Home Blog Page 421

Livretos analisam perfil demográfico e social da pesca esportiva de Barcelos, no Amazonas

0

Foto: Chiara Lubich/Acervo pessoal

Analisar a percepção ambiental, experiência de pesca e perfil demográfico e social de diversos atores envolvidos na pesca esportiva realizada em Barcelos , no Amazonas, incluindo a comunidade local, pescadores esportivos, guias de pesca, empresários e comerciantes locais. Esse foi o principal objetivo de estudo ‘Avaliação da sustentabilidade do turismo de pesca esportiva na bacia do Rio Negro, Barcelos, Amazonas’.

Desenvolvido no âmbito do Programa Kunhã – CT&I no Amazonas – Edital n° 008/2022, apoiado pelo Governo do Amazonas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), o estudo resultou na publicação de duas edições de livretos, que oferecem insights valiosos. A primeira edição destaca a percepção ambiental desses grupos e, a segunda, a experiência de pesca esportiva em Barcelos.

O estudo é coordenado pela engenheira de pesca e doutoranda em Ciência Animal e Recursos Pesqueiros, Chiara Lubich Cardoso Furtado, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Para a realização da pesquisa, a equipe viajou até Barcelos de barco e coletou dados por meio de questionários sobre os aspectos sociais, como idade, gênero e renda, além de questões ambientais, percepção sobre o meio ambiente e experiências de pesca na região.

Leia também: Entenda como funciona a pesca esportiva e como deixar o peixe menos ‘estressado’ durante a pescaria

Foto: Chiara Lubich/Acervo pessoal

As interações entre os grupos-chave ajudam a desenvolver práticas que minimizam os impactos negativos, como a mortalidade dos peixes, e maximizem os benefícios, como a geração de emprego e renda para as comunidades locais. Além disso, os estudos nesse campo podem promover uma maior conscientização ambiental, inclusão social e fomentar políticas públicas para um manejo mais sustentável dos recursos naturais.

Os dois livretos lançados oferecem uma visão abrangente sobre a pesca esportiva na região de Barcelos, uma vez que destacam a percepção dos diferentes atores envolvidos, como a comunidade local, pescadores esportivos, guias de pesca, empresários e comerciantes, sobre os impactos ambientais, sociais e econômicos dessa atividade.

“Um ponto importante a ser destacado é o papel da pesca esportiva como ferramenta de conservação ambiental e inclusão social. Muitas vezes, essa prática é vista apenas pelo seu aspecto recreativo e econômico, mas sua importância vai além. A pesca esportiva, quando bem regulamentada e praticada de forma sustentável, pode ser uma aliada na preservação dos ecossistemas aquáticos e inclusão social”, reforça ela.

Livreto 1 – Visão dos usuários

No primeiro livreto intitulado “Informativo sobre a pesca esportiva em Barcelos, Amazonas: Visão dos usuários”, todos os atores reconhecem a existência de degradação ambiental em Barcelos. No entanto, apenas a comunidade local, guias de pesca e pescadores relataram mudanças no tamanho dos peixes, além de perceberem os impactos da pesca esportiva no ambiente.

Essa primeira edição aponta ainda sobre aspectos positivos relacionados à pesca esportiva, como a geração de emprego e renda e o crescimento do comércio local. Mas por outro lado, identifica pontos negativos, como vulnerabilidades sociais, mortalidade dos peixes e a falta de organização no município.

O livreto está disponível AQUI.

Livreto 2 – Pesca esportiva no médio Rio Negro

Foto: Chiara Lubich/Acervo pessoal

No segundo livreto intitulado “Informativo 2.0 – Pesca esportiva no médio rio Negro, Barcelos, Amazonas, Brasil” são observadas uma diversidade no tempo de experiência dos pescadores esportivos em Barcelos, com alguns praticando a pesca há pouco tempo, enquanto outros possuem aproximadamente 30 anos de experiência na região.

Além disso, os pescadores relataram alterações nos tamanhos dos tucunarés (Cichla sp.), onde acreditam que os guias de pesca possuem as competências necessárias para servir como modelos comportamentais positivos e desempenhar um papel fundamental na educação ambiental dos pescadores durante as atividades de pesca.

Este livreto está disponível AQUI.

Kunhã – CT&I no Amazonas

O Programa visa financiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, destinadas a pesquisadoras residentes no Amazonas, que contribuam significativamente para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do estado, em uma das seguintes áreas temáticas relacionadas aos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS): Fome zero e agricultura sustentável; Saúde e bem-estar; Educação de qualidade; Trabalho decente e crescimento econômico; Consumo e produção responsáveis.

Este Programa integra a ação do Plano Plurianual do Governo do Estado (PPA), Mulheres e Meninas na Ciência e no Empreendedorismo Científico, do Governo do Amazonas, para estimular o aumento da representatividade feminina no cenário de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) local.

*Com informações da Fapeam

Integração ZFM/Bioeconomia como modelo sustentável de desenvolvimento do Amazonas

0

Imagem: Nattanan Kanchanaprat/Pixabay

Por Osíris M. Araújo da Silva – osirisasilva@gmail.com

Diversificação, integração setorial e perenização, o desafio que se coloca, em resultado de investimentos em inovação tecnológica e na exploração sustentável da biodiversidade, à nova matriz econômica que deverá integrar a economia do Amazonas e da Zona Franca de Manaus (ZFM) na perspectiva 2073. Em primeiro plano cumpre salientar que, ao que se presume, a comunidade científica concorda, a uma só voz: impossível falar em Bioeconomia sem pensar na Amazônia. Há pletora de razões objetivas para justificar a necessidade de uma análise em profundidade e circunstancial do quadro conjuntural e geopolítico do Amazonas, em particular. Nesse contexto, sobressai-se a proposta de construir um modelo alternativo voltado a promover o desenvolvimento sustentável do estado. Basicamente, penso eu a partir da criação de nova matriz econômica, autóctone, compreendendo o Polo Industrial de Manaus (PIM); o Agropecuário e de Biotecnologia, a exploração sustentável da biodiversidade, e de uma Plataforma de Exportações.

A obra referencial “Amazônia como polo mundial de produção”, de Alfredo Homma, pesquisador da Embrapa Amazônia Priental; Alaerto Luiz Marcolan, chefe da Embrapa Rondônia; e Judson Ferreira Valentim, presidente do Portfólio Amazônia da Embrapa, parte do cenário em que “com ciência e tecnologia, a Amazônia Legal vem se transformando, nos últimos anos, em um grande polo de produção mundial. Uma amostra pode ser evidenciada pelos estados de Mato Grosso, o maior produtor nacional de algodão, soja, rebanho bovino e milho; Pará, o primeiro lugar em mandioca, abacaxi e cacau, dendê e açaí; Rondônia, na criação de peixes, sobressaindo-se no estado a produção de café canéfora (conilon e robusta), a segunda maior do Brasil, e de leite, a maior entre os estados das regiões Norte e Nordeste. Grande parte do avanço do cultivo de grãos, dendezeiro, cacaueiro, cafeeiro e reflorestamento se deve à mudança do processo de ‘pecuarização’ para a ‘agriculturização”.

O livro ainda destaca: “Grande parte do avanço do cultivo de grãos, dendezeiro, cacaueiro, cafeeiro e reflorestamento se deve à mudança do processo de “pecuarização” para a “agriculturização”. A pecuária está cedendo espaço das pastagens para o avanço da agricultura, uma grande novidade. Tecnologias desenvolvidas pela Embrapa e instituições parceiras, como o sistema plantio direto, com 46 milhões de hectares em uso no País; a fixação biológica do nitrogênio, com 40 milhões de hectares; integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), com 17 milhões; controle biológico, com 10 milhões de hectares; Programa Balde Cheio e os Sistemas Agroflorestais (SAFs) já são utilizados em larga escala na região. Há enorme movimentação de tecnologias agrícolas do Sul e do Sudeste em direção à Amazônia, como no caso de grãos, reflorestamento e pecuária”.

Dar esse grande salto, entretanto, exige, objetivamente,a identificação das oportunidades econômicas do estado, em cujo cenário desponta a necessidade de se proceder ao mínimo quatro ações fundamentais: a) elaboração do Zoneamento Ecológico Econômico (ZEE); b) análise/diagnóstico das vulnerabilidades circunstanciais; c) identificação de novas oportunidade de negócios alinhados à vocação natural da região; d) por fim, em caráter de alta prioridade, desenvolver amplo programa de investimentos em Ciência, Tecnologia e Inovação (C,T&I) como suporte à implantação de cadeias produtivas prioritárias identificadas pelo ZEE. Somente assim será possível identificar os fatores críticos de sucesso e as condicionantes essenciais à alavancagem da nova economia estadual focada na integração PIM/Bioeconomia.

Não é mais possível aceitar que o setor agropecuário e bioeconômico local continue figurando apenas como “traço” estatístico no conjunto desse importante setor da economia brasileira. A Revolução Industrial 4.0 exige mudanças de atitude, em primeiro lugar, e de políticas públicas adequadas ao cenário macroeconômico mundial vigente.

Sobre o autor

Osíris M. Araújo da Silva é economista, escritor, membro do Instituto Geográfico e Histórico do Amazonas (IGHA) e da Associação Comercial do Amazonas (ACA).

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Católica de Rondônia anuncia Vestibular 2025.1 com novos cursos na área da Saúde

0

Foto: Divulgação

A Faculdade Católica de Rondônia, referência em excelência acadêmica, inovação e tecnologia, está com inscrições abertas para o Vestibular 2025.1.

A instituição, reconhecida por ser a única no Estado a receber o prestigiado Selo OAB Recomenda, oferece uma experiência de ensino que alia tradição, infraestrutura moderna e conexão com o mercado de trabalho.

Com um campus de 21 mil metros quadrados e laboratórios equipados com tecnologia de ponta, a Católica de Rondônia reforça seu compromisso em proporcionar um ambiente inovador e tecnológico.

Por que escolher a Católica de Rondônia?

A Católica de Rondônia segue o padrão de qualidade das Universidades Católicas em todo o mundo, reconhecidas por sua excelência acadêmica. Na Católica, você encontra:

  • Infraestrutura moderna: mais de 21 mil m² de área construída, com laboratórios de última geração e espaços projetados para garantir o melhor aprendizado.
  • Corpo docente qualificado: 90% dos professores são mestres e doutores, oferecendo uma formação sólida e atualizada.
  • Conexão com o mercado: parcerias que oferecem oportunidades de estágio e emprego desde o início da graduação.
  • Novos cursos na área da saúde: além das tradicionais graduações, agora você pode optar pelos novos cursos de Nutrição, Enfermagem e Fisioterapia, áreas essenciais para o futuro do cuidado à saúde.

⭐ Novos cursos de graduação para 2025.1

📚 Cursos de Graduação disponíveis:

Também há opções de pós-graduação, mestrados e doutorados interinstitucionais, realizados em parceria com renomadas universidades, como as PUCs do Rio Grande do Sul e Paraná e a UNIVALI.

Bolsas de Estudo: acessibilidade para todos

A Católica acredita que a educação deve ser inclusiva e acessível. Por isso, oferece bolsas de estudo diferenciadas para diversos perfis:

🎓 A tradição das Universidades Católicas

A Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), foi reconhecida como a melhor universidade privada do Brasil no ranking global da consultoria britânica Times Higher Education 2025 (THE). Neste ano a PUC-Rio também se destacou como a sexta melhor da América Latina no THE Latin American University Rankings 2024.

Universidades Católicas são reconhecidas por oferecerem um ensino pautado em excelência, e a Católica de Rondônia segue essa tradição, sendo a escolha ideal para quem busca uma formação de qualidade e compromisso com o desenvolvimento regional.

Inscreva-se Agora!

As inscrições estão abertas e podem ser feitas de forma rápida e prática. Garanta sua vaga e faça seu futuro ser brilhante, com a Católica.

👉 Inscreva-se em: www.fcr.edu.br/

*Por Faculdade Católica de Rondônia

Curaçao, el sol del Caribe

0

Foto: Eduardo Monteiro de Paula/Acervo pessoal

Por Dudu Monteiro de Paula

Era 1999. Recebi a visita da senhora Dra. Myreia Troemam, ministra do Turismo de Curaçao, uma ilha no Caribe que fora colônia holandesa (hoje independente), que me convidou para ser o publicitário que coordenadoria a campanha dos 500 anos da ilha com abertura turística do Brasil, que começaria pelo Amazonas.

Importante dizer-lhes duas coisas: quem começou o comércio de escravos no mundo foram os holandeses. Quando vinham da África com o navio cheio de escravos e depois de um longo tempo atravessando o oceano – mais ou menos próximo do Caribe – eram jogados ao mar os mortos e os quase morrendo. Dez anos após, ao passar próximo de onde jogavam os escravos, avistaram fumaça e curiosamente não só tomaram posse da terra, mas tornaram um local para recuperar e fortalecer os escravos para ter um melhor preço de venda. Cruel, mas verdadeiro. Portanto, o nome é referente a terra que cura, Curaçao.

Hoje Curaçao é um país em uma ilha que foi resultado de uma erupção vulcânica com praticamente zero de fonte de água, pouca vegetação e pouquíssimos animais. A água na quantidade de abastecer o local é dessalinizada e custa muito caro.

Apesar disso, sua beleza é indiscutível. De carro você atravessa o país em duas horas, com belas praias e vistas deslumbrantes.

Bom, voltemos a 1999, quando, naquela época, por um bom momento, o câmbio era de 1 pra 1 ou seja um dólar valia um real. Assim, criamos uma grande campanha publicitária usando todos os veículos importantes, incluindo outdoor.

O governo de Curaçao realizava uma vez por semana voo fretado com parada de duas horas em Caracas (Venezuela) e voltando quatro dias depois (ou seja , um fim de semana no Caribe), por meio da companhia aérea Conviasa.

Conseguimos levar à bela ilha caribenha mais de mil amazonenses. Tivemos muitos voos especiais para as mais variadas classes, jornalistas, médicos, engenheiros, empresários, todos que fosse possível.

Pelo volume de passageiros muito grande, começaram também à ir pessoas de todos os pontos da Amazônia, não apenas os amazonenses, e aí a hoje extinta Varig criou um voo para Curaçao dez vezes mais caro e, por lei, o governo da ilha teve que suspender os voos estrangeiros.

Tentaram, em vão, negociar com a Varig, mas, coincidentemente, o dólar “explodiu”, ficando muito mais caro. O investimento mensal chegava a 15 mil dólares. Em outras palavras, acabou a visita para a ilha que “nos curava”.

Hoje Curaçao investe no sul do Brasil, com voos combinados nos veículos que falam de turismo. Para mim, Dudu, esta no ar até agora uma vinheta que gravei em que eu dizia: “CURAÇAO! EL SOL DEL CARIBE”.

Por hoje é só! Semana que vem tem mais! Fuuuuuuiiiiiii!!!!!

Sobre o autor

Eduardo Monteiro de Paula é jornalista formado na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com pós-graduação na Universidade do Tennesse (USA)/Universidade Anchieta (SP) e Instituto Wanderley Luxemburgo (SP). É diretor da Associação Mundial de Jornalistas Esportivos (AIPS). Recebeu prêmio regional de jornalismo radiofônico pela Academia Amazonense de Artes, Ciências e Letras e Honra ao Mérito por participação em publicação internacional. Foi um dos condutores da Tocha Olímpica na Olimpíada do Rio de Janeiro, em 2016.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

IA auxilia na conservação do peixe-boi em áreas de difícil acesso da Amazônia

Foto: André Dib

Cientistas do Instituto Mamirauá, referência em pesquisa na Amazônia, em colaboração com o Laboratório de Bioacústica Aplicada da Universidade Politécnica da Catalunha, publicaram um estudo demonstrando avanços relevantes nas estratégias de conservação do peixe-boi amazônico (Trichechus inunguis) ao utilizarem técnicas de monitoramento acústico passivo associadas a modelos de inteligência artificial.

O estudo foi conduzido no Lago Mamirauá, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (Amazonas), área remota da Amazônia situada entre Manaus e a Colômbia. A pesquisa trouxe novas descobertas sobre os padrões de presença e vocalização desses mamíferos aquáticos, conhecidos por sua difícil detecção visual.

Durante dois anos consecutivos (2021 e 2022), pesquisadores ligados à tecnologia e biólogos de campo monitoraram os chamados do peixe-boi usando gravadores subaquáticos e um modelo de rede neural convolucional (CNN).

O método identificou com alta precisão (até 98%) as vocalizações, permitindo analisar a presença dos animais em diferentes períodos sazonais. Os resultados indicaram que os peixes-bois frequentam o lago principalmente na estação de cheia, um habitat crítico rico em plantas aquáticas que sustenta sua dieta e abriga mães e filhotes.

O estudo também caracterizou o repertório vocal da espécie, revelando padrões de comunicação frequentes entre mães e filhotes, reforçando o papel essencial do local para a reprodução e cuidado parental. Este monitoramento é uma ferramenta valiosa para identificar habitats prioritários, avaliar o impacto de ameaças como a construção de hidrelétricas e desenvolver estratégias de conservação mais eficazes.

Biólogos experientes e o desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial baseadas em aprendizado de máquina podem romper barreiras na conservação de espécies ameaçadas de extinção.  Ao combinar o monitoramento acústico passivo com modelos de aprendizado profundo, ampliando o monitoramento temporal e aumentando a detectabilidade da espécie, a pesquisa demonstrou que essa abordagem pode ser usada para identificar os principais habitats do peixe-boi de acordo com a sazonalidade.

O método combinado representa uma técnica de monitoramento ecológico confiável, econômica e escalável, que pode ser integrada a protocolos padronizados de levantamentos de longo prazo para espécies aquáticas. Adicionalmente, pode beneficiar consideravelmente o monitoramento de regiões inacessíveis, como os sistemas de água doce amazônicos.

A parceria Brasil-Espanha contou com o financiamento de instituições como a Gordon and Betty Moore e a Prince Albert II of Monaco Foundation e o Instituto Rolex.

*O conteúdo foi originalmente publicado pelo Instituto Mamirauá

Povos indígenas de Roraima derrotam PEC36, que previa possibilidade de exploração econômica de TIs por não indígenas

0

Senador Mecias de Jesus (Republicanos/RR) assina carta de compromisso do Conselho Indígena de Roraima. Foto: Reprodução/CIR

A força do movimento indígena de Roraima, organizado pelo Conselho Indígena de Roraima (CIR), mostrou ao Brasil e ao mundo que a luta pelos direitos originários não pode ser ignorada. Após mais de um mês de mobilizações, diálogos constantes com lideranças políticas e bloqueios próximo das Terras Indígenas São Marcos, na BR-174, Raposa Serra do Sol, na BR-401, e Tabalascada, na BR-432, o movimento alcançou uma vitória significativa: a retirada definitiva da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 36, de autoria do senador Mecias de Jesus (Republicanos-RR).

A PEC 36, previa a possibilidade de exploração econômica de Terras Indígenas por não indígenas, por meio de arrendamentos. Isso significa que, se aprovada, a PEC permitiria que terceiros, como empresas e grandes produtores rurais, utilizassem territórios indígenas para atividades como agropecuária e mineração, mediante contrato.

Essa proposta contraria a Constituição Federal de 1988, que assegura o usufruto exclusivo dos povos indígenas sobre seus territórios ancestrais, reconhecendo esses espaços como imprescindíveis para a manutenção de suas culturas, tradições e modos de vida.

Na última sexta-feira (6), o senador Mecias esteve presente na mobilização e recebeu uma carta de lideranças, representando diversas regiões do estado, reforçando o posicionamento do movimento indígena contra as PECs e denunciando os impactos devastadores de projetos predatórios, como o Projeto Grão.

Durante o encontro, os indígenas realizaram um ato simbólico de entrega de produtos orgânicos ao senador, destacando que não precisam de leis que permitam arrendamentos ou outras formas de exploração, pois já produzem de forma sustentável em seus territórios, respeitando a natureza e garantindo sua subsistência.

No dia 2 de dezembro foi oficializada a retirada da PEC 36, com a tramitação marcada como “encerrada” pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC) do Senado. Essa conquista é fruto direto da articulação do Conselho Indígena de Roraima (CIR), que integra redes de luta nacional, como a Coiab e a Apib, e mostra que a resistência coletiva é o caminho para assegurar direitos e frear retrocessos.

Movimento permanece mobilizado

Reunidos há 36 dias, mais de mil indígenas permanecem firmes em seu propósito: barrar iniciativas que colocam em risco seus direitos constitucionais. A luta contra a PEC 48 e a Lei 14.701, que estabelece o Marco Temporal, continua sendo uma prioridade. Além disso, a pressão para que o senador Hiran Gonçalves (Progressistas-RR) participe da mobilização na Terra Indígena São Marcos é uma pauta central, já que sua proposta ameaça diretamente os direitos dos povos originários.

*Com informações do Greenpeace

Seca extrema cria “parque” em Manaus, mas vegetação incomum põe em risco equilíbrio ecológico

0

Foto: Delmy Ruiz/Arquivo Pessoal

Nas tardes de sábado durante a estação seca amazônica, dezenas de manauaras foram às margens do rio Negro, na capital do Amazonas, para desfrutar da grama macia. Adolescentes aproveitaram para jogar futebol, enquanto casais levaram cadeiras de praia para ouvir o canto dos pássaros, agora misturado ao funk que saía de algumas caixinhas de som.

O novo passeio de Manaus traz uma ironia: apesar de ser uma opção de lazer “verde”, é resultado da seca histórica que levou o rio Negro aos níveis mais baixos de sua história, deixando hectares de terra exposta para as gramíneas florescerem. A paisagem inclui formações rochosas e uma vista das águas sob a sombra da ponte Jornalista Phelippe Daou.

A seca deste ano, um exemplo do impacto que as mudanças climáticas podem ter na Amazônia nos próximos anos, levou alguns dos principais rios da região aos níveis mais baixos em 122 anos. O fenômeno privou comunidades de sua única fonte de água potável, renda e transporte. Segundo a Defesa Civil, centenas de milhares de pessoas foram afetadas apenas no estado do Amazonas.

Os impactos negativos do parque

Foto: Delmy Ruiz / Arquivo Pessoal

Manaus não conta com muitos espaços verdes como esse novo “parque”. Apesar de estar localizada dentro do bioma Amazônia, a cidade possui uma das menores taxas de arborização entre as capitais brasileiras e dispõe de apenas um punhado de parques, espalhados entre suas estradas movimentadas e congestionadas.

Assim, em setembro deste ano, os moradores de Manaus descobriram o lado positivo da grama que surgiu nas proximidades do rio Negro e começaram a atravessar a ponte Jornalista Phelippe Daou, também conhecida como Ponte Rio Negro, para passar o tempo livre. No entanto, especialistas entrevistados pela InfoAmazonia alertam que, com a subida do rio, a decomposição das gramíneas pode desequilibrar o ecossistema aquático e favorecer a propagação de doenças.

Flávia Costa, bióloga do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), explica que o crescimento de gramíneas em áreas anteriormente submersas é um fenômeno relativamente comum na Amazônia.

No entanto, é incomum que esse fenômeno ocorra em margens secas de rios que logo voltarão a ser submersas, como na área próxima à ponte onde o parque natural se formou. “A extensão em que isso está acontecendo agora é fora do comum, assim como o local”, explicou Costa. “Não é uma nova praia que foi formada, mas uma área que normalmente está debaixo d’água e que só está passando por essa colonização [das plantas] porque o rio baixou demais”.

Com a subida do rio, essas gramíneas podem bloquear parte do fluxo da água, criando áreas propícias à reprodução de mosquitos transmissores de doenças, segundo Costa. Além disso, as plantas podem dificultar a entrada de luz solar no rio, provocando alterações significativas no ecossistema.

A decomposição das gramíneas submersas também reduz os níveis de oxigênio e pH da água, que se torna imprópria tanto para o consumo humano quanto para a fauna aquática. “Não é uma água boa para os peixes, nem para a maioria dos invertebrados”, alertou.

A especialista explica que alguns impactos ambientais podem ser temporários, mas os problemas associados a eles, como o aumento de mosquitos e o potencial para o aparecimento de doenças decorrentes do consumo de água não potável, podem ser duradouros e precisam ser monitorados pelo governo. 

Lazer temporário e a importância das áreas verdes

Os moradores de Manaus relatam sentimentos contraditórios em relação ao novo espaço, dadas as circunstâncias ambientais. Jovanio Gomes, que estava à beira do rio ensinando seu filho a pescar em uma tarde de novembro, afirmou que, apesar do ambiente agradável do parque, a seca trouxe “mais prejuízo que benefício”.

Anderson José, morador de Manaus, disse que faz “muita falta para o manauara um ambiente como esse, onde as famílias podem chegar, sentar, conversar e se divertir”. Por outro lado, disse que o parque natural é “lindo”, mas “estranho e também assustador”.

Segundo Yêda Arruda, líder do projeto Árvores do Asfalto, grupo de pesquisa da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) dedicado ao estudo da arborização urbana, há razões históricas para Manaus não ser uma cidade arborizada. Originalmente, os europeus colonizadores da cidade associaram a vegetação ao primitivismo e começaram a trabalhar “dizendo que o progresso é o concreto”.

Essa visão de planejamento urbano inicial se combinou mais tarde com o crescimento rápido e horizontal da cidade, que foi em grande parte não planejado, especialmente após a criação da Zona Franca e a migração de trabalhadores rurais para Manaus. “Com isso, criou-se uma característica de invasão na cidade de Manaus”, disse Arruda. Isso dificultou que o governo, mais tarde, conseguisse reivindicar espaço dos moradores para construir parques em meio a uma das capitais da Amazônia.

“Parques criam um ambiente harmônico de natureza perto do indivíduo. Estudos já mostram que esses ambientes trazem muitos benefícios para o ser humano, tanto para a saúde física quanto para a saúde mental”, defende Arruda. A especialista pontua, no entanto, que “fica triste” pelo novo parque ter surgido em função de um problema ambiental como a seca. 

A mesma visão tem Flávia Costa, do INPA: “a população está tão sem opções que precisa acontecer uma desgraça como a seca de 2023 e de 2024 para as pessoas terem um lugar de lazer”.

*O conteúdo foi originalmente publicado pela InfoAmazonia, escrito por Nicholas Miller

Áreas de agricultura e pastagem aumentaram 417% na Amazônia desde 1985

0

Foto: Thiago Farias/ICV

As áreas de agricultura e pastagem, somadas, expandiram 417% na Amazônia brasileira nos últimos 39 anos, ocupando 66 milhões de hectares em 2023. No Cerrado, a expansão foi de mais 68%, atualmente 90 milhões de hectares. O bioma possui a maior área absoluta de agricultura – 26 milhões de hectares.

Os dados foram apresentados em 6 de dezembro pelo MapBiomas – rede colaborativa de instituições da qual o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM) faz parte -, em evento no Ministério da Agricultura e Pecuária, em Brasília. O levantamento revela a dinâmica de expansão da agropecuária no Brasil nos últimos 39 anos.

A partir da análise de imagens de satélite do período entre 1985 e 2023, os dados apontam que a área ocupada por culturas temporárias, como soja, cana, arroz e algodão, entre outros, aumentou 3,3 vezes, passando de 18 milhões de hectares para 60 milhões de hectares no Brasil.

Atualmente, 77% da área de agropecuária no país é ocupada por pecuária (164 milhões de hectares), soja (aproximadamente 40 milhões de hectares) ou cana (cerca de 9 milhões de hectares).

Os cerca de 40 milhões de hectares da área mapeada de soja no Brasil representam 14% de toda a área de agropecuária no Brasil. Em 2023, quase metade dessa área cultivada com soja está no Cerrado (19,3 milhões de hectares). Na Amazônia, são 5,9 milhões de hectares.

Conversão para pastagem na Amazônia e Cerrado

A pastagem é atualmente o principal uso antrópico do território brasileiro. Mais de um terço (36%, ou 59 milhões de hectares) das pastagens ficam na Amazônia e cobrem 14% da área total do bioma. Cerca de um terço (31%, ou 51 milhões de hectares) ficam no Cerrado, onde as pastagens ocupam 26% do bioma. Juntos, Amazônia e Cerrado respondem por dois terços (67%) das pastagens brasileiras.

No caso do Cerrado, 72% das áreas de pastagem atuais foram abertas há mais de 20 anos. Na Amazônia, cerca de 40% da conversão das pastagens ocorreu nos últimos 10 anos.

“A partir destes dados abertos desta ciência colaborativa, conhecemos melhor a agropecuária do Brasil para contribuir com tomada de decisões, planejamento do território e melhorar práticas de manejo mais sustentáveis no país”, diz Julia Shimbo, pesquisadora do IPAM e coordenadora científica da rede MapBiomas.

Além dos dados de pastagem e agricultura, foi lançado o módulo atualizado do MapBiomas Solo com os números de estoque carbono orgânico e dados inéditos de granulometria e textura do solo cobrindo todo o território brasileiro. Na próxima semana, será ainda lançada uma nova plataforma do MapBiomas do Monitor de crédito rural que mostrará a série histórica de quem utilizou o benefício, valores e outras informações.

*Com informações do IPAM

PGR pede inconstitucionalidade de leis do Acre sobre licenciamento ambiental

0

Foto: Alexandre Cruz-Noronha/Sema AC

O procurador-geral da República, Paulo Gonet Branco, apresentou ao Supremo Tribunal Federal (STF) ação direta de inconstitucionalidade (ADI) contra as Leis 4396 e 4397, ambas de 2024, do estado do Acre, que alteram regras para concessão de domínio em áreas de florestas públicas e para licenciamento ambiental. A ação apresentada no dia 6 de dezembro pede, ainda, a concessão de medida cautelar (liminar) para suspensão dos efeitos das normas.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as leis violam os princípios de proteção ao meio ambiente e o equilíbrio ecológico, previstos na Constituição Federal. Além disso, os dispositivos são incompatíveis com normas da União que regem a gestão de florestas públicas e procedimentos ambientais.

Na ação, o PGR alerta que as normas trazem “ofensa ao dever estatal de assegurar a proteção do meio ambiente ecologicamente equilibrado”.

Lei 4.396/2024

A Lei 4.396/2024 prevê que, após 10 anos de uso ou posse comprovada em áreas florestais públicas, beneficiários possam receber o título definitivo de propriedade em áreas de florestas públicas, incluindo a retirada de sua condição como unidade de conservação. Segundo Gonet, tal previsão contraria as normas gerais nacionais sobre o tema.

A ADI aponta, ainda, que ao permitir a alienação de imóveis sem os procedimentos previstos, o dispositivo fere as competências de poderes, já que cabe privativamente à União legislar sobre normas gerais de licitação.

Ao questionar a lei, o PGR aponta que o texto desincumbe o Poder Público do dever de proteção decorrente da instituição da unidade de conservação e fragiliza a possibilidade de controle realizado pelo Poder Público em
relação à degradação ambiental, conforme previsto no art. 225 da Constituição.

Lei 4397/2024

Já a Lei nº 4.397/2024 simplifica processos de licenciamento ambiental para atividades em empreendimentos viários, mesmo em áreas de proteção integral. Além disso, a norma estadual cria procedimentos que permitem licenciamento ambiental declaratório em até cinco dias ou, em caso de demora, a presunção de aprovação tácita do pedido.

Segundo o MPF, a simplificação dos processos de licenciamento, viola os princípios da precaução e da prevenção, pilares da proteção ambiental. “Tem-se no licenciamento um instrumento preventivo de controle sobre atividades potencialmente lesivas ao meio ambiente; instrumento este que visa a dar efetividade ao comando do art. 225, IV, da Constituição, que impõe a realização de estudo prévio do impacto ambiental”, reforça Gonet.

Íntegra da ação

*Com informações do MPF

Aplicativo criado no Tocantins busca simplificar transmissão de informações essenciais aos piscicultores

Foto: Divulgação/Ruraltins

O Governo do Tocantins, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins), em parceria com a Secretaria de Estado da Indústria, Comércio e Serviços (Sics), desenvolveu o aplicativo do ‘Discograma da Piscicultura – Peixe Redondo Tocantins’ (Mais Peixe TO) com o objetivo de simplificar a transmissão de informações essenciais aos piscicultores, o que torna o gerenciamento da atividade pesqueira mais eficiente, assertivo e produtivo.

Entre as funcionalidades para orientar os piscicultores estão as questões de povoamento em relação ao tamanho do tanque; a quantidade de ração necessária para o cultivo; e a cronologia, desde o povoamento até a despesca que contempla a troca de ração em cada período. Além das informações, há também a função de compartilhar a recomendação técnica via WhatsApp no formato PDF.

O presidente do Ruraltins, Flávio Terence, destacou que o aplicativo é um exemplo notável de como a tecnologia pode ser adaptada para atender às necessidades específicas, como a dos pequenos produtores de pescado, pela sua abordagem simples e eficaz.

Entre as vantagens do aplicativo, o presidente do Ruraltins, Flávio Terence, elencou as seguintes: “o aumento da produtividade, uma vez que o Discograma ajuda os piscicultores a tomar decisões; consequentemente a redução de erros, já que automação de cálculos complexos reduz a margem de erro, evita perdas financeiras e recursos; o desenvolvimento sustentável com a adoção de práticas de piscicultura sustentável, contribuindo para a preservação do meio ambiente e a qualidade dos produtos; o acesso à informação, por democratizar seu acesso, beneficiando piscicultores de todas as origens; e ainda a questão da Economia de Tempo, os piscicultores podem economizar tempo valioso que antes era gasto em cálculos manuais e pesquisa”.

Desenvolvimento da tecnologia

O Discograma é uma solução tecnológica desenvolvida para atender necessidades específicas do produtor de piscicultura no Tocantins. A iniciativa é resultado de esforços colaborativos entre profissionais de diversas áreas, como o engenheiro de Pesca do Ruraltins, Andrey Costa; o profissional de tecnologia da Informação, Lucas Paixão Goes, que desempenhou papel fundamental no desenvolvimento do aplicativo, e do economista da Sics, Marcondes Martins, idealizador da proposta.

O engenheiro de Pesca do Ruraltins, Andrey Costa, explica que a característica mais marcante do Discograma é a sua simplicidade de uso. “Para o uso do aplicativo, você precisa da internet apenas uma vez para baixar o aplicativo, depois de instalado, o acesso é off-line, sem a necessidade de internet. Basta girar, não precisa entrar e nem digitar nada, não precisa fazer cálculo, ao girar o disco ele te dá as informações na mão de acordo com a produção de peixes redondo aqui do Tocantins”, esclareceu Andrey.

Futuro lançamento

Com a finalidade de tornar o aplicativo conhecido e, principalmente, acessível ao produtor, o Ruraltins, realizará a apresentação da ferramenta nas próximas edições da Feira da Colheita. Além do lançamento, ocorrerão também orientações sobre como deve ser utilizado.

“À medida que a tecnologia continua a avançar, podemos esperar ver mais iniciativas como essa que capacitam as comunidades rurais e promovem o desenvolvimento agrícola de forma inovadora e acessível”, concluiu o presidente do Ruraltins, Flávio Terence.

O aplicativo pode ser baixado em aparelhos que usam o sistema Android AQUI.

*Com informações do Governo do Tocantins