A coruja-de-crista (Lophostrix cristata) é uma ave conhecida por possuir penas na cabeça que muitas pessoas associam à orelhas ou até mesmo chifres. Ela faz parte da família Strigidae, composta por 22 espécies de corujas que se diferem pelo tamanho, cor da plumagem e áreas de ocorrência. No Brasil, a espécie ocorre na região amazônica, mas também pode ser vista até o sul do México.
A plumagem da coruja-de-crista é marrom, mas o que chama atenção mesmo é sua característica mais peculiar: o ‘V’ composto por penas brancas que se forma em sua face. O formato é o que leva muitas pessoas à pensarem se tratar de orelhas ou chifres.
Além disso, apresentam manchas brancas arredondadas nas asas e discretas estrias no ventre. De hábito noturno, é sorrateira e caça grandes insetos, como gafanhotos e baratas.
Tem o hábito de vocalizar a partir de poleiros abaixo do dossel ou à média altura na mata. Prefere áreas de mata com maior densidade de árvores maduras, plantas epífitas, emaranhados de cipó, troncos de árvores mortas e galhos caídos.
A coruja-de-crista pode pesar mais de meio quilo o macho e mais de 600g a fêmea, que são maiores que os machos.
Possui três subespécies:
Lophostrix cristata cristata (Daudin, 1800): Guianas, Colômbia, Bolívia, Peru, Equador e na Amazônia brasileira;
Lophostrix cristata wedeli (Griscom, 1932): Panamá, Colômbia, Venezuela e Equador;
Lophostrix cristata stricklandi (P. L. Sclater & Salvin, 1859): do México ao Panamá.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), divulgou no dia 14 de fevereiro a minuta de proposta de alteração legislativa que será avaliada na próxima audiência de conciliação sobre a Lei do Marco Temporal (Lei 14.701/2023) para demarcação de terras indígenas.
O texto não é final e servirá de base para a análise pelos integrantes da comissão especial. Todos poderão fazer modificações e aprimoramentos no texto ao longo dos debates. A audiência está marcada para o dia 17, às 9h, na sala de sessões da Segunda Turma do STF.
A minuta foi construída a partir das sete sugestões recebidas pelo gabinete do ministro por diferentes integrantes da comissão especial na última segunda-feira (10) e busca racionalizar os trabalhos de deliberação, compatibilizando as diferentes posições e preocupações externadas durante as reuniões promovidas nos últimos seis meses.
A audiência de segunda-feira (17) será destinada à análise e debate da minuta. O principal objetivo será a busca de consenso entre os membros da comissão em torno de uma proposta.
A depender da evolução do debate, será realizada votação em relação aos pontos em que houver divergência entre os integrantes. Será observada a regra da maioria com o registro pormenorizado de cada posição adotada.
Um indígena em situação de isolamento entrou voluntariamente em contato com moradores da comunidade ribeirinha Bela Rosa, às margens do Rio Purus, no município de Lábrea, Amazonas. A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) informou que o encontro ocorreu no dia 12 de fevereiro.
A identidade étnica do indígena ainda não foi determinada, mas a Funai confirmou que ele pertence à Terra Indígena (TI) Mamoriá Grande. Ele chegou à comunidade por volta das 19h, descalço e vestindo apenas um pano cobrindo a região genital.
Imagens mostram o indígena interagindo com um morador, enquanto outros ribeirinhos observam a cena. Em um dos registros, o morador apresenta um isqueiro ao visitante, que demonstra curiosidade e tenta aprender a usar o objeto.
Ambos os lados buscam estabelecer comunicação. O indígena se expressa em um dialeto desconhecido, enquanto os ribeirinhos tentam se comunicar em português e por meio de gestos.
Foto: Reprodução
De acordo com a Funai, o indígena permanece na comunidade. Para garantir sua assistência, um plano de contingência foi elaborado em conjunto com a Frente de Proteção Etnoambiental (FPE) Madeira Purus, a Coordenação-Geral de Índios Isolados e de Recente Contato (CGIIRC) e a Secretaria de Saúde Indígena (SESAI).
“A equipe já está acompanhando e monitorando in loco a situação, mantendo cuidados necessários em relação ao indígena isolado, aguardando a chegada das equipes médicas e de servidores da fundação que já estão se deslocando para a localidade, onde irão permanecer por tempo indeterminado”, diz a entidade.
Conforme a Funai, em 11 de dezembro de 2024 foi publicada a portaria de restrição de uso referente à área da Terra Indígena Mamoriá Grande. A medida foi um importante passo para proteger os povos indígenas isolados da região, cuja presença foi oficialmente confirmada pela Funai em 2021.
A área também conta com 20% do território sobreposto com a Reserva Extrativista (Resex) Médio Purus, que permite que os moradores daquela região colete e faça o uso dos recursos naturais de forma responsável, sem exaurir os recursos ambientais.
A Fundação ainda destaca que a área enfrenta ameaças que tornam a sua interdição imprescindível. São elas:
Especulação fundiária;
Conflitos locais, sob a forma de ameaças provenientes de moradores da Resex Médio Purus contra indígenas e servidores da Funai;
Ausência de respaldo legal para fiscalização.
“(A interdição) impede a exploração de recursos naturais e restringe o acesso de terceiros à área. A medida visa salvaguardar a vida dos indígenas isolados, extremamente vulneráveis a pressões externas e impactos ambientais”, explica a Funai sobre do decreto da interdição da Terra Indígena.
A Reserva Nacional Allpahuayo Mishana, localizada em Loreto, no Peru, abriga uma biodiversidade variada que a torna um destino importante quando se trata de conservação do meio ambiente.
Criada há 21 anos, a reserva além de contribuir para a preservação, tornou-se foco de importante atividade turística, dada a sua localização geográfica, a apenas 23 quilômetros da cidade de Iquitos.
Foto: Divulgação/Agência Andina
Estrategicamente localizada na província de Maynas, em Loreto, numa área de 58.069 hectares, esta reserva caracteriza-se pela presença de bosques e a areia branca das encostas do rio Napo. Outra característica é a presença das florestas inundadas do rio Nanay, onde crescem espécies de plantas únicas.
Além da riqueza da flora e da fauna ali encontradas, esta reserva nacional também preserva as fontes de água para consumo humano que abastecem Iquitos.
Foto: Divulgação/Agência Andina
Fauna diversificada
A reserva peruana reúne 498 espécies de aves, das quais 21 são exclusivas das florestas de areia branca, incluindo seis espécies novas para a ciência e nove endêmicas da ecorregião de Napo.
Foto: Divulgação/Agência Andina
Entre as espécies únicas desta área está o Iquitos perlita, que – segundo estimativas – tem uma população inferior a 100 exemplares.
Também foi registrada a presença de 83 espécies de anfíbios, 120 espécies de répteis e 155 espécies de peixes.
Quanto aos mamíferos, foram registradas 145 espécies. Entre eles, destacam-se dois primatas endêmicos desta área: o macaco huapo equatorial e o toco preto. O roedor Scolomys melanops também é encontrado na região.
Recintos para visitantes
Foto: Divulgação/Agência Andina
O visitante pode ir ao Centro de Pesquisas Allpahuayo, localizado no quilômetro 26 da rodovia Iquitos – Nauta.
Neste local, anexo ao Instituto de Pesquisas da Amazônia Peruana, podem ser encontradas plantas medicinais e árvores frutíferas nativas no âmbito de um circuito turístico.
Um pouco mais adiante, no quilômetro 28 da referida estrada, fica o posto de vigilância El Irapay, onde começa uma trilha em direção à comunidade de Mishana.
A riqueza e os atrativos da Reserva Nacional Allpahuayo Mishana levaram esta zona do Peru a ser incluída na lista dos 100 melhores destinos da organização Destinos Verdes, que destaca localidades com qualidades ligadas ao desenvolvimento sustentável, tanto nas suas atividades econômicas como na o futuro de suas comunidades.
Foto: Divulgação/Agência Andina
Entre as atividades que consolidam esse perfil está o manejo dos ovos das tartarugas que vivem às margens dos rios. Neste trabalho de preservação desta espécie, as autoridades atuam em conjunto com as comunidades locais.
Seguindo também os parâmetros do desenvolvimento sustentável, em Allpahuayo Mishana é colhido o fruto da palmeira aguaje (buriti), evitando a depredação desta árvore e de seus galhos, para que continue seu crescimento. Essa fruta também é utilizada pelas comunidades amazônicas para sustentar as famílias, tanto na venda como alimento quanto para uso no artesanato.
Foto: Divulgação/Agência Andina
Nesse sentido, esta Reserva Nacional é palco todos os anos do Concurso de Escalada Aguaje, que reúne representantes das comunidades da região, que devem subir ao topo das palmeiras onde cresce esta fruta. Em novembro de 2024 este concurso teve a sua segunda edição.
Na cosmogonia da etnia Wauja, em Mato Grosso, a lenda de Kamukuwaká conta que ele teve a casa transformada em pedra por Kamo (o Sol), pois este invejava sua força e beleza. Essa lenda reforça a importância cultural e histórica de povos indígenas que já viram parte de seus registros serem destruídos.
Isso porque a gruta de Kamukuwaká existe e abriga rituais e a história dos povos que vivem no Alto Xingu por meio de gravuras rupestres milenares. Trata-se de um local considerado sagrado por 11 etnias indígenas – tombado como Patrimônio Cultural do Brasil desde 2010 -, localizado no município de Paranatinga, que está, ironicamente, fora do Território Indígena do Xingu.
A gruta fica dentro de uma área particular, o que dificulta o acesso e conservação pelos povos indígenas. Em 2018 parte das pinturas rupestres na gruta foram alvo de depredação em função da falta de demarcação apropriada no local, prejudicando a preservação histórica dos Wauja.
Gruta guarda parte da história do povo indígena. Foto: Gabriele Viega Garcia
A lenda
A gruta é considerada a morada atemporal do guerreiro Kamukuwaká. Ele é o líder ancestral que deixou como herança aos povos do Alto do Xingu o ritual da furação de orelha, que inicia jovens lideranças nas comunidades.
Em um especial para o Nonada Jornalismo, Erika Artmann esmiuçou a lenda durante conversas com o fotógrafo e professor da aldeia, Piratá Waurá:
Kamukuaká: história que acompanha o curso do rio
“Na história de Kamukuaká, a gruta servia como casa na aldeia antiga de Tupapuihu, que significa Lugar da Pedra. A beleza do líder e as músicas do povo despertaram a inveja de Kamo, Sol, que vivia do lado direito do rio. O povo dos pássaros havia descido do céu, onde estava a aldeia deles, para a terra. Kamukuaká, ao encontrá-los, perguntou o que estavam fazendo ali. As aves explicaram que iriam furar a orelha de um dos seus jovens, quando o líder do povo que habitava Tupapuihu se interessou e pediu para que também furassem a sua orelha. Os pássaros foram embora e disseram que voltariam.
Tempos depois, todos vieram para o ritual: Kamukuaká, seu povo, os pássaros e Kamo. O líder decidiu que usaria a própria flecha para fazer o furo. Foi quando Kamo pegou o objeto e fingiu que furaria a orelha de Kamukuaká mas, no meio da festa, mirou na cabeça porque queria mesmo era matá-lo. Quando percebeu, Kamukuaká se virou e o objeto furou uma orelha. Depois Kamo lançou uma segunda flecha que acertou a outra orelha. Depois, as flechas continuaram sendo atiradas até que furaram, uma por uma, as orelhas dos jovens do povo de Kamukuaká. Kamo não conseguiu matar ninguém. A história conta o início do ritual de furação de orelha, que ocorre até hoje entre os Wauja.
Na aldeia Topepeweke, uma das nove do povo Wauja – onde atualmente mora Piratá Waurá -, a última vez que o ritual aconteceu foi em 2009. Naquele ano, uma pessoa foi escolhida para ser treinada como líder na aldeia. “Então, [o ritual] acontece quando o cacique escolhe seu novo sucessor, que poderá substituir futuramente”. A escolha se dá entre os jovens com idade de 10 a 17 anos.
Mas em Tupapuihu, no tempo de Kamukuaká, após o ritual de Furação de Orelha, os jovens foram aprisionados na gruta-casa, de onde eram controlados e vigiados por Kamo. Por mais que tentassem sair, as paredes rígidas da rocha impediam. Kamo enviou algumas aves com dentes para o lugar e mandou que os matassem, mas Kamukuaká e seus parentes deram comida e fizeram amizade com os animais, que de seus inimigos passaram a ser amigos e estar do lado do povo.
Kamo estava insatisfeito. Não conseguiu matar Kamukuaká nem com as flechas na furação de orelha, nem com as aves comedoras de gente. Por isso, mandou uma cobra gigante à gruta para comer os jovens que estavam lá em reclusão. Quando o animal chegou, os homens usaram a mesma estratégia que tiveram com os pássaros: mantê-la alimentada para que não os comessem. O professor Piratá Waurá conta que, quando acabou todo o alimento dentro da gruta, eles precisaram entregar uma pessoa: “Seguraram o homem e jogaram na boca da cobra grande, que ficou satisfeita e voltou a dormir”. Precisavam encontrar um jeito de sair dali.
Decidiram, então, mandar as aves de dentes afiados comerem as paredes de pedra. Deste modo, teriam uma passagem para fugir da gruta. “ Os animais vão comendo, quebrando os dentes, até que os parentes dos periquitos, mas aqueles de dentes afiados, conseguem furar três saídas para o céu”. Assim que isso acontece, uma liderança do povo de Kamukuaká lança sua flecha. As demais pessoas que estavam na reclusão repetem o movimento, que logo dá origem a uma corda. Assim o povo de Kamukuaká conseguiu fugir à noite, enquanto Kamo e a cobra ainda dormiam.
Quando eles estavam no meio da fuga, Kamo acordou e mandou que a cobra gigante subisse atrás deles. Mas uma das irmãs de Kamukuaká, que havia ficado escondida na gruta e guardava uma ferramenta de corte consigo, conseguiu impedir que a cobra fosse atrás deles. Com o objeto, ela corta a cobra do rabo à cabeça.
Enquanto isso, as pessoas que subiram para o céu precisaram escolher para onde ir porque lá havia a aldeia dos pássaros, mas também as de outros seres. Ao escolherem o caminho e chegarem à primeira comunidade, descobriram que erraram o trajeto e estavam na aldeia das onças, um território perigoso. Ainda assim, por estarem com fome, decidiram que um deles deveria verificar o que tinha na oca e porque o lugar estava tão silencioso. Perceberam que quase todas as onças tinham saído para caçar mas, quando um deles entrou em uma das casas, ouviu-se um rugido. A única onça que não foi à caçada estava ali dentro. Nisso, todas as onças voltaram para o céu e atacaram o povo de Kamukuaká.
Quando já não restava quase ninguém, Kamukuaká lutou com as onças e abriu espaço para fugirem novamente. Ao saírem, finalmente encontraram a aldeia dos pássaros e conseguiram a ajuda necessária para voltar para a terra. As aves trouxeram o povo de Kamukuaká de volta para casa. Piratá conta que “foram descendo aqui no rio Tamitatoala, o rio Batovi. E por isso todo o rio, cada lugar, tem uma história referente às histórias de Kamukuaká”.
Em 2020, o antropólogo Walter Coutinho escreveu um relatório sobre a gruta a pedido do Ministério Público do Mato Grosso. Ali, Coutinho explica que a história contada pelos Wauja sobre Kamukuwaká está inscrita na paisagem do rio Batovi. “Diversos pontos ou formações dessa paisagem são interpretados pelos Wauja como uma expressão tangível da narrativa mitológica. Além das formações geográficas diretamente relacionadas ao mito, eles também reconhecem outras áreas de significado cultural, mormente relacionadas a atividades econômicas desenvolvidas pelos indígenas que ali habitaram no passado”.”
Os desenhos rupestres vandalizados em 2018 eram utilizados para ensinar às crianças justamente sobre as suas origens e cultura. Para os Wauja, alguns dos grafismos também representam a fecundidade feminina, pois acreditam que as mulheres têm o poder de aumentar a fertilidade de tudo o que é vivo.
Os símbolos desenhados na gruta também inspiram as decorações das cerâmicas e cestaria, as pinturas corporais e também as músicas que embalam os rituais de apaziguamento dos espíritos da natureza.
Em 2020, um vídeo feito para o ‘Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade’, do Iphan, apresenta a ação ‘Registro e Conservação da Paisagem Cultural de Kamukuwaká’, explicada por Piratá Waurá:
A ação foi vencedora na categoria ‘Patrimônio Material’, segmento ‘Cooperativas, associações formalizadas ou redes e coletivos não formalizados’.
Mas a luta pela preservação do local segue. Um pedido de revisão e ampliação da demarcação da terra indígena, para abranger a gruta de Kamukuaká foi solicitado e, até 2024, ainda não havia sido validado.
*Com informações do Instituto Homem Brasileiro, PIB/ISA, Iphane Nonada Jornalismo
A Casa da Cultura Madre Leotávia Zoller foi um dos patrimônios históricos mais importantes de Roraima. Construída em 1940, a edificação foi sede do Governo do Estado e, ao longo de sua história, serviu como residência oficial para 17 governadores. Localizada no centro histórico de Boa Vista, a Casa da Cultura foi tombada como patrimônio cultural pelo Governo do Estado em 1994, através do Decreto n°722/84 e da Lei nº 718 de 6 de julho de 2019.
Inicialmente, a construção foi projetada por Milton Miranda e, posteriormente, adquirida pelo Governo do Território Federal do Rio Branco para abrigar os governadores até a construção do Palácio Senador Hélio Campos. Depois, passou a sediar diversas repartições públicas e, por fim, foi transformada em um espaço cultural.
O prédio que está localizado na Avenida Jaime Brasil, n° 235, no Centro de Boa Vista, abriga um acervo histórico incluindo jornais, livros, fotos, fitas, documentos e quadros artísticos.
Pesquisadores e estudantes sempre frequentavam o local em busca de conhecimento sobre a história de Roraima. No entanto, nos últimos anos, o espaço sofreu com a falta de manutenção e incentivo financeiro, culminando em sua interdição pela Defesa Civil.
Casa da Cultura em 2024 após restauração. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR
Reforma
Em 2023, o Governo do Estado lançou um plano para revitalizar e preservar a Casa da Cultura. O espaço foi reinaugurado em julho de 2024, se tornando a nova sede da Academia Roraimense de Letras (ARL).
A restauração priorizou a preservação da estrutura original, incluindo os ladrilhos importados de Portugal no século passado.
Na varanda foram mantidos os tons vermelho e branco, enquanto nas salas predominam as cores azul e cinza. Aqueles que não puderam ser conservados foram substituídos por réplicas.
Itens de escritório do século passado, preservados em memorial da Casa de Cultura. Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR
Hoje, a imponência do casarão transporta os visitantes a uma viagem ao passado, destacando-se no cenário urbano.
Com uma área superior a 400m², o espaço passa pelos últimos ajustes e já conta com elevador, áreas de exposição, banheiros e vestiários masculinos, femininos e adaptados para Pessoas com Deficiência (PCD).
Além disso, uma cafeteria será instalada ao lado do jardim, ampliando as opções para visitantes e frequentadores.
Foto: João Gabriel Leitão/Rede Amazônica RR
*Com informações da Prefeitura de Boa Vista e Grupo Rede Amazônica Roraima
Por Julio Sampaio de Andrade – juliosampaio@consultoriaresultado.com.br
Avançamos rapidamente sobre fevereiro, ou melhor, fevereiro avançou rapidamente sobre nós. E as nossas metas? Se é verdade que não existem bons ventos para quem não sabe para onde ir, precisamos ter claras quais são as nossas metas para o ano, não é mesmo? E precisamos lidar bem com elas.
Se você é um executivo ou um profissional de vendas deve estar acostumado a receber metas de resultados ou de prazos, que você pode simplesmente absorvê-las com tranquilidade, sem maiores questionamentos ou considerá-las inexequíveis, irreais, injustas ou até desumanas.
Quem recebe metas de terceiros já passou por estes ou outros sentimentos, na maioria das vezes, sem muito o que fazer. “Metas são metas. Metas não se discutem”, costumava eu mesmo dizer quando estive na frente de equipes comerciais. A sentença equivalia quase a um dogma. Quando se é mais jovem, as afirmações costumam ser absolutas.
O tempo nos faz ser mais reflexivos sobre as metas. Elas ganham força quando são interiorizadas e quando se transformam em nossas metas e não dos outros. Neste caso, somos proprietários delas, nos dois sentidos: de quem estabelece e de quem buscará cumpri-las.
Ter metas é bom, desde que elas nos levem para onde precisamos ou queremos ir. É o caso das metas alinhadas à nossa Missão e ao nosso Propósito, que são as metas mais importantes e que garantem que estamos colocando energia na direção certa.
Há metas que traduzem não o que esperamos da vida, mas o que a vida espera de nós naquele momento, naquela determinada situação. Podemos estar diante de uma grande dificuldade, um beco sem-saída. Podemos também estar em uma encruzilhada de dilemas, por exemplo, entre o fácil e o correto ou entre os nossos interesses e os da maioria. Nestas situações, metas conscientes podem nos ajudar a fazer o que precisa ser feito.
Há metas que nascem de sonhos e elas começam a existir ainda em um plano invisível, como sementes que se materializarão no futuro. Transformar um sonho em uma meta pode ser divertido e bastante prazeroso. Não significa que serão metas fáceis, mas que há um prêmio nos aguardando, quando chegarmos lá.
Metas não devem ser fáceis mesmo, mas também não devem ser inatingíveis. Metas perfeitas estão no exato ponto entre o desafio e a nossa qualificação para atingi-la, gerando crescimento. Não por acaso, é onde podemos vivenciar o estado de flow, de plenitude. Por isso, um bom gestor buscará construir metas diferenciadas em uma equipe, considerando o estágio e potencial de cada um e fazendo com que todos ganhem propriedade sobre elas. Nas nossas vidas, podemos fazer o mesmo, estabelecendo metas desafiantes e realizáveis.
Metas devem ter um placar. Como saberemos se estamos avançando ou não, na sua direção? Como seria uma partida de futebol sem um placar? Como seria uma olimpíada sem os recordes a serem superados a cada edição da competição?
Metas devem ser escritas e relidas continuamente. Algo mágico acontece quando as escrevemos e as lemos sempre, se possível, diariamente.
O pesquisador e consultor George Doran publicou em 1981 um artigo na revista Management Review em que propôs para metas o método SMART. Desde então, o método vem sendo bastante aceito no mundo corporativo, com aplicações também na vida prática. A palavra é um acrônimo que, trazida para o português, pode ser entendida como: S (específica), M (mensurável), A (atingível), R (relevante), T (em um tempo determinado).
E você? Já escreveu suas metas para o ano? Você está cuidando bem delas?
Sobre o autor
Julio Sampaio (PCC,ICF) é idealizador do MCI – Mentoring Coaching Institute, diretor da Resultado Consultoria, Mentoring e Coaching e autor do livro Felicidade, Pessoas e Empresas (Editora Ponto Vital). Texto publicado no Portal Amazônia e no https://mcinstitute.com.br/blog/.
O livro digital ‘Pisei na tua areia, Ilha de Marajó: o Mestre Dikinho ensina…‘, contemplado pelo Prêmio Proex de Arte e Cultura, foi desenvolvido por meio de uma parceria entre o Laboratório de Etnobiologia e Educação Intercultural (Leei) e a Associação dos Moradores do Bairro do Pacoval (Ampac), com o objetivo de compartilhar sugestões de atividades para o ensino de Ciências e Biologia com suporte em temas presentes nas músicas do Mestre Dikinho.
Entre os meses de março e junho de 2023, Mestre Dikinho cantou suas narrativas e vivências acompanhado por integrantes do Grupo Tambores do Pacoval, da Ilha do Marajó, em aulas espetáculos realizadas para estudantes do curso de Licenciatura em Ciências Biológicas e de Licenciatura em Letras, além de pessoas que admiram o carimbó.
Com o objetivo de reconhecer as possibilidades de relacionamento entre os conhecimentos ecológicos tradicionais que compõem o cotidiano marajoara e a forma como esse conhecimento poderia ajudar nas estratégias educativas, as aulas foram divididas em três temas principais: Pescadores, Rios e Mares; Marajó Brejeiro e Encantarias.
“Inserir essas referências culturais nos espaços educativos, para além da simples fruição cultural de shows e festivais, atua decisivamente na formação do público local, algo que frequentemente encontramos nas falas dos diferentes Mestres e Mestras sobre a importância do reconhecimento dos seus conhecimentos. Especificamente no e-book em questão, inovamos ao demonstrar as associações entre carimbó e educação ambiental, uma vez que os conhecimentos ecológicos tradicionais são fundamentais para a continuação dos patrimônios imateriais”, explica o professor Nivaldo Leo.
O livro é parte das ações que o Laboratório de Etnobiologia e Educação Intercultural (Leei) e o Grupo de Estudos e Pesquisas Encontros e Saberes (Gepes-CNPq/UFPA) fazem na busca de assegurar o patrimônio imaterial do povo marajoara. Além disso, ilustrações feitas pelo Mestre compõem a obra, algumas foram feitas exclusivamente para o livro.
“Os livros são uma ferramenta poderosa para disseminar conhecimento e cultura, uma forma de passar adiante um tesouro de sabedoria. E não podemos esquecer do valor histórico e cultural de um livro como esse. Ele se torna um documento importante para a história de Soure e da região. Preservar a memória do meu pai é também preservar a história de um lugar e de um tempo. É lindo saber que o conhecimento dele continua vivo e acessível para as futuras gerações. Através dos livros, ele continua a influenciar e transformar vidas”, aponta Fernanda Amaral, uma das filhas de Mestre Dikinho, sobre a homenagem à memória de seu pai.
Mestre Dikinho
Raimundo Miranda Amaral foi uma grande figura do Marajó, com músicas que extrapolaram a região e são cantadas por pessoas de diversos lugares. Compositor, violonista, cantor e artesão marajoara, o Mestre faleceu na madrugada do dia 17 de julho de 2024, aos 83 anos.
“Meu pai era um homem incrível, com um talento imenso. Falar do Mestre, com quem vivi todos os dias da minha vida, é maravilhoso!”, comenta Doris Felícia, também filha de Dikinho, orgulhosa ao ver o reconhecimento do talento do pai e o legado que ele deixou transmitido no livro.
“Saber que o conhecimento do meu pai está sendo transmitido e preservado através dos livros é algo que deve encher de orgulho. É como se ele continuasse vivo nas páginas, ensinando e inspirando as pessoas. A importância disso é enorme!”, completa a outra filha, Fernanda.
O Parque Anauá, o maior parque urbano da região Norte do Brasil, ocupa uma área de 106 hectares no coração de Boa Vista, capital de Roraima. Sua construção teve início em 1980, durante o governo de Ottomar de Souza Pinto, que lançou o Primeiro Concurso Público para o Anteprojeto do espaço. O projeto vencedor foi elaborado pelo arquiteto Otacílio Teixeira Lima Neto, com o objetivo de suprir a carência de áreas de lazer, esporte, educação e cultura na cidade.
O plano original previa diversas atrações em torno do Lago dos Americanos, a principal referência do parque. Entre os elementos projetados estavam um anfiteatro, uma estação de bondinho, bares e restaurantes, um ancoradouro/cais, além de estruturas voltadas à educação e cultura, como um centro cultural, uma escola de primeiro grau e uma escola de educação especial.
Localizado na Avenida Brigadeiro Eduardo Gomes, s/n, o Parque Anauá se encontra entre o bairro Aeroporto e o Centro da cidade, sendo um dos principais pontos de lazer e convivência para moradores e visitantes de Boa Vista.
Criada em novembro de 1994, a Feira do Passarão é uma tradicional feira livre conhecida por sua diversidade de produtos que inclui frutas, verduras, legumes, carnes, peixes, especiarias e artigos regionais. O espaço está localizado na Avenida Ataíde Teive, bairro Ctaimbé, em Boa Vista (RR).
Em 2024, a feira passou por uma modernização. O novo prédio passou a atender novamente a população roraimense oferecendo uma ampla variedade de produtos e alimentos num espaço interno de 2.438 m² que comporta mais de 120 boxes para diversas finalidades comerciais. Contando as áreas de carga e descarga e estacionamento, toda a feira tem 4.423 m².
A Feira do Passarão conta com um total de 124 boxes, distribuídos da seguinte forma: 40 boxes para hortifruti, 47 para cereais, 14 para aves, carnes e peixes e quatro para polpas, além de três boxes voltados para serviços, três para utensílios em geral e sete restaurantes e seis lanchonetes.