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4,9 mil filhotes de quelônios são devolvidos à natureza em reserva no Amazonas

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Foto: Noir Miranda/Sema AM

Mais de 4,9 mil filhotes de quelônios foram soltos na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Igapó-Açu, Unidade de Conservação gerida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema) do Amazonas. O trabalho, realizado por pesquisadores e moradores da Reserva, devolveu 2.631 tracajás (Podocnemis unifilis) à natureza no dia 6 de fevereiro, e mais 2.291 no dia 7.

As solturas aconteceram entre os municípios de Beruri, Borba e Manicoré, no Km 260 da BR-319, área conhecida como “trecho do meio”. Na sexta-feira, os tracajás foram soltos na comunidade Nova Geração. No sábado, ocorreu a soltura na comunidade vizinha, São Sebastião do Igapó-Açu.

“É necessário parabenizar a comunidade. Esse projeto poderia ter 100 parceiros, mas sem o envolvimento das comunidades, das crianças, que tem uma boa participação no projeto, não teria o sucesso que está tendo, nem hoje, nem nos últimos 15 anos”, afirmou Cristiano Gonçalves, gestor da RDS Igapó-Açu.

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Fotos: Noir Miranda/Sema AM

O trabalho na região é uma parceria entre Sema, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), por meio do Consórcio Concremat/Hollus, Projeto Pé-de-Pincha, Instituto Acariquara e Instituto Claro.

Pé-de-Pincha

A metodologia utilizada no processo de coleta e soltura foi desenvolvida pelo Projeto Pé-de-Pincha, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que atua em 180 comunidades no estado, há mais de 25 anos.

Completando 15 anos de trabalho na RDS Igapó-Açu, o trabalho consolidado é exemplo para outras Unidades de Conservação ao longo da estrada. Paulo Andrade, professor e coordenador do Projeto, relembra o início.

Fotos: Noir Miranda/Sema

“Na primeira soltura da RDS Igapó-Açu, a antiga gestora da Reserva avisou os comunitários da Terra Indígena Mamori, e veio um casal. Eles gostaram tanto do trabalho que levaram a ideia para lá. Dentro do Mamori foi se espalhando, pegando por toda a estrada, e assim está indo o projeto”, contou.

A soltura de quelônios não apenas ajuda a proteger espécies ameaçadas, mas também contribui para a manutenção da saúde dos rios e da biodiversidade local. As tartarugas e tracajás contribuem com as populações de outras espécies, além de transformar proteína animal em matéria orgânica, participando da ciclagem de nutrientes e da limpeza dos rios.

Fotos: Noir Miranda/Sema

“A população aumentou muito nesses últimos 15 anos. A semente do Pé-de-Pincha foi aqui, e daí se espalhou para outras áreas da BR. Tivemos muito apoio da gestão da RDS. Essa parceria forte que tivemos, Sema, Embratel, que hoje é a Claro, permitiu isso. E também os comunitários, porque se eles não tivessem topado no começo, nada tinha acontecido”, declarou o professor.

Áreas Protegidas

A atividade recebe apoio financeiro do Programa de Áreas Protegidas da Amazônia (Arpa), que é uma iniciativa conjunta patrocinada por agências governamentais e não governamentais para expandir a proteção da floresta amazônica. Coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e Mudança Climática, tem o Fundo Brasileiro para a Biodiversidade (Funbio) como gestor e executor financeiro. No Amazonas, é executado por meio da Sema, em 24 Unidades de Conservação do Estado.

*Com informações da Agência Amazonas

‘Ave fantasma’ é registrada por fotógrafo durante passeio no Parque Natural de Porto Velho

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Urutau registrado por fotógrafo em Porto Velho. Foto: Leandro Moraes

O urutau é um pássaro típico da América do Sul, conhecido pela alta capacidade de camuflagem. Entre os galhos e as folhas das árvores, ele fica praticamente imperceptível. Isso faz com que o registro feito pelo fotógrafo Leandro Moraes, no Parque Natural de Porto Velho, se torne mais raro e especial.

Leia também: Urutau, rasga-mortalha e acauã: agourentos ou habilidosos caçadores?

O registro, publicado nas redes sociais na última semana, teve um ‘preço’: uma câmera coberta por lama e muita história para contar.

“Eu estava em uma pauta, e aí, por azar ou por ironia do destino, eu tomei um banho de lama. Eu estava olhando para a câmera, super triste e falei ‘caramba, minha câmera!’. Mas, ao mesmo tempo, eu olhei para cima, vi a ave e eu falei ‘cara, aquilo é um urutau'”, conta Leandro.

O que também chamou atenção neste caso foi o horário do avistamento, já que o urutau é considerado um animal de hábito estritamente noturno.

“Eu já vi algumas, mas é muito difícil, principalmente durante o dia, porque em ambientes como esse, elas se camuflam muito bem. Então, a sua plumagem, as suas penas, têm as mesmas cores de um tronco, principalmente um tronco seco. Então, ele fica ali fazendo ali uma tanatose [se fingindo de morto]. E aí, é claro, passa despercebido dos predadores”, explica o biólogo Flávio Terassini.

Lendas e crendice popular

No imaginário popular amazônico, o pássaro também é conhecido pelos supersticiosos como um sinal de agouro, ou seja, de má sorte. Uma lenda regional conta que um bebê foi abandonado na floresta pela mãe, como proteção contra uma doença que dizimou toda a comunidade. O canto da ave seria o choro da criança pela mãe. Mas há também uma versão mais romântica sobre o urutau, como a de uma indígena que se apaixonou por um integrante do povo rival. 

Para evitar o relacionamento, o pai da moça decidiu matá-lo. Impedida de viver o romance, a jovem fugiu para a floresta e se transformou em uma ave que chora todos os dias a perda do grande amor.

Leia também: Urutau: o pássaro amaldiçoado conhecido como “ave-fantasma da Amazônia”

Para Leandro, que fotografou o urutau, o feito inesperado nada tem a ver com agouro ou má sorte.

“Para mim, foi uma grande sorte, um grande privilégio fotografar o urutau, porque dizem, dizem por aí, uma lenda, que o fotógrafo que consegue fotografar ele, tem boas sortes e é um sinal de boa fortuna. Então, eu quero acreditar nisso”.

Conheça o Urutau

O urutau é uma ave de hábitos estritamente noturnos, principalmente nos dias de lua cheia. O animal é carnívoro e se alimenta de insetos, mas com uma particularidade: só come enquanto voa.

Guilherme Marietto, Biólogo e médico veterinário entrevistado pelo g1, o urutau é encontrado em praticamente toda a América do Sul, até parte da América Central, na Mata Atlântica, Amazônia e Cerrado. No entanto, ave é adaptável: onde há área florestada ela consegue viver, exceto em regiões muito frias.

“O canto dele é apavorante. Quem não conhece e está no meio do mato a noite, se borra. É terrível, assustador”, relata o biólogo.

Outra curiosidade sobre a ‘ave-fantasma’ é que ela é solitária e tem poucos cuidados parentais. Mesmo durante o período reprodutivo, eles não foram famílias e a mãe cuida do bebê apenas enquanto ele ‘cabe’ por perto.

*Por Izadora Kopanakis, da Rede Amazônica RO

Kinjá: peixe-boi “mais bonito do mundo” completa 21 anos

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Foto: Divulgação/Ampa

O peixe-boi da Amazônia conhecido por ser o “mais bonito do mundo”, o Kinjá, completa 21 anos de vida e ficará no tanque de exposição do Bosque da Ciência, em Manaus (AM), entre os dias 11 e 13 de fevereiro. Para comemorar essa data tão especial, o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI), em parceria com a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), celebrará a data com sensibilização ambiental e uma oficina de origami dia 12 a partir das 9h.

A atividade comemora a trajetória de Kinjá, mas principalmente busca conscientizar a população sobre a importância de conhecer e proteger essa espécie Amazônica ameaçada.

Leia também: Conheça o peixe-boi-da-Amazônia, o ‘cantor’ que equilibra o ecossistema da região

A coordenadora do Projeto Peixe-boi do Inpa, que recebe apoio do Fundo de Conservação do SeaWorld & Busch Gardens, Vera da Silva, explica que o peixe-boi da Amazônia é a única espécie dentre os sirênios que possui uma mancha branca ou rosada na barriga.

“Esta característica contribui para o manejo no cativeiro porque cada indivíduo possui uma mancha única, funcionando como uma impressão digital e que ajuda na identificação de cada animal”.

Kinjá

Nascido em cativeiro no Inpa em fevereiro de 2004, Kinjá é filho da fêmea Boo e do macho Tupy. O charme desse peixe-boi é devido à marcante mancha branca que se estende da barriga, passa pela nadadeira peitoral e vai até o focinho, característica que, segundo especialistas, o torna o peixe-boi da Amazônia mais bonito.

Leia também: Boo, peixe-boi da Amazônia fêmea mais antigo do Inpa faz 50 anos

Projeto Peixe-boi do Inpa

O projeto peixe-boi do Inpa existe desde 1974 e a primeira reprodução em cativeiro aconteceu em 1998, com o nascimento do filhote macho Erê. Segundo da Silva, a reprodução da espécie começou a dar certo por conta da mudança no manejo e alimentação dos animais.

“A reprodução em cativeiro do peixe-boi da Amazônia está dominada e conhecida graças as pesquisas pioneiras realizadas pelo Instituto há mais de 40 anos, porém não é realizada há 10 anos por conta da grande quantidade de filhotes órfãos de peixes-bois que recebemos anualmente, há mais de 10 anos que não permitimos a reprodução da espécie no Inpa. Resgatamos em média de 10 a 15 peixes- bois por ano, por isso agora as fêmeas são separadas dos machos”, explica a bióloga que é doutora em Ecologia e Reprodução de mamíferos aquáticos pela Universidade de Cambridge (UK).

O Projeto Peixe-boi recebe apoio financeiro do Seaworld por meio do Fundo de Conservação do SeaWorld & Busch Gardens, para realizar as ações de manejo, readaptação à natureza, soltura nos rios e monitoramento dos animais soltos.

*Com informações do Inpa

Estudos apontam principais impactos causados por barragens na Amazônia

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Foto: Reprodução/TV Brasil/Agência Brasil

Para analisar os efeitos das construções de hidrelétricas no país, professores da Universidade Federal do Pará (UFPA) e de outras instituições brasileiras realizaram pesquisas sobre os impactos sociais e ambientais dessas usinas, no período entre 2013 e 2025, financiadas pelo Programa São Paulo Excellence Chair (SPEC/ Fapesp), vinculado à Universidade Estadual de Campinas.

Os estudos observaram que as barragens de Belo Monte no Xingu (PA) e de Santo Antônio e Jirau, em Porto Velho (RO), provocaram significativas alterações no uso do solo, no modo de produção e nos modos de vida das populações locais.

“Os impactos das grandes hidrelétricas variam conforme o segmento da população atingida. Os impactos sobre as comunidades ribeirinhas são um pouco parecidos com os observados em comunidades indígenas que estão em uma condição próxima aos rios, mas é diferente, por exemplo, daquelas pessoas que vivem em áreas urbanas e para os agricultores de terra firme. Também são diferentes para aqueles que foram, compulsoriamente, deslocados pelas barragens e tiveram que ser removidos porque as suas propriedades e residências foram convertidas na área de construção dessas barragens”, explica um dos pesquisadores, professor Miquéias Calvi, da UFPA.

Leia também: “Não houve o desenvolvimento regional prometido”, diz pesquisador sobre hidrelétricas na Amazônia

O estudo mostrou que as hidrelétricas da região amazônica também provocam diversos efeitos negativos nas cidades do entorno das barragens. “Durante o período de construção, essas grandes barragens promovem uma intensa migração de pessoas de todas as regiões do Brasil, promovendo um crescimento demográfico em cidades do interior da Amazônia que não possuem infraestruturas e capacidades plenas de atendimento, prestação de serviços públicos e condições de moradia”, complementa Calvi.

Com base na pesquisa, os estudiosos elaboraram um documento intitulado ‘Recomendações de Políticas Públicas para a Mitigação dos Impactos das Usinas Hidrelétricas Santo Antônio, Jirau e Belo Monte na Amazônia Brasileira‘. No escrito, são apresentadas algumas recomendações para amenizar esses efeitos, as quais foram produzidas por meio de uma consulta pública, em colaboração com as comunidades impactadas nos estados de Rondônia e do Pará. Entre as principais recomendações, estão: a reparação às comunidades impactadas, aos pescadores e aos agricultores e a preservação e a recuperação ambiental.

“A expectativa agora é que o debate seja ampliado e que os documentos sirvam de subsídio para que governos, órgãos de defesa dos direitos humanos, Poder Judiciário e sociedade civil consigam, em conjunto, melhorar a qualidade de vida da população atingida por esses empreendimentos. Espera-se também que os estudos sejam levados em consideração sempre que pensarem em fazer outros empreendimentos na Amazônia”, aspira o professor Osvaldo Damasceno, outro pesquisador integrante da equipe que elaborou o Relatório de Recomendações.

Fotografia registra diversas pessoas posando para a foto. Algumas estão na frente agachadas e outras estão atrás em pé. Na fotografia, ainda é possível ver um pequeno número de pessoas levantando um dos braços com a mão fechada.

Sobre o grupo

O Grupo de Pesquisa ‘Depois das hidrelétricas: processos sociais e ambientais que ocorrem depois da construção de Belo Monte, Jirau, e Santo Antônio na Amazônia Brasileira’ é coordenado pelo professor Emilio Moran, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual de Michigan, nos Estados Unidos, com o apoio de uma equipe multidisciplinar de professores de diferentes instituições brasileiras e internacionais: Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Universidade de São Paulo (USP); Universidade Federal do Pará (UFPA); Universidade Federal de Rondônia (Unir); Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); Michigan State University (MSU) e West Virgínia University (WVU). A iniciativa é realizada por meio do Projeto São Paulo Excellence Chairs (SPEC/Fapesp).

*Com informações da UFPA

Mexa-se!!!

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Foto: Eduardo Monteiro de Paula/Acervo pessoal

Por Dudu Monteiro de Paula

Desde muito pequeno, os meus pais nos colocaram em atividade física (quatro irmãos) junto com as atividades intelectuais. Ou seja, um conjunto para ter o desenvolvimento completo. Por isso, acredito que a partir do momento que desenvolvemos o equilíbrio entre atividades físicas e intelectuais nos desenvolvemos melhor.

E nas atividades físicas de equipe, falo melhor. Até atingir a idade do equilíbrio físico, realizamos as atividades como correr, saltar, em coordenação dos braços e pernas, com mais atenção. Sempre pela manhã, antes de ir ao trabalho e irmos a escola, nossos pais nos colocavam em ordem e caminhávamos sob os assobios que mantinham o ritmo da caminhada.

O meu pai assoviava o “hino dos pracinhas” e neste ritmo nos conduzia em conjunto as atividades solicitadas. Na idade escolar existiam os movimentos do próprio colégio em vários esportes coletivos: futebol, voleibol, basquete e aí cada um apresentava dentro de sua características aquele esporte que mais lhe agradava.

Como irmãos, participávamos (juntos) de praticamente tudo. No colégio, na faculdade e na vida privada, o esporte passou a fazer parte de nossas vidas, chegando inclusive a exercermos a parte diretiva de algumas federações especializadas.

No meu caso, dirigi a Federação do Amazonas de Handebol, por exemplo. Na minha única atividade oficial como técnico de voleibol fui campeão estudantil de voleibol feminino dirigindo o Colégio Auxiliadora. Das modalidades que participei, a que mais me destaquei foi o handebol, no alto rendimento. Fui da seleção amazonense por mais de 20 anos, terceiro lugar no brasileiro no Rio de Janeiro (quando fui o vice artilheiro). E joguei ainda futebol nos Estados Unidos, na Universidade de Martin, no Tennessee.

Com o crescimento de minhas atividades profissionais no jornalismo, passei a ter mais presença na academia e me dediquei a corridas de rua e, muito especialmente, corrida de aventura na natureza. E tem sido assim desde então.

Tenho milhares de histórias relativas a minha vida esportiva. Destaco uma delas que foi, no mínimo, diferente: um determinado dia me inscrevi pela internet na corrida do Pátio Gourmet, em Manaus. Na véspera da corrida fui buscar o kit e simplesmente esperei a manhã chegar para participar. Me dediquei a cumprir os 5 quilômetros propostos. No funil de chegada um amigo tirou uma foto e depois me ofereceu. Quando a recebi, fui analisá-la e percebi que o número que tinha usado correspondia exatamente ao ano de meu nascimento.

Coincidências que nos inspiram a continuar nos mexendo e muito!

Por hoje é só! FUUUUUUUIIIIIIII!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Tapauá: resistência e inovação na fronteira do desmatamento amazônico no sul do Amazonas

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Curso de artesanato para a Amiata. Foto: Robson Costa

No sul do Amazonas, o município de Tapauá, o quinto maior em extensão territorial do Brasil, destaca-se como uma ilha de resistência em meio à expansão do desmatamento na Amazônia. Com grande parte de seu território protegido por Unidades de Conservação e Terras Indígenas, o município é palco de iniciativas socioambientais que buscam equilibrar desenvolvimento econômico e preservação da biodiversidade.   

Leia também: Em Tapauá, indígenas Apurinã garantem renda com venda de óleo de copaíba

Essas ações têm como alicerce a organização social e a governança territorial, pilares que fortalecem a autonomia das comunidades locais. Liderado pelo Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável da Amazônia (Idesam), e com apoio da Rainforest Association, o projeto Governança Socioambiental Tapauá atua há três anos no município, promovendo capacitação em boas práticas produtivas, fortalecimento de associações comunitárias e acesso a políticas públicas.   

Entre as iniciativas destaca-se o engajamento de jovens indígenas Apurinã, capacitados para monitorar territórios por meio de aplicativos e drones. Já a Associação das Mulheres Indígenas Artesãs de Tapauá (Amiata) vem promovendo o resgate cultural e a profissionalização do artesanato, com apoio de entidades como o Fundo Casa.

Além disso, por meio de um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) com a Secretaria de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedect) e com a Secretaria Executiva do Trabalho e Empreendedorismo (Setemp), já foram cadastradas 18 artesãs para a emissão da Carteira Nacional do Artesão, que possibilita ao portador o reconhecimento formal da sua produção e a condição de mestre artesão. 

“A ideia é ir além dos balaios, cestos e abanos com fibras amazônicas como na tradição dos mais antigos”, explica Sandra Batista, vice-presidente da Amiata, que abrange mais de 30 comunidades. 

A comercialização de produtos como óleo de copaíba, mel e açaí de extrativismo desponta como alternativa viável para o fortalecimento econômico da região. Com uma área de 881 mil hectares, a Floresta Estadual (FES) Tapauá é rica em recursos como castanha e breu, mas carece de compradores e logística adequada.   

Firmiano Silva, vice-presidente da Associação Agroextrativista dos Moradores da FES Tapauá (Aamfet), reforça que “só a valorização da sociobiodiversidade, sem desmatamento, poderá transformar a realidade da região”. 

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Observatório BR-319

Piscicultura na Amazônia: alavancagem do setor depende de modernização da legislação

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Foto: Reprodução/Fapeam

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Instituto Escolhas, sediado em S. Paulo, é especializado no desenvolvimento de estudos e análises sobre temas fundamentais para o desenvolvimento sustentável. Em documento inédito, lançado na última quinta-feira, 6, mapeia o marco regulatório da piscicultura nos nove estados da Amazônia Legal e aponta o que deve ser feito para fortalecer o setor na região. Como prioridade máxima, inserir aspectos regulatórios nos debates sobre fomento a setores da bioeconomia dado seu papel fundamental na transição para uma verdadeira economia de baixo carbono. No caso da piscicultura amazônica, por exemplo, ajustar a legislação seria o primeiro passo para destravar e alavancar o potencial do setor, levando em conta como a legislação influencia o desenvolvimento da piscicultura em cada um dos nove estados da Amazônia Legal.

O foco central do trabalho leva em conta dois processos fundamentais na regularização de empreendimentos: o licenciamento ambiental e a obtenção da outorga de direito de uso dos recursos hídricos. Uma vez regularizados, os piscicultores podem acessar políticas públicas, como o crédito rural, pleitear desconto na fatura de energia elétrica e abrir oportunidades de comercialização em mercados institucionais. Em relação aos pequenos produtores, essas etapas básicas configuram-se os grandes desafios, posto serem eles, os pequenos, exatamente a imensa maioria do universo setorial diagnosticado. Mapeamento geoespacial inédito desenvolvido pela pesquisa identificou 61.334 iniciativas em viveiros escavados e em viveiros de barragem, sendo 95,8% de pequeno porte (até 5 hectares de lâmina-d’água), 4% de médio porte (de 5 a 50 hectares de lâmina-d’água) e apenas 0,2% de grande porte (mais de 50 hectares de lâmina-d’água).

“Nenhum setor produtivo cresce sem a devida atenção e o devido apoio da gestão pública, daí a necessidade de imediata de investimentos do governo federal e dos governos estaduais em apoio ao setor. Enquanto isso, os pequenos piscicultores da Amazônia Legal seguirão fazendo o possível, sem possibilidade de fortes avanços, alerta Rafael Giovanelli, gerente de pesquisa do Escolhas. Dados do estudo “Solução debaixo d’água: o potencial esquecido da piscicultura amazônica”, lançado pelo Instituto em 2024, revelaram que, se nenhuma atitude for adotada pelo governo para estimular a piscicultura regional imediatamente, o crescimento do setor não vai ultrapassar a marca de 4,6% até 2034.

Dentre as recomendações do estudo, destacam-se a atualização imediata de instrumentos jurídicos defasados, principalmente em nível estadual; a simplificação de processos de licenciamento ambiental – que devem prever licença única on-line consoante procedimentos autodeclaratórios válidos entre quatro e cinco anos – acompanhada da intensificação das ações de fiscalização com uso do georreferenciamento. O estudo também recomenda a implementação de forças-tarefas para orientar pessoal e individualmente pequenos piscicultores sobre processos on-line e autodeclaratórios de licenciamento ambiental, nos estados onde o sistema já se encpntra previsto em lei.

Com efeito, ajustar a legislação e estimular a regularização dos pequenos produtores são ações necessárias e urgentes para que o cultivo de peixes nativos na Amazônia possa ganhar tração e ocupar mais espaço no competitivo mercado nacional, dominado pela exótica tilápia. O fortalecimento dessa cadeia produtiva passa, ainda, pela oferta de capacitação técnica e a disseminação de pacotes tecnológicos de produção de alevinos, ração, manejo do ciclo de vida. Nada disso, contudo, terá efeito duradouro se a região não contar com instrumentos jurídicos adequados e atualizados. “É preciso resolver os impasses legislativos que atravancam essa cadeia importante da bioeconomia brasileira, que traz uma oportunidade de desenvolvimento socioeconômico com baixo impacto ambiental”, pondera Giovanelli.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Estudo aponta que mortalidade por câncer é maior entre crianças indígenas

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Mulher indígena com bebê em frente ao Hospital de Campanha Yanomami montado na Casa de Saúde Indígena (Casai). Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

A mortalidade de crianças e adolescentes com câncer é maior entre os indígenas, de acordo com a nova edição do Panorama de Oncologia Pediátrica, do Instituto Desiderata. O recorte dos dados obtidos com o Ministério da Saúde e com o Instituto Nacional de Câncer (Inca) mostram uma taxa de 76 óbitos a cada 1 milhão de indígenas por ano. Já entre as crianças e os adolescentes brancos essa taxa é de 42.6/milhão, caindo para 38.9/milhão entre os negros e 38.9/milhão entre aqueles identificados como amarelos, que têm origem oriental.

De acordo com o último Censo, quase 45% dos indígenas no Brasil vive na Região Norte, seguida pela Região Nordeste, onde vive 31,22% dessa população. Essas são as regiões que têm a menor incidência de novos casos: 111,1 a cada 1 milhão de crianças e adolescentes no Norte e 138,1 no Nordeste. Mas também são as duas com as maiores taxas de mortalidade: 47,5 e 44,5/milhão, respectivamente.

A coordenadora do Serviço de Oncopediatria do Hospital Oncológico Infantil Octávio Lobo, em Belém, no Pará, Alayde Vieira, não descarta que o número de casos possa ser maior e que haja subnotificação. De acordo com ela, múltiplos fatores podem estar contribuindo para essa alta mortalidade na Região Norte, a começar por questões geográficas que dificultam o acesso aos serviços de saúde:

“A gente tem muita dificuldade de locomoção. No estado do Pará, por exemplo, nós temos 144 municípios, e às vezes, no próprio município, como é o exemplo de Altamira, para me deslocar de uma comunidade ribeirinha indígena para a própria cidade de Altamira, eu levo 1 mil km de deslocamento. E isso não dá para ser feito a pé nem de carro, só de aeronave ou de barco”, detalha a coordenadora.

Atendimento

Os próprios serviços existem em menor quantidade na região. Atualmente, o Brasil tem 77 hospitais habilitados em oncologia pediátrica. Mais da metade deles – 36 – estão no Sudeste, apenas 3 deles estão no Norte. Como consequência, mais de 40% dos pacientes com até 19 anos precisam ser atendidos em hospital sem serviço especializado e mais de 20% têm que se deslocar para cidades diferentes das que moram para conseguir tratamento.

E essas dificuldades ainda se juntam a um cenário socioeconômico desfavorável. “A gente tem um abandono de tratamento superior ao que é encontrado na região Nordeste, Sul e Sudeste, porque nós temos uma criança que mora numa região ribeirinha, num quilombo, numa aldeia… E aquela mãe que tem uma baixa renda, que o pai precisa trabalhar, com quem vai deixar as demais crianças? Então nós já tivemos vários relatos de abandono de tratamento, não é porque a mãe não quer, não tem interesse, ou não ama seu filho, é pela condição socioeconômica”, complementa Alayde Vieira.

A oncologista explica ainda que o cuidado de crianças indígenas requer abordagem especial, porque alguns pacientes, por razões genéticas, metabolizam os medicamentos de forma diferente:

“A gente usava a mesma medicação, o mesmo volume, a mesma dose, e as nossas crianças evoluíam com toxicidades. E isso nos chamou muito a atenção. Então a gente fez um estudo de mais de 10 anos, e a gente começou a observar que a nossa população indígena, ou a população miscigenada, que é a maioria do nosso estado, quando ela tinha geneticamente a ancestralidade indígena acima de um determinado valor, ela começava a apresentar efeitos colaterais maiores. Elas têm 28 vezes mais chances de intoxicar e evoluir para infecções graves e severas do que outras crianças”, explica a especialista.

A solução foi criar um protocolo diferenciado, com maior hidratação, e administração de antígenos para proteger os órgãos dos efeitos colaterais, por exemplo, o que de acordo com a médica aumenta o desafio de tratar essa população.

O Panorama de Oncologia Pediátrica está disponível no site para consulta do público e de especialistas.

*Com informações da Agência Brasil

José da Silva Azevedo, o navegante do rio

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José da Silva Azevedo (pai), Maria Ferreira Bernardes (mãe) e José da Silva Azevedo (filho) aos 10 anos de idade. Foto: Acervo da família

Por Abrahim Baze – literatura@amazonsat.com.br 

Quando meditamos na grandeza da obra humana, estruturada na honestidade e no trabalho, encontramos a figura de José da Silva Azevedo. Ele faz parte da linhagem de nomes importantes da nossa história que deixaram seus legados. Homem de vida simples e, muitas vezes, heroica. Pois quando começamos a levantar o seu passado, nos vemos diante de quão importante fora a sua contribuição.

José da Silva Azevedo já nasceu em Manaus (AM), filho de um verdureiro do Mercado Adolpho Lisboa, que possuía o mesmo nome e, de Maria Ferreira Bernardes, lavadeira que ganhava a vida para auxiliar o marido lavando e passando.

Se buscarmos o passado, vamos lembrar da Rua Barão de São Domingos e do pequeno sobrado o qual servia como residência da família. Aliás, essa rua que se localizava no perímetro urbano e tinha no passado o Bairro de Calábria, o qual começava na Travessa Tabelião Lessa e terminava no litoral do Rio Negro. Na antiga Rua Ramalho Júnior, hoje Barão de São Domingos, estava o sobrado alugado onde a família ocupava a parte superior, sendo a parte inferior um pequeno comércio onde a visão principal era a Baía do Rio Negro.

A vida é um desafio, uma travessia marcada por provações, sonhos, frustrações e esperanças. Poucos chegam à outra margem, ao ponto onde a existência se completa e podem colher os frutos das realizações. Só os fortes e persistentes vencem a inconstância, as intempéries e as incertezas da condição humana. A história deste homem simples, nascido no dia 10 de julho de 1910, no dia de Nossa Senhora do Carmo, no velho sobrado da Barão de São Domingos, é a afirmativa desses atributos que caracterizaram a trajetória desse vencedor.

(À esquerda) José da Silva Azevedo (patriarca) aos dois anos de idade./ (À direita) José da Silva Azevedo e sua mãe Maria Ferreira. Fotos: Acervo da família

Sua vida foi ilustrativa da trajetória que haveria de construir, muito especialmente, com Maria, uma jovem portuguesa, que conheceu por acaso do destino.

Há homens predestinados para grandes realizações, eles constroem e dão exemplo de vida que ficam marcados para posteridade. O sonho do jovem luso-brasileiro, que fora acalentado por tanto tempo, que seria conhecer Portugal, estava realizado, porém jamais imaginava daquela forma, com o pai doente no leito de morte.

Mas o tempo haveria de escrever sua história. Lá em Portugal, trabalhou por um longo período como professor, trabalho diário percorrido sempre pelo mesmo caminho. Certa vez, conduzindo sua bicicleta em estrada de chão batido, nas Frias de Cima, em frente a casa da família Laranjeiras, sofreu um acidente ao bater em uma pedra. Essa casualidade lhe permitiu conhecer a jovem Maria, com quem, mais tarde, haveria de casar-se, trazendo ao mundo dois filhos: José dos Santos da Silva Azevedo, ele comendador e ex-cônsul Honorário de Portugal falecido recentemente, e Maria da Conceição dos Santos da Silva Azevedo, empresária já falecida.

Seu retorno ao Brasil, especificamente a Manaus, foi com a esposa gestante de Maria e o filho pequeno. Aqui trabalhou duro como auxiliar de carpinteiro, em companhia de seu tio Manuel Ferreira Bernardes. Afinal, seu tio era um carpinteiro já reconhecido em Manaus e foram anos duros de trabalho, inclusive prestando serviço como carpinteiro na sede do Luso Sporting Club.

Os mitos permanecem no ar, como é o caso da família Azevedo, sobrevoando a vida de seus descendentes, pois fora ancorado no trabalho por dias melhores. Definitivamente, aquele jovem luso-brasileiro antevia já naquela época que não fora em vão toda vontade de lutar.

Amealhou algumas economias e montou um botequim, chamado Botequim Lusitano, com vendas de alimentos e bebidas na esquina das ruas Independência, hoje Frei José dos Inocentes, paralela à Rua São Vicente, hoje Bernardo Ramos, esquina com a Rua Beco José Casimiro. Trabalho árduo e cansativo, ele no atendimento ao público e ela na cozinha.

Em fevereiro de 1936, sua esposa gestante passa a ter complicações e vem a falecer. Posteriormente, vende o Botequim Lusitano e compra uma estância à Rua Henrique Martins n.º 407, passando a residir com sua mãe e os dois filhos, José e Maria, onde o endereço passou a funcionar a sua oficina de carpintaria.

José da Silva Azevedo, pai de José dos Santos da Silva Azevedo. Foto: Abrahim Baze/Acervo pessoal

Com algumas economias arrendam um barco e dá início a uma nova vida profissional, a de regatão, subindo e descendo os rios, comprando e vendendo produtos regionais. Esse novo trabalho, acabou criando um distanciamento entre o pai e seus filhos. Ficando sua mãe Maria Ferreira Bernardes responsável pela criação dos netos, com o aluguel de alguns pequenos quartos, lavando e passando roupa para fora.

[…] Condenados a um terrível isolamento, os habitantes dessas circunscrições durante muitas décadas suportavam as dificuldades irremovíveis da navegação fluvial, único meio de que dispunham para se comunicarem com outros centros de interesse social. A despótica via natural roubava-lhes o mais precioso dos bens da vida econômica: o tempo.

Arrastavam-se os dias, os meses, os anos, arrebatados pela tortuosidade dos rios, pelos verões inclementes, pelos empeços do paralelismo hidrográfico.

Fonte: TOCANTINS, Leandro. O rio comanda a vida: Uma interpretação da Amazônia. Manaus: Valer, 2000. Pág. 35.

José da Silva Azevedo (pai), Maria Ferreira Bernardes (mãe) e José da Silva Azevedo (filho) aos 10 anos de idade. Foto: Acervo da família

Anos mais tarde, seu filho José dos Santos da Silva Azevedo, já estabelecido como pequeno empresário e também apaixonado pelas belezas da região, ajuda-o a comprar uma propriedade nas proximidades de Manaus, onde passou a exercer a profissão de pecuarista.

[…] Homem acostumado a navegar pelos nossos rios, aprendeu a amar o vai e vem das águas e o bojo e rebojo que sempre se desenvolviam provocando mutações coloridas nas águas. Esta homenagem em que nós da família recebemos com muito orgulho, conduzirá o espírito do meu avô a continuar a navegar nas águas do tempo, dos rios deste barco escola que será também missionário do saber. Tenho certeza que, a cada viagem, a cada paragem, seus sonhos e devaneios estarão presente a iluminar o hoje e o amanhã. Este barco do saber será desdobramento de uma parte de sua vida, em busca de pessoas simples para partilhar conhecimento muito além de nossos próprios horizontes, porém, mais do que pode ser alcançado com nossos próprios olhos. Este barco lançado pelo Sesc-AM, que levará seu nome.

Fonte: BAZE, Abrahim. A saga de um imigrante português. Manaus: Valer, 2004. Pág. 35.

Sobre o autor

Abrahim Baze é jornalista, graduado em História, especialista em ensino à distância pelo Centro Universitário UniSEB Interativo COC em Ribeirão Preto (SP). Cursou Atualização em Introdução à Museologia e Museugrafia pela Escola Brasileira de Administração Pública da Fundação Getúlio Vargas e recebeu o título de Notório Saber em História, conferido pelo Centro Universitário de Ensino Superior do Amazonas (CIESA). É âncora dos programas Literatura em Foco e Documentos da Amazônia, no canal Amazon Sat, e colunista na CBN Amazônia. É membro da Academia Amazonense de Letras e do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA), com 40 livros publicados, sendo três na Europa.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Artista plástico de Rondônia vai expor obras no Carrousel do Louvre, em Paris

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Binho Pinheiro, pintor surrealista. Foto: Binho Pinheiro/Acervo pessoal

O artista plástico Binho Pinheiro, de Nova Mamoré (RO), vai levar a arte que representam a Amazônia e os traços da floresta até Paris. O morador de Rondônia foi selecionado para expor pinturas inéditas no Salão Internacional de Arte Contemporânea Carrousel du Louvre, em outubro de 2025.

Natural da Bahia, Binho é autor de obras espalhadas por diversos pontos da cidade de Nova Mamoré, como a pintura no muro da Câmara Municipal, que representa o município de forma abrangente, repleta de formas e cores, utilizando a técnica de aerografia.

Em entrevista ao Grupo Rede Amazônica, o artista falou sobre a grande oportunidade de estar em um dos principais palcos da arte mundial e compartilhou sua origem, trajetória de vida e trabalhos realizados em Rondônia.

Da escola para a vida

Binho nasceu na Bahia e, desde criança, percebeu que tinha uma sensibilidade maior para a arte. Os primeiros rabiscos e desenhos dividiam espaço com as letras de forma e os números primários durante a alfabetização.

“Na creche eu esboçava meus primeiros traços e isso continuou na escola. Lembro que o amor pela arte só foi surgir quando eu tinha entre 9, 10 anos”, conta Binho.

O nome “Binho Pinheiro” é artístico e surgiu ainda na infância, por influência de sua mãe, que cuidava de uma criança que tinha esse mesmo nome. Ela então passou a chamá-lo da mesma forma como apelido. Após anos, o artista acabou o adotando em sua carreira.

Ao longo do tempo, os amigos foram essenciais para que Binho não parasse de desenhar. Os colegas começaram a incentivar cada vez mais, promovendo competições de desenhos na escola, O que instigava o artista a sempre se manter aprimorando as habilidades.

“Era só uma brincadeira, algo que eu nunca imaginei que iria se tornar uma coisa concreta. Ao decorrer do tempo isso ficou sério e hoje virou meu trabalho”, relembra Binho.

Trabalhando com arte

Binho iniciou sua trajetória profissional em 2004, ainda na Bahia, pintando em diversos locais na cidade de Camacã. Um dia, enquanto pintava em uma escola de música, chamou a atenção de um artista experiente, que o convidou para trabalhar com ele. Foi nesse período que adquiriu experiência e passou a atuar por conta própria, transformando a arte em sua principal fonte de renda.

Em 2008, já consolidado como pintor, decidiu aprimorar suas técnicas de pintura a óleo e buscou aulas especializadas. Após apenas 10 aulas, recebeu a oportunidade de ensinar pintura para um grupo de cerca de 20 alunos, o que abriu novas portas.

Depois de temporadas morando em Espírito Santo e no Amazonas, Binho desembarcou em Porto Velho (RO), onde continuou vivendo de suas pinturas e ministrando cursos.

Foto: Binho Pinheiro/Acervo pessoal

Desafios de uma nova vida

Após dois anos na capital rondoniense, o pintor e sua esposa decidiram se mudar para Nova Mamoré (RO), cidade localizada a cerca de 281 km de Porto Velho. A mudança ocorreu devido a uma oportunidade de emprego para sua esposa na região.

Com o tempo, passou a ser reconhecido na nova cidade e passou a receber encomendas. Seu estilo preferido é o surrealismo, movimento artístico surgido em Paris, na década de 1920, que valoriza a fantasia e a liberdade criativa.

No entanto, o alto custo dos materiais e a baixa demanda por esse tipo de obra fizeram com que ele reduzisse a produção de telas.

“Eu parei de produzir telas já faz um tempo por conta do preço abusivo dos materiais e das encomendas, que são bem poucas. Então, eu parei de produzir porque ficava muito material empilhado”, desabafa.

Oportunidade surreal

Este ano, Binho recebeu a chance de expor suas obras justamente em Paris, berço do surrealismo, movimento que tanto o inspira. Ele soube da oportunidade pela internet e enviou seu portfólio para os curadores responsáveis. Sua arte foi selecionada entre diversos candidatos, mas as obras que estarão na exposição ainda estão em fase de produção.

“E eu tive essa honra de ser selecionado. Quanto às obras que foram serão expostas, ainda não podem ser divulgadas, até porque eu não finalizei ainda. Serão obras exclusivas”, diz Binho com ar de mistério.

Embora suas pinturas tenham sido escolhidas, os custos da viagem são de responsabilidade do artista. Ele precisa arcar com passagem e hospedagem durante os dias de exposição.

“Acredito que só o fato das minhas obras serem selecionadas para ir até Paris já é uma grande bênção e acredito que essa chance vai abrir muitas portas […] Penso que a ajuda dos meus amigos no início de tudo foi o que ajudou para que meu trabalho ter chegado nesse nível”, finaliza Binho.

*Por Mateus Santos, da Rede Amazônica RO