Boo, peixe-boi da Amazônia fêmea mais antigo do Inpa faz 50 anos

Boo é uma das primeiras da espécie que chegaram ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, em Manaus (AM), em 1972. Ela comemora o aniversário neste 9 de julho.

Boo e filhote. Foto: Anselmo d’Affonseca/AMPA

O Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) e a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) celebram, neste 9 de julho, o aniversário do peixe-boi fêmea mais antigo do Inpa. Boo completa 50 anos. Ela é uma das primeiras da espécie (Trichechus inunguis) que chegaram ao instituto.

Ela foi levada para o Instituto ainda filhote, com 116cm e 26kg, e cerca de um mês de vida, no dia 9 de julho de 1974, pela primeira pesquisadora do LMA, Diana Magor.

Foto: Anselmo d’Affonseca/AMPA

Além de contribuir para os estudos de avaliação de saúde do plantel de peixe-boi sob cuidados humanos no INPA Boo também participou de algumas pesquisas científicas, como sobre a compreensão da fisiologia da espécie, de parâmetros vitais básicos, reprodutivos e estudos sobre a comunicação (bioacústica), dentre outros.

Reprodução

A primeira reprodução de peixe-boi da Amazônia em cativeiro foi com a Boo e o Tupy, peixe-boi também resgatado e reabilitado no LMA. O nascimento do Erê, foi considerado um marco no avanço da pesquisa científica e permitiu maior compreensão sobre os aspectos fisiológicos e nutricionais da espécie.

“Esse acontecimento foi essencial, pois os pesquisadores começaram a entender melhor as características nutricionais e conseguir resultados positivos na melhora nutricional dos peixes-boi, dos animais em cativeiro”, comenta o presidente da Ampa, o veterinário Rodrigo Amaral.

Foto: Anselmo d’Affonseca/AMPA

Amaral acrescenta que a contribuição se estende às pesquisas sobre comportamento do filhote ao nascimento, a relação com a mãe, e sobre as necessidades durante a amamentação, entre outros aspectos. “São conhecimentos importantes para a reabilitação e a manutenção dos filhotes órfãos resgatados pelo Inpa”, explica Amaral.

Ao longo dos anos, Boo também amamentou dois filhotes de peixes-bois que foram resgatados. “A Boo é daquelas mãezonas, cuidou dos seus filhotes e também adotou outros que chegaram resgatados”, concluiu o veterinário. Um dos filhotes resgatados adotados pela Boo foi o Tapajós, que se encontra hoje no Aquário de São Paulo.

Peixe-boi da Amazônia

O peixe-boi da Amazônia é a menor espécie de peixe-boi do mundo, chegando a até 3 metros de comprimento e 450 kg de peso. É um mamífero aquático endêmico da Amazônia, ou seja, essa espécie é exclusiva dos rios da Bacia Amazônica.

Foi maciçamente explorado no passado, mas ainda ocorre na maior parte de sua distribuição original, desde o Peru, Colômbia, Equador até a foz do rio Amazonas no Brasil.

É um animal herbívoro, alimenta-se de grande variedade de plantas aquáticas e semi-aquáticas, e consome cerca de 8% de seu peso vivo em alimento por dia.

A espécie contribui para a ciclagem de nutrientes nos rios e controle de plantas aquáticas nos lagos, que dificultaria a entrada de luz solar nos rios e até mesmo o transporte de pequenas embarcações.

*Com informações da AMPA/INPA

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