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A cidade do Festribal paraense: descubra 4 curiosidades sobre Juruti

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Juruti, cidade do Festribal. Foto: Reprodução/Facebook-Belezas de Juruti

Localizada no oeste do Pará, às margens do rio Amazonas, a cidade de Juruti guarda em sua essência a mistura viva entre o passado indígena, a tradição religiosa e o avanço econômico. Conhecida nacionalmente por abrigar o Tribódromo, palco do aclamado Festival das Tribos Indígenas de Juruti (Festribal), o município é um verdadeiro polo cultural amazônico.

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A equipe do Portal Amazônia buscou algumas curiosidades sobre Juruti e sua importância histórica para o Pará. Confira:

1. Origem do Nome

De acordo com dados da Câmara Municipal da cidade, o nome ‘Juruti’ tem origem Tupi e significa “colo firme”, em referência ao comportamento da ave Leptotila – que mantém o pescoço ereto durante seu canto. Essas aves eram comuns na região durante a formação do município.

Frente da cidade de Juruti. Foto: Reprodução/Facebook-Belezas de Juruti

2. Formação da cidade

Ainda segundo informações da Câmara, a história de Juruti remonta aos tempos das etnias indígenas Pocós e Kondurís, que habitavam a região do Baixo Amazonas. Mais tarde, registros do naturalista Domingos Soares Ferreira Pena apontam que a atual área urbana surgiu sobre uma aldeia dos indígenas Mundurukus, localizada às margens do Lago Juruti.

Em 1818, missionários Capuchinhos iniciaram o processo de catequese dos povos nativos e fundaram o núcleo do que viria a se tornar a cidade. Sob a liderança do padre Antonio Manuel Sanches de Brito, considerado o primeiro gestor administrativo da vila, foi erguida uma igreja com o apoio da comunidade indígena local e recursos da fazenda pública paraense.

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3. Fenômeno natural

Nas décadas de 1980 e 1990, Juruti enfrentou o fenômeno das terras caídas, que alterou drasticamente sua geografia e afetou a infraestrutura urbana. O evento marcou uma época de dificuldades, mas também de resiliência.

História de Juruti se mistura com a luta dos povos indígenas. Foto: Reprodução/Facebook/Belezas de Juruti

4. Festribal e Tribódromo

O Festival das Tribos Indígenas de Juruti (Festribal) é a principal manifestação cultural da cidade e uma das mais importantes da Amazônia. Realizado no último fim de semana de julho ou no início de agosto, o evento transforma o Tribódromo em uma arena de cores, sons e histórias.

Duas tribos rivais, Munduruku (vermelho e amarelo) e Muirapinima (vermelho e azul), se enfrentam em uma competição artística que mescla dança, música, alegorias e encenações sobre a vida cabocla e os rituais indígenas.

Leia também: Festribal: conheça festa que marca a disputa entre as tribos Munduruku e Muirapinima no Pará

Tribo Munduruku

Fundada em 1993, a Tribo Munduruku nasceu de uma coreografia de inspiração indígena. Representa a ancestralidade guerreira e preserva elementos dos povos originários da região.

Apresentação da tribo Mundukuru. Foto: Reprodução/Prefeitura de Juruti

Tribo Muirapinima

Surgiu em 1994 como resposta à Munduruku. Seu nome homenageia a árvore muirapiranga, abundante às margens do Lago Juruti-Velho.

Apresentação da tribo Muirapinima. Foto: Reprodução/Prefeitura de Juruti

A rivalidade entre as tribos é inspirada por uma lenda local sobre a divisão de um grupo indígena após o nascimento de um curumim com traços distintos.

Marabaixo é usado para ensinar a história afro-amapaense em escola no Amapá

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Foto: João Ataíde/Arquivo pessoal

A ancestralidade do Marabaixo está sendo usada como forma de ensinar a história afro-amapaense para alunos da escola Professora Maria Esmeralda, no município de Amapá, distante cerca de 303 quilômetros de Macapá. Mais de 50 alunos participam do projeto, que ocorre desde 2023.

Leia também: Conheça história do Marabaixo, manifestação cultural ancestral do Amapá

A dança, que é considerada patrimônio cultural imaterial do Brasil pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), carrega traços da tradição quilombola no estado e valoriza as raízes da floresta amapaense.

Unindo essas características, o corpo docente da unidade de ensino estadual busca aproximar os alunos e aplicar a lei que torna obrigatório o ensino de história e cultura afro-brasileira nas escolas desde 2003.

O professor de história, João Ataíde, um dos idealizadores do projeto, afirma que a escola tinha muitos problemas inter-raciais, em alguns casos os alunos não se reconheciam como parte destas raízes afros, fato que, segundo ele, mudou após a aplicação da metodologia de ensino.

“A Escola Maria Esmeralda era vista como uma escola problemática de relações inter-raciais. Então esse grupo de Marabaixo há dois anos vem trabalhando essa integração entre os alunos, ou seja, é o Marabaixo pelo viés da educação. É uma forma pedagógica de unir esses garotos. E muitos, às vezes, não têm a vontade de ir para a aula porque não encontram uma escola atrativa, e esse grupo de Marabaixo está sendo atrativo para as crianças. Podia ser um time de futebol, um time de handebol, um time de basquete, mas o grupo de Marabaixo tem sido esse canal entre a educação e a cultura que se integra a partir do olhar da pedagogia”, destacou Ataíde.

Foto: João Ataíde/Arquivo pessoal

A vestimenta é variada. Seja trajando o uniforme escolar ou com as roupas características da dança, os alunos formam rodas e cantam os ladrões de Marabaixo [músicas que entoam a dança]. (veja vídeo no inicio desta matéria).

Os passos são acompanhados pelos ladrões que falam sobre a luta do povo quilombola no Amapá, sobre suas essências e modo de viver. Dessa forma, os alunos aprendem a partir da dança como os povos que vieram antes deles contribuíram para a formação da sociedade atual.

“A proposta pedagógica envolve oficinas de dança, percussão e história do Marabaixo, proporcionando um ensino interdisciplinar que valoriza a cultura popular e amplia a visão dos estudantes sobre sua própria ancestralidade”, ressalta o professor João.
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Foto: João Ataíde/Arquivo pessoal

A aluna Ana Paula, é uma das cantoras do grupo. Ela junto ao colegas “puxam” os ladrões. A estudante destaca que hoje se identifica com a cultura marabaxeira. “Eu me identifico muito com o Marabaixo. Hoje eu gostaria de agradecer meus professores por me apresentarem o projeto, eu entrei no ano passado [2024] e tive muito apoio deles e da minha família”, disse Ana.

Os alunos se apresentaram no Centro de Cultura Negra, localizado na área central de Macapá, durante a apresentação da programação do Ciclo do Marabaixo 2025, nos dias 11 e 12 de abril.

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Ciclo do Marabaixo 2025

A celebração existe há mais de 100 anos e iniciou oficialmente dia 19 de abril, no Sábado de Aleluia, e segue até o Domingo do Senhor, em 22 de junho.

Neste ano, a programação homenageia o centenário de Benedita Guilherma Ramos, a Tia Biló, matriarca do marabaixo do Laguinho que faleceu em 2021, aos 96 anos.

Veja mais: 3 características curiosas para conhecer o Marabaixo, dança tradicional do Amapá

Foto: Gabriel Penha/ Fundação Marabaixo

Como parte da programação, pelo terceiro ano consecutivo, vai funcionar a Central do Ciclo do Marabaixo, espaço montado no Centro de Cultura Negra, no Laguinho.

As rodas de marabaixo serão realizadas nos barracões Associação Raimundo Ladislau, Associação Zeca e Bibi Costa, Santíssima Trindade da Casa Grande, União Folclórica de Campina Grande, Berço do Marabaixo, Marabaixo do Pavão e Raízes da Favela Dica Congó.

Ciclo do Marabaixo no Amapá — Foto: Gabriel Penha/ Fundação Marabaixo

*Por Mariana Ferreira, da Rede Amazônica AP

Amazônia e o PRDA 2024-2027

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Foto: Augusto Miranda/Agência Pará

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

O Plano Regional de Desenvolvimento da Amazônia – PRDA 2024-2027, aprovado pelo Conselho Deliberativo da Sudam por meio da Resolução/Condel n.106, de 04 de agosto de 2023, é o instrumento de planejamento do desenvolvimento regional de referência que norteia as ações da Sudam, elaborado em consonância à Política Nacional de Desenvolvimento Regional (PNDR), com as Agendas Macrorregionais, com o PPA federal e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável – ODS. O foco central do Plano: tornar-se “instrumento de planejamento capaz de promover a redução das desigualdades regionais através da geração de emprego e renda, do crescimento econômico, da qualidade de vida e da internalização da riqueza regional”.

O PRDA 2024-2027 parte de um diagnóstico da região e a incorporação das demandas e anseios da sociedade amazônica calcados nos programas e projetos necessários à transformação regional no curto, médio e longo prazo. Nele, ressalta o documento, a sociobiodiversidade ganha relevância como elemento de propulsão do desenvolvimento endógeno associado à ciência, tecnologia e inovação. O Plano reveste-se de “uma perspectiva multidisciplinar, voltada para resultados, de atenção a características multiescalares e transversais, baseada em evidências, além de outros aspectos relevantes”. O documento contempla aspectos ambientais, econômicos, sociais e tecnológicos, com a construção de uma proposta de intervenção estruturada baseada nos indicadores que mostram maior criticidade na região, em diretrizes de documentos estratégicos para a Amazônia, nas orientações de instituições líderes do processo, bem como na legislação vigente, chegando a uma definição de projetos estruturantes pactuados entre os entes federativos.

O PRDA 2024-2027 considera a diversidade da região amazônica em seus múltiplos aspectos, que tem ganhado maior atenção internacional nos últimos anos, bem como um elemento de discussão da sociedade e da classe política brasileiras, que têm pautado agenda pública sobre os rumos necessários para conduzir o desenvolvimento da região. Leva em conta, adicionalmente, estudos da amazonóloga Bertha Becker da década de 1980, segundo os quais “o olhar internacional para a Amazônia é alterado e há o reconhecimento da questão ambiental como fator relevante que vem ganhando mais intensidade internacionalmente. Além da questão ambiental, observam-se “outras pautas desafiadoras na região da Amazônia Legal como, por exemplo, a infraestrutura logística, que ao longo de muitos anos necessita de maior integração entre os modais de transporte, bem como de maiores investimentos em projetos capazes de trazer maior conexão sócio-econômica e geopolítica”.

Há de se ressaltar desta forma o comprometimento do PRDA 2024-2027 “como elemento norteador e catalisador de políticas públicas a espelhar anseios dos governos e da sociedade regional, ao tempo em que oriente ações estratégicas do governo federal na região”. Baseados nos princípios de sustentabilidade, inclusão social e governança compartilhada, “o PRDA 2024-2027 foi elaborado em consonância com os principais instrumentos de planejamento existentes, como a Estratégia Federal de Desenvolvimento – EFD, a Política Nacional de Desenvolvimento Regional – PNDR, a Agenda 2030 e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Plano Plurianual (PPA) da União para 2024- 2027, além de observar as propostas presentes nos planejamentos estaduais e Consórcio Interestadual da Amazônia Legal”.

De acordo com o superintendente da Sudam, Paulo Roberto Rocha, “espera-se que o Plano amplifique o desempenho das mais diversas políticas públicas que são promovidas na Amazônia, por meio da criação de sinergias e alinhamentos institucionais, visando à maior eficiência e efetividade dos recursos públicos, considerando os diferentes setores sociais, da atividade econômica e da atuação do Estado brasileiro”. O sonho maior do homem amazônico, cansado de falsas e estéreis promessas.

No tocante à economia do estado do Amazonas, as transformações preconizadas no PRDA e em diversos outros estudos passam pela reconfiguração do modelo Zona Franca de Manaus . Nesse sentido a ZFM, para ajustar-se aos padrões tecnológicos internacionais, particularmente à Indústria 4.0, deverá, ao que suponho, sofrer duas importantes transformações em relação à sua atual matriz econômica sustentada pela integração PIM/Bioeconomia, via exploração sustentável dos recursos da biodiversidade. Avanço que permitirá a geração de nova matriz econômica, complementada por uma plataforma de exportações, que, por sua vez, irá gerar divisas para sustentar as importações do Polo Industrial e das demais cadeias produtivas que deverão se desenvolver por meio dessa simbiose. A única forma, saliente-se, de garantir a perenização do modelo e a sustentabilidade econômica do Estado, aliada à preservação ambiental, objeto de desejo de 100% da comunidade amazônica.Quimera, sonho, utopia?

Não, pura realidade. A propósito, vale a pena repetir a sabedoria chinesa: a melhor época de se plantar uma árvore foi há 20 anos; a segunda melhor época é agora!

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Cartilhas sobre negócios comunitários indígenas apoiam gestão de suas iniciativas econômicas

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Negócios comunitários indígenas. Foto: Divulgação/FAS

O Instituto Conexões Sustentáveis, em parceria com WWF-Brasil, lançou as Cartilhas de Gestão de Negócios Comunitários Indígenas, com versões em português e traduzidas para os idiomas Kawaiwete, Nheengatu e Munduruku. O material, que contou com o apoio do Projeto Saúde Alegria, tem o objetivo de apontar caminhos para a gestão das iniciativas econômicas lideradas por cinco comunidades tradicionais, localizadas nos estados de Mato Grosso e Pará.

O conteúdo, disponível no site, considerou as principais características de cada povo e as peculiaridades dos produtos comercializados, trazendo informações sobre temas como planejamento, operação, monitoramento e avaliação, comunicação, engajamento e participação social.

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As Cartilhas – Caminhos para a Gestão de Negócio Comunitário Indígena serão distribuídas para as comunidades: Associação de Mulheres Munduruku Wakoborun (Pará), Associação Indígena Kawaiwete (Mato Grosso), Aldeia Vista Alegre do Capixauã (Pará), Coletivo Munduruku Poy (Pará) e Associação de Moradores Agroextrativistas e Indígenas do Tapajós (Pará).

Para Marlena Soares, assessora de negócios comunitários da Conexsus, o caderno de gestão de negócio comunitário indígena é uma das iniciativas que podem encorajar os membros no negócio comunitário a serem resilientes. “As Cartilhas foram elaboradas com o olhar voltado para o público-alvo, devendo, portanto, refletir a identidade cultural de cada etnia do projeto. Cada detalhe foi cuidadosamente planejado, como a linguagem simples, os desenhos da cadeia de valor e a tradução na língua, para que ao abrir o caderno, se sintam acolhidos e motivados a colocar em prática as dicas de gestão oferecidas”.

Leia também: Tecnologia social: conheça a plataforma com sete Dicionários para Línguas Indígenas

Negócios comunitários indígenas. Foto: Reprodução/Coletivo Cultural – Cidade e Cultura

Para Andressa Neves, analista de conservação da WWF-Brasil, “É fundamental estabelecer processos que estejam pautados na importância da adaptação de ferramentas e conteúdos para realidades diversas. Essa parceria operou sobre essa premissa, para que esses instrumentos sejam utilizados e alcancem as transformações desejadas”.

Leia também: Cartilha inédita no Amazonas ensina como produzir tintas naturais com plantas da floresta

Sobre a Conexsus

O Instituto Conexões Sustentáveis – Conexsus atua na promoção da conexão dos negócios comunitários com os mercados, sejam locais, regionais, nacionais ou internacionais, disponibilizando acesso a investimentos financeiros customizados para apoiar a estruturação dos arranjos comerciais e viabilizar as operações.

Negócios comunitários indígenas. Foto: Reprodução/Coletivo Cultural – Cidade e Cultura

Leia também: Cartilha educativa aponta importância da preservação das praias no Pará

Sobre o WWF-Brasil

O WWF-Brasil é uma ONG brasileira que há 28 anos atua coletivamente com parceiros da sociedade civil, academia, governos e empresas em todo país para combater a degradação socioambiental e defender a vida das pessoas e da natureza. Estamos conectados numa rede interdependente que busca soluções urgentes para a emergência climática. Conheça: wwf.org.br

Leia também: Cartilha oferece orientações sobre primeiros socorros para populações ribeirinhas

Ribeirinhos recomeçam a vida após cheia do Rio Madeira

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Um trator solitário testemunha o que restou da roça, marcando o fim de uma safra levada pela enchente/Rosinaldo Machado

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

A Semana Santa chegou trazendo fé, mas também um sopro de esperança para os ribeirinhos do Vale do Madeira. Por meses, o Rio Madeira transbordou, imponente e implacável, subindo sobre casas, plantações e memórias, sem pressa de recuar. Mas, nesta segunda-feira, feriado de 21 de abril, enfim, começou a ceder. Seus 90 centímetros a menos no nível da água foram recebidos como um primeiro respiro, um sinal de que a vida pode, aos poucos, retomar seu curso.

Nas margens enlameadas, os ‘beradeiros’ — como são conhecidos os moradores da região — observam a paisagem transformada. O cenário é de destruição: casas marcadas pela força da correnteza, hortas e roças que antes garantiam o sustento agora reduzidas a barro, animais que não resistiram ao avanço das águas. São cerca de 390 famílias que veem seus lares como terrenos a serem reconstruídos, suas vidas como histórias que precisam recomeçar.

Casa tomada pela lama no distrito de Nazaré, um símbolo do desafio pós-cheia. Foto: Rosinaldo Machado

Mas há pouco tempo para lamentar. Com o alívio, vem também o desafio. O trabalho pesado começa antes mesmo que as águas se retirem por completo. Limpar, recuperar, proteger-se. A Prefeitura de Porto Velho e o Governo do Estado mobilizam esforços: há assistência médica, apoio social, distribuição de cestas básicas, água potável e hipoclorito. É um socorro que alivia, mas não resolve todas as dores.

Agora, a grande preocupação se chama pós-cheia. A água pode ter recuado, mas deixou para trás riscos invisíveis: dengue, malária, leptospirose. O temor das epidemias faz a Defesa Civil da prefeitura montar um Gabinete de Crise, enquanto o Governo do Estado promete um auxílio de R$ 3 mil, parcelado em três vezes, para os atingidos. Tudo depende do cadastramento correto das famílias, uma burocracia necessária para que a ajuda chegue onde deve.

Fé entre as águas – Em frente à capela de Nazaré, o rio começa a ceder espaço, devolvendo aos moradores um pouco de terra firme. Foto: Rosinaldo Machado.

Ainda assim, a força dos ribeirinhos é maior que qualquer cheia. Não importa quantas vezes o Madeira avance, eles sempre voltam. Limpam, plantam, constroem, reerguem. A resiliência pulsa forte em cada olhar determinado, em cada mão calejada pela luta. Afinal, viver ali é entender que tudo pode ser levado, menos a coragem de recomeçar.

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Em rara aparição, câmeras flagram filhotes de ariranha em área de monitoramento no Pará; vídeo

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Em rara aparição, câmeras flagram filhotes de ariranha. Foto: Helder Lana

Pela primeira vez, filhotes de ariranha foram flagrados por câmeras que fazem o monitoramento da fauna na área do Reservatório Intermediário da Usina Hidrelétrica Belo Monte, no Pará. Além de indicar que o meio ambiente está saudável, o registro é considerado raro porque a espécie é sensível à presença humana, principalmente no período de criação dos filhotes.

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O vídeo, gravado por câmeras camufladas, mostra com riqueza de detalhes as ariranhas, também conhecidas como “onça-d ‘água”, “lontra-gigante” e “lobo-do-rio”. É possível ver quando duas ariranhas adultas se aproximam da toca, de onde logo surgem dois filhotes e outra ariranha adulta. Desde 1999 a espécie está classificada como “vulnerável à extinção” pelo Ministério do Meio Ambiente (MMA).

“A presença de filhotes de ariranha na área de influência de Belo Monte indica que o ambiente está saudável, oferecendo condições reais para a reprodução de uma espécie sensível e vulnerável à extinção. É um indicativo claro de que as ações de conservação implementadas pela empresa estão dando resultado”, explica Roberto Silva, Gerente de Meios Físico e Biótico da Norte Energia, concessionária da hidrelétrica. 

Leia também: Conexões Selvagens: conheça como alguns animais amazônicos se comunicam e estabelecem laços afetivos

Além do belo flagrante, a aparição dos filhotes foi celebrada pelos biólogos por ter ocorrido no reservatório artificial de 119 km², criado pela usina, e que integra a Área de Preservação Permanente protegida. O acesso é restrito, o que torna a região propícia para o abrigo e a reprodução da fauna silvestre.

Há 13 anos, a Norte Energia desenvolve, como parte do licenciamento ambiental de Belo Monte, um projeto de monitoramento de mamíferos aquáticos e semiaquáticos que vivem no rio Xingu, no entorno da hidrelétrica. O objetivo do trabalho é mapear e estudar estes animais e promover ações de conservação das espécies ameaçadas. 

Em rara aparição, câmeras flagram filhotes de ariranha. Foto: Helder Lana

Considerado um case de sucesso, o projeto foi selecionado pelo Ibama para ser apresentado durante um seminário, no começo de abril. Até o momento, a equipe envolvida no monitoramento registrou imagens de 280 ariranhas. Além do acompanhamento, a empresa compartilha os dados coletados com instituições científicas e organizações voltadas à conservação da biodiversidade e realiza campanhas de sensibilização junto à comunidade local para proteção das ariranhas e de outros animais do Xingu.

Leia também: Pesquisa com ariranhas busca compreender estado de conservação da espécie no Amazonas

Ariranha: importante para o equilíbrio do ecossistema

Em rara aparição, câmeras flagram filhotes de ariranha. Foto: Helder Lana

A ariranha é um mamífero semiaquático que está no topo da cadeia alimentar e exerce papel fundamental no equilíbrio do ecossistema, pois ajuda no controle populacional de outras espécies. Ela é uma caçadora eficiente. Também é um animal altamente social. Na região do Xingu, as ariranhas vivem em grupos de dois a dez indivíduos e todos os adultos ajudam na criação dos filhotes.

A ariranha é um animal especialmente barulhento, com um complexo repertório de vocalizações. A espécie ocorre apenas na América do Sul e se alimenta principalmente de peixes. Seu toque aveludado tornou a ariranha muito procurada pelos comerciantes de peles, o que contribuiu para o risco de extinção.

Leia também: Ariranhas começam a desaparecer no Parque Estadual do Cantão e preocupam especialistas

Francisco: o papa que olhou para a Amazônia e seus ribeirinhos

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Papa Francisco durante sermão na missa de abertura do Sínodo da Amazônia, no Vaticano. — Foto: Tiziana Fabi/AFP

“O nosso sonho é de uma Amazônia que integre e promova todos os seus habitantes, para poderem consolidar o bem viver. Mas impõe-se um grito profético e um árduo empenho em prol dos mais pobres.” É assim que o papa Francisco começou a exortação Querida Amazônia, escrita por ele após o Sínodo para a Amazônia em 2019. O pontífice, que morreu nesta segunda-feira (21), ficou conhecido pelo apelo à preservação do bioma e foi uma das vozes mais ativas contra o desmatamento ilegal na região.

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Em 2017, quatro anos após o início do seu pontificado, Francisco impressionou fiéis do mundo inteiro ao convocar, pela primeira vez, um sínodo dedicado à Amazônia. O encontro aconteceu em Roma dois anos depois e reuniu representantes de todos os países da Amazônia Legal, incluindo bispos, padres e religiosos da Amazônia Brasileira.

O padre Amarildo Luciano, reitor do Santuário Nossa Senhora Aparecida, em Manaus, e um dos convidados a participar do Sínodo, descreveu o encontro com o pontífice.

“Durante a assembleia, o papa se fazia presente e escutava com atenção todas as intervenções. Ele próprio confirma na introdução da exortação “Querida Amazônia”: “Ouvi as intervenções ao longo do Sínodo e li, com interesse, as contribuições dos Círculos Menores” (QA, 2). Ele esteve no Peru. Aliás, foi durante a sua estada na Amazônia que ele indicou a sua intenção de convocar o sínodo. Gostaríamos muito que ele tivesse visitado a parte da Amazônia brasileira, mas infelizmente isso não aconteceu, por diversos fatores”.

Papa Francisco com os participantes da assembleia especial do Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia — Foto: Divulgação/Vatican News

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O religioso destacou a preocupação do papa com os ribeirinhos. Segundo ele, o líder da Igreja Católica se importava não apenas com a região, mas com a qualidade de vida dos povos que habitam o bioma.

“Outros papas, é claro, já tinham demonstrado atenção para com a nossa região. O papa Paulo VI afirmou que “Cristo aponta para a Amazônia”. O papa João Paulo II esteve nos visitando, inclusive. Mas o papa Francisco demonstrou especial preocupação com a qualidade de vida dos povos que vivem na Amazônia: os povos originários e os ribeirinhos”, descreveu.

“O Papa Francisco nos despertou ainda mais para o compromisso que devemos ter com essa região rica e de pessoas pobres. E nos convida a estarmos próximos às populações mais vulneráveis”, continuou.

Para o padre, o papa também convocou toda a Igreja a refletir sobre a ecologia integral e como ela impacta a evangelização. Ainda de acordo com ele, o pontífice desejava abrir mais espaço dentro da Igreja para todos os cristãos batizados, inclusive as mulheres.

“Eu diria que participar do sínodo foi uma oportunidade de entender como o Papa compreende a Igreja como povo de Deus. Não podemos compreender a Igreja somente a partir da hierarquia. A Igreja são todos os fiéis batizados”.

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Papa Francisco durante o Sínodo da Amazônia, no Vaticano — Foto: Remo Casilli/Reuters

Primeiro cardeal da Amazônia

A atenção de Francisco pela Amazônia foi tão grande que, em agosto de 2022, ele nomeou o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, como o primeiro cardeal da Amazônia Brasileira.

Dom Leonardo Steiner durante ida ao Vaticano em 27 de agosto de 2022 — Foto: Remo Casilli/REUTERS

Na época, logo após o anúncio, Steiner afirmou que o papa estava preocupado com o desmatamento, com as ameaças às culturas indígenas e com a poluição dos rios causada pelo uso de mercúrio em garimpos ilegais na região.

“A nomeação de um cardeal da Amazônia mostra o desejo do papa de aproximar a Igreja da Amazônia”, disse Steiner.

Saiba mais: Quem é Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus que irá participar do conclave

Papa Francisco

Nascido em 17 de dezembro de 1936 em Buenos Aires, na Argentina, Francisco foi o primeiro papa latino-americano da história. Ele também foi o primeiro pontífice da era moderna a assumir o papado após a renúncia do seu antecessor e, ainda, o primeiro jesuíta no posto.

À frente da Igreja Católica por quase 12 anos, Francisco foi o papa número 266. Em 13 de março de 2013, durante o segundo dia do conclave para eleger o substituto de Bento XVI, Bergoglio foi escolhido como o novo líder – inclusive contra a sua própria vontade, segundo ele mesmo admitiu.

“O Bispo de Roma, Francisco, retornou à casa do Pai. Toda a sua vida foi dedicada ao serviço do Senhor e de Sua Igreja. Ele nos ensinou a viver os valores do Evangelho com fidelidade, coragem e amor universal, especialmente em favor dos mais pobres e marginalizados. Com imensa gratidão por seu exemplo como verdadeiro discípulo do Senhor Jesus, recomendamos a alma do Papa Francisco ao infinito amor misericordioso do Deus Trino”, diz comunicado oficial emitido pela Santa Sé.

Francisco se recuperava de uma pneumonia nos pulmões após ficar internado por cerca de 40 dias.

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Por Matheus Castro, g1 AM — Manaus/AM








COP30: Diagnóstico climático é fundamental para a mitigação e adaptação dos municípios às mudanças no clima

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A COP será realizada entre 10 e 21 de novembro de 2025. Foto: agência pará

O uso da Inteligência Climática aplicada às estratégias de mitigação das mudanças climáticas desponta como uma importante medida para a prevenção dos impactos causados às cidades pelos fenômenos climatológicos intensos. Demonstração disso é que a utilização dessa ferramenta será parte do Programa Cidades Modelos Verdes Resilientes, do governo federal, que dará apoio técnico a 50 municípios brasileiros para desenvolverem duas ações de alto impacto climático.

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“Isto confirma que o uso dos dados e as análises inteligentes e preditivas tornaram-se fundamentais quando se fala em mitigar e prevenir os impactos das mudanças climáticas” destaca Patricia Madeira, CEO da Climatempo, a maior e mais reconhecida empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo da América Latina, em cuja avaliação o uso de dados é um grande escudo na guerra contra o impacto das mudanças climáticas, e ganha relevância ainda maior frente à proximidade da COP30, no País.

A COP30 será um momento decisivo para reforçar o compromisso global com a transição energética e garantir que o Brasil aproveite todo o seu potencial em energias renováveis. A Climatempo, que é referência em meteorologia aplicada, entende que a integração entre previsão climática e planejamento energético será um diferencial competitivo para o País. “Estamos diante de uma oportunidade única de liderar esse processo e demonstrar ao mundo como ciência, tecnologia e inovação podem transformar desafios climáticos em soluções sustentáveis”, ressalta Patricia.

Saiba mais: Portal Amazônia responde: o que é a COP 30?

O evento reunirá líderes internacionais, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir como os países, especialmente o Brasil, podem avançar na redução das emissões de gases de efeito estufa e garantir maior resiliência climática por meio de soluções energéticas sustentáveis.

De acordo com a Climatempo, no ritmo atual, ainda que seja possível reduzir as emissões de gases de efeito estufa, o limite de até a 1,5ºC de aumento na temperatura global até 2030 já foi alcançado, e será inevitável que o planeta siga sofrendo ainda por conta das mudanças climáticas. Daí a necessidade de se pensar em alternativas para lidar com o problema.

Isso significa que os municípios vão precisar de um diagnóstico detalhado da situação climática local, além de análises e insights para traçar suas estratégias de mitigação e adaptação dos riscos climáticos, o que justifica a decisão do governo de incluir esta ferramenta de inteligência climática no programa.

Leia também: COP 30: soluções sustentáveis devem liderar agenda climática, dizem especialistas

Imagens de Satélite. Fonte: climatempo

Por meio de serviços de inteligência climática, a Climatempo desenvolveu um conjunto de recursos para a realização de um diagnóstico detalhado e preciso da situação climática local. O objetivo é auxiliar os gestores públicos na elaboração de recomendações estratégicas, dando aos municípios as condições que precisam para desenvolver ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas com base no uso de dados.

É o caso, por exemplo, do SMAC (Sistema de Monitoramento e Alerta Climatempo). A ferramenta garante uma análise aprofundada das informações do clima, baseada em dados históricos de qualidade e realizada por meteorologistas especializados da Climatempo.

🌱💻 Saiba mais sobre a COP30 aqui

Além da transição para fontes limpas, a segurança energética será um dos pilares centrais das discussões durante a COP30. A necessidade de tornar o fornecimento de energia mais estável e resiliente frente a eventos climáticos extremos, como secas prolongadas e tempestades severas, está no radar das autoridades. “O planejamento energético precisará considerar cada vez mais a influência das mudanças climáticas para evitar crises de abastecimento e impactos na economia”, completa Patricia.

Além disso, as áreas de Operação e Manutenção (O&M) nas empresas desempenham um papel fundamental nesse cenário. No curto prazo, serviços de O&M utilizam o SMAC para monitoramento contínuo e emissão de alertas meteorológicos, garantindo uma resposta rápida a eventos climáticos adversos. Já no planejamento de longo prazo, relatórios climáticos e previsões para os próximos meses auxiliam na definição de estratégias mais eficientes para a geração e distribuição de energia.

Sobre a Climatempo

A Climatempo é a maior e mais reconhecida empresa de consultoria meteorológica e previsão do tempo do Brasil e da América Latina, oferecendo soluções personalizadas para diversos setores da economia. Com tecnologia avançada e uma equipe de especialistas altamente qualificada, a empresa fornece previsões precisas e análises climáticas estratégicas para auxiliar na tomada de decisão em segmentos como energia, infraestrutura, agronegócio, setores públicos, entre outros. Para o público em geral, fornece informações sobre o clima por meio do seu website e aplicativos. Juntos, esses canais alcançam, em média, 20 milhões de usuários mensalmente, além de disponibilizar boletins com previsão do tempo para diversos veículos de comunicação, como Globo, BandNews, Record TV, Canal Rural, entre outros.

Comprometida com a inovação, foi a primeira empresa privada a oferecer análises climáticas customizadas no mercado brasileiro e, em 2015, instalou o LABS Climatempo no Parque de Inovação Tecnológica de São José dos Campos (SP), para atuar na pesquisa e no desenvolvimento de soluções para tempo severo, energias renováveis (eólica e solar), hidrologia, comercialização e geração de energia, navegação interior, oceanografia e cidades inteligentes.

Fundada em 1988, a Climatempo foi adquirida, em 2019, pela StormGeo, empresa líder global em serviços de inteligência meteorológica e suporte à decisão, sediada na Noruega, com presença em 26 países e 550 funcionários, e que, desde 2021, integra o grupo Alfa Laval, líder global no fornecimento de produtos nas áreas de transferência de calor, separação e manuseio de fluidos.

*Com informações da climatempo

Papa Francisco já foi presenteado com obra de artista plástica rondoniense

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Papa Francisco é presenteado com obra de artista plástica rondoniense — Foto: Edina Costa

A morte do Papa Francisco trouxe à memória um momento muito especial na vida da artista plástica Edina Costa. A rondoniense teve a honra de ver uma de suas obras sendo entregue ao líder da Igreja Católica.

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A entrega do quadro foi feita em junho de 2022 pelo bispo Dom Benedito Araújo, de Guajará-Mirim (RO). Edina contou que se emocionou muito ao saber que sua pintura foi parar nas mãos do papa e que aquele gesto fez ela pensar sobre como a arte pode marcar a vida das pessoas.

“Estava nas mãos do papa uma pintura feita por mim. Chorei de emoção, me ajoelhei e agradeci a Deus por ter me proporcionado um momento tão abençoado. Que nem nos meus melhores sonhos eu havia sonhado”, lembrou ela.

Papa Francisco é presenteado com obra de artista plástica rondoniense — Foto: Edina Costa

Segundo a artista, a pintura retrata o papa sobre a Catedral Nossa Senhora dos Seringueiros, em Guajará-Mirim (RO), sua cidade natal. Na obra, o pontífice segura uma pomba pousada em uma das mãos, representando proteção e esperança para a comunidade.

Ao pintar a imagem do papa, Edina contou que teve a sensação de estar espalhando pelo mundo as mensagens de amor e solidariedade que ele sempre defendeu. Hoje, ela se sente ainda mais grata por ter vivido um momento tão especial.

“Ao reproduzir sua imagem em uma pintura, senti que estava não apenas capturando sua essência, mas também transmitindo suas mensagens de amor e solidariedade ao mundo”, disse.

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Morte de papa

Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, morreu aos 88 anos às 2h35 pelo horário de Brasília, 7h35 pelo horário local, desta segunda-feira (21). O pontífice ocupou o cargo máximo da Igreja Católica por 12 anos.

Francisco se recuperava de uma pneumonia nos dois pulmões, quadro que o manteve internado por cerca de 40 dias. Há um mês, ele teve alta e estava sob cuidados médicos. O papa chegou a aparecer publicamente no domingo (20) de Páscoa para abençoar milhares de pessoas na Praça de São Pedro.

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Edna Costa

Residente em Nova Mamoré, município na fronteira do Brasil com a Bolívia, Edina é autodidata. Desde 2010, ela produz as pinturas em óleo sobre tela que já a levaram a diversas mostras de destaque regional, ao Museu Nacional da República, em Brasília (DF) e o famoso Museu do Louvre, em Paris (França).

Artista plástica Edina Costa de Rondônia expôs em Paris, França. Foto: Divulgação

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Trajetória

A história de Edina Costa com a arte iniciou aos 26 anos. Por causa das dificuldades financeiras e por almejar mudar de vida, ela começou a fazer pequenos artesanatos para complementar a renda da família.

Foi quando surgiu a vontade de pintar. Como não tinha dinheiro para comprar os materiais de pintura, ganhou de presente quatro cores de tinta e uns pincéis. Sua primeira tela foi pintada em um “fundo de gaveta”.

Os pincéis não saíram mais das mãos de Edina e foram eles que a fizeram ser convidada para uma exposição na capital de Rondônia. Daí em diante os convites não pararam mais.

Suas obras são inspiradas na vida e nas belezas da Amazônia, com forte presença de expressões e olhares dos povos indígenas, da fauna e flora. Seu principal desejo é retratar de forma sensível o respeito à natureza e despertar o observador para necessidade da preservação.

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Por Mateus Santos, Amanda Oliveira, g1 RO

Quem é Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus que irá participar do conclave

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Dom Leonardo Ulrich Steiner. Foto: https://diocesedecrato.org/

Anunciado pelo Papa Francisco como novo cardeal da Igreja Católica no dia 29 de maio de 2022, o arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, é o primeiro cardeal da Amazônia brasileira. Durante o anúncio feito no Vaticano, além de Steiner, o papa também nomeou o arcebispo de Brasília, Dom Paulo César.

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Dom Leonardo Ulrich Steiner tomou posse como arcebispo de Manaus em janeiro de 2020. Ele assumiu o cargo ocupado por Dom Sergio Castriani desde 2013. Até então, Steiner atuava como chefe da igreja local como bispo auxiliar de Brasília.

Além disso, Dom Leonardo já foi duas vezes secretário-geral da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Dom Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, durante uma celebração de missa. — Foto: Reuters

O novo cardeal nasceu em 6 de novembro de 1950 em Forquilhinha, Estado de Santa Catarina, na diocese de Criciúma (Brasil). Fez sua profissão religiosa na Ordem dos Frades Menores em 2 de agosto de 1976 e foi ordenado sacerdote em 21 de janeiro de 1978.

Estudou Filosofia e Teologia nos Franciscanos de Petrópolis; é bacharel em Filosofia e Pedagogia pela Faculdade Salesiana de Lorena. Obteve a licenciatura e o doutorado em Filosofia na Pontifícia Universidade Antonianum de Roma.

Seu lema episcopal é ‘Verbum caro factum” que quer dizer “Verbo feito carne”.

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Título de Cidadão de Manaus 

O arcebispo metropolitano de Manaus, cardeal Dom Leonardo Steiner recebeu no dia 26 de junho de 2024, o “Título de Cidadão de Manaus”, em sessão solene no plenário Adriano Jorge, na Câmara Municipal de Manaus (CMM). 

Por meio do decreto legislativo 632 de 2024 e como reconhecimento pelo relevante serviços prestados à sociedade manauara, Dom Leonardo Steiner recebeu a placa de Cidadão de Manaus.

‘Se eu não estivesse na Amazônia, não seria cardeal’, foi com essas palavras que Dom Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus começou o discurso de agradecimento por receber o título de Cidadão de Manaus.

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Dom Leonardo recebe título de cidadão amazonense. Foto: Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM).

“A nossa cidade é viva, não é um lugar geográfico. O lugar nos diz, nos constrói, nos oferece um pensamento distinto. No morar ‘obramos’, pois no fazer obra, ‘moramos’, pois construir já é, em si mesmo morar e viver. Morar é pertencer e pertencer é ser. Sei que não advêm de um título, mas o título pode despertar para melhor morar, trabalhar, construir, participar, transformar. Receber o título responsabiliza o ‘morar’, por isso, o ‘pertencer’. Pelo morar, construir e trabalhar.

O poeta da liberdade amazonense nos oferece esse modo de ‘obrar’. Que o Pão encontre na boca o abraço de uma canção construída com o trabalho. Que a fome fatigada de um suor que corre o rosto, que o pão do dia não chegue sabendo do trave de luta e o troféu da humilhação. Que seja a benção da flor festivamente polida porque deu ajuda ao chão. Mais do que flor seja fruto que maduro se oferece sempre ao alcance da mão, da minha e da tua, construímos juntos.

A cidade apoliteia acontece no ‘obrar’ de muitas mãos. Tocar ao alcance da mão o ‘Pão da cultura’, da educação, da saúde, da justiça, do lazer, da arte da paz, da partilha do pão ‘Pao’. As estrelas, na escuridão da noite iluminam nosso sentido de pertencimento, de orientação na imensidão do firmamento. E nos situam no centro e vão revelando nossa imensidão no sentido de habitar no mundo. Quem vive no interior já olhou para o céu e viveu essa experiência. Na cidade, luzes artificiais podem ofuscar o olhar ascendente, levando ao esquecer o nosso morar e construir, até podem nos desterrar. Mas, porque morarmos e no morar operamos na imensidão da fé, nos oferece a suavidade e a força do reino de onde ‘Somos todos irmãos e irmãs’ como os mesmos direito e deveres. E que nos foi dado o iluminar, não com luzes artificias, mas com a luzes de Belém. Grato por oficialmente poder dizer que sou manauara. Obrigado”, concluiu Dom Leonardo Steiner, arcebispo metropolitano de Manaus.

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O primeiro cardeal da Amazônia

Dom Leonardo Steiner com o Papa Francisco. Foto: Vatican News

A atenção de Francisco pela Amazônia foi tão grande que, em agosto de 2022, ele nomeou o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, como o primeiro cardeal da Amazônia Brasileira.

Na época, logo após o anúncio, Steiner afirmou que o papa estava preocupado com o desmatamento, com as ameaças às culturas indígenas e com a poluição dos rios causada pelo uso de mercúrio em garimpos ilegais na região.

“A nomeação de um cardeal da Amazônia mostra o desejo do papa de aproximar a Igreja da Amazônia”, disse Steiner.

*Com informações do g1 Amazonas e Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM)