações colaborativas que contribuam para o desenvolvimento sustentável e a conservação do bioma. Acreditamos que as expedições resultantes desta iniciativa terão um impacto significativo, proporcionando novas descobertas e soluções inovadoras para os desafios que enfrentamos na Amazônia”, finaliza Odir Dellagostin, presidente do Confap.

As FAPs agora entrarão em contato com os respectivos grupos de pesquisadores contemplados para dar encaminhamento à próxima etapa.

Confira a lista oficial:

1. Vozes da Amazônia indígena: Processos históricos da sociobiodiversidade frente aos desafios do Antropoceno

Fapespa: Helena Pinto Lima – Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)
Fapeam: Filippo Stampanoni Basi – Museu da Amazônia (Musa)
FAPESP: Jennifer Watling – Universidade de São Paulo (USP)
Faperj: Bruna Franchetto – Museu Nacional / Universidade Federal do Rio de Janeiro (MN/UFRJ)
FAPDF: Thiago Chacón – Universidade de Brasília (UnB)
UKRI: Manuel Arroyo-Kalin – University College London (UCL)

2. (UKRI-Brazil) Monitoramento participativo dos territórios tradicionais: plataforma digital de coprodução de dados sobre a sociobiodiversidade em áreas amazônicas

Fapespa: Nírvia Ravena – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Fapeam: Francimara Souza Costa – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapema: Marcelo Domingos Sampaio Carneiro – Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Faperj: Leandro Freitas – Jardim Botânico
FAPDF: Rebecca Neaera Abbers – Universidade de Brasília (UnB)
FAPESP: Rodrigo Constante Martins – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
UKRI: Benjamin Coles – Leicester University, Reino Unido

3. Inventário e documentação do patrimônio arqueológico de Roraima

Faperr: Ananda Machado – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
Fundação Araucária (FAADCT): Luís Augusto Veiga – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

4. Tsiino Hiiwiida: Revelando múltiplas dimensões da biodiversidade de plantas e fungos no Alto Rio Negro

Fapeam: Charles Eugene Zartman – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
Faperj: Domingos Benicio Oliveira Silva Cardoso – Jardim Botânico do Rio de Janeiro (JBRJ)
UKRI: Sandra Diane Knapp – Natural History Museum
Fapespa: Anna Luiza Ilkiu-Borges – Museu Paraense Emílio Goeldi (MPEG)
Facepe: Clistenes Williams Araújo do Nascimento – Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
Fapema: Dirce Leimi Komura – Instituto Federal de Ciência e Tecnologia do Maranhão (IFMA)
FAPESP: Denilson Fernandes Peralta – Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA)
Fapesq: Felipe Wartchow – Universidade Federal da Paraíba (UFPB)
FAPDF: Micheline Carvalho-Silva – Universidade de Brasília (UnB)

5. Aruwê: Saberes ancestrais e científicos aplicados à restauração ambiental e produção sustentável na terra Teneterah na Amazônia Maranhense

Fapema: Ligia Tchaicka – Universidade Estadual do Maranhão (Uema)
FAPESP: João Osvaldo Rodrigues Nunes – Universidade Estadual Paulista (Unesp)

6. Uso, conservação e intercâmbio de plantas e saberes entre povos indígenas do Sudeste do Pará

Fapespa: Bernardo Tomchinsky – Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará (Unifesspa)
FAPDF: Ana Suely Arruda Câmara Cabral – Universidade de Brasília (UnB)

7. Brasil-UKRI: A recuperação da capacidade adaptativa das culturas arbóreas pré-colombianas às mudanças ambientais

Fapeam: Santiago Linorio Ferreyra Ramos – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapero: Carlos Augusto Zimpel Neto – Universidade Federal de Rondônia (Unir)
FAPESP: Maria Imaculada Zucchi – Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo, APTA Piracicaba
UKRI: David Moreno Mateos – University of Oxford, Reino Unido

8. Bioprospecção da biodiversidade amazônica na comunidade Tembé e seu potencial biotecnológico no contexto do desenvolvimento sustentável e preservação do meio ambiente

Fapespa: Rommel Thiago Jucá Ramos – Universidade Federal do Pará (UFPA)
FAPESP: Renata Cristina Picão – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Faperj: André Luis dos Santos – Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)

9. AquaInvert-Amazônia: integrando ciência e saberes locais para conhecer a biodiversidade de invertebrados aquáticos em áreas de altitude da Amazônia

Fapeam: Neusa Hamada – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
Fapespa: Bruno Spacek Godoy – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Faperr: Vânia Graciele Lezan Kowalczuk – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
FAPESP: Lívia Maria Fusari – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Fapeg: Daniel de Paula Silva – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Goiano (IFG)

10. Caminhos ancestrais: patrimônio biocultural, pesquisa colaborativa e etnoconservação no corredor de sociobiodiversidade do interflúvio Xingu e Tapajós

Fapespa: Sonia Maria Simões Barbosa Magalhães Santos – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Fapeam: Willian Massaharu Ohara – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapemat: Marina Teofilo Pignati – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)
FAPESP: Mauro William Barbosa de Almeida – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp)

11. Amazonian BioTechQuilombo – Biodiversidade Amazônica, Avaliação Tecnológica e Troca de Conhecimento com Quilombos

Fapespa: Celso Henrique Leite Silva Junior – Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam)
UKRI: Polyanna da Conceição Bispo – University of Manchester
SNSF: Loïc Pellissier – ETH Zurich
Fapeam: Paulo Mauricio Lima de Alencastro Graça – Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa)
Faperr: Nivia Pires Lopes – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
FAPESP: Pitágoras da Conceição Bispo – Universidade Estadual Paulista (Unesp)

12. Geodiversidade e Biodiversidade da Serra do Acaraí, fronteira Brasil-Guiana

Faperr: Elizete Celestino Holanda – Universidade Federal de Roraima (UFRR)
Fapero: Ronaldo de Almeida – Universidade Federal de Rondônia (Unir)
FAPT: Etiene Fabbrin Pires Oliveira – Universidade Federal do Tocantins (UFT)
FAPESP: Felipe Antônio de Lima Toledo – Universidade de São Paulo (USP)
Faperj: Alexandre Mello de Paula Silva – Centro Brasileiro de Pesquisas Físicas (CBPF)

13. Revelando os incógnitos: epífitas, insetos e fungos associados à flora arbórea de várzea na Amazônia Oriental

Fapeap: Marcelino Carneiro Guedes – Embrapa Amapá
Fapespa: Daniel Santiago Pereira – Embrapa Amazônia Oriental
Faperj: Ana Cristina Siewert Garofolo – Embrapa Agrobiologia

14. Inovação em Monitoramento Hídrico na Amazônia: Catalogação e integração de dados de campo a tecnologias emergentes para predição de parâmetros de qualidade de água no estuário da Baía do Marajó-PA

Fapespa: Ailson Renan Santos Picanço – Universidade do Estado do Pará (Uepa)
FAPESP: Luiz Leduíno Salles Neto – Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

15. Fomentando o Empoderamento Comunitário para a Sustentabilidade da Sociobiodiversidade Amazônica: Experiências nos Vales do Guaporé (RO) e Jari (AP)

Fapero: João Gilberto de Souza Ribeiro – Universidade Federal de Rondônia (Unir)
Fapeap: Nubia Deborah Araujo Caramello – Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amapá (Ifap)
FAPESP: Frederico Yuri Hanai – Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)
Fundação Araucária (FAADCT): Irene Carniatto de Oliveira – Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste)

16. Ecologia dos espíritos: conhecimentos tradicionais e conservação da sociobiodiversidade na Amazônia

Fapeam: Thiago Mota Cardoso – Universidade Federal do Amazonas (Ufam)
Fapespa: Eduardo Soares Nunes – Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa)

17. Novas fronteiras no registro fossilífero da Amazônia Sul-ocidental

Fapac: Carlos D’Apolito Júnior – Universidade Federal do Acre (Ufac)
FAPESP: Annie Schmaltz Hsiou – Universidade de São Paulo (USP)

18. A onça-pintada como um ativo ambiental: compreendendo as interações com povos tradicionais e promovendo o desenvolvimento sustentável no Amapá

Fapeap: Fernanda Michalski – Universidade Federal do Amapá (Unifap)
Fundect: Gediendson Ribeiro de Araújo – Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS)
Fapespa: Sheyla Farhayldes Souza Domingues – Universidade Federal do Pará (UFPA)
Fapeg: Mariana Pires de Campos Telles – Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO)
Fapergs: Eduardo Eizirik – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC-RS)

19. EcoTaxÔmica: expedições para desbravamento da biodiversidade na Amazônia utilizando genômica e proteômica na caracterização taxonômica molecular e no biomonitoramento da contaminação mercurial

Fapespa: Rafael Rodrigues Lima – Universidade Federal do Pará (UFPA)
FAPESP: Marília Afonso Rabelo Buzalaf – Universidade de São Paulo (USP)
Fundação Araucária (FAADCT): Ângelo Parise Pinto – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

20. Diversidade de flebotomíneos e de espécies de Leishmania em áreas da Reserva Biológica do Gurupi para prevenção e controle das leishmanioses na Amazônia maranhense

Fapema: Valéria Cristina Soares Pinheiro – Universidade Estadual do Maranhão (Uema)
Fundação Araucária (FAADCT): Andrey José de Andrade – Universidade Federal do Paraná (UFPR)

21. Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso

Fapemat: Maressa Caldeira Morzelle – Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT)
Fapeal: Moacir Haverroth – Embrapa Alimentos e Territórios
Fapeg: Tatianne Ferreira de Oliveira – Universidade Federal de Goiás (UFG)

22. Sociobiodiversidade: Análise de agentes zoonóticos carreados por espécies cinegéticas na Amazônia Ocidental

Fapac: Cíntia Daudt – Universidade Federal do Acre (Ufac)
Fapergs: Cláudio Wageck Canal – Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)
Fapero: Deusilene Souza Vieira Dall’Acqua – Fundação Oswaldo Cruz Noroeste (Fiocruz Rondônia)

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Agência FAPESP, escrito por Bruna Bopp 

Número de resgate de trabalhadores em condição análoga à escravidão é liderado pelo Amazonas

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Foto: Reprodução/Ministério Público do Trabalho

O Amazonas lidera o ranking de trabalhadores resgatados em situação análoga à escravidão no 1º semestre deste ano, conforme aponta um relatório da Comissão Pastoral da Terra (CPT), divulgado no dia 2 de dezembro pelo Centro de Documentação Dom Tomás Balduíno (Cedoc).

Segundo o relatório, só em 2024, dos 441 trabalhadores resgatados, 100 resgates ocorreram no Amazonas. Eles foram encontrados em condições análogas à escravidão em áreas de desmatamento e garimpo. Em segundo lugar aparece Minas Gerais, com 77 casos, e o Espírito Santo, com 71.

Imagem: Reprodução/CPT

O documento também aponta que as atividades com maior concentração de trabalhadores resgatados foram lavouras permanentes (209 pessoas), seguida do desmatamento (75 pessoas), mineração (70 pessoas), produção de carvão vegetal (44 pessoas) e a pecuária (39 pessoas).

O primeiro semestre de 2024 também apontou que houve uma redução do número de trabalhadores resgatados em condição análoga à escravidão. Até o momento foram 441. Só em 2023, o total contabilizado passa dos 1.300; já em 2022, foram 984.

Já Minas Gerais liderou como o estado com o maior número de trabalho escravo só no primeiro semestre deste ano. De acordo com a CPT, foram 20 dos 59 registrados em todo o país, até o momento.

Amazonas também é o estado que mais desmata

O levantamento também aponta que o Amazonas foi o estado que mais desmatou ilegalmente a Amazônia Legal.

“O estado com maior registro de desmatamento é o Amazonas com 19 ocorrências, seguido por Pará, com 17; Maranhão, com 14 e Rondônia, com 12. As principais vítimas, não apenas nessa região, são comunidades indígenas, seguidas por quilombolas e extrativistas. Ao todo, 37% dos casos de desmatamento ilegal registrados foram em territórios indígenas”.

“Neste ano de 2024, estamos sofrendo muito com as mudanças climáticas em nosso território. Além dos incêndios, os rios estão secos, as pessoas estão sem água. Em alguns locais, o rio é uma lama de tanta destruição com o garimpo. O rio Marupá secou, os rios estão secando mais do que todos os limites de antes. Precisamos lutar por água potável para nosso povo e condições de vida, mesmo com as mudanças climáticas”, finalizou o relatório.

*Por Matheus Castro, da Rede Amazônica AM

Produtor rondoniense conquista prêmios nas duas categorias do Concurso Nacional do Cacau Especial

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Foto: Reprodução

O produtor de cacau Mauro Tauffer, de Buritis (RO), venceu em duas categorias no Concurso Nacional do Cacau Especial 2024. Este é o segundo ano consecutivo em que Rondônia se destaca na competição. Em 2023, o cacau do estado conquistou o 1º lugar.

A competição foi dividida em duas categorias: ‘Mistura/Blend’, que avalia as amêndoas de cacau provenientes de misturas de híbridos ou variedades genéticas, e ‘Varietal’, que avalia as amêndoas de cacau de uma única variedade genética.

Mauro obteve o 2º lugar na categoria ‘Mistura’ e o 3º lugar na categoria ‘Varietal’. Com a conquista, o produtor levou para casa R$ 15 mil. Outros três produtores de Rondônia também estavam entre os finalistas.

Emocionado, o produtor agradeceu pela conquista e destacou que a vitória é fruto do trabalho e do apoio de todas as pessoas que estão ao seu lado para transformar o cacau de Rondônia em um dos melhores do país.

Produtores do Pará, que já possui tradição no cultivo do cacau, também levaram prêmios de destaque. Confira o ranking de vencedores:

Categoria varietal

1º lugar: Miriam Aparecida Federicci Vieira (PA) – variedade Alvorada 01
2º lugar: Luciano Ramos Lima (BA) – variedade BN34
3º lugar: Mauro Celso Tauffer (RO) – variedade BN34

Categoria blend

1º lugar: Agrícola Cantagalo (BA)
2º lugar: Mauro Celso Tauffer (RO)
3º lugar: Robson Brogni (PA)

*Com informações da Rede Amazônica RO

Especialista explica como as mudanças climáticas afetam os peixes da Amazônia

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Foto: Reprodução/Revista Pesquisa Fapesp

O biólogo Adalberto Val, especialista do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), aborda as mudanças climáticas e seus efeitos alarmantes sobre os animais do Rio Negro, um dos ecossistemas mais ricos do planeta, no Amazonas.

Entenda como essas alterações comprometem a biodiversidade aquática e geram reflexos diretos na segurança alimentar das comunidades que dependem dos recursos naturais para sobreviver:

*O conteúdo foi originalmente publicado pela Revista Pesquisa Fapesp

Empreendedor de Roraima produz bloco plástico reciclado para a construção civil

Foto: Divulgação/PlastBloc

Aliado a estratégias sustentáveis, o plástico pode se tornar a peça-chave para ajudar a natureza e servir como ferramenta para empreendimentos inovadores que enxergam o potencial do material por meio da reciclagem. Foi assim, ao observar a grande quantidade de plástico gerada pelos trabalhadores de uma obra de construção civil, vinda do consumo de refrigerantes nas garrafas PET, que o empreendedor Almir Ribeiro, de Roraima, teve uma ideia que faria a diferença: a utilização do material granulado para compor blocos de construção.

Mas a ideia arrojada precisava de mais investimentos para sua execução e foi nesse momento que o Ribeiro teve conhecimento sobre o Programa Centelha, que visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Brasil.

“A importância de ser contemplado no Centelha foi saber que eu poderia contar com a ajuda de um sistema para que eu pudesse colocar o meu projeto em execução. Eu já havia pensado em desistir desse projeto, mas quando eu vi o Centelha e que eu me inscrevi foi muito importante porque eu vi uma condição de desenvolver o tão sonhado projeto”, conta Almir.

Foto: Divulgação/PlastBloc

A parte técnica do projeto era o desafio para atender as especificidades e adequação para uso do material. “Eu não tinha condição de pagar um profissional para poder adequar o material dentro das normas técnicas brasileiras da construção, então o Centelha contribuiu para eu colocar o meu projeto de acordo com essas normas. Estamos fazendo estudos laboratoriais, pois antes eu não tinha condições financeiras para isso”, acrescenta.

O Plasbloc, como foi batizado o novo bloco, é fabricado com cimento, areia, água e catalisador com diferencial no uso do plástico granulado reciclado como agregado graúdo. Além de sua produção envolver matérias-primas recicladas de postos de coleta e de sucatas, o design do bloco tem papel fundamental na eficácia de sua utilização nas construções residenciais, comerciais ou industriais.

“Eu fui um dos pioneiros a criar esse sistema construtivo, um projeto criado há 18 anos, mas somente aqui em Boa Vista eu consegui desenvolver. Foi bastante penoso porque eu não tinha condições financeiras para poder pagar o laboratório para poder desenvolver a liga do material, a resistência da qual a gente precisa”, conta o empresário.

Hoje a empresa é especializada na produção e comercialização de blocos de construção ecológicos fabricados a partir de materiais reciclados. Os blocos são fabricados com foco na redução do impacto ambiental e na promoção da construção sustentável de forma a baratear o custo e promover a rapidez nos processos dentro do canteiro de obras. O carro chefe é o plasbloc com design pensado para otimizar recursos e zerar desperdícios, produzido a partir da reutilização do plástico que iria para o lixo.

Centelha Roraima

O Programa Centelha estimula a criação de empreendimentos inovadores e disseminação a cultura empreendedora em Roraima. A iniciativa oferece capacitações, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso.

O programa é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), Fundação CERTI e, em Roraima, é executada pelo Governo do Estado, por meio, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Roraima (Faperr).

*Com informações da Secom Roraima

Conheça artesã indígena que pintou vestido usado pela cantora Gabriê em prêmio nacional

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Foto: Reprodução

A Região Norte teve uma forte participação no Prêmio Multishow realizado nesta terça-feira (3). A ex The-Voice, Gabriê, esteve presente como participante do corpo técnico e usou uma roupa criada por uma artesã indígena rondoniense exclusivamente para a ocasião.

Shirley Arara, ativista e liderança do seu povo, é a “mente” por trás da obra. Moradora da Terra Indígena Igarapé Lourdes, em Ji-Paraná (RO), ela é fundadora da primeira grife indígena de Rondônia, criada com o objetivo de ressaltar a cultura do povo Arara.

O convite para desenhar a roupa de Gabriê surgiu depois de várias conversas e espera pela oportunidade perfeita. Tudo aconteceu muito rápido: o convite chegou na quinta-feira (28) e no dia seguinte ela recebeu a peça para pintar.

“Foi uma loucura tanto da minha parte como da dela. Loucura dela de ter me dado esse voto de confiança. Loucura da minha parte, porque peguei com um dia a peça pra poder pintar”, revela.
Mas a “loucura” deu certo e levou um pedaço de Rondônia e dos povos indígenas para todo o Brasil. O grafismo, feito no vestido branco, carrega uma mensagem de resistência.

Os acessórios que compõem o look também são de arte indígena, produzidos pelo artesão Tiago Karitiana. Nas redes sociais, a cantora destacou a importância da representatividade.

*Por Jaíne Quele Cruz, da Rede Amazônica RO

Livro registra 310 espécies de aves em Terra Indígena no Alto Rio Negro, no Amazonas

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Foto: Divulgação/Equipe do projeto

Um livro produzido pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) une conhecimento científico e tradicional indígena sobre a biodiversidade amazônica. A parceria intercultural entre pesquisadores não indígenas e indígenas deu origem a obra ‘Espécies de Aves da Região do Rio Cubate – Terra Indígena do Alto Rio Negro’, guia com o registro de 310 espécies da comunidade indígena de Nazaré do Rio Cubate, no município de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas

A obra é escrita em Nheengatu, Baniwa e Português. Para cada espécie de ave, a edição traz os alimentos consumidos e o ambiente onde é encontrada. O livro foi produzido em conjunto com a comunidade, Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (Foirn) e Instituto Socioambiental (ISA), como fruto de pesquisa financiada pelo Edital Biodiversa da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). 

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Foto: Divulgação/Equipe do projeto

Segundo Ribas, o projeto de reunir o conhecimento sobre as aves avistadas na região surgiu em 2019, a partir de uma solicitação da comunidade indígena de Nazaré do Rio Cubate. A demanda foi feita pelos representantes institucionais Isaías Pereira Fontes (Foirn) e Juvêncio Cardoso, nome não-indígena de Dzoodzo Baniwa (Organização Baniwa e Koripako Nadzoeri). 

A obra foi desenvolvida dentro do projeto ‘Biogeografia de aves para conservação e desenvolvimento sustentável na Bacia do Rio Negro’ realizado de 2022 a 2024, na região do Rio Cubate financiado pela Fapeam. Além de Ribas, colaboram com a obra o pesquisador do Inpa e curador da Coleção de Aves, Mario Cohn-Haft, e os pesquisadores Fernando Horta e Ramiro Melinski, bolsistas vinculados ao Inpa durante a execução do projeto.

Sete-cores-da-amazônia (Tangara chilensis) chamada de Fitiáka pelos falantes de Nheengatu e Hiitsa pelos falantes de Baniwa. Foto: Priscilla Diniz.
 Foto: Priscilla Diniz

Intercâmbio de conhecimentos

Os comunitários participaram de forma direta na produção do livro em colaboração com cientistas nas diversas fases da iniciativa, indo do levantamento das espécies à tradução do conteúdo para as línguas indígenas. A professora de Língua Indígena e moradora de Nazaré do Rio Cubate, Gracilene Florentino Bittencourt, trabalhou na tradução para o Nheengatu, idioma falado pelos povos indígenas Baniwa, Baré e Warekena. 

A professora conta que estar integrada ao projeto ampliou seus conhecimentos sobre os pássaros que observa na região onde mora e permitiu o aprofundamento de seu conhecimento da língua Nheengatu, falada na comunidade. O processo de tradução foi executado durante um mês por Bittencourt em Manaus usando o aplicativo de teclado de línguas indígenas Linklado, que está entre os finalistas do Prêmio Jabuti 2024.

Leia também: Pela segunda vez, Teclado Linklado está entre os 10 semifinalistas do Prêmio Jabuti

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 Foto: Divulgação/Equipe do projeto

“A pesquisa reavivou a mitologia, a nossa crença, e que as futuras gerações possam entender que realmente a mitologia local existe. Nossos avós e mães, eles têm essas histórias na mente, mas às vezes não é contada e muito menos escrita, mas através desse livro, muitos jovens e crianças vão poder ler”, completa a professora.

Além das informações científicas de identificação e hábitos, a obra reúne curiosidades e histórias contadas por comunitários sobre as espécies catalogadas.

A professora Gracilene Florentino Bittencourt aponta que a possibilidade de compartilhamento de conhecimentos com os pesquisadores do Inpa vem se somar aos saberes populares da comunidade. 

Uma das aves encontradas na região da comunidade é o Galo-da-Serra (Rupicola rupicola) também chamado de Galu iwitera pura, em Nheengatu; ou Makama, em Baniwa, e foi a partir do avistamento dessa espécie que surgiu o projeto. Dzoodzo Baniwa conta que a parceria das comunidades indígenas de São Gabriel da Cachoeira com o Inpa é antiga e que o trabalho que resultou no livro veio da necessidade da comunidade de Nazaré do Rio Cubate entender sobre a potencialidade e a diversidade de aves daquela região, pensando na atividade econômica de observação de aves. 

Leia também: Galo-da-serra: conheça o pássaro que serviu de inspiração para famosa toada do Boi Garantido

Foto: Ramiro D. Melinski

“A região do rio Cubate apresenta características específicas da paisagem, com vegetação baixa dominada por campina, coloração da água do rio escura, com formação de muitos lagos e solo arenoso. Isso dificulta apontar uma potencialidade associada à agricultura e de recursos florestais não madeireiros. Conversando mais particularmente com os diretores da Associação da Comunidade Indígena do Rio Cubate (AIRC) sobre as particularidades daquela região, relataram que existe um ambiente perto da comunidade frequentado pelas aves, com destaque para o galo-da-serra”, declara.

Para os organizadores da obra, o levantamento das espécies e as oficinas realizadas no contexto do projeto reforçam a missão do Inpa de gerar e sintetizar conhecimentos sobre a biodiversidade da Amazônia. 

*Com informações do INPA

Fotógrafo do Amapá se inspira na região amazônica para exposição

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Foto: Serginho Silva/Arquivo pessoal

Fotografias registradas ao longo de 25 anos na Amazônia através das lentes do fotógrafo Serginho Silva estão expostas em Macapá. A exposição ‘Essência Amazônica’ inicia nesta quarta-feira (4) e segue até sábado (7) no Tribunal de Justiça do Amapá (Tjap), no Centro de Macapá.

A mostra conta com 30 fotos e retrata paisagens naturais dos municípios amapaenses e personagens característicos do contexto amazônico do estado, como indígenas, quilombolas e ribeirinhos.

Para o fotógrafo, a exposição destaca a importância da preservação da identidade e cultura amazônidas, além de reforçar que cada imagem carrega a assinatura de quem aprendeu a observar com o coração e a alma da Amazônia amapaense, em composições precisas e cheias de vida.

Sobre Serginho Silva

Fotógrafo Serginho Silva, no Amapá. Foto: Serginho Silva/Arquivo pessoal

Com 35 anos de profissão no audiovisual, Pedro Sérgio da Silva, de 59 anos, é pai de duas filhas. Nascido em Fortaleza (CE), já trabalhou em seu estado natal, no Rio de Janeiro, no Amazonas e adotou o Amapá há quase meio século. Atuou em TVs, agências de publicidade, produtoras e instituições públicas.

*Com informações da Rede Amazônica AP