A Central Única das Favelas (CUFA) Amazonas realiza, nos dias 21, 22 e 23 de agosto, no Amazonas Shopping, em Manaus, uma programação especial que marca o lançamento de dois dos principais projetos da instituição no estado: a Taça das Favelas Amazonas 2026 e a Expo Favela Innovation Amazonas 2026.
A agenda começa na sexta-feira (21), com o lançamento da Taça das Favelas, campeonato que utiliza o futebol como ferramenta de inclusão, oportunidade e transformação social. A programação reúne representantes das comunidades, profissionais do esporte, atletas, técnicos e convidados, além de painéis sobre futebol, oportunidades, transformação social e protagonismo feminino.
Durante o evento, serão apresentados o regulamento e o formato da competição, além do sorteio das chaves das equipes participantes. A programação contará ainda com a ativação “Chute Certo”, congresso técnico, lançamento da música oficial, torneio de embaixadinhas e shows.
No sábado (22), será realizado o lançamento da Expo Favela Innovation Amazonas 2026, no Amazonas Shopping. O evento reúne cultura, empreendedorismo e inovação, com apresentação do Puxirum, batalha de break, Hip Hop, Ball Room, capoeira e DJ LF, além de painéis sobre a transformação dos territórios e o impacto econômico das favelas.
No domingo (23), a programação continua no centro de compras, a partir das 14h, com atrações voltadas à música, cultura e economia criativa, incluindo dança do ventre, Fashion Revolution, Baile Charme, batalha de rima e painéis sobre identidade, talento e oportunidades nas periferias.
“Os dois eventos mostram, de diferentes formas, a potência das periferias do Amazonas. A Taça das Favelas utiliza o esporte como caminho para inclusão, desenvolvimento e descoberta de talentos, enquanto a Expo Favela evidencia a capacidade empreendedora, criativa e inovadora dos nossos territórios. São iniciativas que valorizam talentos, geram oportunidades e mostram que a periferia é também espaço de transformação e inovação”, afirma Fabiana Carioca, vice-presidente da CUFA AM.
Programação
Lançamento da Taça das Favelas 📅 21 de agosto (sexta-feira) ⏰ A partir das 10h
Lançamento da Expo Favela Innovation Amazonas 2026 📅 22 de agosto (sábado) ⏰ A partir das 10h
Cúpula do Teatro Amazonas aparece encoberta por tons de laranja em manhã de calor intenso em Manaus. Foto: Alcides Neto
Imagens de drone cedidas por Alcides Neto mostram a cúpula do Teatro Amazonas encoberta por uma névoa em tons de laranja intenso na manhã do dia 19 de agosto, em Manaus (AM). O registro foi feito às 6h52 e evidencia o aspecto do céu durante mais um dia de calor forte na capital amazonense.
No fim da manhã, por volta das 11h30, os termômetros marcavam 33°C em Manaus, com sensação térmica de 32,4°C. As imagens dos tons de laranja foram registradas em meio a uma sequência de dias quentes na capital.
No último dia 10 de agosto, Manaus registrou o dia mais quente de 2026 pelo segundo dia consecutivo, quando a temperatura máxima chegou a 36,1°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Cúpula do Teatro Amazonas aparece encoberta por tons de laranja em manhã de calor intenso em Manaus. Foto: Alcides Neto
O calor deve continuar nos próximos dias. As altas temperaturas também são previstas em outras áreas da região Norte. Em alguns municípios, os termômetros podem ultrapassar os 40°C.
Meteorologista explica calor que gerou os tons de laranja na cúpula
Segundo a meteorologista Andrea Ramos, as altas temperaturas estão relacionadas às condições climáticas típicas do período e à atuação de uma massa de ar quente e seca.
“Essa situação do tempo quente e seco se deu, principalmente, pelas condições atmosféricas. O estado estava numa condição de estabilidade proporcionada pela massa de ar quente e seca situada principalmente do centro ao sul do estado. O El Niño começou a influenciar o clima desde junho. Junho ele começou numa intensidade fraca e ele vai gradativamente aumentando a intensidade dele até 2027”, explicou.
Chuva no estado
Além do calor intenso, na quarta-feira (19), há previsão de pancadas de chuva e trovoadas no oeste do Amazonas. No norte e centro do estado, também podem ocorrer chuvas isoladas.
Foto: Divulgação/FunBio
Nesta quinta-feira (20), as instabilidades continuam no oeste e noroeste do Amazonas, com possibilidade de pancadas de chuva e trovoadas. No norte e centro do estado, há possibilidade de chuva isolada.
O Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Rio Branco (AC), apresentado em 5 de agosto, A partir do estudo, foram identificadas 87 áreas de risco geológico e hidrológico, onde vivem aproximadamente 44 mil pessoas. O documento foi elaborado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB) em parceria com o Ministério das Cidades, e apoio da Defesa Civil Municipal. A apresentação à população ocorreu durante audiência pública.
O PMRR reúne o mapeamento das áreas de risco geológico relacionadas a processos como inundações, deslizamentos, rastejos de solo e erosão fluvial, além de apresentar recomendações de intervenções estruturais e não estruturais que podem subsidiar o planejamento urbano e as ações de prevenção de desastres. Os levantamentos em Rio Branco (AC) foram realizados em três etapas de campo, em junho e setembro de 2025 e fevereiro de 2026.
De acordo com o estudo, a maior parte das áreas de risco identificadas no município está relacionada às inundações, que representam quase 60% dos processos mapeados. Também foram identificados rastejo de solo, erosão e deslizamentos. As áreas de inundação estão associadas às cheias recorrentes do rio Acre e de seus afluentes. O relatório destaca a ocorrência de eventos extremos em 2012, 2015, 2023 e 2024.
Bairros com áreas de risco
O maior número de pessoas vivendo em áreas de risco está nos bairros Cidade Nova e Quinze, onde mais de 7,4 mil pessoas ocupam setores classificados como de risco alto. Em seguida, destacam-se os bairros Taquari, com cerca de 5,2 mil pessoas em diferentes setores de risco, 6 de Agosto, com 4,5 mil, e Recanto dos Buritis, onde vivem aproximadamente 3,5 mil pessoas em setores mapeados.
Bairros com risco muito alto: Dom Giocondo, Novo Horizonte, 6 de Agosto, Taquari e a área do Igarapé da Judia (Av. Durval Camilo).
Bairros com risco alto: Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Palheiral, Volta Seca, Boa Vista, João Paulo II, Sobral, Laélia Alcântara, Calafate, Loteamento Severa Romana (Mutum), Taquari, Panorama, Adalberto Aragão, Jardim Tropical, Oscar Passos, São Francisco, Oscar Plácido, Vitória, Placas, Centro, Canaã, Recanto dos Buritis, Santa Inês, Cidade Nova e Quinze, Comara e Estrada do Porto Acre (localidade).
Bairro com risco médio: Mocinha Magalhães, Aeroporto Velho, Laélia Alcântara, Calafate, Floresta Sul, Taquari, Panorama, Estrada do São Francisco, Placa, Ouricuri, 6 de Agosto, Santa Terezinha e Igarapé da Judia (Av. Durval Camilo). Alguns bairros aparecem em mais de uma categoria porque possuem diferentes áreas de risco. Cada setor é classificado individualmente (risco médio, alto ou muito alto), conforme suas características geológicas, hidrológicas e o nível de vulnerabilidade das ocupações.
Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Rio Branco identificou 87 áreas de risco geológico e hidrológico. Foto: Paulo Leite/SGB
Risco médio: São áreas sujeitas a inundações em eventos de maior intensidade, ou onde o terreno apresenta características que podem favorecer a ocorrência de deslizamentos e erosões, mas os sinais de instabilidade ainda são iniciais. Setores de risco médio demandam monitoramento constante e ações para evitar o agravamento dos cenários de risco. Há possibilidade de danos materiais pontuais e baixo risco à vida.
Risco alto: São áreas com inundações frequentes ou com sinais claros de instabilidade, com processos de deslizamento e erosão ainda em desenvolvimento. Há potencial para danos materiais significativos e risco à vida em moradias vulneráveis.
Risco muito alto: Áreas que apresentam recorrência elevada de inundações com alto potencial destrutivo ou áreas com sinais evidentes de instabilidade (cicatrizes de deslizamentos, trincas e rachaduras nos terrenos) representando processos geológicos em estágio avançado. Há risco iminente à vida, demandando ações imediatas.
Entenda a elaboração do Plano
Os mapeamentos de áreas de risco conduzidos pelo SGB para elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) de Rio Branco (AC) foram realizados em três etapas de campo, em junho e setembro de 2025 e fevereiro de 2026. Participaram desse processo pesquisadores, agentes da Defesa Civil municipal e representantes da comunidade.
O trabalho incluiu a identificação, caracterização e classificação dos setores de risco geológico e hidrológico, com base em metodologias e critérios técnicos reconhecidos nacionalmente.
Na etapa seguinte, o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT), contratado pelo SGB, realizou a revisão detalhada dos setores classificados como de risco alto e muito alto para elaborar as propostas de intervenções estruturais voltadas à mitigação dos riscos.
O documento final do Plano foi apresentado, nesta quarta-feira (5/08), durante capacitação técnica aos gestores e servidores municipais e em audiência pública para toda a comunidade. O PMRR constitui um instrumento técnico que gera informações para orientar o planejamento urbano e apoiar o município na captação de recursos e na implementação de ações de prevenção de desastres. A partir desse documento, caberá exclusivamente ao município definir prioridades, planejar e executar as ações necessárias.
O PMRR faz parte de iniciativa coordenada pelo Ministério das Cidades, executada pelo SGB, para apoiar municípios na gestão de áreas de risco.
O uso sustentável inclui não cortar as palmeiras para obter seus frutos. Foto: Divulgação/IIAP
A seleção de buritizeiros de menor altura, boa produtividade e características favoráveis para a colheita faz parte da pesquisa realizada pelo Instituto Peruano de Pesquisa da Amazônia (IIAP) em Ucayali, para melhorar o uso sustentável do buriti. O trabalho científico possibilita identificar espécimes de elite como fontes de sementes e transmitir suas características desejáveis para novas plantações. Um desses espécimes está localizado nas instalações do IIAP.
De acordo com o IAPP, o buritizeiro tem cerca de 25 anos e, apesar da idade, não ultrapassa oito metros de altura. Tal característica é especialmente importante porque permite o acesso aos frutos com tesouras telescópicas ou equipamentos de escalada, e assim a colheita sem cortar a planta.
O pesquisador do IIAP Ucayali, Diego García, explicou que o espécime produz em média oito cachos de buriti por ano e que cada um rende até um saco com aproximadamente 50 quilos. A seleção desses exemplares também busca reduzir um dos principais problemas da colheita tradicional do buriti: o abate das palmeiras femininas para obter seus frutos.
Pesquisa do IIAP incorporou e aprimorou técnicas ancestrais de escalada usadas pelas comunidades nativas. Foto: Divulgação/IIAP
Diante disso, a pesquisa do IIAP incorporou e aprimorou técnicas ancestrais de escalada usadas pelas comunidades nativas. Essas práticas permitem que os frutos sejam colhidos sem derrubar as palmeiras e reduzem os riscos para os colheitores. O interesse científico das palmeiras não é apenas na quantidade de frutos que ela produz, e sim também nas características que permitem manter essa produção por longos períodos.
Os exemplares selecionados podem permanecer produtivos por mais de 50 anos, servindo como fonte de sementes para estabelecer plantações com projeção de longo prazo.
A identificação desses ‘buritis de elite’ faz parte de uma estratégia participativa de melhoria genética que busca aproveitar a diversidade das espécies e selecionar material com características de interesse para os produtores.
“Dessa forma, o IIAP, uma entidade vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, utiliza o leito de sementes para formar mudas que são entregues aos agricultores da região de Ucayali”, concluiu a instituição.
Irrigação fotovoltaica ajuda agricultores a manter a produção durante o El Niño.Foto: Fernando Teixeira/PMBV
A interrupção antecipada do período chuvoso, devido ao fenômeno El Niño, tem preocupado agricultores na zona rural de Boa Vista. Com menos água disponível no solo e temperaturas elevadas, os sistemas de irrigação fotovoltaica implantados pela prefeitura têm se tornado essenciais para garantir o desenvolvimento das lavouras e evitar prejuízos, permitindo que a produção tenha mais estabilidade. Ao todo, 156 equipamentos já foram instalados.
O sistema envolve bomba submersa, painéis fotovoltaicos, filtro e mangueiras de gotejamento, que permitem que a água seja aplicada de forma controlada, suprindo a necessidade das culturas e aumentando a eficiência no uso dos recursos hídricos.
“Com a redução das chuvas, esses equipamentos permitem que os agricultores mantenham suas plantações irrigadas, evitando perdas e dando mais segurança para o desenvolvimento das culturas. É uma ação que fortalece a agricultura, melhora a produtividade e contribui diretamente para a renda e a qualidade de vida das famílias que vivem da produção rural”, disse o secretário de Agricultura e Assuntos Indígenas, Cezar Riva.
O sistema envolve bomba submersa, painéis fotovoltaicos, filtro e mangueiras de gotejamento. Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Fenômeno climático
Como resultado dos efeitos do El Niño, fenômeno climático de aquecimento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, a falta de chuva impacta significativamente a agricultura. Segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), as projeções climáticas indicam a manutenção e a intensificação do período seco ao longo do segundo semestre de 2026, com elevada probabilidade de que o evento atinja intensidade muito forte.
O boletim sobre o El Niño, divulgado mensalmente pelo INPE, aponta que, na região Norte, o predomínio de chuvas abaixo da média e temperaturas acima da média intensificará a deficiência hídrica, aumentando a demanda por irrigação, além de elevar o risco de incêndios.
Os sistemas de irrigação fotovoltaicatêm se tornado essenciais para garantir o desenvolvimento das lavouras.Foto: Fernando Teixeira/PMBV
Edilson Gomes, agricultor da região do Murupu, recebeu o sistema há um ano e o equipamento tem ajudado a enfrentar as condições climáticas.
“Com o inverno normal, a gente liga a irrigação no meio de setembro, mas como o período está muito seco, acionamos o sistema em junho porque está muito quente. Antes, a gente tinha uma bomba para molhar a lavoura, mas era muito difícil porque a conta de energia ficava muito alta. Agora, a força da água vem da placa solar que recebemos da prefeitura e não gastamos mais energia elétrica”, contou.
Mesmo com a influência climática, os sistemas têm permitido que as famílias consigam produzir durante todo o ano, garantindo aumento na renda dos agricultores, já que não dependem da chuva para seguir com a produção. Calieu Ribeiro trabalha com o tio Edilson Pereira, no Murupu, e afirma que a escassez de chuva tem sido enfrentada com o sistema de irrigação fotovoltaica.
Irrigação ocorre por energia fotovoltaica. Foto: Will Manauima/PMBV
“Aqui, a gente produz melão, melancia, milho, café, mamão, maracujá, macaxeira e outras culturas. Com a instalação da placa solar, conseguimos ampliar o sistema de irrigação e tudo fica irrigado por um bom período. Hoje, com a seca, a gente liga o sistema às 7h e segue até as 17, com uma interrupção de uma hora, ao meio-dia. Sem irrigação não teria como manter tudo produzindo”, apontou.
Hoje, mais de 4,5 mil famílias vivem na zona rural de Boa Vista, área em que 2.165 são atendidas pelo Plano Municipal de Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA), que oferece apoio aos agricultores do município. Da preparação da terra à colheita, a prefeitura oferece suporte a quem planta, produz e movimenta a agricultura na capital.
Trecho do filme ‘Mundurukuyam – A Floresta das Mulheres-Peixe’. Foto: Reprodução/Youtube-VeloxTickets
O cinema também pode ser uma forma de conhecer a história, os costumes e as diferentes formas de enxergar o mundo dos povos indígenas.
Pensando nisso, a cunhã-poranga e influenciadora indígena Marciele Albuquerque compartilhou, em suas redes sociais, uma lista com cinco produções que têm os povos indígenas como protagonistas e abordam temas como ancestralidade, território, identidade e resistência.
“São obras que mostram a riqueza das culturas originárias e ajudam a entender porque os nossos povos indígenas são tão importantes”, destacou a influenciadora em seu vídeo.
Trecho do filme ‘A Última Floresta. Foto: Reprodução/Youtube-Emersson B. Ferreira
Conheça os filmes indicados:
Mundurukuyam – A Floresta das Mulheres-Peixe
Entre os títulos indicados está ‘Mundurukuyam – A Floresta das Mulheres-Peixe’, que estreou em agosto. A produção se passa na aldeia Sawre Muybu, às margens do rio Tapajós, no Pará, e apresenta a mitologia do povo Munduruku, na qual humanos, na origem do mundo, se transformaram em floresta, plantas e animais.
“O filme mostra como a mitologia do meu povo Munduruku se entrelaça à vida cotidiana e à luta pela proteção do território. A obra mostra que a floresta não é apenas um espaço físico, mas um lugar de memória. E uma curiosidade que torna essa obra ainda mais especial é que ela foi dirigida por mulheres do povo Munduruku”, destacou a cunhã.
De acordo com ela, esse filme é uma oportunidade de conhecer a Amazônia pelo olhar de quem vive e protege esse território todos os dias.
Outro filme indicado por Marciele é ‘A Última Floresta’, que acompanha o povo Yanomami e apresenta a relação da comunidade com a floresta, a espiritualidade e os conhecimentos ancestrais. A produção acompanha o xamã Davi Kopenawa Yanomami, que busca manter vivas as tradições e os espíritos da floresta diante das ameaças provocadas pela chegada de garimpeiros ao território.
A narrativa também apresenta os impactos dessas transformações na comunidade e os conflitos entre diferentes formas de compreender e ocupar o território. “Ele nos ajuda a entender que ali também vivem povos, conhecimentos, tradições e formas de enxergar o mundo que fazem parte da riqueza cultural do nosso país”, explicou Albuquerque.
O Território
A luta pela proteção da terra também é tema de ‘O Território’, documentário que acompanha o povo Uru-eu-wau-wau, em Rondônia.
A produção mostra a resistência dos indígenas diante do desmatamento e da ocupação ilegal de suas terras por fazendeiros e posseiros. Ao acompanhar essa luta, o filme evidencia como a defesa do território está diretamente relacionada à preservação das culturas, histórias e conhecimentos dos povos originários.
“É um filme importante porque mostra que quando um território indígena é protegido, as nossas culturas, as nossas histórias e a diversidade também são preservadas”, destacou Marciele.
A Flor do Buriti
Entre as indicações está ainda ‘A Flor do Buriti’, que acompanha diferentes gerações do povo Krahô. A história atravessa diferentes períodos e apresenta episódios de violência enfrentados pelo povo indígena, incluindo um massacre ocorrido na década de 1940 e os impactos da ditadura militar sobre os descendentes dos sobreviventes.
Mesmo diante dessas ameaças, a produção destaca as estratégias de resistência e a continuidade da cultura Krahô ao longo das gerações.
Para’í
Para fechar a lista, Marciele indica ‘Para’í’, filme que acompanha uma menina Guarani chamada Pará. A personagem encontra sementes coloridas de um milho tradicional Guarani e decide cultivá-las. A partir dessa descoberta, começa uma jornada de questionamentos sobre sua identidade, a língua de seu povo, a relação com a cidade, a religião e a luta pela terra.
A produção aborda, a partir do olhar de uma criança, questões relacionadas ao pertencimento e à preservação da cultura indígena.
Cinema como forma de conhecer
As cinco produções indicadas apresentam diferentes realidades indígenas e mostram que não existe uma única forma de vivenciar ou compreender as culturas dos povos originários. Por meio do cinema, temas como território, memória, ancestralidade, identidade e resistência ganham espaço e permitem que o público conheça essas histórias a partir de diferentes perspectivas.
Maria “Mariazinha” Oliveira, juventude ribeirinha. Foto: Acervo JLPC
“Não pense que o trabalho de preservar, de conservar, seja só de quem vive na floresta. Lutar por um mundo, um país e um lar estáveis não é só para as comunidades tradicionais. Abraça essa causa com a gente!”
É com esse senso de coletividade que a jovem de 18 anos, Maria Oliveira, conhecida como Mariazinha, contribui para a organização social de sua comunidade. Tinha apenas 10 anos quando deixou a comunidade onde nasceu, à margem do rio Juruá, na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Uacari, para viver do outro lado do rio, em São Raimundo, dentro da Reserva Extrativista do Médio Juruá, no Amazonas.
Foi ali, ainda criança, que sua trajetória de mobilização social começou. Encontrou um coletivo de jovens já formado, o JLPC (Juventude em Luta Pela Caminhada), e “a partir daí, eu não parei mais, né? Foi ação em cima de ação”, lembra.
Com mais de duas décadas de existência, o coletivo busca envolver principalmente os jovens para que participem da vida comunitária e debatam suas questões enquanto integrantes de uma população tradicional. Hoje, a JLPC atua em quatro frentes que Mariazinha resume como fundamentais: o fortalecimento do senso comunitário, a espiritualidade, a cultura e a economia sustentável.
Tradição versus tecnologia
Um dos temas centrais de debate entre a juventude é a tensão entre os saberes tradicionais e a chegada da internet às comunidades ribeirinhas. Para Mariazinha, a juventude local vem se afastando de práticas tradicionais, que ela considera essenciais à identidade de seu povo, em contraponto a soluções vistas na internet. Ela associa esse afastamento a uma busca por equiparação à vida urbana.
“A gente tinha alguns conhecimentos melhores do que os do povo da cidade, com experiências naturais e tradicionais. Ninguém mais quer tomar o chá medicinal, que é uma cultura antiga do nosso povo, por conta de que na internet tem aquele remédio que só funciona se for ele”, lamenta. “A juventude das comunidades está muito parecida com a juventude da cidade. Por isso, o coletivo tem investido em mostrar aos mais jovens que esses conhecimentos são nossos e são importantes”.
Reconstruindo o senso de comunidade
Um dos pilares do trabalho do JLPC são os chamados “mutirões solidários”, uma iniciativa coletiva em que o grupo de jovens se reúne para realizar tarefas em nome de quem não consegue executá-las sozinho ou mesmo em prol da comunidade.
“A gente junta todo mundo e todo mundo trabalha para uma pessoa que não consegue exercer aquele trabalho. E aí, a cada dia, a gente faz um mutirão para uma pessoa diferente”, explica Maria. Dessa forma, “todos cumprem suas tarefas essenciais sem tanto peso e ainda exercitam o senso comunitário.”
Na dimensão espiritual, o coletivo criou o ODJ (Ofício Divino da Juventude), levado às casas das famílias que não conseguem frequentar a igreja. Já na esfera cultural, o grupo tem resgatado festejos comunitários em datas comemorativas, uma tradição, segundo Maria, que estava se perdendo.
Entre as conquistas de que mais se orgulha, a jovem destaca uma mobilização comunitária que reuniu o coletivo, a comunidade e a associação local para garantir o acesso à educação para adultos. “Essa mobilização de trazer a educação a quem não teve oportunidade de estudar foi a que mais me orgulhou durante toda essa caminhada dentro do coletivo”, afirma.
A chocadeira ecológica e o equilíbrio da floresta
Há cerca de três anos, diante da redução da população de quelônios, agravada pelas mudanças climáticas e pela predação dos ovos, o coletivo assumiu a responsabilidade por um projeto de “chocadeira ecológica”.
“É uma espécie de viveiro cercado, cheio de areia, onde os ovos retirados das praias de desova são incubados com segurança até que os filhotes possam ser devolvidos ao habitat natural”, explica. “Desses três anos atrás, quando a gente começou até agora, a gente consegue perceber a diferença, o aumento que teve”, relata Maria.
A percepção do equilíbrio ecológico é compartilhada por toda a comunidade: “Se diminui a quantidade de qualquer espécie, a gente já sente. É como se tudo fosse um equilíbrio. Se cai uma, a tendência é que as outras também caiam. […] É como se eles fossem a base um do outro, o equilíbrio um do outro mesmo”, explica.
O monitoramento como educação econômica
Mariazinha também traça um paralelo entre essa organização social e os resultados econômicos concretos por meio do monitoramento das atividades centrais da comunidade. O coletivo passou a monitorar a extração de látex das seringueiras, coibindo cortes acima do limite da capacidade de produção. Segundo a jovem liderança, a prática reduziu drasticamente a mortalidade das árvores e ainda rendeu benefícios financeiros, já que, além de garantir o produto para os anos seguintes, o poder público recompensa as comunidades pelo manejo comprovadamente sustentável.
“Quando o governo vê a atividade bem realizada, ele aumenta uma política pública”, explica. A seringueira “é como se fosse uma mãe. Alimenta muitos filhos, desde que seja explorada com respeito aos seus limites. (…) o monitoramento não só ajuda na atividade em si, mas também ajuda nesse equilíbrio”.
Num outro exemplo, citou o manejo do pirarucu iniciado em 2011.
Foto: Acervo JLPC
No primeiro ano de manejo na comunidade, os moradores processaram 60 pirarucus, mas nem chegaram a receber pelo trabalho, por falta de organização e de conhecimento. “Levaram meio que um trote”, resume. Com o passar dos anos e o amadurecimento do monitoramento comunitário liderado pelos jovens, a atividade tornou-se uma das principais fontes de renda local, inclusive financiando a instalação de sistemas de energia solar em diversas comunidades da região.
Um sonho que ultrapassa as fronteiras
Frequentemente escolhida para representar a região do Médio Juruá em encontros com outros movimentos da organização social, Maria cita um encontro em Bogotá, na Colômbia, e outro em Óbidos, no Pará, nos quais, segundo relatos que ouviu, iniciativas locais teriam inspirado projetos após a divulgação das atividades realizadas no Médio Juruá.
“Me falaram que tem uma ação que eles fizeram lá porque viram no YouTube um pessoal daqui do Médio Juruá. Quando a gente age aqui e também posta, isso gera resultados para outros municípios”, avalia.
Maria, como quem esconde sua grandeza, fala em nome de uma geração inteira: “Esse sonho não é meu, não é do coletivo, mas é de toda a juventude do Médio Juruá. A gente quer montar uma caravana e sair por aí, levando todo esse conhecimento tradicional.” A ideia dessa “caravana social” é levar a outras comunidades, sobretudo as que carecem de organização de base, os conhecimentos tradicionais, as adaptações ao clima e as práticas de manejo sustentável desenvolvidas no Médio Juruá ao longo de toda a sua história.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia, escrito por Lucas Ramos
Pontos de atendimento reduzem distâncias e transformam o acesso à saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas. Foto: Lucas Bonny
A Fundação Amazônia Sustentável (FAS) atua para ampliar o acesso à saúde e fortalecer a qualidade de vida da população do campo, da floresta, das águas que vivem em comunidades ribeirinhas e de difícil acesso na Amazônia. Por meio do projeto SUS na Floresta, a instituição apoia a Atenção Primária à Saúde e contribui para aproximar os serviços de saúde dos territórios.
Em Carauari, no Médio Juruá, essa atuação resultou na implantação dos Pontos de Atendimento à Saúde Raimundo Ribeiro de Lima, conhecido como Saborá, na comunidade do Bauana, e Laice Santos do Nascimento, na região do Campina. As estruturas beneficiam moradores de 56 comunidades, reduzindo deslocamentos que, anteriormente, poderiam durar horas ou até dias.
Na região do Médio Juruá, onde algumas comunidades estão localizadas a horas ou dias de distância da sede do município, dependendo da potência da embarcação, o deslocamento, sempre esteve entre os principais desafios para o acesso à saúde.
Foi nessa realidade que Aldeniza Silva viveu suas gestações anteriores. Moradora da comunidade Boa Vista, ela precisava enfrentar uma viagem de dois a três dias até a sede de Carauari para realizar consultas e exames de pré-natal. Grávida de sete meses e mãe de outros quatro filhos, cada deslocamento exigia organizar o transporte, os custos da viagem e os cuidados com as crianças que permaneciam em casa.
Pontos de atendimento reduzem distâncias e transformam o acesso à saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas. Foto: Lucas Bonny
Hoje, o caminho até o atendimento leva cerca de cinco minutos de rabeta.
A mudança tornou-se possível com a implantação dos Pontos de Atendimento à Saúde Raimundo Ribeiro de Lima, conhecido como Saborá, na comunidade do Bauana, e Laice Santos do Nascimento, na região do Campina. Os espaços aproximam atendimentos médicos, odontológicos, de enfermagem e telessaúde de moradores de 56 comunidades de Carauari.
Nesta semana, onde celebramos o Dia Nacional da Saúde, a história de Aldeniza se une à de outras famílias do Médio Juruá para mostrar como a presença de um ponto de atendimento mais perto dos territórios pode transformar dias de espera e deslocamento em cuidado, segurança e qualidade de vida.
“Eu já estava me preparando para ir a Carauari fazer a consulta, mas soube que teria atendimento aqui e esperei. Estou achando ótimo, graças a Deus, porque ficou bem pertinho. Agora fica mais fácil cuidar de mim e dos meus filhos”, conta Aldeniza.
A mudança na rotina de Aldeniza é uma das histórias que revelam os impactos dos novos Pontos de Atendimento.
A iniciativa reduz distâncias, fortalece a Atenção Primária à Saúde e amplia o acesso a serviços essenciais para famílias que, anteriormente, precisavam viajar durante horas ou dias para chegar à cidade.
Para Mickela Souza, gerente do Programa Saúde na Floresta da FAS, a presença dos serviços nos territórios fortalece o acesso das comunidades às políticas públicas de saúde e contribui para a prevenção de doenças e outros agravos.
“Os pontos de atendimento à saúde representam o fortalecimento da cidadania da comunidade e do acesso à política pública de saúde. É o SUS chegando à floresta, chegando ao território e oferecendo seus serviços, trabalhando na prevenção de doenças e de agravos e contribuindo para fortalecer a saúde e o bem viver das pessoas que vivem na floresta”, afirma.
A iniciativa também evidencia a importância das parcerias para ampliar o alcance das ações de saúde nos territórios amazônicos.
“Os resultados alcançados no Médio Juruá mostram a força das parcerias para enfrentar desigualdades no acesso à saúde. Ao apoiar o SUS na Floresta, a Umane contribui para fortalecer soluções que aproximam a Atenção Primária das comunidades, respeitam as características dos territórios amazônicos e ampliam o acesso a um cuidado mais contínuo, resolutivo e de qualidade”, afirma Thais Junqueira, superintendente-geral da Umane, associação apoiadora do projeto.
Pontos de atendimento reduzem distâncias e transformam o acesso à saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas. Foto: Lucas Bonny
A implantação dos pontos de atendimento em Carauari se soma a outra entrega realizada pelo projeto. Em abril, foi inaugurado o Ponto de Atendimento à Saúde José Rodrigues, na comunidade do Ubim, na Reserva Extrativista (Resex) do Rio Gregório, em Eirunepé. Adaptada às especificidades da Amazônia, a unidade reúne atendimentos presenciais, odontológicos e por telessaúde, além de triagem, dispensação de medicamentos e estrutura para apoiar a permanência de profissionais de saúde no território.
Para Valcleia Lima, superintendente-geral adjunta, a implantação dos Pontos de Atendimento à Saúde representa, na prática, a missão de cuidar das pessoas que cuidam da floresta.
“A FAS é uma instituição que sempre teve como prioridade a saúde e o bem-estar das populações que vivem nos territórios. A entrega desses Pontos de Atendimento à Saúde no Médio Juruá representa uma conquista construída por muitas mãos e fortalece o cuidado com as famílias que cuidam da floresta”, compartilha.
Atendimento antes que o problema se agrave
A distância também fez com que Thiago Freitas Andrade, morador da comunidade Xibauazinho, permanecesse, aproximadamente, uma semana com um ferimento no pé. Ele pisou em um prego enquanto jogava bola e, com o passar dos dias, a lesão ficou inflamada, apresentou secreção e provocou dores que chegaram a impedi-lo de dormir.
Para chegar ao novo ponto de atendimento, Thiago viajou cerca de cinco horas de barco. Caso precisasse seguir até a sede de Carauari, ainda teria que aguardar a chegada de uma embarcação de resgate e enfrentar mais dez horas de deslocamento.
No ponto de atendimento recebeu atendimento no mesmo dia, sem precisar enfrentar filas ou permanecer na cidade. O ferimento foi avaliado e tratado, e ele recebeu medicação, orientações de repouso e indicação para vacinação antitetânica.
“O ponto ficou muito mais próximo da gente. O atendimento foi muito bom e os profissionais foram muito atenciosos. Fui atendido no mesmo dia, sem fila. Antes, seria preciso esperar o resgate e viajar muitas horas até a cidade”, relata.
Pontos de atendimento reduzem distâncias e transformam o acesso à saúde em comunidades ribeirinhas do Amazonas. Foto: Lucas Bonny
“É extremamente gratificante ver em ação um ponto de apoio de atendimento em regiões em que as pessoas demoravam horas e horas até chegar a um ponto de saúde. Isso foi viabilizado pela união de investimento público e filantrópico, abrindo novas possibilidades em prol de um mundo mais justo a todos”, compartilha Guilherme Sylos, Diretor de Prospecção e Parcerias do IDIS.
Mais segurança para pacientes e equipes
Para Raimar Bernardino, coordenador de resgates da Secretaria Municipal de Saúde de Carauari, a chegada dos pontos de atendimento também representa uma mudança importante na organização da rede de saúde.
Emergências como picadas de cobra, acidentes durante atividades de caça e outros traumas exigem deslocamentos imediatos, muitas vezes durante a madrugada e sob condições adversas de navegação.
“Há dias em que o resgate acontece sem problemas, mas também há situações em que enfrentamos chuva, escuridão ou problemas na embarcação. Tudo isso faz parte da logística da nossa região”, explica Raimar.
Sobre o SUS na Floresta
O projeto SUS na Floresta é realizado pela FAS em parceria com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Fundo Vale e Umane, com gestão da parceria do Instituto para o Desenvolvimento do Investimento Social (IDIS) e apoio técnico das Prefeituras de Carauari, Itapiranga, Novo Aripuanã, Uarini, Eirunepé e Secretaria de Estado do Meio Ambiente do Amazonas (Sema). Ele tem como objetivo fortalecer e apoiar a Atenção Primária à Saúde (APS) em comunidades ribeirinhas do estado do Amazonas por meio da estruturação de um sistema de telessaúde integrado ao SUS, ampliando a assistência nessas regiões.
*Com informações da Fundação Amazônia Sustentável.
O combate a incêndios florestais é o principal caminho para reduzir as emissões de metano no setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas, associado a fogo e desmatamento. O metano é um gás do efeito estufa cerca de 28 vezes mais potente que o gás carbônico.
A mensagem compõe o novo caderno de soluções do Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases do Efeito Estufa (SEEG), lançado no dia 18 de agosto, com recomendações para reduzir o metano nos principais setores emissores.
Em 2024, as emissões de metano por queimadas associadas ao desmatamento chegaram a 1,14 milhões de toneladas, cerca de 6% do total de 21 milhões de toneladas do gás emitidas naquele ano. A agropecuária é o setor que concentra a maior parte (75%) desse montante, principalmente por conta da criação de gado.
Mas quando se fala em emissões de metano por incêndios exclusivamente na vegetação nativa, essas ainda não são consideradas nos inventários oficiais, produzidos por órgãos públicos para divulgar as emissões brasileiras de gases do efeito estufa. Por isso, o SEEG apresenta esse cálculo de forma adicional: essas emissões “não consideradas no inventário” somam mais 1,01 milhões de toneladas de metano emitidas em 2024.
O Brasil é o quarto maior emissor de metano do mundo, atrás apenas de China, Estados Unidos e Índia, segundo o ClimateWatch. Em 2021, na COP26, em Glasgow, o país aderiu ao compromisso global de reduzir 30% das emissões de metano até 2030.
“As metas de redução de emissão de metano têm importante papel no combate ao agravamento das mudanças climáticas. Isso porque o metano é um gás com alto potencial de aquecimento, com 28 vezes mais poder de aquecimento que o CO2, mas também com meia-vida mais curta na atmosfera. Por isso, medidas mitigatórias focadas nesse gás têm o poder de serem de alto e rápido impacto”, explica Bárbara Zimbres, pesquisadora do IPAM (Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia) e do setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas no SEEG.
Foto: Uêslei Araújo/Sema AC
O documento lançado pelo SEEG apresenta 37 soluções, cinco delas focadas no setor de Mudanças de Uso da Terra e Florestas. A redução do desmatamento e a prevenção de incêndios estão na lista, com destaque para o papel de estados e municípios na gestão do fogo e governança territorial desde a prevenção até o combate.
A expectativa dos especialistas é que a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo fomente a integração e articulação entre o governo federal, estados e municípios, com atenção também para o licenciamento do uso do fogo na agropecuária.
“Com a recente aprovação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo e na sequência de eventos de incêndio devastadores em todo o Brasil em 2024, estamos num momento muito favorável para transformar todas as promessas em ação e nos preparar para os potenciais efeitos do El Niño que se inicia. O caderno de Soluções visa resumir essas frentes de ação de forma prática e ajudar entes públicos a priorizar as estratégias mais efetivas”, complementa Zimbres.
Foto: Michel Alvim/Secom-MT
Devido a um El Niño forte já consolidado nas águas do Oceano Pacífico, a atenção é redobrada para o risco de incêndios na Amazônia, dado que o fenômeno tende a deixar a região mais seca enquanto agrava episódios de chuva no Sul do país.
*O conteúdo foi originalmente publicado pelo IPAM Amazônia
Evento de lançamento da TranspoAmazônia 2027 ocorreu na sede da Fetramaz. Foto: Divulgação
Considerada a maior feira do setor de transportes e logística da região Norte do Brasil, a TranspoAmazônia terá duas novidades para 2027: a inclusão da indústria naval e a cabotagem. Os temas foram anunciados nesta quarta-feira (19), durante o lançamento da quarta edição do evento, que discute os desafios logísticos e as soluções para a região amazônica.
A cerimônia aconteceu na sede da Federação das Empresas de Logística, Transporte e Agenciamento de Cargas da Amazônia (Fetramaz) e contou com a presença de empresários, autoridades políticas e representantes de empresas que compõem toda uma cadeia multimodal.
Marcada para os dias 19 a 21 de maio do ano que vem, no Centro de Convenções Vasco Vasques, em Manaus (AM), a feira incluirá o setor naval em seu nome oficial, que agora será chamada de Feira e Congresso Internacional de Transporte, Logística e Construção Naval. A decisão, segundo a organização, responde a uma demanda direta do setor produtivo, já que a construção naval junto à cabotagem sustentam a navegação fluvial que abastece o país até o interior do Amazonas.
Para o presidente da Fetramaz e idealizador da TranspoAmazônia, Irani Bertolini, incluir a construção naval na programação de 2027 é também uma forma de transformar em política pública algo que já é vocação histórica da região.
“O Amazonas tem, historicamente, a vocação natural e todas as condições de liderar esses setores no continente. Com a inclusão da construção naval na TranspoAmazônia 2027, queremos colaborar com o setor público, a sociedade e tirar do papel projetos para desenvolver o estado, gerar emprego e renda de modo sustentável, sem derrubar nenhuma árvore”, afirma Bertolini.
Números da indústria naval no Amazonas
A indústria naval é considerada um dos pilares da economia amazonense. De acordo com levantamentos do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), do Governo do Amazonas e de outras instituições públicas e privadas, a região abriga a maior indústria naval autônoma do planeta.
Somente no Estado, são mais de 300 estaleiros de diferentes portes e uma frota de cinco mil embarcações responsáveis por 95% do abastecimento de produtos essenciais aos municípios amazonenses, além do transporte de passageiros. Para se ter ideia, na capital Manaus, os estaleiros ocupam 20% da orla da cidade — um retrato de peso de um dos maiores polos navais do país.
Cabotagem é o sistema de transporte marítimo e fluvial de cargas entre portos brasileiros. Foto: Reprodução/Grupo Porto Chibatão
A região Norte recebeu R$ 406,7 milhões em investimentos nos últimos três anos, de acordo com os números do BNDES e do Fundo da Marinha Mercante. Foram 70 embarcações entregues, entre elas as unidades produzidas no estaleiro Juruá, em Iranduba, em maio deste ano.
Dados do Sinaval de 2023 estimam que o faturamento anual do povo naval do Amazonas em cerca de R$ 2,5 bilhões, além de 233 obras contratadas, números que coloca o Estado entre as lideranças do segmento no Brasil e na América Latina. Além disso, o setor já emprega mais de 15 mil pessoas diretamente apenas no Amazonas, com potencial de crescimento em toda a região.
Ao lado da construção naval, outro tema que ganha força na pauta do ano que vem é a cabotagem. O transporte marítimo e fluvial de cargas entre portos brasileiros é apontado por especialistas do setor logístico como uma alternativa estratégica para reduzir custos e desafogar o transporte rodoviário de longa distância – um debate que dialoga diretamente com a vocação naval e fluvial da Amazônia.
Com a ampliação do foco, a organização da TranspoAmazônia afirma que busca reforçar o diálogo sobre integração logística nacional, conectando a produção naval amazonense às rotas de cargas que ligam o Norte ao restante do País.
Evento de lançamento da TranspoAmazônia contou com a presença de empresários, autoridades políticas e representantes de empresas que compõem toda uma cadeia multimodal. Foto: Dayson Valente/Portal Amazônia
Expectativa para TranspoAmazônia 2027
Faltando dez meses para a edição de 2027, cerca de 60% dos estandes e espaços já estão comercializados, um indicativo de que a feira deve superar em porte todas as edições anteriores. A meta é ambiciosa por superar a marca de R$ 1 bilhão em negócios gerados na edição de 2026.
“O mercado amazônico tem um potencial gigantesco e ainda pouco explorado. A TranspoAmazônia nasceu para conectar quem produz com quem entrega. Em 2027 queremos ampliar esse diálogo, trazer mais investidores e mostrar que podemos crescer de forma competitiva e sustentável na região”, finalizou Irani.