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O dia em que três mulheres indígenas se encontraram com Papa Francisco

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Papa Francisco recebe mulheres indígenas da Amazônia. Foto: Vatican News

O Papa Francisco teve diversos encontros significativos com povos indígenas durante o seu pontificado, demonstrando um compromisso com continuo com causas e culturas menos favorecidas.

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Nos últimos anos em vida, o Papa demonstrou preocupação com a Amazônia. Além de ter escrito diversos documentos que falam sobre o bioma e a sua importância para a preservação do planeta, ele também convocou um sínodo para debater a evangelização na região. 

Em audiência histórica para a Igreja na Amazônia, a maior autoridade religiosa se encontrou com três mulheres indígenas, reconhecidas no Peru, pela sua liderança eclesial e sociocultural.

Patricia Gualinga e Ir. Laura Vicuña, vice-presidentas da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA) e Yesica Patiachi, vice-presidenta da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM) foram recebidas em audiência pelo Papa Francisco em 1º de junho de 2023.

As três indígenas amazônicas enviaram uma carta, entregue pessoalmente ao “vovô Francisco” pelo cardeal Pedro Barreto, presidente da CEAMA. Nela pediam um diálogo presencial entre as três representantes indígenas e o Papa, para fortalecer os caminhos de comunhão e unidade.

Três dias depois, a Prefeitura da Casa Pontifícia enviou à Ir. Laura, Patricia e Yesica confirmando que seriam recebidas pelo Papa Francisco.

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Mas quem são essas mulheres 

Papa Francisco recebe mulheres indígenas da Amazônia. Foto: Vatican News

Yesica Patiachi

Escritora, pesquisadora, pintora e educadora do povo Harakbut, Yesica Patiachi Tayori nasceu na comunidade indígena de San José del Karene, no Departamento de Madre de Dios, no Peru.

Formada em Educação pelo Instituto Superior Pedagógico Público de Puerto Maldonado. Em 2015 o Ministério da Educação publicou seu livro “Relatos Orales Harakbut” e em 2019 “El gallinazo y el jaguar”. Ambos são textos bilíngues, em harakbut e espanhol, sendo as primeiras publicações escritas nesta língua por uma mulher indígena do mesmo povo, e traduzidas para o espanhol por ela mesma.

Participou da elaboração de livros de trabalho em Harakbut para o Ministério da Educação para estudantes que falam esta língua. Esteve como especialista em Educação Intercultural Bilíngue (EIB) na Diretoria Regional de Educação do Departamento de Madre de Dios, e Coordenadora Regional de Qualidade da Gestão Escolar do Ministério da Educação.

Em janeiro de 2018, durante a visita do Papa Francisco à cidade de Puerto Maldonado, realizou o discurso, em nome dos povos indígenas, falando da dura realidade socioambiental que enfrenta a Amazônia e seus povos. Em outubro de 2019 participou ativamente do Sínodo Amazônico como auditora.

Atualmente trabalha como professora do ensino médio, em Puerto Maldonado, e é uma das vice-presidentas da Rede Eclesial Pan-Amazônica (REPAM).

Ir. Laura Vicuña

Laura Vicuña Pereira Manso, indígena do povo Kariri, nasceu em Porto Velho, Rodônia. É filha de pais migrantes e vem de um significativo processo de autoafirmação de sua identidade indígena. Religiosa da Congregação das Irmãs Catequistas Franciscanas, é formada em antropologia, especialista em psicologia social e mestre em linguística indígena.

Irmã Laura. Foto: Vatican News

Atuou pastoralmente junto a diversas comunidades da Amazônia brasileira e peruana. Atualmente atua no Conselho Indigenista Missionário (CIMI), na defesa da Amazônia, dos seus povos e da casa comum, especialmente com o povo Karipuna. Participou do Sínodo da Amazônia em 2019 e é vice-presidenta da Conferência Eclesial da Amazônia (CEAMA).

Esteve em diversos espaços da ONU em Nova York e Genebra, Fórum Permanente dos Povos Indígenas, para incidir diretamente e denunciar a violação dos direitos indígenas e da Amazônia.

Contribuiu com relatórios antropológicos para a identificação étnica e demarcação territorial dos povos Guarasugwe e Cassupá. Realizou estudo linguístico junto a sábios e avós indígenas das línguas Sabanê, Kwazá e Guarasugwe e publicou vários artigos sobre a Amazônia e o Serviço da Mulher na Amazônia.

Patricia Gualinga

Patricia Gualinga Montalvo, do povo Kichwa de Sarayaku, na Amazônia equatoriana, é uma renomada defensora dos direitos humanos e da casa comum.

Ao longo de sua vida, Patricia se dedicou, seguindo o exemplo de seus pais e sábios, a proteger sua comunidade das violações de direitos humanos causadas principalmente pela exploração de petróleo e pela militarização.

Em 2012, foi testemunha perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos em um caso histórico apresentado em 2002 sobre os impactos da exploração de petróleo em sua comunidade, que terminou com a decisão do tribunal em favor do povo de Sarayaku.

Participante de vários espaços nacionais e internacionais de incidência, recebeu importantes reconhecimentos internacionais, incluindo em 2019, o Prêmio Brote Activismo Medioambiental, na Espanha; em outubro de 2021, o prêmio de coragem e liderança ALNOBA, nos EUA; em dezembro de 2021, o Prêmio Al Moumin de Direitos Humanos; e, recentemente, em 2022, o Prêmio Olof Palme de Direitos Humanos, por sua liderança na luta pela melhoria das condições de vida dos povos indígenas.

Atualmente, apoia e lidera o coletivo “Mulheres Amazônicas”, dedicado à proteção do meio ambiente, dos povos indígenas, das mulheres e direito à terra. Participou ativamente do Sínodo da Amazônia, em 2019, e é uma das vice-presidentas da CEAMA – Conferência Eclesial da Amazônia.

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Caminhos de comunhão e novos caminhos

Este encontro, para elas e quem representam, foi um passo significativo, incluindo mulheres e leigos rumo aos novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral nas comunidades eclesiais amazônicas.

“Sem dúvida, nós mulheres estamos presentes em inúmeras comunidades, estimulando e motivando as pessoas para que não percam a fé e o sentido da vida. Mas o serviço que prestamos à Igreja não é reconhecido, gerando tensões que poderiam ser superadas com o reconhecimento de novos ministérios para as mulheres de acordo com a urgência da realidade sociopastoral da Igreja na Amazônia”.

De um belo processo de escuta pessoal e coletiva, as mulheres levaram consigo uma carta de partilha e clamores que os povos indígenas e a Igreja amazônica vivenciaram nos últimos anos ao semear a semente por uma Igreja sinodal e ministerial, e na defesa da vida dos povos e seus territórios.

Como CEAMA e REPAM celebramos este encontro, que continuará fortalecendo as raízes semeadas pelo Sínodo da Amazônia, por uma Igreja em saída, samaritana e servidora, como o Papa pediu.

*Com informações do Vatican News

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Relembre quando Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense

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Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense. Foto: Vatican News

O Papa Francisco usou, em outubro de 2023, uma veste litúrgica feita por um amazonense durante uma Missa no Vaticano. Segundo a Igreja, as vestes foram feitas por Juan Gabriel Albuquerque Ramos, que é natural de Manaus, e foram usadas pelo pontífice durante o encerramento do Sínodo.

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O cardeal e arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, foi um dos participantes do encontro, que discutiu os rumos da igreja para o futuro. 

Os tons mais claros de verde nas vestes do Papa foram associados às folhas mais jovens das árvores, enquanto os tons mais escuros lembraram as folhas mais antigas. Esse detalhe simbólico buscou criar uma harmonia visual nos paramentos, celebrando a variedade presente na Amazônia.

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Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense. Foto: Vatican News

“Sua inspiração e criatividade na concepção das vestes refletiram a essência do sínodo dos bispos, que, ao longo do seu caminho sinodal, trouxe à tona diferentes perspectivas e expressões da mesma fé, promovendo um diálogo e a sinergia entre os membros da igreja“.

Leia também: Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

Juan Gabriel

O responsável por esse projeto foi o artista brasileiro Juan Gabriel Albuquerque Ramos, natural de Manaus. Sua inspiração e criatividade na concepção das vestes refletiram a essência do Sínodo dos Bispos, que, ao longo de seu caminho sinodal, trouxe à tona diferentes perspectivas e expressões da mesma fé, promovendo o diálogo e a sinergia entre os membros da Igreja.

Papa Francisco usou vestes litúrgicas feitas por amazonense. Foto: Vatican News

Papa e a Amazônia

Nos últimos anos, o Papa demonstrou preocupação com a Amazônia. Além de ter escrito diversos documentos que falam sobre o bioma e a sua importância para a preservação do planeta, também convocou um sínodo para debater a evangelização na região. O encontro aconteceu em 2019 e contou com a participação de bispos e representantes de toda a Pan-Amazônia. 

*Com informações do g1 AM e Vatican News

Rondônia e o Papa Francisco: uma conexão especial

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Papa Francisco recebe das mãos do arcebispo de Porto Velho, dom Roque, uma obra de arte produzida em Rondônia. Foto: divulgação

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

A morte do Papa Francisco trouxe tristeza para o mundo todo. Duas palavras resumem seu legado: tolerância e compaixão. Ele deixou sua marca não apenas na Igreja Católica, mas também em corações ao redor do mundo.

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Rondônia tem uma conexão especial com o Papa Francisco. Ele recebeu em Roma o livro “O Papa Francisco e o Meio-Ambiente”, do escritor católico José Dettoni, ex-reitor da UNIR e membro da Academia Rondoniense de Letras. A obra foi entregue pelo arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi.

Além disso, uma pintura a óleo sobre tela da artista Edna Costa, retratando a Catedral de Nossa Senhora do Seringueiro, de Guajará-Mirim, foi entregue ao Papa Francisco, em outra ocasião, por Dom Roque Paloschi.

Papa Francisco recebe das mãos do arcebispo de Porto Velho, dom Roque, uma obra de arte produzida em Rondônia. Foto: divulgação

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O Papa dava importância à região e às suas causas. Ele foi um defensor incansável da questão ambiental e dos direitos dos povos indígenas. Sua empatia e diálogo foram notáveis, inclusive com outras religiões. Francisco sempre enfatizou que todas as formas de opressão e fundamentalismo fazem mal à humanidade. “O diálogo é a ponte que nos conduz à paz e a Deus”, afirmou.

De Manaus: Dom Leonardo Steiner pode ser um dos possíveis substitutos do Papa; entenda

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Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner. Foto: Alberto Pizzoli/AFP

O cardeal e arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, está na lista do Vaticano para participar do Conclave, que é a eleição que definirá o novo pontífice. Com a morte do Papa Francisco, nesta segunda (21), o processo deve começar em até 20 dias.

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Pelas regras da Igreja Católica, apenas cardeais com menos de 80 anos podem votar. Entre os oito cardeais brasileiros, sete atendem a esse critério. Confira a lista:

  • Leonardo Ulrich Steiner, arcebispo de Manaus, 74 anos.
  • Sérgio da Rocha, Primaz do Brasil e arcebispo de Salvador, 65 anos.
  • Jaime Spengler, presidente da CNBB e arcebispo de Porto Alegre, 64 anos.
  • Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo, 75 anos.
  • Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, 74 anos.
  • Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília, 57 anos.
  • João Braz de Aviz, arcebispo emérito de Brasília, 77 anos.
Arcebispo de Manaus está entre os são brasileiros que vão participar do Conclave. — Foto: Caíque Rodrigues/g1 RR

O único cardeal brasileiro que não poderá participar do Conclave é Raymundo Damasceno, arcebispo emérito de Aparecida, de 87 anos. Ainda assim, ele será convidado a integrar o Colégio dos Cardeais, que discutirá assuntos inadiáveis da Igreja até a escolha do novo papa.

No total, segundo o Vaticano, 138 cardeais estão aptos a participar da votação.

Segundo o padre Amarildo Luciano, pároco do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, a igreja passa a viver o período de Sé Vacante, quando o trono de São Pedro está vago.

Leia também: O Cardeal da Amazônia é nomeado pelo Papa Francisco

“Primeiramente temos aa constatação da morte, depois o governo da igreja passa a ser executado pelo cardeal Camerlengo, que atualmente é o cardeal Farrell, e é ele quem vai conduzir o funeral e convocar o próximo conclave”, explicou.

Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner. Foto: divulgação

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Como funciona o Conclave

A palavra “conclave” vem do latim cum clavis e significa “fechado à chave”. É por meio dele que a Igreja Católica elege o novo papa.

Durante os dias de eleição, cardeais do mundo todo ficam fechados dentro do Vaticano, em uma área conhecida como “zona de Conclave”. Eles também fazem um juramento de segredo absoluto sobre o processo.

Todos os cardeais que participam da eleição ficam impedidos de utilizar qualquer meio de comunicação com o exterior. Ou seja, eles não podem usar telefones, ler jornais ou conversar com pessoas de fora do Vaticano. Essas medidas foram adotadas para evitar que a votação seja influenciada.

As votações acontecem dentro da famosa Capela Sistina. Para ser eleito, um cardeal precisa receber dois terços dos votos que — são secretos e queimados após a contagem.

Para Francisco e Cardeais: Foto/Vatican News

Ao todo, até quatro votações podem ser realizadas diariamente, sendo duas pela manhã e duas à tarde. Se, depois do terceiro dia de conclave, a Igreja continuar sem papa, uma pausa de 24 horas é feita para orações. Outra pausa pode ser convocada após mais sete votações sem um eleito.

Caso haja 34 votações sem consenso, os dois mais votados da última rodada disputarão uma espécie de “segundo turno”. Ainda assim, será necessário atingir dois terços dos votos para que um deles seja eleito.

Quando um cardeal é eleito, a Igreja questiona se ele aceita o cargo de papa. Se ele concordar, o religioso também precisa escolher um nome. Em seguida, ele é levado para um ambiente conhecido como “Sala das Lágrimas”, onde veste as vestes papais.

Por fim, o novo papa é anunciado à multidão que aguarda na Praça de São Pedro. O pontífice é apresentado diretamente da sacada da Basílica, onde é proclamada a famosa frase “Habemus Papam” (“Temos um Papa”).

Leia também: Arcebispo de Manaus é o primeiro cardeal da Amazônia brasileira nomeado pelo Papa Francisco

Por g1 AM

Papa recebeu carta sobre proteção das florestas e dos povos originários das mãos do Cacique Raoni; relembre

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Papa recebeu a carta das mãos do Cacique Raoni. Foto: Reprodução/Vaticano

Um encontro movimentou o Vaticano no dia 16 de maio de 2024. O Cacique Raoni, umas das lideranças indígenas mais importantes do Brasil, entregou para o Papa Francisco uma carta com o pedido de ajuda no trabalho de conscientizar os políticos brasileiros sobre a importância da preservação do meio ambiente e dos povos originários.

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Na época, o líder indígena foi para a sede da igreja católica para participar do seminário “Da crise climática à resiliência climática”, promovido pelas Pontifícias Academias das Ciências e das Ciências Sociais e realizado de 14 a 17 de maio na Casina Pio IV.

Em seu discurso, o Papa sublinhou que “os dados sobre as mudanças climáticas pioram a cada ano e portanto, é urgente proteger as pessoas e a natureza”. Francisco parabenizou “as duas Academias por liderarem este esforço e produzirem um protocolo de resiliência universal. As populações mais pobres, que pouco têm a ver com as emissões poluentes, precisarão receber maior apoio e proteção”.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: quem é o Cacique Raoni?

O abraço de Francisco a Raoni. Foto: Reprodução/Vaticano

Os pobres são os que mais sofrem com as mudanças climáticas

“A destruição do ambiente é uma ofensa a Deus, um pecado que não é apenas pessoal, mas também estrutural, que coloca seriamente em perigo todos os seres humanos, especialmente os mais vulneráveis, e ameaça desencadear um conflito entre gerações”, disse o Papa, que perguntou: “Estamos trabalhando em prol de uma cultura da vida ou de uma cultura da morte?”

Francisco recebeu em audiência o cacique brasileiro, Raoni Metuktire, no Vaticano / Foto: VaticanMedia

Estamos diante de desafios sistêmicos distintos, mas interligados: as mudanças climáticas, a perda da biodiversidade, a degradação ambiental, as desigualdades globais, a insegurança alimentar e uma ameaça à dignidade das populações envolvidas. Se não forem abordados de forma coletiva e urgente, esses problemas representam ameaças existenciais para a humanidade, para outros seres vivos e os ecossistemas.

“Mas que seja claro: são os pobres da Terra que mais sofrem, apesar de serem os que menos contribuem para o problema. As nações mais ricas, cerca de um bilhão de pessoas, produzem mais da metade dos poluentes que retêm o calor. Contrariamente, os três bilhões de pessoas mais pobres contribuem com menos de 10%, mas arcam com 75% das perdas resultantes. Os 46 países menos desenvolvidos, em sua maioria africanos, são responsáveis por apenas 1% das emissões globais de CO2. Ao invés disso, as nações do G20 são responsáveis por 80% dessas emissões”.

Saiba mais: Cacique Raoni

Cacique Raoni

Cacique Raoni, como é conhecido, talvez seja o líder indígena mais famoso do país. Nascido em 1930, no Mato Grosso, na vila Krajmopyjakare, hoje conhecida como Kapôt, ele pertence ao povo Kayapó e aprendeu português com os irmãos Villas-Bôas. Raoni conquistou fama internacional por sua luta pela preservação da Amazônia. A marca registrada é o adorno em forma de disco que usa no lábio inferior.

Cacique Raoni. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

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Na Internet, são comuns imagens dele ao lado de personalidades internacionais como o cantor Sting e o ex-presidente francês Jacques Chirac. O cacique também é figura comum em protestos e mobilizações indígenas em todo o Brasil, seja em pequenos municípios ou na capital federal. Seu nome já foi cotado mais de uma vez para candidato ao prêmio Nobel da Paz, mas a iniciativa ainda não se concretizou.

Uma das características culturais que chama bastante atenção quando se observa o cacique é um grande alargador em sua boca, cuja simbologia representa um guerreiro disposto a morrer pela sua tribo. O cacique também costuma usar um cocar de penas amarelas.

No site do Instituto Raoni, que reúne informações sobre sua história, descrevem: “Teve forte atuação na Assembleia Constituinte em 1987 e 1988 junto ao movimento indígena, a qual resultou na inclusão dos direitos fundamentais dos povos indígenas na Constituição Federal de 1988. Em 1989, conseguiu mobilizar a imprensa mundial para a cobertura do “Primeiro Encontro dos Povos Indígenas do Xingu”, em Altamira (PA), contra a construção do Complexo Hidrelétrico do Xingu (que incluía a usina Kararaô, que retornaria anos depois como Usina Hidrelétrica de Belo Monte), resultando no abandono do projeto”. 

*Com informações do Vatican News

Cercado por fazendas, povo Rikbaktsa luta para manter modo de vida

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente nunca irá deixar de ser indígena”. É com essa frase que o cacique Ademir Rikbakta, da aldeia Beira Rio, da Terra Indígena (TI) Erikpatsa, fala sobre a importância da preservação da cultura do povo Rikbaktsa.

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“A gente conversa muito com a comunidade. Aprendi assim com meu pai. A gente conversa muito na língua. Temos dança tradicional e a chicha é nossa bebida. Nunca vamos deixar de fazer cultura. Hoje, estou com meu povo lutando”.

A luta da qual fala o cacique Ademir Rikbakta fica clara quando se sobrevoa a região. Os trechos de Floresta Amazônica disputam espaço com as fazendas de cultivo de soja e milho e de criação de gado. A Terra Indígena, cercada por lavoura, sente os impactos de ter cada vez menos caça e menos peixes nos rios, além de contar menos polinizadores para manter as plantas da região.

Os Rikbaktsa, de acordo com o Instituto Socioambiental (ISA), vivem na bacia do Rio Juruena, no noroeste do Mato Grosso, nas TI Erikpatsa, Japuíra e Escondido. São 34 aldeias distribuídas pelos territórios, e o povo tem um histórico de luta em defesa de suas terras: até 1962, os Rikbaktsa resistiram contra os seringueiros que avançavam na região para a extrair borracha. 

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Na década de 1960, os jesuítas, financiados pelos seringueiros, foram os responsáveis pela chamada “pacificação” do povo. O processo levou à dificuldade do ensino da língua materna, uma vez que as crianças, em internatos, eram punidas ao falarem o próprio idioma e obrigadas a se comunicar em português. Com isso, a língua Rikbaktsa passou a ser a segunda mais falada, principalmente entre a população mais jovem. A dita pacificação também levou ao adoecimento e morte de 75% da população e à perda de território.

Hoje, a população voltou a crescer, mas as disputas fundiárias na região permanecem, de acordo com o ISA, principalmente contra madeireiros e garimpeiros.

“O que a gente tem aqui dentro da nossa comunidade é cultura. A nossa cultura é o povo”, diz o cacique Ademir Rikbakta. “É isso que a gente quer passar também para essas novas gerações, esses ensinamentos. Desde os anciãos até hoje, a gente veio aprendendo também”.

Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

A esposa do cacique, Angélica Zokdo, também luta pela resistência da cultura. “Eu, como mãe, sempre eu falo: vocês têm que aprender a fazer. A gente, como mãe, está ensinando a essas crianças que estão vindo agora também, para, depois, eles mostrarem [a cultura], como a gente está mostrando. No dia em que a gente não estiver mais, vai ficar para eles”, diz.

Os Rikbaktsa dividem-se em clãs, sendo os principais Makwaraktsa, que significa arara amarela, e Hazobiktsa, ou arara cabeçuda, que é vermelha. Cada clã e sub grupo da etnia tem a sua pintura corporal específica, com pinturas, artesanato, dança e música.

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Avanço das lavouras

Embora a busca seja por manter os costumes, os indígenas não encontram mais no território tudo que precisam para sobreviver. Na aldeia Pé De Mutum, na TI Japuíra, o cacique Francisco Rikbaktsa chamou atenção para o avanço das lavouras.

Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

“A gente era grande e tinha fartura de peixe e carne de animais. Vocês estão vendo que as coisas estão diminuindo para nós. Nosso costume é comer esses alimentos tradicionais. Hoje, estamos cercados. Em volta, é lavoura, e tem a questão de contaminação da água por agrotóxico. Vocês estão vendo, estão pisando aqui dentro da nossa aldeia, dentro da área indígena. Eu falo isso para vocês, porque a gente também sofre que nem um de vocês”, discursou para os visitantes. 

Na aldeia Barranco Vermelho, na TI Erikpatsa, Lauro Ruwai Rikbakta foi um dos responsáveis pela refeição servida à reportagem, com caça e peixes. Ele contou que está cada vez mais difícil encontrar os animais.

“A gente fez o impossível. Esta aqui é anta, e este aqui é peixe”, disse, apontando para cada um dos alimentos servidos. “Aqui perto, começaram a plantar milho e soja. Então, o animal vai para o lugar mais fácil de buscar alimento para ele, em vez de estar aqui dentro do mato”.

A caça, que era encontrada com uma caminhada de um quilômetro (km), agora está a cerca de 15 km. Para encontrar alguns animais específicos, é preciso andar ainda mais, cerca de 60 km. Os alimentos colhidos também estão mais escassos. “A nossa roça [plantação] é a cidade, eu vou falar a verdade”.

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Terra Indígena Erikpatsa, do Povo Rikbaktsa. Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Cultura na educação

Nas aldeias, o desafio é fazer com que os mais jovens se interessem pelas tradições e conheçam a cultura da qual fazem parte. Uma das estratégias é incorporar o ensino nas escolas do território. Pelo menos uma vez por semana, os estudantes têm aulas sobre práticas culturais, aprendem a língua rikbaktsa, as danças e os costumes.

O professor Givanildo Bismy, da Escola Estadual Myhyinymykyta, em Barranco Vermelho, está terminando o mestrado, no qual estuda literatura indígena. Ele busca trazer para as salas de aula esses ensinamentos.

“É transformar para que as crianças possam ter o conhecimento das histórias. Isso é uma coisa muito importante para nós. A gente já começa a fluir, já começa a ser o protagonista da nossa própria história, do próprio nosso povo. Nós, indígenas, do próprio povo, estamos escrevendo a nossa história, que não tem ninguém que escreveu assim. E a gente começou agora”, diz o professor.

Uma das dificuldades para o ensino da cultura é justamente a falta de materiais específicos. “A gente tem muito pouco esse material próprio que é do nosso povo Rikbaktsa. A gente recebe os materiais de fora, que às vezes não servem para nosso povo. Não é de acordo com o que a gente quer”, diz a professora Gesilene Aikdopa, da mesma escola.  

Na Escola EstaduaI Indígena Pé de Mutum, o professor André Apyton, responsável pelo ensino da língua, diz que a falta de materiais impacta no ensino. Até mesmo porque, lá, os alunos não conseguem praticar em casa, pois muitas famílias têm o português como primeiro idioma.

“A ideia é que eles aprendam com as famílias a fala na língua materna e, na escola, eles aprenderiam mais a escrita. Mas isso não vem acontecendo. As famílias não falam. Só os mais idosos que têm domínio da língua. Aí, em casa, geralmente os pais também já não falam mais”, diz.

Retorno para a comunidade

Para Gesilene Aikdopa, a intenção do ensino da cultura não é manter os jovens nas aldeias necessariamente, mas que eles conheçam, defendam o povo e possam, caso sigam os estudos fora, voltar e trazer os conhecimentos para a comunidade.

“Da mesma forma que eles cresceram, nasceram aqui, a gente tenta formá-los em cada profissão para que eles defendam a gente também. Porque têm muitos vindo para a aldeia tirar coisas nossas. Então, a gente também forma para trazer retorno para a comunidade”.

Cumprir essa expectativa é o sonho de Rogerderson Natsitsabui, da aldeia Pé de Mutum. Hoje, aos 30 anos, ele segue na aldeia participando de projetos e se aprimorando, com o sonho de cursar direito para advogar pelo próprio povo.

“Eu acredito que, futuramente, eu vou, se Deus quiser, ingressar numa faculdade. Para mim, isso é um avanço, mas eu nunca vou deixar o que eu aprendi aqui”, diz. “Meu foco, desde quando eu comecei a participar de mobilizações, sempre foi direito. Eu nunca desisti disso”.

Assim como diz o cacique Ademir Rikbakta, para Rogerderson Natsitsabui, algumas coisas podem mudar, mas ele nunca deixará de ser indígena.

“No mundo afora, têm pessoas que têm uma visão dos povos indígenas em que, se eu estou com um iPhone meu, eu perdi a minha cultura, eu não falo mais a minha língua materna. A gente precisa mostrar [que não é assim], levar [nossa cultura] daqui para fora, mostrar quem somos. Isso eu acredito que nos fortalece”.

*Com informações da Agência Brasil



Expedição científica é feita na Reserva Biológica do Parazinho no Arquipélago do Bailique para conservação

Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

A primeira expedição científica multidisciplinar de 2025 foi feita na Reserva Biológica do Parazinho (Rebio), localizada na Foz do Rio Amazonas, no arquipélago do Bailique, distrito de Macapá, neste mês de abril. O material e informações coletados durante a passagem vão servir para o plano de estratégias de conservação da região.

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Euryandro Costa, que é coordenador de Gestão de Unidades de Conservação e Biodiversidade da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), disse que o local é restrito à pesquisas e ao turismo ecológico, sendo única unidade de proteção integral sob gestão estadual na foz.

“A Rebio do Parazinho é uma das áreas mais sensíveis e estratégicas para a conservação da biodiversidade costeira no estado […] ela tem um papel fundamental na manutenção dos processos ecológicos naturais e na proteção de espécies da fauna e flora. Portanto, o conhecimento gerado pelas expedições científicas é essencial para fundamentar decisões de gestão mais eficazes, que assegurem a integridade ecológica da reserva”, disse.

Saiba mais: Arquipélago do Bailique

Estiveram presentes pesquisadores e técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente (Sema), Instituto de Pesquisas do Amapá (Iepa) e Universidade do Estado do Amapá (UEAP), que realizaram procedimentos como:

  • Atuação nas frentes de monitoramento territorial;
  • Qualidade da água;
  • Ictioplâncton;
  • Fitoplâncton;
  • Fauna;
  • Vegetação;
  • Lixo antropogênico fluviomarinho.
Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

Leia também: 3 passeios guiados pelo Amapá imperdíveis para quem ama expedições

Sobre a Reserva:

A Reserva Biológica do Parazinho é uma das importantes áreas de proteção integral da região amazônica, desempenhando um papel fundamental para a conversação da biodiversidade da foz do maior rio Amazonas. Esta é a sexta jornada realizada contando com as de 2024 e a primeira de 2025.

Expedição científica em Macapá — Foto: Divulgação/Sema

A reserva criada em 1985 está sob jurisdição legal da Sema, ela abrange um sistema costeiro no sudeste do Amapá, que inclui diversos processos devido aos sedimentos espalhados na extensão e demais além dos atmosféricos, oceanográficos e amazônicos.

“As equipes que trabalham nas pesquisas, são profissionais especializados e altamente capacitados que enriquecem o trabalho de elaboração de planos e programas voltados para a reserva. Além disso, o trabalho desenvolvido em conjunto entre as instituições norteiam iniciativas promissoras no campo de pesquisas e na proteção do bioma desta importante área costeira”, contou a secretária de Estado do Meio Ambiente, Taísa Mendonça.

Por Isadora Pereira, g1 AP — Macapá

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Fazenda Experimental em Mato Grosso adota coleira para detecção de doenças

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A Fazenda Experimental da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) é o espaço para o desenvolvimento de uma iniciativa que pode facilitar a detecção de doenças antes do agravamento de sintomas. O trabalho desenvolvido por pesquisadores russos será aplicado com a coleta de dados a partir de inteligência artificial em que uma coleira reúne dados dos animais e envia por meio de Wi-Fi para a nuvem, com acesso possível para pesquisadores em formato remoto.

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Os indicadores medem doenças como mastite, brucelose, endometrite e leucose. “A coleira avalia parâmetros dos animais para detectar de forma precoce algumas doenças de cunho produtivo e infeccioso. Mato Grosso é o primeiro lugar no Brasil onde será testado com as vagas da fazenda experimental. Com a implantação será desenvolvida uma pesquisa para validação das informações com o acessório que será inserido nas vacas”, pontua o professor Emílio Azevedo, diretor da Fazenda Experimental. Ao todo serão implantadas 10 coleiras em vacas da Fazenda Experimental.

A mastite bovina consiste em uma patologia que reduz a produção e a qualidade do leite da vaca, enquanto a endometrite é uma inflamação uterina que pode ocorrer de forma aguda ou crônica, frequentemente associada a infecções bacterianas. Já a leucose bovina é uma doença infectocontagiosa causada por vírus também afetando a produção de leite. Por sua vez a brucelose é uma infecção provocada por bactérias que é transmitida de animais infectados para o ser humano. “Vai tanto nos ajudar como método diagnóstico a partir do funcionamento de forma efetiva, para os alunos pelo contato com a tecnologia, como também para a universidade porque vai dar uma repercussão”, analisa o docente.

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Das 10 coleiras a serem implantadas, com sensores e colares. O equipamento fica ao redor do pescoço das vacas para uma avaliação contínua. “É uma ferramenta a mais para o diagnóstico, lembrando que ela não substitui o médico veterinário. É uma ferramenta para detectar de forma precoce. A coleira promete a proposta e eles entraram em contato com a gente para testar”, relata o professor Emílio Azevedo. O funcionamento será com o envio de dados da coleira para a nuvem.

“No momento em que a vaca passa na ordenha há a leitura pela internet dos dados do animal, que encaminha para a nuvem que reúne os dados para a interpretação por meio de inteligência artificial. É um software que eu consigo controlar aqui da minha sala para interpretação e predizer qual a patologia que o animal tem”, finaliza o diretor da Fazenda Experimental sobre o projeto que tem indicadores para alertar sobre saúde e doenças das vacas em monitoramento.

*Com informações da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena

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Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena. Foto: Felipe Abreu

Projeto inovador que integra ciência, tradição e desenvolvimento sustentável foi selecionado pela chamada Expedições Científicas da Iniciativa Amazônia+10, conforme divulgado em 2 de dezembro de 2024. Intitulado “Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso”, a proposta está entre as 22 aprovadas (de um total de 191 submetidas), com apoio financeiro de aproximadamente R$ 76 milhões para todo o conjunto de projetos.

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“Trata-se de uma iniciativa que enxerga os povos originários não como beneficiários, mas como protagonistas do desenvolvimento sustentável, respeitando sua autonomia, saberes e formas de organização”, ressaltou a coordenadora Maressa Morzelle. 

O foco do projeto está no aproveitamento integral de frutos e tubérculos nativos da Amazônia Legal, com ênfase em espécies ainda pouco exploradas pela cadeia produtiva convencional. “Ao valorizar os conhecimentos alimentares dos povos originários de Mato Grosso, o projeto busca resgatar práticas tradicionais, fomentar cadeias produtivas locais e, sobretudo, reduzir a insegurança alimentar em territórios indígenas, promovendo soluções de base comunitária e a bioeconomia sustentável”, explicou Morzelle.

De acordo com o pesquisador da Embrapa, Moacir Haverroth, a aprovação do projeto representa um avanço para o desenvolvimento sustentável da Amazônia Legal. “Estamos valorizando recursos naturais e culturais, ao mesmo tempo em que contribuímos com a segurança alimentar e a preservação dos costumes dos originários de Mato Grosso” enfatizou Haverroth.

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Sobre o Projeto 

O projeto será implementado na Terra Indígena (TI) Tirecatinga, território multiétnico composto pelas etnias Terena, Paresí, Nambikwara, Manoki e Rikbaktsa, localizado no município de Sapezal, Noroeste de Mato Grosso. A escolha desse território visa não apenas potencializar os impactos do projeto, como também fortalecer o protagonismo dos povos indígenas na construção de tecnologias sociais e no uso sustentável dos recursos florestais. 

Projeto inovador do Mato Grosso apoia bioeconomia indígena. Foto: Felipe Abreu

Além disso, no decorrer do projeto, serão realizadas expedições científicas às terras indígenas selecionadas voltadas à ampliação do conhecimento sobre a sociobiodiversidade e a biodiversidade amazônica. A pesquisa está organizada em quatro frentes principais: 

  • Levantamento das espécies alimentares utilizadas pelos indígenas;
  • Análise da composição química de frutos;
  • Raízes e tubérculos consumidos localmente;
  • Estudo das propriedades tecnológicas de amidos e farinhas;
  • E a promoção do aproveitamento integral desses ingredientes em preparações típicas.

Entre as atividades previstas, segundo a coordenadora do projeto, destaca-se as oficinas e treinamentos com as comunidades, com o objetivo de incentivar práticas alimentares saudáveis, sustentáveis e conectadas aos saberes tradicionais. “Com isso, pretendemos contribuir para a redução da insegurança alimentar e fortalecer a identidade cultural das populações indígenas da Terra Indígena Tirecatinga”, ressaltou.

Além do trabalho de campo, o projeto também conta com um plano de comunicação que prevê ações de divulgação científica, comunicação participativa e presença na mídia. “Os resultados esperados vão ampliar o conhecimento sobre a sociobiodiversidade local e estimular o desenvolvimento territorial e tecnológico, sempre com foco na melhoria da qualidade de vida dos povos originários e na preservação dos recursos naturais”, destacou Irene Lôbo, coordenadora de comunicação da pesquisa e analista da Embrapa Alimentos e Territórios.

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Todo o trabalho será realizado em diálogo direto com as comunidades, com oficinas participativas, formação técnica local e estratégias para fortalecimento de cadeias da sociobiodiversidade. O projeto também prevê a inclusão dos seguintes representantes de povos indígenas na equipe de pesquisa: Cleide Adriana da Silva Terena, presidente da Associação Thuthalinansu, voltada para mulheres, Silmara Correia da Silva Terena e Suyani Katikitalosu Nambikwara Terena, todas integrantes da associação.

A aprovação do projeto reforça o papel estratégico da UFMT, UFG e Embrapa na promoção da bioeconomia, tema prioritário nas recentes agendas políticas da Amazônia Legal. “É um passo importante na consolidação de um modelo de desenvolvimento que respeita o bioma, valoriza a cultura local e promove segurança alimentar com soberania e justiça”, conclui a coordenadora.

Com duração prevista de 36 meses, o Projeto “Aproveitamento integral de frutos e tubérculos da região da Amazônia Legal – estratégia para fomentar a bioeconomia, resgate de costumes e redução da insegurança alimentar dos povos originários do estado de Mato Grosso” contará com o financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Mato Grosso (FAPEMAT), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (FAPEAL) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG). 

Os responsáveis

Projeto é da da UFMT, UFG e Embrapa, sob coordenação da Professora Dra. Maressa Caldeira Morzelle, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), o projeto conta com a parceria do Pesquisador Dr. Moacir Haverroth, da Embrapa Alimentos e Territórios, e da Professora Dr. Tatianne Ferreira de Oliveira, da Universidade Federal de Goiás (UFG). A equipe multidisciplinar reúne profissionais das áreas de ciência dos alimentos, etnociência, agroecologia, comunicação e políticas públicas, compondo uma frente de pesquisa robusta e sensível aos contextos socioculturais da região. A coordenadora do Projeto destaca que o projeto valoriza os conhecimentos tradicionais e ancestrais, que compõem os saberes dos povos indígenas ainda preservados.

*Com informações da UFMT.

Aplicativo ajuda produtores rurais a gerenciar propriedades em Roraima

Sistema Faerr/Senar apresenta aplicativo que facilita o gerenciamento de propriedades rurais — Foto: Divulgação/Senar

O Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) lançou um aplicativo exclusivo para produtores que recebem Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) da entidade. Com a ferramenta, intitulada “Conecta Produtor”, é possível registrar gastos, acompanhar o desenvolvimento das lavouras, planejar ações futuras e manter um histórico completo da propriedade.

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Vanilza dos Reis é uma das produtoras que utilizam o aplicativo. Na propriedade no PA Nova Amazônia, ela cultiva macaxeira, feijão e batata.

Além da macaxeira e do feijão, ela também cultiva milho verde, melancia, batata-doce e quiabo. Parte da produção é comercializada no município de Boa Vista, por meio de cooperativas e comércios locais. Ela disse sentir um aumento na produtividade, com a chegada da plataforma.

“Antes era mais trabalhoso, porque a gente fazia as anotações tudo no papel. Com o aplicativo, ele já me dá planilha, gráfico, todo o demonstrativo. É muito fácil”, diz Vanilza.

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O Sistema Faerr/Senar lançou, nesta segunda-feira (14), em Roraima, o aplicativo Conecta Produtor — Foto: Divulgação/Senar

No aplicativo Conecta Produtor, o usuário tem acesso direto ao consultor técnico, ao planejamento da safra, às recomendações e aos dados financeiros.

Segundo o Senar, o aplicativo também foi pensado para facilitar a sucessão familiar, ou seja, a continuidade da atividade rural pelas próximas gerações.

“Se o pai e a mãe estão na propriedade hoje, o filho que assumir no futuro vai encontrar todo o histórico no aplicativo, de forma fácil, ágil e sem erros”, explica Amanda Torquato, superintendente do Senar em Roraima.

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Em todo o Brasil, mais de 100 mil produtores rurais já utilizam o Conecta Produtor, segundo o Senar. Em Roraima, são quase 200 usuários.

Apesar de gratuito, o acesso ao aplicativo é restrito a produtores que participam da ATeG. Para isso, é preciso solicitar o acompanhamento junto ao Senar.

“A aceitação foi muito boa. É rápido, ágil, está na palma da mão e é uma tecnologia que não tem mais volta”, afirma Amanda Torquato.

Por Naamã Mourão, Rede Amazônica — Boa Vista