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Gavião Kyikatejê, o primeiro time indígena do Brasil

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Foto: Divulgação/ Gavião Kyikatejê

O Gavião Kyikatejê é um marco histórico no futebol brasileiro. Criado dentro de uma aldeia no sudeste do Pará, o clube tornou-se o primeiro time indígena a competir em torneios profissionais reconhecidos pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF). Sua trajetória une esporte, cultura e resistência, e simboliza a força de um povo que encontrou nos gramados uma nova forma de expressão e afirmação de identidade.

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A equipe representa o povo Gavião Kyikatejê, pertencente ao tronco linguístico Timbira, que vive na Terra Indígena Mãe Maria, localizada entre os municípios de Bom Jesus do Tocantins e Marabá, no interior do Pará. A ideia de formar o time surgiu como um projeto social, com o objetivo de fortalecer a juventude indígena e criar oportunidades dentro da comunidade.

O clube foi fundado oficialmente em 2009, sob a liderança do cacique e ex-jogador de futebol Pepkrakte Jakukrekaperi, conhecido como “Zeca Gaveão”. O projeto nasceu de forma simples, com jogos amistosos entre os jovens da aldeia, mas rapidamente ganhou força e atenção nacional. Pouco tempo depois, o Gavião Kyikatejê se filiou à Federação Paraense de Futebol (FPF) e começou a disputar competições oficiais.

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Imagem colorida mostra Zeca Gavião em conversa com indígenas e possíveis atletas do Gavião Kyikatejê em 2014.
Foto: Reprodução/Facebook-Leon Ramirez

Já em 2014, o Gavião Kyikatejê alcançou um feito inédito: participar da primeira divisão do Campeonato Paraense, tornando-se assim o primeiro clube indígena a competir em um torneio profissional estadual. A conquista foi um marco não apenas para o povo Gavião, mas também para todas as comunidades indígenas do Brasil.

A cultura do povo Gavião Kyikatejê dentro e fora de campo

O futebol, no contexto do Gavião Kyikatejê, é mais do que uma prática esportiva: é uma extensão da cultura e da organização comunitária. Antes das partidas, por exemplo, é comum que os jogadores realizem rituais tradicionais, como pinturas corporais e cantos em língua indígena. Esses elementos reafirmam a ligação entre o esporte e as tradições do povo.

O uniforme do clube também carrega símbolos da cultura Gavião. As cores vermelho e preto representam, respectivamente, a força e a resistência. O escudo traz o desenho de um gavião, animal sagrado e símbolo de coragem.

Além disso, os jogos do time são acompanhados por torcedores da aldeia e das comunidades vizinhas, que levam para as arquibancadas maracás e cantos típicos, transformando os estádios em verdadeiros espaços de celebração cultural.

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A presença do Gavião Kyikatejê nos campeonatos também tem um papel educacional. O clube incentiva o estudo e o respeito às tradições, mostrando aos mais jovens que é possível conciliar o esporte com a preservação da identidade indígena. Muitos dos atletas que já vestiram a camisa do time vivem na aldeia e se dividem entre os treinos e as atividades comunitárias, como a caça, o plantio e as assembleias tradicionais.

A direção do Gavião Kyikatejê também adota práticas de gestão inspiradas na coletividade indígena. As decisões importantes são tomadas em conjunto, com participação da comunidade e do cacique. O projeto, além de promover o futebol, estimula o orgulho étnico e reforça o senso de pertencimento dos Kyikatejê.

Desafios e conquistas no futebol profissional

Apesar do simbolismo e da visibilidade, o caminho do Gavião Kyikatejê no futebol profissional não tem sido fácil. O clube enfrenta dificuldades financeiras, desafios logísticos e limitações de infraestrutura. A aldeia Mãe Maria fica a mais de 500 quilômetros de Belém, o que encarece o deslocamento para jogos e compromissos oficiais.

Ainda assim, o Gavião Kyikatejê conquistou respeito dentro do futebol paraense. Entre os anos de 2014 e 2020, o time disputou diversas edições do Campeonato Paraense, enfrentando clubes tradicionais como Remo, Paysandu e Águia de Marabá. Mesmo com orçamentos modestos, conseguiu manter um elenco competitivo e atrair atenção da mídia nacional e internacional.

O clube também se tornou tema de documentários e estudos acadêmicos sobre a relação entre esporte e identidade indígena. Em 2015, o Gavião Kyikatejê foi retratado no curta-metragem “Gavião Kyikatejê Futebol Clube”, que destacou o cotidiano dos jogadores e a importância do projeto para o fortalecimento cultural da aldeia.

Mais do que os resultados em campo, o maior legado do Gavião Kyikatejê é a inspiração. O time mostrou que o futebol pode ser uma ferramenta de integração social, de valorização da diversidade e de reafirmação da presença indígena em espaços onde antes havia pouco reconhecimento.

MPF aciona Justiça contra projeto de carbono em territórios tradicionais no Amazonas

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RDS em Manicoré. Foto: Nilmar Lage/Greenpeace

O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com uma ação civil pública para suspender o Projeto Amazon Rio, que atua na certificação e venda de créditos de carbono em áreas do município de Manicoré, no Amazonas. Segundo o órgão, parte do território do projeto se sobrepõe a áreas de comunidades tradicionais, sem que tenha havido consulta livre, prévia e informada.

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O inquérito conduzido pelo MPF apontou que 13% da área do projeto está sobreposta ao Território de Uso Comum (TUC) de Manicoré. O restante incide sobre áreas utilizadas pelas populações locais para atividades de extrativismo, pesca e caça de subsistência, práticas essenciais para a reprodução cultural, social e econômica dessas comunidades.

Um Território de Uso Comum (TUC) é uma área ocupada por povos e comunidades tradicionais no Amazonas, reconhecida como espaço coletivo de subsistência e reprodução cultural. Nesses territórios, as populações desenvolvem atividades como extrativismo, pesca e caça, fundamentais para sua sobrevivência e identidade social.

Leia também: Projeto prevê redução de desmatamento e emissão de carbono na Amazônia

MPF aciona Justiça contra projeto de carbono em territórios tradicionais no Amazonas
Foto: Paulo Maurício

O que o MPF solicita?

Na ação, o MPF solicita que a Justiça determine a paralisação total e imediata de qualquer atividade relacionada ao projeto, incluindo novas validações, auditorias, emissões, transferências ou vendas de créditos de carbono. O pedido é direcionado à Empresa Brasileira de Conservação de Florestas (EBCF) e outras entidades envolvidas. Confira abaixo:

  • Certificadora internacional Verra
  • Co2x Conservação de Florestas
  • Renascer Desenvolvimento Humano
  • HDOM Consultoria Ambiental

Embora a EBCF afirme ter realizado reuniões com as comunidades, o MPF destaca que os encontros foram pontuais e não respeitaram os modos de vida locais.

Leia também: Entenda o que é e para que serve o mercado de carbono

projeto de carbono
Sitio habitado há mais de 50 anos na região do rio Manicoré. Foto: Jolemia Chagas

“Fazer uma reunião de algumas horas nas quais informações são despejadas nas comunidades, muitas vezes formadas por pessoas sem conhecimento formal, não caracteriza consulta nos moldes da Convenção nº 169 da OIT”, afirma o órgão.

O MPF pede que as empresas sejam condenadas solidariamente ao pagamento de indenização por danos morais, no valor de R$ 10 mil para cada comunidade afetada. Além disso, solicita indenização por danos materiais equivalente ao valor total da venda dos créditos de carbono, estimado em US$ 430 mil (cerca de R$ 2,2 milhões).

O órgão também requer a declaração de nulidade de todos os créditos de carbono gerados pelo Projeto Amazon Rio e que a certificadora Verra seja obrigada a cancelar as certificações já emitidas.

*Por Lucas Macedo, da Rede Amazônica AM

26 de dezembro de 2025: 109 anos da morte de Vespasiano Ramos

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Vespasiano morreu aos 32 anos e deixou um único livro. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal

Por Júlio Olivar – julioolivar@hotmail.com

João Alfredo de Mendonça era um jornalista proeminente da região. Apesar de haver outros redatores no modesto jornal “O Município”, ele se destacava pelo trabalho meticuloso e o faro de repórter à moda antiga, caracterizado por um estilo descritivo repleto de adjetivos.

Seu breve período de residência em Porto Velho ocorreu antes da era do rádio no Brasil, iniciada em 1923, no Rio de Janeiro. Naquela época, toda a comunicação social acontecia através das páginas impressas em tipografia e nas telas silenciosas dos cinemas.

“Cantores” e “trovadores” – como também eram chamados os poetas – declamavam em bares e cineteatros; quando possível, publicavam na imprensa, um estágio anterior à publicação em livros. Foi numa dessas “cantorias” que Mendonça conheceu Vespasiano Ramos, em 1914, em Belém.

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Quando se conheceram, a fama do poeta já era grande na cidade. “A voz melodiosa e gemente, a voz de sofredor, de caminhante do infinito”, assim o “cantor” Vespasiano Ramos foi descrito pela crítica de “O Estado do Pará”, após uma apresentação repleta de “bravos!” em novembro de 1912.

Mendonça e Vespasiano fundaram juntos a Associação de Belas Letras de Belém. O poeta já havia trabalhado com o jornalista na “Folha da Noite”, importante matutino do Pará, onde também promoviam conferências, tertúlias e saraus, como o Festival de Poesias no Teatro da Paz. Ali, Vespasiano conviveu com Humberto de Campos e Maranhão Sobrinho, maranhenses, e com Mendonça, paraense de Abaeté, grandes nomes da literatura.

O jornalista João Alfredo de Mendonça passou por muitos percalços nesse meio tempo. Chegou a ser julgado por homicídio em 1913 e 1914. O tempo passou. Em 1916, aportou em Porto Velho o poeta já reconhecido no Maranhão, Piauí, Pará e Amazonas: Joaquim Vespasiano Ramos, Vespa para os amigos.

Vitrines para os bardos, todos os jornais que se prezavam reservavam espaços para essa vertente literária, considerada maior que crônicas, novelas e contos. Trovadores eram artistas, enquanto os demais eram “polemistas” remunerados e partidários. Vespasiano Ramos era o “Poeta do Amor”, um parnasiano sentimental e lírico, sempre envolto em reflexões apaixonadas e sensuais, como em “Cruel”:

“Se o desejo que eu tenho ela tivesse,/ Se os meus sonhos de amor ela sonhasse,/ Aos meus fogos talvez não se opusesse” (…).

Em 2016, ato da Academia Rondoniense de Letras em homenagem a Vespasiamo Ramos, no centenário de sua morte. Jazigo do poeta no Cemitério dos Inocentes foi revitalizado pela ARL. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal

Vespa veio para os confins da Amazônia – Porto Velho tinha apenas dois anos como cidade constituída – fugindo de um amor não correspondido. Decidiu, para manter-se longe da boemia e da amada, embrenhar-se no seringal do ricaço Aureliano Borges do Carmo, um amigo que conhecera no Pará e que vivia em Papagaios, atual cidade de Ariquemes. O poeta pretendia trabalhar como guarda-livros [como se chamavam os contabilistas na época] de Aureliano.

O próprio João Mendonça relatou: “Chegara o poeta a Porto Velho no dia 3 de novembro de 1916, a bordo do ‘Andresen’, navio pertencente à frota mercante de Manaus, onde Vespasiano tomara passagem na gaiola, com destino ao seringal de propriedade do seu amigo coronel Aureliano Borges do Carmo”.

Ainda a bordo, o poeta mandou um bilhete e um presente, portador de ambos o contínuo Rufino, que fora buscar a correspondência oficial da prefeitura, trazida pelo agente do posto embarcado. No bilhete, escrito a lápis, Vespasiano pedia que o amigo Mendonça fosse ao navio, onde o aguardava “com uma cervejinha gelada, desejando um bom dia e outros singelos gracejos que caracterizavam o poeta”, contou Mendonça ao receber a mensagem.

Foi com a ideia de escrever o livro “Poema da Amazônia” que Vespasiano Ramos deixou o Rio de Janeiro e regressou a Belém, de onde rumou para o Madeira, em busca do seringal, que lhe oferecia refúgio propício e ambiente espiritual para tentar o empreendimento que constituía o seu grande sonho.

Vespasiano tinha 32 anos e havia acabado de lançar no Rio de Janeiro, entre convivas da clássica Confeitaria Colombo frequentada por imortais da Academia Brasileira de Letras, o livro “Cousa Alguma”, sua única obra reunida. Muito antes, ainda adolescente, já publicava trabalhos nos jornais de sua terra natal, Caxias, “a cidade dos poetas” que também deu ao mundo Gonçalves Dias e Coelho Neto.

Em 15 de novembro de 1916, o jornal “O Município” publicou o poema “Ave, França”. Um mês depois, Vespasiano começou a dar mostras da sua fragilidade. O médico Joaquim Tanajura foi chamado e o diagnosticou com tuberculose. Também o assistiu, com a mesma opinião, o veterano médico Carlos Grey, que vindo de Manaus – onde clinicava desde o século anterior – passou uma temporada em Porto Velho.

O amigo jornalista quis levar o doente para sua casa, mas ele recusou, preferindo permanecer hospedado na redação do próprio jornal. Vespa viveu apenas algumas semanas em Porto Velho. É reconhecido como “O precursor das letras” e símbolo de Rondônia no Mapa Brasileiro de Literatura desenvolvido em 2017 pela revista Super Interessante, pois foi o primeiro a emergir após a criação da atual capital rondoniense.

Na verdade, Vespasiano chegou a estas paragens já doente, sofrendo de cirrose, mas ainda assim não dispensava um trago. Quando Mendonça foi tomar uma cerveja com o amigo ao entardecer às margens do Rio Madeira, percebeu que Vespa estava “muito pálido e trêmulo”. No dia 22 de dezembro, enquanto Mendonça preparava a edição especial de Natal, perguntou ao poeta:

– “Vespa, queres escrever uns versos para “O Município?”.

“Pedindo umas folhas de papel de impressão e um lápis, sentado na rede armada a um canto da sala, perto dos caixotins onde o tipógrafo Durval Lopes, com o componedor em punho, formava os paquêts, Vespasiano Ramos, sob a ardência de uma febre de quase quarenta graus, escreveu de um ímpeto, sem emendas, formosos versos que refletem todo o misticismo de sua alma simples e cheia de bondade e ternura”, registrou João Alfredo de Mendonça.

Vespasiano morreu aos 32 anos e deixou um único livro. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal
Vespasiano morreu aos 32 anos e deixou um único livro. Foto: Júlio Olivar/Acervo pessoal

“Prece para as criancinhas” foi o último soneto escrito por Vespasiano Ramos, sob febre ardente, quatro dias antes de sua morte. Curiosamente, no poema de cunho religioso, Vespasiano fala, na terceira estrofe, da Primeira Guerra Mundial (1914/1918). Incomum, como seria qualquer outra questão social abordada em sua obra: “Suave Jesus! Além, do outro lado,/ Rugem canhões plantando a guerra:/ Rios de sangue se têm formado/ Sobre a planície triste da Terra”.

No dia 23, embora contra sua vontade, ele foi levado para a casa de João Alfredo. Ainda assim, pôde ler seu poema estampado na capa do jornal. O Natal era a celebração que mais acalentava seu coração, e ele a viveu pela última vez, expurgando todos os pecados.

Anêmico e entregue à luxúria, assim estava Vespasiano à beira da morte. Pediu ao amigo que enviasse uma mensagem telegráfica à sua mãe, em sua terra natal, Caxias (MA), desejando-lhe um feliz 1917. Pereceu logo depois. Atestado de óbito: malária, agravada pela possível desnutrição, cirrose e tuberculose. Morreu na casa do diretor do jornal. Sua vida se esvaiu poeticamente às duas da tarde de uma chuvosa terça-feira pós-natal. Com uma vela na mão, exaltava seu catolicismo, talvez buscando um lenitivo ou uma indulgência para os excessos da carne que o conduziram prematuramente ao além.

A chama trêmula da vela refletia não só sua fé, mas também a fragilidade da vida, que, mesmo em seus momentos finais, é marcada por uma busca incessante por redenção e paz. Ele estava nos braços do velho amigo quando pronunciou suas últimas palavras: “Minha mãe, minha mãe! Muito obrigado! Adeus!”.

Diante da cena, Mendonça lembrou de uma trova singela: “Não há tristeza, no mundo / Que se compare à tristeza / Dos olhos de um moribundo/ Fitando uma vela acesa”. Chamaram o médico, Dr. Joaquim Augusto Tanajura, prefeito eleito prestes a tomar posse. Vespasiano foi levado para o recém-inaugurado Cemitério dos Inocentes.

Desceu à sepultura no alto do terreno. Seu poema mais famoso, “Ao Cristo”, foi colocado na lápide do túmulo e é frequentemente editado [sem autorização] com trechos, palavras e pontuações ausentes. Aqui o publico em sua forma original, tal qual o quis Vespa:

Ó Sombra… Ó essência… Ó espírito… Ó bondade!
Soberano senhor dos soberanos. Esperança dos míseros humanos.
Jesus – Misericórdia e Caridade!

Cristo-Amor… Cristo-Luz. Cristo-Piedade!
Divino apagador dos desenganos.
Ó, tu que foste há quase dois mil anos,
Sacrificado pela Humanidade.

Prometeste voltar! Não voltes, Cristo!
Serás preso, de novo, às horas mudas,
Depois de novos e divinos atos.

Porque, na Terra, deu-se apenas isto:
– Multiplicou-se o número de Judas.
E vai crescendo a prole de Pilatos!…

Leia também: Livro ‘O Tabelião e o Ministro’ resgata a história da família Coelho na Amazônia

Sobre o autor

Júlio Olivar é jornalista e escritor, mora em Rondônia, tem livros publicados nos campos da biografia, história e poesia. É membro da Academia Rondoniense de Letras. Apaixonado pela Amazônia e pela memória nacional.

*O conteúdo é de responsabilidade do colunista

Turismo de observação de aves de Roraima é destaque em catálogo nacional

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Turismo de observação de aves. Foto: divulgação

Em um esforço para promover o ecoturismo sustentável e destacar a rica biodiversidade brasileira, o Ministério do Turismo lançou, no dia 4 de dezembro, o Catálogo de Experiências de Turismo de Observação de Aves.

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O documento coloca o estado de Roraima em evidência como um dos principais destinos para o “birdwatching” no país, unindo conservação ambiental, conhecimento científico e desenvolvimento econômico local.

Saiba mais: Birdwatching: Veja lugares para observação de pássaros em Manaus

observação de aves de Roraima
Turismo de observação de aves de Roraima é destaque em catálogo nacional. Foto: JPavani

O catálogo mapeia 123 iniciativas em todo o território nacional, organizadas por estado, bioma, espécie e unidade de conservação. A região Norte do Brasil abriga a maior floresta tropical do mundo, com um mosaico de paisagens que acolhe mais de 1.400 espécies de aves, muitas delas endêmicas. 

Roraima, o estado mais ao norte do país, revela uma face única da Amazônia. Sua avifauna reflete um sistema de paisagens influenciado por variações climáticas e de relevo, onde florestas densas – com cipós e epífitas – dividem espaço com ambientes abertos como savanas, campinas e os icônicos campos de Roraima, com mais de 760 espécies registradas.

O diretor do Departamento de Turismo da Secretaria de Cultura e Turismo de Roraima (Secult), Bruno Muniz de Brito, disse que a atividade vem se desenvolvendo há muitos anos e atualmente verifica-se um aumento na quantidade de profissionais que fazem o avistamento para receber turistas. 

Turismo de observação de aves de Roraima é destaque em catálogo nacional. Foto: JPavani

“Nós somos no país uma grande referência em observação e aves, com mais de 600 espécies avistadas em um único dia”, disse o diretor. 

Um dos destaques do catálogo é o Parque Nacional do Viruá, reconhecido como Área Importante para a Conservação das Aves (IBA). O ambiente apresenta uma diversidade de ecossistemas formada por uma depressão geológica que alterna paisagens sazonais ao ritmo dos rios. 

O parque possui também ambientes como campinaranas, florestas alagáveis e igarapés de águas pretas, que abrigam espécies raras e endêmicas do extremo norte do país. O local detém o recorde brasileiro de observação de aves em um único dia: impressionantes 225 espécies.

Pássaros da região amazônica estão mudando. Foto: Anselmo D’Affonseca/Divulgação
Pássaros da região amazônica estão mudando. Foto: Anselmo D’Affonseca/Divulgação

O Brasil, terceiro país com maior diversidade de aves no mundo, é um destino ideal para o birdwatching. Essa atividade, quando praticada de forma responsável, contribui para o combate ao tráfico de fauna, reduz conflitos socioambientais e fortalece o monitoramento participativo de espécies. 

O novo catálogo organiza e dá visibilidade a esse segmento em expansão, tanto no mercado nacional quanto internacional, posicionando o ecoturismo como ferramenta de desenvolvimento sustentável.

Você pode acessar o Catálogo de Experiências de Turismo de Observação de Aves abaixo:

*Com informação da Secom RR

Entenda por que o povo Akuntsú ficou 30 anos sem novos bebês

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Foi somente agora, com a união de Babawru Akuntsú, de aproximadamente 42 anos, e um indígena do povo Kanoé, também morador da Terra Indígena Rio Omerê, que o nascimento de uma criança se tornou possível. Foto: Divulgação/Funai

Após três décadas sem registrar nenhum nascimento, o povo Akuntsú, considerado um dos menores povos indígenas do Brasil e sobrevivente de massacres e expulsões na região do rio Corumbiara (RO), celebrou no dia 8 de dezembro a chegada de um bebê. O marco ocorre após anos de perdas que reduziram a etnia a apenas três mulheres.

Saiba mais: Celebração: povo Akuntsú, de Rondônia, registra nascimento do primeiro bebê em 30 anos

Os Akuntsú sofreram uma drástica redução populacional em razão de massacres e disputas de terra. Vestígios encontrados pela Funai indicam que, nos anos 1980, uma aldeia com cerca de 30 pessoas foi destruída. No primeiro contato oficial, em 1995, restavam apenas sete indígenas.

Com o passar dos anos, mortes e acidentes diminuíram ainda mais o grupo. Em 2009, eram cinco pessoas. Após as mortes de Kunibu e Popak, sobraram apenas três mulheres: Pugapia, Aiga e Babawru. As relações de parentesco entre os sobreviventes impediram a reprodução, e a resistência em buscar relações com outros povos indígenas dificultou ainda mais a possibilidade de novos nascimentos.

Foi somente agora, com a união de Babawru Akuntsú, de aproximadamente 42 anos, e um indígena do povo Kanoé, também morador da Terra Indígena Rio Omerê, que o nascimento de uma criança se tornou possível. Apesar de pertencerem a etnias diferentes, Akuntsú e Kanoé são os únicos povos que mantêm contato diário na região.

mulheres do povo Akuntsú Foto Divulgação Funai
Foto: Divulgação/Funai

O parto de foi acompanhado por equipes de saúde indígena, com apoio médico em Vilhena (RO), respeitando os costumes e garantindo a segurança da mãe e da criança.

Para a Funai, a chegada do bebê é um marco simbólico e prático. “A vinda dessa criança Akuntsú soma mais incentivos e estímulos para a continuidade das ações com eles”, afirmou o órgão.

Desde o primeiro contato, há 30 anos, equipes da Funai permanecem junto aos Akuntsú e Kanoé, promovendo a proteção territorial, assegurando direitos e preservando hábitos e costumes tradicionais.

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Importância para o povo Akuntsú

Para as últimas três mulheres Akuntsú, o bebê representa esperança. “O nascimento dessa criança traz novas expectativas de vida e renasce a esperança de continuidade do povo”, destacou a Funai.

O grupo mantém o uso exclusivo de sua própria língua e preserva práticas culturais como cerâmica, adornos corporais, instrumentos musicais e formas próprias de organização social. Nenhuma das mulheres fala português.

*Com informações da Rede Amazônica RO

Mulheres artesãs de Óbidos produzem árvores de natal e presépios com materiais amazônicos

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Foto: Divulgação/Emater PA

Presépios e árvores de natal confeccionados com matéria-prima amazônica, recolhida de forma sustentável dos rios e florestas, são uma alternativa de presente e de decoração das boas festas em Óbidos, no Pará.

Sob a assinatura de mulheres da comunidade Sucuriju, no km 06 da Estrada do Curumu, o artesanato agroecológico é uma atividade, apoiada de forma direta pelo Governo do Pará, por meio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater).

O objetivo é a diversificação de trabalho e renda às tradições de cultivo e beneficiamento de mandioca e de pesca artesanal de espécies como dourada e sarda no Lago do Suricuju e no Rio Amazonas. 

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O grupo “Natureza em Mãos Mágicas” reúne 12 famílias que utilizam pau, pedra, semente, galho e folha de variedades de açaí e capim-rosário (planta conhecida como “lágrimas de Nossa Senhora”), entre outros elementos da natureza, para compor peças exclusivas de motivo e estética campesinos.

Árvores de natal, por exemplo, podem ser a palmeira de bacaba esqueletizada e os presépios exibem passarinhos da fauna típica, tais quais bem-te-vi rajado e iraúna-grande. 

Foto: Divulgação/ Agência Pará

Os itens são comercializados sem atravessadores em feiras temáticas no município. A última edição do ano foi no dia 23. 

Leia também: Criatividade amazônida transforma decorações de Natal em Santarém

Para a chefe do escritório local da Emater em Óbidos, a assistente social Clélia Helena Guerreiro, especialista em Filosofia, o papel da Emater integraliza a cadeia produtiva:

“Participamos de todo o processo: o acompanhamento da Emater é científico, sociocultural, financeiro – o que ampara todos os agentes e todas as etapas, das origens ao consumo. No significado da Emater, a produção não é o fato em si, esporádico, mas o serviço continuado, histórico e consolidado. Nós nos preocupamos, além disso, em apoiar essas famílias na gestão dos negócios, no que diz respeito à aplicação dos recursos, à contabilidade e à visão de futuro”, resume. 

Foto: Divulgação/ Agência Pará

A questão do gênero, ainda, exige políticas públicas e abordagem particularizadas, conforme a Gestora: “Até nossa convivência no dia a dia, na rotina, embora informal, não deixa de ser oficial: ali, reforçamos informações importantes, de direitos femininos e feministas, e fortalecemos o propósito de autonomia, empoderamento e independência econômica e intelectual”, sublinha a chefe do escritório local da Emater em Óbidos

Foto: Divulgação/ Agência Pará

Incentivo

De novembro a dezembro, cinco mulheres do grupo de Óbidos, consideradas em situação de pobreza, receberam, via Emater, recurso no valor de R$ 4 mil e 600, em duas parcelas, do Programa de Fomento às Atividades Produtivas Rurais (Fomento Rural).

Uma parceria com o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), o Fomento Rural patrocina empreendimentos da agricultura familiar, sem que os beneficiários precisem pagar nada de volta. 

Imagem colorida mostra mulheres de Óbidos produzindo artesanatos
Foto: Divulgação/Emater PA

Com o dinheiro, as artesãs de Óbidos adquiriram insumos, e também estão investindo na construção de um ateliê e loja dentro da Comunidade, em substituição ao espaço atual, um barracão de madeira e palha, de 25 m².

O projeto do novo espaço, em um terreno doado em óbidos de cerca de 300 m², mantém um diferencial já existente no barracão: uma área kids, onde, nas férias ou nos turnos fora do período escolar, os filhos crianças descansam, brincam e até fazem o próprio artesanato, supervisionados pelos pais e pelos especialistas da Emater. Os produtos de autoria infantil também se encontram disponíveis para venda. 

*Com informações da Emater PA

De herói da floresta a símbolo global: 5 filmes sobre o legado de Chico Mendes

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Chico Mendes foi morto há 37 anos por fazendeiros no interior do Acre. Foto: Reprodução

Símbolo da luta ambientalista e patrono do meio ambienteChico Mendes foi assassinado com um tiro de escopeta há exatos 37 anos, mais precisamente em 22 de dezembro de 1988, enquanto tomava banho nos fundos de casa. Nos dias que se seguiram à morte de Chico, houve comoção mundial.

Saiba mais: Chico Mendes: conheça a história do ambientalista acreano

Conhecido internacionalmente, seu legado é mantido pelos filhos por meio do Comitê Chico Mendes, além de instituições, avenidas e parques que levam o nome dele, tais como o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a Via Chico Mendes e o Parque Ambiental Chico Mendes, estes dois últimos em Rio Branco. 

Por toda sua atuação, o ambientalista inspirou diversos filmes que relembram a luta e a mensagem de resistência do líder seringueiro que ultrapassa gerações:

1. “The Burning Season / Amazônia em Chamas” (1994)

Estrelado pelo ator porto-riquenho Raul Julia, o filme ‘The Burning Season’ é a obra mais conhecida sobre o ativista, retratando sua trajetória, a luta contra o desmatamento no Acre e os conflitos que levaram ao seu assassinato. 

Dirigido por John Frankenheimer, o filme para TV foi nomeado a quatro categorias do Globo de Ouro e venceu três, sendo melhor minissérie ou telefilme, melhor ator em minissérie ou telefilme e melhor ator coadjuvante em televisão. 

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2. “Chico Mendes: Eu Quero Viver” (1989)

Produção brasileira feita pouco tempo após sua morte, o documentário reconstitui sua história e o impacto político e ambiental da sua atuação, com forte tom de denúncia. 

Com registros feitos entre 1985 e 1988, o longa dirigido por Adrian Cowell acompanha a criação da Aliança dos Povos da Floresta e a luta dos seringueiros pela demarcação de Reservas Extrativistas na Amazônia. 

3. “Chico Mendes – O Preço da Floresta” (2010)

Dirigido por Rodrigo Astiz, o documentário é focado no legado ambiental e social deixado por Mendes e aborda o custo humano da defesa da floresta e a realidade dos seringueiros. 

Casa em Xapuri onde viveu e morreu Chico Mendes — Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco
Casa onde viveu e morreu Chico Mendes, em Xapuri (AC). Foto: Melícia Moura/CBN Amazônia Rio Branco

4. “The 11th Hour” / “A 11ª Hora” (2007)

O documentário, criado por Leonardo DiCaprio, discute sobre o estado do meio ambiente e aborda os graves problemas que os sistemas de vida do planeta enfrentam. 

Apesar de não ser como os anteriores, o longa cita o ambientalista ao abordar líderes ambientais assassinados por defenderem a natureza. 

5. Cowspiracy” (2014)

O documentário dirigido por Kip Andersen e Keegan Kuhn menciona sobre os impactos ambientais da pecuária. 

Dentro do contexto, ele é citado como um dos mártires da defesa das florestas, dos povos tradicionais e por se opor à indústria agropecuária e ao desmatamento predatório na Amazônia. 

Leia também: 5 músicas que homenageiam legado de Chico Mendes

*Por Renato Menezes, da Rede Amazônica AC – leia completo AQUI

Projeto ‘Amigos do Papai Noel’ atende crianças ribeirinhas do Amazonas há 27 anos

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Festa reuniu brincadeiras tradicionais e muita música. Mais de 400 crianças foram beneficiadas. Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

Criado há 27 anos, o projeto “Amigos do Papai Noel” levou a magia de Natal para comunidades ribeirinhas de Manaus (AM) e municípios vizinhos. No dia 20 de dezembro várias crianças receberam presentes e celebraram a chegada do Papai Noel, que visitou as comunidades de barco.

O projeto, mantido por doações, tem objetivo de levar alegria a famílias em situação de vulnerabilidade. A festa reuniu brincadeiras tradicionais e muita música. Na primeira comunidade visitada, cerca de 400 crianças ganharam presentes e aproveitaram a presença do bom velhinho.

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Na segunda parada do dia, os “Amigos do Papai Noel” foram recebidos por crianças que chegaram de canoa para não perder a visita especial.

O projeto é mantido por doações e tem como objetivo levar alegria a famílias em situação de vulnerabilidade.

Papai Noel conta com ajudantes

Ao todo, pelo menos 50 voluntários participam da ação. Entre eles está Geraldo, contador que já soma 25 anos como ajudante do Papai Noel.

“Se você souber o que o outro está passando você vai se colocar no lugar dele e ajudar”, conta o Papai noel.

Projeto 'Amigos do Papai Noel' atende crianças ribeirinhas do Amazonas há 27 anos
Foto: Reprodução/Rede Amazônica AM

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A viagem dura o dia inteiro e percorre diferentes comunidades ribeirinhas. O resultado é visto nos sorrisos iluminados das crianças, considerados pelos organizadores como o maior presente do Natal amazônico.

“Esse é um presente até pra gente. Estamos aqui pra trazer o sorriso pra criançada”, disse Denise Kasama, coordenadora da iniciativa.

Povos tradicionais preservam até 80% de vegetação nativa, mesmo sob pressão de desmatamento, diz estudo

Povos tradicionais da Amazônia. Foto: Divulgação

Os territórios ocupados por Comunidades e Povos Tradicionais e Agricultores Familiares desempenham um papel essencial para a conservação ambiental no Brasil. É o que reforça o 6º Relatório de Povoamento do Tô no Mapa, lançado pela iniciativa que apoia, desde 2020, a autodeclaração territorial dessas comunidades por meio de aplicativo gratuito. 

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O estudo teve como foco o uso da terra nas comunidades e povos tradicionais e analisou 399 territórios tradicionais, distribuídos em 111 municípios de 11 estados diferentes, cruzando essas informações com a série histórica da iniciativa MapBiomas, que abrange dados do período de 1985 a 2024. 

Povos tradicionais
Povos tradicionais preservam cerca de 80% da vegetação nativa, bem acima das áreas vizinhas, e tiveram 16 vezes menos desmate entre 2023 e 2024. Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM)

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O levantamento inédito mostra que os territórios tradicionais autodeclarados preservam, em média, 80% de vegetação nativa, enquanto as áreas ao redor apresentam um índice de cerca de 65%. Entre 2023 e 2024, o desmatamento dentro dos territórios automapeados foi 16 vezes menor do que em seu entorno. 

Esses resultados revelam que os territórios tradicionais atuam como “barreiras vivas” contra a degradação ambiental, especialmente em biomas sob forte pressão, como o Cerrado, que registrou os maiores índices de desmatamento do país nos últimos dois anos. 

Agricultura familiar. Foto: Mauro Neto/Secom AM

“O modo de vida das Comunidades e povos Tradicionais conserva os territórios e os territórios conservados viabilizam o modo de vida, em uma relação cuja permanência é essencial para um equilíbrio ambiental que beneficia a sociedade como um todo”, destaca o coordenador executivo da iniciativa Tô No Mapa e assessor técnico do ISPN, André Moraes.

Principais destaques do relatório: 

  • 1,3 milhão de hectares já automapeados no aplicativo Tô No Mapa.
  • 80% de vegetação nativa preservada dentro dos territórios. 
  • 4 dos 6 biomas brasileiros já possuem comunidades mapeadas. 
  • 19 segmentos de PCTs representados no aplicativo Tô no Mapa (como quilombolas, extrativistas, ribeirinhos, indígenas, entre outros). 
  • Maranhão lidera em número de comunidades cadastradas (231).

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O cruzamento dos dados do Tô no Mapa com informações sobre uso do solo, como as geradas pelo MapBiomas, representa um avanço significativo para o reconhecimento dos territórios de Povos, Comunidades Tradicionais e Agricultores Familiares. A tecnologia aliada aos conhecimentos tradicionais permite identificar sobreposições com atividades como desmatamento, expansão agrícola, mineração e infraestrutura, fornecendo subsídios para políticas públicas e processos de regularização fundiária. 

A iniciativa

A iniciativa também tem integração com a Plataforma de Territórios Tradicionais (PTT), coordenada pelo Ministério Público Federal (MPF) e Conselho Nacional de Povos e Comunidades Tradicionais (CNPCT), fortalecendo a defesa dos direitos territoriais. 

Assentamentos povos tradicionais indígenas do Pantanal Maranhense. Foto Rodrigo Méxas/FioCruz

O Tô No Mapa é uma realização do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (IPAM), do Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN), do Instituto Cerrados, da Rede Cerrado, com apoio financeiro da Climate and Land Use Alliance (CLUA), da Good Energies Foundation, da Ecosia e do DANIDA. A ferramenta é gratuita, acessível e construída a partir do diálogo direto com as comunidades. 

O relatório completo está disponível AQUI

Fim de Ano Amazônico promove ação de coleta de resíduos durante a virada de ano em Macapá

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A Fundação Rede Amazônica (FRAM) realiza, durante a festa de virada de ano em Macapá, uma ação especial de coleta de resíduos, integrando as atividades do projeto Fim de Ano Amazônico. A iniciativa conta com a parceria da Tratalyx, empresa responsável pela execução do serviço, e tem como objetivo promover o descarte correto de resíduos, incentivar práticas sustentáveis e conscientizar a população sobre a importância do cuidado com o meio ambiente em momentos de grande mobilização popular.

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A ação acontece durante os festejos do Réveillon, período marcado por intensa circulação de pessoas, consumo e geração de resíduos. Por meio da coleta de resíduos, o projeto busca minimizar impactos ambientais, estimular a separação adequada dos materiais recicláveis e reforçar a responsabilidade coletiva com os espaços públicos da capital amapaense.

Para Matheus Aquino, coordenador de projetos da Fundação Rede Amazônica, a iniciativa é essencial para associar celebração e consciência ambiental:

“Grandes eventos também são grandes oportunidades de educação ambiental. A coleta de resíduos durante a virada do ano mostra que é possível comemorar com responsabilidade, reduzindo impactos e cuidando da cidade e do meio ambiente”.

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Foto: Reprodução/Facebook-Tratalyx Serviços Ambientais

Já Mariane Cavalcante, diretora executiva da Fundação Rede Amazônica, destaca que as ações ambientais fazem parte da essência dos projetos da instituição:

“A Fundação Rede Amazônica tem o compromisso permanente de integrar ações ambientais às suas iniciativas. Trabalhar a sustentabilidade em eventos como a virada de ano reforça nosso papel de educar, conscientizar e inspirar práticas mais responsáveis na sociedade”.

A parceria com a Tratalyx fortalece a operação da ação, garantindo estrutura adequada para a coleta e a destinação correta dos resíduos, alinhando eficiência técnica e responsabilidade socioambiental.

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Fim de Ano Amazônico

O Fim de Ano Amazônico integra ações sociais, educativas, ambientais e comunicacionais, reafirmando o papel da Fundação Rede Amazônica como agente de transformação social e de valorização da identidade amazônica, com impacto que vai além do período festivo.

O Projeto Fim de Ano Amazônico tem o apoio de Instituto Cultural Educacional Formar (ICEF), Supermercados Fortaleza, Tratalyx, Governo do Amapá e realização da Fundação Rede Amazônica (FRAM).